Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012
Reportagem: Conferência Internacional de Direitos dos Animais


Acabou no domingo a 
Conferência Internacional de Direitos dos Animais, um evento que juntou centenas de ativistas de dezenas de países no Luxemburgo. Vários temas de interesse foram abordados nos debates e oficinas que decorreram durante estes dias. Foram tempos intensos de discussão e troca de experiência, intermediados pelas necessárias refeições veganas e os não menos necessários momentos de convívio.

Fazer um resumo extensivo de tudo o que foi dito nesta conferência seria um trabalho impossível para a representação do NOA presente, pelo que optamos antes por escolher alguns dos temas abordados nas apresentações.
O sacrifício de animais no altar da ciência
Silke Bitz, da Médicos Contra a Experimentação Animal da Alemanha, apresentou a farsa por detrás da experimentação animal.
Só na União Europeia, mais de 12 milhões de animais são usados e mortos na experimentação animal. Estes animais são usados com os objetivos de testar a segurança de fármacos e outros químicos e tentar encontrar novos tratamentos para doenças humanas. No entanto, devido a diferenças anatómicas, fisiológicas, metabólicas e na reação a químicos e fármacos, a extrapolação dos resultados da experimentação animal para humanos é arriscada. Muitos exemplos foram dados de substâncias que são nocivas para alguns animais e não para humanos, que são nocivas para humanos mas não para outras espécies e que causam malformações em muitas espécies, incluindo a humana, mas não em coelhos ou em macacos.
Só na Alemanha, das 210.000 entradas anuais nos hospitais, 60.000 mortes ocorrem devido a efeitos secundários indesejados de fármacos.
Silke Bitz apresentou também a farsa da metodologia de mimetizar doenças humanas em outras espécies de animais e mostrou técnicas que podem ser utilizadas e desenvolvidas para uma ciência médica baseada no estudo do ser humano.
Por fim, a médica e cientista alertou-nos para a necessidade de uma mudança de paradigma na ciência médica, no sentido da prevenção de doenças através da promoção de estilos de vida mais saudáveis.
Ainda dentro do tema da vivisecção, o ativista Tino Verducci apresentou a campanha “Salvemos os cães da Green Hill”, que tem somado vitórias na luta contra este centro de criação de beagles para uso em experimentação animal. A campanha iniciou-se em 2010 e teve como momentos altos as invasões da Green Hill, em que ativistas se colocaram no telhado das instalações, dando entrevistas para a comunicação social enquanto se ouviam os latidos dos cães aprisionados.
A 28 de abril deste ano, a campanha atingiu o seu cume com uma manifestação em frente à Green Hill em que se juntaram mais de mil pessoas. De forma espontânea, as pessoas decidiram invadir o biotério e libertar dezenas de cães. As imagens de cães a passar por cima do arame farpado, apoiados em dezenas de mãos, correram o mundo e ficaram como um símbolo da luta pela libertação animal.
Com toda a polémica que foi possível gerar em torno da experimentação animal a partir desta campanha, a causa anti-vivisecção cresceu a olhos vistos, com dez mil pessoas a manifestarem-se em Roma e milhares de outras no resto do país. A libertação dos cães iniciou um processo de desmantelamento da Green Hill, tendo as instalações entretanto sido encerradas devido a irregularidades e os restantes cães sido dados para adoção. A luta ainda não acabou, contudo, dado que a Green Hill pode ainda reabrir e que ainda há outros biotérios no país.
Veganismo vs carnismo
O tema do veganismo como ideologia e sistema de crenças foi abordado primeiramente por Jeanette Rowley, doutoranda em Direito na Universidade de Lancaster e fundadora do grupo Vegan Equality. Rowley apontou que as declarações da ONU e da União Europeia sobre direitos humanos prevêem o direito de manifestarmos publicamente as nossas crenças, religiosas ou não, assim como o direito dos pais educarem as suas crianças de acordo com as suas convicções religiosas ou filosóficas. O desafio está, então, em forçar o sistema legal a reconhecer que o veganismo é uma ideologia, oposta ao carnismo, e que, nesse sentido, devem ser desenvolvidos mecanismos legais para prevenir a discriminação dos/as veganos/as.
Segundo a corrente lei, o veganismo deveria ser protegido enquanto sistema de crenças. No entanto, assinala Rowley, ainda não há opções veganas nas prisões e são raros os locais de trabalho com cozinha onde comida vegana esteja disponível. Nesse sentido, é fulcral defender os direitos dos veganos, pela via legal e através de campanhas que criem a pressão para que a palavra “vegana” entre na lei.
A conferência contou ainda com duas apresentações de Melanie Joy, psicóloga social, autora do livro “Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows” e fundadora da Carnism Awareness and Action Network (CAAN). Joy falou sobre a psicologia de comer animais e sobre o empoderamento pessoal e político.
A nossa resposta usual a atrocidades é apagá-las da consciência. Melanie Joy explica-nos como o nosso sistema de crença é construído e solidificado no contexto social em que nascemos e crescemos. Explica também como essas crenças afetam a nossa perceção do mundo, as nossas emoções e, por último, o nosso comportamento. A CAAN explica como é que a indústria animal é apenas possível através de uma ideologia opressora e, necessariamente, violenta e, portanto, veganismo versus carnismo é uma questão de justiça social. Aqui é possível ver uma gravação da apresentação.
Existem dois tipos de defesas que emergem quando a ideologia dominante é posta em causa. Uma são as defesas primárias que falam não verdades sobre a ideologia dominante (ex. carnismo). Outra são as defesas secundárias que falam não verdades acerca da ideologia que põe em causa a dominante (ex. veganismo).
O aumento que observamos nas defesas secundárias são um sinal do sucesso da ideologia vegana sobre a ideologia carnista. Um outro sinal de sucesso é o facto da indústria carnista já não conseguir fazer passar por verdades as suas defesas primárias. Tal está a levar à transição do carnismo ao neocarnismo. No neocarnismo temos conceitos como carnismo compassivo, ecocarnismo ou biocarnismo.
Para o/a ativista vegano/a é importante não interiorizar as defesas dos/as carnistas e ter consciência de que o reforço das defesas do carnismo e o neocarnismo são respostas ao sucesso do veganismo. Outro cuidado essencial de quem luta contra qualquer tipo de violência é evitar a sobre-exposição à violência para evitar stress traumático secundário – não como vitima direta, mas como testemunha da violência. Se tiver pesadelos, se lhe vierem imagens chocantes à mente sem qualquer motivo aparente, pare de se expor à violência. Um(a) vegano/a saudável é um(a) vegano/a eficiente!
Por fim, Joy deixou-nos com a importância do veganismo proativo em vez do veganismo reativo.
No veganismo reativo, a pessoa vegana interioriza o carnismo; interioriza a sua opressão, onde as suas necessidades são menos válidas e importantes que as da pessoa carnista; ou interioriza o privilegio; interioriza a vergonha, sentindo-se menos do que os outros; ou a grandiosidade perante a carnista. No veganismo proativo, a pessoa vegana age com curiosidade perante a pessoa carnista, querendo conhecer as suas opiniões; age com compaixão, respeitando o lugar onde cada pessoa está a cada momento; e com orgulho por ter chegado onde está.
Porque a maior mentira de todas é que as pessoas não se importam, devemos sempre respeitá-las, exigindo também o mesmo respeito.
Media e direitos dos animais
A apresentação deste tema coube à ANDA – Agência de Notícias de Direitos dos Animais. Desde a sua formação, em 2008, a imprensa brasileira tem dado muito mais atenção ao tema dos Direitos dos Animais. Neste sítio de notícias encontram-se diversos temas, como cultura, desporto e economia, sempre na perspetiva dos direitos dos animais.
Nestes anos a ANDA conseguiu que três estilistas banissem as peles das suas coleções; que alguns deputados revisem as suas propostas de lei, depois da ANDA publicar algumas notícias sobre os circos e animais abandonados; que o principal jornal do Brasil reproduzisse na primeira página uma notícia da ANDA sobre um caso de maus tratos a gatos/as.
Esta agência já tem mais de 20.000 visitas por dia, 40 colunistas e é visitado por mais de 80 países. Em Portugal, já 2.000 pessoas visitam diariamente este sítio. Para além de notícias, a ANDA está a lançar dois livros e um jogo de vídeo.
O preço da eficácia: repressão e perseguição policial
A partir do momento em que começam a tornar-se uma séria ameaça para os grupos de interesse que vivem da exploração animal, os movimentos de direitos dos animais correm o risco de serem criminalizados e alvo de repressão policial. É um erro pensar que isto apenas acontece com grupos que recorrem à destruição de propriedade e outros métodos de ação direta, como a Animal Liberation Front. Os casos espanhol e austríaco demonstram como qualquer grupo de defesa dos animais pode ser rotulado como violento por governos influenciados pelas indústrias da carne e da vivisecção, independentemente das táticas escolhidas.
O caso austríaco foi apresentado com a exibição do filme “Der Prozess”, que relata a prisão de 10 ativistas pelos direitos dos animais. A detenção seguiu-se ao raide policial de 21 de maio, quando casas de ativistas e sedes de movimentos foram invadidos pela polícia e material de campanha apreendido. No processo que se seguiu, foi revelado que os/as ativistas estavam a ser vigiados há muito tempo, através de escutas telefónicas e polícias infiltrados no movimento.
O processo foi revelador da extensão da perseguição política em causa, na medida em que foram apresentadas provas falsas de crimes, incluindo um comunicado reclamando a autoria de um ato de incendiarismo que nem sequer tinha acontecido na realidade. Finalmente, ao fim de 110 dias na prisão, os/as 10 ativistas foram todos libertados, sem que qualquer acusação tivesse sido feita.
Uma situação semelhante ocorreu em Espanha recentemente, explicou Sharon Nuñes, da Igualdad Animal. A 22 de junho deste ano, a casa de Nuñes foi revistada e ela foi presa, conjuntamente com 11 outros/as ativistas da Igualdad Animal e da Equanimal. Centenas de polícias foram mobilizados e entraram nas casas fortemente armados e com a cara tapada.
Os ativistas detidos foram levados para diferentes prisões, onde ficaram incomunicáveis durante três dias. Depois de uma greve de fome, os/as ativistas foram levados a tribunal e três ficaram em prisão preventiva. Apenas a 13 de julho estes saíram em liberdade, depois de um recurso em tribunal.
Até hoje, os/as acusados/as continuam sem saber ao certo quais são as acusações pelas quais terão de responder. Sabem apenas que terão a ver parcialmente com um resgate de martas destinadas à produção de peles, não relacionado de todo com as organizações visadas. Outras acusações incluem invasão de propriedade privada e desordem pública, relacionadas com as ações de desobediência civil pacíficas levadas a cabo pelos movimentos, como o resgate de animais e a invasão de passereles durante desfiles de moda com peles.
Durante os últimos meses, a comunicação social e o juiz responsável pelo caso por várias vezes apelidaram os ativistas como “ecoterroristas”, criminalizando desta forma todo o movimento pelos direitos dos animais. Este caso mostra a necessidade de defender a legitimidade desta luta, e foi com este fim que foi criada a campanha Unidos Contra la Repressión del Movimiento de Derechos Animales.
Violência e educação especista
Romina Kachanoski, mestre em Psicologia Social pela Universidade Autónoma de Barcelona, mostrou-nos como a visão antropocêntrica do mundo conduz ao especídio – o sistemático extermínio ou remoção de todos ou parte dos animais, porque pertencem a uma espécie diferente. Falou-nos também de dois tipos de violência que infligimos a outras espécies de animais: direta e indireta.
Exemplos de violência direta são a violência física, psicológica, espacial, linchamento e nefligência. Já violência indireta é aquela que é colateral, estrutural ou discursiva.
Os exemplos de violência e especídio mostrados deixaram toda a audiência num carregado silêncio.
Samuel Guerrero, professor primário no País Basco, Estado Espanhol, falou sobre a educação especista. Na sua escola, Guerrero tem tentado combater o especismo que invariavelmente se encontra como normativo nos materiais de educação, em jogos, histórias e canções infantis.
Não só a escola, mas também a família, a sociedade e os medias são meios pelos quais interiorizamos o especismo. Quando deixamos de ver, ouvir e pensar pela lógica especista, somos levados/as ao veganismo.
Dia 5 de Junho é o dia contra o especismo. Vamos celebrá-lo.
O debate estratégico
O debate sobre estratégias a seguir na defesa dos direitos dos animais arrancou com uma apresentação de Jan-Harm de Villiers, filósofo da Universidade da África do Sul, sobre a teoria dos direitos dos animais. Para o filósofo, a defesa de direitos dos animais baseada em comparações com o ser humano é inconsisente e paradoxal.
De Villers salientou como é comum encontrar no discurso sobre direitos dos animais a distinção entre humanos e animais, criando uma separação entre um animal (o ser humano) e os outros que é artificial e antropocêntrica. Não menos antropocêntrica é a ideia de que os animais devem ter direitos com base em traços comuns com os humanos, como a capacidade de sofrer ou a racionalidade, conforme é defendido pelo filósofo Peter Singer ou pelo jurista Gary Francione.
Esta ideia apresente dois grandes problemas. O primeiro é que a similaridade entre humanos e alguns animais não é algo que possa ser estabelecido objetivamente, pelo que qualquer argumento a favor dos direitos dos animais feito nessa base será questionável. O segundo é que argumento dado para dar direitos a alguns animais também pode ser dado para negar direitos a outros animais. Assim, o ativismo baseado nesta abordagem pode conseguir algumas reformas que melhoram o bem-estar dos animais, mas apenas à custa de tornar mais difícil conquistas posteriores.
Mesmo o argumento da senciência como base para a atribuição de direitos não está livre de problemas, salientou de Villiers. Por um lado, porque os animais sofrem todos de forma diferente e há diferenças qualitativas que são ignoradas ou menosprezadas pela abordagem utilitarista de Singer. Por outro, porque a comprovação do sofrimento animal é feita mediante experiências dolorosas em animais, as quais, para mais, são sempre inconclusivas nos termos definidos pelos cientistas e acabam por perpetuar a mentalidade que pretendemos abolir.
O tema da violência na luta pelos direitos dos animais foi abordado porElizabeth deCoux, jurista na Florida Coastal School of Law, EUA. A jurista começou por explicar que o termo violência, nos sistemas legais norte-americano e europeu, estende-se a crimes contra a propriedade. Isto implica que é possível categorizar uma ação de resgate de animais ou de invasão de laboratórios para captação de imagens como sendo violenta.
A semântica é neste caso altamente relevante, já que a palavra “violência” é entendida no senso comum como designando a agressão de pessoas. Consequentemente, quando ativistas de direitos dos animais são julgados por terem invadido propriedade privada, o que passa para a comunicação social é a ideia de que foram responsáveis por um ato de violência, e daí decorre a colagem do adjetivo “terrorista” aos animalistas.
Esta banalização do termo “violência” permite dois grandes ganhos para os exploradores de animais. De um lado, permite descrever todo o ato de exposição da verdade (como colocar na internet um vídeo de um laboratório onde se fazem experiências em animais) como sendo violento. Do outro, permite que os exploradores sejam vistos como vítimas e que os ativistas que recorrem a meios extra-legais para impedir atos de agressão sejam vistos como agressores.
DeCoux deixou ainda uma sugestão para o movimento, acerca de recursos legais a usar em julgamentos por ações de desobediência civil. O argumento do “mal menor”, presente na doutrina legal em todo o mundo, que determina a legalidade de um ato considerado ilegal quando está em causa prevenir um mal maior. A jurista, contudo, alertou para o facto de este argumento nunca ter sido usado com sucesso num julgamento quando estão em causa agressões a animais.
Finalmente, Brendan McNally, veterano do ativismo pelos direitos dos animais e pelo veganismo, apresentou uma palestra dedicada à conciliação do ativismo com a vida no dia a dia. McNally frisou a importância de aprender a lidar da melhor forma com as pressões com que ativistas se deparam, da parte da sociedade, da família, dos empregadores, da comunicação social e dos governos.
O equilíbrio entre ativismo e a rotina diária é indispensável para manter a sanidade mental e a capacidade de raciocínio necessárias para ser um/a bom/boa ativista. Aceitar que não é possível mudar toda a gente, encontrar momentos de felicidade no meio da tragédia presenciada com a exploração animal, valorizar todas as pequenas vitórias, dormir e comer bem e viver uma vida saudável, tudo isto faz parte do ativismo, não devendo ser visto como um empecilho.
A ascensão e a queda do império humano e a guerra aos animais
A conferência contou com duas apresentações do filósofo Steve Best, um dos mais famosos autores sobre direitos dos animais da atualidade. O professor da Universidade de El Paso, EUA, começou por falar sobre a evolução da espécie humana.
Depois de levar à extinção todos os outros homos, o homo sapiens começou a extinguir outras espécies de animais por onde passava. Nesta apresentação, Steve Best designou a invenção da seta como um ponto de viragem na história do ser humano, por ter facilitado a morte de outros animais. De forma muito sucinta, Steve mostra que a agricultura sedentária leva à produção de excessos, o que permite uma organização social diferente de onde surgem as primeiras desigualdades e o patriarcado. Desta forma ele estabelece que o especismo e o patriarcado emergem muito antes das classes sociais. Com isto, alerta-nos para facto de que uma sociedade sem classes não é uma sociedade livre do patriarcado e do especismo.
Seteve Best anunciou a morte da natureza: desde o ar que respiramos, à maçã que comemos, tudo já foi alterado pelo ser humano. Já nada é “natural”.
Apesar de cético em relação à natureza humana que considera violenta, Best afirma que o que pode começar a mudar o mundo num bom sentido é o fim das privatizações e do consumismo de que estão a ser alvo as sociedades dos últimos tempos.
Já no que toca às estratégias para lutar contra a guerra aberta que os humanos impõe aos animais, Best apelou a uma abertura pragmática, que tenha em conta o contexto político e social e que seja plural nas suas táticas. Nesse sentido, o filósofo opõe-se às correntes pacifistas, por serem exclusivas quanto às táticas que são admissíveis no movimento.
Uma aposta ganha
A Conferência Internacional sobre Direitos dos Animais foi claramente uma aposta ganha por parte das organizações que a conseguiram concretizar pela segunda vez. Oportunidades para trocar experiências, aprender e discutir ideias são sempre valiosas. Da nossa parte, ficamos ansiosos/as pela próxima conferência.

