Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Quinta-feira, 15 de Julho de 2010
Ecochatos e agrochatos
por Juremir Machado da Silva
Nada como uma boa polêmica. Faz quatro dias que estou apanhando sem parar dos ruralistas por ter criticado a mudança do código florestal brasileiro. A argumentação dos meus oponentes tem a sofisticação de sempre: eu sou um ignorante, um preconceituoso, falo por ouvir dizer, deveria juntar eu mesmo o meu cocô para ajudar a resolver os problemas ambientais, etc, etc. Nunca um criticado me chamou de inteligente. Jamais um criticado meu deu razão. Pois, como sempre, eu li o projeto que altera o código florestal e tudo sobre ele. Faz parte dos meus hábitos. Gosto de estar armado até os dentes. Todas as contestações que me foram enviadas estão disponíveis em meu blog (www.correiodopovo.com.br).

O novo ângulo de ataque, ou de defesa, dos ruralistas é simples (ou simplório?): quem polui é a cidade. O campo só quer “produzir com dignidade”. É o jargão em voga. Imagino que todos os ambientalistas sejam ignorantes como eu. Tenho citado alguns especialistas cuja argumentação me impressiona, como o professor Paulo Brack, do Instituto de Biociência da Ufrgs. Deve ser um preconceituoso sem par. Outro dia, ouvi a argumentação do promotor Júlio de Almeida, do Ministério Público Estadual. Deve ser outro ignorante.
As posições desse pessoal me parecem interessantes, mas, como sempre, penso por conta própria. Li e reli o conteúdo das mudanças. Elas almejam a redução ao mínimo das leis de proteção ambiental. Um dos meus críticos chamou essas leis de “entulhos”. Outro, sempre atuante, afirma que minhas opiniões são meramente ideológicas. Desconheço pessoas mais ideológicas do que os ruralistas. Eles acham, porém, que são neutros, imparciais, isentos e técnicos. Uau!
Alguns ficaram indignados por eu ter chamado ruralistas de agrochatos e de atrasados. Como se diz popularmente, nos olhos dos outros é colírio. Volta e meia, ouço de um ruralista a expressão ecochato ou a designação dos ambientalistas como esquerdistas atrasados. O vereador Beto Moesch (PP), severo crítico das mudanças do código florestal, é um esquerdista atrasado, um direitista anacrônico ou um ecochato? Ou mais um preconceituoso e ignorante que não entende os seus amigos nem a maioria dos integrantes do seu partido? Depois dessa polêmica, aprendi muito: nossos ruralistas são ecologista na cidade. Fazem tudo para proteger a natureza e acabam injustiçados por idiotas como eu.
A lista dos ignorantes é vasta.
Começa com Marina Silva. Hoje, quem coloca a produção acima da defesa do meio ambiente, pratica um reducionismo. Quem defende que a natureza permaneça intocada em detrimento da produção de alimentos, também pratica um reducionismo. O Código Florestal em vigor, no entanto, está bem longe de querer manter a natureza intocada. As Áreas de Preservação Permanente, por exemplo, que alguns desejam extinguir, representam um ponto de equilíbrio. Nada mais. Diminuem a área de produção? Obviamente. Aumentam o espaço de preservação. Vou me atrever a dar uma sugestão aos meus oponentes: arranjem novos argumentos. A simples desqualificação como ignorante é argumento muito fraco.
Fonte: Correio do Povo
via Vanguarda Abolicionista


publicado por Maluvfx às 02:12
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Quarta-feira, 7 de Julho de 2010
Ecologia? Não, obrigado, já escovei os dentes

Vanguarda Abolicionista - Marcio de Almeida Bueno


Gostaria que não fosse assim, mas há uma cisão aparentemente irremediável entre o movimento ambientalista e os defensores dos direitos animais. Quem olha de fora até imagina que se anda de braços dados, caminhando e cantando e seguindo a canção, mas a verdade é que há uma eterna rota de colisão.

Para quem é anti-especista, aceitar a pecuária mas elaborar projetos para salvar o ‘bibibó-do-bico-amarelo’ é contrasenso. Milhares de animais mortos no dia-a-dia, ok. Não se preocupar com alguns especimes de determinada área, errado.



Mas não foi o desmatamento que eliminou as moradias dos animais silvestres? Então eu procuro um ecologista que não coma carne ou laticínios, ou não fume. Geralmente é o pacote completo, e com orgulho. Mas os espaços para o gado, ou para a soja – que não é plantada para alimentar vegetarianos, para o fumo, já guardaram animais e plantas que, hoje, viraram fetiche para o bom ambientalista. Entretanto, e aí discurso e prática dão seta para dobrar esquinas diferentes, essa repetição do dia-a-dia traz resultados e exigências do agronegócio que contradizem a ideologia dos amigos da natureza. Cada tragada na chupeta do diabo, digo, no cigarro, são moedas que tilintam no saldo bancário de uma indústria que planeja mais área plantada para atender ‘o mercado’. Nessa hora, passa-se procuração para que locais onde antes ainda dava para animais se virararem nos 30, sejam patrimônio lavrado pelo agronegócio – tão odiado pelos eco-whatever.

Cada bife, ovo frito ou copo de leite geladinho veio de uma linha de montagem que começou, lá na ponta, com uma motosserra sendo ligada. Poderia ser diferente, se o consumidor ‘consciente’ abrisse mão dos hábitos que mamãe ensinou, e que a pressão do grupo lhe obriga a não sair do esquema já conhecido. Se detesta a destruição da Amazônia, a bancada ruralista, o agrobusiness, o aquecimento global e o imperialismo, que reveja o que recheia o prato.

Já ouvi um doutor em Ecologia dizer que a pecuária é necessária para a preservação da natureza. Sem rubor nas faces.

