Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.
Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009
Pratos vegetarianos cheios de sabor
Sabores de Natal sem peru nem bacalhau



Paul McCartney, patrocinador da Sociedade Vegetariana do Reino Unido, diz que hoje pode parecer estranho a alguns, mas no futuro o Natal vegetariano será uma “nova tradição”. Chefes famosos já preparam ementas gourmet vegetarianas.

Muitas pessoas estão a mudar os seus hábitos alimentares, por motivos de saúde ou por compaixão relativamente aos animais. Com tantas «carnes» vegetarianas no mercado, não há necessidade de comer peru, defende Paul McCartney.



Para o mais famoso dos Beatles podem-se comer coisas saborosas, sem matar animais. Paul recorda, a propósito, o empenhamento da sua mulher Linda, activista da causa, que sempre defendeu os hábitos alimentares vegetarianos.



Contudo, muitas pessoas têm ainda dificuldade em pensar numa ceia de Natal sem os pratos tradicionais, com destaque para o peru assado no forno e o bacalhau, o «fiel amigo» português, confeccionado das mais variadas maneiras, e consideram a comida vegetariana sensaborona.



Se é verdade que um Natal vegetariano implica uma ementa diferente, sem ingredientes de origem animal, nada impede que a ceia espalhe odores apetitosos e tenha sabores variados e apelativos.



Ainda que na ementa de Natal entrem os habituais ingredientes tofu e seitan e soja, a base proteica dos pratos vegetarianos, todos os legumes, ervas de cheiro e especiarias são permitidos.



As receitas com frutos secos são especialmente adaptadas para esta época festiva, bem como as rabanadas (com leite de soja) e os cuscurões são uma boa opção.



Bacalhoada Vegetariana e Bolo de Natal
Para se confeccionar uma bacalhoada vegetariana para quatro pessoas são necessários 600g batatas, 250 gr de seitan, 1 cebola, três tomates, 1 pimento, 1 frasco de leite de coco e azeite q.b.



Na preparação, lavar bem as batatas com pele, cortar em rodelas e cozer. Retira-se então a pele e numa forma untada com um pouco de azeite ou margarina vegana (de origem não animal, forra-se o fundo e as laterais da forma com as batatas. Colocar o seitan em fatias por cima da batata e reservar.



Num tacho, coloca-se um fio de azeite, a que se junta a cebola às rodelas, o tomate picado e pimento. Para apurar o refogado, junta-se o leite de coco. Verter o molho sobre o tabuleiro com o seitan e as batatas e levar ao forno até dourar. Serve-se com couve cozida ou outros legumes da sua preferência.



Para sobremesa, pode confeccionar-se o bolo de Natal cujos ingredientes são 2 chávenas de tâmaras picadas sem os caroços, 300ml de agua (pode substituir-se por 1/4 de brandy ou sherry), 175g de farinha integral, 175g de frutas secas diversas, 2 colheres de chá de fermento em pão, 1 colher de chá de especiarias à escolha e 4 colheres de sopa de sumo de laranja.



Aquecer as tâmaras e a água até que os frutos estejam macios, retirar do lume e amassar com um garfo. Adicionar os restantes ingredientes e misturar bem. Colocar numa forma untada e levar ao forno (170 graus), durante cerca de 1h30.



Depois de o bolo arrefecer, pode-se adicionar uma cobertura de açúcar derretido em água quente a que se adicionam nozes picadas e amêndoas.



Quanto a bebidas, as cervejas portuguesas são veganas, ou seja a fermentação não recorre a produtos animais e nos vinhos também há produtores que trabalham da mesma forma.



A Associação Vegetariana Portuguesa tem no seu site muitas outras propostas, não só gastronómicas mas também de decoração que se adaptam a esta quadra festiva. Para mais sugestões e acompanhamentos pode seguir este link e caso pretende ter acesso a uma compilação de receitas vegetarianas adaptadas da gastronomia tradicional, estão disponíveis aqui.


publicado por Maluvfx às 14:16
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
Menos carne e mais bicicletas ajudam clima e saúde
A redução de 30% da produção e do consumo de carne entre os principais produtores, associada a avanços tecnológicos, pode reduzir sensivelmente as emissões e o número de doenças cardíacas, mostra estudo na revista científica britânica “The Lancet”.




Ela contextualiza, dizendo que a agricultura e a alimentação representam de 10% a 12% das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa.



O estudo faz parte de uma série publicada na “The Lancet” em função da aproximação da Cúpula de Copenhague, que acontece entre 7 e 18 de dezembro. A iniciativa antecipa os benefícios para a saúde e clima de ações que podem ser adotadas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.



Ciclistas



A revista mostra também que preparar as cidades para pedestres e ciclistas pode ajudar mais a reduzir o impacto para a saúde do que incentivar a fabricação de carros menos poluentes.



A reformulação dos transportes nas cidades de Londres e Nova Déli mostrou que, quanto mais espaços para pedestres e bicicletas, menor o número de doenças cardíacas e de acidentes vasculares cerebrais.



A redução de parte da eletricidade produzida a partir de energias fósseis (gás, carvão e petróleo) teria um duplo benefício, para o clima e para a saúde humana, reduzindo a poluição do ar.



Adotando como hipótese uma trajetória de divisão por dois das emissões mundiais de CO2 até 2050, os estudos analisam o impacto para a saúde em cada país.



O efeito mais acentuado seria na Índia, onde, no melhor dos casos, se poderia evitar 93.000 mortes por câncer de pulmão, doenças cardiovasculares e cardiorrespiratórias em 2030 em relação a um cenário sem esforço específico.



Reconhecimento



“Os políticos com poder de decisão custaram a reconhecer que o verdadeiro problema da mudança climática está no risco de afetar a saúde humana e a qualidade de vida”, disse a diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS) Margaret Chan.



