Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.
Segunda-feira, 23 de Maio de 2011
Aquecimento global
Um relatório da ONU de 2006 constatou que criar animais para alimentação humana gera mais gases com efeito estufa do que todos os carros e caminhões em todo o mundo reunidos [1]. 

Felizmente, nós podemos ajudar a corrigir esse problema alterando a nossa dieta. 

De acordo com um estudo feito em 2006 por pesquisadores da Universidade de Chicago, a maioria dos americanos pode reduzir mais gases com efeito estufa tornando-se vegetariana do que mudando para um carro híbrido elétrico.

Eles descobriram que comer uma dieta vegetariana impede a emissão equivalente a 1,5 toneladas de CO2 a cada ano. Isso é mais do que a tonelada de emissões de CO2 evitada pela troca de um sedan típico por um Toyota Prius (modelo híbrido da Toyota) [2].


Por meio de seu processo digestivo, o rebanho emite 16% da produção anual de metano [6].

Então por que é que a carne provoca tanto aquecimento global? Há uma porção de fatores. Aqui estão alguns: 


  • Estrume. As dezenas de bilhões de animais de criação do mundo todo produzem enormes quantidades de estrume, que emitem gases como o metano, o óxido nitroso e o dióxido de carbono. 
  • Arrotos das vacas. Ruminantes, como vacas e ovelhas, também emitem grandes quantidades de metano através de arrotos e flatulência. O metano tem 23 vezes mais potencial de aquecimento global do que CO2, a indústria pecuária sozinha é responsável por 37% das emissões de metano produzidas por atividade humana.
  • Desmatamento. As florestas estão sendo destruídas para dar lugar a pastos ou para o cultivo de plantas para a alimentação animal. Quando as árvores são cortadas ou queimadas, o CO2 que armazenam volta para a atmosfera.
  • Fertilizantes sintéticos. O cultivo de alimento para animais exige intensa utilização de fertilizantes sintéticos fabricados com o uso de combustíveis fósseis. Este processo emite uma quantidade enorme de CO2, e os fertilizantes liberam óxido nitroso [3] - um gás com efeito estufa 296 vezes mais potente do que o do dióxido de carbono.
  • A queima de combustíveis fósseis. A queima de combustíveis fósseis libera CO2, um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global. Somada à fabricação de fertilizantes, a indústria da carne ainda utiliza combustíveis fósseis para aquecer os edifícios que abrigam os animais, para a produção de todas as culturas para alimentar os animais, e, ainda para o  transporte, processo, e refrigeração de toda a carne.
David Pimentel, ecologista da Cornell estima que a proteína animal demanda cerca de oito vezes mais combustíveis fósseis do que uma quantidade comparável de proteína vegetal.

Porque devemos nos preocupar?

O aquecimento global é um problema que pode ter consequências devastadoras a longo prazo. Como analizou o Conselho Nacional de Defesa dos Recursos, se não fizermos algo em breve para evitar que isso aconteça, "O nível do mar vai subir, inundando as áreas costeiras. Ondas de calor serão mais frequentes e mais intensas. Secas e incêndios florestais irão ocorrer com mais freqüência. Aumentará o número e a variedade de mosquitos propagadores de doenças. E muitas espécies serão levadas à extinção."[5] 

Muitas destas mudanças já começaram.

Referências

1 "Rearing Cattle Produces More Greenhouse Gases Than Driving Cars, UN Report Warns," UN News Centre, 29 Nov. 2006. Clique aqui
2 NewScientist.com, "It’s Better to Green Your Diet Than Your Car," 17 Dec. 2005.
3 Scientific American. (2001, Feb.). p. 50
4 F.A.O., United Nations. (1996). Livestock & the Environment.
5 National Resource Defense Council. The Consequences of Global Warming. http://www.nrdc.org/globalWarming/fcons.asp
6 World Watch Institute. (2004, July/August). Meat: Now It's Not Personal. World Watch.

Fonte: tradução do site chooseveg.org


publicado por Maluvfx às 15:31
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Extinção é para sempre
A criação de pastos é um sério problema para as espécies ameaçadas, tanto na parte ocidental dos Estados Unidos quanto nas florestas tropicais da América do Sul.


Nos Estados Unidos, os pastos têm contribuído para o desaparecimento de 26% das espécies ameaçadas de extinção[1].

Em The Western Range Revisited, um livro publicado em 1999 pela Universidade de Oklahoma, a autora Debra L. Donahue escreve: "O desmatamento para a criação de pastos causa mais danos ao meio ambiente do que qualquer outra atividade humana no ocidente, e eliminar essa atividade detém maior potencial de benefício para a biodiversidade do que qualquer outra forma de se utilizar a terra".



A situação não é melhor na América do Sul, onde as florestas tropicais estão sendo destruídas a uma taxa alarmante, para a criação de pastos.

Segundo as Nações Unidas, o desmatamento para a criação de pastos é uma das principais razões para a perda de espécies animais e vegetais em florestas tropicais [2].

Estima-se que para cada hambúrguer feito a partir do gado criado em áreas de floresta tropical, são destruídos espécimes de aproximadamente 20 a 30 diferentes espécies de vegetais, 100 de insetos, e dezenas de espécimes de espécies diferentes de aves, mamíferos e répteis. [3]

Referências


1 USDA-NRCS. (1997). America’s private land: a geography of hope (p. 54). Program Aid 1548.
2 F.A.O., United Nations. (1996). Livestock & the Environment.
3 Denslow, J. and Padoch, C. (1988). People of the Tropical Rainforest (p. 169). University of California Press.


Fonte: tradução do site chooseveg.org


publicado por Maluvfx às 15:29
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O nosso Planeta - como cada dentada pode afetar a mãe natureza.
Tornar-se vegetariano é uma das ações mais importantes e eficazes que você pode tomar para aliviar a pressão sobre os recursos limitados de nosso planeta, proteger o planeta da poluição, evitar o aquecimento global, e salvar inúmeras espécies de extinção. 

Segundo o Dr. David Brubaker, PhD na Johns Hopkins University's Center for a Livable Future, "A maneira que criamos animais para a alimentação humana é uma ameaça para o planeta. Ela polui o ambiente, enquanto consome enormes quantidades de água, grãos, petróleo, pesticidas e drogas. Os resultados são desastrosos."


Desperdício de recursos

Utilizar grandes quantidades de cereais para alimentar animais, a fim de produzir uma pequena quantidade de carne é um desperdício ineficiente de recursos limitados.



De acordo com o ecologista David Pimentel (Cornell), a proteína animal exige enormes gastos de energia proveniente de combustível fóssil - cerca de oito vezes mais para um montante comparável de proteínas vegetais. 



A indústria da carne é uma das principais causas da depauperação de água doce. De acordo com Ed Ayres, do Worldwatch Institute, "Por todo o mundo, à medida que mais água é desviada para criar porcos e galinhas em vez de produzir culturas para consumo direto, milhões de poços estão secando. Índia, China, norte da África e os Estados Unidos estão sofrendo com déficits de água doce, bombeando os seus aquíferos mais do que a chuva pode reconstituir". [1]

O grande aqüífero Ogallala, um recurso que levou meio milhão de anos para se acumular, estará esgotado em menos de 40 anos. [2] 

De acordo com Ayres, "Deixe de comer um hambúrguer e você vai economizar água para 40 banhos". [3]

Referências

1 Ayres, E. (1999, Nov. 8). Will we still eat meat? Time.
2 Reisner, M. (1986). Cadillac desert: the American West and its disappearing water.
3 Ayres, E. (1999, Nov. 8). Will we still eat meat? Time.


Fonte: tradução do site chooseveg.com.


publicado por Maluvfx às 15:26
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Domingo, 22 de Maio de 2011
Barrancos e o Direito à Memória
Por Daniel Oliveira - 2002

Cabe primeiro um esclarecimento: sou militante e dirigente do Bloco de
Esquerda, mas escrevo aqui a titulo pessoal. O Bloco, tal como foi sempre a sua
posição, votará contra o regime de excepção para Barrancos. Compreendo e tenho
consciência que ela é coerente com uma posição largamente maioritária entre os
aderentes, dirigentes e base social de apoio do meu partido. No entanto, discordo
dela. Sei que a minha posição é bastante minoritária no BE e não dramatizo a
discordância, mas torno-a pública por que acho que é assim que as coisas se
devem passar. Não há nenhum tipo de centralismo (democrático ou burocrático)
no BE e vemos com naturalidade as divergências. Tenho também consciência de
que este não é um assunto central da política portuguesa. Por isso, interessa-me
mais discutir o que está por detrás dele.

Não estão em discussão os direitos dos animais. Se estivessem, coerentemente se estaria a debater a proibição da tourada, toda ela. O touro sofre mais na espera pela morte do que com a morte na arena. Se estivessem, o transporte de animais e o tratamento indigno na indústria pecuária seria a prioridade. Se estivessem, seria discutida a forma de garantir a sobrevivência da espécie depois do fim da única actividade que garante a sua existência.
Não está em causa o argumento da tradição. Tradições há muitas. Há quem apedreje mulheres adúlteras, há quem dê vinho crianças de tenra idade, há quem ofereça as suas filhas em troca de um dote. Não defendo a tradição por ser tradição. O mundo muda e devemos lutar para que mude.
Também não é a autoridade do Estado que está em questão. Nenhum Estado pode fazer uma população inteira cumprir uma lei. É inviável e para uma desobediência generalizada apenas se podem encontrar soluções políticas e negociadas.

O que está então em discussão?

A legitimidade do espectáculo da violência. A tourada é uma encenação da
relação violenta do homem com a natureza. É a arqueologia rural dessa relação. A
celebração da morte e a celebração da vida, da sobrevivência e do domínio do
homem sobre as forças naturais. De um tempo em que o homem dependia desse
domínio para sobreviver. Dir-se-á que esse é hoje um espectáculo anacrónico.
Será, mas da sobrevivência destes sinais do passado depende a sobrevivência de
uma memória que favoreça a relação directa com a natureza. Ela é um sinal de
resistência à industrialização da vida e da morte. O espectáculo da morte do touro,
em Barrancos, é em tudo semelhante ao da matança do porco, é aquele que nos
mostra de onde vem a nossa vida, que nos diz da nossa dependência em relação à
natureza. Na matança do porco, a celebração é privada e familiar, na matança do
touro ela é pública e comunitária.

É também a resistência de uma cultura rural em relação a uma cultura urbana. A
cultura da cidade e do domínio tecnológico sobre a natureza é, não escondo, mais
tolerante e multicultural. Mas ela aflora, neste como noutros casos, uma
hegemonia intolerante e insensível aos processos de afirmação de identidade do
mundo rural. Não me esqueço dos argumentos das inenarráveis associações de
defesa dos direitos dos animais, que apresentavam como contrapartida ao
"obscurantismo" barranquenho facilidades de acesso à Internet. Como se
estivéssemos todos a caminho de um estado de civilidade natural, a que os f+bcromagnonsf-
b raianos teriam escapado.

E isto levanta a segunda questão importante: quais são os limites ao
multiculturalismo? Em que medida pode uma sociedade tolerar fenómenos
contraditórios no seu interior? Não tenho, nesta matéria, posições
fundamentalistas. Pode e não pode, depende dos limites. Trata-se de um processo
difícil de negociação e auto-regulação. Os limites são, para mim, os dos direitos
humanos. Defendo a minha cultura naquilo que pense que ela é, do ponto de vista
civilizacional, emancipadora para o conjunto da humanidade. Lutarei contra a
ofensa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres, contra a perpetuação de
relações de exploração e domínio sobre o outro, mesmo que sejam ancestrais
tradições de outras culturas. Não aceito que o multiculturalismo ponha em causa
direitos adquiridos na sociedade em que vivo e sinto-me na obrigação de apoiar
todos os que, noutras civilizações, lutem pela sua conquista. Das mulheres no
mundo muçulmano aos condenados à pena de morte nos Estados Unidos.

Perante estes pressupostos, não me parece normal que a sociedade portuguesa
entre em crise porque, numa terra perdida e entalada entre duas culturas, existe
um hábito de difícil digestão para a maioria do país. Sobretudo quando as festas
de Barrancos são a única forma de afirmação e dignidade que resta àquele povo.
Penso mesmo que neste caso há um excesso de zelo e um desrespeito pela
diversidade cultural que advém de um mito: que o território português é culturalmente uniforme.
Disto isto, espero que o poder político tenha o bom senso de, caso mantenha a proibição dos touros de morte em Barrancos, encontrar uma solução negociada com aquele população.
Não ficarei, não poderei ficar, a aplaudir um batalhão da GNR que ali vá impor a lei e a ordem. Não é essa a minha cultura.
 
in Público


publicado por Maluvfx às 09:01
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Barrancos e o Direito à Memória
Por Daniel Oliveira - 2002

Cabe primeiro um esclarecimento: sou militante e dirigente do Bloco de
Esquerda, mas escrevo aqui a titulo pessoal. O Bloco, tal como foi sempre a sua
posição, votará contra o regime de excepção para Barrancos. Compreendo e tenho
consciência que ela é coerente com uma posição largamente maioritária entre os
aderentes, dirigentes e base social de apoio do meu partido. No entanto, discordo
dela. Sei que a minha posição é bastante minoritária no BE e não dramatizo a
discordância, mas torno-a pública por que acho que é assim que as coisas se
devem passar. Não há nenhum tipo de centralismo (democrático ou burocrático)
no BE e vemos com naturalidade as divergências. Tenho também consciência de
que este não é um assunto central da política portuguesa. Por isso, interessa-me
mais discutir o que está por detrás dele.