A dor dos animais não importa, a submissão durante toda a vida, a extração à força de ingredientes culinários, se isso passar por um funcionamento ecologicamente/ideologicamente correto, manejo adequado, que obviamente só poderia ser feita pela pureza de um camponês idealizado. Mas, rico ou pobre, o produtor apenas está acostumado a fazer render cada animal sob sua posse. Isso não muda muito para quem é escravo porque é de outra espécie.

Então se a idéia é não financiar o sistema vigente, que vem patrolando pandas, baleias, Mata Atlântica e Amazônia há séculos, porque já se pensou e debateu à exaustão essas questões, é cômodo ter surdez seletiva. Não escutar as máquinas que picotam a natureza para oferecer, vejam só, prato-feito–tipo-Jesus-me-chama e depois um cigarrinho para amenizar o tédio abissal da vida. São esquinas diferentes sendo dobradas.

Fonte: ANDA


publicado por Maluvfx às 16:23
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Segunda-feira, 5 de Julho de 2010
Palestra de Jean-Michel Costeau
Ambientalista palestra na próxima quinta-feira, dia 8 de julho, na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).
jie.itaipu.gov.br


Jean-Michel Costeau
Por Fiergs

Estudantes terão a oportunidade de assistir a palestra de Jean-Michel Cousteau no próximo dia 8 de julho, às 9 horas, na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul. O evento é promovido pelo Sistema Fiergs, por meio do IEL, através do Programa Estágio Empreendedor, e do Sesi-RS, com apoio do programa Fronteiras do Pensamento. Jean-Michel Cousteau é considerado um dos principais ambientalistas do mundo. Oceanógrafo, ele se dedica à preservação marinha, divulgando programas socioambientais e dirigindo a ONG Ocean Futures Society, do qual é fundador. Filho do explorador francês Jacques Cousteau, pioneiro na descoberta dos recursos do fundo do mar, Jean-Michel iniciou seus estudos marinhos aos sete anos de idade. O ingresso para assistir a palestra é um 1kg de alimento não perecível. As inscrições podem ser feitas pelo fone 0800 51 8555 ou pelo e-mail confirma.eventos@fiergs.org.br.

Fonte: Fiergs/EcoAgência


publicado por Maluvfx às 11:43
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Segunda-feira, 7 de Junho de 2010
Texto-diálogo com o artigo ‘Dia Mundial do Meio Ambiente: puxada de descarga e torta na cara da natureza’
Foto: Rafael Santini





por Claudia Lulkin, econutricionista vegana e educadora popular

Dia Mundial do Meio Ambiente’! Radical! Como “auto-intitulada” ambientalista, concordo com tua visão!
Uma amiga ecologista sentencia:
Fazemos cocô na água….

E o lixo??? Uma nojeira!

Meu auto-título de ambientalista me cobra o tomar algumas atitudes práticas no dia-a-dia como a COMPOSTAGEM. Acho que é nisso que sou mais ecologista….

Me pretendo a refazer florestas. Recriar o solo rico da floresta com resíduos vegetais (descobri que há uma adubação vegana…). Também tenho comprado buchas vegetais para lavar louça e utilizar sabões vegetais feitos por grupos de mulheres do povo.

Tenho feito pequeninos jardins… Dedico a grana de meus trabalhos a trabalhos de amigos, a idéias e ativismo, em artesanatos populares e um tanto de meu esforço também vai para os supermercados…

Cuido da utilização da água. E a torneira da pia da cozinha vai direto para a terra, já que moro num pequenino sítio urbano em pequena área da- ainda- Mata Atlântica da Serra do Mar, nas “montanhas” de Porto Alegre (como todos já sabem mas não ainda não foram lá. Ou por falta de convite, possivelmente, ou mais ênfase, quem sabe…).

Sabem, tb, que estive acampada debaixo de chuvaradas na Aldeia da Paz e construindo a cozinha toda feita em barro. Epassei o fórum todo de pés descalços pois o barro grudava de tal jeito que não sobrava tira de chinelo (era alto verão…).

Dormi em vários sleeping bag- colchonetes, na beira de fogueiras, debaixo de luas cheias.

A própria ecologista…

MAS QUANDO AMIG@S BIÓLOG@s “conscientes” me falam de que toda a comida de evento que fizeram era NATURAL e que a galera, naturalmente, matou um boi para a comida….tive um “teto”. O cristal se rompeu, na exata hora…

Como nós veganos somos compassivos e tolerantes, voltei a estar com ess@s amig@s e continuar construindo uma espiral de ervas num jardim que vem ficando cada vez mais bonito e mais integrado á natureza do povo do Morro da Cruz.

Enquantos olhos vidrados e mentes facetadas da multidão que “tira o tapete”, que concorre pelo sorteio do “bife”, que enfia a faca, que “carnea”, que “abate”, o mar de sangue pútrido corre e corrompe…


Compassivamente pela PAZ pelos animais pelas pessoas de intenção e de atitude.




publicado por Maluvfx às 23:41
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Domingo, 6 de Junho de 2010
Dia Mundial do Meio Ambiente: “Muitas espécies. Um planeta. Um futuro”