“A desnutrição e seus efeitos devastadores sobre a saúde das crianças vai aumentar”, destacou, incluindo os arriscados aumentos de temperatura entre idosos, destacou.



“Além disso, a mudança climática pode modificar a distribuição geográfica dos vetores das doenças, entre as quais os insetos que transmitem a malária e a dengue”, advertiu.

 
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publicado por Maluvfx às 14:10
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Maioria das intoxicações é causada por comida com ovos ou maionese

Estudo da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo aponta que 27% (ou quase um em cada três) surtos de intoxicação alimentar registrados no Estado de São Paulo estão relacionados ao consumo de alimentos preparados nas residências.




Foram analisados 76,8 mil casos de DTA (doenças transmitidas por água e alimentos), ligados a 2,7 mil surtos ocorridos entre 1998 e 2008. Os casos de intoxicação relacionados ao preparo de alimentos e restaurantes, lanchonetes, bares, padarias, bifês e outros estabelecimentos que vendem comida ocupam o segundo lugar no ranking, com 24% do total de surtos.


Dez por cento dos surtos não tiveram informação do local de ocorrência e outros 39% estavam relacionados a espaços variados como creches, escolas, asilos e outros locais. A maior parte dos casos analisados, 72,5 mil, foram de diarreia aguda causada por bactéria, sendo a principal delas a Salmonella, responsável por cerca de 7 mil casos.



Entre os casos de diarreia aguda causada por Salmonella, segundo o estudo, 35% estão relacionados ao consumo de ovos crus ou mal cozidos e a alimentos preparados a base de ovos, como maionese. Outros 16% foram causados por bolos e doces, 11% pelo consumo de tortas, salgados e lanches, e 9% pela ingestão de carnes e aves.

 
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publicado por Maluvfx às 14:07
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É preciso comer menos carne para salvar a Terra
Fabrice Nicolino, autor de Bidoche, L´Industrie de la viande menace le monde (Éditions Les Liens que Libèrent), respondeu, dia 16 de outubro, às questões dos leitores do Monde.fr sobre os efeitos nocivos do aumento massivo do consumo mundial de carne sobre o meio ambiente e a saúde. Os diálogos com Fabrice Nicolino estão publicados no Le Monde, 16-10-2009.
A tradução é do Cepat.




ours: De que modo a produção de carne tem consequências sobre a mudança climática?



Fabrice Nicolino: É uma questão complexa, mas dispomos de um documento oficial, institucional, um enorme relatório de 2006 da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), da ONU. De fato, trata-se de uma análise global de todo o ciclo da produção pecuária no mundo. Não somente dos animais, mas a sua alimentação, os meios de transporte utilizados [para levá-los aos frigoríficos]. Esse relatório estima que todo o gado mundial emite 18% de gás de efeito estufa de origem humana, e esse total é superior àquele que diz respeito aos transportes utilizados pelos seres humanos (carros, navios...).



Pharell_Arot: Bom-dia. Sendo um aficionado por carne, eu me pergunto sobre as condições a serem adotadas para conjugar os prazeres alimentares e o desenvolvimento sustentável. Quais são, para você, as precauções que um consumidor médio pode tomar imediatamente?



Fabrice Nicolino: A primeira coisa é lembrar que o consumo de carne na França foi multiplicado aproximadamente por 4 desde a segunda Guerra Mundial. Nós comemos muita carne, por razões econômicas e políticas. Eu realmente não tenho conselho a dar. Minha opinião é que podemos comer muito menos carne, comer uma carne de melhor qualidade. Pessoalmente, eu como carne, mas cada vez menos, e é carne biológica, porque nesta maneira de produzir está proibido o uso em grande quantidade de produtos medicinais e químicos.



Pharrell-Arot: Há consumos de espécies menos perigosas que outras para o planeta? A de porco, por exemplo?



Fabrice Nicolino: O pior transformador de energia é o boi. Quanto menos vegetais um animal consumir, menos o seu consumo é prejudicial para os equilíbrios do planeta. E desse ponto de vista, há uma certa hierarquia que vai do frango ao boi passando pelo suíno. O menos mal é o frango.



Herve_Naturopathe: Há um lobby francês dos frigoríficos/criadores tão importante quanto nos Estados Unidos?



Fabrice Nicolino: Realmente creio que não. Existe um lobby da carne industrial na França, poderoso, mas que não tem nada a ver com a extraordinária importância que a "carne" tomou nos Estados Unidos. Nesse país, há uma história apaixonante por trás do lobby da carne. Um notável livro, La Jungle, publicado em 1906 por Upton Sinclair, descreve o universo dos matadouros de Chicago. É um livro belíssimo.



Nos Estados Unidos, o lobby é realmente muito poderoso; secretários de Estado da Agricultura, especialmente na presidência de Reagan, eram ex-industriais da carne. Sob as Administrações republicanas, mas não apenas, há uma espécie de consanguinidade entre políticos e o lobby da carne.



Voltando ao caso da França, sim, existe um lobby da carne, que é representado pelo Comitê de Informação das Carnes, que tem relações estreitas com a indústria da carne, seguramente, mas também com o aparelho do Estado, o Ministério da Agricultura e o maior sindicato patronal de agricultores, a FNSEA.



Romain: Que alimentos podemos utilizar para substituir a carne vermelha em matéria de contribuição nutricional e de sabor?



Fabrice Nicolino: Não há resposta para esta questão... O sabor da carne vermelha é o sabor da carne vermelha. Eu não saberia dizer o que poderia substituir o seu sabor. No plano nutricional, por mais curioso que possa parecer, um grande número de estudos mostra que os regimes vegetarianos ou os regimes extremamente pouco carnívoros são os melhores para a saúde humana. Eu cito rapidamente um nome, conhecidíssimo nos meios da nutrição: é um norte-americano que se chama Colin Campbell. Ele conseguiu fazer um estudo comparativo da alimentação entre, de um lado, os cantões chineses e, do outro, os condados americanos. Um imenso estudo que durou vinte anos. Ele observa que o regime chinês, amplamente baseado numa dieta de vegetais, é infinitamente melhor para a saúde.



cocoparis: Você acha que é preciso reduzir também o nosso consumo de leite?