Não estão em discussão os direitos dos animais. Se estivessem, coerentemente se estaria a debater a proibição da tourada, toda ela. O touro sofre mais na espera pela morte do que com a morte na arena. Se estivessem, o transporte de animais e o tratamento indigno na indústria pecuária seria a prioridade. Se estivessem, seria discutida a forma de garantir a sobrevivência da espécie depois do fim da única actividade que garante a sua existência.
Não está em causa o argumento da tradição. Tradições há muitas. Há quem apedreje mulheres adúlteras, há quem dê vinho crianças de tenra idade, há quem ofereça as suas filhas em troca de um dote. Não defendo a tradição por ser tradição. O mundo muda e devemos lutar para que mude.
Também não é a autoridade do Estado que está em questão. Nenhum Estado pode fazer uma população inteira cumprir uma lei. É inviável e para uma desobediência generalizada apenas se podem encontrar soluções políticas e negociadas.

O que está então em discussão?

A legitimidade do espectáculo da violência. A tourada é uma encenação da
relação violenta do homem com a natureza. É a arqueologia rural dessa relação. A
celebração da morte e a celebração da vida, da sobrevivência e do domínio do
homem sobre as forças naturais. De um tempo em que o homem dependia desse
domínio para sobreviver. Dir-se-á que esse é hoje um espectáculo anacrónico.
Será, mas da sobrevivência destes sinais do passado depende a sobrevivência de
uma memória que favoreça a relação directa com a natureza. Ela é um sinal de
resistência à industrialização da vida e da morte. O espectáculo da morte do touro,
em Barrancos, é em tudo semelhante ao da matança do porco, é aquele que nos
mostra de onde vem a nossa vida, que nos diz da nossa dependência em relação à
natureza. Na matança do porco, a celebração é privada e familiar, na matança do
touro ela é pública e comunitária.

É também a resistência de uma cultura rural em relação a uma cultura urbana. A
cultura da cidade e do domínio tecnológico sobre a natureza é, não escondo, mais
tolerante e multicultural. Mas ela aflora, neste como noutros casos, uma
hegemonia intolerante e insensível aos processos de afirmação de identidade do
mundo rural. Não me esqueço dos argumentos das inenarráveis associações de
defesa dos direitos dos animais, que apresentavam como contrapartida ao
"obscurantismo" barranquenho facilidades de acesso à Internet. Como se
estivéssemos todos a caminho de um estado de civilidade natural, a que os f+bcromagnonsf-
b raianos teriam escapado.

E isto levanta a segunda questão importante: quais são os limites ao
multiculturalismo? Em que medida pode uma sociedade tolerar fenómenos
contraditórios no seu interior? Não tenho, nesta matéria, posições
fundamentalistas. Pode e não pode, depende dos limites. Trata-se de um processo
difícil de negociação e auto-regulação. Os limites são, para mim, os dos direitos
humanos. Defendo a minha cultura naquilo que pense que ela é, do ponto de vista
civilizacional, emancipadora para o conjunto da humanidade. Lutarei contra a
ofensa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres, contra a perpetuação de
relações de exploração e domínio sobre o outro, mesmo que sejam ancestrais
tradições de outras culturas. Não aceito que o multiculturalismo ponha em causa
direitos adquiridos na sociedade em que vivo e sinto-me na obrigação de apoiar
todos os que, noutras civilizações, lutem pela sua conquista. Das mulheres no
mundo muçulmano aos condenados à pena de morte nos Estados Unidos.

Perante estes pressupostos, não me parece normal que a sociedade portuguesa
entre em crise porque, numa terra perdida e entalada entre duas culturas, existe
um hábito de difícil digestão para a maioria do país. Sobretudo quando as festas
de Barrancos são a única forma de afirmação e dignidade que resta àquele povo.
Penso mesmo que neste caso há um excesso de zelo e um desrespeito pela
diversidade cultural que advém de um mito: que o território português é culturalmente uniforme.
Disto isto, espero que o poder político tenha o bom senso de, caso mantenha a proibição dos touros de morte em Barrancos, encontrar uma solução negociada com aquele população.
Não ficarei, não poderei ficar, a aplaudir um batalhão da GNR que ali vá impor a lei e a ordem. Não é essa a minha cultura.
 
in Público


publicado por Maluvfx às 09:01
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A memória da vida e da morte




A Acção Animal lançou uma campanha contra a tourada. Começo por dizer que não acho legítimo que se ponham, com se põem neste vídeo, em pé de igualdade os direitos das mulheres aos direitos dos animais. Uma sociedade que comece a equiparar estes direitos chega a um beco sem saída. Se aos animais aplicarmos os direitos humanos estaremos a fazer um paralelo que retira aos humanos toda e qualquer ideia de civilização. Ou seja: toda e qualquer ideia de ética e de moral.


O que confere direitos especiais à nossa espécie é exactamente ser a nossa espécie. Dotada de consciência colectiva, de memória e de cultura. Defendo que os animais são sujeitos de direitos e que esses direitos são culturalmente mutáveis. Respeito e compreendo quem ache a tourada um espectáculo bárbaro. Mas humanizar os animais, do ponto de vista dos direitos, é a pior forma de fazer este debate. Além de tornar a coerência de posições absolutamente impossível, relativiza e banaliza a própria noção de direitos humanos.

Se o anúncio quer apenas dizer que a “tradição” não é argumento que chegue para defender a tourada, assino já por baixo. Mas dizer isso não fecha a conversa. Porque ser tradição também não é argumento que chegue para condenar a tourada. Interessa saber o que quer dizer esta tradição.

E foi exactamente isto que tentei debater num texto que publiquei, a 5 de Julho de 2002, já lá vão cinco anos, no jornal “Público”. Nesse texto discordava da posição do Bloco de Esquerda sobre o fenómeno de Barrancos. Estávamos em plena polémica sazonal sobre a matéria e o Parlamento preparava-se para legislar sobre o assunto.

Publico aqui um excerto desse texto que tinha como título “Barrancos e o Direito à Memória”. O excerto é aquele que não trata da questão da autoridade do Estado em Barrancos nem dos touros de morte, assunto que então apaixonava a discussão e que, na introdução, considerei não ser o essencial. Como esta campanha agora demonstra (e ainda bem), o essencial era então e é hoje a aceitabilidade ou não da tourada nas sociedades modernas.

Aqui vai, recordado que é outro o contexto. Entre parênteses rectos está uma parte que por falta de espaço saiu do texto publicado à data.

«Não estão em discussão os direitos dos animais. Se estivessem, coerentemente se estaria a debater a proibição da tourada, toda ela. O touro sofre mais na espera pela morte do que com a morte na arena. Se estivessem, o transporte de animais e o tratamento indigno na indústria pecuária seria a prioridade. Se estivessem, seria discutida a forma de garantir a sobrevivência da espécie depois do fim da única actividade que garante a sua existência.

Não está em causa o argumento da tradição. Tradições há muitas. Há quem apedreje mulheres adúlteras, há quem dê vinho crianças de tenra idade, há quem ofereça as suas filhas em troca de um dote. Não defendo a tradição por ser tradição. O mundo muda e devemos lutar para que mude. (...)

O que está então em discussão?

A legitimidade do espectáculo da violência. A tourada é uma encenação da relação violenta do homem com a natureza. É a arqueologia rural dessa relação. A celebração da morte e a celebração da vida, da sobrevivência e do domínio do homem sobre as forças naturais. De um tempo em que o homem dependia desse domínio para sobreviver. Dir-se-á que esse é hoje um espectáculo anacrónico. Será, mas da sobrevivência destes sinais do passado depende a sobrevivência de uma memória que favoreça a relação directa com a natureza.

[E é porque, demasiadas vezes, nos esquecemos dessa dependência que, no processo de industrialização, vamos destruindo todos os recursos como se deles não dependesse a sobrevivência da nossa espécie. Celebrar a morte de um animal é celebrar a nossa vida. Humanizar os animais é esquecer esta relação de dependência física. Quando tratamos os animais como se fossem humanos estamos a levar a nossa arrogância ao limite: achamos que podemos negar aos animais os seus instintos e aos homens a sua condição de predadores. A pergunta é esta: saberão hoje as nossas crianças que não é a maldade que faz um animal matar o outro? Que a natureza não se rege por regras morais e que é essa a absoluta excepcionalidade da espécie humana? Os paralelos entre os as regras de convivência humana e a natureza podem parecer sedutoras, mas são assustadoras. Parecendo que entregam ao mundo animal a cultura humana, retiram aos homens toda a sua história.]

A tourada é um sinal de resistência à industrialização da vida e da morte. O espectáculo da morte do touro, em Barrancos, é em tudo semelhante ao da matança do porco, é aquele que nos mostra de onde vem a nossa vida, que nos diz da nossa dependência em relação à natureza. Na matança do porco, a celebração é privada e familiar, na matança do touro ela é pública e comunitária.

É também a resistência de uma cultura rural em relação a uma cultura urbana. A cultura da cidade e do domínio tecnológico sobre a natureza é, não escondo, mais tolerante e multicultural. Mas ela aflora, neste como noutros casos, uma hegemonia intolerante e insensível aos processos de afirmação de identidade do mundo rural.»




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A memória da vida e da morte




A Acção Animal lançou uma campanha contra a tourada. Começo por dizer que não acho legítimo que se ponham, com se põem neste vídeo, em pé de igualdade os direitos das mulheres aos direitos dos animais. Uma sociedade que comece a equiparar estes direitos chega a um beco sem saída. Se aos animais aplicarmos os direitos humanos estaremos a fazer um paralelo que retira aos humanos toda e qualquer ideia de civilização. Ou seja: toda e qualquer ideia de ética e de moral.


O que confere direitos especiais à nossa espécie é exactamente ser a nossa espécie. Dotada de consciência colectiva, de memória e de cultura. Defendo que os animais são sujeitos de direitos e que esses direitos são culturalmente mutáveis. Respeito e compreendo quem ache a tourada um espectáculo bárbaro. Mas humanizar os animais, do ponto de vista dos direitos, é a pior forma de fazer este debate. Além de tornar a coerência de posições absolutamente impossível, relativiza e banaliza a própria noção de direitos humanos.

Se o anúncio quer apenas dizer que a “tradição” não é argumento que chegue para defender a tourada, assino já por baixo. Mas dizer isso não fecha a conversa. Porque ser tradição também não é argumento que chegue para condenar a tourada. Interessa saber o que quer dizer esta tradição.

E foi exactamente isto que tentei debater num texto que publiquei, a 5 de Julho de 2002, já lá vão cinco anos, no jornal “Público”. Nesse texto discordava da posição do Bloco de Esquerda sobre o fenómeno de Barrancos. Estávamos em plena polémica sazonal sobre a matéria e o Parlamento preparava-se para legislar sobre o assunto.

Publico aqui um excerto desse texto que tinha como título “Barrancos e o Direito à Memória”. O excerto é aquele que não trata da questão da autoridade do Estado em Barrancos nem dos touros de morte, assunto que então apaixonava a discussão e que, na introdução, considerei não ser o essencial. Como esta campanha agora demonstra (e ainda bem), o essencial era então e é hoje a aceitabilidade ou não da tourada nas sociedades modernas.

Aqui vai, recordado que é outro o contexto. Entre parênteses rectos está uma parte que por falta de espaço saiu do texto publicado à data.

«Não estão em discussão os direitos dos animais. Se estivessem, coerentemente se estaria a debater a proibição da tourada, toda ela. O touro sofre mais na espera pela morte do que com a morte na arena. Se estivessem, o transporte de animais e o tratamento indigno na indústria pecuária seria a prioridade. Se estivessem, seria discutida a forma de garantir a sobrevivência da espécie depois do fim da única actividade que garante a sua existência.

Não está em causa o argumento da tradição. Tradições há muitas. Há quem apedreje mulheres adúlteras, há quem dê vinho crianças de tenra idade, há quem ofereça as suas filhas em troca de um dote. Não defendo a tradição por ser tradição. O mundo muda e devemos lutar para que mude. (...)

O que está então em discussão?

A legitimidade do espectáculo da violência. A tourada é uma encenação da relação violenta do homem com a natureza. É a arqueologia rural dessa relação. A celebração da morte e a celebração da vida, da sobrevivência e do domínio do homem sobre as forças naturais. De um tempo em que o homem dependia desse domínio para sobreviver. Dir-se-á que esse é hoje um espectáculo anacrónico. Será, mas da sobrevivência destes sinais do passado depende a sobrevivência de uma memória que favoreça a relação directa com a natureza.

[E é porque, demasiadas vezes, nos esquecemos dessa dependência que, no processo de industrialização, vamos destruindo todos os recursos como se deles não dependesse a sobrevivência da nossa espécie. Celebrar a morte de um animal é celebrar a nossa vida. Humanizar os animais é esquecer esta relação de dependência física. Quando tratamos os animais como se fossem humanos estamos a levar a nossa arrogância ao limite: achamos que podemos negar aos animais os seus instintos e aos homens a sua condição de predadores. A pergunta é esta: saberão hoje as nossas crianças que não é a maldade que faz um animal matar o outro? Que a natureza não se rege por regras morais e que é essa a absoluta excepcionalidade da espécie humana? Os paralelos entre os as regras de convivência humana e a natureza podem parecer sedutoras, mas são assustadoras. Parecendo que entregam ao mundo animal a cultura humana, retiram aos homens toda a sua história.]

