Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Sábado, 17 de Março de 2012
Consumir carne vermelha aumenta risco de morte, afirma novo estudo de Harvard
Consumir carne vermelha aumenta risco de morte, afirma novo estudo de Harvard

Sinal vermelho para a carne 
Red meat raises red flags

Mais uma vez a universidade de Harvard, nos EUA, uma das mais respeitadas do mundo, divulga um estudo condenando a ingestão de carne. O trabalho, que companhou mais de 120 mil pessoas durante quase 30 anos, concluiu que o consumo diário de carne vermelha aumenta o risco de morte prematura em até 20%. Foram analisadas informações de 37.698 homens e 83.644 mulheres durante 22 anos e 28 anos, respectivamente. Os participantes foram entrevistados sobre seus hábitos alimentares a cada quatro anos.

Doenças cardíacas, diabetes e câncer

As doenças mais comuns constatadas entre as pessoas que comeram carne regularmente durante o estudo foram as relacionadas ao coração, a diabetes do tipo 2 e também ao câncer. 23.926 pessoas morreram durante o estudo. Destas, 5.910 de doenças cardiovasculares e 9.464 de algum tipo de câncer.

Ferro heme (presente na carne) e doenças crônicas

O ferro da carne, tão enaltecido pela mídia e pelos produtores de carne, foi apontado como um dos ingredientes contidos na carne que causam doenças crônicas como as cardíacas e o câncer.
“A carne vermelha, carne processada especialmente, contém ingredientes que têm sido associadas ao aumento do risco de doenças crônicas, como doenças cardiovasculares e câncer. Estes incluem o ferro heme, a gordura saturada, sódio, nitritos, e certos agentes cancerígenos que são formados durante o cozimento.” – Diz um trecho do documento.

Foi apontada a carne processada (linguiça, mortadela, salame, salsicha, patê, etc.) como grande vilã, mas outros tipos de carne considerados mais saudáveis como aves e peixes não se mostraram tão eficientes como os vegetais na busca de uma vida com mais saúde.
 
Substituindo a carne

Os cientistas de Harvard concluíram que a forma mais eficaz de substituir a carne no cardápio, com o intuito de evitar as doenças geradas por ela, é utilizar nozes. Substituir a carne vermelha por nozes provou que o risco de mortalidade cairia em 19%.

Redução da carne e economia com gastos de saúde pública

Incentivar a população a reduzir ou a deixar o consumo de carne traria uma economia de bilhões de dólares em saúde pública, segundo especialista.”Mais de 75% dos US$ 2,6 bilhões gastos anualmente com saúde nos Estados Unidos são por motivos de doença crônica”, disse Dean Ornish, médico e nutricionista da Universidade da Califórnia, em San Francisco. “Consumir menos carne vermelha pode ajudar a reduzir a mortalidade devido a essas doenças e reduzindo, assim, os custos com saúde”, complementa.

Ouça a notícia na CBN aqui.

Hand_605
Red meat raises red flags


Study: Red Meat Increases Risk of Premature Death



Red Meat Consumption Linked to Increased Risk of Total, Cardiovascular, and Cancer Mortality




The Risks of Red Meat

Red meat? It's food to die for:


publicado por Maluvfx às 17:37
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
Nutricionistas ensinam como forçar uma criança a comer animais


Embora não seja considerada uma tarefa fácil, encontrar crianças que não querem comer nennhum tipo de carne e outros alimentos de origem animal está cada vez mais comum. Mesmo crianças muito pequenas, sem conhecimento e maturidade suficientes para tomar decisões de forma consciente, rejeitam comer animais. Talvez seja a evolução natural da nossa espécie se mostrando.
Porém, um dos maiores obstáculos que surgem no caminho destes “pequenos veganos de fábrica”, é a falta de informação de grande parte dos médicos e nutricionistas. Presos a paradigmas da profissão, indicam às mães que mascarem os alimentos, se preciso, para não deixar de dar animais para que seus filhos comam. As mães, claro, entendem por decreto o que os profissionais dizem. Com razão, por medo. Foi exatamente o que aconteceu com a jornalista Rosana Jatobá, relembre  aqui o caso dela.
Neste artigo, do site “Bolsa de Mulher”, alguns profissionais insistem na velha e ultrapassada forma de garantir o ferro e outros minerais na alimentação das crianças: carne. “Ofereça pelo menos umas dez vezes para saber se realmente ela ainda não se acostumou ao gosto do bife. Você deve insistir: as tentativas são necessárias”, diz um trecho da matéria.
Um bom profissional deve se manter atualizado. Se o seu nutricionista manda seu filho comer carne, troque de nutricionista.


Fonte: Vista-se


publicado por Maluvfx às 17:35
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Domingo, 18 de Dezembro de 2011
Hominídeos vegetarianos
Desenvolvimento dos primeiros primatas

Há cerca de 60 milhões de anos desenvolveram‑se os primeiros primatas*, mamíferos dos quais todos descendemos, e com eles partilhamos muitas das capacidades que hoje possuímos. A evolução da garra para a mão foi muito importante do ponto de vista da capacidade de utilização de objectos como ferramentas (nomeadamente pedras e paus), ao mesmo tempo que a localização dos olhos nas zonas laterais do rosto ia sendo gradualmente substituída pela zona frontal, o que possibilitou que a nossa visão se tornasse estereoscópica, ou seja, que passássemos a ver em relevo as imagens planas. A sobreposição dos campos visuais daí resultante deu origem à visão em profundidade, vital para a identificação de predadores à distância.

A flexibilidade e a adaptação às condições em constante mutação são duas das condições para que uma espécie sobreviva, seja bem‑sucedida e saiba aproveitar as vantagens do inesperado. Todos os seres vivos que dependam de um habitat específico para sobreviverem estão condenados à extinção se esse habitat for destruído. A chave do sucesso não está só na flexibilidade mas também na inconstância, a arte de confundir os predadores. O lémur, um dos nossos primeiros antecessores primatas cujo habitat tem permanecido quase inalterado desde há 60 milhões de anos, permanecia nas árvores a maior parte do tempo e a sua dieta consistia em folhas, frutos secos de casca dura, bagas, frutas e caules comestíveis.
Vinte milhões de anos depois dos os lémures, chegaram os antropóides, primatas mais evoluídos que incluem os macacos, os símios e os humanos— outro grupo de vegetarianos. Há 5 a 25 milhões de anos atrás este grupo diversificava e colonizava África, a Eurásia e as Américas tropicais usando as pontes naturais entre continentes que existiam na época. Certamente percorreram grandes distâncias, de climas frios a moderados e quentes e pensa‑se que os climas nórdicos mais frios ajudaram ao desenvolvimento dos antropóides, levando‑os a consumirem mais cascas de árvores, câmbio vascular (mucilagem que cresce no interior da casca das árvores rica em proteínas e hidratos de carbono) e folhas de plantas perenes. Eram todos vegetarianos, mas a dieta começava a ser mais sortida com a crescente variedade de alimentos e sabemos que diversidade em abundância significa mais inteligência.
Há cerca de 18 milhões de anos surgiram os hominídeos**, símios sem cauda e com cérebros e corpos maiores do que os dos macacos que se desenvolveram em África; do grupo fazia parte um símio denominado Proconsul, por vezes chamado “o papá de todos nós”. Pensa‑se que partilhamos este antecessor com o gorila, outro famoso vegetariano e estudos de ADN demonstram a nossa relação próxima com o gorila e o chimpanzé e que descendemos de um antecessor comum com cerca de 5 a 6 milhões de anos. Através do estudo de maxilares fossilizados, sabemos que estes primatas eram herbívoros e que se alimentavam de frutos secos de casca dura, bagas, fruta e câmbio vascular (conhecido hoje em dia como olmo e consumido por alguns de nós como suplemento alimentar na convalescença). Com pequenas idas ao solo, conseguir‑se‑iam ainda facilmente sementes, caules, bolbos, raízes e até líquenes em pedras húmidas e algas dos lagos, uma mistura é vital para o desenvolvimento do sistema nervoso.
Alguns críticos defendem que os nossos antecessores primatas não seriam completamente herbívoros pois comeriam insectos e até caçariam mamíferos bebés ou pequenos macacos, tal como hoje fazem em liberdade. Talvez fosse verdade, mas a quantidade não foi suficiente para provocar mudanças na dentição: os dentes caninos são pequenos e os molares apresentam uma superfície ampla de moagem com uma camada espessa de esmalte, o que faz dos seus maxilares um poderoso instrumento de esmagar, moer e mastigar, destinado a lidar com vegetação. O seu gosto por insectos não os levou a experimentar outras pequenas criaturas, tais como sapos e lagartos.
Quanto à caça ao pequeno macaco colobo*** ou a crias de javali, tal como se vê em documentários de David Attenborough, esta pesquisa iniciou‑se com Jane Goodall: o seu grupo de chimpanzés foi observado durante um período de tempo que permitiu aferir dos números exactos de quantidade de carne consumida e de animais mortos. Num período de 10 anos, os cerca de 50 chimpanzés mataram e comeram cerca de 95 mamíferos pequenos: crias de javali, de gazela‑pintada (também denominado antílope‑pongo ou golungo) e de babuínos com pesos de cerca de 4,5 kg cada, o que dá uma média diária de 2,4 gramas— o peso aproximado de uma ervilha— por indivíduo. Além disso, as pequenas vítimas foram encontradas acidentalmente sem haver planos para caçar nem matar.
De todos os primatas vivos, os humanos são os únicos que comem animais de grande porte, sendo quase todos os restantes herbívoros. A nossa origem está nesta mistura genética de grandes grupos de criaturas pacíficas e amigáveis que subsistem alimentando‑se de ervas, folhas, frutos secos de casca dura, bagas, raízes e frutas. Não há dúvida que o nosso metabolismo construído ao longo de vários milhões de anos se sustém melhor por uma dieta vegana e só depois vegetariana, por esta ordem.
Há 3 milhões e meio de anos surgiu o Australopithecus Afarensis, apelidado Lucy. Era de estatura pequena, deambulava pela planície africana e pela floresta, vivia perto da água e era também herbívoro. Existiam vários tipos de Australopithecus, incluindo o Robustos, estigmatizado como assassino e como fonte dos nossos instintos agressivos, mas na realidade também ele era vegetariano, usando apenas ossos de mamíferos para desenterrar raízes e bolbos; a descoberta destes ossos ao lado dos do próprio primata, levou os antropólogos a pensar que tinham encontrado o primeiro caçador: enganaram‑se por um milhão de anos.


Quando começaram os nossos antepassados a comer carne?
Quando se iniciou o consumo de carne? Podemos datar a caça a partir de ferramentas usadas para matar, mas antes delas já existiam algumas muito básicas para cortar, raspar e cavar que foram encontradas junto dos restos mortais do Homo Habilis, que viveu há cerca de 1 milhão e meio a 2 milhões de anos atrás. Os antropólogos consideram provável que o Homo Habilis obtivesse a sua carne através da caça a felinos, mas tal como muito do que se diz acerca da evolução dos humanos, é apenas especulação.

A caça começou há cerca de um milhão e meio de anos com a chegada do Homo Erectus que viveu até há 200 mil anos. Os antropólogos de carnívoros dizem‑­nos isto como se a partir daí o Homo Erectus apenas comesse carne crua e mais nada e foi até sugerido que o desenvolvimento do nosso cérebro só teria começado com o consumo de carnes vermelhas. Se houvesse correlação entre o consumo de carnes vermelhas e o crescimento de células cerebrais, então os felinos teriam os maiores cérebros e seriam hoje a espécie dominante. Há outras razões para o aumento do volume cerebral.
Matar animais selvagens não é uma tarefa fácil e se os primeiros humanos dependessem apenas de carne, passariam fome a maior parte do tempo; por isso a maior parte da dieta consistia no que sempre tinha consistido: plantas silvestres frescas e uma porção, sem dúvida, seca e armazenada. Desta experiência deve ter nascido um grande conhecimento enciclopédico transmitido de geração em geração: as mulheres e crianças eram quem procurava e juntava ervas, flores e sementes, reconhecendo os seus efeitos no corpo humano. Hoje em dia, as tribos ameríndias das bacias do Amazonas e Orinoco têm um profundo conhecimento das propriedades das plantas da floresta tropical e os botânicos aprendem muito com elas. Esta armazenagem de grandes quantidades de informação na nossa Pré-História exigiria uma vasta inteligência.
Para que as células cerebrais cresçam, é necessário um equilíbrio entre dois grupos de ácidos gordos neurológicos: ómega 3 e ómega 6, sendo esta a combinação equilibrada que promove o crescimento do córtex cerebral, o lobo frontal onde está localizado o intelecto e o raciocínio. Os ácidos gordos ómega 6 encontram-se em arbustos, árvores e ervas e ainda hoje em África existem mais de 200 plantas silvestres com sementes e frutos secos ricos naqueles ácidos; por sua vez, o ómega 3 está presente nas folhas e noutras partes verdes das plantas, bem como no fitoplâncton e nas algas.
Convém dizer que também a carne contém ácidos gordos ómega 6 mas as células cerebrais não podem ser estimuladas sem uma quantidade igual de ómega 3, razão pela qual os carnívoros não podem ter uma inteligência superior através do consumo de grandes quantidades de apenas carne. De igual forma, a flora e a fauna aquáticas são ricas em ómegas 3, pelo que a fonte mais rica de nutrientes para os primeiros hominídeos e humanos teria estado em terra e em estuários fluviais. O desenvolvimento cerebral terá ocorrido não com o consumo de peixe nem carne, mas simplesmente através do consumo de uma grande variedade de alimentos vegetais. Nas zonas costeiras, de certeza que a dieta incluía plantas do mar.
Portanto, o consumo de carne teve início somente há cerca de um milhão e meio de anos, o que comparado com uma pessoa de 80 anos, significa que só nos últimos 15 consumiu carne; ou seja, durante 65 anos fomos vegetarianos. Isto tem implicações importantes na nossa saúde pois as investigações já demonstraram que uma dieta herbívora é de longe a mais saudável de todas e talvez uma que inclua apenas vegetais e frutas da época crus (crudivorismo) seja a mais bem conseguida de todas por ser tão semelhante à dieta da nossa evolução. Não se trata de negar que os seres humanos se tornaram omnívoros, pois só através da adaptação a diferentes fontes alimentares puderam colonizar o mundo, mas a verdade é que se comia muito pouca carne em comparação com o consumo actual. A caça tomou proporções maiores quando as mudanças climáticas (grandes eras glaciares) destruíram as fontes alimentares dos climas nórdicos. No entanto, em termos evolucionistas este é um período de tempo muito curto e a prova é que os nossos corpos não se adaptaram totalmente à mudança. A caça também alterou a nossa relação com os animais, mas a grande modificação nessa relação ocorreu quando o caçador‑recolector se transformou no criador de gado, quando as tribos nómadas se sedentarizaram e domesticaram animais e uma mudança ainda maior ocorreu quando se iniciou a criação intensiva de animais.
Os Índios Americanos acreditam que todas as coisas têm espírito: o vento, as árvores, a chuva, a neve, as aves e os mamíferos e quando iam caçar (a maioria das tribos não caçava, cultivava) tiravam à natureza apenas o que consideravam consumível e não arriscavam pôr em risco a sobrevivência de nenhuma espécie. Rezavam também pelo espírito do animal que matavam, demonstrando respeito pela sua essência, uma atitude tristemente inexistente de todo nos humanos modernos. Talvez os primeiros humanos tivessem esta atitude mais próxima dos animais que caçavam, mais próxima dos mistérios da vida, morte e renascimento do mundo natural.
O caçador encontrava‑se perante o selvagem e o indomado enquanto que o criador de gado já tinha em parte domesticado os animais ao seu cuidado. O criador de gado é dono do animal, controla a sua vida e morte— domina‑o e aqui começa o especismo. Só com o início da domesticação é que o Homo Sapiens começou a acreditar que era o mamífero dominante, livre para explorar todas as outras criaturas.
Contudo, durante grande parte da nossa História, a carne foi sempre prerrogativa dos deuses e dos poderosos enquanto que a maioria das pessoas só a comia em dias de festivais religiosos (três ou quatro anuais). Em 3500 a. C. muitas pessoas desdenhavam da carne e o grande pensador e matemático Pitágoras era uma delas. A maioria reverenciava‑o, mas escarnecia dos seus seguidores e fazia deles vilões. Nada muda! Então por que é que a abstinência da carne foi ridicularizada ao longo da História? Desde o início que a carne significava poder, a riqueza era medida em cabeças de gado e o heroísmo calculado pela quantidade de carne se conseguia ingerir (os homens robustos tinham fama de comer um boi de uma assentada). Por sua vez, a riqueza significava poder de direcção e controlo, bem como influência na comunidade. Os pobres comiam carne duas vezes por ano, talvez na Páscoa e no Natal, e quanto mais se comia, mais se mostrava a toda a gente o sucesso que se tinha: a carne era e ainda é o equivalente gustativo do casaco de pele de vison (marta).
Para aqueles que acreditam que é assim que se mede o status, é particularmente aborrecido constatar que para um pequeno grupo de pessoas este símbolo não vale nada, é inteiramente rejeitado e mesmo desprezado. Não é de admirar que os vegetarianos sejam levados a mal por se recusarem a acreditar na doutrina da maioria, na fé do status quo. Mas os vegetarianos não são apenas levados a mal, são abominados, pois fazem com que os consumidores de carne se sintam culpados e toda a gente detesta sentir‑se culpada.

Texto de autoria de Colin Spencer.
Colin Spencer é romancista, dramaturgo, autor de livros de culinária e tem uma coluna acerca de alimentação no jornal The Guardian.
O seu livro mais recente, The Heretic`s Feast – a History of Vegetarianism, com abundante pesquisa, apresenta uma perspectiva pormenorizada do vegetarianismo ao longo dos tempos. É também autor de muitos best‑sellers de culinária, tais como Cordon Vert e The New Vegetarian.


Referência:
http://www.viva.org.uk/guides/fruitsofthepast.htm
Traduzido e adaptado de Fruits of the Past publicado pelo Viva!, grupo vegetariano do Reino Unido — http://www.viva.org.uk

Fonte: Centro Vegetariano


publicado por Maluvfx às 19:54
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O papel da carne na evolução humana
Entre as razões para defender o fim da ingestão de carnes, os vegetarianos apresentam uma apoiada na história de nossa espécie: o consumo desse item não é mais vital ao ser humano, como foi para nossos ancestrais. Não estão errados ao apresentar esse argumento. Cabe lembrar, contudo, que a carne de fato teve papel fundamental na evolução.
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O consumo dos produtos de origem animal pode ter contribuído para o crescimento acelerado da massa cerebral humana, devido à grande quantidade de nutrientes e proteínas encontrada ali, explica Rui Murrieta, professor de antropologia do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). A dieta dos antigos não era exclusivamente carnívora: a alimentação era mais parecida com a dos grandes macacos, que comiam frutas, tubérculos e sementes. "A carne era um complemento à alimentação diária, obtida por meio da rapinagem (apropriação da caça de outros predadores) ou da caça de pequenos animais", diz.

Murrieta explica que a carne não é mais indispensável à espécie porque, atualmente, podemos obter uma alimentação rica em proteína a partir de outras fontes. "Nossos ancestrais distantes não sabiam plantar, não tinham conhecimento e nem recursos para obter proteína e nutrientes necessários: até 10.000 ou 12.000 anos atrás, antes da revolução agrícola, éramos caçadores e coletores", conta o professor.

O homem possui um sistema digestivo onívoro - um modelo que se localiza entre o do leão e o da vaca, em termos evolutivos -, capaz de digerir a carne com muita eficiência. Por outro lado, ele é capaz de se adaptar facilmente a uma dieta vegetariana.

Prazeres da carne - Não é possível precisar o momento exato em que o homem passou a ingerir carne, diz a antropologia. Porém, é provável que nossos ancestrais tenham começado a consumir o produto há pelo menos dois milhões de anos. As ferramentas usadas na época, descobertas por escavações arqueológicas, deixam claro que era possível esmagar ossos e aproveitar o tutano - substância de alta concentração de gordura encontrada dentro dos ossos e rica em nutrientes.

"Mesmo sem esse tipo de ferramenta, é possível que nossos ancestrais já tivessem carne em suas dietas há 4 ou 5 milhões de anos", afirma Murrieta. "Os babuínos, por exemplo, caçavam sem uso de pedra. A ferramenta seria utilizada para esmagar os ossos e consumir o tutano, mas não precisava ser necessariamente lascada", relata. Outra informação importante que vem do passado e sugere que a carne fazia parte do prato na Pré-história: nossos ancestrais possuíam muito mais força no aparato dentário, o que facilitava a mordida e não exigia necessariamente o corte.

Fonte


publicado por Maluvfx às 19:45
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2011
Nutricionistas ensinam como forçar uma criança a comer animais

Embora não seja considerada uma tarefa fácil, encontrar crianças que não querem comer nennhum tipo de carne e outros alimentos de origem animal está cada vez mais comum. Mesmo crianças muito pequenas, sem conhecimento e maturidade suficientes para tomar decisões de forma consciente, rejeitam comer animais. Talvez seja a evolução natural da nossa espécie se mostrando.
Porém, um dos maiores obstáculos que surgem no caminho destes “pequenos veganos de fábrica”, é a falta de informação de grande parte dos médicos e nutricionistas. Presos a paradigmas da profissão, indicam às mães que mascarem os alimentos, se preciso, para não deixar de dar animais para que seus filhos comam. As mães, claro, entendem por decreto o que os profissionais dizem. Com razão, por medo. Foi exatamente o que aocnteceu com a jornalista Rosana Jatobá,relembre  aqui o caso dela.
Neste artigo, do site “Bolsa de Mulher”, alguns profissionais insistem na velha e ultrapassada forma de garantir o ferro e outros minerais na alimentação das crianças: carne. “Ofereça pelo menos umas dez vezes para saber se realmente ela ainda não se acostumou ao gosto do bife. Você deve insistir: as tentativas são necessárias”, diz um trecho da matéria.
Um bom profissional deve se manter atualizado. Se o seu nutricionista manda seu filho comer carne, troque de nutricionista.

Médicos endossam dieta vegana para gravidez Saudável

Vegetarianismo em pediatria

Record News: Vegetarianismo na infância




Fonte: Vista-se


publicado por Maluvfx às 14:29
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
Vídeo Institucional ABIEC
Vídeo Institucional ABIEC - A$$ociação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes

Vídeo institucional sobre a indústria brasileira da carne. Se eu soubesse que é assim, jamais teria feito campanhas contra! Agradeço por terem aberto meus olhos e peço que divulguem esse vídeo muito esclarecedor. Infelizmente, ele só teve 54 views em mais de um ano publicado. É a nossa terra, nosso orgulho, nossa carne gerando divisas para o país!
Viva a indústria brasileira da carne!
Exemplo para todas as nações!!!
Por George Guimarães


publicado por Maluvfx às 15:22
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Palestra do Diretor da ABIEC, Fernando Sampaio no congresso mundial da Carne em Campo Grande - MS
Durante palestra do setor, produtores de carne admitem estar incomodadísimos com as campanhas vegetarianas.



Alguém dê um Prêmio Nobel para esse palestrante do Congresso Mundial da Carne!

George Guimarães comentou: 
Me lembrei agora de um protesto que o VEDDAS fez em 2007 quando o Congresso Internacional da Carne (esse mesmo do vídeo) foi realizado em SP: http://www.veddas.org.br/relatorios-de-acoes/60-congresso-internacional-da-carne-2007.html  
Fotos em http://www.veddas.org.br/fotos/category/34-protesto-durante-o-congresso-internacional-da-carne-2007.html  
O protesto gerou uma entrevista com Joelmir Beting onde falamos JUSTAMENTE sobre as questões que o "palestrante" está esbravejando nesse vídeo recente: http://www.youtube.com/watch?v=ZGHYSw0eXPQ