Fabrice Nicolino: É um debate aberto e inclusive no plano científico. O que é certo é que o hiperconsumo de leite, que caminha paralelamente à industrialização da pecuária, é muito nefasto à saúde humana. Passamos de vacas bem alimentadas que produziam, em 1945-1946, em torno de 2.000 litros de leite por ano a vacas que dão 8.000, 10.000, inclusive 12.000 litros por ano.



Está claro que quando se produz estas quantidades de leite, é preciso que esse leite seja consumido na sequência. É preciso que as pessoas o bebam. Há nisso uma lógica de ferro muito constrangedora. Se é produzido, necessita de um mercado, necessita de saída. No campo da saúde, o leite não é um alimento tão bom quanto se acreditava ou se fazia crer durante muito tempo.



Apis88: Atualmente, está claramente demonstrado que os países que se enriquecem vêem o consumo de carne por habitante aumentar. Esta constatação pode ser invertida?



Fabrice Nicolino: É uma questão decisiva, uma questão chave. Existe um modelo de consumo de carne, o modelo ocidental, baseado sobre um consumo muito grande de carne. Ora, a produção de carne necessita de quantidades industriais de cereais. E as áreas agrícolas no mundo não podem ser ampliadas ao infinito. Muitos agrônomos de primeira linha se perguntam como se poderá, nos próximos anos, satisfazer este impressionante aumento da demanda de carne nos países chamados emergentes, no topo dos quais está a Índia, mas sobretudo a China, onde 200 milhões ou 300 milhões de chineses reclamam carne, porque pela primeira vez eles têm dinheiro para comprá-la e querem unir-se ao modelo ocidental.



O problema é que as terras agrícolas que permitiriam alimentar esse gado estão em falta, e parece extremamente difícil encontrar novas áreas sobre a Terra assim como está. O que eu quero dizer é que na minha opinião o modelo de consumo de carne praticado entre nós não é de maneira alguma generalizável a todo o planeta. Dito de outra maneira, me parece altamente provável que será preciso rapidamente se colocar a questão central, fundamental, do nosso modelo alimentar. Sem isso, poderemos sem dúvida passar do atual bilhão de esfomeados crônicos para talvez dois bilhões ou três bilhões em 2050.



br: Você acha que os políticos, em sua resposta à crise agrícola atual, vão levar em consideração esse fenômeno?



Fabrice Nicolino: Claramente, não, não, não e não. Vou fazer um paralelo com a situação da França em 1965. O ministro da Agricultura do General de Gaulle chama-se Edgard Pisani. Em 1965, este fez uma turnê triunfal pela Bretanha, e declarou, sob aplausos: a Bretanha deve tornar-se uma fábrica de leite e de carne da França. É muito importante, porque vemos bem que os políticos seguem, evidentemente, objetivos, mas que por definição são objetivos políticos. Ora, nós estamos em vias de falar de questões de outra natureza, que reclamam decisões muito mais refletidas, muito mais pensadas, sobre um prazo muito maior que o tempo dos políticos. Eu acrescentaria que a ecologia, a crise ecológica e tudo o que a ela estiver associado vai impor visões, pontos de vista, decisões para as quais a classe política, de todos os espectros ideológicos, da extrema direita à extrema esquerda, não está preparada.



GrandGousier: De acordo, é preciso deter esta orgia de carne, por todas as razões inventariadas em seu livro. Mas, por onde começar? Na França, quais seriam as primeiras ações a serem tomadas, os primeiros objetivos a serem fixados?



Fabrice Nicolino: Eu não estou aqui para dar lições a quem quer que seja. Mas como pessoa, eu penso que seria bom unir-se à construção de um movimento de consumidores como nunca se viu. Eu penso, na linha do que acabo de dizer sobre a classe política, que apesar do seu interesse e de sua valentia, os movimentos de consumidores que existem na França, por exemplo, a UFC-Que Choisir [União Federal de Consumidores, associação francesa de consumidores] ou 60 milhões de consumidores, exprimem em grande parte preocupações de outro tempo. Eu penso que seria útil e necessário para todos que nasça um movimento de consumidores que integre a crise ecológica, que é fundamentalmente uma crise dos limites físicos. E esse movimento, quando aparecer, provavelmente lançará ações coletivas contra a carne industrial. Para mim, este movimento passará necessariamente por formas de boicote.



Herve_Naturopathe: Ser "consommacteur" [consumidor comprometido] não seria a resposta? Consumir com reflexão e respeito...



Fabrice Nicolino: Seguramente. Mas a questão é quando e como, porque já tivemos movimentos. Eu lembro do boicote dos hormônios para os terneiros em 1980, movimento lançado pelo UFC-Que Choisir. O consumo da carne de terneiro foi dividida por 6 ou 8, era muito impressionante. E o sistema se adaptou, pois se reforçou. Portanto, a questão é realmente saber como encontrar uma eficácia frente a uma indústria que está unida por fios a todos os poderes estabelecidos, quer sejam administrativos, políticos, industriais, sindicais. É uma questão que eu aplico a mim mesmo: como tornar-se "consumidor comprometido" realmente e não apenas nos propósitos.



hadadada: No futuro, deveremos parar totalmente de consumir carne?