Os gorilas são uma das espécies seriamente ameaçadas. Foto: AP
“Muitas espécies. Um planeta. Um futuro”. Esse é o slogan que marca o Dia Mundial do Meio Ambiente, que é comemorado hoje. A preocupação com a vida selvagem tem como objetivo reforçar a reflexão sobre o Ano Internacional da Biodiversidade, celebrado em 2010.
Um acordo assinado numa conferência mundial em Johannesburgo em 2002 previa o comprometimento das principais nações do planeta em reduzir em 90% o número de espécies ameaçadas de extinção em 8 anos. Nenhum país conseguiu cumprir a meta – atualmente milhares de espécies estão ameaçadas de extinção – quase 300 delas apenas no Brasil. Contribuem para este quadro deplorável a exploração comercial, expansão populacional desordenada e desastres ambientais – o vazamento de petróleo no Golfo do México, fora de controle desde abril, é a maior catástrofe ambiental da história, com a morte de milhões de animais, entre aves e espécies marinhas nos Estados Unidos.
O Dia Mundial do Meio Ambiente tem suas ações concentradas em Ruanda, na África, país que luta para preservar sua excepcional fauna da extinção, que conta com 50 espécies ameaçadas. No mundo todo serão realizados eventos, concertos e palestras para celebrar a data. Em São Paulo, o Parque Villa Lobos e o Jardim Botânico prepararam programação especial para a data.
Gorilas
Em relatório e documentário recentes, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, adverte para ação urgente necessária para proteção dos gorilas da Bacia do Congo.
Segundo a agência da ONU, se nada for feito para fortalecer as leis ambientais e combater a caça, eles podem desaparecer da região nos próximos 15 anos.
O Dia Mundial do Meio Ambiente foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, durante a Conferência Mundial do Clima em Estocolmo, para estimular ações mundiais para preservação da fauna e da flora.
Extinção em massa
Ban ressaltou que é preciso parar com a extinção em massa e aumentar a sensibilização sobre a importância vital de espécies que habitam os solos do planeta, florestas, oceanos, recifes de corais e montanhas.
Um novo site lançado pela ONU nesta sexta-feira vai incluir inventários de gases de efeito estufa de 49 organizações das Nações Unidas, com dicas e ferramentas para redução das emissões de carbono.
Com informações de Urbanpost e EcoAgência
via ANDA


publicado por Maluvfx às 00:22
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Sábado, 5 de Junho de 2010
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publicado por Maluvfx às 23:55
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Dia Mundial do Meio Ambiente: puxada de descarga e torta na cara da natureza
Vanguarda Abolicionista - Marcio de Almeida Bueno

Tal como no Natal, com aquelas deprimentes mensagens repassadas por gente que sequer conheço, o tal do Dia do Meio Ambiente também gera um frenesi extra em algumas pessoas. ‘Vamos nos conscientizar’ e outras frases bestas entopem a caixa de emails, o Tweeter e outros menos votados. Eu me pergunto se eu tenho algo a ver com isso. Que meio ambiente é esse, sempre apresentado em uma imagem com fundo verde, ou em papel reciclado, ou em anúncios de página inteira de revista? Tem algo a ver comigo? Nunca gostei de acampar, fazer trilha, dormir em barraca, sujar os pés ou sentir falta de um banheiro por perto. Não me considero ecologista, e olho com desconfiança a todo que se apresenta como tal.
Explico.




Todo caçador se apresenta como ‘o verdadeiro ecologista’, toda empresa que não sabe mais de onde arrancar simpatia/dinheiro, lança um produto ‘ecológico’, toda produção industrial fantasia em poder puxar a descarga e se livrar dos resíduos diários – alguns fazem isso, mesmo que tenha um projeto de educação ambiental em escolas, todo candidato a cargos políticos se diz um preocupado com o meio ambiente, mesmo que seja da bancada ruralista ou receba verbas de campanha das piores empresas poluentes, todo cidadão que se diz preocupado com a Amazônia, com a mancha de óleo no Golfo do México e com o futuro dos pandas, frita bife em uma liturgia cotidiana.
Selos de boi verde, carne orgânica e até ‘costela de ovelha ecológica’ – sim, juro que já vi isso – não são correntes na mesa de ninguém, e mesmo se fossem me parecem mais um ’soprar o merthiolate para não arder’ na consciência das pessoas. Este boi nasceu para morrer e acabou no forno da casa de pessoas felizes, mas era verde.
O termo em si se desgastou horrores, e a parcela de bem-intencionados talvez perceba isso, e note que há outros botões a serem apertados, como o anti-especismo e o veganismo. Daí se pode encher a boca para falar que está começando uma vida que tende a ser correta dentro das relações. Pelo menos naquilo que é mais imediato, próximo, constante, como a alimentação. Os animais silvestres também padecem no momento que se abre espaço para pasto de animais domesticados. Todos vão empacotar, então não adianta usar camiseta com estampa de consciência ecológica no sábado de manhã, se não houve uma visão crítica de si e do impacto que a própria existência causa, ou pode causar, nos demais co-habitantes do planeta – os que andam de quatro, voam ou nadam, por exemplo.
Cada vez que se puxa a descarga da privada, é uma torta na cara da natureza – mas, friso, não vejo natureza como um cartão postal de fundo verde, mas um local onde estará um animal não-humano, que não percebe que aquele chão está imundo e tem metais pesados, que aquela água está coberta de óleo ou meleca vindo de curtume. É complicado começar a pensar que o WC é um cadafalso para as paisagens que aparecem na National Geographic, mas esse pensamento é necessário. Mas o que já está disponível para consumo, como uma vivência vegana, não pode ser considerado algo utópico, eco-chato, excêntrico e fanático. É subversivo, pois este é um mundo violento, indiferente, explorador, sem empatia ou compaixão, então toda postura ética passa a ser subversiva. Como cumprimentar com um sorriso aquele vizinho ‘com cara de poucos amigos’. Não vou deixar de ser quem eu sou por ele estar de cara amarrada, não vou jogar o jogo do outro.
E como funciona isso na ecologia?
Questionar as tradições de consumo de produtos de origem animal, testados em animais, causadores de tantos estragos ambientais como o couro, pensar nas conexões entre o consumo de embalagens, plástico, papés, roupas, celulares etc e aquelas imagens de lixão que aparecem na televisão, e causam espanto aos incautos. Foi o vizinho que não nos dá ‘bom-dia’, que comprou tudo aquilo?


publicado por Maluvfx às 23:23
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Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia
Foi no século XIX que um cientista alemão, Ernst Haeckal (1834 - 1919), criou formalmente a disciplina que estuda a relação dos seres vivos com o meio ambiente, ao propor em 1886, o nome de Ecologia para esse ramo da biologia.


