Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
O agradecimento dos animais pelo Natal – parte 2
por Marcio de Almeida Bueno
o agradecimento dos animais pelo Natal
Agradeço aos Três Reis Magos que perpetuaram a tradição de presentear nesta época do ano. Só assim eu pude sair daquela gaiolinha solitária, em frente a um vidro onde tanta gente passava e me apontava. Havia outros irmãozinhos, pequenos como eu, mas todos sozinhos em suas gaiolas. Me restava comer, dormir e fazer sujeirinhas ali mesmo, que depois o moço limpava. Agora, alguém me pegou no colo, me encheu de perfume e colocou um laço de fita vermelho no meu pescoço. Na casa nova onde cheguei, minha presença foi motivo de festa, e virei o centro das atenções, com sorrisos, brincadeiras, cafunés. Espero que seja assim para sempre. Espero que algum dia eu possa conhecer a minha mãe, e receber atenção também dela, porque eu nem lembro de se passamos algum tempo juntos. Espero que ela esteja bem.

Obrigado Jesus por ter me destinado a uma família de humanos, que me tratou bem. Cuidei da casa em troca da renovação da água do meu pote, e o direito de comer até o final todas as sobras de comida que alguém me jogava, uma vez por dia, religiosamente. Agora estou um pouco velho, meio doído, mais pateta do que sempre fui considerado ser. Ouvi reclamações nos últimos tempos. Esses dias fui levado a um passeio, no carro da família. Fomos para longe, vi lugares que nunca imaginei ver. Abriram a porta para eu tomar um ar fresco, numa estrada bem movimentada. Foram embora antes que eu pudesse perceber, tentei correr atrás mas a idade já não me permite. Estou aqui há alguns dias esperando, porque acredito que vão voltar para me buscar. Passam tantos carros, tantas famílias iguais à minha, alguns olham, mas ninguém pára. A sede é muita aqui neste acostamento, antes eu latia para os carros que eu acreditava serem da minha família, mas faltam forças. Sigo esperando aquelas pessoas conhecidas voltarem para me buscar e eu poder ir para casa. Eu tenho fé.

Obrigado bom Deus pela floresta e toda a natureza que foi o meu lar desde que nasci. Correr livre não tem preço. Mas, nos últimos tempos, ouço muito barulho, vejo humanos e máquinas fazendo limpeza na floresta. Parece que é tudo em nome do progresso, porque quem mora lá longe precisa das coisas que existem aqui na minha casa. Mas acho que as máquinas estão exagerando, pois muita floresta já não existe. Lugares onde eu dormi, comi, esperei a chuva pasar, agora é só chão, sem árvores para subir ou fazer sombra em dias de calor. Estamos todos indo para o outro lado, pois está perigoso ficar aqui. Nesses lugares onde não existe mais floresta, reparei que há animais diferentes, todos iguais e com chifres, comendo o que há no chão o dia todo. Talvez a gente estivesse ocupando muito espaço, e esses irmãos novos precisassem de lugar para ficar. Eu cedo o meu espaço, mesmo triste pela mudança, porque sei que os humanos estudam muito, e sempre sabem o que é certo, o que nós não entederemos jamais.

Obrigado Nossa Senhora, que um dia usou seu manto para envolver seu filho que nascia, e também quando ele morreu. Eu nem conheço meus filhos, mas dei minha própria pele para envolver e aquecer as costas e os pés de tantos humanos de quem não sei o nome. Vivi um bom tempo só comendo, até o dia que um caminhão veio nos buscar, depois tudo foi confuso e assustador, mas atribuo isso à minha incapacidade intelectual. Vi que outras iguais a mim eram penduradas e a pele era gentilmente retirada, já que os humanos não têm proteção e precisam da minha pele, que é grossa e resistente. Acho que pude recompensar quem me deu comida e espaço durante tanto tempo, ofertando um couro que eu já não mais vestiria, pois a morte já me levara a pastar nos campos longínquos onde habita o Nosso Senhor.

Muito obrigado Jesus pelo meu nascimento. Só acho que a minha mãe não gostou de mim, pois logo eu fui retirado de perto dela. Essa é uma dor que não esqueço. Devo tê-la feito chorar, como um dia você fez sua mãe Maria chorar. Eu ainda ouvi seu choro ao longe, e tenho certeza de que ela está na mesma fazenda que eu, mas não nos deixam nos ver. Agora eu fico parado em um lugar desconfortável, onde mal posso me mexer, e não posso nem deitar para dormir. Meu arrependimento é grande. Gostaria que intercedesse e pedisse que a minha mãe me perdoasse do que quer que eu tenha feito. Acho que já me desculpei, e quando este castigo terminar eu poderia tornar a vê-la, pois sei que mãe e filho devem estar sempre juntos, enquanto este for pequeno. Não sei falar a língua dos humanos, então quando eles se aproximam, eu só tenho o meu olhar. Eles dão risadas – o final do ano é sempre uma época de felicidade para todos – e dizem que minha carne vai estar bem macia. Eu não sei o que isso quer dizer, e prefiro não pensar nisso agora. Prefiro fazer força e lembrar dos poucos instantes que vivi ao lado da minha mãe – ela parecia tão grande e forte – em um lugar que, mesmo cercado, dava para esticar as pernas. Aqui eu não posso me virar, tudo é desconforto. Espero, sinceramente, que a ‘carne macia’ que os humanos falaram signifique a minha liberdade. Se eu pudesse escolher, ficaria comportado em uma manjedoura, sem o castigo de ficar fechado e imobilizado. Peça, Jesus, para a minha mãe me perdoar logo.

Deixo aqui minha gratidão a todos os anjos, pois nada mais honrado a um ser do que que poder abrir mão da própria vida em função da felicidade de outros. Quando nasci eu era tão pequeno, com meus irmãozinhos, e minha mãe era tão grande e gorda, que eu mal via seu rosto. Ali a maioria era grande, mas rapidamente eu tive que ir embora, e não lembro se houve um olhar de despedida da minha gorda mãe. Para onde eu fui, todos estavam de branco. Eu acho que eram anjos, pois colocavam muitos irmãos meus, que pareciam desesperados, para descansar. Ouvi dizer que a câmara fria estava nos esperando, mas eu não queria passar frio. Queria o calor da minha mãe. Queria o cheiro dos meus irmãozinhos de volta – onde estava, só havia cheiro de sangue, pois alguém devia ter se machucado muito. Poderiam ser médicos todos esses que estavam de branco. Enfim, obrigado a todos eles, pois nesta noite tão especial me deixarem descansar por sobre uma mesa bonita. Há velas, risadas e abraços. Eu acredito, do fundo do meu pequeno coração que já não está mais batendo, que eles eram anjos que vieram me buscar.

ANDA


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O agradecimento dos animais pelo Natal ou ‘Hoje eu sou uma estrela’
Natal
por Marcio de Almeida Bueno
Esqueça o oba-oba das lojas, os empurroões no trânsito e a expectativa de folga, bebida e comilança. Somente o olhar dos animais não-humanos é verdadeiro, dentre o furacão que os engole com mais força, no final de cada ano. Os animais da pecuária encaram o fim de suas vidas – ‘eles nasceram para isso’ – enquanto contemplam o traseiro de um clone seu, nos bretes e corredores de concreto que antecedem a mesa farta preparada com tanto esmero pelas famílias de bom coração.

O olhar de quem não sabe chorar, já que a reza na hora do desespero é exclusividade na lista da racionalidade – essa qualidade que separa a humanidade das bestas-feras. O olhar de quem viu o filhote ser puxado para longe de si pelos funcionários da fazenda, esse lugar bucólico onde os animais são tratados como reis, já que optaram por isso em troca de suas liberdades.

O olhar do frango que está encaixotado, empilhado em um caminhão que passa na nossa frente quando estamos na estrada, rumo às férias. Perdemos um segundo, apenas, pensando nisso. Não há espaço para que ele nos dê um tchauzinho, talvez agradecendo pelo doce toque da morte que o aliaviará e abreviará sua existência marcada pela ausência de mãe, confinamento, horários alterados para ditar o ritmo da engorda e opressão no dia-a-dia.

‘Obrigado Papai Noel ou menino Jesus por me tirar de um aviário com outras milhares de aves. Obrigado pela ração e água que mantiveram este corpo vivo, pois ele vale pelo preço que alguém paga. Não tem o valor que minha mãe, animal como eu, instintivamente perceberia, e por isso me defenderia, em condições normais. Aqui sou um entre milhares, e não parece fazer muita diferença se eu morrer agora ou esperar o caminhão dos caixotes. Nasci de uma máquina de ovos, mas espero encontrar minha mãe, ciscando a meu lado, algum dia.

Obrigado Deus humano pela corrente que sempre existiu em torno do meu pescoço, que não me permite caminhar até o horizonte. Ou até o ponto onde há sombra, onde a água da chuva não está empoçada. Agradeço pelos dias que lembraram da minha existência, e sobras de comida chegaram até onde esta corrente permitiu alcançar. Obrigado, Papai Noel, por ter sido escolhido como animal de estimação por uma faímila de humanos.

Obrigado, espírito natalino, por eu ter puxado tanta carroça em meio à fumaça de óleo diesel, fraco, assustado e sedento, que enfim eu tombei no asfalto. A última surra que tomei do carroceiro, para que eu me levantasse, permitiu que enfim meu espírito pudesse cavalgar livre naquelas campos verdes onde quadrúpedes iguais a mim, porém belos e com longas crinas, correm sentindo o vento da natureza. Acho que o esforço que fiz diariamente para tirar meu condutor da miséria, ou pelo menos diminuir sua pobreza, foi menos do que eu poderia, entao eu aceito meu castigo.

Obrigado, família do presépio, por eu ter sido o escolhido para, ainda bebê, estar na mesa de tantas residências, para ter meu pequeno corpo saboreado em uma bonita bandeja, assado e servido à meia-noite. Ainda não entendi por que nasci e morri tão rápido, se fiz algo errado a ponto de não poder crescer um pouco mais em um lugar que, onde vi, havia outros como eu, alguns bem gordos. Mal lembro da minha mãe, mas lembro que ela não podia se virar, cercada em um gradeado enquanto mamávamos. Talvez tenha sido azar, talvez tenha sido sorte.

Obrigado meu Deus, por eu poder ajudar tanta gente a usar um xampu que não irrite os olhos, uma maquiagem que não cause problemas, um produto qualquer a ser dado de presnete neste Natal, que nunca vou saber direito, que atendeu os humanos em suas expectativas mais simples. Estive em um laboratório, cercado de pessoas de jaleco branco, durante tempo suficiente para saber que sou parte importante do progresso, que a Ciência evoluiu graças à minha dor, meu aprisionamento e tudo aquilo que os produtos geraram nos meus olhos e no meu corpo. Fico grato por ter ajudado.

Obrigado Maria, mãe de todas as mães que, zelosas como eu, dão leite a seus filhos durante anos, mesmo após o fim de sua amamentação natural. Minha vida neste estábulo, com úberes gigantes e doloridos, plugados em uma máquina, é o sacrifício que faço para a saúde humana. Não percebi, ainda, em minha mentalidade abaixo da humana, porque o leite de meus filhos vai para os filhos de outra espécie, e até quando já são adultos. Meu filhote não está mais ao alcance de minha vista, foi retirado cedo de meu lado, mas sei que o papel dele, como vitelo, ocupa espaço de respeito junto aos humanos. É alvo de muitos comentários e elogios. Pelo menos é o que imagino, pois o sacrifício é doloroso o suficiente para, respeitosamente, ousar questionar o porquê de minha existência. Mas agradeço mesmo assim, Papai Noel.

Obrigado pelas palmas cada vez que apareço no picadeiro. O olhar das crianças me faz esquecer a minha vida de tédio e imobilidade, viajando de cidade a cidade. Quem sabe um dia eu e os demais animais cheguemos ao lugar de onde viemos, que deverá ter muitas árvores, rios e espaços para correr. Enquanto isso, eu repito as manobras noite após noite, mostro os mesmos truques que, pela minha teimosia, eu custei a decorar. Quem sabe neste Natal eu ganhe uma última viagem, de volta ao habitat que jamais conheci em vida.

Obrigado Natal, por eu poder aquecer tanta gente elegante em momentos de frio. Nasci peludo tal como minha mãe, e como ela pude participar da indústria humana, essa coisa que traz tanto progresso, dando de bom grado minha própria pele para que maridos mostrem afeto à esposa, presenteando-as com belos casacos. Muita gente famosa e rica usa a pele que pode ter sido minha. Isso me enche de orgulho e faz valer o tempo que morei em uma gaiola pouco maior que meu próprio corpo. Já estava cansado de andar em círculos, lembrando dos bosques que um dia corri de cima a baixo. Mas um dia veio a dor que, por pior que tenha sido, me libertou finalmente. Ainda relutei alguns minutos, já sem pele, mas vi que a liberdade me abraçava e escurecia minhas vistas. Acho que valeu a pena, pois sou fotografado e até apareço na televisão, durante o inverno – pelo menos acredito que aquelas partes sejam minhas, cobrindo o corpo de pessoas tão bonitas e famosas. Obrigado aos responsáveis.

Obrigado a todos que vieram me assistir nesta arena. Ainda estou zonzo e ofuscado pela luz após dias de escuridão, mas já entendi que, aqui, eu sou a atração. Há um semelhante a mim, porém sem chifres e mais magro, e nele está montado um humano, com roupas garbosas e armas tão afiadas como as que já furaram tantos iguais a mim. Eu espero que tudo isto termine logo, pois o cansaço está vencendo a euforia, há tanto sangue que já não sei se é meu ou de alguém antes de mim, e está difícil fazer levantar a platéia tantas vezes. Que a morte venha me tocar com a mesma doçura da última vez que fui tocado pela minha mãe. Ela deve estar orgulhosa de um filho que resistiu até o fim, cercado de espadas, aplaudido, sangrando ajoelhado, língua de fora mas fazendo questão de participar do show até o fim. Acho que os aplausos são para mim, já que os olhares convergem para onde estou. E eu não sei onde estou.

Obrigado menino Jesus por ter nascido e feito seus iguais perceberem a necessidade de haver uma festa em seu nome, para redenção e paz, onde eu seria assado em espeto e saboreado por tantas pessoas felizes, sorridentes e em clima de fraternidade. Jamais imaginei que, sem saber falar, sem ter tido escolhas, seria eu o ponto central dos churrascos de de final de ano de tantas empresas, entidades, famílias e grupos a confraternizar. Aguardei este momento sempre em espaços com arame farpado, tal como a coroa que um dia finalmente lhe puseram na cabeça, e usei argola no nariz para que um filho seu, fiel e devoto, me conduzisse para o lugar certo. Apanhei da vida, mas quem não apanhou? Sempre soube que uma vida de aperto, confinamento, marcação a ferro quente, castração a frio e morte sobre o concreto teriam um sentido maior. Obrigado por dar um norte a minha vida. Hoje, eu sou uma estrela.

via Vanguarda Abolicionista


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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010
Jornalismo e direitos animais: como falar do que não se quer ver, mas que está no prato
II Congresso Vegetariano Brasileiro/Especial EcoAgência

Jornalistas Silvana Andrade, da Anda, e Márcio Bueno, da Vanguarda Abolicionista, falaram sobre o papel da mídia na defesa dos animais.
  
RSantini/Vanguarda Abolicionista    
Jornalista Márcio Bueno, da Vanguarda Abolicionista

Por Danielle Sibonis, para EcoAgência de Notícias Ambientais
A relação entre a mídia e os direitos dos animais também foi tema de debate no III Congresso Brasileiro Vegetariano que se encerrou no último domingo (19) em Porto Alegre.  A jornalista Silvana Andrade falou sobre O papel da imprensa na difusão dos direitos animais. Silvana é a idealizadora e diretora editorial da Agência de Notícias de Direitos Animais, a Anda, primeira no gênero no mundo.
Silvana retomou o histórico da cobertura jornalística em relação aos animais, em que há mais de 20 anos a mídia começou a falar da preservação ambiental, sem abordar de animais, porém, há pouco tempo começou a tratar a questão da defesa animal. “A imprensa resiste às novas idéias, mas com o tempo começa a perceber os animais não apenas como benefício”, prova disso, apontou a jornalista, está na quantidade de matérias em que a grande imprensa replicadas do Anda.
A Agência de Notícias de Direitos Animais existe há 18 meses e conta com o trabalho voluntário de 40 colunistas, tem acesso em 75 países, correspondentes na Argentina, Canadá, Estados Unidos, França, Inglaterra e Austrália. Silvana tem o objetivo de futuramente criar o canal ANDA Kids, pelo potencial que as crianças representam para a questão ambiental.
Outro jornalista que abordou a questão foi Márcio Bueno, membro fundador da Vanguarda Abolicionista. “Grande parte da sociedade não entende a exploração, a causa animal, só sabe que discorda e que não quer pensar nela”. Márcio tem a experiência de ir para a rua e tratar do tema, boca a boca e com panfletos e cartazes.
“Animais premiados que custam R$ 10 mil sempre são bem tratados, mas os outros milhões não” – era isto que estava escrito em um dos cartazes que a Vanguarda Abolicionista usou recentemente em uma campanha na Expointer. Márcio comentou a reação das pessoas: “elas não entendem porque estamos lá protestando, acham que todos animais são bem tratados, sem saberem da realidade cruel”. O jornalista lembrou de como é a realidade nestas feiras agropecuárias em que animais são trazidos de longe, de cidades como Uruguaiana, o que causa um stress da viagem que é aumentando pelo confinamento e visitação de centenas de pessoas. Ele citou também o cage madness, a “loucura do confinamento”, em que os animais enlouquecem no cativeiro e passam a comer as fezes e urinas um do outro.
Diante de toda essa realidade que é ocultada da população, Márcio Bueno defende a necessidade de espalhar informações para atingir o maior número de pessoas a fim de sensibilizá-los para a causa. Mais informações sobre o III Congresso Vegetariano Brasileiro na próxima quinta-feira (23/9), partir das 10h, no Programa Sintonia da Terra, uma parceria do NEJ/RS e UFRGS, na Rádio da Universidade (1080 AM), em Porto Alegre, ou pela internet no site www.ufrgs.br/radio.

Leia ainda:
http://www.anda.jor.br/
http://vanguardaabolicionista.wordpress.com/

EcoAgência Solidária de Notícias Ambientais


publicado por Maluvfx às 10:51
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Domingo, 15 de Agosto de 2010
CarneNuncaMais
Culinária fru-fru
Fast food é isso aí, pessoal!


Conceitos distorcidos




CarneNuncaMais


publicado por Maluvfx às 18:42
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Domingo, 1 de Agosto de 2010
Do alívio rápido contra os sintomas e a reação ao anti-especismo

Vanguarda Abolicionista - Marcio de Almeida Bueno



Mecanismos que o sistema já apresenta para aliviar sentimentos e conflitos internos nas pessoas, sem que haja uma ação posterior, algo que pudesse fugir do controle. Então a idéia de não comer carne - ponto de partida, apenas - nem demais produtos de origem animal, habitualmente recebe a resposta-a-vácuo de que é necessário comer isto ou aquilo. Não tolera-se abuso, maus tratos ou 'maldades', mas estaria o homem apenas batendo continência a uma ação-tradição que vem dos próprios animais, comendo-se uns aos outros, conforme o apetite. Ou orientações bíblicas, cabendo aos humanos a administração das plantas e 'animais', como quem vai, manhãzinha, buscar fruta no quintal. Cadeia alimentar, necessidade de proteínas, 'ué, o leão come a zebra' ou 'a vaca nos comeria, se pudesse, então...'.



Em todo esse esperneio infantil, de quem não se permitiu ainda um insight - porque isso provavelmente o faria questionar a própria vida - soa como as trombetas anunciando a chegada de um rei-morto, idéia-cadáver que se instalou e é passada de geração junto com as pratarias da casa, polidas e no lugar certo. Os mecanismos de controle social abastecem de combustível toda moleza herdada, toda incapacidade de questionamento além dos tapumes erguidos pela geração anterior, e o eventual fiapo de remorso ou incômodo no pensamento pode ser resolvido com um aplacador raciocínio curto e clichê.

Some-se a isso um aprendizado confuso sobre amor e respeito, massinha de modelar amassada com todas as cores até ficar sem cor alguma, e crescem as pessoas separando em gavetas o que pode ser amado, o que deve ser amado, o que precisa ser amado escondido dos outros, o que se cabe respeitar ou jogar pedras e cuspir em cima, o que se deveria resepeitar mas entra no molho das fraquezas humanas - esses furos que a tudo se adaptam, e que rapidamente tiram o corpo fora na hora do aperto. Tadinhas das crianças na Etiópia, sinto muito pelos menores no sinal, que dó pelos velhinhos no asilo, pela Amazônia e pelo não-humano que deu sua vida para que tenhamos esta saborosa refeição. Uff, que alívio rápido dos sintomas.

Bem, a resposta para um posicionamento tão subversivo como a revisão dos valores até então cantados em uníssono está vindo das formas mais atrapalhadas, talvez pela - ainda - perplexidade frente a quem viva, e viva bem, sem necessariamente ter um corte de cabelo estranho ou não pagar as próprias contas, mas se abstenha não-passivamente de tomar seu assento no financiamento da escravidão animal. Já ouvi a expressao 'terrorista doméstico'. Então sem se identificar com qualquer coisa que soe como errada ou anti-social, mas também sem tentar olhar um pouco por cima dos tapumes, o cidadão-médio já puxa, engatilhado, um revólver de respostas. Deus, bíblia, família, tradição, educação, cadeia alimentar, necessidade de proteínas, 'leão come zebra', tudo se mistura na reação, na resposta automática. Muitas vezes, sem que nada seja perguntado, pois esse não-tomar-parte que os anti-especistas até silenciosamente fazem, perturba alguns. O diferente, e o medo de se ver refletido nele, algum dia. De permitir que o fiapo de inquietação tome proporções a ponto de mudar a vida, e ver-se pisando mais leve neste planeta. Uff, que alívio rápido dos sintomas.


publicado por Maluvfx às 18:21
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Amigo e Colaborador: Marcio de Almeida Bueno
Marcio BuenoJornalista multifuncional, possui empresa própria de Internet e Assessoria de Imprensa em Porto Alegre, RS (http://www.bureauassessoria.com.br), sendo jornalista responsável, revisor e colunista do Jornal Panorama Regional, de Veranópolis, RS (http://www.jornalpanoramaregional.com.br), assessor de Imprensa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, em Porto Alegre (http://www.jornalistas-rs.org.br), editor/diagramador do jornal Unidade e Organização, do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Calçado e Vestuário de Caxias do Sul e Região, em Caxias do Sul, RS, e colunista do portal PortoImagem de Porto Alegre, RS, RS(http://portoimagem.com/colunistas/marcio_bueno.html). Atualmente é também colunista do portal Gosto de Ler ( http://www.gostodeler.com.br/curriculo/659/Marcio_Bueno.html)

Ativista pela libertação animal e veganismo, vegetariano desde 1995 e vegano desde 2005, membro-fundador do grupo Vanguarda Abolicionista em Porto Alegre, RS ( http://www.vanguardaabolicionista.com.br), um dos criadores do site ProVegan (http://www.provegan.com.br), colunista da ANDA - Agência de Notícias dos Direitos Animais em São Paulo, SP (http://www.anda.jor.br/?cat=109), colunista do portal Vista-se, de Campinas, SP (http://vista-se.com.br/redesocial/author/charlesm1969/), assessor de Imprensa voluntário das ONGs Chicote Nunca Mais (http://chicotenuncamais.org) e Bichos & Amigos (http://www.bichoseamigos.org.br), colaborador do blog Ação Direta (http://acaodiretaprp.blogspot.com)

Compositor, produtor e multiinstrumentista com mais de vinte anos de carreira, atualmente dedicado ao electrorock (http://www.myspace.com/gamebeatrobot), ao metal extremo (http://www.myspace.com/truckliketank), e ao rock torto (http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/marcio_de_almeida_bueno).


publicado por Maluvfx às 18:02
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Domingo, 25 de Julho de 2010
Porto Alegre sedia vídeo-debate sobre o documentário The Cove
carne de golfinho
No dia 10 de agosto, às 19h, acontecerá no Instituto Göethe, em Porto Alegre, um vídeo-debate sobre o filme ‘The Cove’, ganhador do Oscar de melhor documentário. O filme foi idealizado pelo ex-treinador do golfinho Flipper, do seriado de televisão americano. 

Os debatedores serão o oceanógrafo Antônio Libório Philomena, mestre em ciências marinhas e doutor em ecologia, o advogado Cristiano Pacheco, especialista em direito ambiental e diretor jurídico do Sea Shepherd Brasil, a advogada Fernanda Medeiros, doutora em direito ambiental e advogada voluntária do Sea Shepherd Brasil, e o ambientalista José Truda Palazzo, representante do Brasil na Comissão Internacional da Baleia e fundador do Instituto Baleia Franca.

O evento ocorre no auditório do Göethe, localizado na rua 24 de Outubro, 112, com entrada franca. Inscrições e informações pelo ija@ija.org.br ou 51-3907-9010.
Fonte: Vanguarda Abolicionista


publicado por Maluvfx às 16:12
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Quinta-feira, 15 de Julho de 2010
Peles chinesas, choque elétrico no ânus e a letargia das boas intenções
por Marcio de Almeida Bueno

pele

Mas se você realmente está disposto a fazer alguma coisa, nao vai ser apenas um clique no botão ‘encaminhar’ de seu Outlook que vai promover alterações na realidade. Nas cataratas de emails que recebemos diariamente, é difícil selecionar o que é válido, e dentro disso o que é pertinente, urgente, sério, não-picareta e, especialmente, não-comodista. Acrescentar seu nome em uma lista escrita com letras de cores e tipos diferentes, para então enviar a alguém no exterior quando o número de subscreventes chegar a 500, é fácil demais para resolver problemas tão difíceis.

Nem todos têm estômago para assistir ao famoso vídeo das fazendas de peles na China, e os que tiveram peito para ver aquelas cenas de tortura explícita certamente se revoltaram com a condição humana. Mas daí fazer dessa revolta um mero encaminhar de mensagens é algo muito rápido e imediatista, com alcance discutível – como ligar 0800 para acabar com a fome no mundo.
Em havendo a vontade que parte de dentro e nos empurra em direção a ideais – e aí não me refiro a ouros de tolo como emprego invejável, carro do ano e esposa com chapinha no cabelo – esse combustível não pode ser tão fugaz a ponto de não tirar a pessoa da cadeira. Quem se choca com a indústria das peles não pode passar procuração para quem outros resolvam, outros decidam, outros ‘façam alguma coisa’.
É uma realidade chocante, que ainda conta com uma aura de glamour graças a estrelas de cinema e celebridades que insistem em fazer da beleza animal um ato de violência para fins de moda. Embelezar-se com a pele de outro, tirada à força – o mundo está mudando, e ainda tem gente com o cérebro morando em cavernas.
Diversos grupos internacionais, e alguns aqui no Brasil, têm militância contra o mercado das peles, e o que mais falta é gente interessada, com boa vontade e culhão, para se movimentar nessa linah de frente. Seja escrevendo um texto, distribuindo panfletos, participando de protestos, escrevendo uma carta a celebridades – ou aos patrocinadores dela, organizando uma palestra, distribuindo cópias de vídeos das filmagens, declarando seu boicote com palavras abertas.
Mas isso requer uma mudança de atitude, não deixar que aquele incômodo moral seja empilhado junto a tantos outros que a sociedade nos apresenta, já com um 0800 ou petition online para nos fazer sentir úteis e ‘fazendo alguma coisa’. Cada um tem as ferramentas, conforme sua qualificação profissional, suas habilidades e talentos, para ajudar a frear a enorme roda que patrola os animais fofos e peludos tão cobiçados por quem reza pelo evangelho do lucro.
Há muitos parafusos a serem apertados no mundo, e o olhar de um animal engaiolado, esperando a redenção final – um choque elétrico no ânus ou na vagina, para não estragar a matéria-prima – diz muita coisa, basta querer ler.
Fonte: Vanguarda Abolicionista


publicado por Maluvfx às 02:07
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Quarta-feira, 7 de Julho de 2010
Ecologia? Não, obrigado, já escovei os dentes

Vanguarda Abolicionista - Marcio de Almeida Bueno


Gostaria que não fosse assim, mas há uma cisão aparentemente irremediável entre o movimento ambientalista e os defensores dos direitos animais. Quem olha de fora até imagina que se anda de braços dados, caminhando e cantando e seguindo a canção, mas a verdade é que há uma eterna rota de colisão.

Para quem é anti-especista, aceitar a pecuária mas elaborar projetos para salvar o ‘bibibó-do-bico-amarelo’ é contrasenso. Milhares de animais mortos no dia-a-dia, ok. Não se preocupar com alguns especimes de determinada área, errado.



Mas não foi o desmatamento que eliminou as moradias dos animais silvestres? Então eu procuro um ecologista que não coma carne ou laticínios, ou não fume. Geralmente é o pacote completo, e com orgulho. Mas os espaços para o gado, ou para a soja – que não é plantada para alimentar vegetarianos, para o fumo, já guardaram animais e plantas que, hoje, viraram fetiche para o bom ambientalista. Entretanto, e aí discurso e prática dão seta para dobrar esquinas diferentes, essa repetição do dia-a-dia traz resultados e exigências do agronegócio que contradizem a ideologia dos amigos da natureza. Cada tragada na chupeta do diabo, digo, no cigarro, são moedas que tilintam no saldo bancário de uma indústria que planeja mais área plantada para atender ‘o mercado’. Nessa hora, passa-se procuração para que locais onde antes ainda dava para animais se virararem nos 30, sejam patrimônio lavrado pelo agronegócio – tão odiado pelos eco-whatever.

Cada bife, ovo frito ou copo de leite geladinho veio de uma linha de montagem que começou, lá na ponta, com uma motosserra sendo ligada. Poderia ser diferente, se o consumidor ‘consciente’ abrisse mão dos hábitos que mamãe ensinou, e que a pressão do grupo lhe obriga a não sair do esquema já conhecido. Se detesta a destruição da Amazônia, a bancada ruralista, o agrobusiness, o aquecimento global e o imperialismo, que reveja o que recheia o prato.

Já ouvi um doutor em Ecologia dizer que a pecuária é necessária para a preservação da natureza. Sem rubor nas faces.

A dor dos animais não importa, a submissão durante toda a vida, a extração à força de ingredientes culinários, se isso passar por um funcionamento ecologicamente/ideologicamente correto, manejo adequado, que obviamente só poderia ser feita pela pureza de um camponês idealizado. Mas, rico ou pobre, o produtor apenas está acostumado a fazer render cada animal sob sua posse. Isso não muda muito para quem é escravo porque é de outra espécie.

Então se a idéia é não financiar o sistema vigente, que vem patrolando pandas, baleias, Mata Atlântica e Amazônia há séculos, porque já se pensou e debateu à exaustão essas questões, é cômodo ter surdez seletiva. Não escutar as máquinas que picotam a natureza para oferecer, vejam só, prato-feito–tipo-Jesus-me-chama e depois um cigarrinho para amenizar o tédio abissal da vida. São esquinas diferentes sendo dobradas.

Fonte: ANDA


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Quinta-feira, 1 de Julho de 2010
Ingá sedia debate ‘O vegetarianismo e a pecuária’ em Porto Alegre
Fotos: Marcio de Almeida Bueno
O Conservação em Foco teve abertura logo após as 19h e encerrou somente às 22h
por Marcio de Almeida Bueno
Na noite desta terça-feira, 29 de junho, o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais realizou mais uma edição de seu evento mensal Conservação em Foco, desta vez com o tema ‘O vegetarianismo e a pecuária: um debate sobre as políticas públicas para a conservação do pampa’. Participaram o agrônomo Valério Pillar, que falou da necessidade da presença de animais pastando para a preservação do bioma pampa e sua biodiversidade, e a socióloga Eliane Carmanim Lima, tratando do crescimento do número de vegetarianos entre a população e as motivações dessa mudança cultural. A mediação ficou por conta do filósofo Vicente Medaglia, coordenador do Ingá.
Segundo Pillar, a ausência de ruminantes no pampa resultará em crescimento de florestas e queimadas devido ao acúmulo de biomassa
Cerca de 50 pessoas compareceram para prestigiar o encontro, lotando o local. A participação do público foi intensa, com intervenções tanto dosvegetarianos/veganos quanto dos ambientalistas. O grupo Vanguarda Abolicionista compareceu com parte de seu núcleo atuante e colaboradores, realizando filmagem e oferecendo empadas veganas aos presentes, em parceria com o restaurante Casa Verde.
Eliane falou de direitos animais, anti-especismo, da revolução cultural a respeito do não-consumo de carne e seus reflexos na economia e consumo
Fonte: Vanguarda Abolicionista


publicado por Maluvfx às 11:43
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