Excelente comentário da Renata VegVida 
"Vegetarianismo é coisa de elitista; mas as pessoas comem mais carne quando ganham mais dinheiro". Olha que belo raciocínio! (pára e pensa, povo, as coisas que eu como eu compro na droga do mercado municipal e em feira livre). Eu como feijão, arroz, farinhas, frutas, legumes. E não como granola de manhã, aliás, tomo café preto com pão (embora o quilo da granola muitas vezes seja mais barata que o quilo do pão francês!). Mas comprar um quilo de aveia a R$ 4,00 e colocar um cereal nas suas refeições não é um feito heróico, é saber lidar com economia doméstica o que, infelizmente, parece que tem muita gente querendo que continue sendo "coisa de elitista". Comer mais feijões - que rendem mais e são mais baratos que a carne - não é coisa de elitista, é coisa de gente esperta. 
As pessoas não sabem o que comprar, comer e cozinhar, não sabem variar, não sabem boicotar preços altos e aproveitar safras; isso é SIM uma questão de educação, muito mais do que uma questão de acesso. É tão "elitista" quanto livros são elitistas. Queimem os livros então, pecuaristas! Não estou discutindo linha da pobreza e miséria absoluta, essas são situações limites em que as pessoas sequer comem com freqüência e dificilmente têm opção de escolha. Mas um pecuarista falar que comida vegetariana é "elitista" chega a ser comédia! Poucas coisas são mais elitistas que um latifúndio, não é por nada. E quem tem mais interesse nessa questão? Pecuaristas que dependem financeiramente da venda de carne ou Vegetarianos que são pessoas diversas geralmente não ligadas à produção e que defendem vegetarianismo/veganismo e consumo de itens da agricultura em detrimento da pecuária simplesmente pq acham isso uma coisa CORRETA? 
Fora que vegetais são muito mais iguais para todos. Um tomate é um tomate, uma cebola é uma cebola, feijão é feijão, arroz, banana… Geralmente leva-se a coisa inteira; se quiser cortar, separar, aproveitar, é uma escolha só sua. Há vegetais mais caros e mais baratos de acordo com produção, disponibilidade e alguns são mais raros até, mas quando se compara um vegetal ele simplesmente é o que é. Já carne (seja de qual bicho for) tem normalmente “partes” ou “cortes”. É o mesmo bicho mas tem de primeira, de segunda, víceras, ossos, pele… E comer um filé, um músculo, língua, cozido de tripas, um embutido ou caldo de mocotó são coisas vistas pela maioria como muito diferentes embora todos possam vir do mesmo animal. Quanto mais pobre pior o tipo que se come, negando mesmo acesso dos mais pobres (e não são nem os miseráveis) às partes ditas “nobres”. Isso não é elitista, então? O senso de realidade dos produtores chegou aí e parou.


publicado por Maluvfx às 14:23
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Segunda-feira, 13 de Junho de 2011
Porque Adoramos Cães, Comemos Porcos e Vestimos Vacas?
Melanie Joy, Ph.D (Doutorada em Psicologia), Ed.M (Mestre em Educação), é psicóloga social e autora do livro "Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows" (Porque Adoramos Cães, Comemos Porcos e Vestimos Vacas), que explora a ideologia por detrás do consumo de carne e o porquê de alguns animais serem considerados animais de companhia, enquanto que outros são considerados alimento. A Dra. Joy é professora de Psicologia na Universidade de Massachusetts, em Boston, e tem vindo a estudar a psicologia do especismo desde há vários anos.


O que é o Carnismo?
carnismo é um sistema de crenças invisível, ou uma ideologia, que condiciona as pessoas a comer (certos) animais. O carnismo é, essencialmente, o oposto do vegetarianismo ou do veganismo; "carn" significa "carne" ou da carne" e "ismo" denota um sistema de crenças. A maioria das pessoas vê o consumo de animais como um dado adquirido em vez de uma escolha; em culturas que consomem carne, por todo o mundo, as pessoas tipicamente não pensam sobre o porquê de acharem a carne de alguns animais repugnante e a carne de outros animais apetitosa, ou sequer sobre o porquê de comerem animais. Mas quando comer animais não é uma necessidade para a sobrevivência, tal como no caso da maioria da população actual, constitui-se como uma escolha – e as escolhas derivam sempre de sistemas de crença.
Reconhecemos que não comer animais deriva de um sistema de crenças; o vegetarianismo foi nomeado há séculos atrás. Em conformidade, não nos referimos aos vegetarianos como "consumidores de plantas", uma vez que compreendemos que comer plantas reflecte uma ideologia implícita, na qual o consumo de animais não é ético nem apropriado. No entanto, continuamos a referir-nos aos "não-vegetarianos" como "consumidores de carne", como se o acto de comer animais estivesse separado de um sistema de crenças, como se os vegetarianos fossem os únicos a levar para a mesa do jantar o seu sistema de crenças. Porém, a maioria das pessoas come porcos mas não come cães, isto porque possui um sistema de crenças no que respeita a comer animais.
Então porque é que o carnismo tem continuado sem nome até agora? Uma razão é porque, simplesmente são mais fáceis de identificar as ideologias que saem da norma. Uma razão ainda mais importante é porque o carnismo é uma ideologia dominante - uma ideologia de tal modo difundida e interiorizada que os seus princípios são considerados senso comum, “a maneira como as coisas são”, em vez de serem considerados um conjunto de opiniões mantidas pela maioria das pessoas. O carnismo é também uma ideologia violenta e exploradora; organiza-se em torno de uma violência intensiva, extensiva e desnecessária, e em torno da exploração dos animais. Até a produção da chamada carne com um tratamento mais humano (e outros produtos de origem animal), que constitui uma pequeníssima percentagem da carne produzida actualmente, explora os animais e envolve crueldade. Os princípios do carnismo contrariam os valores de base da maioria das pessoas que não estaria disposta, de outra forma, a apoiar a exploração de outros ou a permitir tal violência para com seres sencientes. Assim, o carnismo, à semelhança e outras ideologia violentas e exploradoras, tem que se esconder para garantir a participação da população; sem o apoio popular, o sistema entraria em colapso.


Omnívoro, Carnívoro e Carnista
Assim como “consumidores de carne” é uma expressão imprecisa e enganadora para descrever aqueles que não são vegetarianos, também o são os outros termos commumente usados tais como “omnívoro” e “carnívoro”. Estes termos reforçam a assunção de que comer animais é natural, um dos mitos mais interiorizados e convincentes, que é usado para justificar o carnismo. “Omnívoro” e “carnívoro” descrevem a disposição fisiológica e não a escolha ideológica de cada um: um omnívoro é um animal, humano ou não, que consegue ingerir tanto matéria animal como vegetal e um carnívoro é um animal que precisa de ingerir carne para sobreviver.
Pelas razões mencionadas acima, “carnista” é o termo mais adequado para descrever aqueles que comem animais. “Carnista” não é um termo com uma intenção pejorativa; tem apenas um propósito descritivo, para descrever quem age de acordo com os princípios do carnismo – tal como “capitalista”, “budista”, “socialista”, “crudivorista”, por exemplo, descrevem aqueles que agem em conformidade com uma ideologia em particular. Se temos um nome para os vegetarianos, faz todo o sentido termos um nome para aqueles cujos comportamentos reflectem o sistema de crenças oposto. “Carnista,” no entanto, difere dos outros “istas” atrás referidos porque a maioria dos carnistas não sabe que é de facto carnista, uma vez que o carnismo é invisível. Muitas pessoas são essencialmente, carnistas inadvertidas; tal é o paradoxo de ser carnista. E apesar de “carnista” ter sido criado simplesmente por uma questão de exactidão, o termo pode ser encarado como ofensivo – muito provavelmente porque, num certo nível, as pessoas consideram ofensiva a desnecessidade de matar e de consumir animais.


Defesas Carnísticas
As ideologia como o carnismo mantêm-se vivas ensinando-nos a não pensar ou a não sentir quando seguimos o que ditam, e uma das principais formas de fazerem isto é usando um conjunto de mecanismos que operam tanto ao nível social como psicológico. As “defesas carnísticas” escondem as contradições entre os nossos valores e os nossos comportamentos, permitindo-nos fazer excepções aquilo que normalmente consideraríamos ético.
A principal defesa do sistema é a invisibilidade e a principal forma da ideologia ficar invisível é permanecendo não-nomeada: se não a nomearmos, não a vemos, e se não a virmos, não podemos falar sobre ela ou questioná-la. Mas não só a própria ideologia é invisível, como também o são as vítimas do sistema: os triliões de animais de produção pecuária que são mantidos fora de vista e dessa forma, convenientemente afastados da consciência pública; a contínua degradação ambiental; a exploração dos trabalhadores dos matadouros e dos embaladores de carne; e os consumidores de carne que têm cada vez um maior risco de padecer das doenças mais graves do mundo industrializado e que têm sido continuamente condicionados a desligarem-se, psicologicamente e emocionalmente, da verdade da sua experiência no que diz respeito a comer animais.
Mas a invisibilidade é apenas a primeira linha de defesa na fortaleza do carnismo; é impossível obscurecer completamente a verdade. Assim, quando a invisibilidade inevitavelmente falha, o sistema precisa de um suporte. Consequentemente, o carnismo ensina-nos a justificar o facto de comermos animais, e ele fá-lo apresentando os mitos da carne (e de outros produtos animais), como se fossem os factos sobre a carne, promovendo os Três Ns da Justificação: comer animais é normal, natural e necessário. Os Três Ns estão institucionalizados – são incluídos e mantidos por todas as grandes instituições sociais, desde a família ao estado – e, talvez não surpreendentemente, têm sido evocadas ao longo da história para justificar outras ideologias exploradoras e violentas (ex. escravatura, domínio masculino, etc.).
O carnismo também se defende a ele próprio através da distorção das nossas percepções sobre a carne e os animais de forma a podermos sentir-nos confortáveis o suficiente para os comermos. Aprendemos, por exemplo, a ver os animais de produção pecuária como objectos (ex. referimo-nos às galinhas como algo em vez de alguém) e como abstracções, desprovidos de qualquer individualidade e personalidade (ex. um porco é um porco e todos os porcos são iguais), e para criar categorias rígidas nas nossas mentes de forma a podermos acolher sentimentos e comportamentos muito distintos relativamente às várias espécies (ex. a carne de vaca é deliciosa e a carne de cão é repulsiva; as vacas são para comer e os cães são nossos amigos).
Existem mais defesas que sobrepõem e reforçam as mencionadas aqui, mas todas as defesas servem um único propósito: bloquear a nossa sensibilidade e empatia no que toca aos animais de produção pecuária e aos produtos produzidos pelos seus corpos. Tendo consciência das defesas carnísticas, porém, somos menos vulneráveis à sua influência; somos capazes de sair do sistema e de olhar a questão de comer animais com os nossos próprios olhos, em vez de olharmos pelas lentes do carnismo.

Autoria: Dra. Melanie Joy
Fonte:Carnism Awareness and Action Network (CAAN)
Tradução: Sílvia Ferreira


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Porque Adoramos Cães, Comemos Porcos e Vestimos Vacas?
Melanie Joy, Ph.D (Doutorada em Psicologia), Ed.M (Mestre em Educação), é psicóloga social e autora do livro "Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows" (Porque Adoramos Cães, Comemos Porcos e Vestimos Vacas), que explora a ideologia por detrás do consumo de carne e o porquê de alguns animais serem considerados animais de companhia, enquanto que outros são considerados alimento. A Dra. Joy é professora de Psicologia na Universidade de Massachusetts, em Boston, e tem vindo a estudar a psicologia do especismo desde há vários anos.


O que é o Carnismo?
carnismo é um sistema de crenças invisível, ou uma ideologia, que condiciona as pessoas a comer (certos) animais. O carnismo é, essencialmente, o oposto do vegetarianismo ou do veganismo; "carn" significa "carne" ou da carne" e "ismo" denota um sistema de crenças. A maioria das pessoas vê o consumo de animais como um dado adquirido em vez de uma escolha; em culturas que consomem carne, por todo o mundo, as pessoas tipicamente não pensam sobre o porquê de acharem a carne de alguns animais repugnante e a carne de outros animais apetitosa, ou sequer sobre o porquê de comerem animais. Mas quando comer animais não é uma necessidade para a sobrevivência, tal como no caso da maioria da população actual, constitui-se como uma escolha – e as escolhas derivam sempre de sistemas de crença.
Reconhecemos que não comer animais deriva de um sistema de crenças; o vegetarianismo foi nomeado há séculos atrás. Em conformidade, não nos referimos aos vegetarianos como "consumidores de plantas", uma vez que compreendemos que comer plantas reflecte uma ideologia implícita, na qual o consumo de animais não é ético nem apropriado. No entanto, continuamos a referir-nos aos "não-vegetarianos" como "consumidores de carne", como se o acto de comer animais estivesse separado de um sistema de crenças, como se os vegetarianos fossem os únicos a levar para a mesa do jantar o seu sistema de crenças. Porém, a maioria das pessoas come porcos mas não come cães, isto porque possui um sistema de crenças no que respeita a comer animais.
Então porque é que o carnismo tem continuado sem nome até agora? Uma razão é porque, simplesmente são mais fáceis de identificar as ideologias que saem da norma. Uma razão ainda mais importante é porque o carnismo é uma ideologia dominante - uma ideologia de tal modo difundida e interiorizada que os seus princípios são considerados senso comum, “a maneira como as coisas são”, em vez de serem considerados um conjunto de opiniões mantidas pela maioria das pessoas. O carnismo é também uma ideologia violenta e exploradora; organiza-se em torno de uma violência intensiva, extensiva e desnecessária, e em torno da exploração dos animais. Até a produção da chamada carne com um tratamento mais humano (e outros produtos de origem animal), que constitui uma pequeníssima percentagem da carne produzida actualmente, explora os animais e envolve crueldade. Os princípios do carnismo contrariam os valores de base da maioria das pessoas que não estaria disposta, de outra forma, a apoiar a exploração de outros ou a permitir tal violência para com seres sencientes. Assim, o carnismo, à semelhança e outras ideologia violentas e exploradoras, tem que se esconder para garantir a participação da população; sem o apoio popular, o sistema entraria em colapso.


Omnívoro, Carnívoro e Carnista
Assim como “consumidores de carne” é uma expressão imprecisa e enganadora para descrever aqueles que não são vegetarianos, também o são os outros termos commumente usados tais como “omnívoro” e “carnívoro”. Estes termos reforçam a assunção de que comer animais é natural, um dos mitos mais interiorizados e convincentes, que é usado para justificar o carnismo. “Omnívoro” e “carnívoro” descrevem a disposição fisiológica e não a escolha ideológica de cada um: um omnívoro é um animal, humano ou não, que consegue ingerir tanto matéria animal como vegetal e um carnívoro é um animal que precisa de ingerir carne para sobreviver.
Pelas razões mencionadas acima, “carnista” é o termo mais adequado para descrever aqueles que comem animais. “Carnista” não é um termo com uma intenção pejorativa; tem apenas um propósito descritivo, para descrever quem age de acordo com os princípios do carnismo – tal como “capitalista”, “budista”, “socialista”, “crudivorista”, por exemplo, descrevem aqueles que agem em conformidade com uma ideologia em particular. Se temos um nome para os vegetarianos, faz todo o sentido termos um nome para aqueles cujos comportamentos reflectem o sistema de crenças oposto. “Carnista,” no entanto, difere dos outros “istas” atrás referidos porque a maioria dos carnistas não sabe que é de facto carnista, uma vez que o carnismo é invisível. Muitas pessoas são essencialmente, carnistas inadvertidas; tal é o paradoxo de ser carnista. E apesar de “carnista” ter sido criado simplesmente por uma questão de exactidão, o termo pode ser encarado como ofensivo – muito provavelmente porque, num certo nível, as pessoas consideram ofensiva a desnecessidade de matar e de consumir animais.


Defesas Carnísticas
As ideologia como o carnismo mantêm-se vivas ensinando-nos a não pensar ou a não sentir quando seguimos o que ditam, e uma das principais formas de fazerem isto é usando um conjunto de mecanismos que operam tanto ao nível social como psicológico. As “defesas carnísticas” escondem as contradições entre os nossos valores e os nossos comportamentos, permitindo-nos fazer excepções aquilo que normalmente consideraríamos ético.
A principal defesa do sistema é a invisibilidade e a principal forma da ideologia ficar invisível é permanecendo não-nomeada: se não a nomearmos, não a vemos, e se não a virmos, não podemos falar sobre ela ou questioná-la. Mas não só a própria ideologia é invisível, como também o são as vítimas do sistema: os triliões de animais de produção pecuária que são mantidos fora de vista e dessa forma, convenientemente afastados da consciência pública; a contínua degradação ambiental; a exploração dos trabalhadores dos matadouros e dos embaladores de carne; e os consumidores de carne que têm cada vez um maior risco de padecer das doenças mais graves do mundo industrializado e que têm sido continuamente condicionados a desligarem-se, psicologicamente e emocionalmente, da verdade da sua experiência no que diz respeito a comer animais.
Mas a invisibilidade é apenas a primeira linha de defesa na fortaleza do carnismo; é impossível obscurecer completamente a verdade. Assim, quando a invisibilidade inevitavelmente falha, o sistema precisa de um suporte. Consequentemente, o carnismo ensina-nos a justificar o facto de comermos animais, e ele fá-lo apresentando os mitos da carne (e de outros produtos animais), como se fossem os factos sobre a carne, promovendo os Três Ns da Justificação: comer animais é normal, natural e necessário. Os Três Ns estão institucionalizados – são incluídos e mantidos por todas as grandes instituições sociais, desde a família ao estado – e, talvez não surpreendentemente, têm sido evocadas ao longo da história para justificar outras ideologias exploradoras e violentas (ex. escravatura, domínio masculino, etc.).
O carnismo também se defende a ele próprio através da distorção das nossas percepções sobre a carne e os animais de forma a podermos sentir-nos confortáveis o suficiente para os comermos. Aprendemos, por exemplo, a ver os animais de produção pecuária como objectos (ex. referimo-nos às galinhas como algo em vez de alguém) e como abstracções, desprovidos de qualquer individualidade e personalidade (ex. um porco é um porco e todos os porcos são iguais), e para criar categorias rígidas nas nossas mentes de forma a podermos acolher sentimentos e comportamentos muito distintos relativamente às várias espécies (ex. a carne de vaca é deliciosa e a carne de cão é repulsiva; as vacas são para comer e os cães são nossos amigos).
Existem mais defesas que sobrepõem e reforçam as mencionadas aqui, mas todas as defesas servem um único propósito: bloquear a nossa sensibilidade e empatia no que toca aos animais de produção pecuária e aos produtos produzidos pelos seus corpos. Tendo consciência das defesas carnísticas, porém, somos menos vulneráveis à sua influência; somos capazes de sair do sistema e de olhar a questão de comer animais com os nossos próprios olhos, em vez de olharmos pelas lentes do carnismo.