Fonte

Animal Rights Conference

O que é o Carnismo?
ANDA » Agência de Notícias de Direitos Animais
Encontro internacional
ANDA marcará presença na Conferência de Direitos Animais em Luxemburgo

De 13 a 16 de setembro
ANDA vai a Luxemburgo participar da Conferência Internacional de Direitos Animais


publicado por Maluvfx às 08:58
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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
O agradecimento dos animais pelo Natal – parte 2
por Marcio de Almeida Bueno
o agradecimento dos animais pelo Natal
Agradeço aos Três Reis Magos que perpetuaram a tradição de presentear nesta época do ano. Só assim eu pude sair daquela gaiolinha solitária, em frente a um vidro onde tanta gente passava e me apontava. Havia outros irmãozinhos, pequenos como eu, mas todos sozinhos em suas gaiolas. Me restava comer, dormir e fazer sujeirinhas ali mesmo, que depois o moço limpava. Agora, alguém me pegou no colo, me encheu de perfume e colocou um laço de fita vermelho no meu pescoço. Na casa nova onde cheguei, minha presença foi motivo de festa, e virei o centro das atenções, com sorrisos, brincadeiras, cafunés. Espero que seja assim para sempre. Espero que algum dia eu possa conhecer a minha mãe, e receber atenção também dela, porque eu nem lembro de se passamos algum tempo juntos. Espero que ela esteja bem.

