Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013
“Vermelho e Negro”
João Moura (cavaleiro)
A cabeça do "Ferrolho" na parede.
João Moura: Este cavalo foi o cavalo mais célebre que eu tive, e o que mais me ajudou na minha carreia, foi o "Ferrolho".

Mesa feita com as patas do "Ferrolho"
[Narração] Mas tem outras recordações do "Ferrolho", a cauda, a pele, e até das patas fez esta original mesa. Noutra sala tem mais trofeus.

Decoração de outra sala na casa de João Moura.
JM: São touros que toureei em Madrid, onde... cortei-lhe as orelhas que são os máximos trofeus e  que sai pela porta grande.

Jornalista: E matou-os?

JM: Sim, foram mortos em Madrid.

Jornalista:
 E porque é que guarda as cabeças?

JM:
 São... são touros importantes porque sair pela porta grande de Madrid é o sonho de qualquer toureiro.

[Narração] (..) para continuar com a tradição familiar conta agora com o filho de 14 anos.

João Moura Júnior:
  É uma grande responsabilidade...ser filho de uma... uma grande figura... do toureio mundial...é muito custoso... desde pequeno... que... gostei sempre de touros e cavalos, e o meu sonho é... ser toureiro. Estudar até... ao nono ano e... depois começar a tourear...

Jornalista:
 Mais do que o nono ano, não?

JMJ:
 Não...

[Narração] Sónia Matias não tinha na família ninguém ligado às touradas, apesar disso um dia foi ao campo pequeno e gostou tanto que decidiu ser toureira. Tinha 12 anos.

Jornalista:
 O que é que os seus pais disseram?

Sónia Matias (Toureira): 
Que eu não ‘tava bem da cabeça. É mesmo esta a expressão que eles me utilizaram(...)

[Narração]
 Mas apesar do ar feminino, Sónia garante que é tão capaz de tourear como qualquer homem, e conta que até já matou touros das três vezes que actuou a Espanha.

Manuel Gonçalves (Empresário Tauromáquico)
Manuel Gonçalves: Os toureiros é uma classe média/alta, em questão económica.

MG:
 Um toureiro pode ganhar até 10.000 contos por corrida. (...) São... são bem pagos.

[Narração] É o mais antigo empresário tauromáquico português (...) mas diz que os tempos já são como dantes.

MG:
 Neste momento é mais fácil perder 5.000 contos do que ganhar 500 contos. O público é o elemento essencial de qualquer espectáculo. (..) numa praça de touros de 10.000 lugares, estarem lá 1.000... não há ambiente, e o espectáculo morre um bocadinho por isso.

[Narração]
 Numa tourada os touros são os únicos que tudo perdem e nada ganham.

Hélder Queiroz (Forcados do Aposento da Moita)
[Narração] Diz que encara o touro na arena pelo espírito de aventura(...)
Nos grupos de forcados as mulheres também não são bem-vindas.


Hélder Queiroz: (...)Acho que o lugar das mulheres é ‘tarem ao nosso lado... noutro, noutro... separados, acompanharem-nos, ‘tarem connosco no jantar, nos apoiar-nos em casa, darem-nos força, e desejarem-nos sorte, acho que isso é o lugar principal da mulher para os forcados.(...)”

Os touros

[Narração] Sem eles não haveria forcados, nem toureiros, nem tourada, são os actores principais num espectáculo que para eles é sempre uma corrida para a morte.
[Narração] João Moura e o filho praticam quase diariamente com bezerras, esta tem cerca de um ano.
Antes de entrar na arena cortaram-lhe tanto os cornos que o animal não parou de sangrar, e o facto de ser apenas uma bezerra não a impediu de ser cravada com várias bandarilhas durante o treino.
As pessoas ligadas à tauromaquia ficam incomodadas quando se fala em crueldade contra os animais.


MG: “Minha senhora, minha senhora, minha senhora, o touro existe, só e exclusivamente para as touradas, é um animal que existe só para isto!”

Jornalista:
 Não acha que é um espectáculo cruel?

José Pedro Pires da Costa: 
Não, de maneira nenhuma.

Jornalista:
 Não acha que é cruel para com o touro?

JPPC:
 Claro que não!

Jornalista:
 Porquê?