A tourada é um sinal de resistência à industrialização da vida e da morte. O espectáculo da morte do touro, em Barrancos, é em tudo semelhante ao da matança do porco, é aquele que nos mostra de onde vem a nossa vida, que nos diz da nossa dependência em relação à natureza. Na matança do porco, a celebração é privada e familiar, na matança do touro ela é pública e comunitária.

É também a resistência de uma cultura rural em relação a uma cultura urbana. A cultura da cidade e do domínio tecnológico sobre a natureza é, não escondo, mais tolerante e multicultural. Mas ela aflora, neste como noutros casos, uma hegemonia intolerante e insensível aos processos de afirmação de identidade do mundo rural.»




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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
Protesto contra o fomento da crueldade para com os animais abandonados
Clicar na imagem

Repudie a campanha da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira proibindo alimentar animais abandonados na rua, contrariando o sentido da Resolução da Assembleia da República nº 69/2011, aprovada por unanimidade, que recomenda entre outras medidas a instituição do conceito de “cão ou gato comunitário”.

Mostre o seu desagrado na próxima Reunião de Câmara, hoje, dia 18 de Maio, às 18h00, no edifício da Câmara, em Vila Franca de Xira.

Os animais do concelho de Vila Franca de Xira agradecem.



Críticas à campanha da Câmara de Vila Franca de Xira contra a alimentação de animais abandonados





INDIGNAÇÃO PELO FOMENTO DA CRUELDADE COM OS ANIMAIS ABANDONADOS
Foi estupefacção e depois indignação o que sentimos quando recebemos a factura da água deste mês! Não, não foi com o valor da factura, ou com algo relacionado com a mesma. Efectivamente, foi com o panfleto que a acompanhava (para quem não o tenha recebido, junto enviamos um scanner do mesmo).
Trata-se, ao que parece, de uma nova campanha sobre animais domésticos da Divisão de Higiene Pública, do Departamento de Qualidade Ambiental, da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Mas não conseguimos compreender o objectivo essencial desta campanha. 

Todos os anos, na época estival, somos bombardeados com notícias deprimentes de abandono de animais domésticos. Este ano não será, certamente, excepção. Até porque nos tempos de crise que atravessamos, naturalmente, serão os animais domésticos os primeiros a sofrer com o corte nos orçamentos familiares. Portanto, e não querendo ser pessimistas, imaginamos que o número de animais abandonados seja ainda maior este ano. 

Ora, uma iniciativa de sensibilização da população, no sentido de não abandonar os seus animais de companhia e, ainda, promover a adopção dos que, infelizmente, já foram abandonados era, certamente, de louvar. Congratulávamo-nos com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e com os seus serviços de Higiene Pública numa campanha deste nobre teor. 

Só que, não nos parece ser este o objectivo desta campanha. Porque, em primeiro lugar e em grande destaque, o que se lê neste panfleto, é a proibição de alimentar animais abandonados. Sugerindo que o facto de alimentar esses animais põe em causa a Saúde Pública, a segurança e tranquilidade da população, bem como, de outros animais. E, vai mais longe ainda, acenando com uma punição para quem não siga esta sugestão. 

Ora bem, parece-nos que há aqui um equívoco e, mais grave ainda, uma inversão de valores.
Ao invés de se promover, enaltecer, elogiar, louvar, aplaudir, premiar a generosidade, a bondade, a solidariedade, o altruísmo, a filantropia, o espírito de partilha, o respeito por todos os seres vivos, incluindo os animais, fomenta-se a crueldade, a atrocidade e a desumanidade?
Uma sociedade que não respeita, nem dignifica os seus animais, também não respeita, nem honra os seus semelhantes, e não é uma sociedade evoluída e civilizada! 

A solução para o flagelo do abandono dos animais domésticos, ao contrário da tendência actual e progressista de outros Municípios, que desenvolvem políticas de recolha de animais abandonados, com o cumprimento das normas de bem-estar e saúde animal, e de políticas de promoção da adopção responsável, neste nosso CONCELHO INTELIGENTE,* retrocede-se e desenvolve-se não uma política de recolha e abate sistemático de animais errantes, para controlo das populações, desaconselhada e que está em desuso, mas ainda pior que essa, uma política cruel de abate bárbaro e recolha, que pressupõe o abate dos animais desprotegidos, deixando-os morrer à fome, aos nossos olhos, na via pública e, posteriormente, a recolha dos seus cadáveres? 

Os animais famintos, enfraquecidos, debilitados, e por isso, mais susceptíveis a apanhar todo o tipo de doenças, não constituirão maior perigo para a Saúde Pública?
Mas se o pressuposto errado da fundamentação desta campanha assenta no cumprimento de uma norma obsoleta do Regulamento de Higiene Pública do Concelho de Vila Franca de Xira, então não será melhor alterar, fazer a revisão e modernização desse regulamento, no Órgão Municipal competente? 

Neste Município desconhece-se a Convenção Europeia para a Protecção dos Animais de Companhia, transposta pelo Decreto-Lei n.º 276/2001, de 17 de Outubro, e os princípios para o bem-estar animal, expressos no Decreto-Lei n.º 315/2003 de 17 de Dezembro, e a Resolução da Assembleia da República n.º 69/2011 , que recomenda uma nova política de controlo das populações de animais errantes e a promoção de uma política de não abate dos animais recolhidos nos centros de recolha oficiais?
Como é possível que em tempos de crise económica e contenção de despesas, se esbanje dinheiro do erário público em acções deste género? 

Qual o critério para os investimentos Camarários nesta matéria? 

A prioridade não deveria ser para o investimento na criação de canis e gatis para a recolha, tratamento médico-veterinário e preservação desses animais em condições condignas, cumprindo as normas de bem-estar e saúde animal?
A prioridade não deveria ser para apoiar a vários níveis as Associações e os Movimentos de Cidadãos Voluntários amigos, defensores e protectores de animais abandonados? 

A prioridade não deveria ser para a promoção de programas RED (Recolha, Esterilização e Devolução) em colónias de animais de rua estabilizadas, instituindo-se o conceito de ?cão ou gato comunitário? que garanta a protecção legal dos animais que são cuidados num espaço ou numa via pública limitada cuja guarda, detenção, alimentação e cuidados médico-veterinários são assegurados por uma parte de uma comunidade local de moradores? 

A prioridade não deveria ser para oferecer o acesso a tratamentos médico-veterinários, nomeadamente a prática de esterilização, a preços simbólicos, nos centros de recolha oficiais para os animais a cargo de associações de protecção dos animais ou de detentores com incapacidade económica? 

A prioridade não deveria ser para o lançamento de campanhas de sensibilização contra o abandono dos animais e de promoção da adopção responsável, além da correcção das falhas existentes ao nível dos sistemas de registo dos animais e a adequada articulação entre as bases de dados existentes? 

Afinal, este nosso Concelho está mesmo a afundar-se! Mas o fenómeno não é só a nível do solo, e nem se consegue detectar através de imagens de satélite, é mesmo um afundamento moral, ético e dos bons costumes, perda total de valores!
Qual será o próximo passo? Esperemos que, por este andar, não se transponha a essência desta campanha também para os seres humanos, promovendo uma política idêntica de erradicação do flagelo dos desfavorecidos e dos sem-abrigo! 

Mais informamos que está programada uma iniciativa de protesto para próxima Reunião de Câmara, na 4.ª feira, dia 18 de Maio, às 18h00, no edifício da Câmara, em Vila Franca de Xira. Com ponto de encontro às 17h30, à porta da Câmara de Vila Franca de Xira e com t-shirt preta como símbolo do protesto.
Com os melhores cumprimentos,
Luisa Vaz e Isida Moço
* VILA FRANCA DE XIRA CONCELHO INTELIGENTE, frase em nota de rodapé do panfleto da campanha.








POSTURA MUNICIPAL DE CONTROLO DE ANIMAIS VADIOS OU 
ERRANTES NO MUNICÍPIO DE MIRANDELA 


Artigo 3º 
1- É expressamente proibido alimentar qualquer animal vadio ou errante, seja 
de que espécie for, em qualquer espaço público. 
2- A violação da proibição prevista no número anterior, constitui contraordenação punida com uma coima cujo montante mínimo é de 50 euros e  máximo de 500 euros.




Parque Biológico aconselha a não alimentar gatos errantes
O livro começa por explicar como foram os gatos domesticados para depois descrever de que forma os gatos selvagens e domesticados, de zonas urbanas e zonas rurais, contribuem para a extinção de algumas espécies. 
Por fim, mesmo na última página, aconselha as pessoas a não alimentarem gatos errantes, de forma a não aumentar o seu número. 




Alimentar cães dá multa
Fornecer alimento nos espaços públicos e atrair animais de companhia, errantes, selvagens ou que vivam em estado semidoméstico no meio urbano, tais como gatos, cães e pombos, vai passar a ser punido em Peniche com a coima de um décimo do salário mínimo nacional, cerca de 36 euros.
http://www.cm-porto.pt/document/449218/471069.pdf


Panfleto do Porto:





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Protesto contra o fomento da crueldade para com os animais abandonados
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Repudie a campanha da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira proibindo alimentar animais abandonados na rua, contrariando o sentido da Resolução da Assembleia da República nº 69/2011, aprovada por unanimidade, que recomenda entre outras medidas a instituição do conceito de “cão ou gato comunitário”.

Mostre o seu desagrado na próxima Reunião de Câmara, hoje, dia 18 de Maio, às 18h00, no edifício da Câmara, em Vila Franca de Xira.

Os animais do concelho de Vila Franca de Xira agradecem.



Críticas à campanha da Câmara de Vila Franca de Xira contra a alimentação de animais abandonados





INDIGNAÇÃO PELO FOMENTO DA CRUELDADE COM OS ANIMAIS ABANDONADOS
Foi estupefacção e depois indignação o que sentimos quando recebemos a factura da água deste mês! Não, não foi com o valor da factura, ou com algo relacionado com a mesma. Efectivamente, foi com o panfleto que a acompanhava (para quem não o tenha recebido, junto enviamos um scanner do mesmo).
Trata-se, ao que parece, de uma nova campanha sobre animais domésticos da Divisão de Higiene Pública, do Departamento de Qualidade Ambiental, da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Mas não conseguimos compreender o objectivo essencial desta campanha. 

Todos os anos, na época estival, somos bombardeados com notícias deprimentes de abandono de animais domésticos. Este ano não será, certamente, excepção. Até porque nos tempos de crise que atravessamos, naturalmente, serão os animais domésticos os primeiros a sofrer com o corte nos orçamentos familiares. Portanto, e não querendo ser pessimistas, imaginamos que o número de animais abandonados seja ainda maior este ano. 

Ora, uma iniciativa de sensibilização da população, no sentido de não abandonar os seus animais de companhia e, ainda, promover a adopção dos que, infelizmente, já foram abandonados era, certamente, de louvar. Congratulávamo-nos com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e com os seus serviços de Higiene Pública numa campanha deste nobre teor. 

Só que, não nos parece ser este o objectivo desta campanha. Porque, em primeiro lugar e em grande destaque, o que se lê neste panfleto, é a proibição de alimentar animais abandonados. Sugerindo que o facto de alimentar esses animais põe em causa a Saúde Pública, a segurança e tranquilidade da população, bem como, de outros animais. E, vai mais longe ainda, acenando com uma punição para quem não siga esta sugestão. 

Ora bem, parece-nos que há aqui um equívoco e, mais grave ainda, uma inversão de valores.
Ao invés de se promover, enaltecer, elogiar, louvar, aplaudir, premiar a generosidade, a bondade, a solidariedade, o altruísmo, a filantropia, o espírito de partilha, o respeito por todos os seres vivos, incluindo os animais, fomenta-se a crueldade, a atrocidade e a desumanidade?
Uma sociedade que não respeita, nem dignifica os seus animais, também não respeita, nem honra os seus semelhantes, e não é uma sociedade evoluída e civilizada! 

A solução para o flagelo do abandono dos animais domésticos, ao contrário da tendência actual e progressista de outros Municípios, que desenvolvem políticas de recolha de animais abandonados, com o cumprimento das normas de bem-estar e saúde animal, e de políticas de promoção da adopção responsável, neste nosso CONCELHO INTELIGENTE,* retrocede-se e desenvolve-se não uma política de recolha e abate sistemático de animais errantes, para controlo das populações, desaconselhada e que está em desuso, mas ainda pior que essa, uma política cruel de abate bárbaro e recolha, que pressupõe o abate dos animais desprotegidos, deixando-os morrer à fome, aos nossos olhos, na via pública e, posteriormente, a recolha dos seus cadáveres? 

Os animais famintos, enfraquecidos, debilitados, e por isso, mais susceptíveis a apanhar todo o tipo de doenças, não constituirão maior perigo para a Saúde Pública?
Mas se o pressuposto errado da fundamentação desta campanha assenta no cumprimento de uma norma obsoleta do Regulamento de Higiene Pública do Concelho de Vila Franca de Xira, então não será melhor alterar, fazer a revisão e modernização desse regulamento, no Órgão Municipal competente? 

