Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013
Cavalos e Pessoas II
Por:  Dr. Vasco Reis (médico veterinário aposentado)

Caras companheiras e caros companheiros,
Durante mais de 10 anos (1973-84), na Suíça e na Alemanha, fui cavaleiro de concurso hípico completo (provas de dressage, saltos de obstáculos e de corta mato) com os meus 2 cavalos PALOMBO e SEETEUFEL. Eu cuidava deles pessoalmente.
Esta informação serve para vos mostrar que tenho obrigação de saber de cavalos e de os compreender.
Confesso que exagerei algo do que exigi destes magníficos animais, tendo sido mais um cavaleiro ambicioso, o que lastimo agora sem mais remédio, mas tentando ajudar outros cavalos em risco.
Estou a dar-vos a minha convicção sobre o que suportam os cavalos explorados no toureio, pois creio que é importante tentar identificarmo-nos com estes seres sencientes e conscientes, extremamente explorados para o "espectáculo".
Consta que lhes operam as cordas vocais, para que não possam relinchar audivelmente durante a tourada. Por outro lado a música "pasodobleada" não dá oportunidade de escutar as suas vozes.
Creio que isto não deve ser silenciado.


Resumindo, o percurso do cavalo usado para toureio:
Como animal de fuga que é, procuraria a segurança, pondo-se à distância daquilo de que desconfia ou que considera ser perigoso.
No treino e na lide montada, ele é dominado pelo cavaleiro com os ferros na boca, mais ou menos serrilhados, puxados pelas rédeas e actuando sobre as gengivas (freio; bridão - com accção de alavanca, ambos apertados contra as gengivas por uma corrente de metal à volta do maxilar inferior– barbela), coisas muito castigadoras. É incitado pela voz do cavaleiro e por outras acções, chamadas hipocritamente de “ajudas”, como sejam de esporas que são cravadas provocando muita dor e até feridas sangrentas.

Ele é impelido para a frente para fugir à acção das esporas, devido à dor que elas lhe provocam e a voltar-se pela dor na boca e pelo inclinar do corpo do cavaleiro ou a ser parado por tracção nas rédeas.

Resumindo: o cavalo é obrigado a enfrentar o touro pelo respeito/receio que tem do cavaleiro, que o domina e o castiga, até cravando-lhe esporas no ventre e provocando-lhe dor e desequilíbrio na boca. Isso transtorna-o de tal maneira, que o desconcentra do perigo que o touro para ele representa de ferimento e de morte e quase o faz abstrair disso. É, portanto, uma aberração, comprovativa da maior hipocrisia, quando cavaleiros tauromáquicos afirmam gostarem muito dos seus cavalos e lhes quererem proporcionar o bem estar.
Revoltante e vergonhoso é que tal crueldade seja permitida legalmente, feita espectáculo e publicitada.


Já agora:

Muito sofrem cavalos sob violência, azelhice, ambição, exibicionismo de cavaleiros. Claro, que para além do bem estar físico, o bem estar emocional dos cavalos sofre imenso. São bastante excepcionais os cavaleiros que não usam de violência para os cavalos, principalmente em competição.
A violência física actua, principalmente, sobre a boca - gengivas e língua (ferros: freio e bridão - com acção de alavanca - e barbela - corrente apertando os ferros contra o maxilar inferior) e, também, no ventre dos cavalos (esporas) .
A acção violenta sobre a boca repercute-se muito sobre a coluna cervical, a coluna lombar, os membros e sobre os andamentos.
O desporto de competição e o trabalho sacrifica muitos cavalos, obviamente também pelo esforço exagerado exigido.
Cavalos de trabalho têm frequentemente uma vida muito difícil, sendo mal tratados, mal alimentados.
Cavalos explorados para toureio são obrigados com violência a suportar grande tensão emocional (capaz de lhes provocar a morte por colapso cardíaco), a suportar grande esforço físico, a arriscar ferimento e a morte.
Por outro lado, felizmente, muitos cavaleiros dos tempos livres, em maior número do sexo feminino, dedicam amizade, carinho e companheirismo sem exigir demasiado aos seus cavalos, concedendo-lhes bom alojamento, boa alimentação, cuidados higiénicos para com o pelo e os cascos, etc (habitualmente gostam de ser escovados).
Garantem-lhes exercício e alegria em encontros e passeios no seio da natureza.

Um abraço
Vasco


Foto:  Começa a ser um CRIME permitir que isto aconteça! Mas ninguém tem coragem para o dizer... e a muitos convém!

 A utilização de martingalas, in blog tauromáquico


publicado por Maluvfx às 07:45
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Cavalos e pessoas I
Por: Dr. Vasco Reis (médico veterinário aposentado)

Muito sofrem cavalos sob violência, azelhice, ambição, exibicionismo de cavaleiros. Claro, que para além do bem estar físico, o bem estar emocional dos cavalos sofre imenso. São bastante excepcionais os cavaleiros que não usam de violência para os cavalos, principalmente em competição.

A violência física actua, principalmente, sobre a boca - gengivas e língua (ferros: freio e bridão - com acção de alavanca - e barbela - corrente apertando os ferros contra o maxilar inferior) e, também, no ventre dos cavalos (esporas).

A acção violenta sobre a boca repercute-se muito sobre a coluna cervical, a coluna lombar, os membros e sobre os andamentos.
O desporto de competição e o trabalho sacrifica muitos cavalos, obviamente também pelo esforço exagerado exigido.
Cavalos de trabalho têm frequentemente uma vida muito difícil, sendo mal tratados, mal alimentados.
Cavalos explorados para toureio são obrigados com violência a suportar grande tensão emocional (capaz de lhes provocar a morte por colapso cardíaco), a suportar grande esforço físico, a arriscar ferimento e a morte.

Por outro lado, felizmente, muitos cavaleiros dos tempos livres, em maior número do sexo feminino, dedicam amizade, carinho e companheirismo sem exigir demasiado aos seus cavalos, concedendo-lhes bom alojamento, boa alimentação, cuidados higiénicos para com o pelo e os cascos, etc (habitualmente gostam de ser escovados).
Garantem-lhes exercício e alegria em encontros e passeios no seio da natureza.



publicado por Maluvfx às 07:38
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2013
Podem um socialista ou uma comunista do século XXI não ser vegetarianos?
Passar de uma dieta muito carnívora para uma basicamente vegetariana supõe reduzir fortemente o impacto socio-ecológico relacionado com as actividades de alimentação.

Usted no se lo cree” (“Você não acredita”), é o título do excelente blog (sobre aquecimento global) de Ferrán Puig Vilar. Você não acredita que dois séculos depois de Malthus o mundo esteja à beira de uma crise maltusiana. Você não acredita que centenas de milhões de pessoas - se não mesmo milhares de milhões - estejam em perigo. Você não acredita que estamos a entrar numa nova “Idade das Trevas”. Você não acredita que as conquistas que mais apreciamos naquilo a que chamamos de “civilização” possam ter os dias contados. Você não acredita que extensas zonas do planeta possam tornar-se inabitáveis. Você não acredita que as guerras climáticas e outras formas “novas” de violência possam fazer do mundo um lugar onde muita gente desejará não ter nascido. E como não acredita, você - a maioria social - continua instalado na negação e não actua, tratando de aproveitar as minguantes margens de acção que ainda dispomos.

Na explicação da sua incredulidade, creio que uma das razões que tem mais peso tem que ver com a nossa humana, demasiado humana dificuldade para entender as dinâmicas de crescimento exponencial (com esses tempos de duplicação que minguam prodigiosamente) (Meadows, Randers e Meadows (2006), especialmente o capítulo 2: “A força motriz: o crescimento exponencial”). Como mudou o metabolismo sociedade-natureza nos últimos 80 anos aproximadamente, e sobretudo nos últimos 30 anos (os anos em torno de 1930 e 1980 como dobradiças do século XX), é algo que desafia a imaginação humana. Desde que data diria você que os atuais habitantes da Terra emitimos a metade dos gases de efeito estufa? A resposta é espantosa: desde 1980! Apenas em 3 décadas, tanto como em muitos milénios antes: assim se comportam os crescimentos exponenciais. Custa-nos entender que o mundo atual, no que a impactos sobre a bioesfera e os ecossistemas se refere, não tem nada que ver com aquele em que viviam os nossos avós.