Este é um assunto que constitui denominador comum de interesse e de responsabilização para todas as pessoas que habitam o planeta Terra, pelo que o Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia», que, por iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas), se comemora a 5 de Junho, deve-nos merecer a melhor atenção, considerando em especial que o que acontece de um lado, para o bem ou para o mal, vai sempre afectar o outro.


Que em todos os dias, mas com um significado evidente nesta efeméride, cada um de nós e todos façamos um gesto da nossa parte para a preservação das condições desejáveis e sustentáveis de vida na Terra, investindo no que temos de mais valioso, a nossa inteligência, para, de modo próprio, aprender a consumir menos o que precisamos de economizar mais: os recursos naturais.



publicado por Maluvfx às 20:14
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Os defensores da biodiversidade

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, conheça histórias, aventuras e polêmicas de dez pessoas que ajudaram a mudar o destino de espécies animais ameaçadas de extinção em todo o mundo

As Nações Unidas definiram 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade. Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, porém, não há muito a comemorar. Apesar da meta estabelecida pela Convenção de Diversidade Biológica de cortar significativamente o ritmo da redução de biodiversidade, o relatório mais recente da ONU mostra que o planeta perdeu 30% do estoque de seres vivos existente em 1970. O documento aponta como ameaçadas de extinção 42% das espécies de anfíbios e 40% das de aves e estima em US$ 2 trilhões a US$ 4,5 trilhões o prejuízo anual com desmatamento. No Brasil, a União Internacional para Conservação da Natureza calcula que 59 espécies marinhas estão ameaçadas. 


A situação seria pior, não fosse a ação de dez pessoas dedicadas à conservação de espécies no mundo todo, ouvidas pelo Estado nas páginas a seguir:

George Schaller | Gorilas, tigres e leopardos

Considerado o maior conservacionista da atualidade, o americano George Schaller já esteve em mais de 20 países para estudar animais. Em vários casos foi pioneiro nas pesquisas: de gorilas no Congo, de tigres na Índia, de pandas na China e de onças-pintadas no Pantanal brasileiro.
Filho de alemão e americana, Schaller nasceu em 1933, em Berlim. Aos 14 anos, mudou-se para os Estados Unidos. Estudou Biologia e Antropologia na Universidade do Alasca, onde, por conta das dificuldades econômicas da família, precisava se revezar entre os livros e o emprego na cafeteria. "Felizmente, lá você não podia se formar sem antes ter feito estudo de campo", contou, em entrevista concedida pelo telefone, de Pequim.
A primeira oportunidade de trabalho de campo foi estudar aves migratórias no Ártico. Na volta, Schaller concluiu o PhD na Universidade de Wisconsin e ganhou o mundo. Bastava surgir um convite e lá ia ele com a mulher, Kay, e dois filhos pequenos para os lugares mais remotos do planeta. "Tive muita sorte porque Kay sempre gostou de sair a campo." Ainda que isso implicasse dormir em tendas no meio do mato, em áreas habitadas por gorilas, tigres e onças selvagens.
Schaller viaja muito, mas escolheu se fixar no planalto tibetano na China. Uma de suas prioridades são projetos de proteção a guepardos no Irã. Tipicamente africana, a espécie praticamente sumiu da Ásia, para onde tinha migrado, e o Irã é um dos seus últimos redutos. "O problema é que, por causa do conflito político com os Estados Unidos, não consigo entrar no país."
Embora seu trabalho seja abrangente, Schaller tem predileção por grandes felinos. Além de tigres, onças e guepardos, estudou leões na Tanzânia e o leopardo-das-neves no Himalaia. "Os felinos são muito grandes e bonitos e, para estudá-los, você também precisa saber sobre suas presas. Acaba tendo uma visão completa do ecossistema."
Tema de um documentário da National Geographic recém-lançado nos EUA, Schaller orgulha-se de ter formado conservacionistas como a chinesa Lu Zhi e o brasileiro Peter Crawshaw Junior (veja perfis dos dois nas páginas seguintes). "Você vai embora e o mais satisfatório é ver que deixou algo para trás, um time motivado de especialistas locais", diz. "O trabalho de conservação é emocional. Você precisa colocar o coração na missão, porque tem de passar meses no meio do mato, enfrentando climas extremos."