JPPC: 
Porquê? Porque... porque... sei lá, é complicado agora estar a responder...

Jornalista:
 Gostas de animais?

JMJ:
 Gosto... cavalos, de toiros.

Jornalista:
 Achas que gostas de toiros?

JMJ:
 Gosto, gosto de toiros.

Jornalista:
 Mas estás disposto a andar a... a espetá-los. E eventualmente a matá-los.

JMJ: 
Pois, a matá-los também.

Jornalista:
 Achas que isso é maneira de gostar?

JMJ:
 Ah, não sei. Mas é a profissão, tem de ser assim.

Jornalista:
 Nunca teve pena de um toiro?

SM:
 Não [risos] Não, acho que não. [mp3]

Luís Rouxinol:
 O touro é... nasce com... com a finalidade em ser toureado.

João Moura:
 É um touro bravo que é criado só para ser toureado.

Hélder Queiroz:
 Os touros não sofrem naquela altura, podem sofrer mais tarde...

Jornalista:
 Por que é que diz isso?

HQ:
 Porque... essa... a raça desse touro foi lidada para isso, este touro foi criado para isso, não... não... ele foi, a genética dele não faz com que ele sofra dentro da praça...

JPPC:
 As pessoas que não gostam de corridas de touros deviam de se informar, informaracerca do que é uma corrida de touros.

SM:
 Nós somos livres de gostar do que gostamos, só vai à arena quem gosta.

MG:
 Deus criou o Homem e criou os animais, para que os animais servissem o homem, não é para que o homem sirva os animais.

JPPC:
 Não há ninguém que goste mais dos animais do que eu.

A Tourada

[Narração] Dentro dos curros os animais estão agitados, pior estariam se soubessem o que lhes vai acontecer.
Os touros são conduzidos para este pequeno compartimento e imobilizados com um barrote e com cordas, só depois os curraleiros lhes cortam as pontas dos cornos. No final põem-lhes protecções de cabedal.
 [mp3]

[Narração] (...)numa coisa todos os toureios são iguais nenhum sai para uma corrida sem pedir protecção divina

SM: 
Sempre que venho para as corridas trago estes santinhos que me acompanham, sempre que chego ao hotel a primeira coisa que eu faço é colocá-los, neste caso foi nesta mesinha (...) para depois antes de ir para a corrida fazer as minhas rezas... e quando voltar agradecer.

Jornalista: 
Traz sempre os mesmos?

SM:
 Sim, trago sempre os mesmos. Por vezes tenho... tenho excepções, vou por exemplo, mostrar aqui a nossa senhora dos toureiros que é a Macarena, que é uma das santinhas que eu nunca me esqueço em casa, embora os outros também não esqueça, mas esta é tipo indispensável, também uso na casaca.

[Narração] (..) na praça ninguém quer saber dos sentimentos do touro, e muitos nem imaginam que mal saem da arena os animais têm de passar por outro mau bocado. Voltam a ser amarrados para que os curraleiros lhes retirem as bandarilhas. O director de corrida não nos deixou fazer imagens, alegou que seria demasiado impressionantes para o público. Aqui fica o som do protesto dos touros enquanto os homens lhes cortam a carne para retira a farpa. [mp3]
Entretanto nas bancadas o público vibra com as estucadas dos cavaleiros, mas emoção a sério é quando alguma coisa corre mal.
Duas horas depois a corrida chega ao fim. Todos se saíram bem, forcados e cavaleiros já só sonham com o descanso, e com o banho.


LR:
 (...)Depois daqui corrida vou tomar o meu banhinho e jantar descansado com a minha família.

[Narração] Nos curros, os touros não têm direito a jantar nem a água, nem sequer a um desinfectante que lhe alivie as feridas. Vão ter que esperar que abra o matadouro mais próximo para então serem mortos. Se a corrida for a um sábado só são abatidos segunda de manhã. Às vezes, quando algum touro se destaca pela bravura, o ganadeiro decide poupar-lhe a vida e usá-lo como reprodutor. Mas a verdade é que nenhum dos animais desta corrida mereceu a clemência dos homens.


in “Vermelho e Negro”, reportagem exibida na SIC na semana de 9 de Junho de 2003
Jornalista (e narração da reportagem): Cristina Boavida
Imagem: Odacir JúniorEdição: Marco Carrasqueira



“Vermelho e Negro”

Assista ao vídeo e reportagem:
As touradas: Violência e Maltrato dos Animais


publicado por Maluvfx às 09:18
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POR QUE AS TOURADAS SÃO FUNDAMENTAIS!


