Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.
Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011
A Historia da Tauromaquia
Autor: Raul Caldeira

A história da tauromaquia ou da corrida de toiros remonta a tempos imemoráveis. O homem primitivo não compreendia a razão para que houvesse doze horas de luz e doze horas de obscuridade. Temia sempre que as trevas da noite não permitisse o renascer do dia. Talvez, por essa razão, os antigos persas começaram a adorar a Mithra, deus da luz. Segundo a tradição, Mithra matou o toiro divino, cuja morte era necessária para a renovação do mundo. Do corpo da besta brotaram todas as plantas e animais dos quais dependem o homem. Com o passar dos anos, a cor branca, a luz, chegou a representar o bem e o bom, e o negro, a obscuridade, o mau e o mal, conceitos convencionais que, até aos dias de hoje, são com frequência utilizados em relação ao conflito e à eterna luta entre as forças do bem e do mal. É interessante observar, que a moderna festa dos toiros começa ás cinco ou seis da tarde, quando metade da praça está ao sol e a outra metade à sombra. Além disso, o toureiro leva vestido o chamado traje de luzes, que poderá simbolizar o bom, enquanto o toiro, geralmente negro, simboliza o mau. Para a visão cristã o homem tem, dentro de si, um anjo e uma besta, um cavaleiro e um cavalo, um toureiro e um toiro. Um homem vence-se a si mesmo quando o homem anjo vence o homem besta. No Egipto o toiro e a vaca simbolizavam a fecundidade e a fertilidade da população rural. Em Creta, onde nasceu o mito do Minotauro, um monstro com corpo de homem e cabeça de toiro, os jovens nobres tinham o costume de provar a sua destreza, valor e audácia enfrentando toiros. Desde há muitos anos que o homem tem forte adoração pelo toiro. Veja-se a gruta de Altamira, perto de Santander, onde desenhos de antepassados do actual toiro de lide, e pelas provas efectuadas ao carbono, indicam que aqueles desenhos terão cerca de catorze mil anos. Também na gruta de Lascaux, no sul de França, encontramos representações do antigo Auroch ou Uro, outro possível antecedente do moderno toiro de lide. Na primitiva Ibéria, perto da cidade de Ávila, podemos admirar os famosos toiros de Guisando. São esculturas em granito de tamanho natural. Estão colocadas em fila e que se crê terem um poder mágico para a protecção da espécie. O famoso vaso de Liria, de origem ibera, representa na sua pintura, um jogo com toiros. De possível origem grega é chamada a Bicha de Balazote com corpo de toiro e cabeça humana. Outra vez o toiro está representado como símbolo do da invencibilidade e do poder. Esta crença é evidente no ritual dos chamados taurobolios. Este ritual era efectuado sobre um mithreo, que era uma casa onde, dentro, um homem recebia, a unção de sangue quente de um toiro sacrificado. O homem recebia, através de um funil colocado no orifício, por onde tinha passado e descido, as gotas de sangue pelo nariz, pelas orelhas e pelos lábios, humedecendo a língua e manchando as vestes com o negro sangue do animal. Este homem banhado com o sangue do toiro, dizia-se, nascia para uma nova vida. Diz-se que algumas das primitivas praças de toiros tenham sido construídas sobre mithreos antigos. Os historiadores assinalam que a morte ritual do toiro era também ocasião de alegria, regozijo e diversão. Haviam corridas de toiros para celebrar os casamentos, devido a que o toiro tinha fama de dar fertilidade ao casal. Antes de se usar a muleta de cor vermelha, empregava-se um lençol branco, provavelmente o do leito nupcial. É possível que isto tivesse o propósito de transmitir ao casal o poder e a fertilidade do toiro no preciso momento da morte do animal. Com a chegada dos romanos à Ibéria, dois séculos a.C., cresceu o culto ao toiro e ao deus Mithra. Sabe-se que Júlio César era aficionado aos toiros. Durante os seiscentos anos de dominação romana, os romanos construíram muitos anfiteatros, onde tinham lugar combates de gladiadores com animais, incluindo toiros bravos. O anfiteatro de Itálica, perto de Sevilha, é um dos mais famosos. Logo após, durante a ocupação árabe na Península Ibérica, de 711 a 1492, os mouros, talvez influenciados pelos cristãos, fizeram-se aficionados aos toiros. Gostavam particularmente das lutas de cães contra toiros. Mas a evolução dos jogos contra toiros, ou corridas de toiros, é um pouco complexa. No entanto podemos mencionar algumas fases. A primeira é a de caçadores de toiros. A bem conhecida Estela de Clunia, um monólito, mostra um caçador ibero frente a um toiro. A inscrição numa língua pré histórica é NI OIARNARI, qou se traduz como o Caçador de Monte. Há quem diga que Rodrigo Diaz de Vivar, o Cid Campeador, caçava toiros no séc: XI. Esta prática durou até ao séc: XVII, quando o Rei Felipe II começou a praticar nas suas quintas a caça ao toiro com arcabuz. É no final do século onze que se dá notícia da “profissão” de “matador”. O Rei D. Afonso, o Sábio, condena os que recebessem preço por lidar com alguma besta. Em alguns locais esses primeiros profissionais chamavam-se de “matatoiros”. Estes matavam toiros com flechas, lanças, facas e ganchos. Esse espectáculo poderá ter sido a primeira manifestação conhecida das corridas de toiros e dito popular. Devido ás restrições e ás severas leis ditadas pelo Rei contra os “matatoiros”, a luta taurina passou a ser dos gentis-homens, cavaleiros nobres. O Rei D. Afonso aprovava a luta com o toiro a quem quisesse demonstrar seu valor. Os cavaleiros por isso tinham de ferir o toiro a cavalo e não a pé. Durante esta época a actividade taurina era um desporto reservado ao Rei e aos nobres. Este costume durou até ao século dezoito, quando a decadência da nobreza fez menos populares estes espectáculos. De novo apareceram os “matatoiros”, provenientes de classes mais baixas, necessitados de alguns bens para poderem sobreviver e fazendo estes jogos de vida ou de morte, profissionalmente. E é nesta altura que se dá a transição para o profissionalismo e o aparecimento das regras do toureio fundamental, das quais falaremos nas próximas edições.
Falemos ainda do aparecimento do toiro na Península Ibérica. Durante as épocas glaciares e antiglaciares, ao sabor das mudanças de clima na Terra, acabaram por se encontrarem na Península dois grupos de bovinos.
Um, proveniente do Norte, da Europa asiática, denominado Bojani, o outro proveniente do Sul, de África, o Hahni. O primeiro, o Bojani, terá sido o antecessor dos actuais bovinos das estepes húngaras, da marema italiana e dos barrosões portugueses. O Hahni terá sido aquele que veio dar lugar aos bovinos andaluzes, alentejanos e aos das terras altas da Escócia. No nosso país, a junção ou o cruzamento destas duas raças, a Bojani e a Hahni, resulta num animal arisco, nervoso e agressivo. Em Portugal, a zona de contacto destes dois grupos de bovinos é o vale do Tejo, ou o Ribatejo. Em Espanha o toiro de lide aparece nos vales dos grandes rios mas, em maior numero, junto ao Guadalquivir, ou Andaluzia, e junto ao Tormes na região de Salamanca. Ainda nos dias de hoje são frequentes as transumâncias nestas regiões, hábito adquirido dos tempos do Neolítico, de onde poderão ter decorrido as possíveis misturas de animais provenientes destes dois grandes grupos bovinos. Julga-se, pois, que a origem do gado bravo esteja intimamente ligada ao cruzamento ancestral entre animais do grupo Bonjai com o do Hahni, que as migrações devidas ás glaciações fizeram com que se encontrassem sobre o solo da Península Ibérica e que as migrações internas, devidas ás transumâncias, continuou a manter e a renovar até aos dias em que o homem tomou sobre si a selecção das características desejáveis para o toureio moderno. O toiro deixou de ser um animal bravio para se tornar um animal bravo. Sendo que o homem foi modelando e eliminando alguns defeitos menos úteis e, simultaneamente, ampliando as qualidades natas de agressividade.
Para além do que deixamos antever, na edição anterior, sobre os jogos com toiros, diz-nos a história, que o início do contacto do homem com o toiro em moldes quase modernos, terá sido a montaria. A caça ao veado, ao urso, ao javali e ao toiro eram frequentes e usuais como é referido no Tratado da Montaria de El-Rei D. João I. Também El-Rei D. Duarte, no seu livro Ensinança de Bem Cavalgar Toda a Sela, deixa transparecer os cuidados a ter aquando dos ataques dos ursos e dos toiros, uma vez acossados e cansados, para não deixar colher o cavalo do Monteiro. Foi então que o homem buscou os primeiros ensinamentos do comportamento do toiro acossado e aprendeu a maneira e a forma de o burlar, de o enganar, isto é, de o tourear, pondo-o a jeito para melhor o abater. No entanto, é-nos permitido recuar no tempo, para entendermos que, muito antes de Portugal surgir como nação, o historiador romano de nome Estrabão, nascido em 58 a.C., referia-se à Lusitânia dizendo: …”os povos do litoral (da Península) costumam combater a cavalo os toiros que, na Hispânia, têm fúria.” Também os muçulmanos se aficionaram aos toiros. Alguns historiadores maometanos fazem referência a corridas em campo aberto ou em arenas fechadas para matarem os toiros, varando-os de lado a lado com lanças e a cavalo. Será interessante sublinhar que unicamente os muçulmanos invasores da Península, onde permaneceram oito séculos, se afeiçoaram à lide do toiro. Este costume não extravasou para mais nenhum país, território ou civilização muçulmana.