Neste Município desconhece-se a Convenção Europeia para a Protecção dos Animais de Companhia, transposta pelo Decreto-Lei n.º 276/2001, de 17 de Outubro, e os princípios para o bem-estar animal, expressos no Decreto-Lei n.º 315/2003 de 17 de Dezembro, e a Resolução da Assembleia da República n.º 69/2011 , que recomenda uma nova política de controlo das populações de animais errantes e a promoção de uma política de não abate dos animais recolhidos nos centros de recolha oficiais?
Como é possível que em tempos de crise económica e contenção de despesas, se esbanje dinheiro do erário público em acções deste género? 

Qual o critério para os investimentos Camarários nesta matéria? 

A prioridade não deveria ser para o investimento na criação de canis e gatis para a recolha, tratamento médico-veterinário e preservação desses animais em condições condignas, cumprindo as normas de bem-estar e saúde animal?
A prioridade não deveria ser para apoiar a vários níveis as Associações e os Movimentos de Cidadãos Voluntários amigos, defensores e protectores de animais abandonados? 

A prioridade não deveria ser para a promoção de programas RED (Recolha, Esterilização e Devolução) em colónias de animais de rua estabilizadas, instituindo-se o conceito de ?cão ou gato comunitário? que garanta a protecção legal dos animais que são cuidados num espaço ou numa via pública limitada cuja guarda, detenção, alimentação e cuidados médico-veterinários são assegurados por uma parte de uma comunidade local de moradores? 

A prioridade não deveria ser para oferecer o acesso a tratamentos médico-veterinários, nomeadamente a prática de esterilização, a preços simbólicos, nos centros de recolha oficiais para os animais a cargo de associações de protecção dos animais ou de detentores com incapacidade económica? 

A prioridade não deveria ser para o lançamento de campanhas de sensibilização contra o abandono dos animais e de promoção da adopção responsável, além da correcção das falhas existentes ao nível dos sistemas de registo dos animais e a adequada articulação entre as bases de dados existentes? 

Afinal, este nosso Concelho está mesmo a afundar-se! Mas o fenómeno não é só a nível do solo, e nem se consegue detectar através de imagens de satélite, é mesmo um afundamento moral, ético e dos bons costumes, perda total de valores!
Qual será o próximo passo? Esperemos que, por este andar, não se transponha a essência desta campanha também para os seres humanos, promovendo uma política idêntica de erradicação do flagelo dos desfavorecidos e dos sem-abrigo! 

Mais informamos que está programada uma iniciativa de protesto para próxima Reunião de Câmara, na 4.ª feira, dia 18 de Maio, às 18h00, no edifício da Câmara, em Vila Franca de Xira. Com ponto de encontro às 17h30, à porta da Câmara de Vila Franca de Xira e com t-shirt preta como símbolo do protesto.
Com os melhores cumprimentos,
Luisa Vaz e Isida Moço
* VILA FRANCA DE XIRA CONCELHO INTELIGENTE, frase em nota de rodapé do panfleto da campanha.








POSTURA MUNICIPAL DE CONTROLO DE ANIMAIS VADIOS OU 
ERRANTES NO MUNICÍPIO DE MIRANDELA 


Artigo 3º 
1- É expressamente proibido alimentar qualquer animal vadio ou errante, seja 
de que espécie for, em qualquer espaço público. 
2- A violação da proibição prevista no número anterior, constitui contraordenação punida com uma coima cujo montante mínimo é de 50 euros e  máximo de 500 euros.




Parque Biológico aconselha a não alimentar gatos errantes
O livro começa por explicar como foram os gatos domesticados para depois descrever de que forma os gatos selvagens e domesticados, de zonas urbanas e zonas rurais, contribuem para a extinção de algumas espécies. 
Por fim, mesmo na última página, aconselha as pessoas a não alimentarem gatos errantes, de forma a não aumentar o seu número. 




Alimentar cães dá multa
Fornecer alimento nos espaços públicos e atrair animais de companhia, errantes, selvagens ou que vivam em estado semidoméstico no meio urbano, tais como gatos, cães e pombos, vai passar a ser punido em Peniche com a coima de um décimo do salário mínimo nacional, cerca de 36 euros.




Porto: http://www.cm-porto.pt/document/449218/471069.pdf


Panfleto do Porto:





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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
ÉTICA NA PRODUÇÃO ANIMAL
Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho1, Ana Maria Bridi2 e Maria José Hötzel1
Publicado no ZOOTEC 2007 (XVII Congresso Nacional de Zootecnia e IX Congresso
Internacional de Zootecnia), 29 de maio a 01 de junho de 2007, Londrina, PR.


INTRODUÇÃO

O fato de não sermos filósofos não nos desautoriza a comentar sobre “ética” na
produção animal. Afinal de contas, foi exatamente a sociedade civil organizada e seus
movimentos sociais que trouxeram preocupações éticas com a produção animal. Estas
preocupações, então, foram acompanhadas por reflexões e trabalhos de diversos
filósofos (SINGER, 1975, REGAN, 1983; ROLLIN, 1995).
Seria mesmo interessante um debate ético sobre a produção animal dentre os
profissionais da Zootecnia. Há muito que os conceitos de “neutralidade” e
“imparcialidade” na ciência aplicada não se sustentam, uma vez que “cientistas são
criaturas de uma cultura e de uma sociedade, como todo mundo” (BERREMAN, 1968).
Logo, nesse ambiente cada um(a) trará sua experiência, sua cultura, interesses, e fará
seu próprio juízo de valor. Nos apresentamos como professores / pesquisadores de uma
importante e emergente área da Ciência Animal: a Etologia Aplicada e bem-estar dos
animais zootécnicos. É evidente também que não somos “neutros”, e este trabalho com
certeza espelhará nossa visão de mundo. Entretanto, é um sério equívoco considerar que
a adesão a princípios éticos possa comprometer a utilização de critérios científicos
rigorosos (HURNIK, 1997). Ao contrário, ter consciência e assumir a “não
neutralidade”, nos dá melhores condições de ter objetividade científica na abordagem
de algum assunto.
A palavra ética tem origem grega (ETHOS) e significa modo de ser, o caráter. O ser
humano não nasce com a ética, esta não é uma característica adquirida geneticamente. É
uma realidade humana que é constituída histórica e socialmente a partir das relações
coletivas dos seres humanos nas sociedades onde nascem e vivem, por isso ela é
constantemente repensada e mudada.



1 Professor(a) Departamento de Zootecnia e Des. Rural, LETA – Lab. de Etologia Aplicada, UFSC. Email de contato: pinheiro@cca.ufsc.br
2 Professora Departamento de Zootecnia, UEL.

A ética tem sido definida, pelo senso comum, como “estudos dos juízos de apreciação
referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do
mal, seja relativamente a uma sociedade, seja de modo absoluto” (FERREIRA, 1999).

Ou seja, a ética é o julgamento do que seria “certo” ou “errado”. Entretanto, o “certo”
para alguns pode ser “errado” para outros, tudo dependendo das idéias de cada um, que
é o produto das experiências e do tempo que uma pessoa vive. Deste modo, o que pode
ser considerado “certo” para alguns ou para um tempo histórico, pode ser considerado
“errado” para outros e / ou para outro tempo histórico. O escravagismo, o direito de
voto das mulheres, a monarquia, entre outros, são bons exemplos históricos disto. Esse
princípio se aplica a todas as esferas da atividade humana, e certamente também se
aplica à produção animal.


LINHAS FILOSÓFICAS DA ÉTICA APLICADA À PRODUÇÃO ANIMAL

Ética na produção animal é um tema abrangente, e envolve necessariamente vários
aspectos da criação. Para Warris (2000), carne com “qualidade ética” seria oriunda de
animais que foram abatidos e tratados em condições de bem-estar e que estas condições
criatórias sejam sustentáveis e ambientalmente corretas. Logo, para abordar o tema da
ética na produção animal é preciso considerar todos os fatores relacionados aos sistemas
de produção.
As preocupações éticas com os animais são antigas, mas no ano de 1964, quando a
escritora Ruth Harrison lançou, na Inglaterra, um livro chamado Animal Machines: The New Factory Farming Industry, denunciando os maus tratos que os animais eram submetidos na criação
confinada, inaugurou-se o debate sobre a Ética na produção animal. O impacto que a
publicação gerou na sociedade Britânica mobilizou o Parlamento, que criou o comitê
BRAMBELL para examinar a situação. Dentre as conclusões apresentadas no relatório
do Comitê, havia a proposição de garantir cinco liberdades mínimas aos animais:
virar-se; cuidar-se corporalmente; levantar-se; deitar-se; esticar seus membros.

Em relação aos animais de fazenda e de experimentação, as principais linhas filosóficas
aplicadas ao bem-estar animal são a PRODUTIVISTA, UTILITARISTA e a
DEONTOLÓGICA OU DIREITO ANIMAL.
A teoria Produtivista ou Humanocentrista, que têm sua base filosófica em René
Descartes, afirma que os Seres Humanos são os únicos membros da comunidade moral
porque é a única espécie pensante, por isso tem domínio sobre o modo de vida dos
animais. A conseqüência é que os animais só possuem valor como meio para os fins
humanos. Assim, o sofrimento animal é justificado pelo aumento da produtividade,
pois é necessário produzir comida para o mundo. Estes conceitos tem sido criticados por
outros filósofos (p. ex. Peter Singer) como “Especicismo”, ou seja, a presunção da
superioridade da espécie humana.
A linha Filosófica Utilitarista, defendida por Peter Singer (Professor de bioética da
Universidade de Princeton – EUA e autor do livro Animal Liberation), defende que o
limite da SENCIÊNCIA (capacidade de um ser experimentar sentimentos) é a única
fronteira defensável para a preocupação pelos interesses dos outros, cuja a ética deve
garantir. Esta linha filosófica focaliza as conseqüências das ações e tenta maximizar as
conseqüências boas em relação às ruins. O certo será aquilo que, dentro das ações
possíveis, produzir os maiores benefícios e os menores prejuízos. Para Singer, o fato de
sermos seres racionais não nos daria privilégios em relação aos outros animais e que não
devemos, ou não temos, o direito de impor uma vida de sofrimento aos animais só para
satisfazer o nosso paladar. O grande problema do Utilitarismo é como fazer o cálculo
das conseqüências das ações.
A Deontologia (deotos = dever) é um princípio ético baseado em regras no qual a
conduta moral não é definia pelos resultados, mas pelos deveres ou regras as serem
observados. Neste caso os animais possuem valor INTRÍNSECO, o que significa que
eles têm importância por direito próprio por serem seres SENTIENTES (capazes de
experimentar sentimentos). Esta linha filosófica tem como principal filósofo Tom
Regan (autor do livro Animal Rights) que defende o vegetarianismo porque os animais
devem ter o direito de controlar suas vidas. Esta linha filosófica exige a abolição do uso
de animais para abate ou experimentação. Alguns tolerariam a criação para consumo de
leite, ovos ou lã, desde que assegurado o bem-estar dos animais.
Por várias décadas a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico na agricultura animal
tem tido como critérios centrais a produção e a produtividade animal. O animal era visto
como “máquina” (DOMINGUES, 1960), e as conseqüências ambientais e sociais eram
em geral ignoradas. Em conseqüência, pouca ou nenhuma atenção foi dada ao impacto
das então novas tecnologias e sistemas criatórios no ambiente, na saúde do produtor, na
qualidade do alimento produzido, nas comunidades rurais e no bem-estar dos animais
(FRASER et al., 2001).
A avaliação de um sistema de produção apenas por um critério de produtividade ou
mesmo lucratividade, pode levar a equívocos. Um sistema de produção, além de
eficiente, deve ser ambientalmente benéfico, eticamente defensável, socialmente
aceitável, e relevante para os objetivos, necessidades e recursos das comunidades para
os quais foi desenhado para servir (TRIBE, 1985). Um sistema de produção também
precisa ser economicamente viável e energeticamente sustentável. A abordagem da ética
na produção animal passa por todos esses aspectos, que serão brevemente discutidos a
seguir.


PRODUTIVIDADE

Nos últimos 50 anos, os progressos na saúde, nutrição e genética animal, resultaram
num formidável e inquestionável aumento da produtividade e produção animal. Em
conseqüência desses progressos houve benefícios significativos para a sociedade
humana, como alimento abundante e barato, redução da sazonalidade na oferta de
alimentos e melhora na higiene dos produtos. Para os animais também ocorreram
benefícios, como proteção contra predadores, abrigo, alimentação balanceada e
progressos na prevenção de doenças e cuidados veterinários (HURNIK et al. 1995).
Esses progressos não podem ser esquecidos e nem subestimados, pois representaram
enormes avanços para várias sociedades humanas.
Entretanto, nesse processo os animais foram confinados em espaços cada vez menores,
as dietas ficaram mais especializadas, e houve grande consumo de energia fóssil no
processo produtivo, seja pelos tipos de instalações adotadas, seja pelo custo energético
de produção da alimentação animal. Paralelamente, o acúmulo de dejetos se tornou um
grave problema ambiental. Progressos e resultados análogos também se verificaram na
produção vegetal. Paradoxalmente, apesar do enorme custo ambiental, energético e de
bem-estar animal, o aumento de produtividade não tem se refletido em benefício, nem
para o consumidor, nem para o produtor. Nos EUA, por exemplo, o preço da carne para
os consumidores aumentou 45% de 1982 a 1999. No mesmo período, o preço pago aos
produtores se manteve estável (FRASER et al. 2001). A mesma tendência se verifica no
Brasil, sendo os preços do leite e da carne suína exemplos atuais.
O aumento da produtividade foi acompanhado por um discurso em prol do “combate à
fome no mundo”. De fato, nos últimos 30 anos a produção total de alimentos do mundo
aumentou 134% (cereais) e 227% (carnes). Já a população mundial aumentou 94% no
mesmo período (Tabela 1). Apesar disso, a fome continua em números nunca vistos, a
ponto do mundo já somar ¼ de sua população na miséria absoluta, vivendo com menos
de US$ 1,00 por dia. Boa parte dessas populações são pequenos produtores ou expequenos
agricultores, expulsos de suas terras pelo processo de concentração da
produção (e da propriedade) na agricultura que ocorreu ao nível mundial.
Em síntese, não há necessidade de aumentar ainda mais a produção e produtividade de
alimentos no mundo para alimentar a humanidade, uma vez que é um problema muito
mais de distribuição do que de quantidade. Por outro lado, o aspecto de produtividade é
fundamental e não pode ser esquecido na avaliação de qualquer sistema de produção.


