Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Sexta-feira, 19 de Outubro de 2012
Resistir a um bom bife para ajudar o planeta
Hoje em dia já existem muitas opções para os vegetarianos, quer nos supermercados, quer nos restaurantes
 Hoje em dia já existem muitas opções para os vegetarianos, quer nos supermercados, quer nos restaurantes

Adotar uma alimentação vegetariana já não é uma prática para poucos. Hoje em dia as ofertas são muitas e variadas e há cada vez mais pessoas que cortam a carne da sua dieta, não só por considerarem que é mais saudável mas também por ser mais sustentável.

Um estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO na sigla inglesa) indica que a indústria pecuária é responsável pela emissão de mais gases de efeito de estufa do que o setor dos transportes.

Esta “questão ambiental e de sustentabilidade” foi um dos motivos que levou David Saraiva, professor de expressão plástica, a converter-se ao vegetarianismo no final do secundário.  Com uma irmã vegetariana, foi “natural” começar a cortar a carne da sua dieta. “Naquela altura, todo um conjunto de princípios éticos começaram a fazer sentido para mim”, explica ao SAPO Notícias David Saraiva.

Princípios não só ligados à “carnificina que é a matança animal para a alimentação humana”, mas também porque “toda a produção de carne implica direta e indiretamente uma série de questões brutais ao nível do ambiente”, salienta o professor.

David Saraiva é um exemplo de uma família vegetariana, já que tanto a mulher como o filho bebé do casal não consomem carne ou peixe. “Como já somos vegetarianos há tantos anos, nem sequer tínhamos isso em questão, de uma forma natural o meu filho é vegetariano”, diz.

Sofrimento dos animais

Dados da FAO dão conta de que atualmente a pecuária ocupa 33 por cento da superfície da Terra, não só para pastos permanentes, mas também território cultivado para a produção de alimentos para os diferentes tipos de gado.

Só nos Estados Unidos cerca de 42 milhões de vacas são abatidas por ano para serem utilizadas na indústria da carne e dos laticínios, segundo números da PETA, uma associação para defesa dos animais.

O sofrimento dos animais levou Vera Martins a cortar a carne dos seus hábitos alimentares. Foi exatamente no ano de 1999, depois de ler um artigo sobre direitos dos animais. “Este artigo mexeu muito comigo e nesse momento decidi deixar de comer carne”, conta a funcionária do restaurante vegetariano Nakité, no Porto.

Hoje em dia, Vera Martins é vegan, um estilo de vida que corta com todos os produtos de origem animal. Pode parecer radical abolir alimentos que estão tão enraizados nos nossos hábitos, como os laticínios, mas Vera Jardim considera que estes “fazem falta mais pelo hábito” e que existem substitutos. “Bebo leite de soja mas podemos também fazer leite em casa através da aveia ou do arroz”, exemplifica. “Não estamos restritos e acabamos por comer outros alimentos que a maioria das pessoas não conhece”, refere.

Francesinha vegetariana e tofu à lagareiro

Foi para “mostrar às pessoas que se podem alimentar com prazer, sem carências e sem matar animais” que Anabela Vidal fundou há 11 anos o restaurante Nakité. “Desde os 14 anos sou macrobiótica e sempre tive a orientação de contribuir para a cidade onde nasci com este projeto”, afirma.

O restaurante é conhecido na cidade por fazer uma releitura de pratos tradicionais mas 100 por cento vegetarianos. A francesinha vegetariana é um dos sucesso da casa na Rua do Breyner mas há também caldeiradas, chillis, moquecas e caris.

Anabela Vidal deixa mais alguns exemplos: nos pratos de bacalhau (à lagareiro ou à Gomes de Sá), o tofu (alimento produzido a partir da soja) é o substituto ideal, e depois basta seguir a receita. No caso do rolo de carne Wellington, a carne pode ser trocada pelo seitan (um alimento à base de glúten). “Fica muito parecido com o original”, garante a proprietária do restaurante Nakité.

Padaria do Suribachi vende bolos feitos com leite de soja
Padaria do Suribachi vende bolos feitos com leite de soja 
O Suribachi é outro espaço na cidade dedicado a hábitos alimentares e terapias alternativas. Surgiu “há 33 anos com o objetivo de ser uma escola para transmitir uma filosofia de vida para adquirir saúde através da alimentação”.

A proprietária, Maria Arminda Pereira, conseguiu superar um problema de saúde durante a primeira gravidez através da alimentação macrobiótica e a partir daí quis “contribuir para fornecer conhecimento” nesta área.

Na macrobiótica predominam “cereais integrais, vegetais, leguminosas, algas e soja”, explica Maria Arminda Pereira, lembrando que “não se proíbem produtos de origem animal mas é preciso ter consciência do que se come”.

Maria Arminda tem estudado muito sobre estes hábitos alimentares alternativos e considera que quando se quer adotar a dieta vegetariana ou macrobiótica é preciso ter “conhecimento” sobre a matéria e não sei deixar levar por “modas”. “Quando queremos tomar medicamentos, temos de ir ao médico, com os alimentos é igual”, conclui.

Fonte


publicado por Maluvfx às 13:19
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Sexta-feira, 26 de Março de 2010
Nestlé ajuda a destruir as florestas tropicais da Indonésia.

Greenpeace Ciberativismo
   23 de Março de 2010

Há uma semana, o Greenpeace tem deixado a Nestlé de cabelo em pé. Tudo começou com um vídeo-denúncia exigindo que a Nestlé pare de usar óleo de dendê de empresas que destroem as florestas tropicais da Indonésia - atingindo as comunidades locais e os oragotangos nativos. De lá para cá, graças às trapalhadas da empresa para encobrir os fatos, ciberativistas de todo o mundo deram um show de bola com inúmeros protestos on-line.
Dê só uma olhada:

  * A Nestlé pediu para que o YouTube tirasse nosso vídeo da
    web, mas, como muita gente já tinha repostado, ele começou a
    pipocar em diversas contas ficou impossível eliminá-lo do ar.
    Até agora, mais de 600 mil pessoas já assistiram ao vídeo. 

  * Os usuários do Facebook visitaram a página da Nestlé
    para perguntar se a empresa iria parar de comprar de fornecedores
    que desmatam para plantar dendê e receberam respostas mal-educadas.
    Apesar da tentativa da Nestlé de abafar o caso, inúmeros sites e
    blogs deram a notícia.

  * Mais de 100 mil pessoas em todo o mundo enviaram ao presidente da
    Nestlé na Suíça, Paul Bulcke, uma carta apontando os problemas e
    pedindo soluções.

As ações de cada um de vocês têm um grande impacto na decisão da Nestlé. Se você não participou, ainda dá tempo.

Envie um e-mail exigindo que a empresa pare de usar óleo de dendê produzido às custas da destruição das florestas. Depois não se esqueça de compartilhar nosso vídeo com seus amigos.

Obrigado pelo seu apoio,


Greenpeace

E mais:
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» Encaminhe esse e-mail para um(a) amigo(a)
Greenpeace Brasil
R. Alvarenga 2331
São Paulo - SP
(11) 3035-1155

Assista também:


Relacionado: NESTLÉ é alvo de vídeo criativo do Greenpeace


publicado por Maluvfx às 13:25
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Domingo, 21 de Março de 2010
NESTLÉ é alvo de vídeo criativo do Greenpeace
Nestlé, maker of Kit Kat, uses palm oil from companies that are trashing Indonesian rainforests, threatening the livelihoods of local people and pushing orang-utans towards extinction.
We all deserve to have a break - but having one shouldn't involve taking a bite out of Indonesia's precious rainforests. We're asking Nestlé to give rainforests and orang-utans a break and stop buying palm oil from destroyed forests.


Vídeo do Greenpeace, em protesto à Nestlé que compra óleo de Palma de empresas que estão destruindo as florestas tropicais na Indonésia e acabando com a população nativa de orangotangos. Fazem testes em animais!
Fonte

Chocolate Nestlé mata orangotangos na Indonésia

O que os orangotangos da Indonésia têm a ver com o chocolate que você come? Tudo! Enquanto uma das maiores empresas do setor, a Nestlé, continuar comprando óleo de dendê fruto de devastação de floresta nativa no país, o seu inofensivo chocolate continuará a matar estes animais indonésios. Pela Europa, protestos do Greenpeace pedem à empresa que pare de comprar o óleo de dendê extraído da região.
Florestas tropicais e de turfa, nativas da Indonésia, vão ao chão para ceder lugar à plantação de dendezeiras, de onde é extraído o óleo usado na produção do chocolate. Empresas como a Sinar Mas são responsáveis por esta devastação, que atinge em cheio o habitat do orangotango, além de agravar o aquecimento global.
Em recente relatório (em inglês), o Greenpeace denuncia esta prática e faz um apelo à Nestlé para que pare de comprar o óleo da Sinar Mas, ou qualquer outra que patrocine este crime. A campanha acontece na Alemanha, Holanda e Inglaterra, onde ativistas vestidos de orangotango protestam em frente à fábrica da Nestlé.
Saiba mais sobre o assunto em nosso site, assine a ciberação e Compartilhe 
O vídeo da campanha internacional foi retirado do ar pelo setor jurídico da Nestlé. Assista à versão brasileira, antes que ela sofra qualquer censura:

Nestlé: censura é coisa do passado!

Sim, nós sabíamos que a Nestlé não ficaria muito contente com a nossa campanhapara expor os impactos que o uso de dendê em diversos produtos da empresa tem para as florestas tropicais. Mas, estamos apenas tentando chamar a atenção da Nestlé para o fato de que o dendê usado na fabricação de muitos chocolates, como o KitKat, é produzido de forma insustentável, às custas do desmatamento das florestas que são também o lar dos orangotangos na Indonésia.
Quando em declaração vocês disseram que compartilham a ‘preocupação profunda sobre os sérios problemas ambientais que ameaçam as florestas tropicais e de turfa no Sudeste Asiático causados pelo cultivo de dendê’, bem… nós tivemos nossas reservas.
Por uma coisa: embora vocês tenham anunciado que não compram mais dendê diretamente da Sinar Mas (a empresa fornecedora de óleo de dendê proveniente de desmatamento na Indonésia), vocês não assumiram o mesmo tipo de compromisso sobre a compra de outros fornecedores, como a Cargill, que compra óleo de dendê da Sinar Mas para revender. Agora, se vocês estão comprando a mesma coisa, só que de um intermediário, não podemos considerar isso como um grande progresso, não é mesmo? E começamos a imaginar se vocês realmente se importam com o assunto da maneira que vocês declaram que sim…
Mas, acho que o que realmente nos fez imaginar se vocês realmente se importam foi quando o vídeo da nossa campanha foi retirado do youtube, com a alegação de ‘violação de direitos autorais’.  Bom, não é preciso ser um advogado para saber quando aplicar termos como ‘paródia’ e ‘uso justo’.
Mas, pensando bem, não achamos que vocês se importam tanto com a questão de ‘direitos autorais’.  Nós achamos que vocês simplesmente queriam impedir as pessoas de ver o vídeo! E isso é patético. Sinceramente: censura é coisa do passado.
O que vocês não sabem é que nós recebemos muitas ofertas para divulgar nosso vídeo em outros lugares e que sua iniciativa (de retirar nosso vídeo da internet) só gerou mais interesse pela questão do desmatamento das florestas tropicais na Indonésia para a produção de dendê na blogosfera e no twitter.
Censurar denúncias não parece ser uma iniciativa muito inteligente, mas quem somos nós!…
Se você ainda não pediu para a Nestlé parar de comprar de empresas que desmatam a floresta indonésia, clique aqui e assine nossa ciberação.

Relacionado: Nestlé ajuda a destruir as florestas tropicais da Indonésia.






publicado por Maluvfx às 16:07
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Quinta-feira, 18 de Março de 2010
Veganismo, meio ambiente e sustentabilidade
Você poderia primeiramente falar um pouco de si? (Cidade de origem, formação acadêmica, área de atuação, como conheceu o Veganismo, etc.).
Nasci em Florianópolis, em 1981. Atualmente curso mestrado em Ética e Filosofia Política na UFSC. Meu tema de dissertação, orientado pela Profª Drª Sônia T. Felipe, é o seguinte: "Deveres Humanos e Direitos Animais: Análise Crítica Comparativa das Propostas Éticas em Defesa dos Animais Não-humanos de Peter Singer e Gary L. Francione". Minha formação acadêmica é na área das artes; formei-me em Licenciatura em Música pela UDESC, em 2004. Atualmente trabalho como Professor de música e presto uma colaboração voluntária escrevendo artigos sobre Ética animal para a revista eletrônica Pensata Animal (www.sentiens.net), que é um site comprometido com a proposta dos Direitos Animais, portanto, que defende a abolição de todas as práticas humanas que utilizem os animais não-humanos como se fossem meros meios para fins humanos. Conheci a idéia do veganismo lendo as obras de filósofos como Peter Singer, Sônia T. Felipe e Tom Regan.





Como surgiu a idéia do site? Que projetos sociais ele apóia /desenvolve?
O site surgiu a partir da idéia de proporcionar para o público, em língua portuguesa e de maneira gratuita, a discussão que acontece há mais de três décadas em todo o mundo, principalmente no campo da ética aplicada e também na área do direito e da educação, sobre o status moral dos animais não-humanos. A idéia é que as pessoas tenham acesso aos argumentos filosóficos que questionam a moralidade vigente, esta que só considera dignos de respeito moral os indivíduos nascidos com a configuração biológica da espécie Homo sapiens. Desde o ano passado, o site vem então publicando artigos de filósofos, juristas e educadores sobre essa questão. Além deste projeto, que é o objetivo principal do site, Maurício Varallo, o editor-chefe da Pensata Animal, lançou a campanha "Chumbinho Não!", que reivindica a proibição da venda do veneno conhecido como aldicarbe, que há décadas vêm causando intoxicação e mortes tanto de indívíduos de outras espécies, quanto de humanos, e que já é proibido em alguns países, como a Alemanha, por exemplo.



O que significa ser vegano, na sua opinião?
Ser vegano é uma conseqüência lógica de se reconhecer que não há uma justificativa ética (universal, geral e imparcial) para se escravizar e matar indivíduos que nasceram com o formato biológico de outras espécies simplesmente pelo fato deles não terem nascido com a configuração da nossa espécie. Tal escravidão é fundada no preconceito de aparências conhecido como especismo, que, segundo o criador do termo, o filósofo e psicólogo Sir Richard D. Ryder, é um preconceito análogo ao racismo e ao sexismo: aponta-se características no corpo do outro (que não são relevantes para se ter interesse em desfrutar da sua vida psicológica da melhor maneira possível), para se tentar "justificar" usá-lo como um mero meio para se chegar a um fim, com total desconsideração pelos seus interesses mais básicos, como não morrer e não sofrer. O especista, assim como o racista, por exemplo, culpa a sua vítima por esta não ter nascido com a aparência que lhe agrada, e usa isso como desculpa para causar violência ao corpo do outro. Quando é colocada a pergunta: "o que torna errado escravizar e/ou matar seres humanos e não torna errado fazer o mesmo com outros animais?" , muitas pessoas, para fugirem da acusação de especismo, apontam que o que torna os humanos dignos de respeito não é nosso formato de corpo mas o fato de possuirmos a posse plena da razão. Porém, ao fazerem isso, esquecem daqueles humanos que estão impedidos temporariamente ou permanentemente de fazer uso da razão (como bebês, idosos senis, comatosos ou aqueles com graves doenças mentais, por exemplo). Ninguém diria que é correto fazer uso deles como se fossem nossas "mercadorias" ou "modelos de testes" só porque eles carecem de uma capacidade que lhes impede de serem responsáveis por suas ações, mas não os impede de sofrer o malefício das nossas ações. Bom, se não é correto fazer uso desses humanos que carecem da posse plena razão, então não podemos apontar a falta racionalidade nos animais como desculpa para usar estes. Ser vegano é uma conseqüência lógica de entender esse e outros argumentos que apontam para a nossa incoerência moral, incoerência esta que todo ser racional deveria evitar de praticar.





Há quanto tempo existe o movimento? Que grupos existem na região?
O movimento de Libertação Animal, que reivindica uma revisão do status moral dos animais não-humanos buscando livrá-los da dor e sofrimento imposta por nós teve seu início a partir da publicação da obra Libertação Animal, do filósofo australiano Peter Singer. O movimento pelos Direitos Animais inicia alguns anos mais tarde, e tal como proposto pelo filósofo norte-americano Tom Regan (The Case for Animal Rights, 1985) e continuado pelo filósofo e jurista Gary L. Francione, reivindica a abolição (e não meramente uma regulamentação para que sofram "menos") de todas as práticas que escravizam os animais (e causam-lhes dano e morte, por exemplo) e que os rebaixa ao status de mero item de propriedade, meras "coisas" que servem aos interesses humanos. Assim, o movimento pelos Direitos Animais segue a mesma lógica de outros movimentos por justiça social, como o que reivindicou a abolição da escravidão dos africanos e afro-descendentes e o que reivindicou o fim da opressão sobre a mulher. Na região da grande Florianópolis, existe atualmente lutando pelos Direitos Animais o grupo CPDA (Comitê para Pesquisa, Divulgação e Defesa dos Direitos Animais) e o GAE (Grupo pela Abolição do Especismo), que conta com um grupo também em Porto Alegre (www.gaepoa.org).





Como os vegetarianos encaram os veganos? Existe um respeito mútuo?
Toda crítica deve ser feita apenas a atos e idéias, e não a pessoas inteiras. O veganismo é única posição coerente quando se reconhece que aos animais é devido o respeito, mas isso não significa que alguém vegano não erra em muitas de suas outras ações. O que deve ser criticado é o ato: apontar os argumentos do por que é errado consumir carne, leite, ovos ou outro produto que provenha da escravidão animal. Deve-se ter em mente que alguém que participa (muitas vezes por não conhecer esses argumentos) da exploração animal, pode ser uma pessoa que faz milhares de outras coisas boas e respeitosas, e está errando com relação a este ato específico de contribuir com a escravidão animal. Mantendo essa idéia de que todos nós erramos muitas vezes; assumindo os erros que cometemos; e criticando os atos e idéias, e não as pessoas inteiras, podemos garantir o respeito mútuo não só entre veganos e vegetarianos, mas entre todas as pessoas que venham debater conosco sobre qualquer assunto. A incoerência que os veganos apontam, com relação ao vegetarianismo, é que não há diferença moral entre consumir carne e consumir outros produtos de origem animal como leite e ovos. Os animais usados na produção de leite e ovos provavelmente sofrem uma agonia ainda pior do que aqueles destinados ao abate, e com certeza, como são vistos como meras máquinas de converter ração em produtos, terminarão seus dias num abatedouro também, quando pararem de produzir. Isso sem contar que a indústria de vitela (que são os bezerros recém-nascidos) - uma das que envolve os piores graus de inflição de dor e sofrimento - é um sub-produto da indústria leiteira, e jamais cessará enquanto houver a primeira.





Existe algum embasamento científico em que os adeptos se apóiem para refutar alimentos derivados de animais ou esta questão seria estritamente a favor do meio ambiente?
A crítica ao consumo de produtos de origem animal é de ordem ética, não científica. Isso não significa que não seja uma questão objetiva, como na ciência. A ética, por também estar fundada na razão, dá ferramentas para que possamos analisar se os atos podem ou não ser justificáveis, de um ponto de vista universal (no sentido em que seus argumentos apresentem uma consistência lógica, e, por isso, qualquer ser racional possa compreendê-los e aceitá-los - por exemplo, as premissas das quais ele parte precisam ser verdadeiras e a conclusão precisa derivar logicamente delas), geral (que é um apelo à coerência do agente moral: se trato casos semelhantes de forma diferente, devo dar uma explicação do por que enquadrei este caso num princípio diferente; não conseguindo mostrar a diferença relevante que justifique tratamento diferente, devo usar o mesmo princípio) e imparcial (onde não se discrimine nenhum indivíduo devido a características que não são relevantes para o assunto do qual está se tratando; por exemplo, a espécie biológica na qual se nasce não interfere em se ter um interesse em viver, portanto não pode ser usada para justificar tirar a vida do outro). Além disso, o principio ético precisa sempre apontar o benefício para aquele que sofrerá a nossa ação, além de ser algo que estejamos preparados a agir com base nele, e exigir que os outros ajam da mesma maneira quando formos os pacientes das ações destes. Com isso, já estão excluídos de serem éticos todos aqueles princípios que visem apenas interesses pessoais ou de grupos específicos. Um exemplo de aplicação a um caso prático do raciocínio ético (como descrito nessa questão) é a resposta da questão número 3. Apenas para esclarecer um ponto: como respondido anteriormente, os Direitos Animais são fundados no respeito por cada indivíduo (cada animal, não-humano ou humano, possui valor inerente) e não com relação à espécie ou ao meio ambiente como um todo. Então, o veganismo parte de uma questão de consideração moral pelos indivíduos, sem fazer discriminação de espécie, e não com relação ao meio ambiente (porém, a consideração pelo meio-ambiente não é jogada fora, ela está embutida indiretamente).





Que questões ambientais os veganos apóiam? Existe alguma em específico aqui na nossa região?
Não apenas todo vegano, mas todo ser que sabe que suas ações causam um dano à natureza deveriam apoiar causas que visem preservar esta. Porém, as pessoas devem saber diferenciar as medidas que visam preservar a natureza para tornar possível uma exploração mais eficiente e lucrativa dela mais tarde - e além disso, causar dano a todos os animais que ali vivem, por exemplo - das que visam realmente preservar a natureza pelo seu valor inerente, que é logicamente independente da utilidade que ela possa ter para nós. As questões ambientais e de defesa animal que os veganos apóiam são as mesmas que qualquer outra pessoa deveria apoiar, então, penso que, apesar de Florianópolis possuir suas práticas danosas aos animais e ao meio ambiente específicas, elas seguem a regra que está presente em todo lugar: escravidão de animais para consumo, experimentos, entretenimento, vestimenta, tração, degradação ambiental feita por empresas e por nós enquanto indivíduos que consumimos. Precisamos então repensar o que consumimos e educar as pessoas, com argumentos consistentes, para que possam refletir elas mesmas sobre essas questões.



De que forma se propaga a filosofia vegana?
Através do raciocínio ético. Tudo o que queremos é que as pessoas pensem sobre os preconceitos que herdaram há milênios e entendam que seres que se dizem racionais não podem adotar preconceitos irracionais como princípios de conduta, ainda mais quando o cultivo desses preconceitos representa um dano enorme para os que serão atingidos por nossas ações. Porém, nós, defensores dos Direitos Animais, queremos que as pessoas pensem, então daí a necessidade de se apresentar os argumentos para as pessoas, inclusive os argumentos daqueles que defendem o uso de animais, e suas respectivas refutações pelos filósofos abolicionistas. Desta maneira, é possível não apenas propagar o veganismo, mas dar também para as pessoas, a possibilidade da compreensão sobre onde está o erro com o uso de animais. Assim, o movimento tem buscado perguntar para as pessoas, através da educação informal, (como por exemplo panfletos e internet, ou mesmo conversando com amigos) questões como "o que torna errado escravizar os humanos e certo escravizar não-humanos?" e apontando que qualquer resposta que se dê para tentar excluir todos os animais, vai sempre excluir muitos humanos, e toda resposta que se dê para incluir todos os humanos vai sempre incluir os animais também (ver, por exemplo, a questão número 3).



Como o veganismo pode ajudar a preservação do meio-ambiente?
A indústria da fabricação de animais para consumo (carnes, leites, ovos entre outras coisas) é uma das mais degradantes do ponto de vista ambiental. Não contribuir para isso e educar os outros para que não contribuam tem grandes chances de representar uma ajuda para preservar o meio-ambiente. Talvez, seja a ajuda mais importante que possamos dar agora, pois, com o risco que corre o planeta, e com o tamanho da dor e morte de bilhões de indivíduos que é causada por esse tipo de exploração, estaremos - ao nos tornarmos veganos - tanto respeitando os animais quanto tentando preservar a natureza.



Na sua opinião, qual é a importância da sustentabilidade para o futuro do planeta?
Ela é importante porque diminui drasticamente o impacto ambiental. No entanto, pode acontecer que uma política de sustentabilidade seja exemplar em evitar danos ao meio ambiente, mas esteja embasada numa visão que não respeite o valor inerente dos indivíduos animais (numa visão especista). Por exemplo, é possível que exista uma produção de animais para consumo, que seja altamente sustentável e cause o mínimo de impacto ambiental, e que anestesie os animais antes de abatê-los. Essa proposta, apesar de sustentável e estar de acordo com as normas de bem-estar animal não estaria sendo coerente com o princípio do respeito (que prescreve agir respeitando o valor inerente do outro indivíduo, não usando-lhe como se fosse uma mera coisa, ainda que esse dano possa representar um ganho para outros indivíduos) que é o principio da filosofia dos Direitos Animais. No exemplo fictício que dei, os animais ainda estão sendo vistos como meros meios para fins (banais, diga-se de passagem) humanos, sofrendo, entre outras coisas, o dano da morte. Agora, juntar uma produção de alimentos veganos com estratégias que visem causar o mínimo de impacto ambiental seria o ideal.




Entrevista com Luciano Carlos Cunha, ativista pelos direitos animais, sobre veganismo, meio-ambiente e sustentabilidade, concedida por e-mail ao repórter Aelton Antunes, do jornal Diário da Cidade de Balneário Camboriú/SC, em 07 de Junho de 2008.


publicado por Maluvfx às 19:01
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Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010
Glaciares dos Himalaias: Greenpeace exige demissão de responsável da ONU
John Sauven, director do Greenpeace no Reino Unido, exigiu a demissão de Rajendra Pachauri da presidência do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU, por causa das previsões erradas sobre o fim próximo dos glaciares dos Himalaias.

O dirigente ambientalista afirmou ao diário britânico "The Times" que o IPCC precisa de um novo presidente que recupere a credibilidade da instituição, cujos relatórios dão suporte científico às actuais negociações climáticas.

O Greenpeace tem sido um dos mais fortes aliados de Rajendra Pachauri no movimento ambientalista mundial.

O IPCC reconheceu há duas semanas que tinha errado ao assumir no seu último relatório que os glaciares dos Himalaias poderiam desaparecer em 2035, com base em afirmações especulativas e um estudo de um cientista indiano da Universidade de Jawaharlal Neru (Nova Deli).

Os glaciares dos Himalaias são a maior concentração de gelo da Terra depois da Antártida e do Árctico, e fornecem mais de metade da água potável a 40% da população mundial, através de sete grandes rios asiáticos.

O vice-presidente do IPCC, Jean-Pascal van Ypersele, já pediu desculpas públicas pelo sucedido e Rajendra Pachauri reconheceu que as previsões sobre os glaciares eram "um caso de erro humano", mas considerou um pedido de desculpas pessoal como uma atitude "populista", segundo o jornal britânico "The Daily Telegraph".

O cientista indiano e Nobel da Paz de 2007 com Al Gore, acrescentou que este erro "não altera a conclusão de que os glaciares estão a derreter" devido ao impacto do aquecimento global. E sublinhou que não tencionava demitir-se.

Fonte: Planeta Vegetariano
 Aeiou


publicado por Maluvfx às 15:00
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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010
O que o mundo come


O fotógrafo Peter Manzel lançou um livro chamado What The World Eats(O Que O Mundo Come) alguns anos atrás. As imagens exploram a quantidade e o tipo de comida ingerida por 25 famílias durante uma semana. Quanto mais afluente a sociedade, mais comida, embalagens e industrialização, o que resulta em maior impacto ambiental. Uma das fotos mostra uma família que parece peruana. Toda a comida é a base de plantas (vegana) e nada parece ter sido processado. Eu não conheço bem essa cultura, mas se algum leitor tiver mais informação a respeito, adoraria aprender mais.








Fonte: 




publicado por Maluvfx às 21:29
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Domingo, 7 de Fevereiro de 2010
Homem Árvore – Vestir consciente

Pensando na sustentabilidade do planeta e no consumo consciente, a marca Homem-Árvore utiliza tecido de fibra de bambu, resinas especiais livres de PVC, pigmento orgânico e resíduos do próprio processo, para desenvolver ativismo visual e t-shirt´s ecologicamente conscientes. Conheça uma nova forma de pensar moda. Segundo o fabricante, não há envolvimento de materiais de origem animal em nenhuma fase da produção.
Fonte:  Vista-se ·


publicado por Maluvfx às 14:42
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Domingo, 24 de Janeiro de 2010
Criação intensiva de gado desmata e causa poluição na água e no ar
O grande motor da destruição da floresta é a carne bovina. Segundo especialistas, para destruir a floresta basta almoçar. João Meirelles do Instituto Peabiru afirma: "Na hora em que o garfo bate na boca, você está destruindo a floresta. De cada três bifes consumidos um vem da Amazônia e quem os consome são tanto os moradores da região (cerca de 10%) como os brasileiros de outras regiões (cerca de 80%)". A substituição das florestas por pastos contribui ainda para o aquecimento global.


Um estudo feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostra que o desmatamento segue a flutuação do mercado de commodities, especialmente carne e soja. A queda do preço nos últimos anos teria ajudado a controlar a derrubada nos últimos três anos. Da mesma forma, a recuperação do mercado teria impulsionado a retomada do desmate.


O avanço do desmatamento na Amazônia segue uma lógica. Segundo Tatiana de Carvalho a pecuária vai na frente, coloca um, dois bois a cada dois hectares e, uma vez que a propriedade é estabelecida, o seu dono já vende a posse para um agricultor. Têm-se aí o ciclo do desmatamento.


Na opinião do biólogo Sérgio Greif, a carne é responsável por grande impacto ambiental. Segundo ele, “áreas naturais (florestas, matas, cerrados, campinas etc.) precisam ser devastadas para a abertura de pastos. Muitas pessoas associam a devastação nas florestas tropicais ao corte de madeira. Na verdade, a contribuição das madeireiras para essa devastação nem se compara à devastação causada pela pecuária, pois as madeireiras selecionam apenas as árvores que interessam para o corte. Já o pecuarista precisa se livrar das árvores indiscriminadamente”, diz ele.


Segundo Greif, “a pecuária sequer é sustentável nesses pastos, pois o gado, com o pisoteio, acaba compactando o solo, impedindo o rebrotamento de plantas e a lixiviação da água. Dessa forma, o solo sofre processos erosivos, o lençol freático deixa de receber importantes contribuições de água, e o solo da superfície acaba sendo arrastados para os corpos hídricos, o que ocasiona em perda de fertilidade e contaminação de águas superficiais. Os pastos abertos logo são abandonados e se transformam em desertos, já que muitas vezes o grau de comprometimento é tal que nem mesmo as florestas conseguem se reestabelecer na área”.


Há ainda um outro problema, destaca o biólogo: “A pecuária, quando intensiva, também traz o problema da contaminação por fezes e urina de animais. É que os animais presos sempre fazem suas necessidades no mesmo lugar. Isso contamina o solo e as águas próximas. Esses dejetos raramente são tratados porque implicam em gastos na produção. Outro fator relacionado à poluição é com a geração de gases. Especialmente os ruminantes têm em seu processo digestivo a geração de diversos gases que são expelidos do corpo através da flatulência e da eructação. Esses gases (óxido nítrico, metano etc.) contribuem com o efeito estufa”.


Outro fator ambiental relacionado à pecuária, destaca Sérgio Greif, diz respeito ao consumo de água. Cada cabeça de gado consome 50 litros de água por dia. Apenas o processo de abate de um bovino consome mais de 1200 litros de água de uma vez.


“O nosso consumo de carne é um risco para a estabilidade do clima”, afirma Jeremy Rifkin. Segundo ele, “a primeira causa do incremento humano do efeito estufa é devida ao setor das construções, isto é, casas e escritórios. A terceira são os transportes. Sabe qual é a segunda? O complexo da produção necessária para sustentar aquela gigantesca máquina poluente constituída pela pecuária: os nossos consumos de carne são o segundo fator de risco para a estabilidade do clima”, afirma.


Segundo Rifkin, 24% da superfície terrestre é ocupada por bovinos que contribuem para o acelerado desmatamento e consome uma quantidade de cereais suficiente para matar a fome de centenas de milhões de pessoas”. O pesquisador americano destaca que “no decurso da própria vida, o americano médio come sete novilhos de seiscentos quilos. Chegou agora o momento de reconsiderar o estilo alimentar”.


A produção de um único quilo de carne bovina demanda o gasto de 15 quilos de grãos e 30 quilos de forragem. Por último, mas não menos importante, há a questão da flatulência. O principal gás expelido pelos extensos rebanhos mundiais é o metano — um dos principais responsáveis pelo efeito estufa.


No caso das pastagens, enquanto o lucro anual com um boi é de R$ 100,00 o valor do carbono emitido para o pasto crescer chega aos US$ 4.800,00, afirma o economista Carlos Eduardo Young. Segundo ele, “no debate sobre o futuro da floresta, boa parte dos atores insiste em repetir antigas falas, como a necessidade de desmatar para garantir o ‘progresso’ ou negar a realidade dos números do desmatamento. Mas existem idéias novas que podem construir o tão necessário consenso. A mais importante delas é dar valor à floresta conservada (‘em pé’) como forma alternativa ao padrão tradicional de ocupação pelo desmatamento. O conceito é simples: se o valor dos serviços ambientais gerados pela floresta for maior do que o lucro obtido com a extração predatória da madeira e com a pastagem ou cultivo implementados em seu lugar, então, economicamente, seria ilógico desmatar!”.





Consumo como ato político


Os hábitos alimentares modernos — calcados numa dieta muito rica em carne vermelha — têm um impacto significativo no aquecimento do planeta. É o que revela um estudo realizado por especialistas da Agência de Impacto Ambiental da Holanda. O estudo afirma que se a população mundial passar a seguir uma dieta pobre em carne vermelha – a chamada dieta do clima – definida como 70 gramas de carne bovina e 325 gramas de frango e ovos por semana – cerca de 15 milhões de quilômetros quadrados de área ocupada pela criação de animais seria liberada para vegetação. As emissões de gases do efeito estufa seriam reduzidas em 10% com a queda do número de animais. Juntos, esses impactos reduziriam em 50% os custos do combate às mudanças climáticas em 2050.


Segundo a bióloga e cientista ambiental holandesa Elke Stehfest a adoção da dieta do clima significa que “para muitos países desenvolvidos, isso significaria reduzir seu consumo de carne para 2/3. Para alguns países africanos isso na verdade significaria um crescimento comparado com a referência”.


Nesta perspectiva crescem em todo o mundo campanhas que pregam o consumo sustentável, ou ainda o consumo ético. Muitos das campanhas estimulam o consumo como ato político e as pessoas a adotarem um comportamento ecologicamente correto.


Segundo a socióloga Lisa Gunn, uma pessoa ecologicamente correta é “aquela que faz uma reflexão sobre os seus hábitos de consumo para realmente minimizar os impactos sociais e ambientais negativos”. A socióloga destaca que “isso não é fácil. A reflexão deve ser feita partindo do princípio da redução. Hoje, grande parte da população ainda sofre restrição de acesso a produtos e serviços, mas, atendidas as necessidades básicas, é preciso haver uma profunda mudança nos hábitos de consumo para de fato minimizar o impacto que existe”.


Lisa Gunn, comenta que “é preciso deixar de ter uma postura passiva e cobrar das empresas das quais está acostumado a consumir justamente essas informações socioambientais do processo produtivos e também do pré-consumo e pós-consumo, assim como exigir dos governantes uma atitude a favor de políticas públicas que incentivem o desenvolvimento dessas atitudes sustentáveis”.


O vegetarianismo como concepção de vida, e de forma ainda mais radical, o veganismo (abstensão total de carne animal assim como de produtos derivados de animais, como ovos e queijo) deve ser contextualizado nessa perspectiva. Na opinião de Marly Winckler em entrevista especial para a revista IHU On-Line n. 191 (arquivo pdf) “o vegetarianismo é um regime alimentar. Ele tem a ver, primordialmente, com comida, mas cada vez mais se torna uma postura ética e filosófica diante da vida. Ele se volta um impacto positivo sobre o meio ambiente, porque a dieta baseada na carne tem um impacto muito Negativo”. Winckler, destaca ainda que “por sua vez, há também a questão dos animais em si, a postura ética de não aprovar tantos maus tratos com eles”.


Para muitos, o consumo de carne não é apenas um problema para o aquecimento global, mas também um ato desumano. Aproximadamente 50 bilhões de animais terrestres são mortos a cada ano para servirem de alimento aos seres humanos. No Brasil são cinco bilhões. Trata-se de uma morte organizada.


O filósofo e professor de bioética Peter Singer comenta que muitos animais são submetidos a severos sofrimentos e cita, entre muitos casos, a criação de terneiros nos EUA – criados toda a sua vida em confinamento, “em estábulos onde não podem dar a volta, deitar-se ou estirar suas extremidades. Estes métodos servem essencialmente para economizar trabalho, porque facilitam o manejo dos animais e permitem às granjas que têm milhares ou dezenas de milhares de animais contratar um número reduzido de trabalhadores menos qualificados. Também impedem que os animais desperdicem energia movendo-se e brigando”.


Segundo ele, as nossas escolhas alimentares importam. “Ser vegetariano, afirma, evita participação em práticas cruéis com animais e também geralmente tem um impacto menor no ambiente do que comer carne ou outro produto animal”.


Não faz muito tempo, a Europa chocou-se com a doença da Vaca Louca, não apenas porque destruiu a imagem da carne bovina como um alimento saudável e seguro mas também porque se soube que a causa da doença era alimentar o gado com cérebro e tecidos nervosos de carneiros. s pessoas que acreditavam ingenuamente que o gado comesse capim descobriram que o gado de corte pode comer qualquer coisa, desde milho a ração de peixe, dejetos de galinhas (com excrementos e tudo), além de lixo de abatedouros.


O filósofo Tom Regan, defende o vegetarianismo e mesmo o veganismo como uma atitude moral. Segundo ele, “os animais não possuem claramente todos os direitos que nós humanos possuímos. Por exemplo, o direito ao voto e à liberdade de crença religiosa: não faz sentido atribuir esses direitos a eles. Quando se trata de nossos direitos fundamentais, no entanto – direitos à liberdade, integridade física, e à vida – temos razão para acreditar que outros animais têm esses direitos. Por quê? A resposta mais simples, acho, apela para nossas semelhanças fundamentais, nossa igualdade moral. Considere os animais que a indústria transforma em comida, em roupa, em entretenimento, em competidores, em ferramentas".


"Esses animais, continua ele, são como nós não apenas porque estejam no mundo e cientes do mundo; mais que isso, o que acontece a eles faz diferença na qualidade e na duração de suas vidas, assim como é conosco. Nós e eles somos alguém e não alguma coisa. Nós e eles temos uma biografia, não simplesmente uma biologia. O reconhecimento dos direitos dos animais é só uma extensão lógica do reconhecimento dos direitos humanos”.


Tom Regan é um forte critico do especiecismo. Para ele, o especiemo “é análogo a outros preconceitos morais. Racismo, por exemplo. Racistas pensam que membros de sua raça são superiores aos membros de todas as outras raças apenas porque eles (mas não outros) pertencem à raça superior. Especiecistas pensam que membros de nossa espécie são superiores a todas as outras espécies apenas porque nós (mas não outros) pertencemos à raça superior. Entretanto, assim como não há raça superior, não há também nenhuma espécie superior. A crença do especiecista não é menos preconceito que a crença do racista”.


O vegetarianismo encontra apoio nas religiões milenares comenta ainda Tom Regan. Segundo o filósofo “o vegetarianismo é a dieta escolhida pelos praticantes de algumas das maiores religiões mundiais, incluindo o hinduísmo, jainismo, budismo e algumas linhas do judaísmo. Também foi praticado por várias das grandes figuras do passado, como, por exemplo, Ovídio, Horácio, Virgílio, Pitágoras e Maimônides. As pessoas pensam que só excêntricos irracionais e desinformados são vegetarianos, mas a história ensina uma lição bem diferente”.


Mahatma Gandhi, destaca o filósofo foi para ele uma grande influência: “Foi por meio de seus escritos que aprendi pela primeira vez que comer carne não era necessário (para minha vida ou minha saúde, por exemplo) e que os animais em fazendas eram submetidos a uma grande violência, antes e durante seu abatimento. Não quero ter seu sangue em minhas mãos”.


Há inclusive quem sustente que o cardápio da Última Ceia foi vegetariano. Supõe-se que os convidados para a Última Ceia tenham comido um cardápio composto, na essência e como manda a tradição, por cordeiro assado, acompanhado de ervas amargas, pão ázimo e vinho. Mas, depois de um estudo minucioso da obra, parece que o cardápio é muito mais vegetariano, segundo se depreende de um relatório publicado pela revista Gastronómica.


Em um país de cultura carnívora, os elementos descritos anteriormente são de difícil compreensão e muitos consideram inclusive uma besteira este tipo de debate. Tem-se dificuldade de articular os conteúdos da crise climática, com o desmatamento, o desperdício de água e até mesmo os direitos dos animais.


É disseminado entre nós o hábito de comer carne, até mesmo cultural poder-se-ia afirmar. Como destaca Marly Winckler até o presidente Lula transformou a Granja do Torto em uma churrascaria. “Ele fez uma reforma enorme para ficar mais adequada ao consumo de carne”, diz. Basta atentar-se aos projetos de engenharia de construção de imóveis, a churrasqueira não pode faltar.


“Quem não quiser mudar, continue. Mas eu penso que quem diz querer um mundo melhor, tem que construí-lo. Esse mundo que temos é fruto da nossa ação. Ele não caiu do céu por descuido, e nós não estamos sujeitos a ele sem fazer nada. Quem quer um mundo melhor também é obrigado eticamente a promover mudanças nas suas atitudes. Essa (o vegetarianismo) é uma delas. Não tenho a menor dúvida de que não poderemos avançar muito como humanidade se não mudarmos a nossa dieta”, afirma Marly Winckler.


O biólogo Sérgio Greif insiste que apenas uma adoção em massa do vegetarianismo pode ser a solução para o conjunto dos problemas descritos anteriormente. Segundo ele, “O problema não deve se resumir à diminuição do consumo de carne, até porque a carne é apenas um dos problemas relacionados à pecuária. A população do mundo deve ser educada a se abster do consumo de todos os tipos de ingredientes de origem animal. A mensagem jamais deve ser para que as pessoas ‘comam menos carne’. A educação fornecida deve ser completa, de que as pessoas de fato se abstenham de produtos de origem animal”.


O ambientalista e coordenador do Portal EcoDebate, Henrique Cortez faz uma crítica ao consumo ético. Segundo ele “o que hoje se convenciona chamar de consumo ético deve ser encarado como conservador em relação à manutenção do modelo consumista. Assim posso consumir irrestritamente, porque me justifico através do consumo ético. É uma forma de ‘indulgência’ ao ‘pecado’ do consumo”, diz ele.


Em sua opinião, “o consumo ético só será transformador se ele questionar o modelo consumista, assumindo sua dimensão coletiva e política em relação ao modelo econômico, às formas de produção e ao sistema político de sustentação. É necessário questionar a quem serve este modelo e a quem beneficia”.


Algo semelhante afirma Isleide Arruda para quem o consumo ético como ato político “significa um ato de compra (ou não compra) no qual estão implícitas as preocupações do processo de consumir com os impactos que isso possa causar ao ambiente econômico, social ou cultural”. Ou seja, continua ela, “ele está circunscrito ao fato de que o consumidor pensa e se preocupa com os efeitos que uma escolha de compra gera aos outros e ao mundo externo como, por exemplo, com o tratamento despendido aos trabalhadores envolvidos na produção de um determinado produto, ou com os impactos ambientais que certos produtos causam”. No entanto, alerta a professora, “ele só se torna um consumo ético, no sentido político, na medida em que se condensa em um coletivo”.




O novo movimento social


“O pequeno avião sobrevoa uma paisagem fascinante de pastagens verdes entremeadas por trechos de floresta, mas Wayne Lindbergh mantém o olho colado em seu laptop. Abaixo, onde um mapa na tela do computador indica que havia floresta no ano passado, o descampado marrom revela uma queimada recente. ‘Tudo isso é novo, deste ano’, diz o integrante do Greenpeace, com fones de ouvido na cabeça enquanto aponta para a tela mostrando os mais recentes dados de satélite sobre desmatamento. Em breve, a área será pasto para milhares de cabeças de gado criados nesta fazenda no Pará, num exemplo do desmatamento ilegal atribuído pelos ambientalistas a pecuaristas”.


O relato acima é do jornalista Stuart Grudgings e descreve uma incursão do Greenpeace no Pará, região da Amazônia Legal, para averiguar novos focos de desmatamento. Aliando altíssima tecnologia, ações diretas, interlocução junto a empresas e governos, com forte apoio na sociedade e financiamento da sociedade, as organizações ambientalistas inserem-se no que se poderia denominar de novo movimento social, ou seja, organizações antenadas a novas questões sociais.


Segundo Marcelo Leite, “desde pelo menos a fundação da organização SOS Mata Atlântica, em 1986, o melhor do movimento ambientalista brasileiro busca um pacto firme e duradouro com a ciência. Os resultados estão aí, conhecidos e citados por todos”. Ele destaca que “os primeiros dados confiáveis sobre a destruição da floresta chuvosa que cobria a costa alcançada pelos portugueses em 1500 nasceram, em 1989, da parceria entre a SOS e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). A parceria tinha por objeto usar imagens de satélite na composição de um atlas dos remanescentes florestais, como se começava a aplicar na época para a Amazônia. Assim se revelou que apenas 7% da mata atlântica sobreviveram. A única floresta que a maioria dos brasileiros conheceu e conhece está desaparecendo”.


O pesquisador destaca também o surgimento do ISA (Instituto Socioambiental), que até hoje publica, “a cada cinco anos, o indispensável volume Povos Indígenas no Brasil. Toda a cartografia agora é digital, o que habilita o ISA a fazer estudos detalhados inéditos, por exemplo sobre superposição de terras indígenas e unidades de conservação”.


De acordo com Marcelo Leite, “o caso da Amazônia, sempre o bioma mais controverso, impuseram-se no debate público ONGs como o Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e o Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia). Ambas com sede em Belém, estão na vanguarda desse tipo inovador de ONG, dedicada a cavar, sistematizar e divulgar dados socioambientais que nem o governo detém”.


Os movimentos e organizações sociais tributárias da sociedade industrial, principalmente o movimento sindical e os partidos, bem como alguns movimentos sociais urbanos e rurais, poderiam aprender algo com o movimento ambientalista. Embora, nos últimos anos a agenda ambiental tenha entrado com força nos debates dessas organizações, ainda há dificuldade de assimilação e elaboração de novas estratégias de ação.

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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
O que se come pelo mundo
As fotos aí em baixo são do fotógrafo Peter Menzel. A dica foi do fotógrafo Leopoldo Nunes, ex-companheiro do Jornal do Commercio.
“Hungry Planet: What the world eat” retrata costumes, curiosidades e a cultura da comida de vários países. Nestas imagens, ele mostra a comida consumida por uma família durante uma semana e o seu valor em dólares. Um verdadeiro trabalho antropológico.
O ensaio é muito bom e, estas imagens que coloco, são somente uma pequena parte de um material bem extenso. No site de Menzel pode-se conferir este ensaio e outros. Inclusive o famoso Material World, que mostra famílias e suas moradias (as famílias estão na frente da casa com os móveis). Bem legal.
Existe um slideshow no site da revista Time.
Alemanha: Família Melander de Bargteheide | 
Despesa com alimentação em 1 semana: $500.07 dólares
Estados Unidos da América: Família Revis da Carolina do Norte | 
Despesa com alimentação em 1 semana: $341.98 dólares
Italia: Família Manzo da Secília | 
Despesa com alimentação em 1 semana: $260.11 dólares
México: Família Casales de Cuernavaca | 
Despesa com alimentação em 1 semana: $189.09 dólares
Polônia: Família Sobczynscy de Konstancin-Jeziorna | 
Despesa com alimentação em 1 semana: $151.27 dólares
Egito: Família Ahmed do Cairo | 
Despesa com alimentação em 1 semana: $68.53 dólares
Equador: Família Ayme de Tingo | 
Despesa com alimentação em 1 semana: $31.55 dólares
Butão: Família Namgay da vila de Shingkhey | 
Despesa com alimentação em 1 semana: $5.03 dólares
Chade: Família Aboubakar do campo de refugiados de Breidjing |
 Despesa com alimentação por semana: $1.23 dólares



publicado por Maluvfx às 11:48
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