Comer carne hoje não tem as mesmas implicações político-morais que tinha em 1930 - nem sequer as que tinha em 1980! Pois, com efeito, uma das coisas que você não acredita é que o tipo de dieta que se faz - que nós fazemos nos países ricos - possa ter um grande impacto socioecológico e converter-se numa dimensão determinante de (in)justiça global. Bem, isto era o que desejava mostrar neste artigo: enquanto que num “mundo vazio” (a saber: um planeta com poucos seres humanos e muita natureza) a dieta não seria um assunto com grande peso político-moral - excepto para aqueles que desafiassem os confins de uma moral estritamente antropocentrica - num “mundo cheio” ou saturado em termos ecológicos (um planeta com muitos seres humanos e pouca natureza - em termos relativos) é-o. (sobre a noção de “mundo cheio” veja-se Daly, 1991)… Por isso, qualquer pessoa que defenda valores igualitários, a quem se preocupa com a sustentabilidade e a justiça, deve considerar a fundo a questão da dieta - com independência do que opine sobre os “direitos dos animais”.

  • 60.000 milhões de animais de exploração...
Até há muito pouco tempo em termos históricos (deixemos a pré-história de lado), o consumo habitual de carne estava restringido a uns poucos ricos privilegiados. Era um assunto de casta e de classe: a maioria das pessoas só comia carne em ocasiões especiais. Contudo, durante a fase fordista-keynesiana do capitalismo (e como uma parte do insustentável modelo sócio-económico que se põe em marcha então, a partir de 1930-1950) desenvolveu-se uma autêntica indústria pecuária mundial, com grandes instalações industriais para a criação intensiva que albergam muitos milhões de animais. A produção mundial de carne, ovos e productos lácteos utiliza todos os anos mais de 60.000 milhões de animais para exploração: quase dez vidas anuais por cada vida humana (desde 2011 somos 7.000 milhões de seres humanos sobre esta terra). Se continuassem as insustentáveis tendências atuais, os efectivos pecuários mundiais poderiam superar os 100.000 milhões de animais em 2050, dez vezes mais a população humana prevista para essa data (Tung, 2010; veja-se também FAO, FAOSTAT Statistical Database, em faostat.fao.org).

As dietas ricas em carne pertencem ao “estilo de vida” dos ricos deste mundo (igual ao automóvel individual, as segundas residências ou as viagens frequentes de avião); e são associadas a prosperidade ou modernidade, num mundo onde o nível de consumo ocidental se transformou no “standard” aos que estão “em vias de desenvolvimento” aspiram. Nas regiões industrializadas as pessoas continuam a consumir muito mais carne que as populações dos países pobres: uma média de 80kg por pessoa por ano contra 32kg. Mas esta brecha está a diminuir, e hoje mais de metade do total mundial de carne produz-se e consome-se actualmente nas regiões eufemisticamente chamadas “em vias de desenvolvimento”.

A produção mundial de carne multiplicou quase por 3 desde a década de 1970, aumentando só 20% na década posterior ao ano 2000. Como resumia a revista agropecuária estado-unidense “Farmer and Stockbreeeder” na sua edição de 30 de Janeiro de 1962, “a galinha poedeira de hoje em dia só é, depois de tudo, uma máquina de conversão muito eficiente, que transforma a matéria prima - substâncias alimentícias - num produto acabado - o ovo - descontando, claro, os gastos de manutenção.” (citado de Harrison 1964. p. 50). Isto não deveria preocupar-nos só porque a existência da imensa maioria das galinhas - e outros animais de fazenda - se tenham convertido num inferno sobre a Terra, se não porque os impactos socioecológicos desta reificação e mercantilização da vida não são assumidas. A intensificação da produção animal industrializada num “mundo cheio” implica que o sector pecuário compita em maior medida - e mais directamente do que antes - pela terra, a água e outros recursos naturais escassos. Isto tem enormes consequências em termos de justiça e sustentabilidade.

  • … e os impactos que essa produção industrial gera num “mundo cheio”
Quando comemos carne de animais criados com produtos agrícolas - como soja ou milho - que nós, seres humanos, podíamos comer directamente, perdemos a maior parte da energia bioquímica das plantas. Trata-se de uma espécie de “lei de ferro” da alimentação (as vezes denominada “lei de Lindeman”): cada vez que se sobe um escação na cadeia alimentar, perdem-se aproximadamente 9 décimas partes da biomassa. Assim, um aproveitamento eficiente dos recursos alimentares exige a permanência na base da cadeia alimentar. Num “mundo cheio”, só podemos alimentar adequadamente todos os seres humanos com dietas basicamente vegetarianas … Hoje, 85% da colheita mundial de soja - a fonte mais importante de proteína vegetal de alta qualidade - utiliza-se para a obtenção de azeite e farinha, e 90% da farinha destina-se ao fabrico de alimentos para animais de estábulo (MacDonald, 2012, p.303). Desde há bastante anos, aproximadamente 40% dos cereais do mundo e mais da terceira parte das capturas pesqueiras são usadas para alimentar a excessiva cabana pecuária mundial.

Há já alguns anos que o Conselho para a Alimentação Mundial da ONU calculou que dedicar à alimentação humana entre 10 e 15% do grão que se destina ao gado, seria suficiente para levar as rações ao nível calórico adequado, erradicando o flagelo da fome (Goodland e outros 1984, p.237). O problema piorou desde então.

Um estudo a cargo dos Amigos da Terra, tornado público no início de 2012, indica que a “pegada do uso da terra” da UE (que calcula a superfície que este conjunto de países necessita para dispor dos produtos agrícolas e florestais que utiliza) inclui pelo menos 60% de terras fora das suas fronteiras (Duch, 2012). Os 640 milhões de hectares da pegada europeia equivalem a 1,5 vezes a sua própria superfície: assim somos o continente mais dependente da “importação” de terras. Além disso, aproximadamente 70% dos produtos do mar consumidos na Europa provêm de oceanos e mares de fora...

Os chamados “países emergentes” aumentam o seu consumo de carne e peixe à medida que sobem na escala de “desenvolvimento” (desde muitos escalões por baixo de onde já nos encontramos!). China destinou em 2010 mais de 50% do seu fornecimento de milho, tanto nacional como importado, à alimentação animal (um aumento considerável tendo em conta os 25% que utilizava em 1980). Para garantir um tipo de dietas mais próximo do “standard ocidental”, a China recorre cada vez mais aos mercados mundiais - comprando principalmente soja mas também milho. Além disso, o grande país asiático está a arrendar e a tratar de controlar terras além das suas fronteiras para cultivar alimentos para a sua população e para o seu gado: é o preocupante fenómeno de acumulação de terras (land-grabbing), um dos sinais mais ameaçadores de choque contra os limites biofísicos do planeto, no início do século XXI (GRAIN, Hobbelink, 2012)...

Uma superfície equivalente à metade da terra fértil disponível na Europa já foi adquirida (a preços ridiculamente baratos) por capitais estrangeiros nos melhores lugares de países africanos ou sul-americanos. Só em África, o Global Land Project fala (num estudo de 2010 com valores de 2009) de 62 milhões de hectares em 27 países; e o Oakland Institute (2011) estima 50 milhões de hectares em 20 países. A agroindustria da Índia já formalizou acordos no Quénia, Madagascar, Moçambique, Senegal e Etiópia para cultivar e exportar para a Índia arroz, cana de açúcar, azeite de palma, lentilhas, verduras e milho, para alimentação neste último caso (Nelson, 2009).

Continuar a aumentar a produção mundial de carne, ovos e produtos lácteos tem uma repercussão directa sobre as perspectivas de aquecimento climático. Segundo a FAO, aproximadamente 18% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) têm a sua origem no sector pecuário (9% das emissões mundiais de dióxido de carbono, 37% das de metano e 65% das de óxido nitroso). Mas outras análises - por exemplo do Banco Mundial - contabilizando emissões indirectas, aumentavam estes valores para 51% das emissões totais de GEE a nível mundial (Steinfeld e outros, 2006; Goodland e Anhang, 2009).

E se nos preocupam as repercussões da utilização massiva de agrocombustíveis sobre a segurança alimentar dos pobres, não nos inquietarão também as consequências do lombo de porco e dos enchidos?

“Durante os últimos anos, as implicações éticas de destinar milho, óleo de palma e cana de açúcar para produzir biocombustíveis estão a ser submetidas, justificadamente, a uma análise mais rigorosa, devido às potenciais repercussões negativas desta prática sobre os preços alimentares, a fome e o meio ambiente. Contudo, em 2007/2008 somente 4% da produção mundial de cereais (100 milhões de toneladas, das quais 95 milhões eram milho) foi utilizada para biocombustíveis. Em comparação, 35% dos cereais (756 milhões de toneladas) foram destinadas à alimentação animal. Em 2007 somente 12% do milho do mundo se utilizou para produzir etanol, enquanto que 60% foi parar ao fabrico de alimentos.” (MacDonald, 2012, pp.303-304)

  • Uma dieta não generalizável
A dieta corrente nos países do Norte - ou nas camadas com rendas maiores que os outros países - além de pouco saudável, não é generalizável ao conjunto do planeta. Vejamos alguns cálculos com valores de 1990 (como se verificará, o núcleo do problema permanece; além disso , desde então os problemas ecológicos mundiais não deixaram de piorar, ao mesmo tempo que continuava a crescer a população humana). Em 1990, para alimentar os mais de 5.300 milhões de seres humanos que então populavam o planeta, contou-se com uma colheita de 1.780 milhões de toneladas de cereais. Supondo-se uma distribuição igualitária, com esta quantidade poderiam alimentar-se suficientemente 5.900 milhões de pessoas: mas com o nível de consumo per capita da Europa Ocidental (especialmente el consumo de carne), só 2.900 milhões puderam.

Suponhamos que a colheita mundial de cereais aumenta até totalizar 2.000 milhões de toneladas. Com isto poderiam alimentar-se somente 2.500 milhões de pessoas com dieta estado-unidense (800kg de cereais por ano, a maioria consumidos indirectamente em forma de carne, ovos, leite, gelados…). Ou então 10.000 milhões de pessoas com a dieta hindu de então (200kg de cereais, consumidos directamente quase na sua totalidade). Nenhuma destas duas dietas é muito saudável, a primeira por excesso, a segunda por defeito. No meio termo encontra-se uma dieta que nutricionalmente é muito mais adequada, a dieta mediterrânea: com os 400kg de cereal por pessoa que consumiam os italianos em 1990 podiam alimentar-se 5.000 milhões de pessoas (Brown, 1997. P.77). Só que hoje – em 2012 – já somos mais de 7.000 milhões, e a população mundial ainda continua a aumentar …

Se 9.000 milhões de pessoas (a população em que talvez se estabilize a demografia humana durante o século XXI) tratassem de comer como hoje o faz o estado-unidense médio, fariam falta as terras de cultivo de mais de dois planetas adicionais para suportar essa dieta: 4.500 milhões de hectares – quando na Terra só existem uns 1.400 milhões de hectares de terra de cultivo (Trainer, 2011; nos espanhóis e espanholas não estamos tão longe do sobreconsumo de carne dos estado-unidenses, se contabilizarmos também no nosso caso a proteína animal proveniente da pesca, que igualmente sobreconsumimos. O mesmo cálculo, de outro ângulo: com dieta estado-unidense, e tendo em conta que temos de cultivar mais coisas que alimentos em terras agrícolas (fibras por exemplo, ou matérias primas para a indústria…) o planeta só poderia dar sustento a 1.500-2.000 milhões de pessoas.

Não se pode ignorar, também que a produção agropecuária de hoje é insustentável a médio prazo (depende crucialmente de recursos não renováveis cujo auge nos estamos a aproximar: petróleo, gas natural, fosfatos)… Não há forma de conceber um mundo sustentável para 17 mil ou mais milhões de seres humanos salvo em termos de agroecologia, soberania alimentar e dieta basicamente vegetarianas.

  • Para concluir
Passar de uma dieta muito carnívora para uma basicamente vegetariana supõe reduzir fortemente o impacto socio-ecológico relacionado com as actividades de alimentação. Deveríamos mudar as nossas pautas de alimentação até uma dieta basicamente vegetariana – a “dieta mediterrânea” que antes evocamos -, muito menos rica em carne e pescado que a actual, e deveríamos renunciar por completo a ganadaria extensiva: criação de aves em corrais abertos, gado bovino e ovino que pastam livremente em prados, etc. (e a ele a condição, claro está, de que se minimize o sofrimento provocado aos animais no transporte e que se sacrifiquem com métodos indolores.) Em torno destes objectivos deveria poder articular-se uma ampla coligação social que unisse ecologistas, defensores dos animais, fazendeiros de montanha (e pequenos fazendeiros em geral), preservadores das raças nativas, activistas pela alimentação natural e consumidores conscientes. Como já sugeri há muitos anos, o lema de uma coligação assim poderia ser “menos carne, melhor carne, vida para o campo” (Riechmann, 2003). E a uma coligação semelhante não deveriam juntar-se os e as socialistas/comunistas do século XXI?

Os sistemas agropecuários actuais já produzem hoje impactos ecológicos inaceitáveis, e – se pensamos no futuro – são ecologicamente insustentáveis. Por outro lado, num mundo onde centenas de milhões de humanos estão sub-nutridos ou morrem de fome, e em cujo horizonte presentimos problemas cada vez mais graves para alimentar adequadamente uma população crescente, não podemos desperdiçar tanta comida criando animais como fazemos hoje. A produção de cereais per capita alcançou um máximo em 1985 e desde então, com todos os esforços realizados, foi diminuindo (Meadows, Randers e Meadows, 2006, p. 120): é outro dos indícios flagelantes de choque contra os limites num “mundo cheio”. Como assinala Esther Vivas,

“Se a “revolução verde” prometeu acabar com a fome no mundo e não o conseguiu – pelo contrário: os valores absolutos de famintos não têm parado de aumentar, superando os mil milhões segundo indica a FAO – o aumento na produção de carne não significou uma melhoria na dieta. Antes (…) o aumento do consumo de carne gerou maiores problemas de saúde e a sua lógica productivista teve um impacto muito negativo no meio ambiente, no campesinato, nos direitos dos animais, e nas condições laborais. Aumentar a produção não implica um maior acesso àquilo que se produz, como bem demonstrou o fracasso da “revolução verde” e a “revolução fazendeira”. (Vivas, 2012)”

Assim a resposta à pergunta posta pelo título deste artigo deveria ser, na minha opinião: um socialista e uma comunista do século XXI deveriam estar conscientes de que só dietas com uma pequena fracção do conteúdo de carne, peixe e produtos provenientes da ganadaria industrial do que hoje se considera “normal” são coerentes com o resto da sua ideologia de emancipação humana.

Se é que levamos a sério os valores da igualdade, justiça e sustentabilidade, claro está.

  • Uma nota sobre a questão das touradas
Concedemos que a mal apelidada “festa dos touros” seja cultura – no mesmo sentido em que os tormentos que aplicava aos seus réus a Santa Inquisição formavam parte da cultura espanhola da época – mas, será por isso um bem? Que uma determinada prática venha enraizada numa tradição ou numa cultura nada nos diz sobre a sua justificação ética. Não se trata de que regionalistas ou nacionalistas periféricos questionem uma suposta essência cultural espanhola, se não de algo de muito maior profundo: a tomada de consciência sobre espectáculos cruéis onde se tortura e mata seres sencientes que sentem dor, medo e outros sentimentos similares aos nossos.

As práticas culturas que servem de invólucro à tortura de seres vivos – desde a caça da raposa à festa vermelha da matança de atuns nas ilhas Feroe – são inaceitáveis. Não disfarcemos a sua brutalidade e inumanidade: trata-se de sinais de barbaridade. A comparação com outras práticas culturais como a ablação do clitóris não supõe que se rebaixe a condição das mulheres, mas sim que em ambos os casos um traço cultural, em determinadas sociedades, é incompatível com o princípio de humanidade.

O sacrifício mais ou menos ritual do touro no decorrer da corrida comporta um grande sofrimento e destruição do animal incompatível com uma consciência civilizada. O sacrifício de seres humanos e de animais não-humanos é parte da história da humanidade e constituiu inclusive o núcleo do sagrado em determinadas formas de organização social: mas a sua persistência, por muito que a assume uma parte de uma sociedade, é incompatível com o progresso moral nas mentalidades e acompanha a reprodução de comportamentos inumanos.

Com a supressão das corridas de touros pode avançar-se para uma reconsideração profunda da relação entre o ser humano, os animais não-humanos e a natureza. Não devemos apoiar práticas sociais que legitimam a submissão aos impulsos primários e a violência.

Publicado na revista Viento Sur. Tradução de Inês Ribeiro.

Fonte do texto: Debate da Associação Política Socialista Revolucionária


publicado por Maluvfx às 15:20
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2013
DEFENSORES DOS ANIMAIS; QUEM SÃO E O QUE FAZEM
No passado, ser um defensor dos animais era tido como uma pessoa careta ou esquisita. Dava a impressão que era uma pessoa que não gostava de gente. Tudo isso mudou. Hoje os defensores estão em todas as camadas sociais e inclusive entre os intelectuais e artistas.


Rodeios, experimentação com animais, touradas, animais de circos, abandono de animais, leis de proteção animal, brigas de galos e de cães, maus tratos aos animais, tráfico de animais silvestres, defesa das baleias, vegetarianismo e veganismo, contra o trabalho de animais, contra o uso de produtos derivados de animais e muitos outros itens fazem parte do trabalho diário dos defensores.  

Na verdade há vários tipos de defensores, desde os mais simples que apenas cuidam bem dos animais e se preocupam por eles, até os extremamente radicais que arriscam suas vidas em defesa dos animais como, por exemplo, o grupo Igualdad animal da Espanha, o Greenpece, o Sea Shepherd e vários outros. Entretanto todos tem algo em comum, o grande amor pelos animais.

Os defensores mais simples em geral são carnívoros, ainda não perceberam que não combina bem defender um animal enquanto come outros. Mas apesar de tudo, já é um início. Com o tempo e dependendo de várias circunstâncias e por diversos caminhos alguns acabam percebendo que é uma incoerência defender animais enquanto promove sua matança comprando carne. E assim, um dia tomam a grande decisão, não se deve comer carne de quem se defende.

Há um grupo de defensores intermediários. São pessoas que às vezes não tem muito tempo para se dedicar a causa animal, assim, são vegetarianos, tratam bem os animais, lêem sobre os temas de defesa dos animais, mas não tem muito como agir para defendê-los.

Há também um grupo totalmente voltado para a defesa dos animais. Passam o maior tempo possível conforme suas vidas lhes permite, dedicando-se aos animais. Essa dedicação acontece das mais diferentes maneiras. Alguns são bem práticos, saem às ruas para ajudar os animais, fazem regate, denunciam, cuidam, montam ONGs para abrigar animais e muitas outras atividades práticas. Essas pessoas são as que mais sofrem em suas tarefas em defesa dos animais, pois só encontram barreiras daquelas pessoas que não entendem o sentido de defender os animais. Em muitos casos, conseguem até inimigos.

Outro grupo cada vez mais importante entre os defensores é um grupo mais intelectual, usam seus conhecimentos técnicos, artísticos ou de formação para ajudar os animais. Por exemplo, há nesse grupo veterinários que poderiam estar comodamente apenas exercendo suas profissões, mas vão mais além, dedicam-se ao salvamento dos animais. Há pessoas com formação que envolve ética, direito, etc. Que usam essas ferramentas para ajudar os animais, escrevendo, divulgando, denunciando e tudo mais. Há também o grupo dos artistas. Usam de seu carisma e de sua arte em defesa dos animais. Aliás, este é o grupo que mais tem crescido nos últimos anos.

Cantores, músicos, atores e muitos outros aderem à causa animal e usam de sua influência junta ao público para passar uma mensagem positiva contra a exploração dos animais. A maior ONG do mundo, o peta, há muito descobriu que o melhor meio para passar uma mensagem em defesa dos animais ao grande público é justamente usando pessoas queridas e até adoradas pelo público, ou seja, os artistas. E neste aspecto tem obtido enorme sucesso, motivando milhões de pessoas a cada ano a um melhor entendimento sobre os animais.

Muitas pessoas passam a defender os animais apenas porque seus ídolos assim o fazem, outras, porque acham que se um grande astro fala a favor de uma causa, vale a pena pesquisar um pouco e ver do que se trata. De toda maneira acaba aderindo à causa, pois não há quem não pesquisa sobre direitos e defesa dos animais que logo não se convença de que deve mudar de atitude radicalmente e passar a defender os animais.

A defesa dos animais é uma causa lógica. Não há como fugir. Basta ter um mínimo de inteligência e boa vontade. Em meia hora de pesquisa séria e reflexão qualquer pessoa inteligente se dá conta do grande erro que vinha cometendo durante toda sua vida, o erro de considerar os animais como meros objetos, como produtos ou alimentos.

Os vegetarianos e veganos.

Um grupo que pode ser dividido em duas partes, aqueles que primeiro se tornaram defensores dos animais e em seguida perceberam que seria uma verdadeira hipocrisia defende-los e ao mesmo tempo come-los e, portanto a solução seria ser vegetariano em defesa dos animais, e um outro grupo que primeiro se tornou vegetariano pensando em si, ou seja, um corpo saudável, longe das doenças, longevidade, etc. Mas que depois vieram a descobrir que vegetarianismo tem tudo a ver com a defesa dos animais, e a partir de então passaram a se dedicar a causa dos animais.

Os defensores dos animais, apesar da modernidade dos meios que usam e da evolução da ética, ainda encontram muitas barreiras e inimigos. A principal delas é a tradição. Alguém no passado inventou determinado procedimento, como por exemplo, o famoso churrasco, ou qualquer outra coisa do gênero que tenha a ver com os animais. A partir daí isso vai passando de geração para geração e ninguém tem coragem de dar um basta.

Assim, sobre para os defensores dos animais, a árdua tarefa de dar um basta em muitas tradições, e claro que isso exige muita luta, é quebrar toda uma corrente, todo um pensamento enraizado nas pessoas, passado de pai para filho. Dizer a alguém que deve abolir o churrasco ou a tourada ou a pescaria em defesa dos animais não é tarefa fácil, o defensor não está enfrentando apenas uma pessoa, mas milhares que praticam a mesma atividade e até as gerações passadas que impingiram tais tradições.

Ainda outro inimigo de peso que o defensor enfrenta é a indústria animal. A indústria não usa apenas a parte material dos animais como a carne, a pele e outros produtos. Usa de uma ferramenta muito difícil de ser combatida, usa a propaganda a fazer de seus produtos. Faz com que os produtos derivados de animais pareçam indispensáveis e maravilhosos. Causa nas pessoas a impressão de que é totalmente impossível viver sem eles. Ao mesmo tempo, essa indústria que usa os animais é rica e poderosa possuindo meios para combater os defensores.

Ultimamente o que muito tem ajudado as pessoas que defendem os animais são os meios modernos de comunicação, sobretudo a internet. Grandes exemplos podemos ver recentemente quando milhares de pessoas se uniram através de e-mails, sites de relacionamentos, blogs, sites e tudo o mais para tentar dar um basta na poderosa indústria que usa peles de animais. Os resultados foram excelentes, essas pessoas unidas conseguiram dobrar as poderosas marcas que usam peles, fazendo-as voltar atrás, dar esclarecimentos e até pedir desculpas.

Assim, as grandes ferramentas modernas para quem pretende defender os animais são duas, os meios principalmente com o uso da internet e a união. Hoje, um defensor isolado não consegue nada. A solução é a união. Assim, aqui recomendamos que entre para algum grupo em defesa dos animais, acompanhe os sites, blogs, e páginas dedicadas a estes temas.

por Leonardo Bezerra


publicado por Maluvfx às 07:54
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2012
Resistir a um bom bife para ajudar o planeta
Hoje em dia já existem muitas opções para os vegetarianos, quer nos supermercados, quer nos restaurantes
 Hoje em dia já existem muitas opções para os vegetarianos, quer nos supermercados, quer nos restaurantes

Adotar uma alimentação vegetariana já não é uma prática para poucos. Hoje em dia as ofertas são muitas e variadas e há cada vez mais pessoas que cortam a carne da sua dieta, não só por considerarem que é mais saudável mas também por ser mais sustentável.

Um estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO na sigla inglesa) indica que a indústria pecuária é responsável pela emissão de mais gases de efeito de estufa do que o setor dos transportes.

Esta “questão ambiental e de sustentabilidade” foi um dos motivos que levou David Saraiva, professor de expressão plástica, a converter-se ao vegetarianismo no final do secundário.  Com uma irmã vegetariana, foi “natural” começar a cortar a carne da sua dieta. “Naquela altura, todo um conjunto de princípios éticos começaram a fazer sentido para mim”, explica ao SAPO Notícias David Saraiva.

Princípios não só ligados à “carnificina que é a matança animal para a alimentação humana”, mas também porque “toda a produção de carne implica direta e indiretamente uma série de questões brutais ao nível do ambiente”, salienta o professor.

David Saraiva é um exemplo de uma família vegetariana, já que tanto a mulher como o filho bebé do casal não consomem carne ou peixe. “Como já somos vegetarianos há tantos anos, nem sequer tínhamos isso em questão, de uma forma natural o meu filho é vegetariano”, diz.

Sofrimento dos animais

Dados da FAO dão conta de que atualmente a pecuária ocupa 33 por cento da superfície da Terra, não só para pastos permanentes, mas também território cultivado para a produção de alimentos para os diferentes tipos de gado.

Só nos Estados Unidos cerca de 42 milhões de vacas são abatidas por ano para serem utilizadas na indústria da carne e dos laticínios, segundo números da PETA, uma associação para defesa dos animais.

O sofrimento dos animais levou Vera Martins a cortar a carne dos seus hábitos alimentares. Foi exatamente no ano de 1999, depois de ler um artigo sobre direitos dos animais. “Este artigo mexeu muito comigo e nesse momento decidi deixar de comer carne”, conta a funcionária do restaurante vegetariano Nakité, no Porto.

Hoje em dia, Vera Martins é vegan, um estilo de vida que corta com todos os produtos de origem animal. Pode parecer radical abolir alimentos que estão tão enraizados nos nossos hábitos, como os laticínios, mas Vera Jardim considera que estes “fazem falta mais pelo hábito” e que existem substitutos. “Bebo leite de soja mas podemos também fazer leite em casa através da aveia ou do arroz”, exemplifica. “Não estamos restritos e acabamos por comer outros alimentos que a maioria das pessoas não conhece”, refere.

Francesinha vegetariana e tofu à lagareiro

Foi para “mostrar às pessoas que se podem alimentar com prazer, sem carências e sem matar animais” que Anabela Vidal fundou há 11 anos o restaurante Nakité. “Desde os 14 anos sou macrobiótica e sempre tive a orientação de contribuir para a cidade onde nasci com este projeto”, afirma.

O restaurante é conhecido na cidade por fazer uma releitura de pratos tradicionais mas 100 por cento vegetarianos. A francesinha vegetariana é um dos sucesso da casa na Rua do Breyner mas há também caldeiradas, chillis, moquecas e caris.

Anabela Vidal deixa mais alguns exemplos: nos pratos de bacalhau (à lagareiro ou à Gomes de Sá), o tofu (alimento produzido a partir da soja) é o substituto ideal, e depois basta seguir a receita. No caso do rolo de carne Wellington, a carne pode ser trocada pelo seitan (um alimento à base de glúten). “Fica muito parecido com o original”, garante a proprietária do restaurante Nakité.

Padaria do Suribachi vende bolos feitos com leite de soja
Padaria do Suribachi vende bolos feitos com leite de soja 
O Suribachi é outro espaço na cidade dedicado a hábitos alimentares e terapias alternativas. Surgiu “há 33 anos com o objetivo de ser uma escola para transmitir uma filosofia de vida para adquirir saúde através da alimentação”.

A proprietária, Maria Arminda Pereira, conseguiu superar um problema de saúde durante a primeira gravidez através da alimentação macrobiótica e a partir daí quis “contribuir para fornecer conhecimento” nesta área.

Na macrobiótica predominam “cereais integrais, vegetais, leguminosas, algas e soja”, explica Maria Arminda Pereira, lembrando que “não se proíbem produtos de origem animal mas é preciso ter consciência do que se come”.

Maria Arminda tem estudado muito sobre estes hábitos alimentares alternativos e considera que quando se quer adotar a dieta vegetariana ou macrobiótica é preciso ter “conhecimento” sobre a matéria e não sei deixar levar por “modas”. “Quando queremos tomar medicamentos, temos de ir ao médico, com os alimentos é igual”, conclui.

Fonte


publicado por Maluvfx às 13:19
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2012
VAMOS TENTAR PERCEBER O "cerebro"(?) dos toureiros...

Um Estudo Bestial: “A Magia da Mente de um Toureiro” [ em baixo o texto original]

Virou moda a produção em larga escala de estudos para todos os tipos de gostos. São fiáveis? Tavez para quem queira acreditar neles.
Os aficionados também produzem estudos, ridículos, mas produzem-nos. O último que é de gritos foi feito por um neurocientista e bioquímico, que se chama Antonio Alcalá.

O estudo intitula-se “A magia da mente de um toureiro”. O neurocientista em causa, afirma não perceber nada de touros nem de toureiros, mas curiosamente produziu um estudo, em forma de decálogo, sobre os mesmos!

Desfrutem porque o estudo é hilariante. As notas a negrito são da nossa responsabilidade
O toureiro é um macho alfa com uma linguagem sexual impecável.

1. Os toureiros são escravos da infidelidade. O toureiro pelo seu baixo nível de vasopressina, está mais disposto à infidelidade. Todos os toureiros lidam contra a sua infidelidade sexual não a emocional.

Para quem não sabe, a vasopressina é uma hormona segregada pelo lobo posterior da hipófise, que aumenta a reabsorção de água pelo rim, diminuindo assim a excreção de urina, e que tem também acção constritora sobre os vasos sanguíneos; hormona antidiurética.

2. São os pais ideiais e todas as mulheres os desejam. É um dos grande segredos psicológicos: os indivíduos que não têm medo são eleitos para procirar e dar os seus genes. As mulheres recebem sinais que as fazem sentir-se atraídas pelo homem que toureia o que desperta nelas o seu desejo sexual.

Imaginamos uma fila de mulheres para agarrar o toureiro mais próximo!Como os toureiros são uma minoria, felizmente, é caso para dizer que muito provavelmente as que os desejam são aquelas que podem tirar num futuro algum tipo de benefício graças ao dinheiro que eles ganham, especialmente tendo em conta que no ponto 1, o estudioso afirma que os toureiros são escravos da infidelidade.

3. O seu cérebro está moldado pelo medo. Nessa sensação intervém a hormona vasopressina sobre a amígdala cerebral a responsável directa pela infidelidade genética. Altas doses de medo e fidelidade são um cocktail quase impossível.

Com as nossas devidas desculpas, mas para nós isto é chinês……..

4. Donos dos dois hemisférios. Ao contrário da maioria dos humanos, que só usam o hemisfério esquerdo, os matadores de touros usam ambos. Se o mapa dos homens “normais” é uma estrada, o dos toureiros é uma autoestrada com cinco faixas de rodagem, por onde passam partículas à velocidade da luz.

Chamem o Einestein por favor.

5. Os super toureiros em fase teta e paranormal. Um humano “normal” emite em beta e dorme em alfa; um toureiro só está em beta quando não toureia, pois quando o faz encontra-se em estado alfa, um estado de meditação. Se mantem esse ritmo alfa triunfa, se entra em beta fracassa. Alguns entram em teta, mentes paranormais que sentem uma força interior e uma intuição que lhes permite saber a quantos centímetros se devem acercar do touro. Têm premonições, sonhos com significados. O toureiro sabe quando vai ser colhido por um touro.

Nós diríamos que eles têm mentes anormais e é por isso que adoram torturar animais. Mas o que é que vale a nossa opinião comparada com esta afirmação genial!

6. A dopamina pelas nuvens: “imunes” à doença de Parkinson. Através do medo produz-se muita dopamina, um potente neurotransmissor que é segregado por jovens apaixonados. Daí que considerem que não existe uma lide perfeita e que queiram cativar com o seu toureio. Este alto nível é um dos motivos que faz com que entre toureiros a doença de Parkinson só apareça se os níveis de dopamina baixarem.

Genial e andam os verdadeiros neurocientistas há tanto tempo à procura de uma forma de evitar a doença de Parkinson. Afinal a forma de a evitar é simples, põem-se todas as pessoas a tourear!

7. Muito protectores do seu círculo. O toureiro é o chefe do clã e pelo seu elevado índice de testosterona, a sua mente é protectora, tanto da sua família como com da sua quadrilha. A sua mente é também capaz de fazer duas coisas ao mesmo tempo: amar uma mulher e sentir-se atraído por outra…

Machismo é a palavra mais apropriada para o chefe do clã. Quanto a amar uma mulher e sentir-se atraído por outra, isso acontece com muitas pessoas e não são toureiras.

8. Coerência luminosa positiva. Todos os corpos emitem luz. As melhores lides produzem-se quando existe uma coerência luminosa positiva. As piores resultam da incoerência luminosa e dos pensamentos negativos. Se existisse uma máquina fotográfica capaz de captar essa luz, ver-se-ia a figura do toureiro envolto nela. Essa coerência luminosa faz com que de modo inconsciente essa luz seja capaz de curar.

Isto é misticismo, algo que não se enquadra numa avaliação cientifíca.

9. Os toureiros não têm um carácter diferente: usam-no de modo diferente. As suas melhores lides produzem-se quando o coração está em estado de compaixão e amor; as piores, quando em modo de horror.

Permita-nos discordar senhor doutor mas quem tortura animais e faz disso profissão não tem carácter.

10. De toureiro a super toureiro. É um passo complexo, o mesmo que acontece com os faquires que usam a energia do universo e que faz produzir uma explosão de neurotransmissores no cérebro. O ponto de não retorno biológico não é o mesmo para todos e é por isso que muitos novilheiros ficam pelo caminho.

Nós também achamos que eles deviam usar a energia dos faquires para espetarem as picas e as bandarilhas neles próprios e se conseguissem resistir então sim, seriam sem dúvida super toureiros.
Este estudo é insulto a qualquer pessoa minimamente inteligente, é inacreditável como uma pessoa com um curso superior se preste a apresentar semelhante aberração cuja finalidade única é lavar a imagem dos abusadores de animais.

Prótouro
Pelos touros em liberdade



«El torero es un macho alfa con un lenguaje sexual impecable»
El doctor Antonio Alcalá desvela los secretos del comportamiento del cerebro de los toreros

Apriétense los machos. Comienza una trepidante aventura por el interior del torero, «un macho alfa que seduce a la masa, un creativo con lenguaje sexual impecable, que no pregunta si estudias o trabajas y que cuando está con una mujer no mira a otra; no teme al sexo opuesto, se sale con la suya y no negocia ante el riesgo».

¿Quieren conocer los secretos de su yo más íntimo? El profesor Antonio Alcalá Malavé, neurocientífico y bioquímico, expuso en una interesante conferencia en Las Ventas las claves desde el punto de vista científico: «La magia de la mente del torero», ha bautizado su trabajo, que traspasa los tópicos con reflexiones sorprendentes y que desatarán el debate. Reflexiones que arrojan luz al porqué de la verdad de cada torero: de dónde emana su magia, su naturalidad, su pureza, su valor... «La dopamina, la norepinefrina y la serotonina son sustancias que todos tenemos en nuestro cerebro. En el de los toreros aparecen en mayor cantidad, teniendo como consecuencia una repercusión directa en el qué y cómo sienten, sufren y viven», sostiene el experto.

Suenan clarines y timbales, una música que trae las notas de la química cerebral, la biológica neuronal, la física cuántica, las matemáticas aplicadas a la medicina y la anatomía. Arranca la faena del doctor Alcalá, que confiesa «no saber nada de toros ni toreros», pero maestro de la maquinaria científica que expone sobre el ruedo descubrimientos que no dejarán indiferentes:

1. Sentimientos: «esclavos» de la infidelidad. El torero rebosa amor hacia su entorno, pero por su bajo nivel de vasopresina está más predispuesto a la infidelidad. Todos los toreros luchan contra su infidelidad sexual, que no emocional.

2. Los padres ideales que toda mujer desea. Es uno de los grandes secretos psicológicos: los individuos que no tienen miedo son los elegidos para procrear y dar sus genes. Las mujeres reciben señales que les hacen sentirse atraídas por el hombre que torea, despierta su deseo sexual, los consideran padres ideales de sus hijos.

3. Su cerebro está moldeado por el miedo. En esa sensación interviene la hormona vasopresina sobre la amígdala cerebral, responsable directa de la infidelidad genética. El torero se lo encuentra como la última consecuencia de su coqueteo con la muerte, siendo una reacción fisiológica. Altas dosis de miedo y fidelidad son un cóctel casi imposible.

4. Dueños de los dos hemisferios. Al contrario que la mayoría de los humanos, que solo usan el hemisferio izquierdo, los matadores utilizan ambos. Si el mapa de los hombres «normales» es una carretera, el de los toreros es el de una autopista con cinco carriles, por donde pasan partículas a la velocidad de la luz. Aprenden del todo a la parte, no analizan sino que sintetizan, se deja llevar por su intuición para alcanzar la gloria.

5. Los supertoreros, en fase theta y paranormal. Un humano «normal» emite en beta y duerme en alfa; un torero solo está en beta cuando no torea, pues cuando lo hace se encuentra en estado alfa, un estado de meditación. Si mantiene ese ritmo alfa, triunfa; si entra en beta, fracasa. Algunos entran en theta, mentes paranormales que sienten una fuerza interior y una intuición que les hace saber cuántos centímetros acercarse al toro o hasta dónde alargar un natural. Tienen premoniciones, sueños con significados, películas... El torero sabe cuándo va a ser cogido por un toro, torean meditando.

6. La dopamina, por las nubes: «inmunes» al parkinson. A través del miedo se produce mucha dopamina, un potente neurotransmisor que se segrega en jóvenes enamorados. De ahí que consideren que no existe una faena perfecta y que quieran cautivar con su toreo. Este alto nivel es uno de los motivos por los que en los toreros apenas existe la enfermedad del parkinson, que se produce por la bajada de dopamina. Como Obélix, los maestros del toreo se cayeron en una marmita.

7. Muy protectores con su círculo. El torero es el jefe del clan y, por su elevado índice de testosterona, su mente es sumamente protectora, tanto con su familia como con su cuadrilla. Su mente es capaz también de hacer dos cosas a la vez: querer a una mujer y sentirse atraído por otra...

8. Coherencia lumínica positiva. Todos los cuerpos emiten luz. Las mejores faenas se producen bajo una coherencia lumínica positiva, mientras que las peores brotan por la incoherencia lumínica y los pensamientos negativos. Si existiese una cámara fotográfica capaz de captarlo, se vería la estampa del maestro envuelto en luz. Esa coherencia lumínica hace que de modo inconsciente su cuadrilla y la gente se acerque al torero, que con esa luz es capaz de curar y sanar tejidos.

9. Los toreros no están hechos de otra pasta: la usan de modo diferente. Sus mejores faenas se producen cuando el corazón está en estado compasión y amor; la peores, en modo terror.

10. De torero a supertorero. Es un paso complejo, en el que como los faquires usan la energía del universo y se produce una explosión de neurotransmisores en el cerebro. El punto de no retorno biológico no es el mismo para todos: de ahí que algunos novilleros se queden en el camino. Todo según las teorías del doctor Alcalá.

Decálogo según las teorías del doctor Alcalá, un prestigioso bioquímico que lo resume en siete secretos, basados en los estudios de los más reputados científicos, con nombres y apellidos dentro de su brillanten discurso. Los siete «pecados capitales» de la torería, enigmas que engrandecen los misterios del supertorero, un auténtico samurái que no ora como el común de los mortales. Son las luces y sombras de los «guerreros de la luz», aquellos que Coelho hoy hubiese cincelado.

¿Y qué pasa con las mujeres toreras? Pues ídem de ídem según el experto. La división de opiniones, como en todas las faenas, está servida.

http://www.abc.es/20121005/cultura-toros/abci-torero-macho-alfa-lenguaje-201210042116.html



UN ESTUDIO ANALIZA CÓMO ES EL CEREBRO DE LOS MATADORES DE TOROS
Según el doctor Antonio Alcalá, neurocientífico malagueño de 48 años, “el miedo origina que el cerebro de un torero se modele, se modifique. El torero vive con ese miedo, es como si su cerebro se hubiese encallecido frente al miedo”.
El doctor Antonio Alcalá Malavé ha lidiado en un terreno que pocos científicos habían pisado antes y ahora acaba de arriesgar, al hilo de una conferencia titulada “La magia de la mente del torero”, una teoría sobre el comportamiento del cerebro de los matadores de toros. De los lidiadores se intuía su predisposición al valor, a la entereza y al arte, pero ahora este científico ha conjugado la bioquímica cerebral y la biología celular para racionalizar, sin resabios folclóricos, la auténtica verdad del toreo en un estudio presentado recientemente en Madrid.
“El número de neurotransmisores (al modo de teléfonos móviles gracias a los cuales todo el cerebro se encuentra conectado) que tiene un torero es muy superior al de una persona normal – ha aclarado el doctor, defensor de la fiesta de los toros sin ser aficionado de la misma-. Además, su calidad es muy buena. Por eso, la mente de un torero no es una mente normal”.
Pero que nadie piense lo que no es. El torero siente miedo, miedo con mayúscula, una perturbación con pinta de furioso morlaco que es lo que motiva el principio mismo de los postulados de este científico.
Y ese principio es que “el miedo origina que el cerebro de un torero se modele, se modifique. El torero vive con ese miedo, es como si su cerebro se hubiese encallecido frente al miedo”.
“Además, por el miedo, el cerebro de los toreros emite en una frecuencia distinta a la del resto de los humanos: la frecuencia paranormal”, ha afirmado Alcalá.
“Los toreros son mediums que intuyen lo que va a ocurrir -ha apuntado-. Son capaces de cohesionar todas sus células a la velocidad de la luz: por ello, cuando torean, entran en lo que se llama ‘coherencia lumínica’; o sea, despiden luz por la gran cantidad de energía que liberan”.
Sin embargo, por qué un torero lo sigue siendo también fuera de la plaza y sus arquetipos eternos se suceden sin remedio.
“En un matador, hay neurotransmisores que aumentan mucho, y otros, que disminuyen otro tanto -ha continuado-. Por ejemplo, el neurotransmisor que hace que toree a la perfección es la dopamina, el mismo que secretan los enamorados; el que le hace torear con felicidad, la serotonina”.
Y en este punto ha añadido: “No obstante, hay otro neurotransmisor, la vasopresina, que el matador segrega en mucha menor cantidad, y le predispone biológicamente a la infidelidad: es lo que se llama un efecto colateral de ser torero”.
Esos “efectos colaterales” son los que perfilan el grueso trazo de la personalidad del torero fuera de la plaza. “Por ejemplo, su alto índice de testosterona hace que sean muy protectores con su ambiente, con su clan, y muy poco cercanos”, ha rematado.
Siempre se ha pensado que los toreros están hechos de otra materia, pero, según el doctor Alcalá, no es así: “No, están hechos de la misma pasta de una persona normal. Pero utilizan recursos propios y otros recursos no usados por las personas normales, con el propósito de ponerse delante de un toro y torear”.
Pero en qué órgano se aloja el gusto de Manzanares con el capote, la alegre valentía de José Tomás cuando se encara con el toro, el magnetismo que envuelve a Morante en la plaza. Los toreros, ¿mueven más el corazón o el cerebro?.
“Uno de los mayores reservorios de electromagnetismo del torero no es el cerebro, sino el corazón”, ha dicho el doctor.
“Ellos perciben que, cuando el corazón emite en una frecuencia de compasión y amor, son capaces de arrimarse más al toro, de torear mejor -ha continuado-. Mientras que, si emite en una frecuencia de temor o de odio hacia el animal, es mejor que no se acerquen al toro porque, habitualmente, acaban siendo cogidos”.
Misterios de la mente y del corazón de los toreros y toreras -no hay distinción de sexo en estas investigaciones-, ahora puestos al descubierto por el doctor Alcalá como si estuviera abriendo la misteriosa caja de Pandora del toreo, según los nítidos parámetros que ofrece la anatomía, la biología, la matemática y la física cuántica, entre otras ciencias.
http://torosennavarra.com/?p=7229

