Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Segunda-feira, 6 de Agosto de 2012
No reino da tolerância: só vai à tourada quem quer
Num paradigma de sociedade normal, desfrutar de um acto público de tortura de um animal é impensável. É moral e eticamente condenável tirar partido da agonia de outro ser. Através da formação e valores passados entre famílias, a sanidade implícita na postura de respeitar o bem-estar de todos os animais, humanos e não humanos, é substituída por um regime de exceção que diz: “Faremos o bem a todos, menos aos touros, que existem é para serem toureados.” Frequentemente, esta precoce programação mental a que estão sujeitos os aficionados é levada a cabo pelas suas famílias, num acto de transmissão da sua própria cultura e valores antigos. O aficionado cresce num meio onde a tortura implícita na tourada é legitimada, promovida e perpetuada, associada a valores familiares, negócios, estatuto social…

Quando as questões envolvem valores éticos e direitos fundamentais, inalienáveis e inerentes a animais sencientes (humanos e não humanos), fazê-los depender de interpretações subjectivas – como seja valorizar interesses triviais da mentalidade dominante – num relativismo cultural é inaceitável.

É por isso que fenómenos culturais tais como a excisão do clitóris nas meninas de alguns países africanos ou a lapidação das mulheres adúlteras, chocam o mundo ocidental que considera – e muito bem – que o relativismo cultural e a tradição não podem caucionar práticas que cerceiam liberdades básicas e direitos fundamentais, como sejam a integridade física, por exemplo.

Se bem nos recordarmos, a mesma questão pôs-se na altura da implementação dos novos regulamentos sobre os locais em que se pode fumar: durante toda a vida os fumadores impuseram o seu fumo aos outros; os governos dos países ocidentais foram acusados de extremismo e falta de tolerância quando decidiram proteger as vítimas dessa prática: os fumadores passivos.

Resumindo em duas frases:

-à tourada não vai só quem quer; vai quem para isso foi programado.

- não acorrer em defesa de quaisquer vítimas é um acto de cobardia, indiferença e de conivência com o crime; não de tolerância.

Fonte


publicado por Maluvfx às 08:33
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Domingo, 5 de Agosto de 2012
Crueldade...
Theo Gigas, na crónica Touradas - Uma Crueldade Inútil, escreveu: "Não existe um só argumento que justifique tamanha monstruosidade, que nada tem de esportivo ou de artístico. A única arte consiste na exploração de pessoas que gozam com volúpia o espetáculo de tortura e morte".

Muitos escritores têm descrito e estudado o espetáculo das touradas espanholas, que se realizam principalmente na Praça de Touros, em Madrid, todos os domingos - um imenso anfiteatro de estilo mourisco, luxuoso, original. A festa recebe o nome de corridas de touros. Em cada corrida se matam seis touros, dois para cada toureiro.

Fonseca Fernandes assistiu a um desses espetáculos e o descreve nas suas diversas fases. A primeira é a de excitação do animal, quando surge o picador montado a cavalo e que, munido de longa vara, submete o animal a uma tortura de picadas: "O picador arremata com a puya, triângulo de ferro que fustiga as espáduas do touro". Vem a segunda fase, a das banderillas, também excitadora. Homens de pé espetam, com agilidade, no animal banderillas coloridas "na mesma região fustigada anteriormente pelo picador". A última fase corresponde à muerte. Vem o toureiro, que dispõe de quinze minutos para a luta. Se o matador não cumpriu a missão, o touro volta ao curral e o toureiro toma extraordinária vaia. O touro morto também é vaiado. "O espanhol vaia sempre, manifestando alegria por qualquer dos resultados. Inclusive quando o touro mata o toureiro".

Existem os museus de toureiros, em que se guardam cabeças de animais, espadas, roupas. Num deles, figura retrato a óleo de Manolete, Manuel Rodriguez Sanchez, herói nacional de touradas, de carreira fabulosa, morto pelo touro "Isleno", em 1947. Tinha 30 anos o ídolo de Espanha.

O sacerdote Luciano Duarte admite que nesses espetáculos se vê sobremodo o aspecto de selvageria, na seguinte descrição: "O touro está fatigado e ofegante. Escorre-lhe o sangue abundantemente. O toureiro se aproxima de frente, para enterrar a espada. Momento perigoso. O touro agora está com as duas patas dianteiras paralelas. É o momento azado, pois esta posição permitirá que a espada se enterre até os copos, pouco adiante do pescoço do animal. O toureiro avança e tenta o golpe. A espada se afunda e fica enterrada, o povo aplaude delirantemente e grita olé, e o touro bambeia nas pernas inseguras, para logo cair morto".

Num romance célebre, "A Serpente Emplumada", Lawrence mostra com maestria esse "espetáculo de sangue e tripas". Urros do povo. Glória e emoção.

Como se explica o fenómeno?

Luciano Duarte adverte que a tourada, para o espanhol, é um espetáculo de arte: "Um balé em que o homem enfrenta o touro, em que a inteligência desafia a força bruta e vencerá". E o ilustrado escritor vai adiante, vendo na Espanha das touradas "restos de sangue mouro em efervescência, descarga do instinto de agressividade".

Por que esses homens se dedicam a tão cruel e desumano desporto? - pergunta Fonseca Fernandes. E explica: "Existe neles uma verdadeira adoração por esse gênero de exibição. Em touradas cultivam-se a destreza e a intrepidez das mais fortes emoções, nelas há todo um ritual de elegância perfeitamente enquadrado na vida do espanhol".

Os espanhóis, aliás, dizem que, como animal, o touro "teria de morrer de qualquer maneira; na praça mostra suas qualidades guerreiras e morre heroicamente". Ou mata - deveriam acrescentar.

As touradas foram vistas por Victor Hugo: "Em todas as corridas de touros aparecem três feras que são o touro, o toureiro e o público. O grau de brutalidade de cada um desses brutos pode-se calcular pelo seguinte: o touro é obrigado, o toureiro obriga-se, o público assiste por um ato espontâneo de sua graduação: o touro provocado defende-se; o toureiro, fiel ao seu compromisso, toureiro; o público diverte-se. No touro há força e instinto; no toureiro, valor e destreza; no público não há senão brutalidade".


A. Tito Filho, 06/04/1990, Jornal O Dia


publicado por Maluvfx às 11:07
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Sábado, 28 de Julho de 2012
Cultura da crueldade
"Nas horas que precedem a tourada, auxiliares se ocupam de preparar o touro. Penduram-lhe no pescoço pesados sacos de areia, para fatigar os músculos que acionam as chifradas. Passam-lhe vaselina nos olhos para embotar-lhe a visão. Desde a véspera, ou até antes, não o alimentam. Na pouca água que lhe dão, misturam purgantes: perda de fluidos e sais na diarréia irão levá-lo mais cedo à exaustão.

A intenção é reduzir-lhe a capacidade de lutar, não a disposição, que buscam excitar ao confiná-lo em curral escuro e exíguo. Ali, golpeiam-lhe os rins e espicaçam os testículos com longas agulhas. Quando finalmente o deixam galopar para a falsa liberdade da arena, o touro primeiro estaca, aterrorizado, furioso, aturdido pelo sol que reverbera na areia.

Depois, ataca o primeiro inimigo a provocá-lo: o picador, toureiro montado e armado de lança, pernas protegidas por armaduras. Enquanto chifra o cavalo (precariamente protegido pela "calzona" de camurça) e o comprime contra o muro da arena, o touro expõe a nuca a pontaços da "puya", ponta piramidal da lança. Afiadas arestas da "puya" rasgam o couro e rompem tendões e ligamentos sem aprofundar os ferimentos.