Fabrice Nicolino: Eu não vejo esse ponto no horizonte da minha vida. Em todo o caso, eu descobri, ao escrever o livro, que se pode viver sem comer carne. Eu realmente a ignorei. Eu creio que durante muito tempo fizemos chacota dos vegetarianos e que julgávamos, às vezes contra todas as evidências, que sua saúde era muito ruim. Alguns lobistas de que falo no meu livro lembram, para desqualificar os vegetarianos, que tanto Hitler como Jules Bonnot, o anarquista, foram vegetarianos. O que eu constatei é que se pode viver sem comer carne. Devido aos grandes equilíbrios e para enfrentar os grandes problemas que estão diante de nós, a começar pela fome, me parece vital que mudemos novamente de regime alimentar e que renunciemos a uma boa parte da carne que ingerimos a cada ano. Mas mais carne, eu não creio absolutamente nisso, eu penso que é uma questão antropológica, que leva a muitas outras.



cocoparis: E o que você tem a dizer aos criadores? Mudar de profissão? Tornar-se cerealistas?



Fabrice Nicolino: É uma questão terrível. Eu gosto dos agricultores. É verdade que eu prefiro os agricultores do Sul àqueles saturados de subvenções do Norte, mas o mundo da pecuária é um mundo em que encontrei um monte de gente boa, mesmo na pecuária intensiva. Mas eu quero ser direto: eu penso que a pecuária industrial está condenada. Eu penso que a França, a sociedade francesa, contraiu uma dívida com os criadores, e uma vez que tudo foi organizado em vista da pecuária industrial, seria insuportável dizer repentinamente aos pecuaristas para que mudem de profissão. Eu penso que se deveria imaginar um plano de transição, um pouco sobre o modelo do plano de transição de saída da energia nuclear na Alemanha. Poderíamos imaginar um plano de transição de 15 anos para permitir uma aterrissagem suave, para permitir a um certo número de criadores uma retirada digna, e para incentivar os mais jovens a se lançar numa atitude mais respeitosa dos animais, dos equilíbrios naturais, e dos seres humanos que estão no final da cadeia.



Scheatt: As transformações necessárias para um modo de vida mais sóbrio são compatíveis com a organização atual da distribuição e da pecuária?



Fabrice Nicolino: Não, porque é preciso compreender que se trata de um sistema extremamente eficaz em seu registro, muito complexo, muito rodado, que exclui, por exemplo, todo direito dos animais a existir. Eu, com o risco de chocar alguns, sou muito sensível à sorte dos seres humanos, eu sou um humanista, mas considero que os animais têm direito à existência. Eu dediquei o meu livro aos animais mortos sem terem vivido. Num passado remoto, durante 8.000 a 9.000 anos, os seres humanos viveram um companheirismo com os animais, que era sem crueldade, sem violência e sem maus-tratos. Os animais davam sua força de trabalho, mas eles permaneciam seres vivos, sensíveis.



A indústria transformou totalmente os animais, a quem tanto devemos. Eu lembro que sem a existência dos animais domésticos, não teria havido civilização humana. Passamos a uma situação de industrialização em que o animal tornou-se uma coisa, uma mercadoria, um objeto de troca, de material. Eu creio que esta ruptura na história da nossa relação com os animais tira de nós uma parte considerável da nossa humanidade. Eu creio que esta maneira de tratar este "outro" que é o animal abre as portas para um caminho moral.



Ecodebate, 31/10/2009


publicado por Maluvfx às 13:53
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Vegetarianismo X Ciência
O vegetarianismo e a ciência vêm andando separados há muito tempo. Há entre os dois uma barreira que, se rompida, pode trazer muitos benefícios para ambos.




Em primeiro lugar, vejamos onde estiveram a ciência e o vegetarianismo nos últimos tempos. Eu falo da ciência como sendo aquela nobre arte de descobrir e validar a verdade onde quer que ela se encontre e onde quer que ela nos leve. Eu não falo da forma em que ela muitas vezes se apresenta, a instituição que procura preservar-se a qualquer custo, mesmo que isto signifique ignorar seus princípios básicos, dos quais faz parte o compromisso com a verdade.



É um fato que a maioria das pessoas na comunidade científica fazem uma expressão de desinteresse e repúdio quando a palavra “vegetarianismo” aparece em sua frente. Verdade também é que os vegetarianos não se sentem muito confortáveis quando a “ciência” vem investigar seus hábitos. Assistindo a este quadro, a ciência (do segundo tipo) diria que não há interesse em investigar tamanho absurdo e que o vegetarianismo não simpatiza com sua presença porque ele está fundamentado em princípios filosóficos e não científicos. O vegetarianismo, ao mesmo tempo, diria que a ciência não lhe é pertinente porque ele já possui todo o conhecimento de que necessita e que a ciência nunca poderia compreender seus princípios. Parece que há muito a ser investigado e compreendido por ambos os lados.



Identificando as Barreiras



A “Ciência”, em sua forma mais comumente vista, parece concentrar-se em descobrir poções mágicas para curar doenças, ao invés de investigar como a natureza por si própria oferece meios para prevenir estas mesmas. Trata-se de desafiar e tentar controlar a natureza ao invés de compreendê-la. Trata-se de descobrir um novo gene supostamente responsável por uma nova doença, ou ainda outra substância química supostamente capaz de atacar e destruir o tecido doente.



O resultado é o acúmulo de uma grande quantidade de informações que não têm valor até que sejam colocadas em uma perspectiva mais ampla e abrangente e é nesta última etapa que a ciência falha. A compreensão do quadro geral é trocada pela venda de “curas instantâneas” que advêm da proposta de que a humanidade possui a suprema habilidade de conquistar e controlar a natureza.



O vegetarianismo, por outro lado, possui esta visão mais ampla. Porém, é baseado em diferentes princípios filosóficos e é por este motivo muitas vezes tido como empírico pela ciência racionalista. Para muitos vegetarianos, a verdade só é reconhecível quando apresentada da forma já conhecida, tendo o absolutismo como a principal forma de pensar.



O principal problema com ambos os lados é que suas atitudes são excessivamente dogmáticas. Ambos buscam estarem certos, ignorando completamente o ponto de vista do outro. É esta barreira que acaba por nos privar de valiosos conhecimentos.