Obrigado Jesus por ter me destinado a uma família de humanos, que me tratou bem. Cuidei da casa em troca da renovação da água do meu pote, e o direito de comer até o final todas as sobras de comida que alguém me jogava, uma vez por dia, religiosamente. Agora estou um pouco velho, meio doído, mais pateta do que sempre fui considerado ser. Ouvi reclamações nos últimos tempos. Esses dias fui levado a um passeio, no carro da família. Fomos para longe, vi lugares que nunca imaginei ver. Abriram a porta para eu tomar um ar fresco, numa estrada bem movimentada. Foram embora antes que eu pudesse perceber, tentei correr atrás mas a idade já não me permite. Estou aqui há alguns dias esperando, porque acredito que vão voltar para me buscar. Passam tantos carros, tantas famílias iguais à minha, alguns olham, mas ninguém pára. A sede é muita aqui neste acostamento, antes eu latia para os carros que eu acreditava serem da minha família, mas faltam forças. Sigo esperando aquelas pessoas conhecidas voltarem para me buscar e eu poder ir para casa. Eu tenho fé.

Obrigado bom Deus pela floresta e toda a natureza que foi o meu lar desde que nasci. Correr livre não tem preço. Mas, nos últimos tempos, ouço muito barulho, vejo humanos e máquinas fazendo limpeza na floresta. Parece que é tudo em nome do progresso, porque quem mora lá longe precisa das coisas que existem aqui na minha casa. Mas acho que as máquinas estão exagerando, pois muita floresta já não existe. Lugares onde eu dormi, comi, esperei a chuva pasar, agora é só chão, sem árvores para subir ou fazer sombra em dias de calor. Estamos todos indo para o outro lado, pois está perigoso ficar aqui. Nesses lugares onde não existe mais floresta, reparei que há animais diferentes, todos iguais e com chifres, comendo o que há no chão o dia todo. Talvez a gente estivesse ocupando muito espaço, e esses irmãos novos precisassem de lugar para ficar. Eu cedo o meu espaço, mesmo triste pela mudança, porque sei que os humanos estudam muito, e sempre sabem o que é certo, o que nós não entederemos jamais.

Obrigado Nossa Senhora, que um dia usou seu manto para envolver seu filho que nascia, e também quando ele morreu. Eu nem conheço meus filhos, mas dei minha própria pele para envolver e aquecer as costas e os pés de tantos humanos de quem não sei o nome. Vivi um bom tempo só comendo, até o dia que um caminhão veio nos buscar, depois tudo foi confuso e assustador, mas atribuo isso à minha incapacidade intelectual. Vi que outras iguais a mim eram penduradas e a pele era gentilmente retirada, já que os humanos não têm proteção e precisam da minha pele, que é grossa e resistente. Acho que pude recompensar quem me deu comida e espaço durante tanto tempo, ofertando um couro que eu já não mais vestiria, pois a morte já me levara a pastar nos campos longínquos onde habita o Nosso Senhor.

Muito obrigado Jesus pelo meu nascimento. Só acho que a minha mãe não gostou de mim, pois logo eu fui retirado de perto dela. Essa é uma dor que não esqueço. Devo tê-la feito chorar, como um dia você fez sua mãe Maria chorar. Eu ainda ouvi seu choro ao longe, e tenho certeza de que ela está na mesma fazenda que eu, mas não nos deixam nos ver. Agora eu fico parado em um lugar desconfortável, onde mal posso me mexer, e não posso nem deitar para dormir. Meu arrependimento é grande. Gostaria que intercedesse e pedisse que a minha mãe me perdoasse do que quer que eu tenha feito. Acho que já me desculpei, e quando este castigo terminar eu poderia tornar a vê-la, pois sei que mãe e filho devem estar sempre juntos, enquanto este for pequeno. Não sei falar a língua dos humanos, então quando eles se aproximam, eu só tenho o meu olhar. Eles dão risadas – o final do ano é sempre uma época de felicidade para todos – e dizem que minha carne vai estar bem macia. Eu não sei o que isso quer dizer, e prefiro não pensar nisso agora. Prefiro fazer força e lembrar dos poucos instantes que vivi ao lado da minha mãe – ela parecia tão grande e forte – em um lugar que, mesmo cercado, dava para esticar as pernas. Aqui eu não posso me virar, tudo é desconforto. Espero, sinceramente, que a ‘carne macia’ que os humanos falaram signifique a minha liberdade. Se eu pudesse escolher, ficaria comportado em uma manjedoura, sem o castigo de ficar fechado e imobilizado. Peça, Jesus, para a minha mãe me perdoar logo.

Deixo aqui minha gratidão a todos os anjos, pois nada mais honrado a um ser do que que poder abrir mão da própria vida em função da felicidade de outros. Quando nasci eu era tão pequeno, com meus irmãozinhos, e minha mãe era tão grande e gorda, que eu mal via seu rosto. Ali a maioria era grande, mas rapidamente eu tive que ir embora, e não lembro se houve um olhar de despedida da minha gorda mãe. Para onde eu fui, todos estavam de branco. Eu acho que eram anjos, pois colocavam muitos irmãos meus, que pareciam desesperados, para descansar. Ouvi dizer que a câmara fria estava nos esperando, mas eu não queria passar frio. Queria o calor da minha mãe. Queria o cheiro dos meus irmãozinhos de volta – onde estava, só havia cheiro de sangue, pois alguém devia ter se machucado muito. Poderiam ser médicos todos esses que estavam de branco. Enfim, obrigado a todos eles, pois nesta noite tão especial me deixarem descansar por sobre uma mesa bonita. Há velas, risadas e abraços. Eu acredito, do fundo do meu pequeno coração que já não está mais batendo, que eles eram anjos que vieram me buscar.

ANDA


publicado por Maluvfx às 16:25
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Domingo, 6 de Novembro de 2011
Fita rosa nas tetas das vacas e o câncer de mama



Consumo de leite e o câncer de mamaHá poucos dias ocorreu a Semana Mundial do Câncer de Mama, onde campanhas de conscientização no mundo inteiro tiveram o intuito de chamar a atenção para esse grave problema que atinge mulheres em quase todas as faixas etárias, mas principalmente aquelas acima dos trinta anos. O Instituto Nacional do Câncer aponta o estado do RS com a maior incidência e por aqui não faltaram palestras, reportagens e campanhas como a do laço cor de rosa como símbolo dessa luta.

Mas interessante é que em quase todas as notícias referentes a essa campanha de conscientização, a grande maioria enfatizou apenas a prevenção através do auto exame ou da mamografia. Muito pouca ênfase na prevenção através dos cuidados com a alimentação, stress, álcool, fumo, obesidade, reposição hormonal, diabetes e hereditariedade. Mesmo nesse último quesito, como diz o cardiologista Fernando Luchese, os fatores genéticos constituem-se como uma bomba relógio que você tenta desarmar ou não, dependo do estilo de vida que leva.

No RS, onde se consome em demasia muita gordura animal, carne e laticícios, o que pode favorecer a alta incidência desse tipo de câncer. Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Leeds e publicada na revista especializada British Journal of Cancer, com 35 mil mulheres com idades entre 35 e 69 anos, aquelas que passaram da menopausa e comem mais de 103 gramas de carne vermelha por dia ou carne processada, tem 64% mais chances de desenvolver a doença. Já as mulheres em período pós-menopausa que consomem cerca de 57 gramas de carne por dia têm 56% de chance de desencadear o câncer de mama. A pesquisa revelou que mesmo as mulheres jovens têm leve risco de desenvolver a doença se comerem carne vermelha todos os dias.
No livro intitulado “Your life in your hands” (A Tua Vida Nas Tuas Mãos) da professora de geoquímica Jane Plant, a mesma relata sua experiência pessoal de luta e sobrevivência a cinco tumores mamários, que mesmo passando pelas práticas convencionais de tratamento, só veio a ter a cura efetiva após seis semanas de abandono total do leite e seus derivados. Diz ela que a relação entre o consumo de lácteos e o câncer de mama é similar a do tabaco e o câncer de pulmão. E tudo começou, relata ela, numa viagem do seu marido, que também é cientista, à China. Constataram que tal enfermidade era virtualmente inexistente naquele país, onde apenas uma entre 10.000 mulheres morria de câncer de mama. Já no reino Unido morria uma para cada 12 mulheres. E a mesma constatação em relação aos homens e o câncer de próstata, pois a maioria da população chinesa é incapaz de tolerar o leite e por isso não o tomam. Lá não há o hábito de se dar leite de vaca para as crianças. E não pode ser uma simples casualidade que, mais de 70% da população mundial tem sido incapaz de digerir a lactose. E outra constatação interessante é que os chineses ou mesmo os orientais em geral, que adotam os hábitos da dieta ocidental, seja no seu próprio país de origem ou quando passam a morar fora, acabam desenvolvendo esse tipo de câncer.

Segundo a professora Plant, “o leite de vaca é um grande alimento... mas só para os bezerros, pois a natureza não o destinou para ser consumido por nenhuma outra espécie”. O leite só é natural para o filhote que recebe de sua própria mãe esse alimento. Fora disso, torna-se um elemento estranho ao organismo de uma outra espécie adulta que já deixou a fase de amamentação. De todas as espécies mamíferas a humana é a única que comporta-se como filhote mesmo depois de adulta e teima em tomar leite até morrer de velho. Em média, aos três anos de idade perdemos duas importantes enzimas necessárias à decomposição e a digestão do leite, a renina e a lactase. Além desse fato, o leite possui em sua composição alto teor de gordura, caseína e um conveniente e bonito nome para milhões de células somáticas, que nada mais são do que PUS. Não bastasse isso é frequente a contaminação com fezes e pesticidas.
Então está na hora de aprofundar o debate e as campanhas que visam alertar esse grave problema que afeta homens e mulheres do mundo inteiro e inserir nesse contexto o que se evidencia como conseqüência de um hábito tradicional, porém equivocado, em que lá na origem da fazenda transforma fêmeas bovinas em escravas leiteiras, onde seus ventres exaustos e suas mamas judiadas e sugadas são meras máquinas de um lucrativo agronegócio. Alí também tem muito sofrimento e dor nas mamas.