IMPACTOS SOCIAIS

Ao que tudo indica, o sistema de produção implantado desde a década de 60 –
monocultura animal ou vegetal, especialização da propriedade, capital intensivo e alto
uso de insumos industriais - está relacionado com o processo de mudança de perfil das
realidades agrárias dos diversos países. Em 1996, 39% da produção mundial de carne
suína, 79% da carne de frango e 68% dos ovos advinha de confinamentos intensivos
(SERE and STEINFELD, apud Fraser et al., 2001). Atualmente, este percentual deve
ser ainda maior pois, se nos países industrializados a quase totalidade dos suínos e aves
são criados em sistemas de confinamento intensivo, nos países da periferia, o percentual
do rebanho criado em confinamentos intensivos tem crescido continuamente.
Dentre outras conseqüências, a implantação do modelo produtivista na agricultura, nos
sistemas econômicos de livre mercado, veio acompanhada de uma forte monopolização
da atividade agrícola, concentração da produção e da propriedade. E isto ocorreu,
primeiro nos países centrais, depois, nos periféricos. Nos EUA, em 1945 havia 5,9
milhões de fazendas (NRC, 1989). Este número reduziu-se para 2 milhões na década de
90 (USDA, 2001). No Brasil, em 1970 eram 49.190.089 de propriedades rurais, e em
1996 restaram 4.859.865 propriedades (IBGE, 1997). Quer dizer, em 26 anos restaram
apenas 9,8% das propriedades no campo! A conseqüência foi que, se em 1960 havia
55% da população vivendo no campo, em 1996, este percentual caiu para 21% (IBGE,
1997).
A mesma tendência verifica-se nos confinamentos intensivos, nos países centrais e nos
periféricos. Tome-se novamente como exemplos os EUA e o Brasil, e a atividade
suinícola (Figura 1). Em 1980 havia aproximadamente 650 mil granjas de suínos nos
EUA. No ano 2000, o número de granjas era menor que 90 mil (USDA, 2001). Nos
EUA tem havido uma forte tendência da produção de suínos deixar de ser em pequenas
unidades familiares, a campo, para transformar-se em sistemas confinados de grande
escala (FRASER et al., 2001). De fato, atualmente 50,5% do rebanho suíno norteamericano
está concentrado em 2,4% das granjas (USDA, 2001). No Brasil, tomando o
estado de Santa Catarina como exemplo, em 1985 cerca de 57% do rebanho suíno
catarinense era industrial (confinado). Em 1996 esse percentual cresceu para 75%
(IBGE, 1997). Já o número de suinocultores industriais em SC, que em 1985 era de
54.176, no ano 2000 ficou reduzido a 17.500 produtores (IBGE, 2001), evidenciando
um claro processo de concentração fundiária e da produção.


IMPACTO AMBIENTAL E SAÚDE HUMANA

O confinamento intensivo tem também sido criticado por suas conseqüências no
ambiente e na saúde humana. Nos EUA, estima-se que até 70% de todos os nutrientes
que atingem as águas de superfície, principalmente nitrogênio e fósforo, são originários
ou de fertilizantes agrícolas ou de dejetos de confinamentos de animais (NRC, 1989).
Também as águas subterrâneas, nos EUA, tem sido poluídas por fertilizantes, pesticidas
e acúmulo de dejetos de confinamentos.
Em Santa Catarina, a poluição de águas no Oeste – inclusive de poços artesianos - tem
sido em parte atribuída à suinocultura intensiva. Levantamentos realizados em zonas
rurais das regiões produtoras de suínos e aves confinadas, de Santa Catarina, revelam
que 85 % das fontes de água estão contaminadas por coliformes fecais, oriundos do
lançamento direto do esterco, principalmente de suínos, em cursos ou mananciais
d’água (LOHMANN, 1999). Este problema é especialmente grave em períodos de
chuva e com o esterco líquido, cuja quantidade diária produzida é de 4,9% a 8,5% do
peso vivo do animal (SILVA & MAGALHÃES, 2001). Quer dizer, um suíno de 60kg
produz em torno de 4kg de esterco líquido por dia. Quando os dejetos encontram
mananciais ou cursos de água, geram sérios desequilíbrios ecológicos: redução do teor
de oxigênio dissolvido na água, disseminação de agentes patogênicos e contaminação
(da água) por amônio, nitratos e outros elementos (MENEGAT, 1999).
O poder poluente dos dejetos é bem maior que a do esgoto humano. Enquanto a
Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) é de cerca de 200 mg/L no esgoto doméstico,
a DBO dos dejetos oscila entre 30.000 a 52.000 mg/L, ou seja, em torno de 260 vezes
superior. A DBO avalia indiretamente o conteúdo orgânico biodegradável dos dejetos
através da medida de oxigênio consumido pelos microrganismos atuantes na sua
oxidação. O aumento da DBO têm como conseqüências a diminuição da concentração
de oxigênio na água, a produção de substâncias tóxicas e a proliferação exagerada de
algas.
A alta concentração de animais em confinamentos intensivos em alguns municípios
catarinenses colocam os dejetos de animais, ao lado da extração do carvão e dos
agrotóxicos da rizicultura, entre as maiores ameaças de contaminação do Aquífero
Guarani, a maior fonte de água subterrânea da América do Sul (CAMPOS, 2000;
POÇOS, 2000).
Em termos de saúde humana e animal, o uso continuado de antibióticos na ração animal
também pode levar ao desenvolvimento de cepas de patógenos resistentes (NRC, 1989).
Nos EUA, em 1994, 59% dos suínos comercializados receberam antibiótico na ração
com finalidade de incrementar o crescimento (FRASER et al., 2001).
Para agravar o problema, o manejo inadequado pode resultar na emissão de óxido
nitroso, que é um dos gases responsáveis pelos danos do efeito estufa. Embora este gás
tenha concentração bem menor que o CO2 na atmosfera, parece ter um potencial de
efeito estufa 270 vezes superior ao CO2 (Li, 1995 apud Amado & Spagnollo, 2001).


AQUECIMENTO GLOBAL

Também a produção animal tem sido responsabilizada pelo efeito estufa. No relatório
apresentado por Steinfeld et al. (2006) à FAO, se afirma que 40% das emissões
antropogênicas de metano, um dos importantes gases que contribuem com o efeito
estufa, tem origem na fermentação entérica e nos dejetos produzidos por animais
zootécnicos (p. 112). O mesmo relatório também aponta outro dado menos divulgado na
imprensa leiga, de que a maior parte dessas emissões provêm de sistemas extensivos,
que são uma das principais fontes de sobrevivência de milhões de pequenos agricultores
marginalizados e descapitalizados de regiões pobres do planeta (p. 114).
Samuel Jutzi, Diretor da divisão de Sanidade e produção da FAO, conclamou o setor
agrícola a encontrar soluções técnicas apropriadas para o uso ambientalmente
sustentável dos recursos utilizados na produção animal (STEINFELD et al., 2006). As
premissas para tal solução, no entanto, não são claras ao longo do relatório e não
envolvem mudanças no paradigma atual de produção animal, mas se rendem à
"realidade" de que hoje cerca de 80% do crescimento da produção animal se origina em
sistemas industriais (p. 278). Seguindo esse raciocínio, por exemplo, o confinamento
intensivo de monogástricos é apontado como a melhor alternativa à vista para manter as
emissões de gases de origem animal até 2050, quando se espera que a produção de
animais dobre no planeta, nos níveis de hoje.
A produção de gado de corte, tanto em sistemas intensivos confinados como em
sistemas extensivos tradicionais, trazem danos irreparáveis ao ambiente. O primeiro
pela contaminação da água e do solo com nutrientes, mais notadamente nitrogênio e
fósforo, antibióticos e outros químicos, o segundo pela degradação do solo (erosão,
compactação) pelo manejo inadequado. Embora ambos concorram nesse sentido, os
sistemas extensivos são os mais associados à perda de biodiversidade pela
transformação de diversos habitats em pastagens. No relatório citado a bovinocultura a
pasto tem sido também associada à maior produção de metano. Essas são falsas
questões que precisam ser esclarecidas. Em primeiro lugar, há vários tipos de produção
a pasto, e apenas o mau manejo do complexo solo – animal – pasto resulta em
degradação dos solos e perda da biodiversidade. Em segundo lugar, não é verdade que a
produção a pasto resulte em maior produção de metano.
O adequado manejo do complexo solo – animal - pastagem pode resultar em aumento
da biodiversidade e incremento da vida de um ecossistema, devido ao fabuloso aporte
de matéria orgânica e reciclagem de pasto em excremento pelo animal. Numa
experiência realizada em Minnesota e monitorada por pesquisadores da Universidade
deste estado, encontrou-se maior número e diversidade de insetos e peixes num curso
d’água passando por uma área de pastoreio racional rotativo, como o preconizado por
Voisin (1974), do que por uma área de reserva em recuperação, fechada por 30 anos
(BAGDLEY, 2003).
Quando avaliamos apenas o que acontece no animal, é correto afirmar que a produção
de metano por um bovino criado a pasto será maior, comparado com um bovino criado
em confinamento. A fermentação ruminal da celulose tem como principal produto final
o ácido acético, que ao ser formado no rúmen libera quatro moléculas de H2. Essas
moléculas em união com o CO2 dão origem ao metano. Já na fermentação do amido, o
principal produto final será o ácido propiônico, que consome moléculas de H2,
reduzindo a produção ruminal de metano (KAUFFMANN, 1982). E isso não chega a
ser uma novidade.
Acontece que o bovino criado a pasto não existe sem a pastagem. Então é preciso
comentar que há uma associação indissolúvel entre o animal e o pasto. Se a produção de
metano de um bovino a pasto é maior do que de outro alimentado com grãos, o
seqüestro de carbono (C) realizado pela pastagem é muitas vezes superior às lavouras
que produzem os grãos. O seqüestro de carbono por pastagens é maior do que de
florestas, como demonstram Conant et al. (2004): “... nossos resultados indicam que os
macroagregados (do solo) reciclam mais rapidamente sob pastagem do que sob floresta,
e são menos eficientes em estabilizar o C do solo, enquanto que microagregados de
solos de pastagem estabilizam uma maior concentração de C do que microagregados de
florestas.”
A concentração, na criação animal, é um problema não só no que se refere ao número de
animais em um dado alojamento, mas também em relação ao número de criações em
uma dada região que, quando em excesso, superam a capacidade do ambiente de
reciclar os nutrientes. A concentração animal frequentemente implica também no uso
excessivo de água, outro tema que chega tarde à discussão da ética na produção animal.
O relatório de Steinfeld et al. (2006) conclui que danos ao ambiente são encontrados em
todos os espectros da produção (extensiva a industrial), e são provavelmente maiores
em relação à criação de gado de corte e menores em relação à de aves. Esta conclusão,
tomada fora de contexto dos demais dilemas éticos da produção animal, pode ter
repercussões perigosas em termos de desenvolvimento de políticas locais e globais. A
criação de aves tomada como base para essa análise é a industrializada confinada,
grande consumidora de grãos, altamente concentrada e, não menos importante, em um
sistema onde é extremamente difícil encontrar soluções para o bem-estar dos animais
envolvidos no processo.
Ao mesmo tempo que é fácil associar o desmatamento à criação de bovinos, pois eles
passam a ocupar a área desmatada, é mais difícil de visualizar o dano correspondente
quando a mesma área passa a ser dedicada à cultura de grãos usada para alimentar
animais criados em confinamento. A produção de grãos envolve altíssimos gastos em
energia fóssil, desde a sua plantação até o transporte até onde será consumida pelo
animal.


ENERGIA

Uma vez que os sistemas agrícolas são abertos, a quantidade de energia (de origem
fóssil) que entra no sistema deve ser, preferencialmente, igual ou menor a que sai. Na
maior parte dos casos, isto só é possível com a maximização da captação da energia
solar através da integração de diferentes culturas, da rotação do uso do solo e do
reaproveitamento de resíduos. A base de qualquer sistema de produção agrícola é o
solo. Mesmo num confinamento intensivo é a produção de alimentos para os animais,
oriundas de culturas, o fator decisivo e em geral mais oneroso do processo produtivo. A
adição de excremento animal é a única prática agrícola capaz de melhorar e manter a
fertilidade de solos de lavoura (TILMAN, 1998).
A intensificação dos sistemas de produção na agricultura (animal e vegetal) ocorrida de
1940 a 1970, o auge da “Revolução Verde”, mais do que triplicou a demanda energética
(fóssil) na produção agrícola americana, enquanto que o consumo energético apenas
duplicou (STEINHART & STEINHART, 1974). Sistemas de produção animal
altamente intensificados, como o confinamento de bovinos de corte demandam alto
custo energético. Nos “feedlots” americanos, para produzir-se 1 libra de carne bovina se
consome o equivalente a 1 galão de gasolina em energia fóssil, resultando numa relação
calorias de energia cultural investida / calorias de energia alimentícia produzida de 5:1.
Em contraste, a produção de carne e leite pastoril na África tem uma relação de 1:10, ou
seja 50 vezes mais eficiente energeticamente.


BEM-ESTAR ANIMAL

De acordo com Hurnik (1992) o bem-estar animal é um estado de harmonia entre o
animal e seu ambiente, caracterizado por condições físicas e fisiológicas ótimas e alta
qualidade de vida do animal. Broom (1991) propõem que bem-estar não é um atributo
dado pelo homem aos animais, mas uma qualidade inerente a estes. O bem-estar se
refere, então, ao estado de um indivíduo do ponto de vista de suas tentativas de
adaptação ao ambiente. Ou seja, se refere a quanto tem de ser feito para o animal
conseguir adaptar-se ao ambiente e ao grau de sucesso com isso está acontecendo.
Assim, o bem-estar pode variar de MUITO BOM a MUITO RUIM e pode ser avaliado
cientificamente a partir de estado biológico do animal e de suas preferências. Neste
contexto, produtividade, sucesso reprodutivo, taxa de mortalidade, comportamento
anômalos, severidade de danos físicos, atividade adrenal, grau de imunodepressão ou
incidência de doenças, são fatores que podem medidos para avaliar o grau de bem-estar
dos animais.

Na tentativa de construir um consenso em torno da definição de bem-estar, Fraser et al.
(1997) sintetizaram as três principais questões éticas que, segundo eles, são levantadas
pela sociedade em relação à qualidade de vida dos animais:

1. Os animais deveriam SENTIR-SE BEM, ou seja, deveriam atingir seus
interesses, os quais consistiriam basicamente em estar livres de sentir medo e dor e em
poder de experiências prazerosas.


2. Deveriam ter um BOM FUNCIONAMENTO, isto é, poder satisfazer suas
necessidades de saúde, crescimento, fisiologia e comportamento.


3. Os animais deveriam VIVER VIDAS NATURAIS, deveriam poder viver e
desenvolver-se da maneira para a qual estão adaptados.

As mudanças relativamente recentes que têm sido implementadas no sistema de criação
não têm considerado as necessidades comportamentais dos animais, o que pode estar
influenciando negativamente o bem-estar de milhares de animais. A domesticação não
alterou o repertório comportamental das espécies animais (Price, 1999). Hoje existem
suficientes estudos mostrando, por exemplo, as conseqüências negativas da
impossibilidade de construir um ninho no comportamento e fisiologia das porcas e
leitões, e na sobrevivência dos leitões (BARNETT et al., 2001; THODBERG et al.,
1999; HÖTZEL et al., 2004, 2005), que não devem ser ignorados. O intenso contato
com os leitões, forçado pelo confinamento, é aversivo para as porcas (PAJOR et al.,
2000). Em aves, as altas densidades utilizadas no confinamento podem levar à bicagem
de penas e canibalismo (Wechsler & Huber-Eicher, 1998), levando até a morte de
animais. O uso de pisos inadequados aumenta a incidência de laminite em vacas
leiteiras (Webster, 2002). Até 60% das galinhas poedeiras podem apresentar fraturas
ósseas no final da sua vida produtiva (Nicol et al., 2006).
Nos últimos anos, coincidindo com o advento e crescimento do confinamento de
algumas espécies zootécnicas, o principal objetivo da seleção tem sido aumentar a
eficiência e produtividade. Embora possa ser argumentado que a seleção genética tenha
trazido benefícios para o bem-estar animal e para o meio ambiente, através de melhor
utilização dos recursos, também é claro que resultou em graves problemas em relação
ao bem-estar animal, principalmente através do que é chamado no meio veterinário de
“doenças da produção” (BLOOD & RADOSTITS, 1989). Trata-se de algumas doenças
vastamente disseminadas na criação animal, como a mastite e doenças metabólicas em
vacas leiteiras e laminite em porcas e vacas leiteiras (HEMSWORTH et al., 1995;
WELLS et al., 1998; BARNETT et al., 2001; RUSHEN, 2001), problemas de
articulações e ossos como fraqueza, pré-disposição a fraturas e mortalidade relacionada
à osteoporose, ascite em aves, problemas digestivos e susceptibilidade a estresse
(BRADSHAW et al., 2002; JULIAN, 1998; RATH, 2000). Muitas delas estão
associadas, direta ou indiretamente, com a seleção para rápido crescimento ou alta
produtividade e consumo de alimentos (JULIAN, 1993).
Na avaliação de um sistema de produção, o bem-estar animal é parte fundamental. Não
apenas pelo compromisso ético implícito que a humanidade tem para com os animais
que domesticou e colocou completamente sob seu controle, mas também em função da
opinião da sociedade sobre a qualidade de vida dos animais. Se o objetivo primeiro da
criação animal é produzir alimento de qualidade para as pessoas, então a opinião destas
pessoas deve ter grande importância. Isto deve ser verdade para o bem-estar animal
(FRASER et al., 2001), mas também deve valer para o sistema criatório como um todo.


CONCLUSÃO

As alternativas à produção animal convencional devem ser superiores em termos
ambientais, energético, de bem-estar animal, com menor dependência de insumos
externos e menor impacto social e cultural. Logo, é um tipo de produção que deve
interessar a toda a sociedade. Assim sendo, deve ser tratada como regra, e não como
exceção ou “nicho”. A produção animal ética, com bem-estar e sem agressão ao meio,
deve ser uma opção para TODA a agricultura, e não apenas para uma parte. Para tanto,
é preciso que seja competitiva também economicamente. E não há motivo algum para
que não seja. Ao contrário, há vários exemplos de redução de custos e / ou aumento da
lucratividade com a adoção de princípios agroecológicos. No Oeste do estado de Santa
Catarina, a produção de leite a pasto sem o uso de insumos químicos tem tido um custo
de produção que é a metade do convencional (MACHADO FILHO et al., 2000). O
custo de instalação de uma matriz no SISCAL é aproximadamente a metade do
confinamento, e a lucratividade do SISCAL é também em geral maior do que no
confinamento (EDWARDS, 1996). Entretanto, há ainda inúmeras perguntas a serem
respondidas com relação aos sistemas alternativos de produção. Com efeito, se há
dezenas de milhares de trabalhos publicados sobre os mais variados aspectos do sistema
convencional, a pesquisa agroecológica é ainda incipiente.


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IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Censo Agropecuário 1996. Rio
de Janeiro, 2001. Disponível em:
[Error: Irreparable invalid markup ('<http:>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