O Próximo Passo



Se a ciência passar a reconhecer e compreender o conceito do vegetarianismo todos se beneficiarão. Alguns cientistas (do primeiro tipo) já vêm a algum tempo conduzindo estudos que nos trazem uma enorme quantidade de evidências que suportam o valor do vegetarianismo para a saúde. Trata-se apenas de sintetizar estas evidências e reconhecer o novo horizonte que se abre para o mundo da saúde.



Os motivos filosóficos que levaram alguns vegetarianos a adotarem seus hábitos não devem ser necessariamente relevantes, pois a evidência continua existindo.



Para que esta relação entre a ciência e o vegetarianismo possa existir deve-se ainda responder às seguintes perguntas:



- Será que as pessoas estão dispostas a investigar hipóteses que contrariam suas preferências pessoais de alimentação e estilo de vida?



- Será que as pessoas evitam refletir sobre idéias que não suportam suas opiniões e hábitos pessoais?



Uma vez dada uma chance de se conhecerem os fatos científicos que suportam uma dieta baseada exclusivamente em produtos de origem vegetal, tornam-se claros os benefícios que se derivam de tais hábitos alimentares.



Mas ainda há muitos detalhes a serem investigados. A ciência deve estar com a mente aberta para entender o vegetarianismo. Isto quer dizer estar disposta a estudar as diversas maneiras pelas quais a nutrição afeta nosso metabolismo, nossa resistência às agressões externas e nossa saúde mental e espiritual. Estas são questões complexas que têm no vegetarianismo muitas de suas respostas.



Não é aceitável que se fique preso a conhecimentos antigos somente porque estes estão ao nosso redor por mais tempo ou porque estes satisfazem melhor nossas preferências pessoais. Parece sensato produzir e tornar disponível um tipo de informação que traz benefícios para a saúde de todos.





George S. G. Guimarães ,é nutricionista especializado em dietas vegetarianas. Vegetariano desde os quatro anos de idade e vegano há 14 anos, dirige a NutriVeg Consultoria em Nutrição Vegetariana, dedicando-se ao aconselhamento de pacientes vegetarianos em seu consultório enquanto colabora com instituições de ensino e pesquisa. Ministra cursos e palestras sobre nutrição vegetariana em universidades e para o público em geral no Brasil e no exterior. É docente da primeira disciplina de nutrição vegetariana na pós-graduação da UNASP e tem trabalhos publicados em revistas científicas de alcance internacional. Com participação assídua em congressos científicos e conferências no exterior e tendo publicado uma centena de artigos, é tido pelo público vegetariano e pela imprensa nacional como a principal fonte sobre o tema da nutrição vegetariana, tendo concedido nos últimos 12 anos mais de 400 entrevistas à imprensa. Também dirige as duas unidades do VEGETHUS Restaurante Vegetariano, o mais antigo restaurante vegano do Brasil e é um ativista de destaque dentro do movimento de defesa animal. Desde 2006 preside o VEDDAS (Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade), grupo que vem ganhando destaque no movimento de defesa animal por suas ações e campanhas de efeito. Seja em seu consultório, na sua colaboração em estudos científicos, nos restaurantes que dirige ou à frente de campanhas pelos direitos animais, todas as suas atividades são voltadas à difusão e argumentação científica em favor da nutrição vegetariana e do veganismo.É colunista da ANDA.





Fonte: Site Syntonia


publicado por Maluvfx às 13:45
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VEGETARIANISMO
O vegetarianismo é a tendência que mais cresce no mundo desenvolvido.
Eis aqui algumas razões para se adotar esse tipo de alimentação.



ECOLOGIA



Os países em desenvolvimento — onde milhões de pessoas passam fome — exportam grãos aos países desenvolvidos para alimentar os animais servidos nas mesas.



Se consumíssemos os grãos que cultivamos em vez de dá-los aos animais, a escassez mundial de alimentos desapareceria praticamente da noite para o dia. Lembre-se que 100 acres produzem carne para 20 pessoas, mas trigo suficiente para alimentar 240.



Metade das florestas tropicais no mundo inteiro foi substituída por pasto para gado de corte. As queimadas são responsáveis por 20% dos gases que provocam o efeito estufa. Todos os anos, cerca de 1000 espécies são extintas devido à destruição das florestas tropicais. Nos Estados Unidos, 260 milhões de acres de florestas foram cortados, cedendo espaço a lavouras destinadas a alimentar o gado para que as pessoas possam comer carne.



Milhões de toneladas de grãos são destinadas, por ano, à nutrição de animais — para que os ricos se alimentem de carne enquanto 500 milhões de miseráveis nos países pobres passam fome. A cada seis segundos, uma pessoa morre de fome (60 milhões por ano) porque a maioria da população mundial não vive sem carne. Essas vidas poderiam ser salvas se tivessem acesso aos grãos usados para engordar o gado e outros animais — se os norte-americanos diminuíssem em 10% o consumo de carne.



A quantidade de água potável também está diminuindo por causa das fazendas de criação, sem contar que os produtores de carne são os maiores poluidores de água. Precisam de 2.500 galões de água para produzir 1 kg de carne. Se a indústria de carne americana não fosse sustentada pelo contribuinte, que paga uma grande parcela do custo da água, a carne para hambúrguer custaria 70 dólares por quilo.



ÉTICA



Diariamente, milhares de animais são abatidos nos matadouros. Muitos sangram até morrer. A dor é constante. Somente nos Estados Unidos, 500.000 animais são mortos por hora para abastecer o mercado de carne.



Milhões de pintos machos recém-nascidos são mortos diariamente porque não produzirão ovos. Não existem regras fixas para essa destruição em massa. Alguns pintinhos são esmagados, outros sufocados até morrer. Muitos são usados para fabricar fertilizantes ou alimentar outros animais.