Por Márcio Linck


Fonte


publicado por Maluvfx às 17:51
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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
Ecos do feminismo na libertação animal

Vegano: desobedecendo - Ellen Augusta Valer de Freitas


Recentemente a bióloga e bacharel em comunicação social Tamara Bauab Levai, autora do livro Vítimas da Ciência – Limites éticos da experimentação animal, fez uma brilhante palestra no congresso vegetariano brasileiro sobre ecofeminismo.
Conheci gente que só foi ao congresso para assistir a esta palestra e lamento que eu não tenha podido assistir, pois este tema me fascina. De dentro de nossas bases, como biólogas, temos muito material para falar de como historicamente, biologicamente e economicamente a exploração da mulher e dos animais, da natureza como um todo, tem andado de braços dados. Mas a mulher é a única que tem voz e meios igualitários de se defender perante os demais de sua espécie, ou pelo menos deveria usar destes meios.
Ainda hoje, ser uma “mulher pública” gera o incômodo persistente de que há algo errado com ela. Não pode ser sério, não pode ser dela a fama. É por causa do marido, ela deve ter comprado o diploma, blá-blá-blá…
Será? Vemos isso na política, na sala de aula, em todo lugar. Isso é velho, mas ainda temos de ouvir. Enquanto discutimos sobre isso, ainda pesa no ar o preconceito contra as mulheres e a sutil comparação com a “natureza”, de forma depreciativa.
As mulheres possuem voz. Os animais, não.
Fritjof Capra, em seus livros excelentes, já relatou trechos de biólogos, psicólogos e outros sobre a sutil e inconsciente comparação da mulher com a natureza. Semelhante comparação feita por Tamara Bauab Levai nos seus artigos. E o físico Fritjof Capra, de forma sucinta, compara a exploração da mulher com a exploração da natureza. Segundo suas palavras, assim como o “homem” dominou e explorou a natureza, assim ele pensa em relação às mulheres e a qualquer expressão do feminino. As frases “dominar a natureza”, “explorar e invadir a natureza” seriam aplicadas ao comportamento com relação às mulheres em geral.
De modo que o feminino, sendo reprimido, não teve outra saída senão estar disfarçado por todos os lados, nas igrejas sob símbolos e nas roupas de sacerdotes entre outros modos de expressão sutil. Pois todos temos os lados masculino e feminino, e é natural que estas duas forças se expressem de qualquer modo, mesmo sendo negada.
Estas teorias/constatações, vindas de um físico, de biólogos e psicólogos, já são polêmicas. Mas parece que, quando uma mulher fala deste assunto, as pessoas se incomodam profundamente, como se à mulher coubesse apenas calar. Jamais discutir e denunciar o preconceito vigente. Por quê?
Outro psicólogo aqui do Brasil, Ezio Flávio Bazzo, denuncia em alguns de seus livros a nomenclatura pela qual as mulheres são ostensivamente chamadas e detalhes da natureza humana:
“Assim como em vários recantos deste planeta crianças são mutiladas e deformadas propositalmente por seus familiares e por outros adultos para serem usadas depois como instrumentos de mendicância, durante muito tempo os pés das mulheres chinesas também foram mutilados e diminuídos porque os homens sentiam excitação diante de mulheres com pés de criança. A pedofilia, talvez seja mais antiga que aqueles rochedos vulcânicos sobre os quais os arqueólogos e os paleontólogos tanto têm cacarejado.”
“Coelhinha. Cadela, vaca, cabrita. Esses ‘elogios’ frequentemente dirigidos às mulheres encontram sua expressão máxima no ambiente que os sulistas denominam matadouro.
Matadouro, lá no sul-maravilha é o lugar, como já relatou uma entrevistada, escritório, quitinete, apartamento, motel, garagem, etc., para onde os senhores-de-bem levam clandestinamente suas amantes ou suas meninas para f… [omitido neste artigo, mas não no texto original]… Seria ódio à mãe expresso de forma generalizada contra todas as mulheres?”
A mulher como objeto e os animais como objetos: exemplo de convite para festa. (Reproduzido de Myspace.com)
Segundo ele, essa mania de alguns homens de querer infantilizar a mulher, seja do ponto de vista físico, bem como do ponto de vista intelectual, e de preferir mulheres com comportamento infantiloide, seria uma atitude que denuncia uma preferência por modos infantis. Algumas mulheres entram no jogo, pois para que exista o opressor tem de haver os que voluntariamente se colocam como oprimidos. Já notei que alguns homens não suportam por muitos minutos uma mulher com uma opinião mais arrojada, ou simplesmente com opinião!
E Ezio Flávio Bazzo continua:
“Mãe é mãe… paca é paca… mulher é tudo vaca… a música do Bussunda não é apenas uma brincadeira, um humor negro e uma arte, é o cântico dos cânticos do mundo masculino. Para o homem comum, intelectual, rico, pobre, ignorante etc., a mulher não passa de uma vaca, começando pela mãe e as irmãs, continuando com a professora e terminando com a esposa, as filhas, as amantes. Numa pesquisa realizada numa faculdade da cidade, onde 99% dos alunos são mulheres, 30% do universo pesquisado acham que a mulher, se não é, pelo menos tem algo em comum com as vacas. Mãe é mãe… paca é paca… mulher é tudo vaca… Cantam pelos corredores da história. (…) Mas voltando ao assunto da vaca, desse animal passivo, de olhos tristes, que vive para ruminar e para enriquecer seus gigolôs (os pecuaristas) com leite, chifres, filé mignon e com a própria pele, por que será que as mulheres se indignaram bem mais com a música que as chama de vaca do que com as que as chamam de cachorras?”
Estas incômodas e irreverentes colocações são interessantes para mostrar como a sociedade aceita prontamente certos comportamentos. Como uma sociedade machista e presa a conceitos estreitos de liberdade pode pensar em libertação animal? Ainda estaremos longe de libertar os animais, se continuarmos a ajudar a construir nossas próprias grades. As mulheres ainda estão apoiadas sobre as grades que elas mesmas ajudam a manter. Algumas se orgulham de depreciar as demais. Como se a personalidade pessoal/o cabelo ou a maneira de ser interferisse na qualidade do trabalho, na profissão. Diferente dos animais, que não têm voz, nem escolha dentro do nosso mundo, aqui encontramos um paradoxo, que é o cultivar as próprias grades e se incomodar quando alguém se liberta.
Percebam como o mal prontamente se organiza, o bem é disperso, portanto também é mal.
Os que são contra os animais/mulheres/crianças  estão prontamente organizados e unidos. O restante é omisso e desunido. Triste realidade. Obviamente sei das exceções ao que escrevo aqui.
As palavras deste escritor, em todo seu significado, nos mostra de maneira clara como até mesmo a linguagem é presa aos diversos preconceitos existentes.
Gosto de frisar algumas palavras especistas, pois se fôssemos deixar de usar as palavras especistas, machistas, e de outras classes de preconceitos de nossa linguagem, rapidamente a língua portuguesa estaria fadada à extinção, até mesmo dentro de sua estrutura.
Num próximo artigo, citarei algumas frases misóginas de filósofos em que todos babam e que idolatram, os quais construíram as bases da filosofia moderna. E as relações entre especismo e machismo, além das que foram citadas aqui.
ANDA


publicado por Maluvfx às 18:17
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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010
Jornalismo e direitos animais: como falar do que não se quer ver, mas que está no prato
II Congresso Vegetariano Brasileiro/Especial EcoAgência

Jornalistas Silvana Andrade, da Anda, e Márcio Bueno, da Vanguarda Abolicionista, falaram sobre o papel da mídia na defesa dos animais.
  
RSantini/Vanguarda Abolicionista    
Jornalista Márcio Bueno, da Vanguarda Abolicionista

Por Danielle Sibonis, para EcoAgência de Notícias Ambientais
A relação entre a mídia e os direitos dos animais também foi tema de debate no III Congresso Brasileiro Vegetariano que se encerrou no último domingo (19) em Porto Alegre.  A jornalista Silvana Andrade falou sobre O papel da imprensa na difusão dos direitos animais. Silvana é a idealizadora e diretora editorial da Agência de Notícias de Direitos Animais, a Anda, primeira no gênero no mundo.
Silvana retomou o histórico da cobertura jornalística em relação aos animais, em que há mais de 20 anos a mídia começou a falar da preservação ambiental, sem abordar de animais, porém, há pouco tempo começou a tratar a questão da defesa animal. “A imprensa resiste às novas idéias, mas com o tempo começa a perceber os animais não apenas como benefício”, prova disso, apontou a jornalista, está na quantidade de matérias em que a grande imprensa replicadas do Anda.
A Agência de Notícias de Direitos Animais existe há 18 meses e conta com o trabalho voluntário de 40 colunistas, tem acesso em 75 países, correspondentes na Argentina, Canadá, Estados Unidos, França, Inglaterra e Austrália. Silvana tem o objetivo de futuramente criar o canal ANDA Kids, pelo potencial que as crianças representam para a questão ambiental.
Outro jornalista que abordou a questão foi Márcio Bueno, membro fundador da Vanguarda Abolicionista. “Grande parte da sociedade não entende a exploração, a causa animal, só sabe que discorda e que não quer pensar nela”. Márcio tem a experiência de ir para a rua e tratar do tema, boca a boca e com panfletos e cartazes.
“Animais premiados que custam R$ 10 mil sempre são bem tratados, mas os outros milhões não” – era isto que estava escrito em um dos cartazes que a Vanguarda Abolicionista usou recentemente em uma campanha na Expointer. Márcio comentou a reação das pessoas: “elas não entendem porque estamos lá protestando, acham que todos animais são bem tratados, sem saberem da realidade cruel”. O jornalista lembrou de como é a realidade nestas feiras agropecuárias em que animais são trazidos de longe, de cidades como Uruguaiana, o que causa um stress da viagem que é aumentando pelo confinamento e visitação de centenas de pessoas. Ele citou também o cage madness, a “loucura do confinamento”, em que os animais enlouquecem no cativeiro e passam a comer as fezes e urinas um do outro.
Diante de toda essa realidade que é ocultada da população, Márcio Bueno defende a necessidade de espalhar informações para atingir o maior número de pessoas a fim de sensibilizá-los para a causa. Mais informações sobre o III Congresso Vegetariano Brasileiro na próxima quinta-feira (23/9), partir das 10h, no Programa Sintonia da Terra, uma parceria do NEJ/RS e UFRGS, na Rádio da Universidade (1080 AM), em Porto Alegre, ou pela internet no site www.ufrgs.br/radio.

Leia ainda:
http://www.anda.jor.br/
http://vanguardaabolicionista.wordpress.com/

EcoAgência Solidária de Notícias Ambientais


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Segunda-feira, 9 de Agosto de 2010
Nem o sarro arranha a Espanha

Vegano: desobedecendo - Ellen Augusta Valer de Freitas *



Parte 1


Catalunha, Espanha (Foto: Locr.com)
Os países podem ser analisados como se fossem indivíduos e se comportam muitas vezes como tal.
É sabido da nossa relação de colonizador/colonizado entre Portugal e Brasil, sendo Portugal apenas um dos países que por aqui pisaram.
Eu e muitos brasileiros nutrimos um carinho especial por Portugal e seu povo, assim como a recíproca acontece. Tenho amiga lá em Portugal e amiga aqui que veio  de Portugal.
Uma coisa que me entristece muito é bairrismo, um tipo de preconceito esquisito, que afeta pessoas que “amam” demais a sua terra.
Um destes dias, acompanhando alguém num hospital, pude ver como a humanidade frágil, se coloca sempre acima dos outros. Mesmo ali, num ambiente que claramente nos dá um tapa na cara, na nossa condição de animais humanos, mesmo ali pude ouvir uma piada preconceituosa.
“Fui para a Argentina e me perguntaram se eu era brasileiro. Respondi: Brasileiro, não! Gaúcho!”
Nossa! Ainda bem que a pessoa em questão estava na Argentina, que conhece a palavra gaúcho, pois, se fosse em determinados países, simplesmente a piada não teria sentido!
Nascer aqui, acolá, ter a sorte ou azar de ser brasileiro, não me importa.
A sensação de que nossa terra é especial é ilusória.
Há lugares belíssimos no mundo inteiro e quem ama viajar e já provou o gostinho de estar em outra cultura, de abrir a janela e ver a brisa do mar de um outro lugar (que pode ser o mesmo mar que banha o continente, e que ao mesmo tempo nunca será o mesmo), pode ter uma ideia de que há coisas especiais e pessoas especiais no mundo inteiro.

Catalunha, Espanha (Foto: Locr.com)
Há poucos dias recebemos a notícia de que em Catalunha, Espanha, as touradas foram proibidas.
Já li relatos de quem presenciou touradas e achou uma barbárie, mas, apesar do barbarismo, com certeza nestes países há pessoas que lutam pela justiça e pela paz.
Práticas bárbaras são praticadas no mundo inteiro e defendidas com o nome de “cultura”. Em dado momento é interessante usar o argumento de cultura, em outro, apenas chamar o ato de crime. Depende muitas vezes de interesses políticos e econômicos.
Pois touradas, vaquejadas, rodeios e outras práticas de gosto duvidoso envolvendo abuso e morte de animais acontecem em diversos lugares do mundo, aqui no Brasil e também em nosso Estado.
Mas há uma corrente de pessoas que têm ativamente se posicionado contra tais práticas. Nestes últimos dias, houve um caso aqui no Rio Grande do Sul de um senhor que resolveu andar a cavalo dentro d’água gelada do Guaíba. Mesmo que o cavalo tenha sido bem tratado, domado de “forma racional” etc. etc., fico me perguntando  qual o sentido de práticas como estas, que mais parecem um exibicionismo e nada têm a ver com a cultura gaúcha? Essas atitudes suscitam “ideias” de exibicionismo coletivo como o caso da cavalgada do mar, prática criticada inclusive pelo Paixão Cortes.
*Trecho de música de Caetano Veloso
Parte 2




Porto Alegre: cidade com muitas opções para veganos e vegetarianos (Foto: Ellen Augusta)
O gaúcho é conhecido pelo bairrismo exagerado, isto é fato. Eu nada tenho a ver com esta cultura. Nasci aqui por acaso somente. Poderia ter nascido em lugares piores ou melhores. Se faço parte de coisas bonitas como o chimarrão e algumas canções nativistas que tenho imenso respeito, por outro lado há um exibicionismo sem igual, que apenas mostra o quanto de ego a humanidade inteira possui e que não serve para nada e do qual não participo, juntamente com milhares de gaúchos que nem sequer se preocupam com isso.
As pessoas que não nos conhece muitas vezes acham que andamos sempre de bombacha/vestido de prenda e falando aquele sotaque padrão que a mídia divulga, mas a verdade é que aqui existem muitas culturas, sotaques, povos e que muita gente nem sequer participa de determinados rituais tradicionalistas.
É só pensarmos, por exemplo, na força da colonização italiana e alemã.

Churrasquinho vegano do Restaurante Casa Verde (Foto: Ellen Augusta)
Aqui mesmo na terra do churrasco há uma cultura muito forte da alimentação vegana (alimentos sem produtos de origem animal, carnes, ovos e leite).
Veganos  não consomem nada que tenha produtos de origem animal,  buscando e inventando alternativas. Não usam roupas de pele de animais como o couro (tão idolatrado por aqui) e também evitam ao máximo possível o uso de produtos testados em animais. Trata-se de ativismo político, ambiental e pessoal, pois os veganos geralmente buscam entrar em contato com empresas, políticos e participam ativamente nas mudanças que vêm ocorrendo, principalmente aqui no Rio Grande do Sul.
É uma atitude revolucionária e que vem crescendo muito em diversos países por motivos ambientais e éticos.

Lazanha feita com queijo vegetal no Restaurante Casa Verde (Foto: Ellen Augusta)
Aqui no Brasil, o Rio Grande do Sul é o Estado que mais tem opções vegetarianas e veganas. E é aqui mesmo que as pessoas inventam, usam a criatividade para inventar até mesmo o “queijo” 100% vegetal, que foi produção do Restaurante Vegano Casa Verde. Neste mesmo restaurante está sendo servida a primeira cerveja com selo vegan do Brasil e também adequada para celíacos.
Temos um bar noturno totalmente vegano com práticas de permacultura, temos tele-pizza e pizzaria noturna vegana e diversos restaurantes vegetarianos e veganos.  Produtos veganos, docerias veganas, opções de roupas e diversos itens. Tudo com muita criatividade e atitude.

Sanduíche feito com queijo vegetal produzido pelo Restaurante Casa Verde (Foto: Ellen Augusta)
A cultura pode e deve mudar ao longo do tempo.  O que antes era apenas atitude de alguns “lunáticos” ou “xiitas” (acreditem, já teve gente preconceituosa que nos chamou assim e que depois foi encontrada em um dos restaurantes veganos da capital), hoje é algo comum, difundido, e a cada dia as empresas estão “acordando” para o filão de mercado, que é fornecer alternativas ao uso de animais, seja onde for.
Nosso Estado está na frente de muitas atitudes louváveis, mas isto não porque o RS é o maior, o mais bonito ou o mais inteligente. Não. É apenas porque aqui as pessoas resolveram ir atrás das suas conquistas, acreditaram e lutam ainda por melhoras. Em outros estados do Brasil também há conquistas maravilhosas na área do direito dos animais que aqui mesmo ainda não conquistamos. Nos servem de exemplo, como a proibição das feiras de filhotes e outras formas de exploração de animais.




Parte 3





Portugal, arquitetura que lembra muito alguns lugares de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, que teve imigração portuguesa. (Foto: José Cerqueira)
Há muito tempo, quando a Argentina estava com problemas financeiros, eu recebia diversos e-mails de quem não tem mesmo o que fazer, com piadas idiotas sobre a situação da Argentina em relação ao Brasil e ao Rio Grande do Sul. E sempre respondia com a seguinte pergunta: e se amanhã formos nós os atingidos por uma crise qualquer? (O Brasil não é exatamente um exemplo de qualquer coisa!)
Recentemente tem circulado pela Internet uma “campanha” exigindo que a Argentina não participe da Copa de 2014.
Quando o Brasil perdeu a Copa, vimos na televisão críticas ao desempenho da Argentina, como se o Brasil não estivesse também na mesma situação lamentável, mas talvez ainda mais lamentável, pois, em vez de aceitar a perda, parte para cima dos outros, com críticas sem nem mesmo ver como estão os jogadores do Brasil. Quanto absurdo! Pois a Argentina, assim como Portugal nos deu um exemplo de civilidade e evolução ao legalizar os direitos civis aos homossexuais, com a aprovação do casamento.
Casamento homossexual nada tem a ver com religião, é um direito! Aqui, onde as mentes estão amarradas à religião, ainda há muito o que discutir sobre o assunto. Nós todos perdemos com isso.
A cultura e o tradicionalismo, sejam de que região do mundo forem, geralmente estão intimamente ligados a interesses econômicos e políticos. Muitas tradições apenas veneram os verdugos que as escravizaram, apenas idolatram patrões e cultuam a ode ao explorador. Claro que há coisas bonitas, mas nota-se um interesse muito grande em manter certas tradições, que de outra forma acarretariam perdas monetárias gigantescas.
A população muitas vezes cai na ingenuidade de achar que tudo que existe é assim e pronto. Dificilmente acha tempo para questionar-se sobre o porquê de fantasiar-se de determinado papel, apenas participa de forma autômata, e os poucos que questionam são desafiados com infâmias e até mesmo ameaças.
Volto a trazer a lembrança das terras que conheci, das que não conheci mas admiro sua arquitetura, natureza e povo, pois no mundo inteiro há belezas incríveis. Dos viajantes que andam por aí à procura de conhecimento, das pessoas que têm o coração em diversas terras, pois obviamente temos carinho por um lugar ou outro, mas a vir achar que somos os melhores do mundo já é demais.
Tenho especial carinho por Portugal, por ser uma terra que tem poetas, músicos e pessoas interessantes, lugares incríveis e fascinantes. Tenho uma amiga lá que é vegana e ama o Brasil. Ela pesquisa os costumes brasileiros assim como eu pesquiso os costumes portugueses. Sei lá por quê. Se por curiosidade, se por uma ligação genética/cultural, não importa. O fato é que não vivo no delírio de que este ou aquele lugar é o único lugar que existe.
Aqui também tenho uma amiga portuguesa, que me contou algumas histórias de preconceito que sofreu ao chegar aqui, já que ela tem curso superior e fala diversos idiomas, e acabou sendo uma “ameaça” para pessoas preconceituosas que a discriminaram por ser de outro país.
Todos os lugares são positivos se nossa atitude for positiva. Eu me sinto bem em qualquer lugar e aqui, na terra do churrasco, do machão e do patrão, eu luto por justiça e sou uma pessoa normal. Brasileira porque nasci aqui e não porque é época de Copa do Mundo. Gaúcha porque nasci aqui e não porque querem que eu acredite nesta ou naquela cultura.





*Ellen Augusta Valer de Freitas é licenciada em Biologia pela Unisinos, RS. Foi bolsista de Iniciação Científica pelo CNPq no Instituto Anchietano de Pesquisas, tem experiência na área de Ecologia com ênfase em Zooarqueologia. Trabalha para uma ONG nacional em pesquisa de produtos, é articulista da Agência de Notícias dos Direitos Animais, fundadora do grupo ativista Vanguarda Abolicionista, e atualmente está ingressando na Comissão de Ética no Uso de Animais de um grande hospital gaúcho. Tem 30 anos, é vegana e ativista pelos direitos animais, casada com um jornalista também vegano e ativista.



Fonte: ANDA


* Ellen!
Obrigada pelas tuas palavras, pelo teu carinho por Portugal, sabes que é mútuo!
Uma amiga muito querida!


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Nem o sarro arranha a Espanha

Vegano: desobedecendo - Ellen Augusta Valer de Freitas *



Parte 1


Catalunha, Espanha (Foto: Locr.com)
Os países podem ser analisados como se fossem indivíduos e se comportam muitas vezes como tal.
É sabido da nossa relação de colonizador/colonizado entre Portugal e Brasil, sendo Portugal apenas um dos países que por aqui pisaram.
Eu e muitos brasileiros nutrimos um carinho especial por Portugal e seu povo, assim como a recíproca acontece. Tenho amiga lá em Portugal e amiga aqui que veio  de Portugal.
Uma coisa que me entristece muito é bairrismo, um tipo de preconceito esquisito, que afeta pessoas que “amam” demais a sua terra.
Um destes dias, acompanhando alguém num hospital, pude ver como a humanidade frágil, se coloca sempre acima dos outros. Mesmo ali, num ambiente que claramente nos dá um tapa na cara, na nossa condição de animais humanos, mesmo ali pude ouvir uma piada preconceituosa.
“Fui para a Argentina e me perguntaram se eu era brasileiro. Respondi: Brasileiro, não! Gaúcho!”
Nossa! Ainda bem que a pessoa em questão estava na Argentina, que conhece a palavra gaúcho, pois, se fosse em determinados países, simplesmente a piada não teria sentido!
Nascer aqui, acolá, ter a sorte ou azar de ser brasileiro, não me importa.
A sensação de que nossa terra é especial é ilusória.
Há lugares belíssimos no mundo inteiro e quem ama viajar e já provou o gostinho de estar em outra cultura, de abrir a janela e ver a brisa do mar de um outro lugar (que pode ser o mesmo mar que banha o continente, e que ao mesmo tempo nunca será o mesmo), pode ter uma ideia de que há coisas especiais e pessoas especiais no mundo inteiro.

Catalunha, Espanha (Foto: Locr.com)
Há poucos dias recebemos a notícia de que em Catalunha, Espanha, as touradas foram proibidas.
Já li relatos de quem presenciou touradas e achou uma barbárie, mas, apesar do barbarismo, com certeza nestes países há pessoas que lutam pela justiça e pela paz.
Práticas bárbaras são praticadas no mundo inteiro e defendidas com o nome de “cultura”. Em dado momento é interessante usar o argumento de cultura, em outro, apenas chamar o ato de crime. Depende muitas vezes de interesses políticos e econômicos.
Pois touradas, vaquejadas, rodeios e outras práticas de gosto duvidoso envolvendo abuso e morte de animais acontecem em diversos lugares do mundo, aqui no Brasil e também em nosso Estado.
Mas há uma corrente de pessoas que têm ativamente se posicionado contra tais práticas. Nestes últimos dias, houve um caso aqui no Rio Grande do Sul de um senhor que resolveu andar a cavalo dentro d’água gelada do Guaíba. Mesmo que o cavalo tenha sido bem tratado, domado de “forma racional” etc. etc., fico me perguntando  qual o sentido de práticas como estas, que mais parecem um exibicionismo e nada têm a ver com a cultura gaúcha? Essas atitudes suscitam “ideias” de exibicionismo coletivo como o caso da cavalgada do mar, prática criticada inclusive pelo Paixão Cortes.
*Trecho de música de Caetano Veloso
Parte 2




Porto Alegre: cidade com muitas opções para veganos e vegetarianos (Foto: Ellen Augusta)
O gaúcho é conhecido pelo bairrismo exagerado, isto é fato. Eu nada tenho a ver com esta cultura. Nasci aqui por acaso somente. Poderia ter nascido em lugares piores ou melhores. Se faço parte de coisas bonitas como o chimarrão e algumas canções nativistas que tenho imenso respeito, por outro lado há um exibicionismo sem igual, que apenas mostra o quanto de ego a humanidade inteira possui e que não serve para nada e do qual não participo, juntamente com milhares de gaúchos que nem sequer se preocupam com isso.
As pessoas que não nos conhece muitas vezes acham que andamos sempre de bombacha/vestido de prenda e falando aquele sotaque padrão que a mídia divulga, mas a verdade é que aqui existem muitas culturas, sotaques, povos e que muita gente nem sequer participa de determinados rituais tradicionalistas.
É só pensarmos, por exemplo, na força da colonização italiana e alemã.

Churrasquinho vegano do Restaurante Casa Verde (Foto: Ellen Augusta)
Aqui mesmo na terra do churrasco há uma cultura muito forte da alimentação vegana (alimentos sem produtos de origem animal, carnes, ovos e leite).
Veganos  não consomem nada que tenha produtos de origem animal,  buscando e inventando alternativas. Não usam roupas de pele de animais como o couro (tão idolatrado por aqui) e também evitam ao máximo possível o uso de produtos testados em animais. Trata-se de ativismo político, ambiental e pessoal, pois os veganos geralmente buscam entrar em contato com empresas, políticos e participam ativamente nas mudanças que vêm ocorrendo, principalmente aqui no Rio Grande do Sul.
É uma atitude revolucionária e que vem crescendo muito em diversos países por motivos ambientais e éticos.

Lazanha feita com queijo vegetal no Restaurante Casa Verde (Foto: Ellen Augusta)
Aqui no Brasil, o Rio Grande do Sul é o Estado que mais tem opções vegetarianas e veganas. E é aqui mesmo que as pessoas inventam, usam a criatividade para inventar até mesmo o “queijo” 100% vegetal, que foi produção do Restaurante Vegano Casa Verde. Neste mesmo restaurante está sendo servida a primeira cerveja com selo vegan do Brasil e também adequada para celíacos.
Temos um bar noturno totalmente vegano com práticas de permacultura, temos tele-pizza e pizzaria noturna vegana e diversos restaurantes vegetarianos e veganos.  Produtos veganos, docerias veganas, opções de roupas e diversos itens. Tudo com muita criatividade e atitude.

Sanduíche feito com queijo vegetal produzido pelo Restaurante Casa Verde (Foto: Ellen Augusta)
A cultura pode e deve mudar ao longo do tempo.  O que antes era apenas atitude de alguns “lunáticos” ou “xiitas” (acreditem, já teve gente preconceituosa que nos chamou assim e que depois foi encontrada em um dos restaurantes veganos da capital), hoje é algo comum, difundido, e a cada dia as empresas estão “acordando” para o filão de mercado, que é fornecer alternativas ao uso de animais, seja onde for.
Nosso Estado está na frente de muitas atitudes louváveis, mas isto não porque o RS é o maior, o mais bonito ou o mais inteligente. Não. É apenas porque aqui as pessoas resolveram ir atrás das suas conquistas, acreditaram e lutam ainda por melhoras. Em outros estados do Brasil também há conquistas maravilhosas na área do direito dos animais que aqui mesmo ainda não conquistamos. Nos servem de exemplo, como a proibição das feiras de filhotes e outras formas de exploração de animais.




Parte 3





Portugal, arquitetura que lembra muito alguns lugares de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, que teve imigração portuguesa. (Foto: José Cerqueira)
Há muito tempo, quando a Argentina estava com problemas financeiros, eu recebia diversos e-mails de quem não tem mesmo o que fazer, com piadas idiotas sobre a situação da Argentina em relação ao Brasil e ao Rio Grande do Sul. E sempre respondia com a seguinte pergunta: e se amanhã formos nós os atingidos por uma crise qualquer? (O Brasil não é exatamente um exemplo de qualquer coisa!)
Recentemente tem circulado pela Internet uma “campanha” exigindo que a Argentina não participe da Copa de 2014.
Quando o Brasil perdeu a Copa, vimos na televisão críticas ao desempenho da Argentina, como se o Brasil não estivesse também na mesma situação lamentável, mas talvez ainda mais lamentável, pois, em vez de aceitar a perda, parte para cima dos outros, com críticas sem nem mesmo ver como estão os jogadores do Brasil. Quanto absurdo! Pois a Argentina, assim como Portugal nos deu um exemplo de civilidade e evolução ao legalizar os direitos civis aos homossexuais, com a aprovação do casamento.
Casamento homossexual nada tem a ver com religião, é um direito! Aqui, onde as mentes estão amarradas à religião, ainda há muito o que discutir sobre o assunto. Nós todos perdemos com isso.
A cultura e o tradicionalismo, sejam de que região do mundo forem, geralmente estão intimamente ligados a interesses econômicos e políticos. Muitas tradições apenas veneram os verdugos que as escravizaram, apenas idolatram patrões e cultuam a ode ao explorador. Claro que há coisas bonitas, mas nota-se um interesse muito grande em manter certas tradições, que de outra forma acarretariam perdas monetárias gigantescas.
A população muitas vezes cai na ingenuidade de achar que tudo que existe é assim e pronto. Dificilmente acha tempo para questionar-se sobre o porquê de fantasiar-se de determinado papel, apenas participa de forma autômata, e os poucos que questionam são desafiados com infâmias e até mesmo ameaças.
Volto a trazer a lembrança das terras que conheci, das que não conheci mas admiro sua arquitetura, natureza e povo, pois no mundo inteiro há belezas incríveis. Dos viajantes que andam por aí à procura de conhecimento, das pessoas que têm o coração em diversas terras, pois obviamente temos carinho por um lugar ou outro, mas a vir achar que somos os melhores do mundo já é demais.
Tenho especial carinho por Portugal, por ser uma terra que tem poetas, músicos e pessoas interessantes, lugares incríveis e fascinantes. Tenho uma amiga lá que é vegana e ama o Brasil. Ela pesquisa os costumes brasileiros assim como eu pesquiso os costumes portugueses. Sei lá por quê. Se por curiosidade, se por uma ligação genética/cultural, não importa. O fato é que não vivo no delírio de que este ou aquele lugar é o único lugar que existe.
Aqui também tenho uma amiga portuguesa, que me contou algumas histórias de preconceito que sofreu ao chegar aqui, já que ela tem curso superior e fala diversos idiomas, e acabou sendo uma “ameaça” para pessoas preconceituosas que a discriminaram por ser de outro país.
Todos os lugares são positivos se nossa atitude for positiva. Eu me sinto bem em qualquer lugar e aqui, na terra do churrasco, do machão e do patrão, eu luto por justiça e sou uma pessoa normal. Brasileira porque nasci aqui e não porque é época de Copa do Mundo. Gaúcha porque nasci aqui e não porque querem que eu acredite nesta ou naquela cultura.





*Ellen Augusta Valer de Freitas é licenciada em Biologia pela Unisinos, RS. Foi bolsista de Iniciação Científica pelo CNPq no Instituto Anchietano de Pesquisas, tem experiência na área de Ecologia com ênfase em Zooarqueologia. Trabalha para uma ONG nacional em pesquisa de produtos, é articulista da Agência de Notícias dos Direitos Animais, fundadora do grupo ativista Vanguarda Abolicionista, e atualmente está ingressando na Comissão de Ética no Uso de Animais de um grande hospital gaúcho. Tem 30 anos, é vegana e ativista pelos direitos animais, casada com um jornalista também vegano e ativista.



Fonte: ANDA


* Ellen!
Obrigada pelas tuas palavras, pelo teu carinho por Portugal, sabes que é mútuo!
Uma amiga muito querida!


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Sexta-feira, 9 de Julho de 2010
Outdoors chamam a atenção para crueldade contra macacos explorados pela NASA
Por Lobo Pasolini (da Redação)
Outdoor pelos macacos explorados pela NASA
“Belmont, nós temos um problema: não detonem os macacos com armas nucleares.” Isso é o que dizem os outdoors e anúncios em estações de trem que alertam passageiros em Belmont, no estado de Massachusetts sobre experimentos que estão acontecendo em sua cidade. A ONG PCRM (Physicians Committee for Responsible Medicine) colocou os apelos perto do Hospital McLean  onde serão realizados os experimentos nos primatas.

No dia 10 de junho, PCRM fez uma demonstração pacífica em frente ao hospital. A instituição foi apresentada com ofertas de vários santuários oferecendo lares para os animais caso o hospital concordasse em liberá-los.
“Bombardear pequenos macacos com radiação não vai nos ajudar a entender como os humanos podem sobreviver aos perigos complexos de viagens interplanetárias. Este experimento é cruel, cientificamente falho e um grande desperdício de dinheiro do contribuinte”, disse John J. Pippin, consultor de medicina e pesquisa da PCRM.
O experimento de $1.75 milhões de dólares, proposto por Jack Bergman, pesquisador do Hospital McLean, exporá os animais à radiação nociva no Brookhaven National Laboratory. Depois os animais serão levados para o hospital e forçados a executar tarefas para verificar se eles desenvolveram desabilidades cognitivas. Os animais, que são altamente inteligentes e sociáveis, ficarão alojados em grades de metal sozinhos durante pelo menos quatro anos e amarrados em cadeiras de teste pelo menos uma vez por dia.
Para escrever para a NASA protestando, clique aqui. O formulário está disponível apenas em inglês mas pode ser usado por pessoas fora dos Estados Unidos também (inclui carta modelo).


publicado por Maluvfx às 16:28
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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010
É possível tornar-se vegetariano sem afetar o orçamento

Dieta ética e acessível



Prato vegano (Foto: Reprodução/Vanguarda Abolicionista)
Prato vegano (Foto: Reprodução/Vanguarda Abolicionista)
Ter uma alimentação ética e saudável não é sinônimo de custos elevados. Com o aumento do número de pessoas que deixam de comer carne vermelha e branca, diversos restaurantes estão sendo criados especialmente para esse público, enquanto os tradicionais começaram a oferecer pratos mais baratos — a partir de R$ 9. E não só os vegetarianos que não comem carne, mas os vegans exigem um cardápio ainda mais peculiar, porque não consomem nenhum alimento de origem animal, como ovo, leite, mel e gordura. Para economizar, muitos deles optam por comer em casa e consumir mais legumes e frutas.
Enquanto um restaurante vegetariano self-service custa, em média, R$ 17, um prato feito em casa sai até pela metade do valor. Para Rita de Cássia de Aquino, professora de nutrição da Universidade São Judas Tadeu (USJT), o custo de vida de um vegan não precisa ser sempre tão elevado. “A dica é substituir e investir na diversidade de legumes. Para obter ferro, por exemplo, é bom comer bastante agrião e espinafre”, diz.
Prato econômico
Segundo a chef de cozinha Morena Leite, o hábito alimentar dos vegetarianos não custa caro. “Procuro sempre estudar a receita e passear pelas feiras livres para preparar um prato gostoso e econômico”, afirma, referindo-se ao prato dos vegans.
Atento ao crescimento desse público — que chega a subir 20% ao ano — o mercado oferece produtos personalizados para diversificar o cardápio, como leite de soja, bolo sem lactose, vegetais orgânicos, macarrão sem ovos e doce de leite sem leite. Por serem mais elaborados, custam até o dobro do valor dos produtos comuns. Um macarrão instantâneo comum, por exemplo, sai por R$ 0,89, o mesmo produto sem ovos custa até quatro vezes mais.
De acordo com Donato Ramos, diretor de marketing do Mundo Verde, franquia de lojas de alimentos naturais, apesar do alto valor dos produtos, é cada vez maior o número de consumidores que chegam às lojas em busca de um hábito alimentar mais saudável. “Há pessoas que não são vegetarianas, mas aderem ao costume quando descobrem os benefícios desses alimentos”.

Prato vegano (Foto: Reprodução/Vanguarda Abolicionista)
Para Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), o custo de vida dos vegetarianos e vegans é mais alto quanto mais eles diversificam os alimentos. “Eles consomem produtos orgânicos dependendo do poder aquisitivo.”
A publicitária Claudia Piazza, de 31 anos, sabe bem o que é comer um prato colorido e saudável. Ela é vegetariana desde os 15 anos. No seu cardápio as carnes vermelha e branca foram excluídas definitivamente. Entretanto, seus almoços de trabalho em um restaurante por quilo nunca saem por mais R$ 9. “As compras nos supermercados também raramente ultrapassam R$ 150 porque os vegetais são bem baratos”, diz.
O programador André Conde, de 26 anos, é vegetariano há dois anos. Acostumado a comer apenas em restaurantes, já chegou a gastar R$ 500 por mês só com almoços de trabalho. “Agora como pratos básicos e deixo os sofisticados para fazer em casa”, afirma.
Substitua alimentos mais caros
Substituir alimentos e comer em casa é a melhor maneira para os vegetarianos e vegans terem uma dieta saudável e para economizar. Enquanto um restaurante vegetariano self-service custa, em média, R$ 17, um prato feito em casa é até metade do valor. De acordo com Rita de Cássia de Aquino, professora de nutrição da Universidade São Judas Tadeu (USJT), o custo de vida de um vegan não precisa ser elevado. “A dica é substituir e investir na diversidade de legumes. Para obter ferro, por exemplo, é bom comer bastante agrião e espinafre”, diz.
Segundo a nutricionista, quem optar por não consumir nenhum tipo de carne precisa tomar cuidado para não ter problemas de saúde pela falta de vitaminas. “As pessoas precisam diversificar o cardápio ao máximo. Caso contrário, a solução é tomar vitaminas e suplementos alimentares”, aconselha.
Para a chef de cozinha Morena Leite, especialista no preparo de pratos saudáveis, o hábito alimentar dos vegetarianos não custa caro. A grande dificuldade está em cozinhar para os vegans, que não consomem ovos, mel, leite e manteiga de origem vegetal e, por isso, demandam uma receita mais elaborada. “Cozinhar para eles é quase uma religião. Preciso estudar a receita antes para preparar um prato gostoso e econômico ao mesmo tempo”, explica.

Prato vegano (Foto: Reprodução/Vanguarda Abolicionista)
Arroz, feijão e legumes
Ainda que os produtos específicos para os vegetarianos e vegans sejam mais caros, consumi-los ou não é uma opção de cada pessoa. Ou seja, para economizar, basta comprar legumes e frutas, deixando de lado produtos caros, como doces sem leite, macarrão sem ovos etc. Além de difíceis de ser encontrados, eles custam até 100% mais que os produtos tradicionais.
Esse é o caso da universitária Natália Russo, de 21 anos. Vegan há seis anos, por filosofia e aversão ao consumo de carne, ela abre mão de comer em restaurantes para não gastar além do que o salário permite. “No meu prato há apenas arroz, feijão, salada e legumes. Raramente compro alimentos para vegans porque eles custam muito caro. Como fora de casa apenas uma vez por mês com a minha família”.
De acordo com a universitária, os restaurantes especializados em comidas veganas custam em torno de R$ 20, enquanto os comuns não passam de R$ 10 o prato. “Prefiro almoçar no bandejão da empresa para fazer o meu salário render mais no fim do mês”, explica ela.
Apaixonada por esse mundo verde, o hobby da universitária é frequentar as feiras semanalmente em busca de alimentos que possam variar os pratos. “O segredo para ser vegan e não gastar muito é descer do salto e ir às feiras. Fazer com que esse costume seja uma diversão”, aconselha a universitária.
Apesar de sua família não ser vegan como ela, todos tiveram que mudar os costumes alimentares da mesma forma que Natália. O queijo, por exemplo, é trocado por tofu na casa dela, uma vez que o leite é riscado da lista dos veganas por ser um derivado animal. Já os bolinhos de carne são substituídos por de soja, que, para ela, são ótimos. “Todos tiveram que se adaptar aos meus costumes aos poucos. O bom é que a gente adotou um hábito mais saudável”, comenta a universitária.
Fonte: O Diário de São Paulo
via ANDA


publicado por Maluvfx às 11:21
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Sexta-feira, 7 de Maio de 2010
O veganismo pela via da educação


Eric Prescott Foto: sem crédito
Eric Prescott é um ativista vegano que mora em Boston, nos Estados Unidos, onde atua através da Boston Vegan Association, que ele co-fundou. Abolicionista, Eric concentra seus esforços em educação vegana. Um de seus projetos é um documentário chamado I’m Vegan(Sou Vegano), que reúne depoimentos subjetivos de veganos com o objetivo de desfazer preconceitos sobre o veganismo. 
Nessa entrevista exclusiva dada ao repórter da ANDA, Lobo Pasolini, Prescott fala sobre seu trabalho, as formas efetivas de ajudar para que as pessoas se tornem veganas e dá conselhos e sugestões para outros ativistas e aqueles que desejam se juntar à causa animal.
ANDA – Qual a forma mais efetiva de conseguir que as pessoas se tornem veganas e respeitem os animais como entidades livres?
Eric Prescott- Se o objetivo é conseguir que os humanos respeitem os não humanos como indivíduos senscientes com o direito moral de não ser propriedade, então os meios devem lembrar os fins para serem eficazes. Em outras palavras, nosso ativismo vegano deve girar em torno de educação de direitos animais abolicionistas e não de argumentos que não conduzam a uma visão abolicionista. Sendo assim, nós devemos educar as pessoas para que eles levem os interesses dos animais a sério, particularmente o interesse deles em não serem usados como propriedade humana. Na maioria dos casos, isso quer dizer ajudá-los a “ligar os pontos”. Muitas pessoas pensam que elas respeitam os animais. Por exemplo, elas pensam que é errado fazer mal aos animais (como gatos e cães) sem necessidade, mas elas não vêem que usar e consumir partes animais e produtos derivados também faz mal aos animais. Se nós conseguirmos ajudar-las a fazer essa conexão, nós teremos uma chance maior que as pessoas escolham o veganismo em solidariedade com o interesse dos animais de não serem usados como propriedade. A medida que mais pessoas pararem de usar animais porque elas acreditam que a exploração animal é errada, nós efetivamente faremos crescer um movimento abolicionista.
ANDA – Como o legista e filósofo Gary Francione, você é bastante crítico de reformas bem-estaristas como o abate humanitário, ovos de galinhas criadas “fora de gaiolas” etc. Qual é o problema com essas idéias e tendências e como elas podem obstruir o caminho até os direitos animais de fato?
Eric Prescott- Eu vou recapitular alguns pontos centrais de Francione aqui, porque eu não tenho nada para acrescentar ao que ele já escreveu. Primeiro, tentar reformar um sistema que considera os animais propriedade legitimiza o sistema, cuja premissa é que é moralmente justificável usar animais para o nosso benefício. A visão de direitos nos compele a desafiar essa presunção fundamental, e não conseguiremos isso enquanto ignorarmos a raiz do problema e focarmos em campanhas de reforma que nunca acabam. Como Francione diz, bemestarismo apenas leva a mais bemestarismo. Além do mais, essas campanhas tendem a beneficiar os exploradores de animais. Como Francione já demonstrou, as únicas reformas adotadas pela indústria são aquelas que geram benefícios de custo. É claro que está em seu interesse econômico explorar os animais de formar mais eficiente. Além disso, essas reformas tendem a proteger os exploradores de animais ao dar ao público a impressão de que os animais estão sendo “bem” tratados. Assim, reformas aliviam a consciência do público. Por fim, essas campanhas não protegem significativamente os interesses dos animais de não sofrerem. Os animais ainda são considerados propriedades e seus interesses são subjugados aos interesses dos seus “proprietários” humanos. Galinhas criadas fora de jaulas ainda sofrem muito como resultado de sua exploração. Fazer campanha por ovos de galinhas criadas fora de gaiolas ou por abate em atmosfera controlada é fazer campanha para causar sofrimento aos animais de uma forma e não de outra. Não tem nada a ver com proteger de forma significativa o interesse do animal de não ser propriedade. Com nosso tempo e recursos limitados, nós devemos focar nossos esforços na raiz do sofrimento animal, que é, em primeiro lugar, o fato de que nós os usamos. Recursos usados em reformas são recursos que poderiam ser usados para fazer crescer o movimento abolicionista através da educação vegana.
ANDA – O foco no sofrimento animal é um dos instrumentos principais do ativismo vegano. Em sua opinião, qual a eficácia das investigações de câmera escondida que mostram animais sendo abusados, torturados e mortos?
Eric Prescott – Eu sou um tanto quanto dividido nessa questão. Eu acho que mostrar evidência que os animais sofrem através do seu uso rotineiro é uma maneira forte de provar para as pessoas que a exploração animal, na melhor das hipóteses, machuca. Eu não acho que investigações em vídeo mostrando animais sendo feridos de formas atípicas são úteis para o abolicionista porque a ênfase nesse caso é em abuso e não no uso padrão. Isso pode dar a impressão que o problema é que o animal não está sendo usado devidamente e não de que o problema é que o animal está sendo usado como propriedade. Além disso, é fácil perder de vista o problema subjacente quando o foco é nos males individuais causados aos vários animais explorados para usos diversos. Essa é a razão pela qual eu acredito que é importante focar em uso rotineiro e explicar nesses casos porque o dano ocorre, amarrando isso com o argumento pela abolição da condição de propriedade dos animais. Algumas pessoas talvez não queiram ver esse tipo de imagem, e talvez prefiram ler sobre o assunto ou ouvir da boca de um ativista. Panfletos podem ser úteis também. A chave da questão é educação sobre a questão fundamental da exploração institucional, e quaisquer materiais usados no ativismo devem sempre trazer isso a tona e não simplesmente focar no modo como os animais são (mal) tratados.
ANDA – O que você diria a um vegetariano/uma vegetariana que resiste a tornar-se vegano?
Eric Prescott – Para os vegetarianos éticos (em contraste com os vegetarianos pela saúde), eu parto do mesmo princípio com eles de que nós dois entendemos que eles são vegetarianos porque nós acreditamos que é errado causar mal desnecessário aos animais. Então eu demonstro que ovo e laticínios são desnecessários e que essas indústrias fazem mal aos animais, e desfaço o mito de que os animais não são mortos por essas indústrias. Daí é uma questão de ajudá-los a entender que os animais sempre sofrerão enquanto eles forem usados como propriedade. Sendo assim, a única forma de evitar esse mal é não usá-los para nenhum propósito, isso é, tornar-se vegano.
ANDA – Diante de tantos obstáculos e enorme resistência cultural, o que os ativistas podem fazer para permanecer motivados?
Eric Prescott – Eu não posso dizer o que funciona para todo mundo, mas o que me mantém motivado é saber que eu simplesmente não posso não fazer algo. Eu não posso permanecer em silêncio. Eu não acredito que nós devemos permanecer em silêncio sobre o sexismo, racismo e assim por diante, e o mesmo se aplica ao especismo. Claro, é motivante saber que muitas pessoas tornaram-se veganas por causa do meu trabalho ou influência, mas mesmo se eu não soubesse sobre essas pessoas (e deve haver várias sobre as quais eu não sei), ainda assim eu permaneceria motivado pela minha certeza de que eu tenho que falar contra a injustiça. Eu também tento ser realista. Tudo o que eu posso fazer é me educar bem e depois educar os outros para plantar as sementes da mudança vegana. Algumas pessoas serão receptivas logo de cara, outras não. Não devemos perder o estímulo se não conseguirmos convencer todo mundo que encontramos a tornarem-se veganos. É além de nossa habilidade convencer todo mundo a mudar, mas nós podemos dar-lhes informação que pode convencê-los a mudar seu comportamento por vontade própria. Elas são responsáveis por suas decisões.
ANDA – O que você diria para aqueles que desejam tornar-se ativistas veganos?
Eric Prescott – Eduque-se. Leia seus livros e o blog abolitionistapproach.com [que inclui textos emportuguês. Uma versão traduzida do blog encontra-se aqui]. Esse material dá uma noção boa da abordagem abolicionista e o ajudará a tornar-se um ativista vegano mais eficiente.

ANDALogo da ANDA » Agência de Notícias de Direitos Animais


publicado por Maluvfx às 14:43
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