Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012
Vacadas e Garraiadas
Na tauromaquia são várias as modalidades de abuso de bovinos, tanto em âmbitos privados, como em espectáculos organizados para diversão, desde touradas até garraiadas, vacadas, etc. Para quem não saiba do que se trata, pode informar-se visionando vídeos no youtube. 
Sofrimento começa na captura e possível preparação do bovino para o espectáculo com acções, intervenções para enfraquecer o animal. Prossegue no transporte causador de pânico, claustrofobia, desgaste, até chegar à arena. O sofrimento prossegue aqui com susto, provocação por muita gente, ludíbrio por muita gente, violência física por muita gente, esgotamento anímico e físico, ferimentos (por vezes morte). Prossegue depois com mais violência na recolha, no transporte, etc.
Em algumas intituladas garraiadas, acontece o cravar de bandarilhas, farpas.

É fundamental argumentar científica, ética, cultural, socialmente ou seja, civilizadamente, para justificar o ponto de vista dos respeitadores dos animais e opositores da tauromaquia e, assim, contribuir para diminuir o sofrimento provocado pelo Homem sobre os animais não humanos.
É muito fácil rebater os argumentos do lobby tauromáquico, que para branquear o espectáculo cruel, faz uso de afirmações fantasiosas e não respeita o senso comum, a ciência e a ética.
Plantas são seres sem sistema nervoso, não sensientes e sem consciência.
Animais são seres dotados de sistema nervoso mais ou menos desenvolvido, que lhes permitem sentir e tomar consciência do que se passa em seu redor e do que é perigoso e agressivo e doloroso. Este facto leva-os a utilizar mecanismos de defesa.
Portanto, medo e dor são essenciais e condição de sobrevivência.
A ciência revela que a constituição anatómica, a fisiologia e a neurologia do touro, do cavalo e do homem e de outros mamíferos são extremamente semelhantes.
As reacções destas espécies são análogas perante a ameaça, o susto, o ferimento.
Eles são tanto ou mais sensíveis do que nós ao medo, ao susto, ao prazer e à dor.
Descobertas recentes confirmam que animais, muito para além de mamíferos, aves , polvos, são seres inteligentes e conscientes.
O senso comum apreende isto e a ciência confirma.
É, portanto, nosso dever ético não lhes causar sofrimento desnecessário.
"A compaixão universal é o fundamento da ética" - um belo pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer.
Na tourada, o homem faz espectáculo e demonstração da sua "superioridade" provocando, fintando, ferindo com panóplia de ferros que cortam, cravam, atravessam, esgotam, por vezes matam o touro, em suma lhe provocam enorme e prolongado sofrimento, para gozo de uma assistência que se diverte com o sofrimento de um animal, aberração designada por arte, desporto, espectáculo, tradição.

Mas nesta “arte” não são somente touros e cavalos que sofrem.
São muitas as pessoas conscientes e compassivas, que por esta prática de violência e de crueldade se sentem extremamente preocupadas e indignadas e sofrem solidariamente e a consideram anti educativa, fonte de enorme vergonha para o país, atentório de reputação internacional, obstáculo dissuasor do turismo de pessoas conscientes, que se negam a visitar um país onde tais práticas, que consideram "bárbaras", acontecem!
Muitos turistas aparecem nestes espectáculos por engano e por curiosidade.
De lá saem impressionados e pensando muito negativamente sobre estes costumes sustentados por gentes portuguesas, neste nosso permissivo país.
Vacadas e garraiadas contribuem para habituar e viciar crianças e adultos ao abuso cruel exercido sobre animais, o que pode espevitar o gosto por mais violência do género e tornar-se moda. Portanto, não devem sequer realizar-se onde não são novidade e, muito menos, em sítios onde não existe tradição, como é o caso de Estoi, freguesia de Faro, na sua Feira do Cavalo.
A utilização de animais juvenis submetidos à violência de multidões, não pode ser branqueado e bagatelizado como “espectáculo que não tem sangue e é só para as crianças se divertirem". Mesmo que não tenha sangue, é responsável por muito sofrimento dos animais e contribui para a insensibilização de pessoas, principalmente de crianças, e para o gosto pela cruel tauromaquia. É indissociável de futilidade, sadismo, covardia.
Provavelmente, até serve a estratégia dos tauromáquicos visando a manutenção e a expansão da tauromaquia.

Vasco Reis,
médico veterinário
Aljezur
21.08.2012




publicado por Maluvfx às 07:14
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

Quarta-feira, 15 de Agosto de 2012
Sofrimento do touro e do cavalo
Percurso do touro usado para toureio.

Um exemplo: vive uns 4 anos bem na campina, espaço largo e com boas condições. Desenvolve-se.
Um dia alguém decide escolhê-lo para a lide numa tourada. Enxotam-no, com ou sem medicação, para uma manga e enfiam-no numa caixa apertada onde mal se pode mexer.

O stress da claustrofobia é tremendo, ao passar da liberdade e tranquilidade da campina para o caixote, onde fica  confinado.  A seguir acresce a ansiedade/pânico  do transporte. Depois a espera, provavelmente, com pouco ou nenhum alimento e bebida. Talvez sendo  injectado, a ponta dos cornos cortada até ao vivo e muito enervado, ficando extrema e dolorosamente sensível ao contacto. Mais tarde, a condução ao curro da praça de touros.

Empurrado depois para a arena = beco cruel sem saída,  suportando logo o enorme alarido, que ainda o assusta mais. Depois a provocação, o engano, o cravar dos ferros, que o ferem através da pele, aponevrose, mais ou menos músculo, tendão e, por vezes até pleura e pulmão (meu testemunho) e o fazem sangrar e sofrer. Tudo isto o enfurece, o magoa, o deprime e o esgota. Depois é retirado com as “chocas”.

Brutalmente, tal como foram cravados, os ferros são agora retirados.
Depois o sofrimento cresce pela dor provocadas pelos ferimentos, infectando e provocando  febre, animicamente derrotado, até que o abate liberte de tamanho sofrer esta desgraçada vítima dos chamados humanos, “corrido” e torturado unicamente para diversão de aficionados, alimentar de vaidades, de negócios de tauromáquicos e no prosseguimento de uma cruel tradição.


Percurso do cavalo usado para toureio.

É um animal de fuga, que procura a segurança e que a atinge pondo-se à distância daquilo que desconfia ou que considera ser perigoso. Defende-se do agressor próximo com o coice e por vezes com a sapatada do membro anterior, se for mais afoito ou considerar o perigo menor.

No treino e na lide montada, ele é dominado pelo cavaleiro com ferros mais ou menos serrilhados na boca (freio, bridão) mais ou menos castigadores e incitado de tal maneira pela voz e por outras acções, chamadas hipocritamente de “ajudas”, como sejam de esporas que são cravadas provocando muita dor e até feridas sangrentas.
Ele é impelindo para a frente para fugir à acção das esporas, devido à dor que elas lhe provocam e a voltar-se pela dor na boca e pelo inclinar do corpo do cavaleiro .

Resumindo: o cavalo é obrigado a enfrentar o touro pelo respeito/receio que tem do cavaleiro, que o domina e o castiga, até cravando-lhe esporas no ventre e provocando-lhe dor e desequilíbrio na boca. Isso transtorna-o de tal maneira, que o desconcentra do perigo que o touro para ele representa de ferimento e de morte e quase o faz abstrair disso.

É, portanto, uma aberração, comprovativa da maior hipocrisia, quando cavaleiros tauromáquicos afirmam gostarem muito dos seus cavalos e lhes quererem proporcionar o bem estar.
Revoltante e vergonhoso é que tal crueldade seja permitida legalmente, feita espectáculo e publicitada.

Vasco Reis
médico veterinário


publicado por Maluvfx às 23:54
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

Domingo, 12 de Agosto de 2012
A República Portuguesa das Bananas Entregue ao Lobbie Fascistóide Tauromáquico
O autarca de Viana do Castelo é um dos poucos autarcas verticais deste país. Não se vergou ao lobbie tauromáquico e indeferiu o pedido de licença para a realização de uma tourada numa praça portátil. E fê-lo dentro dos poderes que a lei de licenciamento de espectáculos lhe confere.

Mas, os novos ditadores deste país, que dão pelo nome de “prótoiro”, entraram com uma injunção para conseguirem desse modo realizar a dita tourada.

Para os órgãos de comunicação social, um elemento do grupelho “prótoiro”, afirmou: “o tribunal “entendeu que estaria em perigo o exercício de um direito cultural”, pelo que “autorizou a instalação da praça”.

Exercício de um direito cultural??????

Torturar animais num espectáculo público é um direito cultural!!!

Numa república das bananas talvez seja, agora num país estado membro da União Europeia , não é um direito, nem nunca será porque torturar animais não é cultura, é barbárie, é próprio de pessoas incultas e incivilizadas.

São decisões como a deste tribunal que levam os cidadãos a considerar que a justiça neste país é uma anedota.

Em termos simples, uma providência cautelar é uma acção com carácter de urgência e que pode ser interposta sempre que alguém mostre um fundado receio de que outrem cause uma lesão ou um dano de difícil reparação.

Onde é que está a lesão ou o dano de difícil reparação neste caso. A licença foi recusada e fundamentada. Que lesão ou dano é que os pró-touradas sofreram? O tal exercício do direito cultural?

A verdade é que o tal exercício do suposto direito cultural dos aficionados não está nem nunca esteve em perigo. A realidade é outra bem diferente, é o facto de quererem expandir o seu abjecto negócio ao norte do país, porque no sul e no centro as praças não enchem e as touradas diminuiram. E infelizmente muitas câmaras a norte não tiveram a verticalidade da C.M. de Viana e autorizaram touradas.
Outras recusaram e eles não entraram com nenhuma providência cautelar reclamando que o exercício do “direito cultural” estava em perigo.

Viana do Castelo é um espinho atravessado na garganta desta gente por ter proíbido touradas há três anos atrás e como tal um alvo a abater.

Vivemos num país onde proliferam corruptores, corrompidos, canalhas e miseráveis, onde muitas das leis que existem são letra morta e como se isso não fosse bastante, agora vivemos num país onde uma minoria de torturadores de animais ditam à maioria aquilo que eles afirmam que é arte, cultura e tradição.
Menos de 10% da população deste país arroga-se o direito de ditar à maioria o que eles gostam! Isto tem um nome fascismo.

Quem é que deu o direito a este grupelho de ditar à maioria da população o que eles gostam? Os governantes e os legisladores.

Prótouro
Pelos touros em liberdade


publicado por Maluvfx às 11:45
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

Quarta-feira, 8 de Agosto de 2012
Argumentos: Touradas II [Touro Bravo]
Texto exemplarmente completo e detalhado sobre todas as questões que se levantam nos debates sobre tourada, incluindo a ideia de que as touradas evitam a extinção do touro bravo:

"Não vamos entrar pelos argumentos, porque aí, lamento, mas espalham-se os aficionados. O único argumento legítimo e verdadeiro que têm, é o de a tourada ser um espectáculo legalizado e, como tal, terem todo o direito a participar. Ponto final porque acabam aí os argumentos válidos.
O sr. que fala em adrenalina ou no sangramento para alívio do touro obviamente não entende nada de biologia, de fisiologia ou de comportamento animal; percebe apenas da sua adrenalina quando assiste a espectáculos de violência. Essa dos sangramento para alívio dos humores foi uma prática médica muito em voga na Idade Média mas abandonada posteriormente. 
O que está na base do movimento anti-touradas não é claramente uma questão de gostos. Os gostos não se discutem. O pior é quando os nossos gostos colidem com a vida ou a integridade física de outros. Gostar é diferente de amar ou respeitar. É por demais evidente que os pedófilos gostam crianças; mas é uma maneira de gostar que passa pela exploração dos menores e pela negação dos seus direitos. Os que vivem da indústria tauromáquica cuidam dos touros porque vivem da sua exploração; se eles não lhes trouxessem rendimento, duvido que tratassem deles em regime pro-bono. Mas fica o desafio: vamos ver quantos aficionados amam verdadeiramente a raça taurina e se dispõem a cuidar dos exemplares existentes quando acabarem as touradas. Como fazem, por exemplo, as associações de animais por este país fora, que abnegadamente se dedicam a cuidar de cães e gatos abandonados. 
Outra falácia comum para fugir à discussão séria sobre ética é comparar a vida em liberdade que precede a tortura na arena à vida dos animais em criação intensiva. É claro que a criação intensiva é uma ignomínia, mas não invalida que as corridas de touros não constituam também uma ignomínia. Aqui podemos cair na questão de comparar coisas parvas como campos de concentração, por exemplo: seria melhor acabar em Auschwitz ou em Treblinka? É melhor morrer à nascença ou aos 4 anos? Com uma facada no peito ou afogado? Tudo isto são questões absolutamente laterais e cujo único objectivo é desviar a atenção de uma pergunta muito simples: 
É eticamente aceitável criar um animal para o massacrar publicamente e ganhar dinheiro assim?

Se respondermos sim, abrimos a porta para as lutas de cães, de galos, e até de indivíduos que, por grande carência financeira ou mesmo falta de neurónios, se disponham a entrar num recinto e participar numa luta de morte em jeito de espectáculo. Há quem goste de ver. E se vamos pela quantidade de público a assistir, nada batia os linchamentos públicos nos pelourinhos. Mas isso também acabou; houve uma altura em que passámos a considerar isso um espectáculo incorrecto e imoral. 
Vi agora que ainda há mais uns pseudo-argumentos: comparar injecções ou vacinas com as bandarilhas. Parece uma brincadeira comparar uma agulha fina com o objectivo de tratar uma doença ou evitar outra - no caso das vacinas - com a introdução de 9cm em metal grosso, cujos 3cm finais são em forma de arpão para não sair e continuar a rasgar os músculos e os ligamentos durante a lide. Das duas, três: ou está a brincar, ou não usa o raciocínio ou quer enganar os outros. 
Depois vem mais uma das bandeiras frequentemente agitadas: a da extinção do touro bravo. Como muitos dos que lutam contra a existência das touradas são pro-ambientalistas, este parece ser um argumento forte. Parece, mas obviamente não é. O que os ecologistas defendem é a não interferência nos ecossistemas porque há equilíbrios frágeis cuja totalidade das varáveis são desconhecidas e as rupturas imprevisíveis. Não tem nada a ver com o touro bravo. A extinção do touro bravo teria o mesmo impacto ambiental que a extinção do caniche. Podemos lamentá-la, claro, por razões sentimentais, mas não afectam em nada os ecossistemas. E se falamos de ambiente, as herdades onde se faz a criação extensiva de touros podiam dar lugar a montados de sobro e plantação de oliveiras. Temos um clima e um solo excelentes para a produção de azeite e cortiça e não somos autónomos na questão do azeite, o que nos traria ganhos financeiros e mais independência económica. Os toureiros, se quisessem reconverter-se, podiam ir para a apanha da azeitona com as suas calcinhas justas e a jaqueta de lantejoulas; não seria prático mas dava uma nota de cor aos campos nessa altura do ano."
Cristina d'Eça Leal

Fonte:  Texto escrito por uma Amiga e publicado em 2009 no Fórum MATP - Movimento Anti-Touradas de Portugal


publicado por Maluvfx às 22:21
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
 O que é? |

Segunda-feira, 6 de Agosto de 2012
As corridas de touros são o espetáculo com mais público a seguir ao futebol
Começa logo por ser discutível o futebol deixar a categoria de atividade desportiva para passar a ser considerado espetáculo.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, os concertos de música ligeira são os que movimentam maior número de espectadores (3,2 milhões), seguidos pelo teatro (1,6 milhões), variedades, música clássica, circo e, por último, a tourada. Isto para falarmos apenas de espetáculos ao vivo, porque se contabilizarmos as visitas a museus (10,3 milhões), galerias de arte (5,5 milhões) e cinema (16,4 milhões), então a clivagem é muito superior.

A ex-ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, afirmou que «[a] tauromaquia existe e movimenta 650 mil espectadores. É nossa obrigação cumprir a lei e a lei diz que temos que a regular». Aqui temos mais uma abusiva manipulação de números: os espetáculos tauromáquicos registaram a entrada (venda de bilhetes, incluindo aqueles que são comprados pelas autarquias, como forma encapotada de subvenção) de 650.000 espectadores. É sabido que o público das corridas de touros é errante; não assiste apenas a uma corrida de touros por ano, assim como um frequentador de museus faz diversas visitas anualmente. Só nos grandes recintos a tourada consegue hoje em dia números significativos de audiência; não porque o público local marque presença em força, mas porque os aficionados viajam até às praças onde podem assistir aos eventos mais publicitados. Assim, teríamos que estabelecer uma média de participações para se ter uma ideia aproximada do real número de pessoas mobilizadas (se forem 5, o número de aficionados desce imediatamente para 130 000; se forem 10, baixa para 65 000).

As verbas destinadas à compra de bilhetes para atividades tauromáquicas estão anotadas nos registos públicos referentes às despesas das autarquias. Dos alegados 650 mil espectadores, uma enorme percentagem assistiu às corridas de touros gratuitamente. Estranhamente, esses convidados dos promotores da tauromaquia, para a estatística, contaram como público.

Terá sido por o anterior Ministério da Cultura ter esgotado a sua função no cumprimento de leis, ao invés de refletir sobre o que se entende por «espetáculo artístico», que foi despromovido a Secretaria de Estado?

Se o Estado considera que um espetáculo artístico pode consistir em infligir sofrimento em animais para entretenimento público, então por que razão havemos de excluir da regulamentação as lutas de cães ou de galos? Se os critérios se baseiam no interesse do público e na receita de bilheteira, é completamente subjetivo considerar que as touradas sejam defensáveis e as lutas de cães ou de galos não o sejam.

Mas mesmo que assim não fosse, não podemos esquecer que os autos de fé não terminaram por falta de público, mas por se considerar que eram indignos e que contribuíam para a banalização da violência.

Fonte


publicado por Maluvfx às 22:05
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

No reino da tolerância: só vai à tourada quem quer
Num paradigma de sociedade normal, desfrutar de um acto público de tortura de um animal é impensável. É moral e eticamente condenável tirar partido da agonia de outro ser. Através da formação e valores passados entre famílias, a sanidade implícita na postura de respeitar o bem-estar de todos os animais, humanos e não humanos, é substituída por um regime de exceção que diz: “Faremos o bem a todos, menos aos touros, que existem é para serem toureados.” Frequentemente, esta precoce programação mental a que estão sujeitos os aficionados é levada a cabo pelas suas famílias, num acto de transmissão da sua própria cultura e valores antigos. O aficionado cresce num meio onde a tortura implícita na tourada é legitimada, promovida e perpetuada, associada a valores familiares, negócios, estatuto social…

Quando as questões envolvem valores éticos e direitos fundamentais, inalienáveis e inerentes a animais sencientes (humanos e não humanos), fazê-los depender de interpretações subjectivas – como seja valorizar interesses triviais da mentalidade dominante – num relativismo cultural é inaceitável.

É por isso que fenómenos culturais tais como a excisão do clitóris nas meninas de alguns países africanos ou a lapidação das mulheres adúlteras, chocam o mundo ocidental que considera – e muito bem – que o relativismo cultural e a tradição não podem caucionar práticas que cerceiam liberdades básicas e direitos fundamentais, como sejam a integridade física, por exemplo.

Se bem nos recordarmos, a mesma questão pôs-se na altura da implementação dos novos regulamentos sobre os locais em que se pode fumar: durante toda a vida os fumadores impuseram o seu fumo aos outros; os governos dos países ocidentais foram acusados de extremismo e falta de tolerância quando decidiram proteger as vítimas dessa prática: os fumadores passivos.

Resumindo em duas frases:

-à tourada não vai só quem quer; vai quem para isso foi programado.

- não acorrer em defesa de quaisquer vítimas é um acto de cobardia, indiferença e de conivência com o crime; não de tolerância.

Fonte


publicado por Maluvfx às 08:33
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

Domingo, 5 de Agosto de 2012
Extinção do touro de lide caso se proíbam as touradas - Falso!
Um dos argumentos mais recorrentes dos aficionados é que se as touradas forem proibidas o touro de lide extingue-se.

Nada mais falso.

De acordo com o Ministério do Ambiente espanhol, só um escasso número de animais é destinado a espectáculos tauromáquicos.
Segundo dados do mesmo ministério, o número de reses bravas inscritas é de 275.748 exemplares. Anualmente cerca de 15.000 touros são usados em espectáculos tauromáquicos que têm lugar em todo o território espanhol; sejam em corridas de touros ou em espectáculos populares, tipo largadas, etc.

De acordo com este ministério, os ganadeiros poderiam reconduzir o seu negócio para que estes animais se destinassem somente ao consumo. Uma opção comercial que já é explorada na actualidade, mas que os ganadeiros não consideram tão rentável como a venda dos animais para espectáculos tauromáquicos.

Por tal motivo, o governo espanhol, descarta a possibilidade de criar reservas naturais para proteger o touro de lide, caso as touradas venham a ser proibidas, já que a exploração comercial dos touros continuaria a ser rentável e seriam os próprios ganadeiros que salvaguardariam a sua existência.

O ministério assegura ainda que existe a possibilidade de criar reservas naturais para acolher raças que sejam classificadas em perigo de extinção, mas estas nunca albergariam o touro de lide, porque este animal mesmo não se destinando a touradas, não se extinguirá.

Estes são dados e estudos do Ministério do Ambiente espanhol, não foram inventados pelos anti-touradas.

Cai pois por terra, o estafado argumento, da extinção dos touros de lide caso as touradas sejam proibidas.


Fonte:  El Gobierno asegura que sin lidia el toro bravo no se extinguirá
2010
"El departamento que dirige Elena Espinosa considera que, del total del censo de reses bravas, "sólo un escaso número de animales se dedica a los espectáculos taurinos". Medio Ambiente señala que el número de reses bravas en la actualidad es de 275.748 ejemplares inscritos. Cada año, se utilizan alrededor de 15.000 toros en los distintos festejos taurinos que tienen lugar en toda España, ya sean corridas en plazas o sueltas de vaquillas en los pueblos.

El ministerio asegura que aunque "existe la posibilidad de reservas naturales para albergar razas clasificadas en peligro de extinción" en ningún caso sería el caso del toro de lidia, "puesto que las razas de interés productivo se crían en explotaciones ganaderas con otras consideraciones y circunstancias". Aun así, el toro de lidia ya es hoy por hoy una estirpe protegida en el catálogo oficial como raza autóctona, circunstancia que obliga a su fomento y protección por parte de las administraciones."


publicado por Maluvfx às 11:39
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

Crueldade...
Theo Gigas, na crónica Touradas - Uma Crueldade Inútil, escreveu: "Não existe um só argumento que justifique tamanha monstruosidade, que nada tem de esportivo ou de artístico. A única arte consiste na exploração de pessoas que gozam com volúpia o espetáculo de tortura e morte".

Muitos escritores têm descrito e estudado o espetáculo das touradas espanholas, que se realizam principalmente na Praça de Touros, em Madrid, todos os domingos - um imenso anfiteatro de estilo mourisco, luxuoso, original. A festa recebe o nome de corridas de touros. Em cada corrida se matam seis touros, dois para cada toureiro.

Fonseca Fernandes assistiu a um desses espetáculos e o descreve nas suas diversas fases. A primeira é a de excitação do animal, quando surge o picador montado a cavalo e que, munido de longa vara, submete o animal a uma tortura de picadas: "O picador arremata com a puya, triângulo de ferro que fustiga as espáduas do touro". Vem a segunda fase, a das banderillas, também excitadora. Homens de pé espetam, com agilidade, no animal banderillas coloridas "na mesma região fustigada anteriormente pelo picador". A última fase corresponde à muerte. Vem o toureiro, que dispõe de quinze minutos para a luta. Se o matador não cumpriu a missão, o touro volta ao curral e o toureiro toma extraordinária vaia. O touro morto também é vaiado. "O espanhol vaia sempre, manifestando alegria por qualquer dos resultados. Inclusive quando o touro mata o toureiro".

Existem os museus de toureiros, em que se guardam cabeças de animais, espadas, roupas. Num deles, figura retrato a óleo de Manolete, Manuel Rodriguez Sanchez, herói nacional de touradas, de carreira fabulosa, morto pelo touro "Isleno", em 1947. Tinha 30 anos o ídolo de Espanha.

O sacerdote Luciano Duarte admite que nesses espetáculos se vê sobremodo o aspecto de selvageria, na seguinte descrição: "O touro está fatigado e ofegante. Escorre-lhe o sangue abundantemente. O toureiro se aproxima de frente, para enterrar a espada. Momento perigoso. O touro agora está com as duas patas dianteiras paralelas. É o momento azado, pois esta posição permitirá que a espada se enterre até os copos, pouco adiante do pescoço do animal. O toureiro avança e tenta o golpe. A espada se afunda e fica enterrada, o povo aplaude delirantemente e grita olé, e o touro bambeia nas pernas inseguras, para logo cair morto".

Num romance célebre, "A Serpente Emplumada", Lawrence mostra com maestria esse "espetáculo de sangue e tripas". Urros do povo. Glória e emoção.

Como se explica o fenómeno?