Os animais, cuja carne chega à sua mesa, morrem solitários, aterrorizados, tristes e em sofrimento. A matança é desumana, sem um mínimo de compaixão.



Alguns fazendeiros dão tranqüilizantes aos animais para mantê-los calmos. Outros, ministram antibióticos como medida rotineira para evitar infecções. Ao se alimentar de carne, você está ingerindo todos esses medicamentos. Nos Estados Unidos, 55% de toda a produção de antibióticos é destinada aos animais e o índice de infecções causadas por estafilococos resistentes à penicilina subiu de 13% em 1960 para 91% em 1988.



Os animais sofrem dor e medo como nós. Passam as últimas horas de sua vida trancados em um caminhão, encerrados com centenas de outros animais, igualmente apavorados, e depois são empurrados para um corredor da morte ensopado de sangue. Quem come carne sustenta o modo como os animais são tratados.



Animais de 1 ano de idade costumam ser mais racionais — e capazes de pensamento lógico — do que bebês de seis semanas de idade. Porcos e ovelhas são muito mais inteligentes do que criancinhas. Comer esses animais é um ato bárbaro.



PARA A SAÚDE



Evitar a carne é o melhor e mais simples método de reduzir o consumo de gordura. Os animais criados nas fazendas modernas engordam à força para aumentar os lucros. Comendo carne gorda, você aumenta suas chances de sofrer um ataque cardíaco ou ter câncer.



Todos os anos, registram-se milhões de casos de envenenamento alimentar. A maioria é provocada pelo consumo de carne.



A carne não contém absolutamente nada — proteínas, vitaminas ou minerais — que o corpo humano não possa obter de uma alimentação vegetariana.



A "carne" inclui também o rabo, cabeça, patas, reto e espinha do animal. Uma salsicha pode conter intestinos moídos. Quem garante que os intestinos estejam vazios e limpos ao serem moídos? Você tem coragem de comer o conteúdo dos intestinos de um porco?



É muito mais fácil ficar (e continuar) esbelto se você for vegetariano. ("Esbelto" não quer dizer "raquítico" e sim, sem excesso de peso!).



Se você se alimenta de carne, está ingerindo os hormônios dados aos animais. Ninguém conhece os efeitos desses hormônios sobre a saúde. Em certas partes do mundo, um em cada quatro hambúrgueres contém o hormônio do crescimento ministrado ao gado.



Consumidores de carne estão mais propensos às seguintes enfermidades: anemia, apendicite, artrite, câncer da mama, câncer do cólon, câncer da próstata, prisão de ventre, diabete, cálculos biliares, gota, pressão alta, indigestão, obesidade, hemorróidas, enfartos e varizes. O índice de pessoas hospitalizadas que são vegetarianas a vida toda é 22% menor do que o das que se alimentam de carne — e o período de internação também é menor. O nível de colesterol dos vegetarianos é 20% mais baixo e isto reduz consideravelmente a incidência de enfartos e o risco de câncer.



Os vegetarianos estão mais em forma do que consumidores de carne. Muitos dos maiores atletas do mundo são vegetarianos.



Para ter certeza que o organismo recebe as vitaminas e os minerais de que precisa:



Coma refeições variadas que incluam frutas frescas, hortaliças, grãos germinados e produtos integrais — boas fontes de vitaminas e minerais (e de fibras!).



As vitaminas são facilmente destruídas pelo calor. Portanto, procure comer alimentos crus sempre que possível. Ao cozinhar hortaliças, use o mínimo de água necessário (para evitar a perda das vitaminas B e C, solúveis na água). Não deixe cozinhar muito tempo. Não mantenha os alimentos aquecidos nem os requente — isso também elimina as vitaminas.



A maioria das vitaminas se aloja logo abaixo da casca de frutas e legumes. Portanto, é melhor comê-los com casca.



Coma bastante nozes e sementes — contêm diversas vitaminas e sais minerais e são muito nutritivas.



Livre-se das panelas de alumínio (o alumínio é um veneno que pode prejudicar o cérebro) e use utensílios de ferro, que adicionam boa quantidade desse mineral aos alimentos cozidos.



Fonte: Adaptado do livro Food for Thought, do Dr. Vernon Coleman, editor da revista "Vernon Coleman‚s Health Letter"

Colaboração TAPS Marly Winckler (Florianópolis - Brasil)


publicado por Maluvfx às 00:44
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Sábado, 26 de Dezembro de 2009
Cuidado com as guloseimas de Natal e Ano Novo
As comemorações de Natal e Ano Novo são regadas a muitas guloseimas e os animais de estimação acabam ficando expostos a elas. Oferecer aquele ossinho de pernil, peru e frango, ou a própria carne ou gordurinha deles pode ser um perigo para a saúde do bichinho. No caso de um pedaço de carne ou osso de costela, por exemplo, o médico veterinário Adolfo Sasaki, do Vetsan Centro Médico Veterinário, explica que suas lascas podem até perfurar o intestino. “Assim como os ossos de frango, que são muito moles. Também podem perfurar o esôfago, isso porque quebram facilmente e formam lascas. Além dos pedaços da carne que podem ficar entalados na garganta.”
Sasaki lembra que alimentos gordurosos, como maionese, devem ser igualmente evitados. “Eles geram uma gastroenterite violenta, que pode inflamar o pâncreas e levar inclusive à morte”, diz.
A dica do médico veterinário é oferecer somente os alimentos específicos mesmo, como ossinhos, bifinho e rações, e para variar um pouco, aqueles feitos especialmente para os animais. “No caso dos chocolates, por exemplo, é muito importante que sejam específicos para cachorros. Ao contrário dos chocolates feitos para nós, esses não levam teobromina, um composto que vem do cacau e que intoxica os animais.”
Mesmo essas “besteirinhas” devem ser dadas em pequenas quantidades e aos poucos, de acordo com Sasaki. “Dê apenas um ou uma metade por dia, até o organismo se adaptar. O ideal é dar um mínimo possível para não acostumar a dar alimentos que não sejam a própria ração e desandar a dieta.”


Fonte: Blog


publicado por Maluvfx às 21:55
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Medicina da UFRGS ensina sem teste em animais
Passados dois anos desde que o sacrifício de animais foi abolido no curso, professores e alunos estão muito satisfeitos. Conflito ético foi o principal motivo para a troca por modelos artificiais nas aulas práticas.



Médico e professor Geraldo Sidiomar Duarte mostra
tórax artificial que substitui uso de animais

Por Ulisses A. Nenê



O caozinho é trazido do canil e chega faceiro; caminha até o grupo de alunos de medicina e lambe as pernas de um deles. O clima na sala fica pesado e ninguém quer anestesiar e cortar o bichinho. Alguns estudantes, constrangidos, ameaçam ir embora. Cenas como esta ou parecidas aconteceram por diversas vezes, nos muitos anos em que animais foram usados nas aulas práticas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Famed/Ufrgs).

Era assim, anestesiando, cortando e costurando animais vivos (vivissecação), depois sacrificados, que os futuros médicos aprendiam as técnicas operatórias e outros conteúdos. Mas isto mudou em abril de 2007, quando a Famed tornou-se a primeira faculdade de medicina do Brasil a abolir totalmente o uso de animais no ensino de graduação, no que foi seguida logo depois pela Faculdade de Medicina do ABC (SP).

Não estamos falando de uma instituição qualquer: fundada há 111 anos, a Famed é considerada a melhor faculdade de medicina do país, tendo conquistado o primeiro lugar no Exame Nacional de Desempenho Estudantil de 2008 (Enade). O conflito ético foi o principal motivo para que o curso abandonasse a vivissecação, adotando o emprego de modelos anatômicos artificiais que imitam órgãos e tecidos humanos.

Aprovação dos alunos

Passados dois anos, a medida tem a total aprovação de alunos e professores, que garantem não haver nenhum prejuízo para o aprendizado médico. Aluna do quarto semestre, Sabrina de Noronha, 22 anos, diz que sequer pensava que pudesse haver a utilização de animais quando ingressou na medicina. Ela já cursou disciplinas importantes, como fisiologia, anatomia, bioquímica, histologia, onde aconteciam aulas práticas com vivissecação, e não precisou passar por esta experiência.

As aulas de anatomia, por exemplo, só utilizam cadáveres humanos. “Não tivemos contato com animais em nenhum momento. Fiquei sabendo há pouco tempo que outras faculdades usam animais e achei isso horrível; a faculdade existe para formar profissionais que vão ajudar pessoas e para isso não precisamos maltratar outros seres, não seria ético; a gente tem tanto direito à vida quanto eles (animais), não vejo diferença”, diz a aluna.

Sua colega Bárbara Kipp, 22 anos, coordenadora-geral do Diretório Central de Estudantes (DCE) da Ufrgs concorda. Segundo ela, há outros métodos já bem desenvolvidos para se aprender as técnicas médicas sem precisar recorrer à vivissecação dos cães, coelhos e outros bichos. “Nunca usei animais no curso e estou aprendendo muito bem; não me sentiria à vontade se isso acontecesse e também não vejo ninguém, nenhum colega, sentindo falta”, afirma Bárbara.

“Abolimos o uso de animais porque hoje não se precisa mais disso”, destaca o diretor da Famed, o médico endocrinologista Mauro Antônio Czepielewski. Não faltaram razões, pois havia alunos que não concordavam com o sacrifício dos cães e outros bichos nas aulas. Além da questão ética, a pressão das entidades protetoras dos animais era cada vez maior, conta o diretor.

Também estava cada vez mais difícil conseguir os animais para servirem de cobaias, havendo ainda o problema de alojá-los e depois descartá-los, após serem sacrificados. Por isso, este procedimento vinha diminuindo ano á ano e quando foi abolido, em 2007, cerca de cinco ou seis animais ainda eram retalhados por semana nas mesas de cirurgia do curso.

Modelos artificiais

A mudança foi bastante discutida, e resultou na implantação de um Laboratório de Técnica Operatória, que funciona apenas com réplicas artificiais das partes do corpo humano, explica o diretor. O projeto todo, com reforma de instalações e aquisição dos modelos, importados, custou cerca de R$ 300 mil, com recursos da própria Ufrgs, Famed, Hospital de Clínicas (o hospital universitário) e Promed, um programa do Ministério da Saúde que incentiva mudanças nos currículos dos cursos de medicina. (clique aqui para ver fotos)

O médico Geraldo Sidiomar Duarte, que deixou o cargo de diretor do Departamento de Cirurgia no início do mês, foi o responsável pela implantação do moderno laboratório. “Era uma deficiência grave do curso (a técnica operatória), tínhamos problemas para obter o animal, onde deixá-los, os cuidados pós-operatórios e o Ministério Público e as entidades protetoras vinham se manifestando, havia muitas objeções que criaram um conjunto de dificuldades”, relata.

O trabalho era considerado insalubre e aconteciam muitos acidentes biológicos (quando alunos se cortam acidentalmente), com risco de infecção pelo sangue dos animais. Agora, o local é totalmente asséptico, não se vê uma gota de sangue no espaço de 120 metros quadrados. Duarte mostra uma peça sintética que imita perfeitamente a pele humana, inclusive na textura, onde os alunos podem fazer e refazer várias vezes cortes superficiais ou profundos, costuras e pontos. E os acidentes não acontecem mais, o risco é zero, acrescenta.

Outra peça imita um intestino, a ser costurado. Numa mesa ao lado, um tórax artificial permite o treino de punções em vasos profundos, como uma imitação da veia jugular cuja pulsação é possível sentir ao toque. Membros sintéticos apresentam ferimentos diversos a serem tratados cirurgicamente. O que parece ser apenas uma pequena caixa, com uma cobertura da cor da pele, representa a cavidade abdominal para a prática de cirurgia.

O médico e professor mostra catálogos com uma infinidade de órgãos artificiais que podem ser adquiridos: “Há modelos artificiais para todos os tipos de treinamento, pode-se montar um laboratório gigantesco com eles”, diz Duarte. “Estamos muito satisfeitos, e os alunos muito mais”, completa.

“Isso qualificou enormemente os alunos”, reforça Mauro Czepielewski, o diretor do curso. Ele acredita que esta é uma tendência irreversível e que o emprego de modelos artificiais acabará chegando a todas as faculdades de medicina, em substituição aos animais. Diversos cursos, do Rio Grande do Sul e de outros estados, já pediram informações sobre o laboratório da Famed. “A consciência do não-uso de animais é importante para fortalecer uma visão de valorização da vida”, afirma.

O diretor apenas considera muito difícil substituir animais na área de pesquisa, na pós-graduação. Mas garante que os procedimentos, neste caso, seguem rigorosos requisitos do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa, com uso controlado e número limitado dos animais que servem de cobaias.

Objeção de consciência

O debate ético sobre vivissecação ganhou impulso no Estado a partir da atitude de um aluno do curso de Biologia, Róber Bachinski, que ingressou na justiça, em 2007, para ser dispensado das aulas que sacrificam animais, alegando objeção de consciência. Chegou a ganhar uma liminar, mas ela foi cassada, mediante recurso da Ufrgs, e o caso segue tramitando no Judiciário.

Segundo ele, a abolição do uso de animais na Famed reflete uma tendência mundial: “Ao abolir o uso de animais a Famed mais uma vez demonstra a sua qualidade no ensino e o seu avanço ético e metodológico. Espero que outras universidades e cursos também sigam esse modelo e que esses métodos de ensino sejam divulgados”.

Bachinski diz ainda que a abolição do uso de animais em disciplinas da medicina comprova que é possível a sua abolição em outros cursos com disciplinas equivalentes, como na farmácia, educação física, psicologia, enfermagem, biologia, veterinária. Na opinião do estudante, um novo paradigma educacional precisa ser criado, levando em conta não apenas o bem estar da sociedade e do aluno, mas também o respeito aos direitos básicos dos outros animais.

Fonte: EcoAgência


publicado por Maluvfx às 15:32
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Barack Obama responde pergunta feita por uma vegana

Em 1° de Agosto de 2008, a vegana Nikki Benoit, durante um debate na escola Gibbs High School em Saint Petersburg, Florida perguntou a Obama (então senador e candidato a presidência) sobre o papel de um líder em relação a questões como meio-ambiente, aquecimento global, o desperdício de energia da pecuária e uma dieta baseada em vegetais.

Bem, esta é uma ótima pergunta.

[...]
Eu gosto de um bife de vez em quando. Estou sendo honesto. Eu gosto de churrasco. Não vou mentir. Mas a jovem tocou num ponto muito importante.
[...]
e o que também é verdade é que à medida que países como China e Índia se tornam mais ricos eles começam a mudar seus hábitos alimentares. Eles começam a comer mais carne, mais animais.

E o que acontece então é que se usa mais grãos para produzir um quilo de carne do que se as pessoas comessem apenas os grãos, o que põe muita pressão na produção de alimentos.

Os americanos na verdade se beneficiariam com uma mudança na dieta. Eu não acho que isso seja algo que devemos legislar. Mas eu penso que é algo que, como parte de um sistema geral da saúde, nós devemos encorajar, pois, por exemplo, se nós reduzirmos a obesidade a índices que existiam em 1980, nós economizaríamos um trilhão de dólares no sistema de saúde. Nós reduziríamos os índices de diabetes, nósreduziríamos as doenças cardíacas.
[aplausos]
Então, o fato de nós subsidiarmos algumas dessas grandes operações do agrinegócio que não estão necessariamente produzindo comida saudável e de nós incentivamos ou não subsidiarmos fazendeiros que estão produzindo frutas e vegetais e pequenas propriedades rurais que conseguem produzir direto ao consumidor em vez de processar (os alimentos). O fato de que nós não estamos fazendo mais paragarantir que a comida saudável esteja nas escolas. Todas essas coisas não fazem sentido.

E eu penso que é importante para nós reexaminar a política geral de alimentos, de modo que a gente incentive bons hábitos e não maus hábitos.


VegFamily's VegTube



Fonte: Sítio Veg

--


publicado por Maluvfx às 14:12
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Celebre a Vida com Vida!


Mensagem de final de ano ilustrada com mais um cartum da nossa querida Magô Pool.


Quero apenas agradecer a todos que linkaram o Cartuntivismo, indicaram, leram, questionaram. Todos aqueles que fizeram algo a mais por essa longa luta em defesa daqueles que aos olhos da sociedade não tem direito algum. A revolução pelos direitos dos animais começou, é realizada a cada dia e felizmente esse ano de 2009 foi de vitórias significativas, como a proibição de rodeios em várias cidades brasileiras e o projeto de lei nacional (ainda não aprovado) para a proibição dos mesmos em âmbito nacional. Exposições, eventos diversos em prol aos animais, cada vez mais gente influente ajudando em campanhas ... mas há muito trabalho de conscientização a ser feito.


Não podemos e nem devemos nunca nos dar por satisfeitos! O período de mudança é longo, mas cada vitória, seja ela grande ou não, são vitórias que somadas geram transformações importantes.




Desejo a todos um bom ano e que 2010 seja ainda mais ativo!
Que tenhamos ainda mais êxitos!!!





Vale muito a pena visitir.
RECOMENDO!
Cartuntivismo


publicado por Maluvfx às 13:53
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