Paul Watson | Baleias
File:Paul Watson portrait.jpgEm 1975, o ex-marinheiro canadense Paul Watson (na foto à esquerda com a atriz americana Daryl Hanna), eleito em 2000 pela revista Time um dos "heróis ambientais" do século 20 pela defesa das espécies marinhas, participava da campanha do Greenpeace contra a caça de baleias pelos soviéticos. Em alto-mar, a tática era colocar seu bote inflável Zodiac entre o baleeiro e os animais, para impedir o ataque.
No confronto, Watson viu uma baleia ser ferida por um arpão que passou pelo bote. Temeu que ela revidasse, mas diz ter enxergado compreensão nos olhos do animal moribundo, que deslizou nas águas e desapareceu. "Ela podia ter nos matado, mas de certa forma sabia que estávamos ao seu lado", diz. "Vi que a baleia fez uma escolha de não nos matar e isso fez toda a diferença na minha vida."
Em 1977, Watson rompeu com o Greenpeace, que ajudara a fundar, alegando que ele se tornara "burocrático". Criou a Sea Shepherd, ONG que faz uma espécie de guerrilha no combate a baleeiros, usando métodos como a invasão de embarcações e até colisões propositais no mar.
Watson, de 50 anos, é combativo e midiático. Em 1977, algemou-se a uma pilha de peles de focas para protestar contra a caça aos animais. Foi espancado por caçadores. Há dois anos, levou dois tiros. Escapou porque vestia um colete à prova de balas. O drama foi mostrado no Whale Wars, espécie de reality show do canal Animal Planet sobre a Sea Shepherd. "São riscos que você precisa correr."
Segundo Watson, as estratégias da ONG permitiram salvar dezenas de milhares de baleias. A última ofensiva ocorreu em abril e frustrou a campanha anual de caça às baleias do Japão. Os baleeiros, que tinham uma cota de 935 animais para abater, mataram 507. Na guerrilha marinha, em janeiro, a equipe da Sea Shepherd lançou sua superlancha contra um baleeiro. O barco da ONG naufragou. "Barcos podem ser repostos, mas as baleias não", diz Watson. O capitão da lancha Pete Bethune, está retido no Japão, aguardando o veredicto do julgamento em que é acusado de ter invadido o arpoador. Pode pegar 15 anos de prisão.
Watson se defende das acusações de uso de violência. "Se eu fosse terrorista, estaria na prisão. O fato é que nunca ferimos ninguém e eu realmente não ligo para o que as pessoas falam."
Ele diz que seu trabalho está longe de acabar, porque países como Japão, Noruega e Islândia ainda caçam baleias para consumo de carne, usando como pretexto "fins científicos". No fim deste mês, a Comissão Internacional da Baleia pode liberar a caça com uma cota máxima. "É uma organização inútil", critica Watson. "Mas é a única que temos, precisamos nos ater a isso. Leis internacionais eficazes deveriam existir, mas não há vontade política dos países para isso."
Você não tem como dividir a vida com um animal e não notar que ele tem emoções
Jane Goodall | Chimpanzés

Na infância, o livro preferido da britânica Jane Goodall, maior especialista em chimpanzés no mundo, era Tarzan. "Sempre achei que faria uma Jane melhor para ele." A garota costumava provocar risos quando falava do sonho de ir para a África. "Não tínhamos dinheiro. Mas minha mãe apoiava minha paixão por animais e dizia: "Se você trabalhar duro, achará o caminho"."
A falta de recursos impediu Jane de cursar Biologia. Trabalhava como secretária em Londres em 1957, quando uma amiga de escola escreveu contando que a família se mudara para o Quênia e a convidou a ir para lá. "Trabalhei de garçonete até economizar para a passagem de navio."
No Quênia, Jane descobriu que o arqueólogo Louis Leakey estava no país para estudar fósseis humanos e o procurou. "Ele notou que eu respondia a todas as perguntas sobre animais e me levou para estudar fósseis na planície de Serengueti, Tanzânia."
Leakey decidiu que Jane faria o primeiro estudo mais profundo sobre chimpanzés do mundo, em busca de semelhanças com humanos. Ela, porém, ficaria só, porque Leakey precisava voltar ao Quênia. Jane teve de criar sua própria metodologia. "Só conseguia observá-los a grandes distâncias. Se não descobrisse nada em seis meses, sabia que seria o fim dos recursos e da pesquisa."
No quinto mês, os chimpanzés finalmente perderam o medo. E permitiram a Jane fazer descobertas, como, por exemplo, de que eles não eram vegetarianos como se pensava e se alimentavam de pequenos animais, ou então que sabiam fabricar e usar ferramentas. Ela também afirmou pela primeira vez que chimpanzés tinham emoções e personalidades diferentes e deu-lhes nomes, como Flo e Goliath. Flo, que deixou Jane até assistir aos seus partos, ficou tão conhecida que em 1972 mereceu um obituário no jornal Sunday Times.
Graças a Leakey, Jane entrou direto no doutorado em Cambridge. "Me foi dito que tudo que eu tinha feito estava errado, que não deveria falar que animais têm personalidade", conta. "Ainda bem que, na infância, tive um professor que me mostrou que isso não era verdade: meu cachorro. Você não tem como dividir a vida com um animal e não notar que ele tem emoções."
As convicções de Jane inspiraram cientistas em todo o mundo. Em 1977, ela criou, em Gombe, o Jane Goodall Institute e passou a receber pesquisadores. Nos anos 80, quando a caça clandestina e o desmatamento ameaçavam dizimar os chimpanzés, mudou a atuação de cientista para conservacionista. Hoje passa cerca de 300 dias viajando, lutando pela aprovação de leis e visitando programas de educação ambiental que criou em 120 países. "Esta é a contribuição mais duradoura. Poderia morrer tentando proteger chimpanzés, mas, se nós não tivermos as próximas gerações para serem ainda melhores nesta tarefa, então não haveria sentido, não é?"
Não temos nem carro em Londres. Preferimos investir nos tigres
Li Quan | Tigres asiáticos