Luciano Duarte adverte que a tourada, para o espanhol, é um espetáculo de arte: "Um balé em que o homem enfrenta o touro, em que a inteligência desafia a força bruta e vencerá". E o ilustrado escritor vai adiante, vendo na Espanha das touradas "restos de sangue mouro em efervescência, descarga do instinto de agressividade".

Por que esses homens se dedicam a tão cruel e desumano desporto? - pergunta Fonseca Fernandes. E explica: "Existe neles uma verdadeira adoração por esse gênero de exibição. Em touradas cultivam-se a destreza e a intrepidez das mais fortes emoções, nelas há todo um ritual de elegância perfeitamente enquadrado na vida do espanhol".

Os espanhóis, aliás, dizem que, como animal, o touro "teria de morrer de qualquer maneira; na praça mostra suas qualidades guerreiras e morre heroicamente". Ou mata - deveriam acrescentar.

As touradas foram vistas por Victor Hugo: "Em todas as corridas de touros aparecem três feras que são o touro, o toureiro e o público. O grau de brutalidade de cada um desses brutos pode-se calcular pelo seguinte: o touro é obrigado, o toureiro obriga-se, o público assiste por um ato espontâneo de sua graduação: o touro provocado defende-se; o toureiro, fiel ao seu compromisso, toureiro; o público diverte-se. No touro há força e instinto; no toureiro, valor e destreza; no público não há senão brutalidade".


A. Tito Filho, 06/04/1990, Jornal O Dia


publicado por Maluvfx às 11:07
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

Sábado, 4 de Agosto de 2012
Entrada do touro na praça
“Depois de discutidos e sorteados por lotes, são novamente fechados em divisões escuras de onde só sairão para se cegarem de luz e do ruído da multidão. “
ABC da Tauromaquia de El Terrible Pérez, Edições VIC, 1944


publicado por Maluvfx às 13:35
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

A psicologia do touro
“Os animais carnívoros, guiados pelo seu instinto de conservação, procuram presa viva que os alimente, dispostos sempre a atacá-la e a matá-la; estão dotados de acometividade permanente e sempre prontos para a luta. As suas faculdades mentais adestram-se nesta forma, tornando-se sagazes, astutos e mestres da caça, por surpresa. Os ruminantes, e entre eles os touros, pelo contrário, têm alimentação herbívora, não necessitam de atacar ninguém, e como isso seria absurdo e na natureza não existem fenómenos desta espécie, o touro não ataca nenhuma espécie de animais, nem o homem. O animal herbívoro só tem que se defender dos carnívoros, e como o touro e os outros ruminantes constituem presas desejadas, dada a sua substância e volume, se as suas faculdades defensivas não fossem tão grandes, careceriam de condições de vida e desapareceriam. Por isso todos os bovinos têm potentíssimas reacções defensivas e são receosos e assustadiços. Tão receosos que já no século XVI D. Diogo Ramirez de Haro observava que o touro pasta, geralmente andando para trás. Espera sempre o ataque, sobretudo quando se encontra isolado da piara ou quando tem de defender a sua prole, que o espera no mesmo sítio, o escolhido para cama. Em tais circunstâncias investe sem reparar na superioridade que possa ter o inimigo, e sempre à cega. Fora disso, os ruminantes são tranquilos, porque essa função, que lhes dá o nome, requer largo repouso depois das comidas, para voltar a mastigar e salivar os alimentos depositados na pança, tornando-se, porém, inquietos quando, ao despertar a primavera, os alimentos abundam e os ardores genésicos aparecem. E assim se explica a habilidade de que usam os toureiros que só começam a tourear depois de Maio.“
Excerto do livro ABC da Tauromaquia de El Terrible Pérez, Edições VIC, 1944


publicado por Maluvfx às 13:02
link do post | comentar | favorito
 O que é? |


mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
13
14
16
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


posts recentes

Cavalos e Pessoas II

Cavalos e pessoas I

Podem um socialista ou um...

DEFENSORES DOS ANIMAIS; Q...

Resistir a um bom bife pa...

VAMOS TENTAR PERCEBER O "...

Intelectuais contra as to...

Porque é que há gente afi...

Anatomia do sofrimento de...

10 ideias perigosas

arquivos

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Setembro 2008

Agosto 2008

Junho 2008

Fevereiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Setembro 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Maio 2006

Dezembro 2005

Outubro 2003

Julho 2002

tags

todas as tags

favoritos

ANTI-TOURADAS

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds