Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Sábado, 18 de Setembro de 2010
Falando com não veganos sobre veganismo: 5 princípios
Postado por Gary L. Francione em seu blog/podcast em 14 de setembro de 2010


Caros(as) colegas:
Neste Comentário, eu trato de um assunto que vários de vocês me pediram para cobrir: como conversar com não veganos sobre veganismo?
Apresento cinco princípios gerais:
Princípio nº 1: No fundo as pessoas são boas.
Quando falarmos com as pessoas, nossa posição automática tem de ser que elas são boas e interessadas em, ou educáveis sobre, questões morais. Há uma tendência, entre ao menos alguns defensores dos animais, a ter uma visão muito misantrópica dos outros humanos e a encará-los como inerentemente imorais ou desinteressados por questões de moralidade. Eu discordo dessa visão.
Princípio nº 2: As pessoas não são idiotas.
Há uma tendência, entre os defensores dos animais, a crer que o público em geral não é capaz de entender os argumentos a favor do veganismo e que devemos “ir com calma”, e, em vez de falar sobre veganismo, devemos falar sobre vegetarianismo. “Segunda feira sem carne”, carnes e outros produtos animais “felizes”, etc. Eu discordo desse modo de pensar tão elitista sobre as outras pessoas. Não há mistério; não há nada complicado. As pessoas podem entender, se ensinarmos com eficácia.
Princípio nº 3: Não fique na defensiva; responda, não reaja.
Sim, algumas pessoas vão tentar nos provocar, ou vão fazer perguntas ou comentários que consideramos ofensivos ou sem seriedade. Se uma pessoa realmente não está interessada no que estamos falando, ela geralmente vai embora. Encare toda observação e toda pergunta — mesmo a que você achar desagradável, rude ou sarcástica — como um  convite feito a você por alguém que está mais provocado (no sentido positivo) por você, e mais envolvido, do que você imagina.
Princípio nº 4: Não se sinta frustrado. Educar é tarefa árdua.
Vão lhe fazer a mesma pergunta muitas vezes; vão lhe fazer perguntas que indicam que você deve começar tudo de novo com alguém. Mas se você quiser ser um educador eficiente, precisa responder toda pergunta como se nunca a tivesse ouvido antes. Se quiser que os outros fiquem entusiasmados com a sua mensagem, você precisa estar entusiasmado com ela primeiro.
Princípio nº 5: Aprenda os fundamentos. Antes de virar professor, você precisa ser estudante.
Muitos defensores dos animais ficam animados com o veganismo abolicionista e a primeira coisa que fazem é criar um website ou um blog que, embora motivado pelos sentimentos certos, não é informado por ideias claras. Antes de você ensinar os outros, aprenda os fundamentos. Aproveite a disponibilidade de recursos veganos abolicionistas como os vídeosos panfletose outros materiais deste site, além de materiais disponíveis em outros sites abolicionistas como o animalemacipation.com e o da Boston Vegan Association.
O triste é que os maiores obstáculos à educação vegana são os grupos neobem-estaristas grandes, que entraram em sociedade com os exploradores institucionais de animais para promover o consumo de produtos animais, dando à exploração animal, em diversas formas, a “aprovação dos direitos animais” (ver, por exemplo, 12).
Esses grupos neobem-estaristas (ou novos bem-estaristas) são parte do problema; eles não são parte da solução.
Espero que vocês achem este Comentário útil. Como indico, ficarei feliz em fazer outros Comentários em podcasts futuros, tratando de mais questões relacionadas ao ativismo vegano, dependendo do feedback que eu receber sobre este Comentário.
Tornem-se veganos(as). É fácil. É melhor para sua saúde e o planeta. Mas o mais importante de tudo é que é a coisa moralmente certa e justa a fazer.
Gary L. Francione
© 2010 Gary L. Francione

Fonte:
MATERIAL DO WEBSITE/BLOG DE GARY FRANCIONE EM TRADUÇÃO AUTORIZADA


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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010
Traduções do website de Gary L.Francione

AbordagensCentro de estudos
para a teoria e prática
dos direitos animais
Gary L. Francione


gary-francione-dogsAqui se encontram as traduções do website de Gary L.Francione, autorizadas pelo autor a Regina Rheda e para publicação neste Centro de Estudos.
Gary L. Francione é Distinguished Professor de Direito e o Katzenbach Scholar de Direito e Filosofia na Rutgers University, EUA. Autor de 5 livros, Francione desenvolveu a teoria de direitos animais abolicionista.

Apresentações em vídeo

Artigos, entrevistas, trechos de livros

Textos do blog pessoal


2009



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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010
Filósofos da Libertação Animal: Gary Lawrence Francione
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Gary Lawrence Francione é Professor Emérito de Direito e Nicholas de B. Katzenbach Scholar em Direito e Filosofia na Universidade Rutgers, em Newark (New Jersey, EUA). Possui bacharelado em filosofia pela Universidade Rochester, onde obteve a bolsa de estudos Phi Beta Kappa O'Hearn para realizar pós-graduação na Grã-Bretanha. Realizou seu mestrado em filosofia e doutorado em direito na Universidade da Virgínia (EUA). Após trabalhar como secretário jurídico na Quinta Vara da Corte de Apelação e Supremo Tribunal dos Estados Unidos, e como consultor nos escritórios jurídicos Cravath, Swaine & MooreBoies, Schiller & Flexner, e Lowenstein Sandler, Francione lecionou na Escola de Direito da Universidade da Pensilvânia a partir de 1984. Em 1987 fez parte do quadro permanente de funcionários nesta universidade e então começou a lecionar na Universidade Rutgers a partir de 1989. Na foto ao lado, Francione aparece com seus cachorros Mollie e Katie, adotados de um abrigo.

Francione é um dos mais proeminentes filósofos sobre direitos animais e teoria moral, e é o proponente da mais radical e consistente teoria de direitos animais atualmente, conhecida como Teoria Abolicionista, cuja base moral é o veganismo (estilo de vida no qual se evita o consumo de produtos de origem animal e práticas associadas à exploração animal). Ele é conhecido por ter cunhado o termo "esquizofrenia moral" para se referir ao modo como a maioria dos humanos se relaciona com os não-humanos: Embora todos afirmem adotar o princípio de que sofrimento desnecessário é errado, na prática todo o uso que é feito dos animais não pode ser defendido como necessário em nenhum sentido plausível. Francione é também conhecido por ser um dos maiores críticos das leis de regulamentação de bem-estar animal e do status de propriedade que essa legislação confere aos animais não-humanos. Para Francione, as leis que regulamentam essa exploração não estão interessadas na abolição da exploração animal, mas apenas reafirmam essa exploração e tornam-na mais competitiva economicamente, como mostram as estatísticas de aumento de produção e consumo de produtos de origem animal no mundo em 200 anos de existência de legislação de bem-estar animal. Essa posição vai de encontro ao pensamento de outros filósofos (como Peter Singer, David Favre, Cass Sunstein e Bernard Rollin) que acreditam que tais leis são pequenos avanços que poderão futuramente levar à abolição da exploração institucionalizada de animais não-humanos, ou que consideram como admissível uma condição de exploração com sofrimento "mínimo" aos animais. Diferente de Singer, Francione diz que não há qualquer justificação moral para a exploração animal, mesmo que isso traga benefícios aos humanos. Francione também pensa diferente do filósofo Tom Regan, que tem ideias mais próximas das suas. A teoria de Francione se aplica a todos os seres sencientes (isso inclui todos os mamíferos, animais dotados de sistema nervoso central e até mesmo insetos), enquanto a de Tom Regan se aplica apenas a animais que possuem habilidades cognitivas sofisticadas, como mamíferos, aves e, possivelmente, peixes.

Francione também questiona a falta de ideais claros no atual movimento de libertação animal, o que pode ser percebido nas formas de ação utilizadas por diferentes grupos de defesa de direitos animais, como o uso de violência à propriedade (e.g. praticados por membros da ALF - Animal Liberation Front), uso de propagandas sexistas (como as veiculadas pela PETA - People for the Ethical Treatment of Animals), concessão de prêmios e menções honrosas a exploradores de animais e, contrastando com essas ações, a indulgência entre os próprios membros desses grupos em relação ao consumo de produtos de origem animal tais como leite e seus derivados (produtos cujo sofrimento associado é maior do que o decorrente da carne obtida de gado de corte, segundo Francione).

O professor Francione tem lecionado direitos animais e legislação por mais de 20 anos, e foi o primeiro acadêmico a lecionar teoria de direitos animais em uma faculdade de direito nos Estados Unidos. Também já lecionou esse tópico em outros lugares dos Estados Unidos, no Canadá, na Europa, e foi professor convidado da Universidad Complutense de Madrid. De 1990 a 2000, Francione e a Professora Adjunta Anna Charlton conduziram o escritório advocatício Rutgers Animal Rights Law Clinic, fazendo da universidade Rutgers a primeira nos Estados Unidos a ter no currículo acadêmico regular um curso de legislação de direitos animais, e conceder créditos acadêmicos aos estudantes por trabalhar no escritório em casos reais envolvendo a questão animal. Na representação desses casos, nenhum honorário foi cobrado. Atualmente, Francione e Charlton lecionam um curso sobre direitos humanos e direitos animais, e um seminário sobre legislação e teoria de direitos animais.

Francione é um pacifista, e se inspira no pensamento de Mahatma Gandhi e nos princípios jainistas para conduzir uma mudança na sociedade através da desobediência civil não-violenta, e principalmente através da educação vegana. Curiosamente, embora seja um professor de direito, Francione acredita que a mudança deve começar individualmente, através da adoção em um estilo de vida vegano, e não unicamente através da mudança da legislação.

Entre suas obras, destacamos os livros que temos a nosso dispor no grupo de estudos: Animals as Persons: Essays on the Abolition of Animal Exploitation (Columbia University Press, 2008);Introduction to Animal Rights: Your Child or the Dog? (Temple University Press, 2000); Animals, Property, and the Law (Temple University Press, 1995) e Rain Without Thunder: The Ideology of the Animal Rights Movement (Temple University Press, 1996).

Notas:

Animal Rights: The Abolitionist Approach. Website oficial e blog de Gary Francione


Tradução autorizada: material do website oficial


Blog de Gary Francione (Animal Rights: The Abolitionist Approach)


Gary Lawrence Francione in Wikipédia


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Filósofos da Libertação Animal: Gary Lawrence Francione
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Gary Lawrence Francione é Professor Emérito de Direito e Nicholas de B. Katzenbach Scholar em Direito e Filosofia na Universidade Rutgers, em Newark (New Jersey, EUA). Possui bacharelado em filosofia pela Universidade Rochester, onde obteve a bolsa de estudos Phi Beta Kappa O'Hearn para realizar pós-graduação na Grã-Bretanha. Realizou seu mestrado em filosofia e doutorado em direito na Universidade da Virgínia (EUA). Após trabalhar como secretário jurídico na Quinta Vara da Corte de Apelação e Supremo Tribunal dos Estados Unidos, e como consultor nos escritórios jurídicos Cravath, Swaine & MooreBoies, Schiller & Flexner, e Lowenstein Sandler, Francione lecionou na Escola de Direito da Universidade da Pensilvânia a partir de 1984. Em 1987 fez parte do quadro permanente de funcionários nesta universidade e então começou a lecionar na Universidade Rutgers a partir de 1989. Na foto ao lado, Francione aparece com seus cachorros Mollie e Katie, adotados de um abrigo.

Francione é um dos mais proeminentes filósofos sobre direitos animais e teoria moral, e é o proponente da mais radical e consistente teoria de direitos animais atualmente, conhecida como Teoria Abolicionista, cuja base moral é o veganismo (estilo de vida no qual se evita o consumo de produtos de origem animal e práticas associadas à exploração animal). Ele é conhecido por ter cunhado o termo "esquizofrenia moral" para se referir ao modo como a maioria dos humanos se relaciona com os não-humanos: Embora todos afirmem adotar o princípio de que sofrimento desnecessário é errado, na prática todo o uso que é feito dos animais não pode ser defendido como necessário em nenhum sentido plausível. Francione é também conhecido por ser um dos maiores críticos das leis de regulamentação de bem-estar animal e do status de propriedade que essa legislação confere aos animais não-humanos. Para Francione, as leis que regulamentam essa exploração não estão interessadas na abolição da exploração animal, mas apenas reafirmam essa exploração e tornam-na mais competitiva economicamente, como mostram as estatísticas de aumento de produção e consumo de produtos de origem animal no mundo em 200 anos de existência de legislação de bem-estar animal. Essa posição vai de encontro ao pensamento de outros filósofos (como Peter Singer, David Favre, Cass Sunstein e Bernard Rollin) que acreditam que tais leis são pequenos avanços que poderão futuramente levar à abolição da exploração institucionalizada de animais não-humanos, ou que consideram como admissível uma condição de exploração com sofrimento "mínimo" aos animais. Diferente de Singer, Francione diz que não há qualquer justificação moral para a exploração animal, mesmo que isso traga benefícios aos humanos. Francione também pensa diferente do filósofo Tom Regan, que tem ideias mais próximas das suas. A teoria de Francione se aplica a todos os seres sencientes (isso inclui todos os mamíferos, animais dotados de sistema nervoso central e até mesmo insetos), enquanto a de Tom Regan se aplica apenas a animais que possuem habilidades cognitivas sofisticadas, como mamíferos, aves e, possivelmente, peixes.

Francione também questiona a falta de ideais claros no atual movimento de libertação animal, o que pode ser percebido nas formas de ação utilizadas por diferentes grupos de defesa de direitos animais, como o uso de violência à propriedade (e.g. praticados por membros da ALF - Animal Liberation Front), uso de propagandas sexistas (como as veiculadas pela PETA - People for the Ethical Treatment of Animals), concessão de prêmios e menções honrosas a exploradores de animais e, contrastando com essas ações, a indulgência entre os próprios membros desses grupos em relação ao consumo de produtos de origem animal tais como leite e seus derivados (produtos cujo sofrimento associado é maior do que o decorrente da carne obtida de gado de corte, segundo Francione).

O professor Francione tem lecionado direitos animais e legislação por mais de 20 anos, e foi o primeiro acadêmico a lecionar teoria de direitos animais em uma faculdade de direito nos Estados Unidos. Também já lecionou esse tópico em outros lugares dos Estados Unidos, no Canadá, na Europa, e foi professor convidado da Universidad Complutense de Madrid. De 1990 a 2000, Francione e a Professora Adjunta Anna Charlton conduziram o escritório advocatício Rutgers Animal Rights Law Clinic, fazendo da universidade Rutgers a primeira nos Estados Unidos a ter no currículo acadêmico regular um curso de legislação de direitos animais, e conceder créditos acadêmicos aos estudantes por trabalhar no escritório em casos reais envolvendo a questão animal. Na representação desses casos, nenhum honorário foi cobrado. Atualmente, Francione e Charlton lecionam um curso sobre direitos humanos e direitos animais, e um seminário sobre legislação e teoria de direitos animais.

Francione é um pacifista, e se inspira no pensamento de Mahatma Gandhi e nos princípios jainistas para conduzir uma mudança na sociedade através da desobediência civil não-violenta, e principalmente através da educação vegana. Curiosamente, embora seja um professor de direito, Francione acredita que a mudança deve começar individualmente, através da adoção em um estilo de vida vegano, e não unicamente através da mudança da legislação.

Entre suas obras, destacamos os livros que temos a nosso dispor no grupo de estudos: Animals as Persons: Essays on the Abolition of Animal Exploitation (Columbia University Press, 2008);Introduction to Animal Rights: Your Child or the Dog? (Temple University Press, 2000); Animals, Property, and the Law (Temple University Press, 1995) e Rain Without Thunder: The Ideology of the Animal Rights Movement (Temple University Press, 1996).

Notas:

Animal Rights: The Abolitionist Approach. Website oficial e blog de Gary Francione


Tradução autorizada: material do website oficial


Blog de Gary Francione (Animal Rights: The Abolitionist Approach)


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Quinta-feira, 13 de Maio de 2010
Bem-Estarismo e Vegetarianismo: um Círculo Vicioso

A ideia que temos de promover o vegetarianismo e o bem-estarismo em vez do veganismo e abolicionismo é um absurdo pernicioso promovido por organizações bem-estaristas que se beneficiam do lucro, aconselhadas por advogados que foram enganados pela sedução dos "líderes" - Singer, Pacelle, Friedrich, Newkirk, e assim por diante - em falsas crenças sobre por que o veganismo é entendido pelo público como "extremo" e mesmo "fanático".


Percebe-se nestes termos pejorativos, precisamente porque os "líderes" não procuraram fazer o veganismo como normal, a posição padrão de alguém que leva os animais a sério (Francione). Pelo contrário: eles têm consciência e deliberadamente fizeram o bem-estarismo e a carne "feliz" a posição central, enquanto difamam o veganismo como uma ética excêntrico de santos e heróis.


Mas esses "líderes", no entanto afirmam com ousadia descarada que devemos promover o bem-estarismo e a carne "feliz" porque o público não é receptivo ao veganismo, quando de facto, é o bem-estarismo e a carne "feliz" que causam a não-receptividade. O resultado disto é que eles 'decadentemente' se auto-confirmam num problema, que eles eles próprios definem e criam. O efeito desta decadência é criar um círculo vicioso pelo qual a não receptividade ao veganismo supostamente justifica o bem-estarismo que por sua vez reforça (por oposição a enfraquecer ou corroer) a não receptividade ao veganismo - e assim ad infinitum.


Consequentemente, o movimento bem-estarista é projetado para se auto-alimentar para sempre - e assim fará a menos que reconheçamos que, imperativamente, os direitos dos animais nos compelem a rejeitar o bem-eatarismo e em vez disso fazer do veganismo a base moral, o padrão mínimo da decência, para a advocacia de direitos dos animais.


Fonte


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Sexta-feira, 7 de Maio de 2010
O veganismo pela via da educação


Eric Prescott Foto: sem crédito
Eric Prescott é um ativista vegano que mora em Boston, nos Estados Unidos, onde atua através da Boston Vegan Association, que ele co-fundou. Abolicionista, Eric concentra seus esforços em educação vegana. Um de seus projetos é um documentário chamado I’m Vegan(Sou Vegano), que reúne depoimentos subjetivos de veganos com o objetivo de desfazer preconceitos sobre o veganismo. 
Nessa entrevista exclusiva dada ao repórter da ANDA, Lobo Pasolini, Prescott fala sobre seu trabalho, as formas efetivas de ajudar para que as pessoas se tornem veganas e dá conselhos e sugestões para outros ativistas e aqueles que desejam se juntar à causa animal.
ANDA – Qual a forma mais efetiva de conseguir que as pessoas se tornem veganas e respeitem os animais como entidades livres?
Eric Prescott- Se o objetivo é conseguir que os humanos respeitem os não humanos como indivíduos senscientes com o direito moral de não ser propriedade, então os meios devem lembrar os fins para serem eficazes. Em outras palavras, nosso ativismo vegano deve girar em torno de educação de direitos animais abolicionistas e não de argumentos que não conduzam a uma visão abolicionista. Sendo assim, nós devemos educar as pessoas para que eles levem os interesses dos animais a sério, particularmente o interesse deles em não serem usados como propriedade humana. Na maioria dos casos, isso quer dizer ajudá-los a “ligar os pontos”. Muitas pessoas pensam que elas respeitam os animais. Por exemplo, elas pensam que é errado fazer mal aos animais (como gatos e cães) sem necessidade, mas elas não vêem que usar e consumir partes animais e produtos derivados também faz mal aos animais. Se nós conseguirmos ajudar-las a fazer essa conexão, nós teremos uma chance maior que as pessoas escolham o veganismo em solidariedade com o interesse dos animais de não serem usados como propriedade. A medida que mais pessoas pararem de usar animais porque elas acreditam que a exploração animal é errada, nós efetivamente faremos crescer um movimento abolicionista.
ANDA – Como o legista e filósofo Gary Francione, você é bastante crítico de reformas bem-estaristas como o abate humanitário, ovos de galinhas criadas “fora de gaiolas” etc. Qual é o problema com essas idéias e tendências e como elas podem obstruir o caminho até os direitos animais de fato?
Eric Prescott- Eu vou recapitular alguns pontos centrais de Francione aqui, porque eu não tenho nada para acrescentar ao que ele já escreveu. Primeiro, tentar reformar um sistema que considera os animais propriedade legitimiza o sistema, cuja premissa é que é moralmente justificável usar animais para o nosso benefício. A visão de direitos nos compele a desafiar essa presunção fundamental, e não conseguiremos isso enquanto ignorarmos a raiz do problema e focarmos em campanhas de reforma que nunca acabam. Como Francione diz, bemestarismo apenas leva a mais bemestarismo. Além do mais, essas campanhas tendem a beneficiar os exploradores de animais. Como Francione já demonstrou, as únicas reformas adotadas pela indústria são aquelas que geram benefícios de custo. É claro que está em seu interesse econômico explorar os animais de formar mais eficiente. Além disso, essas reformas tendem a proteger os exploradores de animais ao dar ao público a impressão de que os animais estão sendo “bem” tratados. Assim, reformas aliviam a consciência do público. Por fim, essas campanhas não protegem significativamente os interesses dos animais de não sofrerem. Os animais ainda são considerados propriedades e seus interesses são subjugados aos interesses dos seus “proprietários” humanos. Galinhas criadas fora de jaulas ainda sofrem muito como resultado de sua exploração. Fazer campanha por ovos de galinhas criadas fora de gaiolas ou por abate em atmosfera controlada é fazer campanha para causar sofrimento aos animais de uma forma e não de outra. Não tem nada a ver com proteger de forma significativa o interesse do animal de não ser propriedade. Com nosso tempo e recursos limitados, nós devemos focar nossos esforços na raiz do sofrimento animal, que é, em primeiro lugar, o fato de que nós os usamos. Recursos usados em reformas são recursos que poderiam ser usados para fazer crescer o movimento abolicionista através da educação vegana.
ANDA – O foco no sofrimento animal é um dos instrumentos principais do ativismo vegano. Em sua opinião, qual a eficácia das investigações de câmera escondida que mostram animais sendo abusados, torturados e mortos?
Eric Prescott – Eu sou um tanto quanto dividido nessa questão. Eu acho que mostrar evidência que os animais sofrem através do seu uso rotineiro é uma maneira forte de provar para as pessoas que a exploração animal, na melhor das hipóteses, machuca. Eu não acho que investigações em vídeo mostrando animais sendo feridos de formas atípicas são úteis para o abolicionista porque a ênfase nesse caso é em abuso e não no uso padrão. Isso pode dar a impressão que o problema é que o animal não está sendo usado devidamente e não de que o problema é que o animal está sendo usado como propriedade. Além disso, é fácil perder de vista o problema subjacente quando o foco é nos males individuais causados aos vários animais explorados para usos diversos. Essa é a razão pela qual eu acredito que é importante focar em uso rotineiro e explicar nesses casos porque o dano ocorre, amarrando isso com o argumento pela abolição da condição de propriedade dos animais. Algumas pessoas talvez não queiram ver esse tipo de imagem, e talvez prefiram ler sobre o assunto ou ouvir da boca de um ativista. Panfletos podem ser úteis também. A chave da questão é educação sobre a questão fundamental da exploração institucional, e quaisquer materiais usados no ativismo devem sempre trazer isso a tona e não simplesmente focar no modo como os animais são (mal) tratados.
ANDA – O que você diria a um vegetariano/uma vegetariana que resiste a tornar-se vegano?
Eric Prescott – Para os vegetarianos éticos (em contraste com os vegetarianos pela saúde), eu parto do mesmo princípio com eles de que nós dois entendemos que eles são vegetarianos porque nós acreditamos que é errado causar mal desnecessário aos animais. Então eu demonstro que ovo e laticínios são desnecessários e que essas indústrias fazem mal aos animais, e desfaço o mito de que os animais não são mortos por essas indústrias. Daí é uma questão de ajudá-los a entender que os animais sempre sofrerão enquanto eles forem usados como propriedade. Sendo assim, a única forma de evitar esse mal é não usá-los para nenhum propósito, isso é, tornar-se vegano.
ANDA – Diante de tantos obstáculos e enorme resistência cultural, o que os ativistas podem fazer para permanecer motivados?
Eric Prescott – Eu não posso dizer o que funciona para todo mundo, mas o que me mantém motivado é saber que eu simplesmente não posso não fazer algo. Eu não posso permanecer em silêncio. Eu não acredito que nós devemos permanecer em silêncio sobre o sexismo, racismo e assim por diante, e o mesmo se aplica ao especismo. Claro, é motivante saber que muitas pessoas tornaram-se veganas por causa do meu trabalho ou influência, mas mesmo se eu não soubesse sobre essas pessoas (e deve haver várias sobre as quais eu não sei), ainda assim eu permaneceria motivado pela minha certeza de que eu tenho que falar contra a injustiça. Eu também tento ser realista. Tudo o que eu posso fazer é me educar bem e depois educar os outros para plantar as sementes da mudança vegana. Algumas pessoas serão receptivas logo de cara, outras não. Não devemos perder o estímulo se não conseguirmos convencer todo mundo que encontramos a tornarem-se veganos. É além de nossa habilidade convencer todo mundo a mudar, mas nós podemos dar-lhes informação que pode convencê-los a mudar seu comportamento por vontade própria. Elas são responsáveis por suas decisões.
ANDA – O que você diria para aqueles que desejam tornar-se ativistas veganos?
Eric Prescott – Eduque-se. Leia seus livros e o blog abolitionistapproach.com [que inclui textos emportuguês. Uma versão traduzida do blog encontra-se aqui]. Esse material dá uma noção boa da abordagem abolicionista e o ajudará a tornar-se um ativista vegano mais eficiente.

ANDALogo da ANDA » Agência de Notícias de Direitos Animais


publicado por Maluvfx às 14:43
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Sábado, 24 de Abril de 2010
Feminismo pós-moderno e bem-estar animal: um par perfeito

AbordagensCentro de estudos
para a teoria e prática
dos Direitos Animais






© Tradução: Regina Rheda © Ediciones Ánima
Texto pertencente ao Blog pessoal de Gary Francione
5 de dezembro de 2007

Recentemente, houve um debate nos excelentes e sempre animados Vegan Freak Forums entre pessoas que, em geral, podem ser caracterizadas como “feministas pós-modernas” e “feministas radicais”. Para as feministas pós-modernas, a escolha que uma mulher faz de se mercantilizar como objeto sexual, tratando a si própria como mercadoria, pode representar um ato de empoderamento e não deve ser avaliada de nenhuma forma definitivamente negativa. Essas feministas são, freqüentemente, a favor da pornografia, ou pelo menos não são contra a pornografia. As feministas radicais, por sua vez, são mais inclinadas a rejeitar o tratamento da mulher como uma mercadoria, porque vêem a mercantilização da mulher como inerentemente problemática. Elas são contra a pornografia em geral, e se opõem particularmente ao tipo de pornografia em que as mulheres são representadas como objetos de um tratamento violento ou abusivo. Elas julgam que a maioria dos estereótipos de gênero é prejudicial tanto às mulheres quanto aos homens, e procuram minar tais estereótipos. Já as feministas pós-modernas costumam argumentar que os estereótipos “femininos” podem contribuir para o empoderamento das mulheres.
Esse debate tem alguns paralelos interessantes e importantes com o debate abolição vs. bem-estar. De fato, o feminismo pós-moderno e o bem-estar animal são a mesma teoria aplicada a contextos diferentes.
I. Coisificação “feliz”: A posição feminista pós-moderna tem o efeito de deixar as pessoas mais à vontade quanto à exploração das mulheres. Se uma mulher decide se tornar uma trabalhadora do sexo, essa decisão é considerada uma escolha empoderadora que as feministas têm de apoiar. O feminismo pós-moderno se recusa a fazer quaisquer julgamentos normativos negativos a respeito das instituições exploradoras do sexo, ou a respeito de como essas instituições afetam as mulheres das classes mais desfavorecidas que não têm os privilégios das feministas pós-modernas, as quais são, em sua maioria, mulheres brancas de classe média que receberam uma boa educação.
Dado o selo de aprovação colocado pelas feministas pós-modernas na mercantilização que a mulher faz de si mesma, é fácil entender a reação masculina quando se levanta a questão da pornografia ou outras formas de exploração: “E o que há de errado com isso? As feministas acham certo”. Na semana passada, uma feminista pós-moderna me disse, no Vegan Freak Forum, que eu sou um antifeminista por causa do meu “expresso desdém” pelos clubes e bares de strip-tease. Qualquer um que estivesse lendo aquela troca de mensagens, e que estivesse pensando na possibilidade de ir a um lugar desses, recebeu a aprovação de alguém que se diz uma “feminista”—alguém que alega ser uma aluna de pós-graduação em nada menos do que um programa de Estudos da Mulher. De fato, a mensagem era clara: freqüentar um clube de strip-tease é uma maneira de mostrar que você respeita a decisão que uma mulher faz de se ocupar daquele tipo de atividade. Não é apenas correto ir a clubes de strip-tease; é uma coisa feminista a se fazer. Notável.
Quero enfatizar que ninguém aqui está tentando criticar ou julgar indivíduos que tomam essas decisões de mercantilizar a si mesmos. A questão é apenas determinar se quem se opõe ao sexismo deveria se opor a essas instituições exploradoras. As feministas pós-modernas dizem que não; as feministas radicais sustentam que sim.
Não é de surpreender que a PETA adote a abordagem pós-moderna do feminismo e incentive as mulheres a realizarem ações exploradoras “pelos animais”. Temos tido décadas de shows sexistas da PETA, que vão desde o “Prefiro andar nua a…” (preencha o espaço com qualquer coisa) até o “State of the Union Undress” [“discurso da PETA sobre o estado nu e cru da nação”] com nudez frontal completa. A PETA sempre pode contar com as feministas pós-modernas para participarem com entusiasmo de suas atividades, toda vez que as feministas radicais salientam que um movimento que se opõe a usar os animais não-humanos como objetos também deveria se opor a usar os animais humanos como objetos.
E podemos ver que o mesmo modo de pensar que está por trás da abordagem pós-moderna é diretamente refletido no contexto da ética animal, com resultados devastadores. Temos Peter Singer, a PETA, a HSUS e praticamente todos os principais grupos bem-estaristas, muitos dos quais alegam representar a posição dos “direitos animais”, argumentando que a exploração animal pode ser moralmente defensável se tratarmos os animais explorados de maneira “humanitária”. Podemos ser “onívoros conscienciosos” e nos permitir o “luxo” de consumir produtos animais, contanto que comamos não-humanos mortos em abatedouros aprovados por Temple Grandin, que foi premiada pela PETA, ou vendidos no Whole Foods, o mercado que, segundo a PETA, tem padrões rigorosos de bem-estar animal, ou então contanto que comamos ovos produzidos em galpões de aves “livres de gaiolas”, etc.
Dado o selo de aprovação de Singer, PETA, etc., é fácil entender por que, quando nós estamos tentando promover o veganismo, freqüentemente nos deparamos com a seguinte reação: “E o que há de errado em comer carnes (ovos, queijo, etc.)? Os defensores dos direitos animais falam que está certo”. A PETA diz que o McDonald’s é um “precursor” no campo das reformas do bem-estar dos animais usados pelas cadeias de fast-food, e o ícone Jane Goodall é uma das celebridades que apóiam os laticínios Stonyfield. O movimento pelo bem-estar animal faz as pessoas se sentirem mais à vontade quanto à exploração animal, assim como as feministas pós-modernas fazem as pessoas se sentirem melhor quanto a participar da exploração das mulheres. Você pode ser “feminista” enquanto desfruta do contato com uma dançarina nua num clube de strip-tease; você pode ser um “defensor dos direitos animais” enquanto come ovos de aves “livres de gaiolas” ou carne aprovada por organizações de proteção animal.
Em suma, as feministas pós-modernas criaram a marca “coisificação feliz” para as mulheres, assim como os bem-estaristas criaram o fenômeno carne e outros produtos animais “felizes”. As feministas pós-modernas costumam ignorar, por conveniência, o fato de que as mulheres envolvidas na indústria do sexo são estupradas, espancadas e viciadas em drogas, assim como os bem-estaristas ignoram, por conveniência, o fato de que os produtos animais – inclusive aqueles que são produzidos na mais “humanitária” das circunstâncias – envolvem um sofrimento horrível para os animais. E os dois grupos ignoram o fato de que o uso de mulheres e de animais como mercadorias ou recursos, independentemente da forma como eles são tratados, é inerentemente objetável.
Tanto a posição feminista pós-moderna quanto a posição neobem-estarista estão embebidas na ideologia do status quo. Ambas reforçam a nossa atual visão dos animais como propriedade e das mulheres como coisas cuja condição de pessoa está reduzida a qualquer parte do corpo, ou a qualquer imagem do corpo, que for fetiche para nós. Ambas as posições apenas colocam uma cara risonha em uma mensagem que é, essencialmente, muito reacionária.
Devo salientar outra relação direta entre pelos menos certas feministas e os bem-estaristas. Algumas vezes, essas feministas alegaram rejeitar os direitos animais porque, segundo elas, osdireitos são uma coisa “patriarcal” e nós deveríamos usar, em vez dos direitos, uma “ética do cuidado” a fim de avaliar nossas obrigações para com os não-humanos. Ou seja, essas feministas negam a existência de regras universais que nos proibiriam de usar animais em todas as circunstâncias; em vez disso, a moralidade do uso de animais, segundo elas, seria determinada considerando-se as particularidades de uma situação para ver se certos valores ligados ao cuidado estariam sendo respeitados. É interessante notar que nenhuma feminista de que eu tenha notícia sustenta que a moralidade do estupro depende de uma ética do cuidado; todas as feministas afirmam justamente que o estupro nunca é justificável. Mas isso não é diferente de dizer que as mulheres têm o direito de não ser estupradas. Então essas feministas são a favor do tipo de proteção que é oferecida pelos direitos, quando se trata de animais humanos, mas não quando se trata de animais não-humanos. Nem todas as feministas têm essa posição, mas algumas (que se identificam como defensoras dos animais) e alguns bem-estaristas afirmaram adotar a ética do cuidado como uma alternativa aos direitos animais. (Há um capítulo sobre os direitos animais e a ética do cuidado no meu novo livro, Animals as Persons: Essays on the Abolition of Animal Exploitation, a ser publicado em breve).
II. As regras acerca do discurso permitido: Também existem paralelos entre as regras do discurso, que são freqüentemente impostas pelas feministas pós-modernas e pelos bem-estaristas. Os dois grupos tendem a considerar inaceitável qualquer crítica às suas posições. As feministas pós-modernas acusam as feministas radicais de serem “patriarcais”, “opressivas”, “abusivas”, “desempoderadoras”, etc., se as radicais discordarem da abordagem segundo a qual “mercantilizar a si mesma é feminismo”. Os bem-estaristas consideram qualquer crítica às reformas bem-estaristas como “agressivas”, “divisionistas” e “prejudiciais aos animais”. Tanto as feministas pós-modernas quanto os bem-estaristas fazem freqüentes apelos em favor da “unidade do movimento”, que é o código para a posição de que todos aqueles que discordam deveriam parar de discordar e deveriam a apoiar a posição feminista pós-moderna ou a posição bem-estarista. As tentativas que as feministas radicais ou os abolicionistas fazem de instalar um discurso racional a respeito dessas questões são rejeitadas, sob o pretexto de serem esforços “intelectuais” ou “acadêmicos” fúteis ou elitistas que só servem para frustrar os esforços de libertar as mulheres e os não-humanos.
Esse estilo de discurso reflete as táticas da direita reacionária. Qualquer divergência é automaticamente repelida como um grande mal, e as tentativas de se ter uma discussão razoável são rejeitadas em favor de slogans e outros tipos de retórica vazia, que não fazem outra coisa a não ser manter a ideologia da exploração dominante.
É uma lástima, mas não é nenhuma surpresa, que essas táticas tenham entrado nos movimentos sociais supostamente progressistas.
2008


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Terça-feira, 13 de Abril de 2010
Os movimentos de defesa dos animais

Bem-estar animal: uma alternativa aos direitos dos animais 


De acordo com o professor Gary Francione – o mentor do veganismo abolicionista -  os movimentos de defesa dos animais se dividem em 3 grupos principais:
1. Bem-estaristas: descendentes dos primeiros grupos de proteção aos animais, os bem-estaristas defenderiam a redução do sofrimento e um tratamento humanitário dos animais, sem contudo defender o fim de sua utilização para interesses humanos.
2. Abolicionistas: defendem que toda forma de exploração animal não deve somente ser reduzida, mas completamente abolida. Os abolicionistas defendem ainda o fim da propriedade de animais e a utilização de animais como meio para fins.
3. Neo bem-estaristas: defendem o fim da exploração animal, mas adotam táticas bem-estaristas para a realização desta meta. São como que abolicionistas de longo prazo que defendem a redução no sofrimento animal, mas não atuam pelo fim imediato da propriedade de animais.


Esta divisão, na minha opinião um tanto quanto arbitrária (pois desconsidera várias posições de defesa dos animais e.g. utilitarismo, ética da virtude), tem sido moeda corrente nos discursos do veganismo atual. O bem-estarismo (seja em sua forma original ou como neo bem-estarismo) tem sido apontado por abolicionistas como vilão dos movimentos de defesa dos animais e, curiosamente, movimentos abolicionistas têm usado o termo para definir todos os grupos ou políticas não abolicionistas.
Desse modo, Gary Francione, em um post de seu blog, traduzido e publicado no blog Pensata Animal menciona 4 problemas do bem-estarismo. Problemas que, se analisados, nos mostram que na verdade posições bem-estaristas podem fazer até mais sentido que o abolicionismo.
Primeiro, Francione menciona que “as medidas do bem-estar animal oferecem pouca – se é que oferecem alguma – proteção significativa aos interesses dos animais”. Como exemplo, ele discute a campanha realizada pelo PETA para que a rede MacDonald adotasse uma novos padrões de manejo e abate que visam a reduzir o sofrimento dos animais. A crítica é que “um matadouro que segue as diretrizes de Grandin e um que não as segue são, ambos, lugares horríveis. Afirmar o contrário beira o delírio.” Concordo, mas afirmar que um matadouro que causa menos dor não é melhor que um que causa mais não é menos delirante. Nesse sentido, mantidas todas as outras condições constantes, será melhor adotar as novas práticas e fazer campanha por elas pode resultar em menos sofrimento do que defender a abolição completa do uso de animais. (Até mesmo porque, acredito que a campanha bem-estarista consegue algum resultado, ao passo que nunca ouvi falar de uma rede de hamburgueres ter adotado uma única política abolicionista).
Segundo, “as medidas do bem-estar animal fazem o público se sentir melhor quanto à exploração dos não-humanos, e isso incentiva a continuação do uso dos animais.” Sim, mas em um patamar de sofrimento menor. Aqui, a divergência com o abolicionismo se torna mais profunda já que para criticar essa posição precisaria dizer porque não creio haver problema em usar animais (assim como não há problemas em usar seres humanos) contanto que seus interesses sejam respeitados e não causemos sofrimento desnecessário. Infelizmente, por questões de espaço, essa crítica fica pra depois.
Diz Francione:
A ironia é que reformas bem-estaristas podem, na realidade, aumentar o sofrimento animal. Suponha que estejamos explorando 5 animais e impondo, a cada um deles, 10 unidades de sofrimento. É um total de 50 unidades de sofrimento. Uma medida do bem-estar resulta numa redução de 1 unidade de sofrimento para cada animal, mas o consumo sobe para 6 animais. É um total de 54 unidades de sofrimento – um aumento do saldo de sofrimento.
Mas obviamente essa é uma crítica falaciosa pois o exemplo é hipotético. Exemplos hipotéticos não provam nada, cria-se exemplos como bem se entender. Suponha que exploramos 10 animais e impomos 10 unidades de sofrimento a cada um. Se uma medida de bem-estar resulta numa redução de 2 unidades de sofrimente, mas o consumo aumente para 11 animais, teremos um total de 88 unidades de sofrimento o que é uma situação melhor que a inicial. Se por outro lado, uma campanha abolicionista reduz a o consumo para 9 animais com as mesmas 10 unidades de sofrimento, o resultado foi 90 unidades totais, mais que a reforma bem-estarista.
Terceiro, o bem-estarismo não faz nada para erradicar a condição de propriedade dos animais. Mas a grande pergunta é: por que deveria? Que a condição de propriedade está associada a exploração dos animais como mercadoria não há dúvidas. Mas isso não quer dizer que a causa do sofrimento causado a animais seja sua condição de propriedade. É perfeitamente concebível que animais fossem tratados dignamente e sem dor (incluindo a proibição de abate para alimentação, vestuário etc) sem que eles deixassem de ser propriedade. Ora, se isso é assim, ser ou não ser propriedade não é bem o que está em questão.
Por fim, “todo segundo e todo centavo gastos em tornar a exploração mais “humanitária” são menos dinheiro e menos tempo gastos em educação vegana para a abolição.” Sim, mas novamente, por que uma educação vegana para abolição ao invés de uma educação vegana utilitarista, ou de ética da virtude??  Ou mesmo uma educação não vegana mas que seja mais efetiva na redução do sofrimento animal?
Concluindo, quis mostrar nesse post que muitas críticas ao bem-estarismo, mesmo quando feitas por profissionais de reconhecido saber como o professor Francione, são fracas e muitas vezes funcionam como petição de princípio das teorias abolicionistas. O bem-estarismo, mesmo que ele possa não ser a melhor forma de defesa dos animais, tem posições interessantes, válidas e que não devem ser sumariamente desconsideradas como frequentemente tem sido feito por movimentos de defesa dos animais


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Quinta-feira, 18 de Março de 2010
Veganismo: o princípio fundamental do movimento abolicionista
© Tradução: Regina Rheda. © 2007 Ediciones Ánima
Texto pertencente ao Blog pessoal de © Gary L. Francione



Muitos defensores do bem-estar animal alegam que a posição dos direitos, que busca a abolição do uso dos animais, não é prática porque rejeita a mudança incremental e não oferece qualquer orientação quanto ao que deveríamos fazer agora — hoje — para ajudar os não-humanos. Esses críticos da posição abolicionista argumentam que não temos outra escolha a não ser buscar mais regulamentações bem-estaristas — mais tentativas de tornar a exploração animal mais “humanitária” — se quisermos fazer alguma coisa “prática” para ajudar os animais.




A noção de que as regulamentações bem-estaristas oferecem uma proteção significativa aos interesses dos animais não podia ser mais errada. Conforme discuti nos meus escritos, como os animais são propriedade, eles são apenas mercadorias com valor extrínseco ou condicional. Seus interesses não têm valor inerente. O resultado disso é que os padrões que exigem que lhes seja dado um tratamento “humanitário” são interpretados no sentido econômico e limitam a proteção àquilo que proporciona benefício econômico aos humanos. Supostas melhoras no bem-estar animal fazem muito pouco, se é que fazem alguma coisa, para aumentar a proteção aos interesses dos animais; na maioria das vezes, não fazem nada mais do que tornar a exploração animal mais eficiente em termos econômicos e mais aceitável em termos sociais. Além do mais, não há qualquer evidência histórica de que a regulamentação do bem-estar animal conduza à abolição.


Os bem-estaristas também estão errados ao alegar que a posição dos direitos não nos indica quaisquer passos incrementais práticos rumo à abolição. Há, sim, uma orientação muito clara para uma mudança incremental: o veganismo.


O veganismo não é uma mera questão de dieta; é um compromisso moral e político com a abolição, no nível individual, e não se estende só à comida, mas também à roupa, a outros produtos, e a outras ações e escolhas pessoais. Ser vegano é aquilo que todos nós podemos fazer hoje — agora mesmo — para ajudar os animais. Não requer uma campanha cara, o envolvimento de uma grande organização, legislação, ou qualquer outra coisa além do nosso reconhecimento de que, se “direitos animais” tiver algum significado, é o de que não podemos justificar o consumo de carnes (incluindo pescado), laticínios, ovos e outros produtos de origem animal.


O veganismo reduz o sofrimento e a morte dos animais ao diminuir a demanda. Representa uma rejeição à condição de mercadoria dos não-humanos e o reconhecimento de seu valor inerente. O veganismo também é um compromisso com a não-violência; e o movimento pelos direitos animais deve ser um movimento de paz, deve rejeitar a violência contra todos os animais — não-humanos e humanos.


Muitos defensores dos animais se dizem a favor dos direitos animais, mas continuam a comer produtos de origem animal. Na verdade, muitos “líderes” do movimento pelos animais não são veganos. Isso não é diferente de alguém se dizer a favor da abolição da escravidão, mas continuar a possuir escravos.

Não há nenhuma diferença significativa entre comer carnes e comer laticínios ou outros produtos animais. Os animais explorados na indústria de laticínios vivem mais tempo do que os que são usados para a produção de carne, mas são mais maltratados durante suas vidas e acabam indo parar no mesmo matadouro, depois do quê consumimos sua carne do mesmo jeito. Há provavelmente mais sofrimento num copo de leite, ou num sorvete, do que num bife. E qualquer um que pensar que um ovo — mesmo o que vem das chamadas “galinhas soltas” — não é produto de um sofrimento tão horrível quanto a carne não conhece muito bem a indústria de ovos.

Se uma pessoa pára de comer carne, mas, como resultado disso, passa a comer mais laticínios ou ovos (como fazem muitos “vegetarianos”), ela pode estar na verdade aumentando o sofrimento. De qualquer forma, afirmar que há uma diferença moral entre comer carne e comer laticínios, ovos, ou consumir outros produtos de origem animal, é tão tolo quanto afirmar que há uma diferença moral entre comer vacas grandes e comer vacas pequenas.

Em vez de abraçar o veganismo como uma base moral clara, o movimento pela defesa animal adotou a noção de que nós podemos agir eticamente e continuar a consumir produtos animais. Considere os seguintes exemplos disso (e há muitos):
  • Peter Singer afirma que podemos ser “onívoros conscienciosos” e explorar eticamente os animais se, por exemplo, escolhermos comer animais que foram “criados soltos” e abatidos de uma maneira relativamente “humanitária”. (The Way We Eat: Why Our Food Choices Matter, ps. 81-169 – publicado no Brasil com o título de A Ética da Alimentação - Como Nossos Hábitos Alimentares Influenciam o Meio Ambiente e o Nosso Bem-Estar). Singer elogia fornecedores de animais explorados “humanitariamente”, como o Whole Foods Markets, Inc. e seu executivo-chefe, John Mackey, dizendo que eles são “eticamente responsáveis”, e descreve o veganismo como “fanático”.

  • Tom Regan destacou Mackey para fazer o discurso principal de uma conferência em 2005, chamada The Power of One, voltada à capacidade que cada indivíduo tem de fazer mudanças significativas para os não-humanos. Regan elogia Mackey e a Whole Foods por serem “uma força propulsora de padrões mais altos no bem-estar animal”.

  • A PETA deu ao Whole Foods um prêmio em 2004, dizendo que essa empresa “tem feito, consistentemente, mais pelo bem-estar animal do que qualquer varejista na indústria, ao exigir que seus produtores sigam padrões rigorosos”. A PETA também deu um prêmio em 2004 à projetista de matadouros Temple Grandin, declarando — o que é digno de nota, na minha opinião — que ela é uma “visionária”.

  • A Humane Farm Animal Care, com seus sócios The Humane Society of the United States, the American Society for the Prevention of Cruelty to Animals, Animal People, World Society for the Protection of Animals e outros, promovem o selo Certified Humane Raised & Handled Label [Certificado de Criação e Manuseio Humanitários], que ela descreve como “um programa de certificação e selo para o consumidor” para assegurar aos consumidores que um “ovo, um laticínio, uma carne bovina, uma ave” que tiverem seu selo “foram produzidos tendo-se em mente o bem-estar do animal da fazenda”.

Claro que, em termos gerais, é sempre melhor causar menos dano do que mais dano, uma vez que tenhamos decidido infligir dano. Se formos comer um animal que foi torturado, suponho que seja “melhor” comer aquele que foi torturado menos. Mas — sem levar em conta a questão de os não-humanos criados de forma “humanitária” serem, ou não, realmente menos torturados do que os outros — há uma grande diferença entre o ponto de vista de que menos sofrimento é melhor do que mais sofrimento, e o ponto de vista de que causar menos sofrimento torna uma ação moralmente aceitável. A noção de que o movimento pelos animais promove ativa e explicitamente a segunda posição — a de que fazer menos mal é uma solução moralmente aceitável ao problema da exploração animal — é profundamente perturbadora.


Se X for estuprar Y, é “melhor” que ele não bata em Y também. Seria, entretanto, moralmente repulsivo afirmar que podemos ser “estupradores conscienciosos” ao tomarmos o cuidado de não bater nas vítimas de estupro. De forma análoga, é preocupante o fato de que defensores dos animais estejam promovendo a noção de que podemos ser “onívoros moralmente conscienciosos” se comermos os produtos animais produzidos de forma supostamente “humanitária” e vendidos por fornecedores de sofrimento e morte “eticamente responsáveis”. Tal posição não só é conflitante com a noção de que os não-humanos têm significância moral, mas também encoraja vigorosamente as pessoas a verem a continuação do consumo de produtos animais como uma alternativa moralmente aceitável à adoção de um estilo de vida vegano.


Além do mais, muitas das organizações de defesa animal pintam o veganismo como um estilo de vida difícil, que exige uma considerável dose de sacrifício pessoal e só é possível para os defensores mais “caxias”. Eu me tornei vegano há 24 anos. Ser vegano não era particularmente difícil, naquela época — mas é absolutamente absurdo dizer que é difícil hoje. É fácil ser vegano. Claro, suas escolhas no restaurante ficam mais limitadas, em especial se você não mora numa cidade grande ou perto de uma. Mas se essa inconveniência é importante para você, e se ela impede que você se torne vegano, então provavelmente você não está levando a questão animal a sério mesmo.

O movimento pelos animais nunca terá sequer a esperança de mudar o paradigma hierárquico especista, enquanto não tiver absolutamente claro, como princípio fundamental, que é moralmente errado consumir todos os tipos de carne, laticínios, ovos e quaisquer outros produtos feitos de animais.


Se, no final da década de 1980 — quando a comunidade pela defesa animal nos Estados Unidos decidiu, deliberadamente, seguir uma agenda bem-estarista — uma porção substancial dos recursos do movimento tivesse sido investida na educação vegana abolicionista, provavelmente haveria, hoje, centenas de milhares de veganos a mais do que há. Esta estimativa é bem conservadora, dadas as centenas de milhões de dólares que têm sido gastos pelos grupos de defesa animal em promover legislação e iniciativas bem-estaristas. Eu afirmo que conseguir um aumento do número de veganos reduziria mais sofrimento, através da diminuição da demanda por produtos animais, do que todos os “sucessos” bem-estaristas juntos multiplicados por dez. Aumentar o número de veganos também ajudaria a construir uma base política e econômica para a mudança social que é a fundação necessária para uma mudança legal significativa.

Dada a limitação de tempo e recursos financeiros, não está claro como é que alguém que busque a abolição a longo prazo, ou que pelo menos aceite que a condição de propriedade dos animais é um gravíssimo impedimento a qualquer mudança significativa e deve pelo menos ser radicalmente modificada, possa acreditar que a expansão do bem-estar animal tradicional seja uma escolha racional e eficiente — mesmo sem levar em conta quaisquer considerações sobre inconsistências em termos de teoria moral.


Suponha que, amanhã, você tenha duas horas para gastar com a defesa animal. Você não pode fazer tudo; você tem de escolher. Não tenho a menor dúvida de que duas horas de seu tempo gastos na distribuição de material impresso educativo sobre veganismo é, sob vários aspectos, um uso muito melhor do seu tempo do que duas horas fazendo campanha por gaiolas de bateria mais espaçosas ou formas de escravidão animal mais “humanitárias”.

  
Em suma, assim como alguém que diz que a escravidão humana é uma coisa errada mas continua a possuir escravos não é um abolicionista de verdade no que diz respeito à escravidão humana, alguém que diz que a escravidão animal é uma coisa errada mas não adota o veganismo como estilo de vida não é um abolicionista de verdade, no que diz respeito à escravidão animal. Vamos nós, que aceitamos a abordagem abolicionista, ser claros e inequívocos, e vamos promover o veganismo com nossas próprias palavras e nossas ações.



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O vegetarianismo como uma “porta de entrada” para o veganismo?
© Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima
Texto pertencente ao Blog pessoal de © Gary L. Francione

Caros(as) colegas:
Bem-vindos(as) aos Comentários de abordagem abolicionista.


Os Comentários consistirão de uma série de podcasts que discutem e exploram diferentes aspectos da ideia de que temos de abolir, e não meramente regulamentar, a exploração animal. Os Comentários refletirão ideias contidas neste website e em meus livros.
Os animais são pessoas não-humanas e não podemos justificar moralmente o fato de tratá-los como recursos dos humanos. Além disso, como os animais são propriedade ou mercadoria, a regulamentação do tratamento dos animais custa dinheiro, e as regulamentações do bem-estar animal quase nunca oferecem uma proteção significativa aos interesses dos animais. De modo geral, as regulamentações bem-estaristas na verdade tornam o uso de animais mais lucrativo porque as regulamentações implementadas são aquelas que resultam em um benefício econômico para os produtores e os consumidores. Os Comentários de abordagem abolicionista discutirão por que as reformas bem-estaristas não funcionam, nem podem funcionar, para proporcionar proteção aos animais não-humanos.

Os Comentários de abordagem abolicionista promoverão o veganismo ético e a educação vegana não-violenta criativa como as principais formas de ativismo para progredirmos na direção da abolição do uso de animais. O veganismo ético vai além de não comer produtos animais; ele rejeita o uso de animais para vestuário ou o uso de produtos que contenham ingredientes animais ou que tenham sido testados em animais. Não há nenhuma distinção, no plano moral, entre a carne e os outros produtos animais. Todos os produtos animais envolvem sofrimento e morte de animais.
Os Comentários de abordagem abolicionista explorarão a noção de “direitos animais”. Embora haja muita controvérsia sobre quais os direitos que os humanos deveriam ter, todos nós nos opomos à escravidão humana ou a tratar os humanos como propriedade. A abordagem abolicionista sustenta que negar esse direito –o direito de não ser tratado como nossa propriedade– aos não-humanos sencientes não pode ser justificado moralmente. Isso significa que devemos parar de trazer animais domesticados à existência. Devemos cuidar daqueles que estão aqui agora, mas não devemos trazer mais nenhum outro à existência. Devemos deixar os animais não domesticados em paz e parar de invadir ou destruir seus habitats.
Os Comentários de abordagem abolicionista procurarão explorar nossa “esquizofrenia moral” ou o modo enganado, confuso, de abordamos a ética animal. Todos nós concordamos que é errado infligir sofrimento e morte “desnecessários” aos animais não-humanos. Se “necessidade” tem um significado coerente, deve significar, pelo menos, que é errado infligir sofrimento e morte aos animais não-humanos por razões de prazer, diversão ou conveniência. Mas a esmagadora maioria dos usos que fazemos de animais só pode ser justificada pelo prazer, a diversão ou a conveniência. Muitos de nós vivemos com animais não-humanos que consideramos membros de nossas famílias. Mas enfiamos garfos em outros animais que não diferem, nem factual nem moralmente, dos não-humanos que amamos.
Os Comentários de abordagem abolicionista também discutirão a questão da violência e explicarão por que o movimento para abolir a exploração animal deve ser parte de um movimento maior pela Ainsa, ou a não-violência. Todos os humanos exploram os animais de um modo ou de outro. Portanto, a violência contra os usuários institucionais de animais não faz sentido. Os usuários institucionais de animais e os produtores de produtos animais não são o problema; o problema é o público, que é o responsável pela demanda de produtos animais. Se for para a exploração animal ser abolida algum dia, temos de educar as pessoas de um modo não-violento e desviar o paradigma moral do tratamento dos animais como propriedade.
Finalmente, os Comentários de abordagem abolicionista tratarão da importante relação entre os direitos animais e os direitos humanos, e explorarão o porquê de não devermos usar o sexismo, o racismo e outras formas de discriminação para promover os direitos animais.
Neste primeiro Comentário, discuto se devemos promover o vegetarianismo como uma “porta de entrada” para o veganismo. Concluo que a resposta é “não”.
Em essência: se você é vegetariano, você ainda participa da imposição de sofrimento aos animais; você ainda participa da matança dos animais.
Se você considera os animais como pessoas morais não-humanas, por que você participaria da imposição de sofrimento e morte aos animais?
Espero que vocês achem estes Comentários e nossos esforços futuros úteis para suas reflexões sobre a ética animal.

 
© Ánima


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