Em 1998, a chinesa Li Quan fez um safári na Zâmbia. "Queria desesperadamente ver um leopardo na selva. Não vi nenhum. Talvez eles soubessem que eu iria voltar de qualquer forma." No começo dos anos 2000, Li largou uma carreira promissora na indústria da moda - era executiva da Gucci - para criar um projeto milionário (e polêmico) de conservação dos tigres chineses.
Esses animais praticamente não existem mais em seu hábitat na China. Com dinheiro do marido, um investidor multimilionário, Stuart Bray, Li comprou quatro tigres mantidos em cativeiro e uma reserva de 30 mil hectares na África do Sul, onde os animais podem procriar e reaprender a caçar. Gastou US$ 6 milhões na reserva, que tem custo anual de US$ 1 milhão. Os tigres já deram cinco filhotes e alguns estão prontos para ser reintegrados em reservas chinesas em 2011.
"Quando você faz algo bom, é atacado; quando não faz nada, fica tudo bem", diz Li, sobre as críticas à relação custo-benefício do projeto. "Eu e meu marido nem temos carro em Londres, usamos transporte público, não nos importamos com luxo e casas. Preferimos investir em algo que realmente necessita, e os tigres precisam de ajuda."
Por milhares de anos, os animais nos viram como inimigos. Lá eu era um membro da família
Lu Zhi | Pandas
LU ZHI, The panda ProtectorA maior parte dos cientistas que pesquisam pandas gigantes passa meses a fio na floresta na esperança de ver um. A conservacionista chinesa Lu Zhi, de 45 anos, teve mais sorte. Em menos de uma semana de seu primeiro estudo de campo na Faculdade de Biologia da Universidade de Pequim, Lu, então com 19 anos, viu três pandas. Nos últimos 25 anos, ela se notabilizou como a maior defensora desses ursos.
Lu entrou na faculdade aos 16 anos. Na época, só um professor tinha estudo de campo, Pan Wenshi, auxiliar do conservacionista americano George Schaller em pesquisas sobre pandas. Lu juntou-se a eles num trabalho que previa a contagem dos pandas em seu hábitat, a floresta de Qinling, oeste da China. A ideia era estudar como os ursos faziam a digestão do bambu e procriavam. O grupo descobriu que, ao contrário do que se acreditava, eles não tinham problemas de procriação no seu hábitat. "Em zoológicos os machos não sabem procriar, porque vivem isolados e os filhotes não aprendem observando adultos."
Lu foi quem mais se aproximou dos pandas de Qinling. "Foi difícil, eles são tímidos, temem humanos. Eu os seguia pela floresta, tentava imitar seus chamados com a voz." Uma das fêmeas, Jiao Jiao, permitiu à pesquisadora acompanhar de perto três gestações - na última, deixou Lu entrar na sua toca. "Por milhares de anos, os animais viram humanos como inimigos. Lá eu era um membro da família."
A chinesa passou seis anos num rústico acampamento de madeireiros, sem eletricidade nos invernos rigorosos e muitas vezes sem cama. "Não tínhamos tempo para nos preocupar. À noite a única coisa em que pensava era qual seria a montanha a explorar na manhã seguinte."
Ajudada por ONGs, Lu escreveu ao governo chinês, que, em 1995, declarou Qinling reserva nacional, preservando a floresta e os pandas da ação dos madeireiros. "Mesmo que eles não derrubassem os bambus, o tronco depende da cobertura vegetal para permanecer fresco e macio. E o panda não consegue comer o bambu endurecido."

O flash da câmera fez a onça avançar. Só tive tempo de me meter entre ela e a turista
Peter Crawshaw | Onça-pintada
Walfrido Tomás/Embrapa
O maior defensor da onça-pintada do Pantanal foi caçador na adolescência. Peter Crawshaw Junior, de 58 anos (apesar do nome, esse neto de ingleses é brasileiro), aprendeu com o pai a lidar com armas e cães farejadores em Uruguaiana (RS), onde se embrenhava no mato atrás de ratões-do-banhado. Ainda guarda um quê de caçador. "A melhor fase da minha vida foi quando seguia a cavalo matilhas de cães treinados para encontrar onças no Pantanal nos anos 80." Nessa época, porém, os felinos já tinham virado seu objeto de estudo.
A ligação de Crawshaw com a pesquisa de onças vem da época de estudante de Biologia na Universidade do Vale do Rio dos Sinos. O brasileiro soube que o biólogo americano George Schaller viria ao Brasil para estudar onças no Pantanal e escreveu para ele. Os dois começaram a trabalhar juntos em 1978, usando uma técnica inédita trazida por Schaller ao País, a radiotelemetria, que consistia em colocar coleiras nos animais para rastreá-los por meio de ondas de rádio.
O uso da radiotelemetria só foi possível graças a um mateiro caçador do Pantanal, seu Manuel Dantas. Após meses de espera numa fazenda da região de Corumbá (MS), os três viram a primeira "pintada", acuada por cães em uma árvore. Tinha sido atraída pelo mateiro, com uma cabaça. "Conforme a situação, ele imitava com perfeição a fêmea para chamar um macho. Mas sabia provocar a onça macho, imitando outro que estaria invadindo o território." Schaller alvejou a onça com um dardo de sedativo. Crawshaw ajudou a tirar medidas e colocar a coleira.
O brasileiro usou essa técnica para estudar dezenas de felinos em todo o País até 1984. A essa altura, Schaller já deixara o Brasil rumo à China, para pesquisar pandas. De 1985 a 1990, Crawshaw fez mestrado e doutorado na Universidade da Flórida, sobre pintadas e jaguatiricas que estudou no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná.
Foi lá que passou seu maior apuro: teve de lutar com uma onça, escapando de lesões graves. Ele terminava de capturar uma fêmea quando um grupo de turistas chegou. "Com a onça já quase recuperada da anestesia, uma turista quis tirar uma última foto. O flash fez a onça avançar. Só tive tempo de me meter entre ela e a mulher." Crawshaw escorregou. Ao se levantar, não viu que o animal estava prestes a atacá-lo pelas costas. "Por sorte, meu pai teve a coragem de segurar a onça pelo rabo." Pai e filho se refugiaram num carro. Crawshaw teve cortes em todo o corpo e um dedo quebrado. O pai levou uma mordida na perna.
Crawshaw hoje pilota projetos de pesquisa e proteção a onças no Pantanal e na mata atlântica. Graças ao seu trabalho de conscientização, a população da espécie, que corria risco de extinção, se recuperou. Mas ainda precisa de atenção. Com o hábitat cercado por fazendas, o animal virou predador de gado. "Para defender seus bois, muitos fazendeiros ainda matam as onças."
O legal é que esse trabalho com as araras-azuis serve de exemplo para toda uma geração de biólogos 
Neiva Guedes | Arara-azul