<div style="text-align: right;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"><i>Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho1, Ana Maria Bridi2 e Maria José Hötzel1</i></span></div><div style="text-align: right;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"><i>Publicado no ZOOTEC 2007 (XVII Congresso Nacional de Zootecnia e IX Congresso</i></span></div><div style="text-align: right;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"><i>Internacional de Zootecnia), 29 de maio a 01 de junho de 2007, Londrina, PR.</i></span></div><div style="text-align: right;"><br /></div><br /><b>INTRODUÇÃO</b><br /><br />O fato de não sermos filósofos não nos desautoriza a comentar sobre “ética” na<br />produção animal. Afinal de contas, foi exatamente a sociedade civil organizada e seus<br />movimentos sociais que trouxeram preocupações éticas com a produção animal. Estas<br />preocupações, então, foram acompanhadas por reflexões e trabalhos de diversos<br />filósofos (SINGER, 1975, REGAN, 1983; ROLLIN, 1995).<br />Seria mesmo interessante um debate ético sobre a produção animal dentre os<br />profissionais da Zootecnia. Há muito que os conceitos de “neutralidade” e<br />“imparcialidade” na ciência aplicada não se sustentam, uma vez que “cientistas são<br />criaturas de uma cultura e de uma sociedade, como todo mundo” (BERREMAN, 1968).<br />Logo, nesse ambiente cada um(a) trará sua experiência, sua cultura, interesses, e fará<br />seu próprio juízo de valor. Nos apresentamos como professores / pesquisadores de uma<br />importante e emergente área da Ciência Animal: a Etologia Aplicada e bem-estar dos<br />animais zootécnicos. É evidente também que não somos “neutros”, e este trabalho com<br />certeza espelhará nossa visão de mundo. Entretanto, é um sério equívoco considerar que<br />a adesão a princípios éticos possa comprometer a utilização de critérios científicos<br />rigorosos (HURNIK, 1997). Ao contrário, ter consciência e assumir a “não<br />neutralidade”, nos dá melhores condições de ter objetividade científica na abordagem<br />de algum assunto.<br />A palavra ética tem origem grega (ETHOS) e significa modo de ser, o caráter. O ser<br />humano não nasce com a ética, esta não é uma característica adquirida geneticamente. É<br />uma realidade humana que é constituída histórica e socialmente a partir das relações<br />coletivas dos seres humanos nas sociedades onde nascem e vivem, por isso ela é<br />constantemente repensada e mudada.<br /><br /><a name='more'></a><br /><br />1 Professor(a) Departamento de Zootecnia e Des. Rural, LETA – Lab. de Etologia Aplicada, UFSC. Email de contato: pinheiro@cca.ufsc.br<br />2 Professora Departamento de Zootecnia, UEL.<br /><br />A ética tem sido definida, pelo senso comum, como “estudos dos juízos de apreciação<br />referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do<br />mal, seja relativamente a uma sociedade, seja de modo absoluto” (FERREIRA, 1999).<br /><br />Ou seja, a ética é o julgamento do que seria “certo” ou “errado”. Entretanto, o “certo”<br />para alguns pode ser “errado” para outros, tudo dependendo das idéias de cada um, que<br />é o produto das experiências e do tempo que uma pessoa vive. Deste modo, o que pode<br />ser considerado “certo” para alguns ou para um tempo histórico, pode ser considerado<br />“errado” para outros e / ou para outro tempo histórico. O escravagismo, o direito de<br />voto das mulheres, a monarquia, entre outros, são bons exemplos históricos disto. Esse<br />princípio se aplica a todas as esferas da atividade humana, e certamente também se<br />aplica à produção animal.<br /><br /><br /><b>LINHAS FILOSÓFICAS DA ÉTICA APLICADA À PRODUÇÃO ANIMAL</b><br /><br />Ética na produção animal é um tema abrangente, e envolve necessariamente vários<br />aspectos da criação. Para Warris (2000), carne com “qualidade ética” seria oriunda de<br />animais que foram abatidos e tratados em condições de bem-estar e que estas condições<br />criatórias sejam sustentáveis e ambientalmente corretas. Logo, para abordar o tema da<br />ética na produção animal é preciso considerar todos os fatores relacionados aos sistemas<br />de produção.<br />As preocupações éticas com os animais são antigas, mas no ano de 1964, quando a<br />escritora Ruth Harrison lançou, na Inglaterra, um livro chamado <span class="Apple-style-span" style="color: #382110; font-size: 32px; line-height: 20px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; font-size: small;"><a href="http://pt.scribd.com/doc/27315249/Ruth-Harrison-Animal-Machines">Animal Machines: The New Factory Farming Industry</a></span></span><span class="Apple-style-span" style="color: #382110; font-size: 32px; line-height: 20px;"><span class="Apple-style-span" style="color: black; font-size: small; line-height: normal;">, denunciando os maus tratos que os animais eram submetidos na criação</span></span><br />confinada, inaugurou-se o debate sobre a Ética na produção animal. O impacto que a<br />publicação gerou na sociedade Britânica mobilizou o Parlamento, que criou o comitê<br />BRAMBELL para examinar a situação. Dentre as conclusões apresentadas no relatório<br />do Comitê, havia a proposição de garantir cinco liberdades mínimas aos animais:<br />virar-se; cuidar-se corporalmente; levantar-se; deitar-se; esticar seus membros.<br /><br />Em relação aos animais de fazenda e de experimentação, as principais linhas filosóficas<br />aplicadas ao bem-estar animal são a <b>PRODUTIVISTA, UTILITARISTA e a</b><br /><b>DEONTOLÓGICA OU DIREITO ANIMAL</b>.<br />A teoria Produtivista ou Humanocentrista, que têm sua base filosófica em René<br />Descartes, afirma que os Seres Humanos são os únicos membros da comunidade moral<br />porque é a única espécie pensante, por isso tem domínio sobre o modo de vida dos<br />animais. A conseqüência é que os animais só possuem valor como meio para os fins<br />humanos. Assim, o sofrimento animal é justificado pelo aumento da produtividade,<br />pois é necessário produzir comida para o mundo. Estes conceitos tem sido criticados por<br />outros filósofos (p. ex. Peter Singer) como “Especicismo”, ou seja, a presunção da<br />superioridade da espécie humana.<br />A linha Filosófica Utilitarista, defendida por Peter Singer (Professor de bioética da<br />Universidade de Princeton – EUA e autor do livro Animal Liberation), defende que o<br />limite da <b>SENCIÊNCIA</b> (capacidade de um ser experimentar sentimentos) é a única<br />fronteira defensável para a preocupação pelos interesses dos outros, cuja a ética deve<br />garantir. Esta linha filosófica focaliza as conseqüências das ações e tenta maximizar as<br />conseqüências boas em relação às ruins. O certo será aquilo que, dentro das ações<br />possíveis, produzir os maiores benefícios e os menores prejuízos. Para Singer, o fato de<br />sermos seres racionais não nos daria privilégios em relação aos outros animais e que não<br />devemos, ou não temos, o direito de impor uma vida de sofrimento aos animais só para<br />satisfazer o nosso paladar. O grande problema do Utilitarismo é como fazer o cálculo<br />das conseqüências das ações.<br />A Deontologia (deotos = dever) é um princípio ético baseado em regras no qual a<br />conduta moral não é definia pelos resultados, mas pelos deveres ou regras as serem<br />observados. Neste caso os animais possuem valor INTRÍNSECO, o que significa que<br />eles têm importância por direito próprio por serem seres SENTIENTES (capazes de<br />experimentar sentimentos). Esta linha filosófica tem como principal filósofo Tom<br />Regan (autor do livro Animal Rights) que defende o vegetarianismo porque os animais<br />devem ter o direito de controlar suas vidas. Esta linha filosófica exige a abolição do uso<br />de animais para abate ou experimentação. Alguns tolerariam a criação para consumo de<br />leite, ovos ou lã, desde que assegurado o bem-estar dos animais.<br />Por várias décadas a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico na agricultura animal<br />tem tido como critérios centrais a produção e a produtividade animal. O animal era visto<br />como “máquina” (DOMINGUES, 1960), e as conseqüências ambientais e sociais eram<br />em geral ignoradas. Em conseqüência, pouca ou nenhuma atenção foi dada ao impacto<br />das então novas tecnologias e sistemas criatórios no ambiente, na saúde do produtor, na<br />qualidade do alimento produzido, nas comunidades rurais e no bem-estar dos animais<br />(FRASER et al., 2001).<br />A avaliação de um sistema de produção apenas por um critério de produtividade ou<br />mesmo lucratividade, pode levar a equívocos. Um sistema de produção, além de<br />eficiente, deve ser ambientalmente benéfico, eticamente defensável, socialmente<br />aceitável, e relevante para os objetivos, necessidades e recursos das comunidades para<br />os quais foi desenhado para servir (TRIBE, 1985). Um sistema de produção também<br />precisa ser economicamente viável e energeticamente sustentável. A abordagem da ética<br />na produção animal passa por todos esses aspectos, que serão brevemente discutidos a<br />seguir.<br /><br /><br /><b>PRODUTIVIDADE</b><br /><br />Nos últimos 50 anos, os progressos na saúde, nutrição e genética animal, resultaram<br />num formidável e inquestionável aumento da produtividade e produção animal. Em<br />conseqüência desses progressos houve benefícios significativos para a sociedade<br />humana, como alimento abundante e barato, redução da sazonalidade na oferta de<br />alimentos e melhora na higiene dos produtos. Para os animais também ocorreram<br />benefícios, como proteção contra predadores, abrigo, alimentação balanceada e<br />progressos na prevenção de doenças e cuidados veterinários (HURNIK et al. 1995).<br />Esses progressos não podem ser esquecidos e nem subestimados, pois representaram<br />enormes avanços para várias sociedades humanas.<br />Entretanto, nesse processo os animais foram confinados em espaços cada vez menores,<br />as dietas ficaram mais especializadas, e houve grande consumo de energia fóssil no<br />processo produtivo, seja pelos tipos de instalações adotadas, seja pelo custo energético<br />de produção da alimentação animal. Paralelamente, o acúmulo de dejetos se tornou um<br />grave problema ambiental. Progressos e resultados análogos também se verificaram na<br />produção vegetal. Paradoxalmente, apesar do enorme custo ambiental, energético e de<br />bem-estar animal, o aumento de produtividade não tem se refletido em benefício, nem<br />para o consumidor, nem para o produtor. Nos EUA, por exemplo, o preço da carne para<br />os consumidores aumentou 45% de 1982 a 1999. No mesmo período, o preço pago aos<br />produtores se manteve estável (FRASER et al. 2001). A mesma tendência se verifica no<br />Brasil, sendo os preços do leite e da carne suína exemplos atuais.<br />O aumento da produtividade foi acompanhado por um discurso em prol do “combate à<br />fome no mundo”. De fato, nos últimos 30 anos a produção total de alimentos do mundo<br />aumentou 134% (cereais) e 227% (carnes). Já a população mundial aumentou 94% no<br />mesmo período (Tabela 1). Apesar disso, a fome continua em números nunca vistos, a<br />ponto do mundo já somar ¼ de sua população na miséria absoluta, vivendo com menos<br />de US$ 1,00 por dia. Boa parte dessas populações são pequenos produtores ou expequenos<br />agricultores, expulsos de suas terras pelo processo de concentração da<br />produção (e da propriedade) na agricultura que ocorreu ao nível mundial.<br />Em síntese, não há necessidade de aumentar ainda mais a produção e produtividade de<br />alimentos no mundo para alimentar a humanidade, uma vez que é um problema muito<br />mais de distribuição do que de quantidade. Por outro lado, o aspecto de produtividade é<br />fundamental e não pode ser esquecido na avaliação de qualquer sistema de produção.<br /><br /><br /><b>IMPACTOS SOCIAIS</b><br /><br />Ao que tudo indica, o sistema de produção implantado desde a década de 60 –<br />monocultura animal ou vegetal, especialização da propriedade, capital intensivo e alto<br />uso de insumos industriais - está relacionado com o processo de mudança de perfil das<br />realidades agrárias dos diversos países. Em 1996, 39% da produção mundial de carne<br />suína, 79% da carne de frango e 68% dos ovos advinha de confinamentos intensivos<br />(SERE and STEINFELD, apud Fraser et al., 2001). Atualmente, este percentual deve<br />ser ainda maior pois, se nos países industrializados a quase totalidade dos suínos e aves<br />são criados em sistemas de confinamento intensivo, nos países da periferia, o percentual<br />do rebanho criado em confinamentos intensivos tem crescido continuamente.<br />Dentre outras conseqüências, a implantação do modelo produtivista na agricultura, nos<br />sistemas econômicos de livre mercado, veio acompanhada de uma forte monopolização<br />da atividade agrícola, concentração da produção e da propriedade. E isto ocorreu,<br />primeiro nos países centrais, depois, nos periféricos. Nos EUA, em 1945 havia 5,9<br />milhões de fazendas (NRC, 1989). Este número reduziu-se para 2 milhões na década de<br />90 (USDA, 2001). No Brasil, em 1970 eram 49.190.089 de propriedades rurais, e em<br />1996 restaram 4.859.865 propriedades (IBGE, 1997). Quer dizer, em 26 anos restaram<br />apenas 9,8% das propriedades no campo! A conseqüência foi que, se em 1960 havia<br />55% da população vivendo no campo, em 1996, este percentual caiu para 21% (IBGE,<br />1997).<br />A mesma tendência verifica-se nos confinamentos intensivos, nos países centrais e nos<br />periféricos. Tome-se novamente como exemplos os EUA e o Brasil, e a atividade<br />suinícola (Figura 1). Em 1980 havia aproximadamente 650 mil granjas de suínos nos<br />EUA. No ano 2000, o número de granjas era menor que 90 mil (USDA, 2001). Nos<br />EUA tem havido uma forte tendência da produção de suínos deixar de ser em pequenas<br />unidades familiares, a campo, para transformar-se em sistemas confinados de grande<br />escala (FRASER et al., 2001). De fato, atualmente 50,5% do rebanho suíno norteamericano<br />está concentrado em 2,4% das granjas (USDA, 2001). No Brasil, tomando o<br />estado de Santa Catarina como exemplo, em 1985 cerca de 57% do rebanho suíno<br />catarinense era industrial (confinado). Em 1996 esse percentual cresceu para 75%<br />(IBGE, 1997). Já o número de suinocultores industriais em SC, que em 1985 era de<br />54.176, no ano 2000 ficou reduzido a 17.500 produtores (IBGE, 2001), evidenciando<br />um claro processo de concentração fundiária e da produção.<br /><br /><br /><b>IMPACTO AMBIENTAL E SAÚDE HUMANA</b><br /><br />O confinamento intensivo tem também sido criticado por suas conseqüências no<br />ambiente e na saúde humana. Nos EUA, estima-se que até 70% de todos os nutrientes<br />que atingem as águas de superfície, principalmente nitrogênio e fósforo, são originários<br />ou de fertilizantes agrícolas ou de dejetos de confinamentos de animais (NRC, 1989).<br />Também as águas subterrâneas, nos EUA, tem sido poluídas por fertilizantes, pesticidas<br />e acúmulo de dejetos de confinamentos.<br />Em Santa Catarina, a poluição de águas no Oeste – inclusive de poços artesianos - tem<br />sido em parte atribuída à suinocultura intensiva. Levantamentos realizados em zonas<br />rurais das regiões produtoras de suínos e aves confinadas, de Santa Catarina, revelam<br />que 85 % das fontes de água estão contaminadas por coliformes fecais, oriundos do<br />lançamento direto do esterco, principalmente de suínos, em cursos ou mananciais<br />d’água (LOHMANN, 1999). Este problema é especialmente grave em períodos de<br />chuva e com o esterco líquido, cuja quantidade diária produzida é de 4,9% a 8,5% do<br />peso vivo do animal (SILVA &amp; MAGALHÃES, 2001). Quer dizer, um suíno de 60kg<br />produz em torno de 4kg de esterco líquido por dia. Quando os dejetos encontram<br />mananciais ou cursos de água, geram sérios desequilíbrios ecológicos: redução do teor<br />de oxigênio dissolvido na água, disseminação de agentes patogênicos e contaminação<br />(da água) por amônio, nitratos e outros elementos (MENEGAT, 1999).<br />O poder poluente dos dejetos é bem maior que a do esgoto humano. Enquanto a<br />Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) é de cerca de 200 mg/L no esgoto doméstico,<br />a DBO dos dejetos oscila entre 30.000 a 52.000 mg/L, ou seja, em torno de 260 vezes<br />superior. A DBO avalia indiretamente o conteúdo orgânico biodegradável dos dejetos<br />através da medida de oxigênio consumido pelos microrganismos atuantes na sua<br />oxidação. O aumento da DBO têm como conseqüências a diminuição da concentração<br />de oxigênio na água, a produção de substâncias tóxicas e a proliferação exagerada de<br />algas.