Em Portugal, devido ás lutas com os sarracenos, pouco tempo poderia restar para se correrem os toiros, porém, há escritos que D. Sancho I costumava alancear toiros em campo aberto e D. Sancho II, seu neto, terá toureado em 1258.
Quando do casamento de D. Leonor, filha de D. Duarte, com Frederico III da Alemanha, em 1451, realizou-se uma faustosa toirada em Lisboa, numa praça improvisada, junto ao Terreiro do Paço. O próprio Rei D. Sebastião, que terá começado muito jovem a tourear em Sintra e em Lisboa, mandou construir uma praça de toiros em Xabregas, tendo toureado, também, num redondel em Almada. O desditoso monarca toureou pela última vez em Algeciras, em festas organizadas por Filipe II, em sua honra.
Também D. António, Prior do Crato, apreciava lidar toiros tanto no campo como na praça.
Filipe II, para se tornar popular, organizou em 1619, uma corrida de gala por três dias consecutivos. Foram mortos, nesses dias, vinte toiros.
Depois da Restauração, em 1647, realizaram-se brilhantes corridas na praça de toiros do Rossio. D. João IV, bom aficionado e excelente cavaleiro, enquanto duque de Bragança, mantinha em Vila Viçosa, uma notável academia equestre.
António Galvão de Andrade foi Estribeiro-Mor e Mestre de picadeiro dos príncipes D. Teodósio, D. Afonso e D. Pedro, filhos de D. João IV, e incutiu-lhes a aficion ao toureio. D. Afonso VI toureou nas praças de Sintra, Almada e na do Rossio, em Lisboa. Certo dia, organizou uma tourada com o Conde de Castelo Melhor no pátio do convento de Odivelas.
D. Pedro II, irmão de D. Afonso, toureou a cavalo e pegou toiros à unha. Mandou construir uma nova praça de toiros no Terreiro do Paço, onde se realizou uma corrida por ocasião do seu segundo casamento. Foi D. Pedro que ordenou o corte dos pitons nos toiros, uso que não perdurou, até que cinquenta anos mais tarde foi definitivamente instituído.
É com D. João V que aparecem os arreios de cortesias bordados a prata e ouro com pedras preciosas. Mandou edificar praças de toiros em muitas cidades do reino, especialmente nas províncias da Beira, Estremadura, Alentejo, douro, Minho e Trás-os-Montes.
D. José I foi um grande entusiasta da Tourada, embora o Marquês de Pombal fosse avesso a esse espectáculo.
D. Maria I afastaria o Marquês, que foi desterrado para Pombal, e, quando este morreuo povo deu largas à sua alegria organizando corridas em praças improvisadas na Estrela e no Campo de Santana. Como curiosidade, podemos referir que até as freiras do Mosteiro de Sacavém organizaram um festival taurino.
A retirada de D. João VI para o Brasil, em 1807, e as Invasões Francesas, não permitiram a continuação destas ou de outras festas. O toureio, com o toiro corrido, passou a mero jogo de escondidas.
Não se pode falar com rigor da evolução do toiro bravo se não se falar, simultaneamente, da evolução ou nas novas maneiras de tourear. O toiro é um dos três pilares da Festa (o Toureiro e o público são os outros) que permitiu a sobrevivência desta, através de mudanças continuadas. Evoluir para se moldar ás éticas e estéticas de cada sociedade, século após século. Isto não seria possível sem a mão do homem. Nada no toureio surge por acaso e muito menos o toiro e a sua selecção. Só, desde esta, se foi aperfeiçoando evolutivamente o toiro bravo, para se adequar ás novas formas de interpretar o toureio que pedia o público. Neste sentido, foi o ganadeiro, uma peça fundamental nesta evolução. Rigorosamente não se pode falar de encastes mas sim de ganadarias de “fundação”. Ganadeiros que foram seleccionando uma primeira investida até a converterem em bravura susceptível de ser toureada e lidada em cada tempo. A arte de lidar toiros, ou a forma de tourear segue o fio que teceram os toureiros heterodoxos. Os que souberam sair da “norma”, ainda que a custo de sofrer o ataque de quem se prendia ao estabelecido, abriram portas de saída a uma arte que, sem eles, não teria evolucionado. Sem eles o toureio teria desaparecido, pois evolucionar é a arte da manutenção. Desde que o toureio se profissionaliza começam a formar-se núcleos de escolas, quase sempre em redor dos matadouros municipais. Aí surgem os toureiros nos séculos XVII e XVIII e de entre esses, alguns ousaram sair das regras. Um de eles foi Curro Cúchares, que partiu da norma para sair dela, enquanto que seu competidor, El Chiclanero, pronunciava o catecismo. Cuchares ensina a todos, o engano, a muleta e começa a dar passes primitivamente, deixando de ser a escrava da espada. A crítica de então atacou-o, mas o toureio passou a denominar-se como “ A arte de Cuchares" Era Curro Cuchares um toureiro apelidado de “trucador” (fazedor de truques) por dar passes de muleta num tempo no qual, depois do tércio de varas e o de bandarilhas, se entrava a matar. Mas houve outros toureiros que avançaram na lide a custo de serem apelidados de "ratilles" (ratinhos, espertos). Ao lado de eles sempre viveu o diestro que seguia nos cânones estabelecidos. Por exemplo, frente a Frascuelo, Lagartijo (elegante, diferente) frente a El Espartero, Guerrita. Antes de Guerrita, havia apontado novos ares e formas Montes, mas é Rafael Guerra Bejarano, perfilando-se para lancear e ganhar passos para ligar, quem avança no toureio. A norma falece (Espartero) e ganha Guerrita, quem chegou a dizer que, depois de ele, "ninguém" e logo... Fuentes. Queria ele dizer que os seus contemporâneos não tinham entendido o novo toureio. Para mudar o toureio necessita-se um novo toiro que supere a sua forma de se erguer depois do tércio de varas. Surgem novos ganadeiros e o toiro começa a mover-se para permitir uma lide de muleta, ainda que breve, mas mais vistosa. Neste sentido Vistahermosa ganha o desafio a Verágua enquanto que ao resto dos ganadeiros, com procedências ainda mais antigas, parou-se-lhes o relógio e passou-se-lhes o tempo. Existiram os Guerrita, Gallito, Belmonte, Manolete... e se existiram foi, entre outras coisas, porque ganadeiros como os duques de Veragua, Vistahermosa, o marquês de Saltillo, o conde de Santa Coloma, Contreras, Atanásio, Mora Figueroa, Conde de la Corte, Juan Pedro Domecq... criaram e seleccionaram um toiro apto para sus formas de tourear. As formas que pedia o público. Nesta evolução só o aceitado permaneceu. Por isso sangues antigos como o de Jijona, e o de Navarra, os toiros "da Terra"... deixaram de interessar à festa, quer dizer, ao público, e os ganadeiros abandonaram-nos. O que permaneceu, o sangue Vistahermosa nas suas mil e uma particularidades, não o foi por sucessão de modas ou imposições, mas sim porque com ele os ganadeiros puderam seleccionar o toiro bravo evolutivo. Tão grande foi esta fonte que Vistahermosa foi o tronco a que se ligaram outros sangues para subsistir. Ele foi seu passaporte para o futuro. A evolução do toureio nega a ortodoxia e nega o dogma. Ainda que um erro histórico possa considerar inalteráveis conceitos, o conceito de bravura e as formas de tourear variaram e pouco têm que ver hoje com as de há cem anos.Duas madeixas se perfilam de forma conjunta sempre em uníssono: a do toiro e a do toureio. Aperfeiçoa-se na bravura e aperfeiçoa-se o toureio. O critério mais razoável para analisar a história do toiro na sua evolução é unir as formas de tourear (o toureiro), aos toiros que permitam esses modos (o ganadeiro).Desde uma lide balbuciante com um toiro de bravura balbuciante até a complexidade actual do espectáculo, a evolução toiro-toureio pode-se esquematizar nas seguintes fases: Toiro Disperso, Toiro Reunido e Toiro Bravo. . António Reverte, Rafael Gómez El Gallo e outros toureiros que viveram entre finais do século XIX e princípios do XX, aportaram algo que também saía da norma (a personalidade, o génio) mas a parelha que muda o toureio é a formada por Gallito (José Gómez, conhecido como Joselito e El Gallo) e Juan Belmonte. É Juan um toureiro que é negado pelo físico e que, longe do despretensioso, começa a tourear mais sobre os braços que sobre as pernas com risco de contínuos tropeços infligidos pelos toros. Gallito é mais largo, inteligente, poderoso, mas bebe na fonte que lhe traz Belmonte. Gallito lê o futuro da festa, manda no toureio e entra nas ganadarias para buscar o toiro que permita uma lide mais duradoira, distinta. É dos poucos que não apelida de louco a Belmonte. Nesta ocasião o toureiro cartesiano (Gallito) se fixa no iconoclasta (Belmonte). Juan aponta e Joselito muda o campo e auspicia inclusive a construção de grandes praças de toiros (Monumentais) para o futuro do espectáculo.


publicado por Maluvfx às 04:40
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

A Historia da Tauromaquia
Autor: Raul Caldeira

A história da tauromaquia ou da corrida de toiros remonta a tempos imemoráveis. O homem primitivo não compreendia a razão para que houvesse doze horas de luz e doze horas de obscuridade. Temia sempre que as trevas da noite não permitisse o renascer do dia. Talvez, por essa razão, os antigos persas começaram a adorar a Mithra, deus da luz. Segundo a tradição, Mithra matou o toiro divino, cuja morte era necessária para a renovação do mundo. Do corpo da besta brotaram todas as plantas e animais dos quais dependem o homem. Com o passar dos anos, a cor branca, a luz, chegou a representar o bem e o bom, e o negro, a obscuridade, o mau e o mal, conceitos convencionais que, até aos dias de hoje, são com frequência utilizados em relação ao conflito e à eterna luta entre as forças do bem e do mal. É interessante observar, que a moderna festa dos toiros começa ás cinco ou seis da tarde, quando metade da praça está ao sol e a outra metade à sombra. Além disso, o toureiro leva vestido o chamado traje de luzes, que poderá simbolizar o bom, enquanto o toiro, geralmente negro, simboliza o mau. Para a visão cristã o homem tem, dentro de si, um anjo e uma besta, um cavaleiro e um cavalo, um toureiro e um toiro. Um homem vence-se a si mesmo quando o homem anjo vence o homem besta. No Egipto o toiro e a vaca simbolizavam a fecundidade e a fertilidade da população rural. Em Creta, onde nasceu o mito do Minotauro, um monstro com corpo de homem e cabeça de toiro, os jovens nobres tinham o costume de provar a sua destreza, valor e audácia enfrentando toiros. Desde há muitos anos que o homem tem forte adoração pelo toiro. Veja-se a gruta de Altamira, perto de Santander, onde desenhos de antepassados do actual toiro de lide, e pelas provas efectuadas ao carbono, indicam que aqueles desenhos terão cerca de catorze mil anos. Também na gruta de Lascaux, no sul de França, encontramos representações do antigo Auroch ou Uro, outro possível antecedente do moderno toiro de lide. Na primitiva Ibéria, perto da cidade de Ávila, podemos admirar os famosos toiros de Guisando. São esculturas em granito de tamanho natural. Estão colocadas em fila e que se crê terem um poder mágico para a protecção da espécie. O famoso vaso de Liria, de origem ibera, representa na sua pintura, um jogo com toiros. De possível origem grega é chamada a Bicha de Balazote com corpo de toiro e cabeça humana. Outra vez o toiro está representado como símbolo do da invencibilidade e do poder. Esta crença é evidente no ritual dos chamados taurobolios. Este ritual era efectuado sobre um mithreo, que era uma casa onde, dentro, um homem recebia, a unção de sangue quente de um toiro sacrificado. O homem recebia, através de um funil colocado no orifício, por onde tinha passado e descido, as gotas de sangue pelo nariz, pelas orelhas e pelos lábios, humedecendo a língua e manchando as vestes com o negro sangue do animal. Este homem banhado com o sangue do toiro, dizia-se, nascia para uma nova vida. Diz-se que algumas das primitivas praças de toiros tenham sido construídas sobre mithreos antigos. Os historiadores assinalam que a morte ritual do toiro era também ocasião de alegria, regozijo e diversão. Haviam corridas de toiros para celebrar os casamentos, devido a que o toiro tinha fama de dar fertilidade ao casal. Antes de se usar a muleta de cor vermelha, empregava-se um lençol branco, provavelmente o do leito nupcial. É possível que isto tivesse o propósito de transmitir ao casal o poder e a fertilidade do toiro no preciso momento da morte do animal. Com a chegada dos romanos à Ibéria, dois séculos a.C., cresceu o culto ao toiro e ao deus Mithra. Sabe-se que Júlio César era aficionado aos toiros. Durante os seiscentos anos de dominação romana, os romanos construíram muitos anfiteatros, onde tinham lugar combates de gladiadores com animais, incluindo toiros bravos. O anfiteatro de Itálica, perto de Sevilha, é um dos mais famosos. Logo após, durante a ocupação árabe na Península Ibérica, de 711 a 1492, os mouros, talvez influenciados pelos cristãos, fizeram-se aficionados aos toiros. Gostavam particularmente das lutas de cães contra toiros. Mas a evolução dos jogos contra toiros, ou corridas de toiros, é um pouco complexa. No entanto podemos mencionar algumas fases. A primeira é a de caçadores de toiros. A bem conhecida Estela de Clunia, um monólito, mostra um caçador ibero frente a um toiro. A inscrição numa língua pré histórica é NI OIARNARI, qou se traduz como o Caçador de Monte. Há quem diga que Rodrigo Diaz de Vivar, o Cid Campeador, caçava toiros no séc: XI. Esta prática durou até ao séc: XVII, quando o Rei Felipe II começou a praticar nas suas quintas a caça ao toiro com arcabuz. É no final do século onze que se dá notícia da “profissão” de “matador”. O Rei D. Afonso, o Sábio, condena os que recebessem preço por lidar com alguma besta. Em alguns locais esses primeiros profissionais chamavam-se de “matatoiros”. Estes matavam toiros com flechas, lanças, facas e ganchos. Esse espectáculo poderá ter sido a primeira manifestação conhecida das corridas de toiros e dito popular. Devido ás restrições e ás severas leis ditadas pelo Rei contra os “matatoiros”, a luta taurina passou a ser dos gentis-homens, cavaleiros nobres. O Rei D. Afonso aprovava a luta com o toiro a quem quisesse demonstrar seu valor. Os cavaleiros por isso tinham de ferir o toiro a cavalo e não a pé. Durante esta época a actividade taurina era um desporto reservado ao Rei e aos nobres. Este costume durou até ao século dezoito, quando a decadência da nobreza fez menos populares estes espectáculos. De novo apareceram os “matatoiros”, provenientes de classes mais baixas, necessitados de alguns bens para poderem sobreviver e fazendo estes jogos de vida ou de morte, profissionalmente. E é nesta altura que se dá a transição para o profissionalismo e o aparecimento das regras do toureio fundamental, das quais falaremos nas próximas edições.
Falemos ainda do aparecimento do toiro na Península Ibérica. Durante as épocas glaciares e antiglaciares, ao sabor das mudanças de clima na Terra, acabaram por se encontrarem na Península dois grupos de bovinos.
Um, proveniente do Norte, da Europa asiática, denominado Bojani, o outro proveniente do Sul, de África, o Hahni. O primeiro, o Bojani, terá sido o antecessor dos actuais bovinos das estepes húngaras, da marema italiana e dos barrosões portugueses. O Hahni terá sido aquele que veio dar lugar aos bovinos andaluzes, alentejanos e aos das terras altas da Escócia. No nosso país, a junção ou o cruzamento destas duas raças, a Bojani e a Hahni, resulta num animal arisco, nervoso e agressivo. Em Portugal, a zona de contacto destes dois grupos de bovinos é o vale do Tejo, ou o Ribatejo. Em Espanha o toiro de lide aparece nos vales dos grandes rios mas, em maior numero, junto ao Guadalquivir, ou Andaluzia, e junto ao Tormes na região de Salamanca. Ainda nos dias de hoje são frequentes as transumâncias nestas regiões, hábito adquirido dos tempos do Neolítico, de onde poderão ter decorrido as possíveis misturas de animais provenientes destes dois grandes grupos bovinos. Julga-se, pois, que a origem do gado bravo esteja intimamente ligada ao cruzamento ancestral entre animais do grupo Bonjai com o do Hahni, que as migrações devidas ás glaciações fizeram com que se encontrassem sobre o solo da Península Ibérica e que as migrações internas, devidas ás transumâncias, continuou a manter e a renovar até aos dias em que o homem tomou sobre si a selecção das características desejáveis para o toureio moderno. O toiro deixou de ser um animal bravio para se tornar um animal bravo. Sendo que o homem foi modelando e eliminando alguns defeitos menos úteis e, simultaneamente, ampliando as qualidades natas de agressividade.
Para além do que deixamos antever, na edição anterior, sobre os jogos com toiros, diz-nos a história, que o início do contacto do homem com o toiro em moldes quase modernos, terá sido a montaria. A caça ao veado, ao urso, ao javali e ao toiro eram frequentes e usuais como é referido no Tratado da Montaria de El-Rei D. João I. Também El-Rei D. Duarte, no seu livro Ensinança de Bem Cavalgar Toda a Sela, deixa transparecer os cuidados a ter aquando dos ataques dos ursos e dos toiros, uma vez acossados e cansados, para não deixar colher o cavalo do Monteiro. Foi então que o homem buscou os primeiros ensinamentos do comportamento do toiro acossado e aprendeu a maneira e a forma de o burlar, de o enganar, isto é, de o tourear, pondo-o a jeito para melhor o abater. No entanto, é-nos permitido recuar no tempo, para entendermos que, muito antes de Portugal surgir como nação, o historiador romano de nome Estrabão, nascido em 58 a.C., referia-se à Lusitânia dizendo: …”os povos do litoral (da Península) costumam combater a cavalo os toiros que, na Hispânia, têm fúria.” Também os muçulmanos se aficionaram aos toiros. Alguns historiadores maometanos fazem referência a corridas em campo aberto ou em arenas fechadas para matarem os toiros, varando-os de lado a lado com lanças e a cavalo. Será interessante sublinhar que unicamente os muçulmanos invasores da Península, onde permaneceram oito séculos, se afeiçoaram à lide do toiro. Este costume não extravasou para mais nenhum país, território ou civilização muçulmana.
Em Portugal, devido ás lutas com os sarracenos, pouco tempo poderia restar para se correrem os toiros, porém, há escritos que D. Sancho I costumava alancear toiros em campo aberto e D. Sancho II, seu neto, terá toureado em 1258.
Quando do casamento de D. Leonor, filha de D. Duarte, com Frederico III da Alemanha, em 1451, realizou-se uma faustosa toirada em Lisboa, numa praça improvisada, junto ao Terreiro do Paço. O próprio Rei D. Sebastião, que terá começado muito jovem a tourear em Sintra e em Lisboa, mandou construir uma praça de toiros em Xabregas, tendo toureado, também, num redondel em Almada. O desditoso monarca toureou pela última vez em Algeciras, em festas organizadas por Filipe II, em sua honra.
Também D. António, Prior do Crato, apreciava lidar toiros tanto no campo como na praça.
Filipe II, para se tornar popular, organizou em 1619, uma corrida de gala por três dias consecutivos. Foram mortos, nesses dias, vinte toiros.
Depois da Restauração, em 1647, realizaram-se brilhantes corridas na praça de toiros do Rossio. D. João IV, bom aficionado e excelente cavaleiro, enquanto duque de Bragança, mantinha em Vila Viçosa, uma notável academia equestre.
António Galvão de Andrade foi Estribeiro-Mor e Mestre de picadeiro dos príncipes D. Teodósio, D. Afonso e D. Pedro, filhos de D. João IV, e incutiu-lhes a aficion ao toureio. D. Afonso VI toureou nas praças de Sintra, Almada e na do Rossio, em Lisboa. Certo dia, organizou uma tourada com o Conde de Castelo Melhor no pátio do convento de Odivelas.
D. Pedro II, irmão de D. Afonso, toureou a cavalo e pegou toiros à unha. Mandou construir uma nova praça de toiros no Terreiro do Paço, onde se realizou uma corrida por ocasião do seu segundo casamento. Foi D. Pedro que ordenou o corte dos pitons nos toiros, uso que não perdurou, até que cinquenta anos mais tarde foi definitivamente instituído.
É com D. João V que aparecem os arreios de cortesias bordados a prata e ouro com pedras preciosas. Mandou edificar praças de toiros em muitas cidades do reino, especialmente nas províncias da Beira, Estremadura, Alentejo, douro, Minho e Trás-os-Montes.
D. José I foi um grande entusiasta da Tourada, embora o Marquês de Pombal fosse avesso a esse espectáculo.
D. Maria I afastaria o Marquês, que foi desterrado para Pombal, e, quando este morreuo povo deu largas à sua alegria organizando corridas em praças improvisadas na Estrela e no Campo de Santana. Como curiosidade, podemos referir que até as freiras do Mosteiro de Sacavém organizaram um festival taurino.
A retirada de D. João VI para o Brasil, em 1807, e as Invasões Francesas, não permitiram a continuação destas ou de outras festas. O toureio, com o toiro corrido, passou a mero jogo de escondidas.
Não se pode falar com rigor da evolução do toiro bravo se não se falar, simultaneamente, da evolução ou nas novas maneiras de tourear. O toiro é um dos três pilares da Festa (o Toureiro e o público são os outros) que permitiu a sobrevivência desta, através de mudanças continuadas. Evoluir para se moldar ás éticas e estéticas de cada sociedade, século após século. Isto não seria possível sem a mão do homem. Nada no toureio surge por acaso e muito menos o toiro e a sua selecção. Só, desde esta, se foi aperfeiçoando evolutivamente o toiro bravo, para se adequar ás novas formas de interpretar o toureio que pedia o público. Neste sentido, foi o ganadeiro, uma peça fundamental nesta evolução. Rigorosamente não se pode falar de encastes mas sim de ganadarias de “fundação”. Ganadeiros que foram seleccionando uma primeira investida até a converterem em bravura susceptível de ser toureada e lidada em cada tempo. A arte de lidar toiros, ou a forma de tourear segue o fio que teceram os toureiros heterodoxos. Os que souberam sair da “norma”, ainda que a custo de sofrer o ataque de quem se prendia ao estabelecido, abriram portas de saída a uma arte que, sem eles, não teria evolucionado. Sem eles o toureio teria desaparecido, pois evolucionar é a arte da manutenção. Desde que o toureio se profissionaliza começam a formar-se núcleos de escolas, quase sempre em redor dos matadouros municipais. Aí surgem os toureiros nos séculos XVII e XVIII e de entre esses, alguns ousaram sair das regras. Um de eles foi Curro Cúchares, que partiu da norma para sair dela, enquanto que seu competidor, El Chiclanero, pronunciava o catecismo. Cuchares ensina a todos, o engano, a muleta e começa a dar passes primitivamente, deixando de ser a escrava da espada. A crítica de então atacou-o, mas o toureio passou a denominar-se como “ A arte de Cuchares" Era Curro Cuchares um toureiro apelidado de “trucador” (fazedor de truques) por dar passes de muleta num tempo no qual, depois do tércio de varas e o de bandarilhas, se entrava a matar. Mas houve outros toureiros que avançaram na lide a custo de serem apelidados de "ratilles" (ratinhos, espertos). Ao lado de eles sempre viveu o diestro que seguia nos cânones estabelecidos. Por exemplo, frente a Frascuelo, Lagartijo (elegante, diferente) frente a El Espartero, Guerrita. Antes de Guerrita, havia apontado novos ares e formas Montes, mas é Rafael Guerra Bejarano, perfilando-se para lancear e ganhar passos para ligar, quem avança no toureio. A norma falece (Espartero) e ganha Guerrita, quem chegou a dizer que, depois de ele, "ninguém" e logo... Fuentes. Queria ele dizer que os seus contemporâneos não tinham entendido o novo toureio. Para mudar o toureio necessita-se um novo toiro que supere a sua forma de se erguer depois do tércio de varas. Surgem novos ganadeiros e o toiro começa a mover-se para permitir uma lide de muleta, ainda que breve, mas mais vistosa. Neste sentido Vistahermosa ganha o desafio a Verágua enquanto que ao resto dos ganadeiros, com procedências ainda mais antigas, parou-se-lhes o relógio e passou-se-lhes o tempo. Existiram os Guerrita, Gallito, Belmonte, Manolete... e se existiram foi, entre outras coisas, porque ganadeiros como os duques de Veragua, Vistahermosa, o marquês de Saltillo, o conde de Santa Coloma, Contreras, Atanásio, Mora Figueroa, Conde de la Corte, Juan Pedro Domecq... criaram e seleccionaram um toiro apto para sus formas de tourear. As formas que pedia o público. Nesta evolução só o aceitado permaneceu. Por isso sangues antigos como o de Jijona, e o de Navarra, os toiros "da Terra"... deixaram de interessar à festa, quer dizer, ao público, e os ganadeiros abandonaram-nos. O que permaneceu, o sangue Vistahermosa nas suas mil e uma particularidades, não o foi por sucessão de modas ou imposições, mas sim porque com ele os ganadeiros puderam seleccionar o toiro bravo evolutivo. Tão grande foi esta fonte que Vistahermosa foi o tronco a que se ligaram outros sangues para subsistir. Ele foi seu passaporte para o futuro. A evolução do toureio nega a ortodoxia e nega o dogma. Ainda que um erro histórico possa considerar inalteráveis conceitos, o conceito de bravura e as formas de tourear variaram e pouco têm que ver hoje com as de há cem anos.Duas madeixas se perfilam de forma conjunta sempre em uníssono: a do toiro e a do toureio. Aperfeiçoa-se na bravura e aperfeiçoa-se o toureio. O critério mais razoável para analisar a história do toiro na sua evolução é unir as formas de tourear (o toureiro), aos toiros que permitam esses modos (o ganadeiro).Desde uma lide balbuciante com um toiro de bravura balbuciante até a complexidade actual do espectáculo, a evolução toiro-toureio pode-se esquematizar nas seguintes fases: Toiro Disperso, Toiro Reunido e Toiro Bravo. . António Reverte, Rafael Gómez El Gallo e outros toureiros que viveram entre finais do século XIX e princípios do XX, aportaram algo que também saía da norma (a personalidade, o génio) mas a parelha que muda o toureio é a formada por Gallito (José Gómez, conhecido como Joselito e El Gallo) e Juan Belmonte. É Juan um toureiro que é negado pelo físico e que, longe do despretensioso, começa a tourear mais sobre os braços que sobre as pernas com risco de contínuos tropeços infligidos pelos toros. Gallito é mais largo, inteligente, poderoso, mas bebe na fonte que lhe traz Belmonte. Gallito lê o futuro da festa, manda no toureio e entra nas ganadarias para buscar o toiro que permita uma lide mais duradoira, distinta. É dos poucos que não apelida de louco a Belmonte. Nesta ocasião o toureiro cartesiano (Gallito) se fixa no iconoclasta (Belmonte). Juan aponta e Joselito muda o campo e auspicia inclusive a construção de grandes praças de toiros (Monumentais) para o futuro do espectáculo.