Para prevenir importunos relinchos de terror, prévia operação sem anestesia terá extirpado as cordas vocais do cavalo. Se incapacitado por chifradas, ele será abatido. Mas, caso lhe sobre alguma força, passará por grosseira sutura dos ferimentos, sempre sem anestésico, para ser aproveitado na tourada seguinte. (Tipicamente, cada corrida sacrifica seis touros numa tarde.) Em média, cavalo de tourada sobrevive a três ou quatro espetáculos.

Depois do picador, toureiros subalternos virão atormentar o touro com as bandarilhas que lhe fincam no dorso enquanto o rodeiam e confundem. Corcovos para livrar-se desses dolorosos arpões coloridos meramente aumentam lacerações e o sangramento do touro, mas divertem e excitam o público.

Entra em cena o matador. Também ele terá passado por preparativos esmerados. Entre estes, oração contrita perante réplica da chorosa Virgem da Macarena, santa tutelar dos toureiros. Na arena, depois de elaborado balé de esquivas e rodopios da "muleta" (capa usada no ato final), o toureiro se posta diante do touro exausto e atordoado, arranca em curta corrida e crava-lhe a espada num dos lanhos abertos pela "puya".

A lâmina pode penetrar mais de meio metro, perfurar um pulmão e também alguma artéria grossa; hemorragia profusa fará o touro golfar sangue enquanto sufoca e tomba.

Tentará reerguer-se, mas outros toureiros acorrem para cravar-lhe entre vértebras da nuca repetidos golpes de "puntillas" (adagas), para destruir-lhe a medula espinhal e paralisá-lo. Exultação orgástica do público.

Acenos de lenços brancos sinalizam ao diretor da tourada que conceda ao toureiro a honra de decepar uma orelha do touro que, ainda consciente, bufa sangue e agoniza. Insistência do público rende as duas orelhas. Enquanto contorna a arena para exibir os troféus, o toureiro pisa cravos vermelhos, leques, mantilhas: oferendas simbólicas de mulheres excitadas pela virilidade do herói.

Matanças e torturas recreativas continuam vastamente distribuídas no mundo: boxe, rinhas de galo, rodeios, lutas de cães, caçadas e pescarias "esportivas" -difícil completar a lista. Mas, enquanto boxe e rinha conotam crueza cafona, vulgaridade e gangsterismo barato, tourada é sofisticação perversa, com pretensões de refinamento aristocrático, arte, romance -e interesses financeiros muito mais cobiçosos.

Esses atributos a projetam como epítome de todas as tradições que degradam por igual espectadores, promotores, patrocinadores e os governantes que prevaricam ao dever de proscrevê-las. Alguns, como a família real espanhola, até as prestigiam.

A maioria do povo espanhol não se compraz com touradas. Porém, para elevá-lo da indiferença à vergonha, turistas deveriam gastar noutros países os US$ 50 bilhões que todo ano deixam na Espanha. Boicotar também patrocinadores de touradas, como a Pepsi-Cola, e oportunistas como Giorgio Armani, que desenhou o "traje de luces" para o matador Ordóñez usar na "Corrida Goyesca" de setembro último.

Protestos e boicotes funcionam: forçaram a Mattel a tirar de linha bonecas Barbie fantasiadas de toureiro. Aliste-se. É simples: condene visitas à Espanha enquanto esse rito de crueldade macular de sangue seus esplêndidos tesouros culturais."


Aldo Pereira é ex-editorialista e colaborador especial da Folha de S. Paulo


publicado por Maluvfx às 18:28
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Quinta-feira, 12 de Abril de 2012
Contra as bestas, pelos animais
Crónica de Rodrigo Guedes de Carvalho

«Nunca aceitei dar a cara por uma campanha mas, desta vez, vou bater-me pelos bichos, que são mais que ser vivos
Em tempo de crise, tenho pena de não poder fazer publicidade para reforçar o mealheiro... Estou a brincar. Apesar de achar, como já aqui o disse, que os jornalistas arranjam ligações muito mais dúbias como assessores, isso não me leva a admitir que possamos fazer publicidade. Ainda recebi um convite aqui e ali, mas com o tempo as empresas percebem que estamos proibidos pelo nosso código deontológico. Mas há um outro tipo de convites, que muitos julgam não ter a ver com publicidade, o que nuns casos é verdade, noutros, nem por isso... Refiro-me ao que vulgarmente se chama “campanhas”, sempre com uma face muito humanitária, sem ligações a partidos, clubes ou facções, sempre coisas muito politicamente correctas. Como beber um copo de leite, sorrir para a câmara e aconselhar as pessoas a prevenirem a osteoporose, ou ser filmado, sempre sorridente, a empacotar latas de atum e pacotes de arroz, pedindo às pessoas mais donativos para um qualquer banco alimentar contra a fome. Não recebi muitos convites destes, mas os suficientes para poder dizer que nem a isso estou disposto. Não é uma questão de afirmação de algo, é mesmo feitio. Não gosto de me expor mais do que já me exponho (por inerência de funções...), e ao contrário de muita “figura pública”, que gosta de aparecer porque isso lhe permite aparecer mais e mais vezes, o que “apareço” chega e sobra-me. Mas, aqui chegados, eis que informo que vou dar a cara por uma campanha. Contradição? Talvez, você julgará, depois de me explicar. Aceitei o convite para fazer parte de um vídeo que pretende reforçar a sensibilização da classe política que faz leis. Aceitei porque se trata de mudar (tentar mudar) a legislação absurda que, em Portugal, equipara os animais a objectos ou coisas. Não me vou alongar muito sobre o assunto, até porque me parece daqueles tão óbvios que não percebo porque têm sequer discussão. E é precisamente isto, e apenas isto que direi. Que, com quase 50 anos de idade (e portanto, pouca paciência), e mais de 25 de jornalismo, posso afirmar que o meu entendimento das coisas se baseia em factos, mais do que ideias ou outras subjectividades. E os factos são claros e gritantes. Os animais não podem ser equiparados a objectos porque... porque... não são objectos. Será tão difícil perceber? Será difícil perceber que não podem ser coisas se têm coração, sangue em veias e artérias, olhos para ver, mais todos os sentidos que nós temos, e que sentem fome, e sede, e medo, e solidão, e saudades? E que não só são seres vivos como nós, como nos ensinam tanta coisa que esquecemos depressa na nossa vida calculista, como dar incondicionalmente, sem saber o que receberão. E por isso, por estas coisas tão simples, vou juntar a minha voz aos que querem lembrar aos responsáveis do País as coisas mais elementares. Faço--o para ajudar a “causa”, mas faço-o também por mim, pela minha “imagem”, quero, neste caso, que não restem dúvidas a ninguém sobre a minha posição na matéria. Quero que seja claro que defendo e defenderei sempre os animais, as vítimas mais fáceis e indefesas da bestialidade de que somos capazes. Quero pedir à classe política que nos mostre, com uma nova lei, que não pactuará mais com abandonos selvagens (de facto, como se os bichos fossem coisas que se deitam para o lixo...), nem com mau tratos abjectos e gratuitos. E que quem o fizer enfrentará uma punição. E não me venham, por favor, como já ouvi, dizer-me que “em tempo de crise” a questão da defesa dos animais é uma questão “menor”. Os tempos de crise têm costas largas, quando se quer. Mas, precisamente, os tempos de crise não são, seguramente, apenas financeiros. São tempos de crise civilizacional, moral, educacional. Repare que na base da “crise” estiveram, como hoje todos sabemos, homens e mulheres que demonstraram falta de honra e dignidade, com as suas falcatruas, as suas fraudes, gastos faraónicos em nome da ganância e da ambição medíocre, negociatas a favorecer amigos, obras que não servem para nada pagas com o dinheiro dos nosso impostos, um desvario que foi originando pequeninos buracos, que depois formaram uma bola de neve, e depois um tsunami de dívidas que invadiu um país, depois, outro, e é hoje uma doença mundial. O dinheiro não tem vontade, não se mexe sozinho. Fomos nós que rolámos os dados assim. Foi a falta de solidez moral que levou à crise. Por isso, sim, a questão dos animais não só não é menor, como seria uma boa oportunidade para se começar a gerir povos com os princípios simples da defesa dos mais desprotegidos contra a lei selvagem do mais forte. Se pensar bem, aplica-se a tanta coisa...»


publicado por Maluvfx às 17:26
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2011
Crónica: O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan
Por José Diogo Quintela

Há duas semanas um casal francês foi condenado a cinco anos de prisão por ter sido considerado responsável pela morte da filha de 11 meses, que morreu de subnutrição. Só bebia leite materno. Sucede que a mãe era vegan e, como tal, a sua dieta não incluía qualquer tipo de produto de origem animal. O leite da mãe não tinha os nutrientes necessários e a bebé acabou por morrer.

Mas os pais podem ir para o cárcere de consciência tranquila, já que durante todo este processo de definhamento de um ser humano indefeso nenhum animal foi molestado. Nenhuma vaca foi ordenhada, nenhum ovo foi surripiado a uma galinha, nenhum porco contribuiu com uma rodela de chouriço para um caldo verde, nenhum memé foi espoliado da sua lã para fazer botinhas. Nenhum animal foi maltratado. Nem sequer o Lobo Mau da história do Capuchinho Vermelho que contavam à bebé. Na versão vegan, o Lobo Mau não morre. Aliás, nem sequer é mau. Mau é o caçador, que a Capuchinho atrai a casa da avozinha para assassinar, empurrando-o para a lareira. A Capuchinho e o Lobo vivem saudáveis para sempre, alimentando-se das deliciosas verduras da sua horta biológica fertilizada com as cinzas do caçador.

Como este caso há muitos, de fácil consulta na Internet. São relatos um bocadinho impressionantes para os mais sensíveis. Aliás, é curioso que pessoas tão esquisitinhas com a comida que ingerem tenham estômago para assistir ao que acontece aos seus filhos malnutridos. Há niquentos e niquentos.

Ao ler sobre isto, é impossível não pensar nas Testemunhas de Jeová, que se recusam a fazer transfusões de sangue e a deixar os seus filhos fazê-las. Acreditam que o seu Deus proíbe as transfusões e que, ao honrar essa proibição, serão recompensados com a vida além da morte. Para quem acredita nela, a vida eterna pode ser algo por que valha a pena recusar uma transfusão. Chega-se ao além um bocadinho mais pálido, mas é uma permuta razoável. Agora, para um vegan, quando recusa a um filho as proteínas e vitaminas de origem animal, do que é que está à espera em troca? De vir a ser, depois de morto, adubo mais puro do que alguém que papou chicha da boa durante a vida?

Dir-me-ão que não se pode comparar o fanatismo religioso com o veganismo. Concordo. Ao pé do veganismo, o fanatismo religioso é praticado por moderados. Se Abraão fosse vegan em vez de hebreu, Isaac tinha sido mesmo sacrificado, apesar de o mensageiro do Senhor dizer que afinal era para sacrificar um carneiro. Apesar, não: especialmente depois de o mensageiro do Senhor dizer isso.

O problema do veganismo não é só a falta de graça da comida. É também uma contradição insanável na lógica da coisa, que impede o movimento de crescer. A transmissão dos ideais vegan é muito difícil porque, à partida, a bem sucedida catequização dos petizes está posta de parte. É um paradoxo: se um pai quer que o filho seja vegan, não o pode criar como vegan, senão arrisca-se a ficar sem prosélito. A melhor maneira de criar uma criança para vir a ser um bom vegan é com bifes e leitinho. O veganismo não tem pernas para andar. Se tem, estão mal nutridas. Direi que é uma pescadinha de rabo na boca. É uma metáfora representativa deste paradoxo e, ao mesmo tempo, uma imagem que chateia os vegan.


Comentário à crónica 'O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan'

Em nome de João Pedro Santos


Para: zdq@zdquintela.com
Cc: publica@publico.pt
Assunto: Comentário à crónica 'O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan'

Caro José Quintela, 
Após ter lido a sua crónica 'O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan' na revista Pública do passado dia 17/04/2011, achei por bem escrever-lhe por ser vegano há 16 anos e por considerar que o retrato que faz dos veganos é errado, fraudulento e decadente.
O Veganismo é uma filosofia de vida que promove em todas as vertentes do consumismo a proteção aos direitos dos animais, sem prejuizo algum da saúde ou bem-estar humanos. Aliás, o valor 'Vida' Animal e Humana acaba por ser o grande referencial que rege a crescente comunidade vegana em Portugal e no mundo.

O facto de ter surgido um caso isolado de negligência parental em França por um casal vegano, não implica de maneira nenhuma ou invalida todos os pressupostos científicos, sociais, económicos, ambientais e humanitários conquistados pelo Veganismo em mais de 50 anos de existência, a nível mundial.

Penso que é triste fazer um retrato tão simplista e conveniente de uma comunidade que está a ser extremamente relevante no combate às alterações climáticas no planeta, no combate à exploração animal e na promoção de um estilo de vida mais salutar e equilibrado, mas compreendo que humorismo não implica justiça ou sabedoria nas palavras que escreve e que os seus gostos pessoais por 'chicha da boa', como refere na sua crónica, entram claramente em conflito com os ideais do Veganismo e Vegetarianismo.

A par disso, é errado misturar Veganismo que não é vinculado a nenhuma religião com o Islamismo ou com as Testemunhas de Jeová. Mas, mais uma vez se depreende os lugares-comuns em que gosta de cair repetidamente nas suas crónicas: comunidades pequenas e não enquadradas na sua realidade burguesa limitada.

Outro aspeto a salientar é o fato de existirem anualmente milhares de casos confirmados de negligência parental em todo o mundo, sem qualquer ligação ao Veganismo, mas nunca ter dado conta do seu interesse por estas questões centrais em qualquer crónica sua.

Por outro lado, associo mais rapidamente a negligência parental ao alcoolismo, que infelizmente abunda em Portugal, e do qual você também é uma vítima pouco inocente, como pude constatar na notícia do dia 02/01/2008 no jornal Público:
http://www.publico.pt/Sociedade/humorista-jose-diogo-quintela-condenado-a-trabalho-comunitario-por-conduzir-alcoolizado_1315435

Espero sinceramente que tenha resolvido a sua questão com o álcool e que a sua filha Rosa não acabe sendo mais uma vítima inocente do alcoolismo em Portugal.
Quanto ao Veganismo, encontra em qualquer Celeiro em Lisboa chicha-non-carne tipo chouriço de soja ou farinheira de soja, que certamente fará o seu extâse culinário, sem a morte ou sofrimento de animais.

Encontra também em Lisboa, uma panóplia fabulosa de restaurantes vegetarianos e étnicos que o podem iniciar no mundo maravilhoso, mas ainda oculto para si, do Veganismo e Vegetarianismo. A sua saúde, o ambiente e os animais irão estar-lhe eternamente gratos, mesmo que apenas inclua um prato semanal vegetariano.

Se precisar de receitas vegetarianas/veganas simples e acessíveis, aconselho-o vivamente este sitio do Centro Vegetariano, onde pode selecionar receitas por ingredientes, dificuldade, tempo de confeção ou ocasião festiva, etc.:
http://www.centrovegetariano.org/receitas/

Abraço vegano,
João Pedro Santos
Lisboa



Comentários na Nota no Facebook:


Luis Martins 
O Veganismo e o Vegetarianismo são modos de vida que entram em conflito com os padrões tradicionais. A falta de informação do cidadão "comum" acerca destes temas leva-os a dizer asneiras e interpretar mal factos. Mas é preocupante que se comece a associar o Veganismo a certas correntes religiosas. Será mais uma arma de arremesso que estão a fornecer aos detratores do Veganismo, o factor religioso. Infelizmente é bastante vulgar vêr na comunidade vegan argumentos religiosos a tentar justificar o que só a Ètica pode fazer de forma universal. A introdução de argumentos religiosos só prejudica a divulgação do Veganismo e a prova disso está neste artigo.


A religiosidade de cada um é algo de pessoal. Todos tem o direito de acreditar naquilo que sentem ser a sua fé. Mas transpor essa fé para a argumentação duma filosofia (Veganismo) que é universal, que é comum a pessoas de todas as classes, de todas as raças, crentes e não crentes, é um factor que serve para criar divisões, e pior que isso, é um factor que é usado pelos que nem sequer sabem o que é para tecer criticas.
Respeitar todos os seres vivos é perfeitamente explicavel duma perspectiva Humana, racional, e lógica. Não fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós, entender que as nossas acções causam sofrimento desnecessário, compreender o que os outros sentem, são factos bem reais, culturais, filosoficos e morais que todos podem aprender e reconhecer sem entraves de qualquer especie.



Helena Avelar 

Muito bem respondido! Adorei o comentário sobre alcoolismo... ;) E o da "realidade burguesa limitada" está demais - e é tão verdadeiro!... :?
Agora, tenho também de concordar que por vezes surgem, associados ao veganismo, certos elementos de postura fanática que em nada favorecem a causa. As atitudes intransigentes e proselististas não atraem as pessoas, afastam-nas. Como disse o Luís no comentário anteiror (e muito bem!) é a Ética pode justificar estas escolhas. E essa é universal.


M De Lourdes Carapelho 
Ele pensou que estava a escrever uma crónica humorista.... será?
Então, cá pra mim tem os dias contados. Tão novinho e com uma mentalidade tããão medieval. Qualquer dia fazem perseguições aos veganos quais bruxas do séc. XV tal como querem "crucificar" todos os vegan@s devido ao acontecimento do casal francês, como se os casais e famílias omnívoras não fossem abusadores, negligentes e violentos com os seus filhos. Mas desses não vejo parangonas nem são sequer julgados pelos seus actos.
Será que alimentar os filhos SÓ com comida "plástica", processada e industrializada, responsável pela obesidade quase mórbida das crianças ainda em idade pré-escolar NÃO É CRIME???
Ou mudam as mentalidades ou são obrigados a mudar.... Não mudam com Amor, mudam pela dôr!!!
leiam os artigos - http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/utentes/obesidade/23_de_maio_-_dia_nacional_da_luta_contra_a_obesidade
http://www.adexo.pt/2004.html

Tenho que arranjar uma maneira de o calar de vez e obrigar a retratar-se e pedir desculpa aos milhares de vegan@s!!!
Pensa que tem graça?? Engana-se!

Consegui arranjar em papel. Uma pérola da ignorância de um humorista armado em "doutor".
Quando é que pessoas que se acham "vedetas" e com direito de opinião pública se abstém de comentar em relação a assuntos os quais desconhecem completa e totalmente!
Tal como existem falsos profetas também existem falsos geradores de opinião que pensam ter o direito de comentar, na sua ignorância, temas que os ultrapassa.
Sempre ouvi dizer, cada macaco em seu galho, mas os portugueses pensam que podem falar de tudo e fazer de tudo para o qual não tem as minimas competencias!!!
Por isso somos muito bons a fazer asneiras...

Veganismo é mais do que uma opinião, é uma "cultura" que se aprende, e como diz o Poeta, "Primeiro estranha-se, depois entranha-se..."
Não é vegano quem quer, é quem pode e sabe abraçar de alma e coração uma filosofia de vida que ultrapassa uma mudança na alimentação, é uma mudança de mentalidades.
O veganismo é uma paixão motivada pela ética, pela compaixão e respeito aos Direitos dos Animais não humanos.

Mauricio Pereira 

já havia dito no forum "Vegetarianismo / Veganismo e Direitos dos Animais" que na volta José Diogo Quintela estaria sob o efeito do álcool quando fez esta crónica!
Isto após ler esta resposta.
Agora que finalmente li a crónica do José Diogo Quintela posso afiançar que, seguramente, estava sob o efeito do álcool

Luis Aires d'Almeida 

José Diogo Quintela, um pobre coitado, magicamente arrancado da sua dormente e insignificante existência, vê-se de súbito projectado para a por demais "incómoda" condição de "vedeta" com a sua participação no programa Gato Fedorento onde, tal como Miguel Góis e Tiago Dores, sobrevive à sombra do inegável talento de Ricardo Araújo Pereira. Com o advento da fama, seguem-se as campanhas publicitárias, com especial relevo para os anúncios da MEO nos quais, e mais uma vez, não é difícil perceber que o senhor Quintela continua igual a ele próprio ou seja, um simples gato fedorento. Com o aparecimento de novas oportunidades, chegaram também novas exigências e nesse domínio, foi visível o esforço feito pelo "famoso" no sentido de melhorar a sua imagem televisiva de modo a deixar de ser conhecido como "o gordo", apodo vulgarmente usado por todos quantos, desconhecendo o seu nome, a ele se referiam nos primórdios da sua meteórica ascensão a "figura pública". Infelizmente, se a perda de uns quilitos supérfluos contribuiu em grande parte para melhorar a sua abalada auto-estima, há quem garanta que a mesma terá de igual modo contribuído para agravar a dilatação do seu inflamado ego, responsável pelas crises de flatulência pseudo-intelectual que ultimamente o têm acometido. Por último, e a fazer justiça à prática que dita que a uma "figura pública" emergente são garantidas todas as oportunidades, ei-lo como membro do júri no concurso televisivo Portugal Tem Talento, a falar daquilo que menos entende e por conseguinte, a abandonar de quando em vez o estatuto de "figura pública" para abraçar por momentos a deprimente condição de "figura triste". Enfim, será este entre outros, o preço a pagar por todos quantos ajudam a criar estas vedetas feitas à pressão, próprias de um país pequenino onde a maioria dos "famosos" aparecem como a mousse instantânea ou seja, basta juntar água.
José Diogo Quintela, muito embora com algumas diferenças positivas relativamente à maioria dos labregos inexplicavelmente elevados à condição de famosos, acaba todavia por se enquadrar no mesmo grupo quando, por via da presunção e da vaidade, quer à viva força deixar de ser sapateiro e por assim dizer, ir além da chinela. Este senhor, por inerência do tipo de programas nos quais participou, terá adquirido a falsa ideia de que depois do "Gato Fedorento" só mesmo o Dilúvio, e que por isso mesmo não existem limites nem barreiras que se oponham á sua crítica mordaz, irónica, inconveniente e por vezes ofensiva. Só assim se compreendem as razões que desta feita o terão levado a assinar uma peça na qual, de um modo completamente despropositado e ofensivo, decide implicar com veganos e vegetarianos só porque lhe deu na real veneta. À semelhança de outras investidas menos conseguidas no domínio das crónicas de pacotilha que assina, também esta, para não fugir á regra, de novo remete o senhor Quintela para a condição de perdulário ao desperdiçar uma, mais uma, excelente ocasião para estar quieto e calado e assim fazer boa figura.

"Diz que é uma espécie de comediante " porém, eu acho que ele é mais um idiota a juntar a muitos outros que infelizmente por aí abundam.

Silvia Peixe

O Sr. José Quintela anda muito ignorante mesmo.O vegetarianismo é o melhor para o Homem e para todos e não tem nada a ver com religiões, é um hábito alimentar não tradicional.

Paulo Borges 

Confrangedora ignorância...





Gostaria que lessem este artigo excelente de um amigo que é o meu nutricionista/orientador de nutrição vegana e do meu neto, mesmo à distância e nunca tive qualquer problema, pelo contrário, sou vegana e mais saudável hoje do que era porque o meu medicamento é o meu alimento, como disse Hipócrates, o pai da medicina.

Desinformação
Crianças veganas desnutridas e a responsabilidade dos pais
03 de abril de 2011


Por George Guimarães* (da Redação)

A imprensa mundial trouxe ao conhecimento do público no final do mês de março de 2011 a notícia sobre a acusação de homicídio que está sendo levantada contra os pais de uma criança vegana de 11 meses de idade que veio a óbito por desnutrição, o que de fato foi confirmado por meio da autópsia. Segundo a notícia, além de alimentar a filha sem o uso de ingredientes de origem animais, o casal também recusava fazer uso de tratamentos alopáticos, o que teria contribuído para o incidente. O casal já cumpriu quatro meses de prisão provisória e aguarda em liberdade o julgamento.

Essa não é a primeira vez que um casal vegano é responsabilizado pela morte de um filho. No mês de maio de 2007, um casal vegano norte-americano foi condenado pela morte de um bebê de 3 meses por tê-lo alimentado apenas com leite de soja e suco de maçã, privando-o do leite materno, essencial para qualquer recém-nascido independente das escolhas alimentares de seus pais. Sejam os pais vegetarianos, onívoros ou crudívoros, nenhuma dessas escolhas descarta a necessidade do leite materno ou (na impossibilidade desse) a sua substituição por uma fórmula infantil adequada.

Em ambos os casos, apesar de a morte da criança ter sido ocasionada pela irresponsabilidade e desinformação dos pais, e não pela dieta em si, muitas foram as críticas ao veganismo geradas a partir dos fatos. Dentre as repercussões negativas e desinformadas, a mais severa foi sem dúvida a carta ao editor publicada no dia 21 de maio e 2007 no jornal norte-americano The New York Times. No texto, a autora Nina Planck basicamente acusa de serem irresponsáveis todos os pais que oferecem uma dieta vegana aos seus filhos.
Semanalmente, eu atendo crianças vegetarianas em meu consultório. Além disso, eu convivo com a comunidade vegetariana fora do consultório e com isso já tive a oportunidade de conhecer dezenas de crianças vegetarianas. Uma criança tem tanta possibilidade de seguir uma dieta vegetariana quanto um adulto. A viabilidade de uma dieta vegetariana (sem ovos e laticínios) fato já está bem esclarecida.

A dieta vegetariana não apenas é saudável, mas ela também ensina às crianças, desde cedo, hábitos diários que estão imbuídos de compaixão e respeito ao planeta e a outras formas de vida. Também sabemos que ela é cientificamente viável, já que associações dietéticas (não-vegetarianas) internacionais aprovam a dieta vegetariana para qualquer fase da vida, desde que bem planejadas. Não podemos deixar de notar também que uma dieta vegetariana é mais saudável do que a dieta típica ocidental, repleta de gordura saturada, colesterol, alimentos refinados e pobre em fibras. Por que então os irresponsáveis são os pais veganos e não também os onívoros?

Por fim, é interessante notar que a Sra. Nina Planck, autora do artigo no The New York Times, está ligada à Weston Price Foundation, um grupo lobista que se aventura em campanhas contra a soja e contra o veganismo, além de militar em campanhas pró-carne e pró-laticínios. Isso é de certa forma um reconhecimento da força que o vegetarianismo expressa enquanto mercado, ferindo aqueles a quem não interessa ver difundidos hábitos de vida mais saudáveis.
Nessa batalha, a nossa principal arma é a informação. Apesar de falhos, estes argumentos conseguem boa inserção na sociedade por meio da mídia, que é justamente onde precisamos estar atentos. A informação científica sobre o tema é clara: com o devido cuidado e planejamento, a dieta vegetariana (sem ovos e sem laticínios) é perfeitamente viável para crianças de qualquer idade.

O planejamento nutricional é essencial em qualquer estilo alimentar e isso não é um sinal negativo em relação ao veganismo. Para começar, as crianças veganas devem receber aleitamento materno até os seis meses de idade. Se por ventura isso não for possível, apenas fórmulas infantis industrializadas, adequadas a essa fase da vida, devem ser oferecidas ao recém-nascido. A partir do início da alimentação sólida, os nutrientes que merecem atenção em uma dieta vegana infantil são a vitamina B12 (encontrada em alimentos fortificados ou suplementos), o ômega-3 (encontrado no óleo de linhaça), a proteína (encontrada nas leguminosas e nas castanhas), o ferro (abundante nas frutas, vegetais verde-escuros, no melado-de-cana, nas castanhas e nas leguminosas) e o cálcio (encontrado nas mesmas fontes de ferro, basicamente).

Outro ponto importante é a ingestão calórica. Como os vegetais contêm mais água e mais fibras, a saciedade oferecida por uma dieta isenta de produtos de origem animal é maior e com isso a ingestão calórica pode acabar sendo demasiadamente reduzida. O segredo é incluir na dieta os alimentos vegetais mais calóricos (como as castanhas, por exemplo) e não exagerar nas fibras, devendo ser excluídos da dieta vegetariana infantil os farelos e outras fibras adicionadas. Isto garante que a saciedade será acompanhada uma boa densidade calórica e nutricional.

Os estudos científicos apontam que a dieta vegetariana infantil não apenas é possível, mas também muito saudável. Enquanto os pais de crianças vegetarianas devem buscar a informação e orientação adequadas para auxiliá-los no planejamento nutricional de seus filhos, eles devem ao mesmo tempo procurar manterem-se refratários às opiniões baseadas em mitos populares ou interesses daqueles que lucram perdendo de vista a saúde da população.

George Guimarães é nutricionista especializado em dietas vegetarianas

Fonte: ANDA






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Crónica: O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan
Por José Diogo Quintela

Há duas semanas um casal francês foi condenado a cinco anos de prisão por ter sido considerado responsável pela morte da filha de 11 meses, que morreu de subnutrição. Só bebia leite materno. Sucede que a mãe era vegan e, como tal, a sua dieta não incluía qualquer tipo de produto de origem animal. O leite da mãe não tinha os nutrientes necessários e a bebé acabou por morrer.

Mas os pais podem ir para o cárcere de consciência tranquila, já que durante todo este processo de definhamento de um ser humano indefeso nenhum animal foi molestado. Nenhuma vaca foi ordenhada, nenhum ovo foi surripiado a uma galinha, nenhum porco contribuiu com uma rodela de chouriço para um caldo verde, nenhum memé foi espoliado da sua lã para fazer botinhas. Nenhum animal foi maltratado. Nem sequer o Lobo Mau da história do Capuchinho Vermelho que contavam à bebé. Na versão vegan, o Lobo Mau não morre. Aliás, nem sequer é mau. Mau é o caçador, que a Capuchinho atrai a casa da avozinha para assassinar, empurrando-o para a lareira. A Capuchinho e o Lobo vivem saudáveis para sempre, alimentando-se das deliciosas verduras da sua horta biológica fertilizada com as cinzas do caçador.

Como este caso há muitos, de fácil consulta na Internet. São relatos um bocadinho impressionantes para os mais sensíveis. Aliás, é curioso que pessoas tão esquisitinhas com a comida que ingerem tenham estômago para assistir ao que acontece aos seus filhos malnutridos. Há niquentos e niquentos.

Ao ler sobre isto, é impossível não pensar nas Testemunhas de Jeová, que se recusam a fazer transfusões de sangue e a deixar os seus filhos fazê-las. Acreditam que o seu Deus proíbe as transfusões e que, ao honrar essa proibição, serão recompensados com a vida além da morte. Para quem acredita nela, a vida eterna pode ser algo por que valha a pena recusar uma transfusão. Chega-se ao além um bocadinho mais pálido, mas é uma permuta razoável. Agora, para um vegan, quando recusa a um filho as proteínas e vitaminas de origem animal, do que é que está à espera em troca? De vir a ser, depois de morto, adubo mais puro do que alguém que papou chicha da boa durante a vida?

Dir-me-ão que não se pode comparar o fanatismo religioso com o veganismo. Concordo. Ao pé do veganismo, o fanatismo religioso é praticado por moderados. Se Abraão fosse vegan em vez de hebreu, Isaac tinha sido mesmo sacrificado, apesar de o mensageiro do Senhor dizer que afinal era para sacrificar um carneiro. Apesar, não: especialmente depois de o mensageiro do Senhor dizer isso.

O problema do veganismo não é só a falta de graça da comida. É também uma contradição insanável na lógica da coisa, que impede o movimento de crescer. A transmissão dos ideais vegan é muito difícil porque, à partida, a bem sucedida catequização dos petizes está posta de parte. É um paradoxo: se um pai quer que o filho seja vegan, não o pode criar como vegan, senão arrisca-se a ficar sem prosélito. A melhor maneira de criar uma criança para vir a ser um bom vegan é com bifes e leitinho. O veganismo não tem pernas para andar. Se tem, estão mal nutridas. Direi que é uma pescadinha de rabo na boca. É uma metáfora representativa deste paradoxo e, ao mesmo tempo, uma imagem que chateia os vegan.


Comentário à crónica 'O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan'

Em nome de João Pedro Santos


Para: zdq@zdquintela.com
Cc: publica@publico.pt
Assunto: Comentário à crónica 'O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan'

Caro José Quintela, 
Após ter lido a sua crónica 'O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan' na revista Pública do passado dia 17/04/2011, achei por bem escrever-lhe por ser vegano há 16 anos e por considerar que o retrato que faz dos veganos é errado, fraudulento e decadente.
O Veganismo é uma filosofia de vida que promove em todas as vertentes do consumismo a proteção aos direitos dos animais, sem prejuizo algum da saúde ou bem-estar humanos. Aliás, o valor 'Vida' Animal e Humana acaba por ser o grande referencial que rege a crescente comunidade vegana em Portugal e no mundo.

O facto de ter surgido um caso isolado de negligência parental em França por um casal vegano, não implica de maneira nenhuma ou invalida todos os pressupostos científicos, sociais, económicos, ambientais e humanitários conquistados pelo Veganismo em mais de 50 anos de existência, a nível mundial.

Penso que é triste fazer um retrato tão simplista e conveniente de uma comunidade que está a ser extremamente relevante no combate às alterações climáticas no planeta, no combate à exploração animal e na promoção de um estilo de vida mais salutar e equilibrado, mas compreendo que humorismo não implica justiça ou sabedoria nas palavras que escreve e que os seus gostos pessoais por 'chicha da boa', como refere na sua crónica, entram claramente em conflito com os ideais do Veganismo e Vegetarianismo.

A par disso, é errado misturar Veganismo que não é vinculado a nenhuma religião com o Islamismo ou com as Testemunhas de Jeová. Mas, mais uma vez se depreende os lugares-comuns em que gosta de cair repetidamente nas suas crónicas: comunidades pequenas e não enquadradas na sua realidade burguesa limitada.

Outro aspeto a salientar é o fato de existirem anualmente milhares de casos confirmados de negligência parental em todo o mundo, sem qualquer ligação ao Veganismo, mas nunca ter dado conta do seu interesse por estas questões centrais em qualquer crónica sua.

Por outro lado, associo mais rapidamente a negligência parental ao alcoolismo, que infelizmente abunda em Portugal, e do qual você também é uma vítima pouco inocente, como pude constatar na notícia do dia 02/01/2008 no jornal Público:
http://www.publico.pt/Sociedade/humorista-jose-diogo-quintela-condenado-a-trabalho-comunitario-por-conduzir-alcoolizado_1315435

Espero sinceramente que tenha resolvido a sua questão com o álcool e que a sua filha Rosa não acabe sendo mais uma vítima inocente do alcoolismo em Portugal.
Quanto ao Veganismo, encontra em qualquer Celeiro em Lisboa chicha-non-carne tipo chouriço de soja ou farinheira de soja, que certamente fará o seu extâse culinário, sem a morte ou sofrimento de animais.

Encontra também em Lisboa, uma panóplia fabulosa de restaurantes vegetarianos e étnicos que o podem iniciar no mundo maravilhoso, mas ainda oculto para si, do Veganismo e Vegetarianismo. A sua saúde, o ambiente e os animais irão estar-lhe eternamente gratos, mesmo que apenas inclua um prato semanal vegetariano.

Se precisar de receitas vegetarianas/veganas simples e acessíveis, aconselho-o vivamente este sitio do Centro Vegetariano, onde pode selecionar receitas por ingredientes, dificuldade, tempo de confeção ou ocasião festiva, etc.:
http://www.centrovegetariano.org/receitas/

Abraço vegano,
João Pedro Santos
Lisboa



Comentários na Nota no Facebook:


Luis Martins 
O Veganismo e o Vegetarianismo são modos de vida que entram em conflito com os padrões tradicionais. A falta de informação do cidadão "comum" acerca destes temas leva-os a dizer asneiras e interpretar mal factos. Mas é preocupante que se comece a associar o Veganismo a certas correntes religiosas. Será mais uma arma de arremesso que estão a fornecer aos detratores do Veganismo, o factor religioso. Infelizmente é bastante vulgar vêr na comunidade vegan argumentos religiosos a tentar justificar o que só a Ètica pode fazer de forma universal. A introdução de argumentos religiosos só prejudica a divulgação do Veganismo e a prova disso está neste artigo.


A religiosidade de cada um é algo de pessoal. Todos tem o direito de acreditar naquilo que sentem ser a sua fé. Mas transpor essa fé para a argumentação duma filosofia (Veganismo) que é universal, que é comum a pessoas de todas as classes, de todas as raças, crentes e não crentes, é um factor que serve para criar divisões, e pior que isso, é um factor que é usado pelos que nem sequer sabem o que é para tecer criticas.
Respeitar todos os seres vivos é perfeitamente explicavel duma perspectiva Humana, racional, e lógica. Não fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós, entender que as nossas acções causam sofrimento desnecessário, compreender o que os outros sentem, são factos bem reais, culturais, filosoficos e morais que todos podem aprender e reconhecer sem entraves de qualquer especie.



Helena Avelar 

Muito bem respondido! Adorei o comentário sobre alcoolismo... ;) E o da "realidade burguesa limitada" está demais - e é tão verdadeiro!... :?
Agora, tenho também de concordar que por vezes surgem, associados ao veganismo, certos elementos de postura fanática que em nada favorecem a causa. As atitudes intransigentes e proselististas não atraem as pessoas, afastam-nas. Como disse o Luís no comentário anteiror (e muito bem!) é a Ética pode justificar estas escolhas. E essa é universal.


M De Lourdes Carapelho 
Ele pensou que estava a escrever uma crónica humorista.... será?
Então, cá pra mim tem os dias contados. Tão novinho e com uma mentalidade tããão medieval. Qualquer dia fazem perseguições aos veganos quais bruxas do séc. XV tal como querem "crucificar" todos os vegan@s devido ao acontecimento do casal francês, como se os casais e famílias omnívoras não fossem abusadores, negligentes e violentos com os seus filhos. Mas desses não vejo parangonas nem são sequer julgados pelos seus actos.
Será que alimentar os filhos SÓ com comida "plástica", processada e industrializada, responsável pela obesidade quase mórbida das crianças ainda em idade pré-escolar NÃO É CRIME???
Ou mudam as mentalidades ou são obrigados a mudar.... Não mudam com Amor, mudam pela dôr!!!
leiam os artigos - http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/utentes/obesidade/23_de_maio_-_dia_nacional_da_luta_contra_a_obesidade
http://www.adexo.pt/2004.html

Tenho que arranjar uma maneira de o calar de vez e obrigar a retratar-se e pedir desculpa aos milhares de vegan@s!!!
Pensa que tem graça?? Engana-se!

Consegui arranjar em papel. Uma pérola da ignorância de um humorista armado em "doutor".
Quando é que pessoas que se acham "vedetas" e com direito de opinião pública se abstém de comentar em relação a assuntos os quais desconhecem completa e totalmente!
Tal como existem falsos profetas também existem falsos geradores de opinião que pensam ter o direito de comentar, na sua ignorância, temas que os ultrapassa.
Sempre ouvi dizer, cada macaco em seu galho, mas os portugueses pensam que podem falar de tudo e fazer de tudo para o qual não tem as minimas competencias!!!
Por isso somos muito bons a fazer asneiras...

Veganismo é mais do que uma opinião, é uma "cultura" que se aprende, e como diz o Poeta, "Primeiro estranha-se, depois entranha-se..."
Não é vegano quem quer, é quem pode e sabe abraçar de alma e coração uma filosofia de vida que ultrapassa uma mudança na alimentação, é uma mudança de mentalidades.
O veganismo é uma paixão motivada pela ética, pela compaixão e respeito aos Direitos dos Animais não humanos.

Mauricio Pereira 

já havia dito no forum "Vegetarianismo / Veganismo e Direitos dos Animais" que na volta José Diogo Quintela estaria sob o efeito do álcool quando fez esta crónica!
Isto após ler esta resposta.
Agora que finalmente li a crónica do José Diogo Quintela posso afiançar que, seguramente, estava sob o efeito do álcool

Luis Aires d'Almeida 

José Diogo Quintela, um pobre coitado, magicamente arrancado da sua dormente e insignificante existência, vê-se de súbito projectado para a por demais "incómoda" condição de "vedeta" com a sua participação no programa Gato Fedorento onde, tal como Miguel Góis e Tiago Dores, sobrevive à sombra do inegável talento de Ricardo Araújo Pereira. Com o advento da fama, seguem-se as campanhas publicitárias, com especial relevo para os anúncios da MEO nos quais, e mais uma vez, não é difícil perceber que o senhor Quintela continua igual a ele próprio ou seja, um simples gato fedorento. Com o aparecimento de novas oportunidades, chegaram também novas exigências e nesse domínio, foi visível o esforço feito pelo "famoso" no sentido de melhorar a sua imagem televisiva de modo a deixar de ser conhecido como "o gordo", apodo vulgarmente usado por todos quantos, desconhecendo o seu nome, a ele se referiam nos primórdios da sua meteórica ascensão a "figura pública". Infelizmente, se a perda de uns quilitos supérfluos contribuiu em grande parte para melhorar a sua abalada auto-estima, há quem garanta que a mesma terá de igual modo contribuído para agravar a dilatação do seu inflamado ego, responsável pelas crises de flatulência pseudo-intelectual que ultimamente o têm acometido. Por último, e a fazer justiça à prática que dita que a uma "figura pública" emergente são garantidas todas as oportunidades, ei-lo como membro do júri no concurso televisivo Portugal Tem Talento, a falar daquilo que menos entende e por conseguinte, a abandonar de quando em vez o estatuto de "figura pública" para abraçar por momentos a deprimente condição de "figura triste". Enfim, será este entre outros, o preço a pagar por todos quantos ajudam a criar estas vedetas feitas à pressão, próprias de um país pequenino onde a maioria dos "famosos" aparecem como a mousse instantânea ou seja, basta juntar água.
José Diogo Quintela, muito embora com algumas diferenças positivas relativamente à maioria dos labregos inexplicavelmente elevados à condição de famosos, acaba todavia por se enquadrar no mesmo grupo quando, por via da presunção e da vaidade, quer à viva força deixar de ser sapateiro e por assim dizer, ir além da chinela. Este senhor, por inerência do tipo de programas nos quais participou, terá adquirido a falsa ideia de que depois do "Gato Fedorento" só mesmo o Dilúvio, e que por isso mesmo não existem limites nem barreiras que se oponham á sua crítica mordaz, irónica, inconveniente e por vezes ofensiva. Só assim se compreendem as razões que desta feita o terão levado a assinar uma peça na qual, de um modo completamente despropositado e ofensivo, decide implicar com veganos e vegetarianos só porque lhe deu na real veneta. À semelhança de outras investidas menos conseguidas no domínio das crónicas de pacotilha que assina, também esta, para não fugir á regra, de novo remete o senhor Quintela para a condição de perdulário ao desperdiçar uma, mais uma, excelente ocasião para estar quieto e calado e assim fazer boa figura.

"Diz que é uma espécie de comediante " porém, eu acho que ele é mais um idiota a juntar a muitos outros que infelizmente por aí abundam.

Silvia Peixe

O Sr. José Quintela anda muito ignorante mesmo.O vegetarianismo é o melhor para o Homem e para todos e não tem nada a ver com religiões, é um hábito alimentar não tradicional.

Paulo Borges 

Confrangedora ignorância...





Gostaria que lessem este artigo excelente de um amigo que é o meu nutricionista/orientador de nutrição vegana e do meu neto, mesmo à distância e nunca tive qualquer problema, pelo contrário, sou vegana e mais saudável hoje do que era porque o meu medicamento é o meu alimento, como disse Hipócrates, o pai da medicina.

Desinformação
Crianças veganas desnutridas e a responsabilidade dos pais
03 de abril de 2011


Por George Guimarães* (da Redação)

A imprensa mundial trouxe ao conhecimento do público no final do mês de março de 2011 a notícia sobre a acusação de homicídio que está sendo levantada contra os pais de uma criança vegana de 11 meses de idade que veio a óbito por desnutrição, o que de fato foi confirmado por meio da autópsia. Segundo a notícia, além de alimentar a filha sem o uso de ingredientes de origem animais, o casal também recusava fazer uso de tratamentos alopáticos, o que teria contribuído para o incidente. O casal já cumpriu quatro meses de prisão provisória e aguarda em liberdade o julgamento.

Essa não é a primeira vez que um casal vegano é responsabilizado pela morte de um filho. No mês de maio de 2007, um casal vegano norte-americano foi condenado pela morte de um bebê de 3 meses por tê-lo alimentado apenas com leite de soja e suco de maçã, privando-o do leite materno, essencial para qualquer recém-nascido independente das escolhas alimentares de seus pais. Sejam os pais vegetarianos, onívoros ou crudívoros, nenhuma dessas escolhas descarta a necessidade do leite materno ou (na impossibilidade desse) a sua substituição por uma fórmula infantil adequada.

Em ambos os casos, apesar de a morte da criança ter sido ocasionada pela irresponsabilidade e desinformação dos pais, e não pela dieta em si, muitas foram as críticas ao veganismo geradas a partir dos fatos. Dentre as repercussões negativas e desinformadas, a mais severa foi sem dúvida a carta ao editor publicada no dia 21 de maio e 2007 no jornal norte-americano The New York Times. No texto, a autora Nina Planck basicamente acusa de serem irresponsáveis todos os pais que oferecem uma dieta vegana aos seus filhos.
Semanalmente, eu atendo crianças vegetarianas em meu consultório. Além disso, eu convivo com a comunidade vegetariana fora do consultório e com isso já tive a oportunidade de conhecer dezenas de crianças vegetarianas. Uma criança tem tanta possibilidade de seguir uma dieta vegetariana quanto um adulto. A viabilidade de uma dieta vegetariana (sem ovos e laticínios) fato já está bem esclarecida.

A dieta vegetariana não apenas é saudável, mas ela também ensina às crianças, desde cedo, hábitos diários que estão imbuídos de compaixão e respeito ao planeta e a outras formas de vida. Também sabemos que ela é cientificamente viável, já que associações dietéticas (não-vegetarianas) internacionais aprovam a dieta vegetariana para qualquer fase da vida, desde que bem planejadas. Não podemos deixar de notar também que uma dieta vegetariana é mais saudável do que a dieta típica ocidental, repleta de gordura saturada, colesterol, alimentos refinados e pobre em fibras. Por que então os irresponsáveis são os pais veganos e não também os onívoros?

Por fim, é interessante notar que a Sra. Nina Planck, autora do artigo no The New York Times, está ligada à Weston Price Foundation, um grupo lobista que se aventura em campanhas contra a soja e contra o veganismo, além de militar em campanhas pró-carne e pró-laticínios. Isso é de certa forma um reconhecimento da força que o vegetarianismo expressa enquanto mercado, ferindo aqueles a quem não interessa ver difundidos hábitos de vida mais saudáveis.
Nessa batalha, a nossa principal arma é a informação. Apesar de falhos, estes argumentos conseguem boa inserção na sociedade por meio da mídia, que é justamente onde precisamos estar atentos. A informação científica sobre o tema é clara: com o devido cuidado e planejamento, a dieta vegetariana (sem ovos e sem laticínios) é perfeitamente viável para crianças de qualquer idade.

O planejamento nutricional é essencial em qualquer estilo alimentar e isso não é um sinal negativo em relação ao veganismo. Para começar, as crianças veganas devem receber aleitamento materno até os seis meses de idade. Se por ventura isso não for possível, apenas fórmulas infantis industrializadas, adequadas a essa fase da vida, devem ser oferecidas ao recém-nascido. A partir do início da alimentação sólida, os nutrientes que merecem atenção em uma dieta vegana infantil são a vitamina B12 (encontrada em alimentos fortificados ou suplementos), o ômega-3 (encontrado no óleo de linhaça), a proteína (encontrada nas leguminosas e nas castanhas), o ferro (abundante nas frutas, vegetais verde-escuros, no melado-de-cana, nas castanhas e nas leguminosas) e o cálcio (encontrado nas mesmas fontes de ferro, basicamente).

Outro ponto importante é a ingestão calórica. Como os vegetais contêm mais água e mais fibras, a saciedade oferecida por uma dieta isenta de produtos de origem animal é maior e com isso a ingestão calórica pode acabar sendo demasiadamente reduzida. O segredo é incluir na dieta os alimentos vegetais mais calóricos (como as castanhas, por exemplo) e não exagerar nas fibras, devendo ser excluídos da dieta vegetariana infantil os farelos e outras fibras adicionadas. Isto garante que a saciedade será acompanhada uma boa densidade calórica e nutricional.

Os estudos científicos apontam que a dieta vegetariana infantil não apenas é possível, mas também muito saudável. Enquanto os pais de crianças vegetarianas devem buscar a informação e orientação adequadas para auxiliá-los no planejamento nutricional de seus filhos, eles devem ao mesmo tempo procurar manterem-se refratários às opiniões baseadas em mitos populares ou interesses daqueles que lucram perdendo de vista a saúde da população.

George Guimarães é nutricionista especializado em dietas vegetarianas

Fonte: ANDA






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Terça-feira, 13 de Julho de 2010
Crônica policial

Aconteceu no Rio.
Casal jantando no restaurante. A TV, ligada, influencia o diálogo:
-”Que horrível, querido, esse crime. Uma monstruosidade! E olhando pra ele, ninguém poderia imaginar…”
-”Um jogador bem-sucedido, com uma carreira pela frente… Pagasse a pensão e pronto!”
-”Em minha opinião, tem muito machismo nisso… Humm, mas esta picanha está deliciosa! Como você descobriu este restaurante?”
-”Segredo de Estado! Hoje em dia, você sabe… Mas o que mais me revoltou foi a frieza dele, os requintes de crueldade.”
-”Coitada dela. Crime desumano…”
-”Agora, preso, ele vai pensar melhor sobre seus atos… Vamos, amor?”
-”Pela pressa, você deve ter feito reservas no nosso ninho preferido, acertei?”
-”E você acha que eu não pensei em todos os detalhes?… Garçon, a conta… E parabéns pela picanha, estava ótima!… EEEI, O QUE E ISSO???”
-”INVESTIGADOR MARTINS, POLICIA VEGETARIANA! Vocês estão presos, em flagrante, por consumo de cadáver de uma vitima de especismo! E por compactuar com os crimes de confinamento, maus-tratos, assassinato premeditado e esquartejamento do animal!
Churrascaria com fachada de restaurante, hein?… Cadê o gerente?… ‘Tá preso! Tragam o pessoal da cozinha, também. Todo mundo p’ra Delegacia! No interrogatório, o delegado descobre o matadouro… quem sabe, o fazendeiro!
Crime desumano!”
Enquanto os policiais levavam os detentos para a Delegacia de Direitos dos Animais, podia-se ler nas viaturas o lema da PV:
Animais são amigos, não comida
Fonte


publicado por Maluvfx às 18:58
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