Pelos cálculos da bióloga Neiva Guedes, a população de araras-azuis do País cresceu de 1,5 mil exemplares para 6,5 mil desde o fim dos anos 80. Parte desse aumento se deve ao Projeto Arara Azul, criado por ela. Quando Neiva começou a se interessar pela espécie, em 1989, praticamente não havia bibliografia disponível sobre essas aves. "Uma das primeiras coisas que descobrimos foi a cumplicidade dos casais: eles raramente se separam e dividem as tarefas de cuidar do ninho e alimentar os filhotes."
Outra descoberta da bióloga diz respeito à baixa taxa de reprodução da espécie. A maior parte dos casais procria a cada dois anos. A fêmea põe, em média, dois ovos e só um filhote costuma sobreviver. Essa característica contribuiu para colocar a arara-azul em risco, aliada à derrubada de árvores como manduvis, onde as aves fazem ninhos.
Neiva não descobriu cedo a vocação. Só resolveu prestar vestibular para Biologia quando não passou na seleção para Medicina. "Decidi depois que queria estudar algum animal no Pantanal, mas não tinha uma predileção."
Em 1989, durante um curso no Pantanal, a bióloga viu uma árvore com cerca de 30 araras-azuis e soube que as aves corriam sério risco de extinção. "Sempre digo que foi amor à primeira vista. Pensei em fazer algo para elas não desaparecerem, para que outras pessoas pudessem vê-las."
No começo, Neiva ia para o Pantanal de carona, andava a pé perguntando aos fazendeiros se tinham visto araras. Hoje a ONG tem cinco funcionários, uma sede, o Refúgio Caiman, cedido pela família Klabin, e três veículos. "O legal é que esse trabalho serve de exemplo para toda uma geração de biólogos. E o envolvimento da comunidade faz a diferença. Nunca fui só de lutar pelo lado científico."
Como sobe para respirar mais vezes, o filhote de peixe-boi é presa fácil 
Vera da Silva | Peixe-boi
DivulgaçãoEm 1974, quando o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) começou o Projeto Peixe-Boi, Vera da Silva já estava na instituição - era estudante de Biologia. O projeto evoluiu e deu origem à divisão de mamíferos aquáticos do Inpa, onde, além do peixe-boi, são estudados também botos e ariranhas. Com núcleos espalhados pelo Acre, Roraima e Rondônia, o centro é referência mundial na pesquisa de mamíferos de água doce.
Vera diz que uma das principais dificuldades do projeto de preservação do peixe-boi está ligada ao histórico de superexploração do animal. "O peixe-boi é uma espécie importante para a população ribeirinha da Amazônia e sempre foi uma mercadoria muito apreciada, desde a época do Brasil colônia", diz Vera. Ela conta que há relatos do padre José de Anchieta e de José Bonifácio de Andrada e Silva sobre o grande número de peixes-bois capturados na Amazônia. "Os índios já utilizavam o couro do peixe-boi para fazer zarabatanas e escudos. Mas a ameaça veio mesmo quando os portugueses descobriram que ele tinha carne saborosa, gordura abundante e couro resistente."
Vera afirma que entre 1930 e 1950 o couro teve até aplicação industrial. Foi muito utilizado na fabricação de correias de máquinas de todos os tipos. "Minha mãe tinha uma máquina de costura movimentada por uma correia de couro de peixe-boi."
A pesquisadora hoje é presidente da Associação Amigos do Peixe Boi (Ampa), criada para facilitar atividades como o resgate de animais feridos ou mantidos em cativeiro, a conscientização das populações ribeirinhas e a reintrodução no hábitat de origem dos mamíferos encaminhados às unidades do Inpa - geralmente filhotes.
"Como os filhotes têm de vir à tona mais vezes para respirar, tornam-se presas fáceis. Além disso, servem de isca para a captura das mães. Elas estão sempre ao lado dos filhotes, porque os amamentam por dois anos." Outra característica que facilita a captura é a de que, por ser herbívoro, o peixe-boi se concentra em várzeas. Lá viram alvo do homem, seu maior predador.
"Hoje as pessoas estão muito mais conscientes, sabem que a espécie é ameaçada de extinção. E os celulares tornaram tudo mais fácil. Quando recebemos um chamado, ligamos para o Ibama e pedimos o resgate na hora", diz. "Antes, quando chegávamos, animal já estava morto." 
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publicado por Maluvfx às 12:57
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O verde segundo Lobato
Escritos do criador de Emília incluem defesa de florestas.

Os apontamentos críticos de um dos maiores escritores brasileiros não podem passar despercebidos neste Dia Mundial do Meio Ambiente. Mais do que um grande autor de histórias infantis, Lobato, atento às principais questões de seu tempo, foi um articulista ousado e perspicaz, engajando-se em diversas campanhas.
Militou pelo petróleo – o que lhe rendeu três meses na prisão, durante o Estado Novo de Getúlio Vargas –, criticou o latifúndio e defendeu o ambiente em seus escritos. Na época, Lobato não tinha como prever a poluição que o petróleo causaria. Ambas as campanhas, pelo ouro negro, como pela preservação do verde, eram fruto de suas ideias nacionalistas.

Utilizando uma retórica ácida, permeada de sarcasmo e ironia, já em Urupês criticou as queimadas como método de preparo da terra para o plantio. No conto Velha Praga, Lobato se mostrava indignado diante da preocupação da elite letrada brasileira com o custo dos soldados na I Guerra Mundial na Europa, enquanto as queimadas causavam enormes prejuízos ainda não mensurados: destruíam as “velhas camadas de húmus”, “os sais preciosos”, que seriam levados pelas enxurradas, as aves e animais silvestres, que perderiam seu habitat, e a falta de pasto para o gado. O responsável por tal situação seria o caboclo, “o sacerdote da Grande Lei do Menor Esforço”. Lobato se refere ao caboclo como um parasita (tal como o fungo urupê, conhecido também como orelha-de-pau), um “piolho da terra”, que só se aproveitava da natureza, colhendo seus frutos, realizando agricultura por meio da coivara e, quando a terra se exauria, abandonava o local, procurando outro sítio para recomeçar, com os mesmos métodos, a luta pela vida. Entretanto, mais tarde, em sua obra, Lobato fez as pazes com o caboclo, reconhecendo que ele não era o culpado da ignorância e miséria, que levavam a processos destrutivos do ambiente, e sim a estrutura fundiária arcaica em que estava inserido.

Em Bucólica, outro conto de Urupês, Lobato critica a poluição das cidades, em que as pessoas respiravam um “indecoroso gás feito de pó”, ignorando os benefícios do ar puro das matas. No início do século, com a urbanização crescente, o surgimento do automóvel e o princípio da industrialização, as questões ambientais já eram tema debatido no centro do país. No entanto, o autor não era contrário ao progresso, muito pelo contrário, essa foi a principal causa pela qual militou, principalmente por meio de sua literatura infantil, pois considerava que somente as crianças e jovens, futuros adultos, poderiam tirar o país do atraso. Seus livros para esse público eram, acima de tudo, educativos, porém de forma lúdica, através de uma narrativa que dava direito de fala à criança.

Talvez seja em A Onda Verde que Lobato melhor explore os problemas ambientais da época. Como um nacionalista ferrenho, não pode se eximir de denunciar a destruição das “florestas virgens”, digeridas pela “árvore que dá ouro”: o café. Lobato aponta os bandeirantes (antigos e modernos) como culpados, “almas fechadas ao contemplativismo”, pela derrubada de jequitibás e perobeiras milenares. A ambição humana “preferia à beleza da desordem natural a beleza alinhada da árvore que dá ouro”. Outra denúncia importante do livro é o “grilo”, que, segundo Lobato, é o “precursor da onda verde”. Tirando o direito do nada, o grileiro é o sinal do fim de um tempo. Com sua chegada, acabam costumes dos antigos moradores da região, acabam a floresta, e a fauna, em troca dos extensos cafezais.

Em Homo Sapiens, um dos ensaios de A Onda Verde, num estilo panfletário e irônico, Lobato condena o homem pela pesca com armadilhas, as arapucas, mundéus, ratoeiras, o aprisionamento de pássaros em gaiolas, as carroças e arreios com que os cavalos eram presos, a caça das baleias com arpão e aos outros animais a tiros, os incêndios dos campos e matas, a drenagem dos pântanos, enfim, por todo o mal causado aos animais. O homem, movido pela ganância, torna-se “lobo de si próprio”, numa referência hobbesiana, pois suas ações contra a natureza acabam vitimando a si mesmo. A solução de Lobato é conclamar uma revolução dos bichos (muito antes de George Orwell, mas em outro sentido, é claro): “Animais todos da Terra, basta de submissão! Uni-vos!” Um governo dos animais seria “infinitamente mais gentil que a dura realeza humana”, inclusive porque daria maior atenção às crianças, a quem Lobato chamava de “pequeninas vítimas”. Por perceber o descaso com as crianças em sua época, o escritor dedicou-se a elaborar estórias em que elas têm direito de manifestar suas emoções, sentimentos, e dar vazão a toda fantasia que habita o imaginário infantil.

Também na literatura dedicada a elas, Lobato inseriu elementos de sua preocupação ambiental. Em uma passagem de A Chave do Tamanho reaparece a metáfora do governo dos bichos, aliado a uma reflexão sobre a própria humanidade. Na voz de Emília, Lobato compara a Terra a uma pulguinha na imensidão do universo; o homem, nesta pulguinha “é uma poeirinha malvada”. Se a humanidade acabasse, os animais ficariam muito contentes, porque o “homo sapiens era o que mais atrapalhava a vida natural dos bichos”, ideia transmitida através do Visconde de Sabugosa.

Em Memórias da Emília, livro em que a boneca resolve escrever “as histórias de sua vida”, há uma passagem interessante, na qual explica para o anjinho de asa quebrada (personagem de Viagem ao Céu) “as coisas da terra”. Emília esclarece que árvore é “uma pessoa que não fala; que vive sempre de pé no mesmo ponto”, e que só sai do lugar quando surge o machado, “o mudador das árvores”, que muda até o nome delas, pois, quando ele passa perto, as árvores viram lenha; é um “diabo malvadíssimo”. Através de Emília, Lobato critica também o uso de animais como cobaias em experimentos científicos. Ela considera isso um “desaforo”, porque o cão é o animal “mais amigo do homem”, o símbolo da fidelidade.

A partir de seu olhar crítico, guiado pelo nacionalismo, Lobato tocou nos problemas ambientais mais importantes da época em que viveu. Já havia poluição e destruição da natureza, nos anos 1920; ela se intensificou ao longo do século pelo desenvolvimento sem controle da indústria, pela falta de planejamento urbano e pelos estímulos ao consumo desenfreado, até chegar aos níveis que somos obrigados a suportar hoje. O grande mérito de seus escritos foi instigar seus contemporâneos à reflexão sobre o que estava acontecendo. Eles podem inspirar-nos na busca de soluções para os desafios de hoje, muito maiores, é claro, e que passam por uma séria mudança de conduta dos consumidores, mas também por uma revisão dos processos políticos e econômicos em âmbito global.

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publicado por Maluvfx às 12:36
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