Autoria: Dra. Melanie Joy
Fonte:Carnism Awareness and Action Network (CAAN)
Tradução: Sílvia Ferreira


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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
Parar de comer carne pode salvar o planeta?
Os representantes que chegavam aos portões da conferência sobre o clima em Copenhague, no mês passado, eram recebidos por mulheres vestidas como animais peludos segurando placas mostrando imagens de carneiros, vacas e porcos e alertando: "Não me coma".
A reportagem é de James Kanter, do The New York Times e traduzida pelo portal UOL, 25-01-2010.
As mulheres eram representantes de Ching Hai, a líder de um grupo que defende a adoção de preceitos budistas, incluindo seguir uma dieta vegetariana.



Enquanto faziam fila por horas sob condições congelantes, muitos dos delegados pareciam gratos pelos lanches bem embalados ¬- sanduíches sem carne - que as mulheres distribuíam de graça.
Os seguidores de Ching Hai dizem que uma das metas principais dela é combater desastres ambientais, e seus representantes em Copenhague pareciam ávidos em divulgar a mensagem de que o metano, expelido em grandes quantidades por vacas e outros rebanhos criados pelas indústrias de carne e laticínios, está entre os mais potentes gases do efeito estufa.
Mas as virtudes do vegetarianismo como parte do combate à mudança climática estão longe de ser uma questão apenas para aqueles com inclinação espiritual.
Muito antes do encontro de cúpula em Copenhague, o aumento da demanda por carne e laticínios, particularmente entre a crescente classe média de países como China e Índia, com economias em rápido desenvolvimento, fez com que os elos entre a mudança climática e a política alimentícia se transformassem em um elemento importante no debate em torno do que fazer a respeito do aumento dos níveis dos gases do efeito estufa.
O assunto pareceu ganhar força nas semanas que antecederam a conferência em Copenhague, com figuras proeminentes dos mundos da ciência e do entretenimento entrando na briga.
Falando no Parlamento Europeu no início de dezembro, o ex-Beatle Paul McCartneydisse que há uma necessidade urgente de fazer algo a respeito da produção de carne, não apenas por causa de seus efeitos sobre o clima, mas também por causa de questões relacionadas, como desmatamento e segurança das reservas de água.
McCartney, que há muito defende o vegetarianismo, pediu aos legisladores europeus que apoiem políticas que encorajem os cidadãos a evitarem de comer carne pelo menos um dia por semana, algo que poderia virar tão comum como reciclagem ou carros que rodam com tecnologia híbrida.
Funcionários públicos na cidade belga de Ghent e crianças em idade escolar de Baltimore já realizam o dia sem comer carne uma vez por semana, ele disse.
McCartney estava acompanhado no Parlamento por Rajendra Pachauri, o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2007, que é a principal entidade da ONU que estuda o clima.
A conscientização pública dos problemas associados à carne é baixa, e as autoridades poderiam considerar impor uma sobretaxa sobre a carne bovina para desencorajar o consumo, disse Pachauri em comentários divulgados pela agência de notícias France-Presse.
Os produtores de carne imediatamente rotularam os comentários como um ataque à indústria e críticas vieram até de lugares tão distantes quanto a Nova Zelândia.
"Cortar a carne por um dia pode parecer uma solução simples, mas há pouca evidência mostrando qualquer benefício", disse Rod Slater, o presidente-executivo da Beef and Lamb New Zealand, para a associação de imprensa do país.
"Sugerir que a carne não é verde é uma difamação emotiva contra uma indústria que continua investindo em pesquisa, lutando por maiores melhorias", acrescentou Slater, que disse que as pessoas que vivem na Nova Zelândia obtêm suas necessidades nutricionais diárias e grande parte de suas proteínas, zinco e vitamina B12, da carne bovina e de carneiro.
De fato, como várias outras áreas de pesquisa na ciência climática, a intensidade dos gases do efeito estufa na produção de carne é contestada.
Quando um estudo na edição de novembro-dezembro da revista "World Watch" alegou que mais da metade dos gases produzidos pelo homem e que aquecem o planeta eram causados pela indústria da carne, um grupo de pesquisa do setor rebateu que um estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) já tinha mostrado que o número relevante era mais próximo de 18%.
O estudo publicado na "World Watch" fracassou em "realçar os contrafatuais - como, por exemplo, seria um mundo sem rebanhos domesticados", escreveu Carlos Sere, diretor-geral do Instituto de Pesquisa Internacional de Rebanhos, em Nairóbi, na "Green Inc." em novembro.
"Os herbíveros selvagens e cupins não poderiam tomar muitos desses ambientes, produzindo no final tantos gases do efeito estufa quanto os ruminantes domesticados?", perguntou Sere. "Nós francamente não sabemos ainda."
Certamente a questão pode ter muito mais nuances do que alguns comentaristas sugerem.
Por exemplo: gado alimentado no pasto pode ter uma pegada de carbono muito menor do que aquele alimentado com ração em confinamento, porque os animais em pastos exigem menos insumos baseados em combustíveis fósseis como fertilizantes e porque eles ajudam o solo a sequestrar carbono.
Esforços renovados estão em andamento para se chegar ao fundo do assunto.
No início deste mês, a Organização Mundial para a Saúde Animal disse que estudaria o efeito da produção de carne sobre a mudança climática, diante dos pedidos de seus países membros.
"É uma questão que precisa ser estudada com bastante isenção", disse Bernard Vallat, o diretor-geral da organização, em uma coletiva de imprensa segundo a agência de notícias Reuters. "Nós queremos dar uma contribuição modesta e independente", ele disse.
Vallet disse que uma das questões mais espinhosas é como envolver a agropecuária nos esforços para reduzir os gases, mantendo ao mesmo tempo a segurança alimentar.
Sere, do instituto de pesquisa dos rebanhos, reconheceu a necessidade do desenvolvimento de uma forma de produção de rebanhos entre a pecuária industrial e familiar, que eliminaria a pobreza sem esgotar os recursos naturais ou prejudicar o clima.
Ele disse que os ambientalistas devem ter em mente que "a maior preocupação de muitos especialistas em relação aos rebanhos nos países em desenvolvimento não é seu impacto sobre a mudança climática, mas, sim, o impacto da mudança climática sobre a produção dos rebanhos".
Os "ambientes tropicais mais quentes e mais extremos que estão sendo previstos não ameaçam apenas até um bilhão de meios de vida baseados na pecuária, mas também o suprimento de leite, carne e ovos para as comunidades famintas que mais necessitam desses alimentos", ele disse.




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