publicado por Maluvfx às 04:40
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

Terça-feira, 1 de Novembro de 2011
Filosofia do veganismo
O vegano defende que o homem deve viver autonomamente, sem depender de outras espécies animais.
Por outro lado, o veganismo é uma filosofia e prática de vida e compaixão. Este caminho tem sido seguido por algumas pessoas em todos os tempos da historia da humanidade.

Só recentemente a palavra vegan (VEEGN) foi utilizada para distinguir os vegan dos vegetarianos, e o movimento vegano acabou por se tornar numa sociedade.
A primeira sociedade vegana foi organizada e fundada em 1944, em Inglaterra. E em 1960, H. Jay Dinshah, fundou a sociedade vegan Americana. Desde então mais de 50 sociedades foram criadas em todo o mundo.
Veganismo é muito mais do que uma questão de dieta. É, sobretudo, uma forma de vida que exclui todas as formas de exploração e crueldade contra o reino animal. Isto implica que um vegano se limite ao uso de apenas produtos derivados do mundo vegetal, não consumindo, por isso, leite e derivados, ovos e mel.
Os veganos escolhem viver de uma forma mais humana e compassiva em relação aos animais, são contra a morte e todo o tipo de exploração animal. Não usam produtos derivados de animais, como sejam a lã, couro, peles, roupas ou móveis, artesanatos, sabonetes ou cosméticos que contenham produtos de origem animal, nenhuma escova feita de cabelos, ou travesseiro de penas etc.
Os veganos não pescam, não caçam, e não aprovam o confinamento de animais nos circos ou zoológicos, rodeios ou touradas.
O veganismo lembra ao Homem a sua responsabilidade pelos recursos naturais e faz com que ele procure formas de manter o solo e o reino vegetal saudável, assim como o uso correcto dos materiais da terra.
Um vegano evita submeter-se a vacinação ou a soro feito de animais. Sempre que possível, e dentro do razoável, evita ainda o uso de medicamentos que foram testados em animais.
O veganismo é uma filosofia de vida, um caminho que procura a harmonia com o meio ambiente.
O vegano, em geral, também se interessa em ter um excelente padrão físico, emocional, mental e espiritual.

Talvez esta lista pareça à primeira vista difícil de seguir, mas serve principalmente para mostrar como é grande e extensa a lista de produtos ou substâncias derivadas de animais que normalmente usamos diariamente ao longo de nossas vidas.
Principalmente porque o mercado de vendas destes produtos só pensa em aumentar os seus lucros, independente da exploração animal ou dos efeitos nefastos que isso traga ao meio ambiente ou à saúde a médio prazo.
O curioso é que já existem muitas alternativas, mais humanas, para qualquer tipo de produtos de origem animal. E no entanto são poucas as empresas que as adoptam. Na América do Norte e na Europa tem crescido o comércio de produtos não derivados de animal, devido ao aumento da consciência do respeito ao meio ambiente e a compaixão por todas as formas de vida.

Embora a dieta vegana não contenha vitamina D, os seus seguidores podem consegui-la com a exposição ao sol das mãos e da face durante quinze minutos, cerca de três vezes por semana. Os outros nutrientes mais difíceis de conseguir seguindo uma dieta sem produtos animais, como a vitamina B12, podem facilmente ser obtidos ingerindo alimentos enriquecidos, ou, em último caso, recorrendo a suplementos vitamínicos.


publicado por Maluvfx às 12:39
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

Debate: "Corrida de toiros: Sim ou Não" - 'Você na TV' 31 de outubro


Citação de Miguel Marques sobre os bastidores pós-debate.

Importante a ter em consideração:
"Infelizmente, durante o debate não tive oportunidade de explicar em directo ao Joaquim Grave porque é que ele tem estado a propagar uma mentir odiosa quando cita o texto do Illera como sendo um estudo científico, mas depois de ver a forma como o senhor ficou descomposto quando no final do programa me dirigi a ele com os vários artigos e referências (incluindo o artigo não cientifico do Illera) impressos para lhe oferecer e lhe explicar porque é que nada daquilo é ciência ou conclusões legitimas sobre os resultados obtidos, fiquei ainda mais triste por não o ter conseguido fazer; adorava ver o senhor a descompor-se e enterrar-se em palavras que só demonstravam ignorância a acontecer em directo...
Espero que hajam futuras oportunidades para o fazer (ou que o senhor ganhe um pouco de respeito pelas ciências e não volte a citar tal estupidez). "


Considerações:
por Pedro Ribeiro
"Em várias páginas virtuais dedicadas à actividade tauromáquica, os aficionados consideram que o debate que teve lugar hoje na TVI foi um "empate".
Decidi partilhar algumas considerações relativas ao assunto. 
Dificilmente se pode considerar que o debate ficou empatado em termos de qualidade de argumentação e validade de argumentos.
O Dr. Grave regurgitava, mais uma vez, o "estudo" relativo ao bem-estar animal, apoiando-se em considerações científicas, morais e éticas. Cientificamente, o consenso determina que o touro sofre. Muito e desnecessariamente. Logo, o estudo é inválido.
Moral e eticamente, o "estudo" do Dr. Grave peca pela raiz, pois é imoral e eticamente reprovável elaborar um estudo enviesado, que não tem o propósito de explicar resultados obtidos através da observação científica, mas sim propositada e parcialmente destinado a legitimar a grotesca actividade tauromáquica.
O Sr. Milheiro também contribuiu para a derrota dos aficionados, ainda que involuntariamente. Quando tentava estabelecer absurdos paralelos entre os subsídios aplicados a espectáculos culturais e às touradas, - como se fosse tudo a mesma coisa - admitiu a injecção de dinheiros públicos e a necessidade dos mesmos para financiar a tauromaquia. Porém, os aficionados têm o recorrente discurso que a tauromaquia é auto-suficiente, que é lucrativa e que é o 2º espectáculo com mais espectadores em Portugal. A contradição é evidente. Se o dinheiro do erário público é necessário para a subsistência das actividades tauromáquicas, então, elas não são lucrativas e auto-suficientes. 
Os aficionados perderam novamente. A posição deles assenta em duas premissas evidentes:
- Têm interesse económico na continuação da actividade tauromáquica, essa é a real motivação dos promotores da tauromaquia.
- Consideram que os animais não têm direitos, logo, é legítimo todo e qualquer tratamento que o Homem decida ter para com eles. 
A sociedade actual não aceita nenhuma das duas premissas. A maioria da população portuguesa não quer a continuação dos espectáculos tauromáquicos em Portugal. E a maioria da população portuguesa certamente não quer pagar do seu bolso algo de que discorda e que quer ver erradicado.
Foi ainda interessante ouvir a opinião do Sr. Diogo Monteiro, que considera que o movimento de abolição das touradas é tudo uma espécie de grande conspiração de um grupo de veganos. Caiu no absurdo.
Os promotores da tauromaquia e os aficionados têm interesses pessoais de várias naturezas na actividade tauromáquica. Desde o interesse económico, o plano social, o aproveitamento para fins de entretenimento, etc.
Os defensores da abolição das touradas não têm qualquer interesse pessoal. Nada ganham pessoalmente com o fim das touradas. Pretendem defender animais inocentes, sem voz e sem voto na matéria. O interesse dos defensores da abolição das touradas é completamente abnegado e altruísta. Ganham os animais, não as pessoas.
O silêncio e a apatia favorecem sempre o opressor, nunca a vítima. Queremos mudar isso, queremos defender a vítima. É isso que nos move.
O debate soube a pouco, mas foi uma clara vitória daqueles que pretendem ver a tauromaquia abolida em Portugal."


ECOS DO DEBATE NA TVI: PRO OU ANTI TOURADA !
por Manuel Alves
Os aficionados da tourada disseram, tal como os defensores do fim da tourada, que amam o belo animal touro bravo!

As divergência começaram quando os aficionados da tourada  defenderam o indefensável: que o touro não sofre, quando lhe são espetados ferros atrás de ferros no seu dorso ensanguentado!  

Os aficionados da tourada disseram que as touradas dão negócio a muita gente, e os defensores do fim das touradas disseram que isso é verdade e que anualmente são dados subsídios de milhões de euros para a realização desse espectáculo, seja do Estado central, seja das autarquias.

Pôs-se a questão, (muito bem argumentada por Paulo Borges): como aceitar que o Estado e as autarquias, desviem milhões de euros para a prática da tortura e crueldade contra o animal touro, quando em nome da crise, são usurpados pelo Governo os subsídios de natal e de férias dos trabalhadores e reformados, e quando há tantas famílias em dificuldades económicas? 

Os aficionados da tourada defenderam que os animais não têm nem devem ter direitos, e que os seres humanos têm é deveres para com eles, nomeadamente de os alimentar e proteger! Claro que os defensores do fim das touradas, para além de referirem que o código civil tem de ser alterado para os animais deixarem de ser considerados como "coisas", defenderam pela voz de paulo Borges, que todos os animais sencientes, humanos ou não humanos,  devem ter direito à sua dignidade e respeito. 

Questão que ficou no ar: para os aficionados os deveres dos seres humanos de protegerem os outros animais, inclui o leva-los á força para uma arena para serem torturados cruelmente até á sua exaustão psíquica e física?
Isto é:    -  em nome do negócio da tourada e dos subsídios escandalosos de milhões de euros do erário público, que os promotores das touradas conseguem obter em nome da tradição e da cultura sublime, em que consiste  a tortura cruel de um animal, é defendido pelos ditos aficionados (os quais coincidem com os promotores) que o animal touro NÃO SOFRE!      -  claro que não seria preciso os defensores do fim das touradas demonstrarem que uma vez que o animal touro como todo o ser humanos, tem cérebro, sistema nervoso e órgãos sensoriais, sofre tal como sofreriam os seres humanos se se pusessem no lugar do touro na arena, já que nem os aficionados se atreveriam a negar tal evidência!   -  o que os aficionados das touradas não querem é perder os milhões de euros que conseguem sacar das televisões e dos poderes públicos centrais e autárquicos, milhões esses que justificam na sua forma mercantilista de pensar, o sofrimento cruel do animal na arena.
 Concluindo: 
Uma vez que todos os animais sencientes, humanos ou não humanos, são filhos da natureza, são então irmãos de sangue e de nervos, e tal como os seres humanos são capazes de explorar e de matar outros seres humanos pela ganância do TER mais dinheiro, também os seres humanos são capazes de torturar cruelmente os outros animais, e de os matar selvaticamente, em nome do dinheiro que dessa forma conseguem obter. 

Portanto o que verdadeiramente separa os aficionados das touradas dos defensores do fim desses degradantes espectáculos, cuja única substância é a tortura cruel e sangrenta do animal, é afinal o dinheiro que esse espectáculo pode proporcionar:
      -para os aficionados o dinheiro justifica tudo, o TER é o seu lema e estão dispostos a explorar e até a matar outros seres sencientes, humanos ou não humanos,  para o obter;         - os defensores do fim das touradas, pelo contrário afirmam a prioridade do SER, dos valores éticos universais, para justificarem o fim de toda a tortura e crueldade sobre todos os seres sencientes, sejam humanos ou não humanos.  


Paulo Borges denunciou:
"Sabem que, de 2009 a meados de 2011, várias Câmaras Municipais investiram 1 milhão 744 mil e 981 euros de dinheiros públicos e europeus na organização e promoção de touradas? E isto quando a austeridade se abate sobre a população e se fazem cortes na saúde, educação e apoios sociais? Em que país vivemos? Disse isto hoje em directo na TVI para irritação dos aficionados."

Provas dos "investimentos":

Dinheiros Públicos patrocinam Touradas!

Portugal utiliza fundos Europeus para financiar a tauromaquia

Eurodeputados acusam: Portugal utiliza fundos Europeus para financiar a tauromaquia

“Portugal utiliza fundos Europeus para financiar a tauromaquia” - Eurodeputados


Participação de Paulo Borges
"Lamento não ter tido mais tempo para dizer que a abolição das touradas e o reconhecimento dos direitos dos animais é hoje a continuação do movimento pela abolição da escravatura e pelo fim de toda a discriminação, racista, sexista ou outra. Os aficionados defendem assumidamente os seus hábitos e os seus interesses financeiros, enquanto os abolicionistas defendem a vítima indefesa: o touro. A tauromaquia apenas subsiste devido à injecção escandalosa de dinheiros públicos, de todos nós, na sua promoção, como denunciei no final: só em 2009-2011 foram pelo menos 1. 750. 000 euros! Temos de exigir um referendo e aí se vai ver a derrota estrondosa destes senhores, que agora se agarram ao argumento ridículo de que isto é uma conspiração vegana...Note-se a incapacidade dos taurinos em dar um único argumento válido na defesa da barbárie: afinal sempre é um negócio (mas pelos vistos não deve dar dinheiro e fazem-no por amor - o que então não obsta a que se acabe com as touradas!) e o outro argumento da moda é que há uma aparente "cruzada" para levar o mundo ao veganismo. De defesa, nada."


Manuel Luís Goucha - TVI
"Muito se comentou esta manhã sobre a minha imparcialidade na conversa sobre corridas de touros que decorreu no VOCÊ NA TV. Sempre me assumi como não aficionado e contudo sempre conversei nos meus programas com toureiros, cavaleiros, ganadeiros entre outros protagonistas da festa brava, quando poderia recusar-me a fazê-lo (será necessário, por exemplo, recordar a conversa de uma hora que tive no TVI24, com Victor Mendes?). Querem maior prova de imparcialidade?. Agora sou é contra todo o tipo de fundamentalismos. MLG"

Debate TVI: valeu a pena?
‎"Mas foi assim tão despropositada a presença e participação de aficionados neste programa? Não!


Primeiro, porque quem não deve não teme, nem será nosso lema virar as costas à batalha. Ainda que, vivendo num País dito democrático e livre, nada nos obrigue a ter que justificar a nossa paixão pela Festa dos Toiros, é sempre nossa bandeira defende-la quantas vezes necessário. E valha-nos a Prótoiro que, sempre atenta, tomou conta das rédeas no que tocou a reunir tropas e não voltámos a ver entre convidados para defesa da Tauromaquia, artistas de circo.


Segundo, porque mais uma vez mostrámos que somos superiores, que os nossos argumentos são mais que válidos perante a costumeira dos boatos e suposições de tortura e violência a que os vegans e esquisitóides a tanto nos associam.


Terceiro, porque finalmente apresentámos um painel de defesa com qualidade, coerência e argumentos certos para defender a Festa: o agricultor José do Carmo Reis, o advogado e secretário-geral da Prótoiro, Dr. Diogo Costa Monteiro e o veterinário, ganadeiro e aficionado de pró, Dr. Joaquim Grave. A que se acrescentam os apontamentos extraordinários de Helder Milheiro e Nuno Pardal desde a bancada, e esta sim poderia ter sido mais activa, embora os tempos em televisão sejam desde logo condicionantes.


Mas ganhámos alguma coisa com isto? Nada. Nem 15 minutos de fama! Entre um apresentador a lamber-se por chocolate e uma senhora que ganhou uma dentadura nova, quase que fomos lá apenas servir para o que era pretendido: gerar confusão para subir audiências. Os anti continuam na 'Peace and Love' do vamos salvar o 'boi das unhas dos malandros só por que sim' e nós continuamos na nossa de que a Tauromaquia é Tradição, Cultura e como tal merecemos ser Respeitados.


Para resumir: Tivemos as pessoas certas no programa errado.
Deram-se pérolas a porcos, basicamente!


Nota: Respondendo ao título, Valeu a Pena? Valeu, porque para além de termos demonstrado aos anti-taurinos que do outro lado da barricada eles não vão encontrar meia-dúzia de campónios, serviu ainda para evidenciar que a Defesa da Festa está nas mãos dos aficionados! E só não vale é criticar sem se ter feito nada! "
@ Jornal Online de Tauromaquia


Cláudio Haupt Vieira
‎"Criticar é fácil. Antever a derrota também, constatar factos e analisa-los, também. Enfim, creio que hoje, houve empate técnico em detrimento da habitual derrota.
Na consciência ficou o facto de não virarmos a cara à luta"

Relativamente ao debate de hoje, no Você na TV.
‘Você na Tv’ – Poderia ter sido diferente? Sim, poderia…

Ainda bem que admitem que as derrotas são constantes.



Nota: 
Se não existe UM argumento sólido, verdadeiro, ético e moralmente válido para defender a tauromaquia só lhes resta usarem subterfúgios, falácias, ofensas e todo o tipo de assuntos para tentarem desvirtuar e afastar a atenção do que é INDEFENSÁVEL!


publicado por Maluvfx às 06:20
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

Debate: "Corrida de toiros: Sim ou Não" - 'Você na TV' 31 de outubro


Citação de Miguel Marques sobre os bastidores pós-debate.

Importante a ter em consideração:
"Infelizmente, durante o debate não tive oportunidade de explicar em directo ao Joaquim Grave porque é que ele tem estado a propagar uma mentir odiosa quando cita o texto do Illera como sendo um estudo científico, mas depois de ver a forma como o senhor ficou descomposto quando no final do programa me dirigi a ele com os vários artigos e referências (incluindo o artigo não cientifico do Illera) impressos para lhe oferecer e lhe explicar porque é que nada daquilo é ciência ou conclusões legitimas sobre os resultados obtidos, fiquei ainda mais triste por não o ter conseguido fazer; adorava ver o senhor a descompor-se e enterrar-se em palavras que só demonstravam ignorância a acontecer em directo...
Espero que hajam futuras oportunidades para o fazer (ou que o senhor ganhe um pouco de respeito pelas ciências e não volte a citar tal estupidez). "


Considerações:
por Pedro Ribeiro
"Em várias páginas virtuais dedicadas à actividade tauromáquica, os aficionados consideram que o debate que teve lugar hoje na TVI foi um "empate".
Decidi partilhar algumas considerações relativas ao assunto. 
Dificilmente se pode considerar que o debate ficou empatado em termos de qualidade de argumentação e validade de argumentos.
O Dr. Grave regurgitava, mais uma vez, o "estudo" relativo ao bem-estar animal, apoiando-se em considerações científicas, morais e éticas. Cientificamente, o consenso determina que o touro sofre. Muito e desnecessariamente. Logo, o estudo é inválido.
Moral e eticamente, o "estudo" do Dr. Grave peca pela raiz, pois é imoral e eticamente reprovável elaborar um estudo enviesado, que não tem o propósito de explicar resultados obtidos através da observação científica, mas sim propositada e parcialmente destinado a legitimar a grotesca actividade tauromáquica.
O Sr. Milheiro também contribuiu para a derrota dos aficionados, ainda que involuntariamente. Quando tentava estabelecer absurdos paralelos entre os subsídios aplicados a espectáculos culturais e às touradas, - como se fosse tudo a mesma coisa - admitiu a injecção de dinheiros públicos e a necessidade dos mesmos para financiar a tauromaquia. Porém, os aficionados têm o recorrente discurso que a tauromaquia é auto-suficiente, que é lucrativa e que é o 2º espectáculo com mais espectadores em Portugal. A contradição é evidente. Se o dinheiro do erário público é necessário para a subsistência das actividades tauromáquicas, então, elas não são lucrativas e auto-suficientes. 
Os aficionados perderam novamente. A posição deles assenta em duas premissas evidentes:
- Têm interesse económico na continuação da actividade tauromáquica, essa é a real motivação dos promotores da tauromaquia.
- Consideram que os animais não têm direitos, logo, é legítimo todo e qualquer tratamento que o Homem decida ter para com eles. 
A sociedade actual não aceita nenhuma das duas premissas. A maioria da população portuguesa não quer a continuação dos espectáculos tauromáquicos em Portugal. E a maioria da população portuguesa certamente não quer pagar do seu bolso algo de que discorda e que quer ver erradicado.
Foi ainda interessante ouvir a opinião do Sr. Diogo Monteiro, que considera que o movimento de abolição das touradas é tudo uma espécie de grande conspiração de um grupo de veganos. Caiu no absurdo.
Os promotores da tauromaquia e os aficionados têm interesses pessoais de várias naturezas na actividade tauromáquica. Desde o interesse económico, o plano social, o aproveitamento para fins de entretenimento, etc.
Os defensores da abolição das touradas não têm qualquer interesse pessoal. Nada ganham pessoalmente com o fim das touradas. Pretendem defender animais inocentes, sem voz e sem voto na matéria. O interesse dos defensores da abolição das touradas é completamente abnegado e altruísta. Ganham os animais, não as pessoas.
O silêncio e a apatia favorecem sempre o opressor, nunca a vítima. Queremos mudar isso, queremos defender a vítima. É isso que nos move.
O debate soube a pouco, mas foi uma clara vitória daqueles que pretendem ver a tauromaquia abolida em Portugal."


ECOS DO DEBATE NA TVI: PRO OU ANTI TOURADA !
por Manuel Alves
Os aficionados da tourada disseram, tal como os defensores do fim da tourada, que amam o belo animal touro bravo!

As divergência começaram quando os aficionados da tourada  defenderam o indefensável: que o touro não sofre, quando lhe são espetados ferros atrás de ferros no seu dorso ensanguentado!  

Os aficionados da tourada disseram que as touradas dão negócio a muita gente, e os defensores do fim das touradas disseram que isso é verdade e que anualmente são dados subsídios de milhões de euros para a realização desse espectáculo, seja do Estado central, seja das autarquias.

Pôs-se a questão, (muito bem argumentada por Paulo Borges): como aceitar que o Estado e as autarquias, desviem milhões de euros para a prática da tortura e crueldade contra o animal touro, quando em nome da crise, são usurpados pelo Governo os subsídios de natal e de férias dos trabalhadores e reformados, e quando há tantas famílias em dificuldades económicas? 

Os aficionados da tourada defenderam que os animais não têm nem devem ter direitos, e que os seres humanos têm é deveres para com eles, nomeadamente de os alimentar e proteger! Claro que os defensores do fim das touradas, para além de referirem que o código civil tem de ser alterado para os animais deixarem de ser considerados como "coisas", defenderam pela voz de paulo Borges, que todos os animais sencientes, humanos ou não humanos,  devem ter direito à sua dignidade e respeito. 

Questão que ficou no ar: para os aficionados os deveres dos seres humanos de protegerem os outros animais, inclui o leva-los á força para uma arena para serem torturados cruelmente até á sua exaustão psíquica e física?
Isto é:    -  em nome do negócio da tourada e dos subsídios escandalosos de milhões de euros do erário público, que os promotores das touradas conseguem obter em nome da tradição e da cultura sublime, em que consiste  a tortura cruel de um animal, é defendido pelos ditos aficionados (os quais coincidem com os promotores) que o animal touro NÃO SOFRE!      -  claro que não seria preciso os defensores do fim das touradas demonstrarem que uma vez que o animal touro como todo o ser humanos, tem cérebro, sistema nervoso e órgãos sensoriais, sofre tal como sofreriam os seres humanos se se pusessem no lugar do touro na arena, já que nem os aficionados se atreveriam a negar tal evidência!   -  o que os aficionados das touradas não querem é perder os milhões de euros que conseguem sacar das televisões e dos poderes públicos centrais e autárquicos, milhões esses que justificam na sua forma mercantilista de pensar, o sofrimento cruel do animal na arena.
 Concluindo: 
Uma vez que todos os animais sencientes, humanos ou não humanos, são filhos da natureza, são então irmãos de sangue e de nervos, e tal como os seres humanos são capazes de explorar e de matar outros seres humanos pela ganância do TER mais dinheiro, também os seres humanos são capazes de torturar cruelmente os outros animais, e de os matar selvaticamente, em nome do dinheiro que dessa forma conseguem obter. 

Portanto o que verdadeiramente separa os aficionados das touradas dos defensores do fim desses degradantes espectáculos, cuja única substância é a tortura cruel e sangrenta do animal, é afinal o dinheiro que esse espectáculo pode proporcionar:
      -para os aficionados o dinheiro justifica tudo, o TER é o seu lema e estão dispostos a explorar e até a matar outros seres sencientes, humanos ou não humanos,  para o obter;         - os defensores do fim das touradas, pelo contrário afirmam a prioridade do SER, dos valores éticos universais, para justificarem o fim de toda a tortura e crueldade sobre todos os seres sencientes, sejam humanos ou não humanos.  


Paulo Borges denunciou:
"Sabem que, de 2009 a meados de 2011, várias Câmaras Municipais investiram 1 milhão 744 mil e 981 euros de dinheiros públicos e europeus na organização e promoção de touradas? E isto quando a austeridade se abate sobre a população e se fazem cortes na saúde, educação e apoios sociais? Em que país vivemos? Disse isto hoje em directo na TVI para irritação dos aficionados."

Provas dos "investimentos":

Dinheiros Públicos patrocinam Touradas!

Portugal utiliza fundos Europeus para financiar a tauromaquia

Eurodeputados acusam: Portugal utiliza fundos Europeus para financiar a tauromaquia

“Portugal utiliza fundos Europeus para financiar a tauromaquia” - Eurodeputados


Participação de Paulo Borges
"Lamento não ter tido mais tempo para dizer que a abolição das touradas e o reconhecimento dos direitos dos animais é hoje a continuação do movimento pela abolição da escravatura e pelo fim de toda a discriminação, racista, sexista ou outra. Os aficionados defendem assumidamente os seus hábitos e os seus interesses financeiros, enquanto os abolicionistas defendem a vítima indefesa: o touro. A tauromaquia apenas subsiste devido à injecção escandalosa de dinheiros públicos, de todos nós, na sua promoção, como denunciei no final: só em 2009-2011 foram pelo menos 1. 750. 000 euros! Temos de exigir um referendo e aí se vai ver a derrota estrondosa destes senhores, que agora se agarram ao argumento ridículo de que isto é uma conspiração vegana...Note-se a incapacidade dos taurinos em dar um único argumento válido na defesa da barbárie: afinal sempre é um negócio (mas pelos vistos não deve dar dinheiro e fazem-no por amor - o que então não obsta a que se acabe com as touradas!) e o outro argumento da moda é que há uma aparente "cruzada" para levar o mundo ao veganismo. De defesa, nada."


Manuel Luís Goucha - TVI
"Muito se comentou esta manhã sobre a minha imparcialidade na conversa sobre corridas de touros que decorreu no VOCÊ NA TV. Sempre me assumi como não aficionado e contudo sempre conversei nos meus programas com toureiros, cavaleiros, ganadeiros entre outros protagonistas da festa brava, quando poderia recusar-me a fazê-lo (será necessário, por exemplo, recordar a conversa de uma hora que tive no TVI24, com Victor Mendes?). Querem maior prova de imparcialidade?. Agora sou é contra todo o tipo de fundamentalismos. MLG"

Debate TVI: valeu a pena?
‎"Mas foi assim tão despropositada a presença e participação de aficionados neste programa? Não!


Primeiro, porque quem não deve não teme, nem será nosso lema virar as costas à batalha. Ainda que, vivendo num País dito democrático e livre, nada nos obrigue a ter que justificar a nossa paixão pela Festa dos Toiros, é sempre nossa bandeira defende-la quantas vezes necessário. E valha-nos a Prótoiro que, sempre atenta, tomou conta das rédeas no que tocou a reunir tropas e não voltámos a ver entre convidados para defesa da Tauromaquia, artistas de circo.


Segundo, porque mais uma vez mostrámos que somos superiores, que os nossos argumentos são mais que válidos perante a costumeira dos boatos e suposições de tortura e violência a que os vegans e esquisitóides a tanto nos associam.


Terceiro, porque finalmente apresentámos um painel de defesa com qualidade, coerência e argumentos certos para defender a Festa: o agricultor José do Carmo Reis, o advogado e secretário-geral da Prótoiro, Dr. Diogo Costa Monteiro e o veterinário, ganadeiro e aficionado de pró, Dr. Joaquim Grave. A que se acrescentam os apontamentos extraordinários de Helder Milheiro e Nuno Pardal desde a bancada, e esta sim poderia ter sido mais activa, embora os tempos em televisão sejam desde logo condicionantes.


Mas ganhámos alguma coisa com isto? Nada. Nem 15 minutos de fama! Entre um apresentador a lamber-se por chocolate e uma senhora que ganhou uma dentadura nova, quase que fomos lá apenas servir para o que era pretendido: gerar confusão para subir audiências. Os anti continuam na 'Peace and Love' do vamos salvar o 'boi das unhas dos malandros só por que sim' e nós continuamos na nossa de que a Tauromaquia é Tradição, Cultura e como tal merecemos ser Respeitados.


Para resumir: Tivemos as pessoas certas no programa errado.
Deram-se pérolas a porcos, basicamente!


Nota: Respondendo ao título, Valeu a Pena? Valeu, porque para além de termos demonstrado aos anti-taurinos que do outro lado da barricada eles não vão encontrar meia-dúzia de campónios, serviu ainda para evidenciar que a Defesa da Festa está nas mãos dos aficionados! E só não vale é criticar sem se ter feito nada! "
@ Jornal Online de Tauromaquia


Cláudio Haupt Vieira
‎"Criticar é fácil. Antever a derrota também, constatar factos e analisa-los, também. Enfim, creio que hoje, houve empate técnico em detrimento da habitual derrota.
Na consciência ficou o facto de não virarmos a cara à luta"

Relativamente ao debate de hoje, no Você na TV.
‘Você na Tv’ – Poderia ter sido diferente? Sim, poderia…

Ainda bem que admitem que as derrotas são constantes.



Nota: 
Se não existe UM argumento sólido, verdadeiro, ético e moralmente válido para defender a tauromaquia só lhes resta usarem subterfúgios, falácias, ofensas e todo o tipo de assuntos para tentarem desvirtuar e afastar a atenção do que é INDEFENSÁVEL!


publicado por Maluvfx às 06:20
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
13
14
16
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


posts recentes

Benefícios da Vitamina C

“Vermelho e Negro”

Cavalos e Pessoas II

Cavalos e pessoas I

POR QUE AS TOURADAS SÃO F...

Ponto de Vista VITAL: “A ...

O homem é superior aos an...

"A transmissão das tourad...

Touradas

Por isso é muito difícil ...

arquivos

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Setembro 2008

Agosto 2008

Junho 2008

Fevereiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Setembro 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Maio 2006

Dezembro 2005

Outubro 2003

Julho 2002

tags

todas as tags

favoritos

ANTI-TOURADAS

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds