Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Segunda-feira, 19 de Julho de 2010
Porto Alegre, chuva gelada: Vanguarda Abolicionista protesta em feira de filhotes

Foto: Marcio de Almeida Bueno


Neste domingo, 18 de julho de 2010, sob chuva e o frio do inverno gaúcho, o grupo Vanguarda Abolicionista esteve realizando protesto na Feira de Filhotes do Shopping DC Navegantes, em Porto Alegre. Durante toda a tarde, ativistas e protetores enfrentaram temperaturas próximas dos 10 graus para se manifestarem contra o comércio de animais. Banners foram instalados etrategicamente junto à entrada do evento, com maciça panfletagem e abordagem dos transeuntes.

Foto: RSantini


A ação também teve caráter pedagógico, uma vez que muitos pais levavam os filhos para ‘comprarem um amigo’ – momento ideal para educar e fazer ver que os animais não são brinquedos, não são coisas nem produtos. O material impresso distribuído pela VAL ainda indicava sites de ONGs de proteção locais onde é possível adotar um cão ou gato, dentro do conceito de posse responsável, e contra o abandono.

Foto: RSantini


Muitos foram os que se solidarizavam com a iniciativa, até pela crescente mudança de conceitos. “Ela não quis nem ir ver”, disse um simpático motorista, apontando para a filha pequena no banco traseiro do automóvel. “Temos três animais de estimação, todos adotados”, completou a mãe da criança.

Foto: Marcio de Almeida Bueno


Chá quente e café ajudaram a esquentar os ativistas, que permaneceram no local mesmo com mau tempo, aproveitando a movimentação nas entradas do shopping. Centenas de panfletos foram entregues, apesar dos vários danificados pela chuva, e alguns passantes já conversavam com as protetoras presentes a fim de combinar uma adoção futura. Ao anoitecer, encharcados, os ativistas recolheram os banners e encerraram mais um protesto com êxito.

Foto: RSantini


Fonte: Vanguarda Abolicionista


publicado por Maluvfx às 15:18
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010
Animais de 'estimação' versus Animais de 'refeição'
por Maria de Lourdes Feitor
Na China é costume comer cães.  Eles são criados com esse intuito. No ocidente comem porcos, coelhos, ovelhas, vacas, galinhas… só não comem os animais ditos “de estimação” ou “de companhia”. Porquê?  Mas quem disse que um coelho ou um porco não podem ser animais de companhia? Se você criasse um coelhinho, você depois o comeria? E um porquinho? E um cavalo? Um cordeiro, quando pequeno, é um bichinho tão fofo, tão dócil…você pode comê-los porque você os criou?? Você comeria seu cachorrinho, seu gatinho quando ficassem adultos?
No ocidente, também já se comem todos os animais 'normais', 'estranhos', com pêlo, com escama, com penas, e já se adoptam coelhos, porcos, répteis, peixes, aves, todos os animais que possamos imaginar, muitos deles em vias de extinção, adquiridos de forma ilegal. Mas 'penas têm as galinhas' e muitos seres humanos acham que estes animais não são dignos de pena! De compaixão! Do direito que qualquer animal tem, a liberdade, a VIDA!!!
Porque é que os homens, seres dotados de “inteligência superior” ainda são coniventes com a morte de seres que sentem e demonstram emoções como carinho, medo, felicidade, sofrimento e principalmente afecto para com aqueles que muitas vezes só os criam com a intenção de usá-los como comida? 
Como é possível esses homens, seres dotados de raciocínio, não quererem ver que não precisamos de Animais nas nossas refeições? Podemos ser saudáveis, e somos, sem causar sofrimento a outros animais!
Não é correto proteger uns e comer outros!… 
Todos os animais sentem e todos tem direitos e precisam de proteção. Como é possível dizer: “Eu cuido desse cachorro." E depois comer a carne de um bezerro que foi 'roubado' da mãe?
Este é assunto que merece muita reflexão, principalmente pelos ditos 'protectores' dos animais que só protegem animais de estimação negando a todos os outros o direito de serem protegidos e respeitados, negando-lhes o direito à Liberdade e à Vida!


Reflita!
Pense nisso porque os animais merecem!



publicado por Maluvfx às 13:59
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Segunda-feira, 31 de Maio de 2010
Justiça Capixaba Diz SIM aos Animais !!
                             MINISTÉRIO  PÚBLICO  E POLÍCIA CIVIL DO ES  SE  ALIAM   À CAUSA ANIMAL!!
Finalmente,depois de longos anos, a Justiça do ES se declina à  Causa Animal e se une à Luta Contra às Maldades  e aos Maus-Tratos  contra nossos Irmãos...
Na ultima terça-feira,dia 25, aconteceu no ES mais um evento histórico em prol de um Mundo Mais Justo para com os Animais.
 DELEGADO GERAL DA POLÍCIA CIVIL DO ES APOIA E TOMA MEDIDAS EFETIVAS  PARA CRIAÇÃO  DA  PRIMEIRA DELEGACIA ESPECIALIZADA EM PROTEÇÃO ANIMAL DO ES...
 Reunião com Delegado-Chefe da Polícia Civil-ES 
                                                                                                

Capitaneado pelo aliado da Causa Animal no ES, deputado estadual Dr. Hercules(PMDB),uma coalisão de ONGs, apoiada pela AMAES-ASSOCIAÇÃO AMIGOS DOS ANIMAIS DO ES , se reuniu com o Delegado-Chefe da Polícia Civil do ES, dr. Júlio Cezar. No encontro foi apresentado à autoridade máxima da Polícia Civil do ES o Projeto de criação da Primeira Delegacia de Proteção e Defesa Animal do ES ,proposta já apresentada  ao Governador do Espírito Santo.
Associado e Amigos da AMAES: Será uma das maiores conquistas da Causa Animal no ES essa Delegacia da Polícia Civil. Com  a criação dessa delegacia, todos vocês terão um canal institucionalizado, que "entenderá suas línguagens", respeitará sua denúncia e tomará as providências legais imediatamente,inclusive com a detenção imediata  do delinquente.
De pronto, o delegado-chefe se mostrou totalmente sensibilizado e  favorável à matéria e se comprometeu   à, independente dos trâmites legais, tomar providências  internas  imediatas para que o desejo das entidades protetoras de animais se concretize na prática e em tempo curto:  Para ganhar tempo e se adiantar aos trâmites burocráticos e legais se propôs a incluir,por determinação pessoal, as funções e deveres da futura  Delegacia que coibirá crimes contra animais  à Delegacia de Meio Ambiente, que já está instalada. De acordo como delegado "dado à urgência da matéria, é sua contribuição pessoal,para que o tema já tenha um andamento prático e rápido".Na mesma reunião,já agendou uma segunda reunião com representantes jurídicos das entidades de proteção animal,para alinhavar detalhes técnicos  e práticos que permitirão um elo funcional e eficaz entre a  estrutura da Polícia Civil e as sociedades protetoras,para que a coibição aos  crimes de maus-tratos  seja realizada de forma eficiente,rápida e em comum acordo com as duas partes.
PROCURADOR GERAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO  TAMBÉM APOIA A CAUSA ANIMAL,DIZ "SIM" À CRIAÇÃO DE PROMOTORIA ESPECIAL  E ASSINA O ABAIXO ASSINADO PELA  DUBEA-DECLARAÇÃO UNIVERSAL DE BEM-ESTAR ANIMAL.
      
                             Procurador Geral do MP  recebendo material da AMAES/WSPA                                    Procurador Geral do MP assina e mostra  a DUBEA                       Diretoria da AMAES junto às  entidades presentes
Na mesma manhã, o grupo de entidades de proteção animal se dirigiu para a sede oficial do Ministério Público estadual, onde foI recebido pelo Procurador Geral de Justiça  do ES,Dr. Fernando Zardini. Na ocasião, o deputado Dr. Hércules, representanto as entidades presentes entregou ao Procurador-Geral da Justiça o Projeto de Criação da Primeira Promotoria Especializada em Proteção e Direiros dos Animais do ES,proposta já protolada anteriormente.
Associados e Amigos da AMAES. Nosso sonho se concretiza com a criação dessa Promotoria. Sabem vocês que a Delegacia de Polícia civil abre o processo judicial,prende o delinquente e encaminha o processo à Promotoria de Justiça para que o processo legal siga para julgamento final junto a um juiz.
Na ocasião, o Vice-Presidente  e Diretor de Educação Humanitária  da  AMAES, Rômulo Vitório,  fez uma rápida apresentação ao procurador do que representava o movimento de proteção Animal no Brasil e no Mundo, seus objetivos,suas práticas e seus desafios. Também foram entregues ao procurador vários informativos produzidos pelaWSPA,incluindo  cópias dos documentários "Animais Seres Sencientes" e"Compatilhando o Mundo".
Ao final, o procurador se disse extremamente sensisibilizado por tudo o que ouviu,demonstrando-se plenamente favorável  à criação da futura Promotoria e se comprometeu a pessoalmente, se esforçar  para que o pleito se concretize no menor tempo.Informou que uma reforma administrativa está em andamento no MP do ES  e que fará questão que a futura Promotiria  esteja presente no projeto que será apresentado à Assembléia Legislativa, ainda neste semestre.
Para demonstrar seu comprometimento, o procurador-geral fez questão de, ao final da reunião, assinar solenemente  o abaixo-assinado-autoridade pela   DUBEA-Declaração Universal do Bem-Estar Animal, campanha internacional  de autoria da WSPA , cujas assinaturas estão sendo colhidas nos 148 países em que a instituição atua, que serão entregues ao final do ano de 2010 à ONU-Organização das Nações Unidas. O objetivo é colher 10 milhões de assinaturas. A partir do recebimento, a ONU,da sua parte, criará determinações para que todos os seus países membros incluam o Tema  Bem-Estar Animal como  parte necessária nos planejamentos sociais de cada país.
Os 02 eventos em Vitória  demonstram que as autoridades instituídas têm capacidade de se sensibilizarem pela Causa Animal , na proporção que a sociedade civil demonstra seu real desejo da implantação de um Mundo Novo onde o Bem-Estar Animal Importe e que os Maus-tratos contra os mesmos tenham Fim.
Participaram dos eventos, representante do IBAMA ,do CRMV-ES e  da SOPAES.
Dividimos com todos vocês os méritos dessas 02 conquistas, aproveitando a oportunidade para mais uma vez agradecer ao deputado Dr.Hércules,que dedicadamente tem convencido todos os níveis der autoridades instituídas capixabas a abrirem as portas dos seus gabinetes e ouvirem as Vozes das Entidades  de Proteção Animal do estado.
Durante esta semana , seguindo a mesma dinamica da  bem sucedida  ação  junto ao Prefeito de Vitória(por ocasião da sanção da Lei 9.710), a AMAES estará coordenando uma campanha massiva   de e-mails para os gabinetes do Procurador Geral de Justiça e do Delegado-Chefe da Polícia Civil., pedindo e incentivando-os  a agilizarem as providências para criação da Promotoria  e da  Delegacia Especial. Precisamos contar com sua participação nessa campanha,lembrando que autoridades do poder público tomam suas importantes decisões baseadas no clamor da sociedade ciivil. O Movimento de Defesa dos Animais no ES,embora muitos ainda não saibam, é forte e decidido e tem poder de persuadir  todas as instituições sociais em prol daqueles que não Tem Voz para Se Defenderem e Fazer Cumprir os Seus Direitos.l
Abraço.
AMAES-ASSOCIAÇÃO AMIGOS DOS ANIMAIS DO ES
DIRETORIAS.
www.amaes.org.br

Fonte: e-mail enviado por uma amiga ativista, Adriana Laeber (GALA- Grupo Abolicionista pela Libertação Animal  - www.veganvix.blogspot.com )


publicado por Maluvfx às 23:56
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010
Por quê não vão ajudar crianças com fome?
Uma amiga enviou-me este texto via e-mail e quero compartilhar!
Quem de um protetor de animais, não sofreu essa crítica???


(Autoria desconhecida)


Resposta à pergunta de algumas pessoas

Questão interessante. Vamos ver se essa eu consigo responder de modo  didático.




1) Quem faz esta pergunta admite que existem dois tipos de pessoas no mundo: As Pessoas Que Ajudam e as Pessoas Que Não Ajudam. 
Além disso, admite também que faz parte das Pessoas Que Não Ajudam, afinal, do contrário,  diria  "Por que não me ajudam a defender as crianças com fome?", ou "Venham defender comigo as crianças com fome!", ou "Não, obrigada, vou defender as crianças com fome". 
Então ela se coloca claramente através de sua escolha de palavras como uma Pessoa Que Não Ajuda. 
É curioso a Pessoa Que Não Ajuda, não faz nenhum esforço para ajudar, mas, sim, para tentar dirigir as ações das Pessoas Que Ajudam. É bastante interessante. Se eu fosse até sua casa organizar sua vida financeira sob a alegação de que eu sei muito mais sobre administração familiar eu estaria interferindo, mas ela se sente no direito de interferir nas ações que uma pessoa resolve tomar para aliviar os problemas que ela encontra ao seu redor. 
É uma Pessoa Que Não Ajuda, mas ainda assim quer decidir quem merece ajuda das pessoas Que Ajudam e o nome disso é "prepotência".

2) Pessoas Que Ajudam nunca vão ajudar as "crianças com fome". Nem tampouco os "velhos", os "doentes" ou os "despossuídos". E sabe por que? 
Porque "crianças com fome" ou "velhos" ou qualquer outro destes é abstrato demais. Não têm face, não são ninguém. São figuras de retóricas de quem gosta de comentar sobre o estado do mundo atual enquanto beberica seu uisquezinho no conforto de sua casa. 
Pessoas Que Ajudam agem em cima do que existe, do que elas podem ver, do que lhes chama atenção naquele momento. Elas não ajudam "os velhos", elas ajudam "os velhos do asilo X com 50,00 reais por mês". 
Elas não ajudam "as crianças com fome", elas ajudam "as crianças do orfanato Y com a conta do supermercado". 
Elas não ajudam "os doentes", elas ajudam o "Instituto da Doença Z com uma tarde por semana contando histórias aos pacientes". 
Pessoas Que Ajudam não ficam esperando esses seres vagos e difusos como as "crianças com fome" baterem na porta da sua casa e perguntar se elas podem lhe ajudar. 
Pessoas Que Ajudam vão atrás de questões muito mais pontuais. 
Pessoas Que Ajudam cobram das autoridades punição contra quem maltrata uma cadela indefesa sem motivo. 
Pessoas Que Ajudam dão auxílio a um pai de família que perdeu o emprego e não tem como sustentar seus filhos por um tempo. 
Pessoas Que Ajudam tiram satisfação de quem persegue uma velhinha no meio da rua. 
Pessoas Que Ajudam dão aulas de graça para crianças de um bairro pobre. 
Pessoas Que Ajudam levantam fundos para que alguém com uma doença rara possa ir se tratar no exterior. 
Pessoas Que Ajudam não fogem da raia quando vêem QUALQUER COISA onde elas possam ser úteis. Quem se preocupa com algo tão difuso e sem cara como as "crianças com fome" são as Pessoas Que Não Ajudam.

3) Pessoas Que Ajudam são incrivelmente multitarefa, ao contrário da preocupação que as Pessoas Que Não Ajudam manifestam a seu respeito. (Preocupação até justificada porque, afinal, quem nunca faz nada realmente deve achar que é muito difícil fazer alguma coisa, quanto mais várias). 
O fato de uma pessoa Que Ajuda se preocupar com a punição de quem burlou a lei e torturou inutilmente um animal não significa que ela forçosamente comeu o cérebro de criancinhas no café da manhã. Não existe uma disputa de facções entre Pessoas Que Ajudam, tipo "humanos versus animais". 
Geralmente as Pessoas Que Ajudam, até por estarem em menor número, ajudam várias causas ao mesmo tempo. Elas vão onde precisam estar, portanto muitas das Pessoas Que Ajudam que acham importante fazer valer a lei no caso de maus-tratos a um animal são pessoas que ao mesmo tempo doam sangue, fazem trabalho voluntário, levantam fundos, são gentis com os menos privilegiados e batalham por condições melhores de  vida para aqueles que não conseguem fazê-lo sozinhos. 
Talvez você não saiba porque, afinal, as Pessoas Que Ajudam não saem alardeando por aí quando precisam de assinaturas para dobrar a pena para quem comete atrocidades contra animais, que estão fazendo todas estas outras coisas, quase que diariamente. E acho que é por isso que você pensa que se elas estão lutando por uma causa que você "não curte", elas não estão fazendo outras pequenas ou grandes ações para os diversos outros problemas que elas vêem no mundo. Elas estão, sim. E se fazem ouvir como podem, porque sempre tem uma Pessoa Que Não Ajuda no meio para dar pitaco.

Então, como dizia meu avô, "muito ajuda quem não atrapalha". Porque a gente já tem muito trabalho ajudando pessoas e animais que precisam (algumas até poderiam ser chamadas tecnicamente de "crianças com fome", se assim preferem os que não ajudam). 




De Francisco José Papi, Brasil, com a seguinte menção:
(este texto pode e deve ser reproduzido) Escrito em 13.04.2005


publicado por Maluvfx às 22:42
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Quarta-feira, 26 de Maio de 2010
O Vegetarianismo como Obrigação Ética
Departamento de Filosofia da Universidade de Lisboa
Centro de Ética Aplicada da Sociedade Portuguesa de Filosofia
Sociedade Ética de Defesa dos Animais | ANIMAL
Centro de Estudos de Direito dos Animais


Introdução


Fundamentalmente, há três possíveis vias de argumentação a favor do vegetarianismo: 1) o respeito pelos animais não-humanos, 2) a preservação do ambiente e 3) o cuidado com a saúde. Só as duas primeiras vias de argumentação é que são de ordem ética e, por isso, são apenas essas duas que vou analisar. Há ainda uma possível quarta via de argumentação a favor do vegetarianismo, que é o da eficiência económica, que pode também ter uma relevância ética, como procurarei demonstrar.

Neste artigo, defenderei que temos o dever ético de i) respeitar os animais não-humanos, de ii) preservar o ambiente e viver tão ecologicamente quanto possível, e de iii) ter um sistema de produção alimentar que seja o mais economicamente eficiente possível, essencialmente para corresponder às necessidades elementares de todos os humanos, e argumentarei que uma das implicações que se segue destes deveres é o vegetarianismo como obrigação ética.


i) O respeito pelos animais não-humanos e o vegetarianismo 

Os interesses elementares dos animais não-humanos e o seu estatuto moral

Entende-se por ser senciente todo o ser que tenha a senciência como uma das suas características, ou seja, a capacidade de experienciar o sofrimento (seja a nível físico, seja a nível psíquico). Só os animais (embora nem todos) podem ser sencientes, na medida em que, tanto quanto se sabe, são os únicos seres vivos dotados de um sistema nervoso capaz de permitir a experiência do sofrimento. Por outro lado, a senciência pressupõe a consciência, num grau mais ou menos avançado, pelo que, quando falamos em seres sencientes, estamos também a falar em seres conscientes (e, eventualmente, em seres auto-conscientes). É aos animais que são seres sencientes – e, portanto, conscientes – que me refiro neste artigo, sobretudo nesta parte.

Todos admitimos que qualquer experiência dolorosa é um mal para qualquer ser que tenha capacidade de a ter (apesar da dor poder ser indirectamente um bem, uma vez que é um mecanismo biológico que serve para que os animais possam reagir e fugir a perigos e ameaças). Do mesmo modo, admitimos também que qualquer ser que tem essa capacidade de experienciar o sofrimento, ou seja, que é um ser senciente, tem um interesse evidente e directo em não ter experiências dolorosas. Uma das razões mais fortes pelas quais admitimos estes dois factos sem precisar de os discutir é porque nós mesmos sabemos que somos capazes de experienciar o sofrimento e sabemos também que não temos interesse absolutamente nenhum em experienciá-lo, muito pelo contrário.

Mas os seres sencientes não têm apenas o interesse em não sofrer. Têm, mais concretamente, o interesse no seu bem-estar físico e psíquico (independentemente do grau de consciência e auto-consciência que possam ter), que compreende, obviamente, o interesse em não sofrer danos físicos e/ou psíquicos. Do interesse que um ser senciente tem no seu bem-estar físico e psíquico decorre um segundo interesse que é o interesse em não ser aprisionado, ou, melhor dizendo, o interesse na sua liberdade física, uma vez que o aprisionamento é fonte de grande pressão psicológica e, por consequência, angústia e sofrimento psíquico. Podemos, então, estabelecer desde já que todo o ser senciente tem dois interesses elementares: o interesse no seu bem-estar (ou seja, o interesse em não sofrer, nem a nível físico nem psíquico) e o interesse na sua liberdade física (ou seja, o interesse em não ser aprisionado).

Mas há ainda um terceiro interesse que alguns seres sencientes (os que têm graus de consciência e auto-consciência mais avançados) têm seguramente e que outros seres sencientes terão também provavelmente, embora não seja tão seguro afirmar isso destes últimos. Falo do interesse em não ser morto ou, mais concretamente, o interesse na preservação da sua vida.

É seguro afirmar que têm interesse em não ser mortos pelo menos os seres que têm vidas conscientes e auto-conscientes mais complexas, como é o caso de membros de espécies de animais como os grandes primatas (entre os quais se incluem os gorilas, orangotangos, chimpanzés, bonobos e humanos) e os cetáceos. Isto porque estes seres têm uma série de capacidades mentais e intelectuais de tal modo desenvolvidas, que conseguem pensar em si mesmos como entidades distintas dos outros, com uma existência que se prolonga durante um determinado período de tempo (entre outras capacidades das quais são dotados). Devido a estas capacidades das quais resultam a capacidade de antecipação da morte como uma possibilidade e o interesse que manifestam em evitar a morte (para além de outros indícios, mais ou menos claros, que estes seres nos dão desse interesse que têm), é, como dizia, seguro estabelecer que estes animais têm este terceiro interesse, nomeadamente o interesse na preservação da sua vida.

É menos seguro afirmar que outros animais cujas vidas conscientes sejam menos complexas e que não sejam sequer auto-conscientes têm um interesse em não ser mortos, pois não terão as capacidades mentais e intelectuais necessárias para que possam aperceber-se de forma consciente do que é a morte, de que estão sujeitos a ela e, em face disso, quererem evitá-la. Ainda assim, também não é seguro afirmar que não têm este interesse, dado que, se por um lado não temos dados científicos que nos dêem certezas de que estes animais têm as capacidades necessárias para ter esse interesse, por outro lado também não temos dados científicos que nos dêem certezas de que não têm essas capacidades (lembremo-nos que só muito recentemente é que essas capacidades foram descobertas em animais sobre os quais sempre se pensou que não eram dotados delas).

Por precaução, é então mais prudente e seguro tratarmos estes animais como seres potencialmente ou possivelmente interessados em não ser mortos. Por outro lado, tenham estes animais um grau de consciência suficientemente avançado para terem um interesse consciente em continuarem vivos ou não, é pelo menos certo que, pelo conjunto de experiências felizes e prazerosas que podem ter durante as suas vidas, e pelo modo como evidentemente desfrutam destas experiências tendo um interesse claro nisso, nomeadamente nas suas relações sociais e afectivas, a preservação da sua vida é um bem na medida em que lhes permite continuar a ter uma série de experiências felizes. Este facto, conjugado com o referido anteriormente, dá-nos elementos seguros para estabelecer então que os animais que são sencientes, para além do interesse que têm no seu bem-estar e na sua liberdade física, têm também interesse em continuar vivos.

Admitimos estes dados que temos estabelecidos até aqui como factualmente correctos, sem que nos suscitem discussão. Mas, se reflectirmos moralmente sobre estes factos, concluímos que têm sérias implicações éticas das quais normalmente não nos apercebemos. Vejamos.

Se um ser tem interesses, como já vimos que é o caso dos seres sencientes, nomeadamente o interesse no seu bem-estar, na sua liberdade física e na preservação e continuação da sua vida, e se, como também temos que admitir, estes interesses são moralmente relevantes, daí segue-se que esse ser é merecedor de respeito, pelo que há formas de o tratar que são moralmente aceitáveis, recomendáveis ou mesmo obrigatórias, enquanto há outras formas de o tratar que são moralmente inaceitáveis. Portanto, todo o ser que tenha interesses moralmente relevantes tem ele próprio uma importância moral, ou, para ser mais preciso, um estatuto moral, do qual decorrem determinadas obrigações éticas que passamos a ter para com esse ser.

Segundo este raciocínio, as obrigações éticas mais elementares que temos para com um ser senciente é respeitá-lo, atribuindo uma consideração ética séria e justa a todos os seus interesses que sejam moralmente relevantes e portanto dignos dessa consideração. E os três interesses elementares (comuns a todos os seres sencientes) que até aqui foram estabelecidos entram directamente nesta esfera de consideração moral que estamos obrigados a observar. Logo, temos que considerar seriamente do ponto de vista moral o interesse que todos os seres sencientes têm no seu bem-estar, na sua liberdade física e na preservação e continuação da sua vida.

O fim do especismo como consequência do fim do racismo e do sexismo

Ao longo da história da humanidade, os referidos interesses elementares que todos os seres sencientes partilham não foram respeitados em variadas ocasiões. Em circunstâncias muito específicas, como foram os casos da escravatura e da negação dos direitos das mulheres, em que animais humanos foram considerados por outros animais humanos seres de importância moral menor (ou sem importância moral sequer), os primeiros foram discriminados negativamente pelos segundos com base no critério arbitrário da raça e do sexo como fonte de superioridade e inferioridade moral a partir da qual se desenharam as fronteiras de consideração ética.

Durante muito tempo, o racismo e o sexismo foram preconceitos perfeitamente aceitáveis para estabelecer como é que um determinado ser poderia ou deveria ser tratado. Hoje, porém, embora isto ainda aconteça mas em muito menor escala, quando se convenciona o racismo e o sexismo como atitudes inaceitáveis, há ainda uma forma de discriminação tão arbitrária, injusta e intolerável quanto o racismo e o sexismo – o especismo e o suposto critério moral da espécie.

Do mesmo modo que os racistas atribuem uma maior importância moral aos membros da sua raça simplesmente por pertencerem à sua raça, e do mesmo modo que os sexistas atribuem uma importância moral aos membros do seu sexo simplesmente por pertencerem ao seu sexo, os especistas atribuem uma maior importância moral aos membros da sua espécie simplesmente por pertencerem à sua espécie. A única diferença é que, enquanto as vítimas do racismo e do sexismo foram (e, infelizmente, ainda continuam a ser) animais humanos, já as vítimas do especismo foram (e, infelizmente, ainda continuam a ser) animais não-humanos.

Actualmente, nós, humanos, continuamos a explorar incontáveis milhões de não-humanos para os mais diversos fins, designadamente para fins aparentemente mais compreensíveis, como a alimentação, o vestuário e a experimentação científica, e para fins evidentemente nada compreensíveis, como o entretenimento e a decoração, entre outros. E, segundo a linha de argumentação que tenho estado a defender, isto é tão aceitável do ponto de vista moral como foram e são o racismo e o sexismo e todas as atrocidades que foram e são supostamente legitimadas por estes preconceitos. Assim, se rejeitamos o racismo, o sexismo e todas as formas de discriminação arbitrária que se baseiem em critérios morais errados e inválidos, temos que rejeitar o especismo também, porque enferma do mesmo mal.

Por outro lado, segundo a mesma linha de argumentação, porque todos os seres sencientes têm interesses morais elementares e porque temos o dever de lhes atribuir uma consideração ética séria e justa, independentemente da raça, sexo ou espécie a que pertençam, reforça-se a rejeição do especismo e das actividades a que dá origem, impondo-se a obrigação ética de respeitar os animais não-humanos, justamente como se impõe a obrigação ética de respeitar os seres que são da nossa espécie, animais humanos, atribuindo uma consideração igual aos interesses de uns e de outros que sejam moralmente comparáveis.

O vegetarianismo como obrigação ética imposta pelo estatuto moral dos não-humanos

Chegados a este ponto, a conclusão que pretendo apresentar já está anunciada. É que é absolutamente incompatível com o estatuto moral dos animais não-humanos continuar a comê-los, pelo que se impõe o vegetarianismo como obrigação ética.

Esta é a conclusão a que se chega, desde logo, porque os animais não-humanos usados na indústria alimentar sofrem todos os tipos de maus tratos, mesmo quando todas as regras daquilo a que comummente se chama bem-estar animal são cumpridas. Aqui, o seu primeiro interesse elementar – o interesse no seu bem-estar (ou em não sofrer) – está a ser violado. Como se isso não bastasse, os não-humanos usados na indústria alimentar passam uma vida inteira aprisionados, o que lhes causa uma forte pressão psicológica à qual estão sujeitos, sendo isso fonte de sofrimento psíquico. Aqui, o seu primeiro interesse elementar, que referi anteriormente, está a ser violado, bem como o seu segundo interesse elementar que decorre do primeiro – o interesse na sua liberdade física (ou em não serem aprisionados). Poder-se-ia dizer, contudo, que seria possível criar animais e alimentá-los em liberdade, da forma mais natural possível, sem lhes infligir sofrimento, nem mesmo na morte (ou, pelo menos, reduzindo substancialmente o sofrimento a que são submetidos). Mas, mesmo que o primeiro e o segundo interesse elementar dos não-humanos fossem, assim, respeitados, o terceiro – o interesse na preservação e continuação das suas vidas (ou em não serem mortos) – continuaria a não ser respeitado. Para além do mais, se não estamos dispostos a aceitar que se criassem humanos para serem comidos, mesmo que não sofressem nada, porque poderemos aceitar que isso seja feito com os não-humanos? Só se poderá defender isso com base no preconceito especista, o que, como já vimos, não é aceitável.

Sobre o vegetarianismo como obrigação ética, no que se refere ao que se segue do estatuto moral dos animais não-humanos e do respeito que lhes devemos, quero ainda dizer que temos o dever de adoptar uma dieta integralmente vegetariana, sem o consumo de qualquer alimento de origem animal, uma vez que a produção de ovos e de leite implica também uma violação dos interesses elementares dos animais. Seria escusado dizer, mas não quero deixar de o referir, que como implicação destes princípios deve também ser recusado o consumo de qualquer produto que tenha sido produzido ou conseguido através da violação dos interesses elementares dos animais, nomeadamente de peles, lãs e sedas, bem como de produtos testados em animais. A este tipo de vegetarianismo ético chama-se veganismo e radica justamente na rejeição de todo o tipo de produtos de origem animal ou que tenham sido conseguidos através da exploração abusiva e violenta de não-humanos.

O vegetarianismo e a regra de ouro da ética

Não quero também deixar de apelar à regra de ouro da ética como argumento a favor do vegetarianismo. Se estivermos a reflectir sobre o vegetarianismo para decidir se deveremos ou não adoptar uma dieta integralmente vegetariana, devemos colocar-nos a seguinte questão: de um ponto de vista actual (de posse de todas as informações relevantes para a situação e hipótese em questão), será que, se estivéssemos no lugar dos animais não-humanos que são criados e mortos para serem comidos, estaríamos dispostos a que nos acontecesse o mesmo que lhes acontece? Vejamos um exemplo.

Se de repente o nosso planeta fosse invadido por extraterrestres com faculdades mentais e intelectuais mais desenvolvidas do que as nossas, com capacidade para escravizar toda a nossa espécie e que apreciassem especialmente a nossa carne, passando a tratar-nos de modo exactamente igual ao que actualmente fazemos com os não-humanos, estaríamos dispostos ou aceitaríamos ser tratados desse modo, apenas por não sermos tão inteligentes ou auto-conscientes quanto esses extra-terrestres, ou, pior ainda, apenas por não pertencermos à sua espécie ou classe? Parece-me seguro admitir que a resposta de todos nós a esta questão será uma recusa categórica dessa hipótese. Ora, assim sendo, temos o dever de não tratar os animais não-humanos do modo que não admitiríamos ser tratados. Se não o fizermos, seremos inconsistentes nas nossas posições e não teremos autoridade moral para rejeitar qualquer forma de discriminação, nomeadamente quando formos nós mesmos discriminados.

É difícil cumprir o dever ético de se ser vegetariano?

Até aqui tenho defendido que temos o dever ético de nos tornarmos integralmente vegetarianos. Mas alguém poderá objectar que o vegetarianismo é uma opção dificilmente praticável, o que anularia a obrigatoriedade ética de aderirmos ao vegetarianismo. É, então, importante dizer, a propósito do vegetarianismo como cumprimento da obrigação moral de respeitar os animais não-humanos, que esta opção ética é tão razoável quanto isto: a rejeição do consumo de produtos de origem animal não implica qualquer tipo de sacrifício digno desse nome, muito menos que seja moralmente relevante. É perfeitamente possível adoptar uma dieta integralmente vegetariana, bastando para isso que, quando estivermos a fazer compras, optemos pelos vegetais em vez dos produtos de origem animal, ou, quando quisermos ir a um restaurante, optemos por um restaurante vegetariano ou, indo a um restaurante normal, optemos por uma refeição integralmente vegetariana. Quanto ao calçado e ao vestuário, as alternativas de materiais sintéticos ou de materiais orgânicos de origem exclusivamente vegetal são evidentemente muitas, como são os cosméticos, os produtos de higiene pessoal e os produtos de higiene doméstica que não são testados cruelmente em animais. A única barreira que podemos encontrar para nos tornarmos vegetarianos é aquela que nós mesmos permitirmos que se estabeleça. E como permiti-lo justificadamente?

O vegetarianismo e o argumento da precaução

Por último, um novo recurso ao argumento da precaução, mas aqui já formulado em termos exclusivamente éticos. Mesmo para aquelas pessoas que não se tenham convencido, por estes argumentos, da certeza de que os animais não-humanos são realmente dignos de consideração moral e de respeito, deixo a seguinte sugestão: na dúvida sobre se os animais não-humanos são ou não moralmente dignos de consideração moral, devemos optar pela opção mais cautelosa (o vegetarianismo como obrigação ética), se o pudermos fazer sem sacrificarmos nada de importância moral comparável. Assim, por precaução, estaremos livres de cometer um acto imoral, mesmo que não estejamos certos de que o seja realmente. Ora, como nada de importância moral comparável será sacrificado se aceitarmos e adoptarmos o vegetarianismo como obrigação ética, deve ser essa a nossa opção.

ii) A ecologia e o vegetarianismo

As responsabilidades morais dos humanos relativas ao equilíbrio ecológico do planeta 

O equilíbrio ecológico do planeta é uma condição sem a qual a sobrevivência de todos os animais (humanos e não-humanos) não é possível. Ora, se as nossas decisões e acções têm uma influência directa no equilíbrio ecológico do planeta, então temos responsabilidades directas na sua preservação. Estas responsabilidades assumem uma relevância moral especial se considerarmos que delas depende a sobrevivência de todos os animais. Temos, portanto, o dever ético de assumir essas responsabilidades e de preservar o equilíbrio ecológico, garantindo a sobrevivência de todos nós e de todos os outros animais.

Esta é, por um lado, uma questão de dever, e, por outro lado, uma questão de interesse directo da nossa parte, pois a nossa própria sobrevivência está em causa. Há, então, razões duplamente significativas para que, na qualidade de agentes morais, assumamos as ditas responsabilidades e cumpramos o dever ético de preservar o equilíbrio ecológico do planeta. E, como argumentarei, uma das implicações deste dever é, uma vez mais, o vegetarianismo como obrigação ética.

O vegetarianismo e o equilíbrio ecológico do planeta

A pecuária é uma das grandes fontes de poluição (sobretudo a pecuária industrial, embora a biológica também o seja) e também uma das principais actividades responsáveis pela destruição de ecossistemas da maior importância, o que acontece para a criação de gado. Como actividades pecuárias, considera-se a criação e abate de animais com fins alimentares, bem como a criação de animais para exploração dos seus produtos, como é o caso dos ovos e do leite. Todo o processo de preparação da carne, por exemplo, envolve o emprego de uma quantidade considerável de recursos tão importantes como a água e a electricidade, que não são gastos na produção agrícola de vegetais. 

A indústria piscatória, com os seus navios pesqueiros, é também causadora de poluição nos rios e, sobretudo, nos oceanos, para além de ser uma das principais responsáveis pela destruição dos ecossistemas marinhos devido à quantidade de peixes e animais marinhos que captura, nomeadamente aqueles que não são supostamente pretendidos (como é o caso das tartarugas, golfinhos, focas, leões marinhos e outros animais que são apanhados “acidentalmente” nas redes dos navios pesqueiros, acabando frequentemente por morrer, ficando pelo menos gravemente feridos).

Independentemente da flagrante violação dos interesses elementares dos animais não-humanos (referidos anteriormente) que estas actividades evidentemente implicam, a leitura destes dois últimos parágrafos permite-nos concluir facilmente que a exploração de animais com fins alimentares tem um impacto ecológico muito negativo, que não é possível impedir, mesmo que se quisesse reduzi-lo. De facto, é um dos principais factores que prejudica o equilíbrio ecológico do planeta. Ora, se assim é e se, como vimos, temos o dever ético de preservar o equilíbrio ecológico do planeta, então devemos cancelar, também por motivos ecológicos, as actividades ligadas à exploração de animais com fins alimentares.

Se é nosso dever eliminar ou reduzir o impacto ecológico negativo que as nossas actividades têm, nomeadamente no equilíbrio ecológico do planeta (sobretudo se o pudermos fazer sem sacrificar algo de importância moral comparável, o que é o caso), e se a exploração de animais com fins alimentares é uma das nossas actividades que tem um impacto ecológico negativo, então devemos acabar com a exploração de animais para fins alimentares.

Daqui segue-se que, se o dever de adoptar uma dieta integralmente vegetariana se impõe pelo respeito que devemos aos animais não-humanos, impõe-se também quer pela necessidade, quer pela obrigação que temos de preservar o equilíbrio ecológico. Surge-nos, então, uma vez mais, o vegetarianismo como obrigação ética.

Por outro lado, a indústria das peles, nomeadamente a indústria dos curtumes, é também responsável por uma quantidade enorme de poluição, mesmo sem ser preciso voltar a referir a poluição que a criação de animais para fins alimentares – que são criados também para a produção de peles – implica. Logo, seguindo o princípio defendido ao longo deste artigo, designadamente a sua aplicação aos problemas ecológicos, devemos também pôr fim à indústria das peles, recusando o uso de peles, não só porque isso é incompatível com o estatuto moral dos animais a que essas peles pertencem, mas também pelos motivos éticos que se prendem com a ecologia.

O interesse estético da natureza e o dever ético de a preservar

Há ainda um outro dever ético relativo à ecologia e ao vegetarianismo como obrigação ética. É que, do mesmo modo que actualmente gostamos de contemplar a natureza podendo retirar desta contemplação um prazer estético, para além de podermos passar momentos muito agradáveis quando desfrutamos equilibradamente das belezas da natureza, também as gerações futuras quererão poder ter também este prazer e estes momentos agradáveis no contacto com a natureza. Ora, se assim é, do mesmo modo que temos uma responsabilidade moral para com as gerações futuras sendo nosso dever legar-lhes um mundo ecologicamente equilibrado, pois precisarão tanto dele como nós precisamos actualmente, temos também uma responsabilidade moral para com essas mesmas gerações no sentido de não destruir hoje aquilo que com certeza essas gerações valorizarão, apreciarão e de que necessitarão amanhã. Se a adopção do vegetarianismo é um meio para cumprir esta responsabilidade moral, a obrigatoriedade ética do vegetarianismo sai mais uma vez reforçada.

Como já referi anteriormente, todas estas mudanças podem ser feitas sem que se sacrifique algo de importância moral comparável e de uma forma perfeitamente praticável. Se podemos e devemos avançar para estas mudanças, o que nos poderá então razoavelmente impedir de o fazer?

iii) A produção alimentar, a eficiência económica e o vegetarianismo

Actualmente, grande parte da população mundial continua a enfrentar sérios problemas de pobreza, contando-se entre estes o principal – a fome. Isto passa-se com humanos, membros da nossa espécie, em relação aos quais conseguimos continuar a manter-nos intoleravelmente indiferentes (o que, por muito lamentável que seja, não nos deve espantar, se atendermos à indiferença que dedicamos aos outros animais). Enquanto isso, nos países mais desenvolvidos, na chamada sociedade da abundância, entre variados luxos e futilidades, continuamos a ter um sistema de produção alimentar que é absolutamente ineficiente do ponto de vista económico, para além de que os alimentos que resultam desta produção são pouco saudáveis e nada equilibrados.

Sabe-se hoje que a quantidade de vegetais que é utilizada na alimentação dos animais não-humanos explorados com fins alimentares seria mais do que suficiente para alimentar todos os humanos que existem actualmente em todo o mundo – quer os que têm hoje comida no prato, quer aqueles que nunca comeram num prato e que não sabem o que é uma refeição.

Poderíamos optar por um sistema de produção alimentar baseado exclusivamente no cultivo de vegetais, o que teria vantagens múltiplas, como 1) pôr em prática o respeito que devemos aos animais não-humanos, deixando de os comer, 2) reduzir significativamente o impacto ecológico negativo que a exploração de animais com fins alimentares tem, e 3) proporcionar uma alimentação saudável, completa e equilibrada ao total do efectivo da população mundial (segundo os dados disponíveis, seria até possível alimentar muito mais do que os cerca de seis biliões de humanos que existem actualmente). Em vez disso, insistimos em manter um sistema que assenta na exploração cruel de animais, que é absolutamente anti-ecológico, e que é excessivamente dispendioso e desperdiçador, uma vez que não só esgota muitos recursos naturais e económicos, como também produz alimentos (de origem animal) em muito menor quantidade do que aqueles que consome (de origem vegetal), produtos estes que, quer do ponto de vista quantitativo, quer do ponto de vista financeiro, não são acessíveis à totalidade da população mundial.

Se considerarmos que temos deveres éticos para com os outros humanos (tanto quanto os temos para com os não-humanos), não estamos dispensados da responsabilidade de lhes garantir condições de vida pelo menos tão boas quanto as que nós mesmos temos e exigimos ter. Ora, um dos factores cruciais para a melhoria das condições de vida de quem hoje morre à fome é, evidentemente, ter à sua disposição alimentos que lhe permitam deixar de ter fome. E já vimos que a produção de alimentos de origem animal não oferece respostas para este problema; pelo contrário, acentua-o. Mais ainda, se o fim da produção de alimentos de origem animal e a consequente produção de alimentos de origem exclusivamente vegetal são um meio eficaz para responder ao problema da fome, então temos o dever ético de implementar esta mudança imediatamente. Volta a reforçar-se o vegetarianismo como obrigação ética. E reforça-se, recapitulando, pelo respeito que devemos aos animais não-humanos, pelo dever que temos de preservar o equilíbrio ecológico, e pelo dever que temos de ter um sistema de produção alimentar economicamente eficiente como meio para alimentar adequadamente todo o efectivo da população mundial.

Então, ética, ecológica e economicamente, o sistema de produção alimentar que assenta na exploração de animais com fins alimentares é um erro. E é um erro que deve ter um fim imediato, pois temos também razões que se prendem também com a defesa dos membros da nossa espécie para nos tornarmos vegetarianos, não apenas com o respeito pelos membros de outras espécies. E isto tem que ser aceite até pelos especistas (embora estes tenham sérios problemas em manter o seu especismo plausivelmente). Posto isto, como poderemos continuar a viver sem nos tornarmos vegetarianos?

Conclusão

Em suma, estes são alguns dos argumentos éticos segundo os quais nos devemos tornar integralmente vegetarianos, sendo esta, como defendi, uma implicação dos princípios morais mais importantes que temos, que reconhecemos e que queremos ver universalmente aplicados. Mais poderia ser dito, mas ficam lançadas as bases éticas principais a partir das quais outras conclusões podem ser derivadas no mesmo sentido do que aqui defendi.



Referências:

Singer, Peter. 1975. Animal Liberation. Londres: Pimlico, 1995 (2nd Edition).
Singer, Peter. 1993. Ética Prática. Trad. Álvaro A. Fernandes. Lisboa: Gradiva, 2000.
Rachels, James. 1990. Created from Animals: The Moral Implications of Darwinism. Oxford: Oxford University Press, 1999.
Murcho, Desidério. "Vegetarianismo Ético Minimalista". Crítica, 2002.



SEDA - Sociedade Ética de Defesa dos Animais 
http://seda.no.sapo.pt | seda_geral@hotmail.com




Miguel Moutinho
miguel.moutinho@animal.org.pt

Presidente da ANIMAL e dirigente desta organização abolicionista de defesa dos direitos dos animais de Portugal desde 2002. Fundou o Centro de Ética e Direito dos Animais em 2001, um grupo informal que pretendia reunir cientistas, filósofos e juristas não só para estimular e desenvolver o estudo e a discussão sobre a teoria e prática dos direitos dos animais, num contexto acadêmico e científico, mas também para fazer a ponte com o lado prático da defesa dos direitos dos animais no plano social, político e jurídico. Ativista vegano desde 1998, tem sido um comprometido advogado dos animais não-humanos desde então, procurando por todos os meios fazer avançar o respeito pelos direitos fundamentais destes em Portugal.


publicado por Maluvfx às 20:07
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Cientistas e filósofos em defesa dos animais
Seja contra touradas, transgénicos, indústria alimentar ou cobaias, existe sempre alguém disposto a lutar pelo bem estar dos animais e defendê-los do seu maior inimigo: o Homem

A defesa dos animais em Portugal é cada vez mais notícia de primeira página e é também caracterizada por um movimento que não cessa de crescer. Há várias organizações a surgir e a alinharem-se para actividades de protesto, que ganham no nosso país mais protagonismo durante a época tauromáquica. Uma dessas organizações é o Centro de Estudos de Direito dos Animais ( CEDA ), criado em 2001 e que pretende ser diferente na forma e no agir em defesa dos animais.


O CEDA pretende apresentar à generalidade das pessoas conclusões sólidas, de cariz científico, que explicam porque é que os animais devem ser respeitados e protegidos. Este centro de estudos também quer provar porque é que o vegetarianismo ou o veganismo são formas possíveis e saudáveis de alimentação e que não prejudicam a integridade física das animais.



Demonstra também a sua repulsa em relação à indústria de entretenimento em que são usados animais, sendo a tourada o grande foco das atenções e alvo das críticas ferozes por parte das várias organizações desta natureza. Aliás, o CEDA aliou-se à ANIMAL (Associação Nortenha de Intervenção no Mundo Animal) numa vigília de protesto frente à Assembleia da República aquando do voto que acabou por legalizar os touros de morte de Barrancos. Na altura, Miguel Moutinho afirmou perante a comunicação social que “Portugal regrediu no tempo até à idade média”.


Para explicar melhor o papel da CEDA na sociedade portuguesa, Miguel Moutinho apela ao mandamento essencial de qualquer defensor dos animais: “Os animais cujas características físicas e psíquicas lhes permitam ter experiência do sofrimento têm interesses elementares, nomeadamente o interesse no seu bem estar, o interesse na preservação da sua liberdade física e o interesse na preservação da sua vida. Os animais são, portanto, merecedores de respeito e protecção, sendo o dever da espécie humana atribuir uma consideração moral justa e séria aos seus interesses elementares, devendo este princípio reflectir-se também na esfera política e jurídica”. É com este propósito que existe o CEDA, desta forma pretende ter um papel pioneiro em Portugal: “juntamente com Espanha e Grécia, encontra-se na cauda da Europa no que diz respeito ao direito dos animais”. Como actualmente os Estado português não tem nenhuma obrigação legalmente estipulada sobre os animais e como no Código Civil estes são considerado apenas como “coisas”, o CEDA tem actualmente uma proposta no parlamento que visa a inclusão na Constituição da República Portuguesa de uma lei que garanta aos animais uma “protecção séria, eficaz e adequada” e que obriga o estado a assegurar o “respeito que é devido aos animais sencientes”, revela Miguel Moutinho. Como exemplo, o CEDA aponta o caso do Brasil que tem uma referência à protecção dos animais na sua Constituição ou o caso da Alemanha que foi o primeiro estado da União Europeia a introduzir a questão até na sua Constituição.


O CEDA pretende ainda promover o estudo do Direito dos Animais nos cursos de graduação e pós-graduação em Direito nas universidades portuguesas, incentivando a redacção de artigos, trabalhos científico-jurídicos subordinados ao direito dos animais, bem como a tradução para língua portuguesa de obras importantes que possam constituir instrumentos de estudo. É uma estratégia que recorre a métodos mais intelectuais para que em manifestações ou outras formas de protesto o CEDA possa demonstrar “que quer se goste ou não de animais eles merecem todo o nosso respeito devido às suas necessidades elementares”.


Perfil
Defensor dos animais em acção


Miguel Moutinho, presidente do CEDA, nasceu em 1980. É estudante de Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa, onde coordena o Grupo de Análise Filosófica. Os seus estudos filosóficos são dirigidos sobretudo para a Ética, Filosofia Política e Filosofia do Direito, evidenciando o seu à vontade quando discute o direito dos animais. Além das funções que actualmente desempenha no CEDA, já presidiu ao MDA, foi dirigente e porta-voz do Movimento Anti-touradas de Portugal até Setembro de 2001 e em Julho de 2002 foi nomeado director da ANIMAL-Lisboa. O acumular de funções continua quando funda em Novembro de 2002 o Movimento Académico de Libertação Animal, do qual é coordenador nacional, e quando é membro fundador do Centro de Ética Aplicada da Sociedade Portuguesa de Filosofia.


Moutinho divide o seu quotidiano com as várias organizações a que pertençe com a ajuda que presta diariamente aos animais, seja a animais abandonados ou animais maltrados pela sociedade como foi o caso que se verificou aquando da realização da entrevista a este defensor da vida animal.


Miguel Moutinho surgiu no lugar combinado para a entrevista com um cão a coxear. Logo começou a contar a história infeliz daquele animal que mostrava feridas por várias partes do corpo. Uns dias atrás foi dito a Miguel Moutinho que na sua área de residência havia um cão, mais propriamente um uski siberiano que parecia estar abandonado e ferido, com uma fractura exposta na perna. Moutinho foi à sua procura e encontrou-o num bairro de lata na periferia de Lisboa, relativamente perto de sua casa. Depressa percebeu que aquele cão era usado pelos habitantes daquele bairro para lutas de cães. Mas o facto deste cão ser meigo e dócil levou-o a concluir que “era usado como saco de boxe para outros cães se treinarem”.


Entretanto a aventura de Moutinho ainda não tinha acabado. Encontrava-se ali naquele sinistro bairro, mais a sua irmã que ajudava nas buscas e um cão ferido quando surgiu um grupo de miúdos com cães, como os possantes pittbulls e rotweillers, e começaram a ameaçar “os intrusos”. “Pensei que se não fugisse, nem eu nem o cão saíamos dali”, lembra Moutinho. Gritou à irmã para correrem para o carro e acelararem dali “fosse de que maneira fosse”, acentua. No fim o cão foi resgatado, depois tratado e na altura desta entrevista encontrava-se em casa de Moutinho à espera que alguém o adoptasse.


publicado por Maluvfx às 20:04
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Segunda-feira, 24 de Maio de 2010
Abolição Animal - Uma Luta por Igualdade e Respeito




Assim como o racismo afirma a superioridade de um grupo racial sobre outro, e o sexismo a superioridade de um sexo perante outro, o termo ESPECISMO significa julgarmos uma espécie superior a outra. Na escravidão animal, o especismo qualifica e justifica a exploração de animais não-humanos por animais humanos. Assim como os brancos tentaram impor-se sobre os negros (racismo), ou os homens sobre as mulheres (sexismo), hoje nós, humanos, tentamos nos impor sobre outras espécies de animais não-humanas. Tornando-as simples objetos e mercadorias, sem valor inerente, ou seja, o valor de suas vidas está diretamente relacionado ao uso que nós fazemos dela. Deixamos, portanto, de considerar o interesse desses animais em sua própria vida e liberdade.
Os negros e a mulheres resistiram à exploração e, através da criação de movimentos politicamente organizados, lutaram para conquistar igualdade racial e igualdade entre os sexos, mas os animais não têm esse poder de organização política para reivindicar em sociedade seu direito de não ser tratado como mercadoria ou posse de seres humanos. Por isso a existência de uma organização humana que luta para que todas as espécies sencientes - seres com subjetividade, capazes de sentir dor e aptos a decidirem por si mesmos sobre seus próprios interesses - tenham sua igualdade conquistada. Chamamos esse movimento de Abolição Animal. O movimento abolicionista luta para que os animais não-humanos sencientes também sejam possuidores de direitos.

Mas, o que é um direito? Um direito é um muro construído em volta de um interesse, por exemplo, todos os animais sencientes – humanos e não-humanos - têm o interesse em não sofrer e em viver sua vida em liberdade, então são criados direitos para que todos esses interesses sejam protegidos. Dessa maneira atribuímos um valor inerente a toda forma de vida senciente no planeta. Atribuir tal valor é o mesmo que dizer que a vida dos animais humanos e não-humanos tem um valor próprio e não depende de interesses econômicos ou financeiros para existir. Assim, não há NADA que justifique moralmente a mercantilização e a escravização de uma espécie animal para que outra espécie seja beneficiada. Isso fere diretamente a questão da autonomia de cada ser vivo.
O que podemos fazer HOJE para contribuir com o fim da escravidão animal? Fácil, o que pode ser feito neste exato momento para contribuir com o fim da exploração dos animais humanos sobre os animais-não humanos é a opção pelo VEGANISMO. Ser vegano é optar por boicotar qualquer produto gerado através da exploração animal. Produtos que vão da alimentação (carne, leite, ovos, mel, etc), vestimentas (couro, peles, lã, etc), até a cultura (rodeio, circo com animais, etc), além de qualquer tipo de produto que tenha sido testado em animais (experimentação). Escolher o veganismo é escolher um mundo no qual se reconhece o valor inerente da vida, em qualquer espécie senciente. Tornarmos veganos é o que podemos fazer agora para deixar de contribuir com a exploração, sofrimento e morte de milhares de seres vivos que são diariamente escravizados dentro da indústria alimentícia, científica e do entretenimento.

Abolição Animal e veganismo não existem separados um do outro, só podemos deixar de sermos especistas se optarmos por uma escolha de vida vegana, ou seja, uma escolha que respeite e reconheça o valor da vida em qualquer espécie senciente, seja ela humana ou não. O veganismo é o primeiro passo em direção a um mundo mais ético e mais igual.

Texto retirado da apostila distribuída no 1° EDUCAVEG (dia 25/04/10)
Por Alex Peguinelli  


publicado por Maluvfx às 18:37
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Sexta-feira, 21 de Maio de 2010
Abate humanitário


por Sérgio Greif
O que nos querem dizer quando falam em abate humanitário?

De acordo com certa definição, abate humanitário é o conjunto de procedimentos que garantem o bem-estar dos animais que serão abatidos, desde o embarque na propriedade rural até a operação de sangria no matadouro-frigorífico.

Humanitário . . . bem-estar . . . palavras muito fortes e que não refletem o que realmente querem dizer. Termos como “humanitário” e “bem-estar” deveriam ser aplicados apenas nos casos em que buscamos o bem do indivíduo, e não para as situações em que procuramos matá-lo de alguma forma.



Quando enviamos ajuda humanitária à Africa não estamos enviando recursos para que os africanos possam se matar de uma forma mais rápida e menos dolorosa. Não estamos pensando: “Bem, aquele continente vive na miséria, cheio de fome, doenças e guerras, vamos resolver isso matando-os”. Ajuda humanitária significa alimentos, água, remédios, cobertores . . . intervenções realmente em benefício daqueles indivíduos.

Quando falamos em bem-estar social, bem-estar do idoso, bem-estar da criança, não estamos pensando em outra coisa senão proporcionar o bem a essas pessoas. Jamais pensamos em métodos de matá-los com menos sofrimento, porque isso seria o contrário de bem-estar, seria o contrário do que consideramos humanitário.

Por isso, quando escutamos alguém falar em “abate humanitário”, isso soa como um contra senso. A primeira palavra representa algo que vai contra os interesses do indivíduo e a segunda encerra um significado que atende aos seus interesses. Igualmente, a idéia de “bem-estar de animais de produção” é um contra senso, pois a preocupação com o bem-estar implica em preocupar-se com a vida, e não visar sua morte ou exploração de alguma forma.

Essas duas idéias - abate e humanitário - só se harmonizam quando a morte do animal atende aos seus próprios interesses, como no caso em que o animal padece de uma enfermidade grave e incurável e a continuidade de sua vida representa um sofrimento. Nesses casos, a eutanásia, dar fim a uma vida seguindo uma técnica menos dolorosa, pode ser classificada como humanitária, e uma preocupação com o bem-estar.

As organizações e campanhas que pregam pelo abate humanitário alegam que esse é um modo de evitar o sofrimento desnecessário dos animais que precisam ser abatidos. Mas o que é o “sofrimento necessário” e o que diz que animais “precisam ser abatidos”?

O abate de animais para consumo não é, de forma alguma, uma necessidade. As pessoas podem até comer carne porque querem, porque gostam ou porque sentem ser necessário, mas ninguém pode alegar que isso seja uma necessidade orgânica do ser humano.

Porém, se comer carne é hoje uma opção, não comê-la também o é. Se uma pessoa sinceramente sente que animais não devem sofrer para servir de alimento para os seres humanos, seria mais lógico que essa pessoa adotasse o vegetarianismo, ao invés de ficar inventando subterfúgios para continuar comendo animais sob a alegação de que esses não sofreram.

A insensibilização que antecede o abate não assegura que o processo todo seja livre de crueldades, especialmente porque o sofrimento não pode ser quantificado com base em contusões e mugidos de dor. Qualquer que seja o método, os animais perdem a vida e isso por si só já é cruel.

Caso todo o problema inerente ao abate de uma criatura sensível se resumisse à dor perceptível, matar um ser humano por essa mesma técnica não deveria ser considerado um crime. Caso o conceito de abate humanitário fizesse sentido, atordoar um ser humano com uma marretada na cabeça antes de sangrá-lo e desmembrá-lo não seria um crime, menos ainda matá-lo com um tiro certeiro na cabeça.

Está claro que a idéia de abate humanitário não cabe, e nem atende aos interesses dos animais. Mas se não atende aos interesses dos animais, ao interesse de quem ele atende?
A questão é bastante complexa, porque envolve ideologias, forças do mercado, psicologia do consumidor e política, entre outros assuntos. O conceito de abate humanitário atende aos interesses de diferentes grupos (pecuaristas, grupos auto-intitulados “protetores de animais”, políticos, etc.) não necessariamente integrados entre si.

Pecuaristas tem interesse no chamado abate humanitário porque ele não implica em gastos para o produtor, mas investimentos que se revertem em lucros. A carne de animais abatidos “humanitariamente” tem um valor agregado. O consumidor paga um preço diferenciado por acreditar que está consumindo um produto diferenciado. Possuir um selo de “humanidade” em sua carne significa acesso a mercados mais exigentes, como o europeu. Além disso, verificou-se cientificamente que o manejo menos truculento dos animais reflete positivamente na qualidade do produto final, portanto, mudanças nesse manejo atendem aos interesses do pecuarista pois melhoram a produção e agregam ao produto.

Os chamados protetores de animais tem interesses no abate humanitário, mas não porque este é condizente com o interesse dos animais. Em verdade esses “protetores“ não se preocupam com animais, talvez sim com cães e gatos, mas não com animais ditos “de produção”. Esses “protetores de animais” não os protegem, eles os criam, depois os matam e depois os comem. Eles podem não criá-los nem matá-los, mas certamente os comem e mesmo quando não o fazem por algum motivo, não se opõe a que outros o façam.

“Protetores de animais” lucram com o conceito de abate humanitário, pois isso lhes rende a possibilidade de fazerem parte do mercado. Há entidades de “proteção” animal que se especializaram em matar animais. Sob a pretensão de estarem ajudando aos animais, elas mantém fazendas-modelo onde pecuaristas podem aprender de que forma melhorar sua produção de carne, leite e ovos e de que forma matar animais de uma maneira mais aceitável pelo ponto de vista do consumidor comum. Podem também lucrar servindo como consultores em frigoríficos.

Simultaneamente, essas entidades fazem propaganda no sentido de convencer o consumidor de que todo o problema relacionado ao consumo de carne encontra-se na procedência da carne, na forma como os animais são mortos, e não no fato de que eles são mortos em si. A fórmula é muito bem sucedida, pois essas entidades acabam gozando de bom prestígio entre pecuaristas e consumidores comuns, não se opondo a quase ninguém. Políticos vêem na aliança com essas entidades a certeza de reeleição, e por isso elas contam também com seu apoio.

Exercendo seu poder para educar as pessoas ao “consumo responsável” de carne, essas entidades não pedem que as pessoas façam nada diferente do que já faziam. Elas não propõe uma mudança de fato em favor dos animais, pois os padrões de consumo da população mantêm-se os mesmos e os animais continuam a ser explorados. A diferença está no fato de que essas campanhas colocam a entidade em evidência. A entidade se promove, deixando a impressão de que ela faz algo de realmente importante em nome de uma boa causa. Dessa forma as pessoas realizam doações e manifestam seu apoio, ainda que sem saberem ao certo o que estão apoiando.

Com a carne abatida de forma “humanitária”, o consumidor se sente mais a vontade para continuar consumindo carne, pois o incômodo gerado pela idéia de que é errado matar animais para comer é encobrida pela idéia de que, naqueles casos, os animais não sofreram para morrer. E o pecuarista lucra mais porque pode cobrar um preço maior por seus produtos, bem como colocar seus produtos em mercados mais exigentes.

De toda forma, os interesses desses grupos não coincide com os interesses dos animais, e por esse motivo não faz sentido que esses grupos utilizem nomenclaturas tais como como 'bem-estar' e 'humanitário', que podem vir a dar essa impressão.

Entidades que promovem o abate humanitário não protegem animais, mas sim promovem sua exploração. Elas estão alinhadas com os setores produtivos, que exploram os animais e não com os animais. Se elas protegessem animais trabalhariam pelo melhor de seus interesses. Seriam eles mesmos vegetarianos e não consumidores de carne. No entanto, adotando sua postura e sua retórica, não desagradam a praticamente ninguém, e dessa maneira enriquecem e ganham influência.

Entidades que realmente promovem o bem dos animais se esforçam em ensinar às pessoas que animais jamais devem ser usados para atender às nossas vontades. Elas devem se posicionar de forma clara a mostrar que comer animais não é uma opção ética, e que não importa que métodos utilizemos de criação e abate, isso não mudará a realidade de que animais não são produtos e que o problema de sua exploração não se limita à forma como o fazemos.

Ainda que uma campanha pelo vegetarianismo provavelmente conte com menos popularidade e menor adesão da população, até porque isso demanda uma mudança verdadeira na vida das pessoas, certamente uma campanha nesse sentido atende ao interesse real dos animais.

Ainda que reconhecendo que abater animais com menos crueldade é menos ruim do que abatê-los com mais crueldade, repudiamos que o abate que envolve menor crueldade seja objeto de incentivo. Eles não deveriam ser incentivados, premiados, promovidos ou elogiados, porque um pouco menos cruel não é sinônimo de sem crueldade, e só porque é um pouco mais controlado não quer dizer que é certo ou correto.



APOIE AS CAMPANHAS SENTIENS PELOS ANIMAIS
Criação da 1ª Promotoria de Defesa Animalhttp://www.sentiens.net/promotoria-de-defesa-animal/peticao
Contra a liberação dos maus-tratos aos animaishttp://www.sentiens.net/liberacao-maus-tratos/peticoes

Sentiens Defesa Animal - promoção dos direitos animais - http://www.sentiens.net/
Olhar Animal - cães e gatos para adoção - http://www.olharanimal.net/
Pensata Animal - revista de direitos dos animais - http://www.pensataanimal.net/


publicado por Maluvfx às 13:08
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Quarta-feira, 19 de Maio de 2010
O QUE É SER UM PROTETOR DE ANIMAIS?


Hoje em dia a proteção animal virou um modismo. Muita gente acha bacana dizer que é “Protetor de Animais”, mas o que exatamente ser um “Protetor de Animais”?

Para começar gostaria de esclarecer que proteger animais não é chamar uma ONG ou ligar para um protetor independente quando um animal está sendo mal tratado. Proteger animais também não é ficar no computador apenas repassando pedidos de ajuda, nem se sentir no direito de exigir e cobrar que pessoas ligadas a causa façam o que você considera certo fazer. Estas são apenas formas de divulgar ações e necessidades ligadas a causa, e não a proteção em sua essência.

Em primeiro lugar é importante saber que protetores de animais são pessoas iguais a você, eles trabalham, estudam, possuem família, filhos, quintal pequeno, moram em apartamento em alguns casos, mas decidiram arregaçar as mangas e fazer a diferença. Um dia desses eu ouvi que “ser protetor de animais é um apostolado”, e isso significa você dedicar sua vida, seu tempo e seu dinheiro a uma causa que muito provavelmente “nunca” lhe trará nenhum retorno material. Consiste também em mudar seus hábitos alimentares (parar de consumir carne), hábitos de diversão (rodeios, vaquejadas, touradas, feiras de exposição, de exploração, de competição, etc.), hábitos de consumo (roupas de origem animal como casacos de pele, etc.), hábitos em geral.

O “protetor de animais” muda sua visão em relação a vida, passa a respeitar toda forma de vida, passa a lutar pela defesa dos direitos dos animais, pela castração, pela adoção, por leis mais rígidas e que os defendam, pela conscientização da população, contra a exploração animal em todas as suas formas, contra o comercio de animais, etc.

Ninguém muda estes hábitos facilmente, nenhuma pessoa que conheço  amanheceu e disse: a partir de hoje sou um protetor de animais e vou deixar de fazer tudo o que fiz a minha vida inteira. A vontade de ajudar nos impulsiona a levantar e ir, com o tempo criamos cada vez mais a consciência em relação aos assuntos relacionados à causa, nossos hábitos são mudados aos poucos e gradativamente. É uma luta pessoal contra nós mesmo, e em alguns casos, contra nossos familiares que não conseguem entender e aceitar essa mudança.

Ser um “protetor de animais” é ter responsabilidade social de maneira totalmente independente da caridade. Promover a conscientização em relação ao respeito dos animais é uma das bandeiras mais importantes da causa, fazer com que as pessoas enxerguem que o animal tem uma vida que precisa ser respeitada, é uma batalha constante. Os animais existem da mesma maneira que todos nós, possuem suas individualidades e não estão aqui para nos servir.

Os defensores dos animais devem ser felizes com sua bandeira, devem se orgulhar do que fazem. Se defender animais te trouxer algum tipo de angústia, talvez seja a hora de repensar e mudar de causa. Os animais precisam de pessoas sensatas, que estejam sempre empenhadas em aprender, que estejam dispostas a tentar mudar o mundo, mas se conseguirem mudar apenas a pessoa que está ao seu lado, já fizeram muito mais do que 99% da população. Os animais não podem se defender, eles só têm a nós, seres humanos, para defendê-los, e exatamente por isso temos que nos manter equilibrados para fazê-lo, e fazer com prazer, paixão e de maneira otimista. Pessoas agressivas e desacreditadas, não apenas na causa animais mas em todas as causas, geralmente não conseguem atingir seus objetivos na sociedade, pois não conseguem desenvolver o potencial necessário para valorizar a causa que defendem.
Tenha sempre a frente, e como referência, pessoas inseridas na causa e que desenvolvam um trabalho baseado na seriedade e, acima de tudo, idoneidade. Fuja dos falsos protetores, pessoas que estão inseridas na causa tentando tirar benefícios materiais ou prestígio. Acredite em você e em seus objetivos, arregace as mangas e faça, não tenha projetos alimentados apenas pela esperança, estabeleça objetivos e metas, faça você também a diferença. Pense qual a melhor forma de ajudar os animais, quais os seus pontos fortes, se você gostaria de trabalhar com resgates, com adoção, com maus tratos, com educação, contra exploração, etc. Acredite em você, e dê o seu melhor.
Abrace uma causa, qualquer causa, mas faça-o com responsabilidade e de coração aberto. Mude seus conceitos, abandone os preconceitos e faça a diferença.

Existem 3 tipos de pessoas:As que fazem acontecer, as que deixam acontecer e as que perguntam o que aconteceu? (John Richardson Jr)

PROTEÇÃO ANIMAL --- Lilian Rockenbach pelos Direitos dos Animais


publicado por Maluvfx às 14:47
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Terça-feira, 18 de Maio de 2010
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