<br />A alta concentração de animais em confinamentos intensivos em alguns municípios<br />catarinenses colocam os dejetos de animais, ao lado da extração do carvão e dos<br />agrotóxicos da rizicultura, entre as maiores ameaças de contaminação do Aquífero<br />Guarani, a maior fonte de água subterrânea da América do Sul (CAMPOS, 2000;<br />POÇOS, 2000).<br />Em termos de saúde humana e animal, o uso continuado de antibióticos na ração animal<br />também pode levar ao desenvolvimento de cepas de patógenos resistentes (NRC, 1989).<br />Nos EUA, em 1994, 59% dos suínos comercializados receberam antibiótico na ração<br />com finalidade de incrementar o crescimento (FRASER et al., 2001).<br />Para agravar o problema, o manejo inadequado pode resultar na emissão de óxido<br />nitroso, que é um dos gases responsáveis pelos danos do efeito estufa. Embora este gás<br />tenha concentração bem menor que o CO2 na atmosfera, parece ter um potencial de<br />efeito estufa 270 vezes superior ao CO2 (Li, 1995 apud Amado &amp; Spagnollo, 2001).<br /><br /><br /><b>AQUECIMENTO GLOBAL</b><br /><br />Também a produção animal tem sido responsabilizada pelo efeito estufa. No relatório<br />apresentado por Steinfeld et al. (2006) à FAO, se afirma que 40% das emissões<br />antropogênicas de metano, um dos importantes gases que contribuem com o efeito<br />estufa, tem origem na fermentação entérica e nos dejetos produzidos por animais<br />zootécnicos (p. 112). O mesmo relatório também aponta outro dado menos divulgado na<br />imprensa leiga, de que a maior parte dessas emissões provêm de sistemas extensivos,<br />que são uma das principais fontes de sobrevivência de milhões de pequenos agricultores<br />marginalizados e descapitalizados de regiões pobres do planeta (p. 114).<br />Samuel Jutzi, Diretor da divisão de Sanidade e produção da FAO, conclamou o setor<br />agrícola a encontrar soluções técnicas apropriadas para o uso ambientalmente<br />sustentável dos recursos utilizados na produção animal (STEINFELD et al., 2006). As<br />premissas para tal solução, no entanto, não são claras ao longo do relatório e não<br />envolvem mudanças no paradigma atual de produção animal, mas se rendem à<br />"realidade" de que hoje cerca de 80% do crescimento da produção animal se origina em<br />sistemas industriais (p. 278). Seguindo esse raciocínio, por exemplo, o confinamento<br />intensivo de monogástricos é apontado como a melhor alternativa à vista para manter as<br />emissões de gases de origem animal até 2050, quando se espera que a produção de<br />animais dobre no planeta, nos níveis de hoje.<br />A produção de gado de corte, tanto em sistemas intensivos confinados como em<br />sistemas extensivos tradicionais, trazem danos irreparáveis ao ambiente. O primeiro<br />pela contaminação da água e do solo com nutrientes, mais notadamente nitrogênio e<br />fósforo, antibióticos e outros químicos, o segundo pela degradação do solo (erosão,<br />compactação) pelo manejo inadequado. Embora ambos concorram nesse sentido, os<br />sistemas extensivos são os mais associados à perda de biodiversidade pela<br />transformação de diversos habitats em pastagens. No relatório citado a bovinocultura a<br />pasto tem sido também associada à maior produção de metano. Essas são falsas<br />questões que precisam ser esclarecidas. Em primeiro lugar, há vários tipos de produção<br />a pasto, e apenas o mau manejo do complexo solo – animal – pasto resulta em<br />degradação dos solos e perda da biodiversidade. Em segundo lugar, não é verdade que a<br />produção a pasto resulte em maior produção de metano.<br />O adequado manejo do complexo solo – animal - pastagem pode resultar em aumento<br />da biodiversidade e incremento da vida de um ecossistema, devido ao fabuloso aporte<br />de matéria orgânica e reciclagem de pasto em excremento pelo animal. Numa<br />experiência realizada em Minnesota e monitorada por pesquisadores da Universidade<br />deste estado, encontrou-se maior número e diversidade de insetos e peixes num curso<br />d’água passando por uma área de pastoreio racional rotativo, como o preconizado por<br />Voisin (1974), do que por uma área de reserva em recuperação, fechada por 30 anos<br />(BAGDLEY, 2003).<br />Quando avaliamos apenas o que acontece no animal, é correto afirmar que a produção<br />de metano por um bovino criado a pasto será maior, comparado com um bovino criado<br />em confinamento. A fermentação ruminal da celulose tem como principal produto final<br />o ácido acético, que ao ser formado no rúmen libera quatro moléculas de H2. Essas<br />moléculas em união com o CO2 dão origem ao metano. Já na fermentação do amido, o<br />principal produto final será o ácido propiônico, que consome moléculas de H2,<br />reduzindo a produção ruminal de metano (KAUFFMANN, 1982). E isso não chega a<br />ser uma novidade.<br />Acontece que o bovino criado a pasto não existe sem a pastagem. Então é preciso<br />comentar que há uma associação indissolúvel entre o animal e o pasto. Se a produção de<br />metano de um bovino a pasto é maior do que de outro alimentado com grãos, o<br />seqüestro de carbono (C) realizado pela pastagem é muitas vezes superior às lavouras<br />que produzem os grãos. O seqüestro de carbono por pastagens é maior do que de<br />florestas, como demonstram Conant et al. (2004): “... nossos resultados indicam que os<br />macroagregados (do solo) reciclam mais rapidamente sob pastagem do que sob floresta,<br />e são menos eficientes em estabilizar o C do solo, enquanto que microagregados de<br />solos de pastagem estabilizam uma maior concentração de C do que microagregados de<br />florestas.”<br />A concentração, na criação animal, é um problema não só no que se refere ao número de<br />animais em um dado alojamento, mas também em relação ao número de criações em<br />uma dada região que, quando em excesso, superam a capacidade do ambiente de<br />reciclar os nutrientes. A concentração animal frequentemente implica também no uso<br />excessivo de água, outro tema que chega tarde à discussão da ética na produção animal.<br />O relatório de Steinfeld et al. (2006) conclui que danos ao ambiente são encontrados em<br />todos os espectros da produção (extensiva a industrial), e são provavelmente maiores<br />em relação à criação de gado de corte e menores em relação à de aves. Esta conclusão,<br />tomada fora de contexto dos demais dilemas éticos da produção animal, pode ter<br />repercussões perigosas em termos de desenvolvimento de políticas locais e globais. A<br />criação de aves tomada como base para essa análise é a industrializada confinada,<br />grande consumidora de grãos, altamente concentrada e, não menos importante, em um<br />sistema onde é extremamente difícil encontrar soluções para o bem-estar dos animais<br />envolvidos no processo.<br />Ao mesmo tempo que é fácil associar o desmatamento à criação de bovinos, pois eles<br />passam a ocupar a área desmatada, é mais difícil de visualizar o dano correspondente<br />quando a mesma área passa a ser dedicada à cultura de grãos usada para alimentar<br />animais criados em confinamento. A produção de grãos envolve altíssimos gastos em<br />energia fóssil, desde a sua plantação até o transporte até onde será consumida pelo<br />animal.<br /><br /><br /><b>ENERGIA</b><br /><br />Uma vez que os sistemas agrícolas são abertos, a quantidade de energia (de origem<br />fóssil) que entra no sistema deve ser, preferencialmente, igual ou menor a que sai. Na<br />maior parte dos casos, isto só é possível com a maximização da captação da energia<br />solar através da integração de diferentes culturas, da rotação do uso do solo e do<br />reaproveitamento de resíduos. A base de qualquer sistema de produção agrícola é o<br />solo. Mesmo num confinamento intensivo é a produção de alimentos para os animais,<br />oriundas de culturas, o fator decisivo e em geral mais oneroso do processo produtivo. A<br />adição de excremento animal é a única prática agrícola capaz de melhorar e manter a<br />fertilidade de solos de lavoura (TILMAN, 1998).<br />A intensificação dos sistemas de produção na agricultura (animal e vegetal) ocorrida de<br />1940 a 1970, o auge da “Revolução Verde”, mais do que triplicou a demanda energética<br />(fóssil) na produção agrícola americana, enquanto que o consumo energético apenas<br />duplicou (STEINHART &amp; STEINHART, 1974). Sistemas de produção animal<br />altamente intensificados, como o confinamento de bovinos de corte demandam alto<br />custo energético. Nos “feedlots” americanos, para produzir-se 1 libra de carne bovina se<br />consome o equivalente a 1 galão de gasolina em energia fóssil, resultando numa relação<br />calorias de energia cultural investida / calorias de energia alimentícia produzida de 5:1.<br />Em contraste, a produção de carne e leite pastoril na África tem uma relação de 1:10, ou<br />seja 50 vezes mais eficiente energeticamente.<br /><br /><br /><b>BEM-ESTAR ANIMAL</b><br /><br />De acordo com Hurnik (1992) o bem-estar animal é um estado de harmonia entre o<br />animal e seu ambiente, caracterizado por condições físicas e fisiológicas ótimas e alta<br />qualidade de vida do animal. Broom (1991) propõem que bem-estar não é um atributo<br />dado pelo homem aos animais, mas uma qualidade inerente a estes. O bem-estar se<br />refere, então, ao estado de um indivíduo do ponto de vista de suas tentativas de<br />adaptação ao ambiente. Ou seja, se refere a quanto tem de ser feito para o animal<br />conseguir adaptar-se ao ambiente e ao grau de sucesso com isso está acontecendo.<br />Assim, o bem-estar pode variar de MUITO BOM a MUITO RUIM e pode ser avaliado<br />cientificamente a partir de estado biológico do animal e de suas preferências. Neste<br />contexto, produtividade, sucesso reprodutivo, taxa de mortalidade, comportamento<br />anômalos, severidade de danos físicos, atividade adrenal, grau de imunodepressão ou<br />incidência de doenças, são fatores que podem medidos para avaliar o grau de bem-estar<br />dos animais.<br /><br />Na tentativa de construir um consenso em torno da definição de bem-estar, Fraser et al.<br />(1997) sintetizaram as três principais questões éticas que, segundo eles, são levantadas<br />pela sociedade em relação à qualidade de vida dos animais:<br /><br /><i>1. Os animais deveriam SENTIR-SE BEM, ou seja, deveriam atingir seus</i><br /><i>interesses, os quais consistiriam basicamente em estar livres de sentir medo e dor e em</i><br /><i>poder de experiências prazerosas.</i><br /><i><br /></i><br /><i>2. Deveriam ter um BOM FUNCIONAMENTO, isto é, poder satisfazer suas</i><br /><i>necessidades de saúde, crescimento, fisiologia e comportamento.</i><br /><i><br /></i><br /><i>3. Os animais deveriam VIVER VIDAS NATURAIS, deveriam poder viver e</i><br /><i>desenvolver-se da maneira para a qual estão adaptados.</i><br /><br />As mudanças relativamente recentes que têm sido implementadas no sistema de criação<br />não têm considerado as necessidades comportamentais dos animais, o que pode estar<br />influenciando negativamente o bem-estar de milhares de animais. A domesticação não<br />alterou o repertório comportamental das espécies animais (Price, 1999). Hoje existem<br />suficientes estudos mostrando, por exemplo, as conseqüências negativas da<br />impossibilidade de construir um ninho no comportamento e fisiologia das porcas e<br />leitões, e na sobrevivência dos leitões (BARNETT et al., 2001; THODBERG et al.,<br />1999; HÖTZEL et al., 2004, 2005), que não devem ser ignorados. O intenso contato<br />com os leitões, forçado pelo confinamento, é aversivo para as porcas (PAJOR et al.,<br />2000). Em aves, as altas densidades utilizadas no confinamento podem levar à bicagem<br />de penas e canibalismo (Wechsler &amp; Huber-Eicher, 1998), levando até a morte de<br />animais. O uso de pisos inadequados aumenta a incidência de laminite em vacas<br />leiteiras (Webster, 2002). Até 60% das galinhas poedeiras podem apresentar fraturas<br />ósseas no final da sua vida produtiva (Nicol et al., 2006).<br />Nos últimos anos, coincidindo com o advento e crescimento do confinamento de<br />algumas espécies zootécnicas, o principal objetivo da seleção tem sido aumentar a<br />eficiência e produtividade. Embora possa ser argumentado que a seleção genética tenha<br />trazido benefícios para o bem-estar animal e para o meio ambiente, através de melhor<br />utilização dos recursos, também é claro que resultou em graves problemas em relação<br />ao bem-estar animal, principalmente através do que é chamado no meio veterinário de<br />“doenças da produção” (BLOOD &amp; RADOSTITS, 1989). Trata-se de algumas doenças<br />vastamente disseminadas na criação animal, como a mastite e doenças metabólicas em<br />vacas leiteiras e laminite em porcas e vacas leiteiras (HEMSWORTH et al., 1995;<br />WELLS et al., 1998; BARNETT et al., 2001; RUSHEN, 2001), problemas de<br />articulações e ossos como fraqueza, pré-disposição a fraturas e mortalidade relacionada<br />à osteoporose, ascite em aves, problemas digestivos e susceptibilidade a estresse<br />(BRADSHAW et al., 2002; JULIAN, 1998; RATH, 2000). Muitas delas estão<br />associadas, direta ou indiretamente, com a seleção para rápido crescimento ou alta<br />produtividade e consumo de alimentos (JULIAN, 1993).<br />Na avaliação de um sistema de produção, o bem-estar animal é parte fundamental. Não<br />apenas pelo compromisso ético implícito que a humanidade tem para com os animais<br />que domesticou e colocou completamente sob seu controle, mas também em função da<br />opinião da sociedade sobre a qualidade de vida dos animais. Se o objetivo primeiro da<br />criação animal é produzir alimento de qualidade para as pessoas, então a opinião destas<br />pessoas deve ter grande importância. Isto deve ser verdade para o bem-estar animal<br />(FRASER et al., 2001), mas também deve valer para o sistema criatório como um todo.<br /><br /><br /><b>CONCLUSÃO</b><br /><br />As alternativas à produção animal convencional devem ser superiores em termos<br />ambientais, energético, de bem-estar animal, com menor dependência de insumos<br />externos e menor impacto social e cultural. Logo, é um tipo de produção que deve<br />interessar a toda a sociedade. Assim sendo, deve ser tratada como regra, e não como<br />exceção ou “nicho”. A produção animal ética, com bem-estar e sem agressão ao meio,<br />deve ser uma opção para TODA a agricultura, e não apenas para uma parte. Para tanto,<br />é preciso que seja competitiva também economicamente. E não há motivo algum para<br />que não seja. Ao contrário, há vários exemplos de redução de custos e / ou aumento da<br />lucratividade com a adoção de princípios agroecológicos. No Oeste do estado de Santa<br />Catarina, a produção de leite a pasto sem o uso de insumos químicos tem tido um custo<br />de produção que é a metade do convencional (MACHADO FILHO et al., 2000). O<br />custo de instalação de uma matriz no SISCAL é aproximadamente a metade do<br />confinamento, e a lucratividade do SISCAL é também em geral maior do que no<br />confinamento (EDWARDS, 1996). Entretanto, há ainda inúmeras perguntas a serem<br />respondidas com relação aos sistemas alternativos de produção. Com efeito, se há<br />dezenas de milhares de trabalhos publicados sobre os mais variados aspectos do sistema<br />convencional, a pesquisa agroecológica é ainda incipiente.<br /><br /><br /><b>Referências bibliográficas</b><br /><br /><i>AMADO, T.J.C. &amp; SPAGNOLLO, E., 2001. A palha e o seqüestro de carbono em</i><br /><i>plantio direto. In: IV curso sobre Aspectos Básicos de Fertilidade do solo em</i><br /><i>Plantio Direto, Ijuí - RS.</i><br /><i>BARNETT, J., HEMSWORTH, P., CRONIN, G., JONGMAN, E. &amp; HUTSON, G.,</i><br /><i>2001. A review of the welfare issues for sows and piglets in relation to housing.</i><br /><i>Australian Journal of Agricultural Research, 52, 1-28.</i><br /><i>BERREMAN, G.D., 1968. Current Antropology. Proceedings of the Cultural</i><br /><i>Congress of Havana pp 391-396.</i><br /><i>BLOOD, D.C. &amp; RADOSTITS, O.M., 1989. Veterinary Medicine (7º ed.). 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