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publicado por Maluvfx às 05:49
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012
Intelectuais contra as touradas
(...) um cartaz sem data, mas provavelmente de meados do século passado (foi visado pela Comissão de Censura), no qual várias personalidades portuguesas se pronunciavam sobre touradas, a convite da Sociedade Protectora dos Animais.
(..) esse cartaz (..) transcrevia posições antigas contra as touradas que se tornaram actuais (...) transcrevo alguns dos depoimentos de intelectuais portugueses da época que nele constam:
"Os espectáculos bárbaros e cruéis, em que o prazer dos espectadores está precisamente na contemplação do martírio e, porventura, na agonia dos animais sacrificados, em que se integram as corridas de touros, o tiro aos pombos e os combates de animais uns contra os outros, devem ser banidos de todas as sociedades com pretensão a civilizadas".
Pedro José da Cunha, Professor e
 Antigo Reitor da Universidade de Lisboa
"Sou contra os 'touros de morte' como teria sido contra os bárbaros combates dos circos romanos, em que os homens eram atirados às feras. Não posso concordar, portanto, com que se atirem, nos nossos circos, as pobres feras aos homens!"
Leal da Câmara, Professor e Pintor de Arte
"Como homem e como professor não posso deixar de lhes enviar a minha mais completa e entusiástica adesão ao protesto levantada pela Sociedade Protectora dos Animais contra um espectáculo indigno do nosso tempo, da nossa mentalidade, da nossa civilização".
Aurélio Quintanilha, Professor da Universidade de Coimbra
"A multidão desvairada das praças de touros é a mesma multidão odiosa das arenas de Roma, é a mesma multidão que nas madrugadas das execuções se proscreve dos leitos para ir contemplar, numa bestialidade repugnante, o dos condenados à morte a contorcer-se no garrote ou na forca, a cabeça dos decapitados dependurando-se sangrenta, clamando vingança, não das mãos delicadas, da filha de Herodíades, mas sim das mãos imundas, indignas do carrasco."
Ferreira de Castro, Escritor 


 (...)
 Seria hoje possível encher um cartaz com depoimentos semelhantes de intelectuais portugueses?

Fonte: De Rerum Natura


publicado por Maluvfx às 11:40
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Sábado, 15 de Setembro de 2012
Porque é que há gente aficcionada e se mantém fiel à tradição?
Deve haver muito tribalismo. Marias e Manéis são criados no ambiente tauromáquico desde a infância, absorvem a cartilha e vão com os outros e as outras. São alvo da influência e evitam pensar, interessar-se, terem coragem em discordar e mudar, mesmo que vacilem e reconheçam que há sofrimento dos animais. Mas seria difícil discordar, seria incómodo, provocaria zanga e arriscaria acusação de traição e castigo por parte da multidão. 

Com certeza, que reconhecem sofrimento da parte dos animais, mas mais forte do que compaixão será o gosto pelo "espectáculo", pela "festa das pessoas (claro que os animais não festejam, pois sofrem)", a presunção, a cumplicidade, o companheirismo, a confraternização, mais ou menos embriagada e embriagadora. 

Para essa onda, então que se lixe o sofrimento dos bichos, quando a tourada é tão "entusiasmante"?

Trata-se, pois, de defender o espectáculo, a tradição, o negócio, a facturação dos “artistas”, as "admiráveis qualidades" da tauromaquia e os "feitos culturais, virtuosos e admiráveis dos artistas tauromáquicos" e as barrigadas de gozo que as touradas proporcionam?

Penso que cartas abertas críticas e didácticas dirigidas ao lobby pouco influência terão na evolução desta mentalidade, mas deverão ter um ricochete importante e levar o público em geral a tomar conhecimento e a reflectir sobre a realidade da tauromaquia. Pouco esforço exigem, pois os argumentos dos críticos da tauromaquia são óbvios. Penso que devem ser frequentes e variadas.
Provavelmente, até provocarão respostas dos aficcionados, que representem tiros nos próprios pés.

Vasco Reis
médico veterinário aposentado
Aljezur


publicado por Maluvfx às 10:43
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2012
Anatomia do sofrimento de um touro (quando espetado pelo 'matador' na praça de touros)
© Revista Complutense de Ciencias Veterinarias et al

Há algo que gostaria de partilhar, visto que a informação está a ser publicada de forma galopante pelos meios de comunicação social.
Eu não pude ficar indiferente à informação fraudulenta que por aí circula, numa tentativa de justificar o injustificável! Ainda por cima vindo de "profissionais" da área, isto é verdadeiramente triste, senão vergonhoso!
Analisando a imagem em baixo:
Primeiro que tudo existem vários tipos de stress, segundo as hormonas corticosteróides, como o cortisol, não são catecolaminas (Adrenalina, epinefrina, etc.), terceiro é lógico que o cortisol esteja mais elevado durante o transporte, afinal ele está relacionado principalmente com respostas de stress a longo prazo, não a curto!

A informação da imagem não tem valor científico algum! Apenas vem afirmar o que consta há 50 anos nos livros de Fisiologia! Se os defensores das touradas querem ser levados a sério façam uma pesquisa dos níveis dos mediadores da dor (bradicinina, serotonina, substância P, etc.) e das catecolaminas, aquando de todos os processos que o animal é sujeitado!
Dizer que o animal não sofre porque apresenta níveis de cortisol mais baixos do que em transporte é algo surreal! Estão a misturar os pés com as mãos. E isto não sou eu que estou a inventar, consta em todos os manuais de Fisiologia, é uma das bases da fisiologia e uma falha gravíssima atentar contra isto!
Dor ≠ Cortisol - Não podemos deixar que moldem os factos em favor das circunstâncias!
O pior é que isto até foi publicado no jornal de notícias e tem vindo a ser utilizado como argumento!
Um aplauso à ignorância gratuita!
Na minha óptica isto é VERGONHOSO!
É preciso filtrar a informação, pois há muita gente que acredita neste artigo falacioso!

por Ricardo Lopes
Mestrado Integrado em Medicina Veterinária · Évora



Anatomía del sufrimiento.
La lidia consta de una serie de tercios en los que el toro es picado, banderilleado, y herido de muerte con el estoque, siendo posteriormente descabellado y apuntillado.

La puya es un arma metálica cortante y punzante que consta de 6 cm de cuerda encolada y 2.5 cm de púa piramidal tan afilada en cada una de sus aristas como la hoja de un bisturí. Va provista de un tope cilíndrico que debería impedir que entrara en el cuerpo del animal más de esos 8.5 cm.

Son muchos los estudios anatomopatológicos que se han desarrollado sobre cadáveres de toros lidiados para determinar las lesiones que provocan.
En todos, absolutamente todos los estudios consultados al respecto, se reconoce que los puyazos suponen, entre otras cosas, un gran daño neurológico para el toro.
En más del 70% de los toros estudiados, se ha determinado que las puyas son clavadas en zonas muy posteriores a la indicada como “ideal”.

Las lesiones descritas afectan a más de 20 músculos, sin contar los intercostales y costales. Todas estas estructuras son necesarias para la movilidad del tercio anterior de animal, los movimientos del cuello, y de la cabeza, y para la función respiratoria. Pero no son sólo los músculos, tendones y ligamentos los que son seccionados, sino también importantes venas, arterias, y nervios

Los resultados indican que la profundidad media de los puyazos es de 20 cm, habiéndose encontrado trayectorias de hasta 30 cm. Se sabe que una sola vara puede abrir hasta 7,4 trayectorias diferentes.

Se reconoce que las puyas provocan fracturas de apófisis espinosas y transversas de vértebras, fracturas de costillas, y de sus cartílagos de prolongación, y que pueden perforar la pleura y el pulmón, dando lugar a neumotorax. Del mismo modo son inevitables las lesiones de la médula espinal, las hemorragias en el canal medular, y la lesión de nervios tan importantes como el plexo braquial (que se ocupa de la inervación de las extremidades anteriores), y de las ramas dorsales de los nervios espinales que se encuentran paralelos a la médula.

Las pérdidas de sangre que sufre un toro en la suerte de varas son algo contradictorias, oscilando entre el 8 y el 18% de su volumen sanguíneo. Un toro de 550 kilos perdería entre 3 y 7 litros de sangre tras los puyazos.

Las banderillas, que se clavan en número de seis, llevan en su extremo un arpón de acero cortante y punzante, que en su parte visible será de una longitud de 4-6 cm. Desgarran muchas de las estructuras anatómicas lesionadas con anterioridad por las puyas, y producen lesiones en unos 10 cm alrededor de donde han sido insertadas, aumentando la pérdida de sangre en el animal.

El estoque, una espada curvada de 80 cm de largo, debería lesionar o secciónar los grandes vasos que asientan en la cavidad torácica, es decir, la vena cava caudal y la arteria aorta posterior.

Lo que sucede con más frecuencia es que el estoque lesiona cordones nerviosos laterales a la médula, lo que provoca la desconexión de todo el aparato motor de la caja torácica, lo que añadido a la gran lesión del pulmón derecho, da lugar a una dramática dificultad respiratoria. La sangre pasa del pulmón a los bronquios, de allí llega a la traquea, y sale al exterior por la boca y la nariz.

En otras ocasiones se atraviesa el diafragma, lo que va a producir una parálisis por lesión del nervio frénico; la lesión del nervio frénico puede determinar compromiso de la función diafragmática con insuficiencia respiratoria.
Se dan casos en que las estocadas son tan traseras que pueden llegar a penetrar en el hígado y la panza.
El descabello se realiza con una espada similar al estoque, pero que lleva un tope de 10 cm. Su misión es lesionar y seccionar la médula espinal entre la 1ª y 2ª vértebra cervical.

La puntilla se le da al toro con un cuchillo de 10 cm de hoja, que una vez introducido en el espacio occipito-atlantoideo secciona el bulbo raquídeo, provocando la parálisis general del animal con disminución de la presión arterial. Los movimientos respiratorios se van paralizando y la sangre circulante, cargada de CO2, produce hipoxia en el encéfalo. Se dice que provoca la muerte instantánea del toro, pero no es cierto, ya que va a dar lugar a la la muerte por asfixia.

Algunos animales presentan durante algún tiempo después reflejos que son compatibles con la vida. La puntilla está prohibida en todos los mataderos de la UE por considerarse un método cruel de dar muerte a un animal.



RAZONES PARA ABOLIR LA TAUROMAQUIA: POR QUÉ EL TORO SI SUFRE


INFORME TÉCNICO VETERINARIO SOBRE LAS CORRIDAS: POR QUÉ EL TORO SI SUFRE.

POR QUÉ EL TORO NO SUFRE, ¿POR QUÉ?

POR QUÉ EL TORO SÍ SUFRE

de José Enrique Zaldivar Laguía
Veterinario
Colegiado en el Ilustre Colegio de Veterinarios de Madrid


publicado por Maluvfx às 10:45
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012
10 ideias perigosas
As velhas soluções já não servem. A dinâmica de mudança, numa sociedade que tudo discute, partilha e explora, exige novas ideias. Não as convenientes ou óbvias, mas as que se apresentam como estapafúrdias, radicais ou perigosas.
As velhas soluções já não servem. A dinâmica de mudança, numa sociedade que tudo discute, partilha e explora, exige novas ideias. Não as convenientes ou óbvias, mas as que se apresentam como estapafúrdias, radicais ou perigosas.

Uma pesquisa levou-me a escolher 10 ideias arrojadas. Umas circulam por blogues de visionários, outras fazem parte de documentos oficiais e publicações especializadas. Aqui vão, com os respetivos argumentos:

1. Legalizar todas as drogas.
O proibicionismo não tem contribuído para a diminuição do consumo e, pelo contrário, gerou criminalidade e guerras. O narcotráfico é hoje uma das maiores fontes da instabilidade mundial, consome imensos recursos públicos e conduz a uma lógica de estado policial. Numa sociedade livre, cada pessoa tem direito a consumir os produtos que deseja. O Estado não deve ingerir-se na esfera privada.

2. Direito ao suicídio, assistido ou não.
Na mesma linha da liberdade individual, também não cabe ao Estado decidir quando uma pessoa pode ou não morrer. Cada indivíduo deve poder escolher o momento em que deseja pôr termo à sua existência.

3. A medicina faz mal à saúde.
Um estudo realizado nos Estados Unidos revela que o tratamento hospitalar é a terceira causa de morte prematura. Não só devido a frequentes erros de diagnóstico ou de terapia, mas derivado da própria lógica da intervenção. Um sistema de saúde, que garante que tudo resolve e cura, conduz a uma menor responsabilidade e prevenção dos próprios e a uma prática generalizada de desleixo e modos de vida claramente nefastos.

4. Taxar os gordos.
Nesta linha de pensamento, há quem proponha que se taxem os gordos. A obesidade não é só uma doença e causa de doenças, mas um malefício para toda a sociedade, pelo excesso de consumo e pelos recursos gastos com o sistema de saúde e adaptação dos equipamentos sociais.

5. Criar novas formas de vida.
Há que assumir de vez a engenharia genética como uma componente fundamental da evolução humana. Nesse sentido, para além da criação de novos organismos, deve caminhar-se para o desenho dos bebés e generalizar a clonagem humana.

6. Carta de direitos dos robôs.
Com o crescente desenvolvimento da robótica, que caminha a passos largos para uma maior autonomia, capacidade de decisão, inteligência e mesmo alguma consciência, é necessário garantir alguns direitos a estas novas formas de vida. Matar ou maltratar robôs deve ter um tratamento punitivo similar ao que já sucede com a vida animal e com os próprios humanos.

7. Tornar todo o software livre.
Alguns autores propõem o conceito de liberdade individual no uso do software, ou seja, que não deve ser permitido que o mesmo se imponha sobre nós. Mais radicais são os que defendem que todo o software deve ser mesmo livre e que a geração de lucros assente na produtividade daí gerada e não na mera aquisição. Aliás, a experiência demonstra que o gratuito é a maior fonte de receitas na Internet.

8. Acabar com a ajuda humanitária.
Os resultados da ajuda humanitária, sobretudo em África, são, no mínimo dececionantes. Geraram um sem número de ONG's que consomem o grosso dos subsídios e, pior, acabaram no bolso de ditadores e empresas que se especializaram na apropriação destes recursos. Melhor seria promover investimentos diretos e reprodutivos.

9. Legalizar os bairros de lata.
Em vez de demolir os bairros de lata, numa guerra suja cujas consequências são sempre tão ineficazes quanto dramáticas, as cidades devem integrar estas estruturas nos seus tecidos urbanos. Afinal é aí que, em muitos casos, a vida social é intensa e o urbanismo mais criativo.

10. Esvaziar as prisões.
Habituámo-nos com demasiada facilidade a fechar em prisões os que cometeram alguma ilegalidade. De forma discricionária, não distinguindo verdadeiros crimes de pequenos atos de rebeldia ou pura estupidez. A população de encarcerados vai crescendo, ao ponto de em certos países, como é o caso dos Estados Unidos, Rússia ou Brasil, se terem atingido números absolutamente incomportáveis, num sistema que mais do que punir se tornou num mecanismo de promoção do crime.

Leonel Moura




publicado por Maluvfx às 19:35
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