«A PROMOÇÃO PELA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA PELO GOVERNO E PELA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA DA CULTURA DA VIOLÊNCIA EM PORTUGAL É DEVERAS IMPORTANTE:

1. - É fundamental que haja touradas no nosso país! Se não fossem as touradas qualquer dia nem haveria violência doméstica
 nem a prática do "bullying" nas escolas, uma desgraça que poderia até chegar ao ponto de conotar os portugueses como amigos dos animais!
2.- Por isso deve haver liberdade de torturar o animal touro (a lei 92/95 até nem considera o touro um animal)!

3.- E embora o touro tenha cérebro, sistema nervoso e órgãos sensoriais como nós, tudo isso é "desligado" antes de o touro entrar na arena, de tal forma que cada ferro espetado no seu dorso se transforma num acto festivo do próprio touro!

4.- A liberdade é fundamental:
      *  deve haver liberdade de torturar violentamente os animais e provocar-lhe lesões graves, para nosso divertimento (por isso é que a lei 92/95 aprova todas as execpções à protecção dos animais!);


      *  deve haver liberdade de explorar de forma selvagem os trabalhadores (zero direito para esses anormais voluntários da servidão humana);

      *  deve haver liberdade para destruir a natureza: no final vamos todos para Marte!
Força aficionados e promotores das touradas, promovam a cultura da violência e recebam como prenda chorudos subsídios dos impostos dos cidadãos europeus através da UE. E bem merecidos pois promover a cultura da violência dá trabalho!

UM BEM HAJA A TODOS OS PODERES PÚBLICOS E ÀS TELEVISÕES POR PROMOVEREM A CULTURA DA VIOLÊNCIA (SOBRE OS OUTROS CLARO!) NAS CRIANÇAS COM MAIS DE SEIS ANOS DE IDADE!

Como seria possível os filhos uma vez adultos, exercerem violência sobre os seus "velhotes" se não lhes fosse inculcada deste tenra idade a cultura da violência?

Portanto está explicado por que o espectáculo da tourada, no qual um animal indefeso é torturado de forma violenta e sangrenta até á sua exaustão total e morte, é mesmo fundamental!
A abolição das touradas significaria promover um país e um povo pacífico, amigo dos animais humanos e não humanos e amigo da natureza. Ora isso seria de todo impensável num povo que preza o seu hino que os manda  "contra os canhões marchar marchar"!

Por isso a Comissão Europeia, a UNESCO, as autoridades públicas portuguesas, todos têm razão em apoiar a cultura da violência patente nas touradas: neste mundo violento em que as nações mais poderosas económica e militarmente cilindram e colonizam os países que têm o azar de possuírem recursos naturais valiosos (como o petróleo) , se a cultura da violência não fosse praticada e incentivada, como poderia por exemplo ter acontecido a invasão unilateral dos EUA à bomba ao Iraque?  E como poderia a China ter e manter sequestrado o país da cultura budista (ainda por cima pacifista!) que é o Tibete?

Aliás se pensarmos um bocado, até concluiremos com facilidade que andamos todos a ser toureados pela GALP e Governo, que não param de fazer subir os preços dos combustíveis em Portugal (contribuindo dessa forma para afundar ainda mais a economia portuguesa), o que significa que quer a GALP quer o Governo assimilaram e praticam bem essa cultura da violência, embora seja desagradável constatar que nesse plano o touro somos nós!»

Publicada por Manuel Salgado Alves 


publicado por Maluvfx às 03:48
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2013
"A transmissão das touradas pela televisão viola a integridade moral e física das nossas crianças!"
"A transmissão das touradas pela televisão viola a integridade moral e física das nossas crianças!

Carta aberta ao Sr. Provedor de Justiça
Artigo 25º da Constituição da República Portuguesa:
«1. A integridade moral e física das pessoas é inviolável.»
Artigo 5º da Declaração Universal dos Direitos do Homem:
«Ninguém será submetido a tortura nem a tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes»


"As touradas são espetáculos, cuja única substância é a violência e a tortura contra um animal que está encurralado na arena, e sobre o dorso ensanguentado do qual, são espetados pelo toureiro, ferros atrás de ferros, até à sua exaustão psico-física e até à sua morte!

As transmissões televisivas das touradas, propiciam assim imagens as quais, por si só, são susceptíveis de influírem de modo negativo na formação da personalidade das crianças ou de adolescentes, e, constituem por isso um incentivo à violência, incentivo esse que atinge nomeadamente as crianças e os jovens.

No contexto actual da nossa sociedade, em que nas nossas escolas, se verificam crescentemente acções criminosas de "Bullying", nas quais um grupo agride selvaticamente um colega desprotegido, e, em que, nas nossas universidades se sucedem "praxes académicas" violentas, das quais já têm resultado mortes de alguns jovens universitários, a transmissão televisiva das touradas é mais um factor de estímulo e de insensibilidade à prática dessas acções de violência.

Ao assistirem à transmissão televisiva das touradas, as crianças, são ofendidas na sua integridade moral e física, já que, por um lado lhes é dito pelos adultos, que "os animais são nossos amigos", e, por outro lado, assistem incrédulos e atormentados ao espetáculo propiciado também por adultos, os quais maltratam cruelmente (ao mesmo tempo que são aplaudidos) os seus amigos animais:
- o cavalo, o qual sofre um enorme stress ao ser obrigado a aproximar-se do touro, acontecendo por vezes que falecem com ataques cardíacos, (como aconteceu recentemente na Ilha Terceira dos Açores);
- o touro que é cruel e sanguinariamente torturado até à sua exaustão e morte!

Devemos proteger as crianças, e os jovens desse incentivo à violência e à crueldade, para mera diversão de meia dúzia de seres humanos aficionados ao espetáculo da tortura e ao derramamento cruel de sangue do animal touro.

Por isso exigimos de forma imediata, e no respeito pela integridade moral e física das crianças e dos adolescentes, que seja interditada por V. Exªs., a transmissão televisiva dos espectáculos cruéis e sangrentos, que o são em substancia e de facto, as touradas."

Manuel Alves


publicado por Maluvfx às 03:42
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Touradas
História de crueldade em que todos os argumentos para tentar justificar a continuação deste espectáculo bárbaro, baseado numa falsa tradição, nunca serão convincentes.

Desde a pré-história até aos dias de hoje, homem e touro partilham um espaço onde deveriam coabitar de uma forma saudável e respeitosa. O touro foi símbolo mitológico na Grécia antiga, e actor principal, em espectáculos repletos de tortura e sofrimento, os quais perduram ainda nos dias de hoje nuns quantos países do mundo, onde a dita evolução social e mental mais parece pertencer aqueles tempos retrógrados. 


A Península Ibérica durante a idade média, foi palco de batalhas que careciam de milhares de homens. Exigia-se portanto, treino intensivo a homens e cavalos, cujas funções careciam de destreza, técnica e coragem. Essa filosofia foi aproveitada naquela época pelos toureiros, baseando-se na luta entre o homem e o touro, e sempre com o objectivo principal, o de matar o touro sem que o toureiro ficasse ferido nessa cruel lide. O touro encarnava na perfeição um suposto inimigo, que de forma enérgica e espontânea, dava luta a toureiros e peões que auxiliavam a lide do cavaleiro. Entretanto, o que começou como um mero exercício defensivo e preparativo para batalhas corpo a corpo, foi-se encarnando no que se entende por "sortes" (cada um dos actos que o toureiro executa na lide de um touro com o intuito de o matar). Imposta esta arte de matar na ordem, cada uma das sortes foi transformada, de simples e rudimentar até à progressiva perfeição das formas com que esta crueldade era levada a cabo. A lide deixou de se basear na preparação do touro para a morte e foi dando passos para que a crueldade fosse feita com outra classe, á medida que se ia aplicando mais estética em cada um dos seus actos, até convertê-los em criações pré-concebidas, sem nunca renunciar á sua mais primitiva e última razão: o domínio e a morte do touro a pé ou a cavalo.

Defender as touradas como tradição cultural e matar um animal aos poucos como prova de valentia ou diversão requer uma boa dose de cinismo. No entanto, acreditar que a sociedade actual precisa desse tipo de entretenimento é sinal de atraso, digno de quem ainda vive na idade média.


por Cândido Coelho


publicado por Maluvfx às 03:39
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2012
"Secretário de Estado diz que um caçador é um bom conservacionista"
"Um caçador é obrigatoriamente um bom conservacionista" 

"Não podemos ter preconceitos relativamente a essas tradições (tourada), que fazem parte do povo e fazem parte do país"


Vasco Reis:
Exploração desenfreada dos recursos, do ambiente, da floresta, da tranquilidade, dos animais chamados cinegéticos, dos cavalos para corridas e apostas, dos touros e cavalos nas touradas e a encoberto, etc. Que saque do território, dos animais, das pessoas. Que país martirizado!


André Silva:
A estirpe que nos governa, seja nas finanças, na cultura, na educação, na agricultura, na saúde, ou nas florestas e natureza mede-se toda pela mesma bitola. Importa o lucro, o compadrio de famílias e associações. O bem comum, o bem de tudo e de todos não é pensado nem colocado em prática. Estes senhores, e todos os que têm governado o país nos últimos 40 anos têm que sair.

Zé Maria Miranda:
... o ex.mo S.E. devia de estar a pensar neste: 

Roberto Rico (Roberto R. Mt Noudar)


Campelo considera que a caça tem uma receita potencial forte.
Foto: Enric Vives-Rubio 
Daniel Campelo, governante responsável pelas florestas e conservação da natureza, assegura que nada está decidido quanto à abertura de portas à extensão do eucalipto no país.

No meio das pilhas de papéis que cobrem a ampla secretária de Daniel Campelo, há um documento, num dos cantos, que se destaca: uma proposta para regulamentar as apostas hípicas. É um jogo como outro qualquer, diz o secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, mas com o condão de impulsionar toda a indústria à volta do cavalo. Campelo, 52 anos, é quem está agora também à frente da conservação da natureza. Não é um novato, tendo criado, quando era presidente da Câmara de Ponte de Lima, a Paisagem Protegida da Lagoa de Bertiandos e São Pedro de Arcos. Agora, o secretário de Estado quer uma área protegida em cada concelho, gerida pelos próprios municípios.

Não se sentiu um peixe fora de água quando foi convidado para assumir a pasta da Conservação da Natureza?

Não. É uma área que sempre gostei, onde tenho algumas experiências. Mas há muitas coisas novas.

Quando foi anunciado que a conservação da natureza ficaria com as florestas, houve pessoas preocupadas que um sector ficasse submetido ao outro. A fusão está a funcionar?

É um processo gradual e lento. Uma coisa é o processo administrativo e esse está consumado com a aprovação da lei orgânica – há agora uma fase que é a de aprovação dos estatutos que ainda não está terminada – e depois há o processo de criação de ligações, a chamada “química” institucional. Faz toda a lógica a fusão destas áreas porque não é possível ter conservação da natureza sem o envolvimento dos agentes que trabalham a terra, a floresta, a caça.

Pode dar exemplos?

A prevenção e o combate a fogos florestais. Nas áreas protegidas, esse trabalho era feito pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB). Agora, o esforço é feito com todos os meios humanos e materiais da antiga Autoridade Florestal e do antigo ICNB. Em algumas zonas, havia quem tivesse dotação para combustível mas não tinha viaturas e noutros locais era ao contrário.

Um dos focos de tensão entre as duas áreas é o código de arborização. Há o receio de que os interesses da floresta produtiva se sobreponham.

O receio é legítimo. Este é um projecto apresentado à discussão pública e há a preocupação em responder a constrangimentos identificados: a excessiva burocracia, o tempo excessivo para o licenciamento, as excessivas entidades a consultar. Há alguma polémica sobre como isso se pode fazer no futuro, sobre a possibilidade de não haver controlo sobre o que os proprietários vão plantar. A discussão é para sinalizar todas essas situações para que haja um documento que seja o mais consensual possível. Na segunda fase, o Governo irá olhar para o que resultar da discussão pública e terá de fazer um debate com outros organismos e depois elaborará o documento final.

Havendo Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF) e estando a rever-se os Planos Directores Municipais (PDM) porque não definir logo as áreas onde plantar e o que é que se pode plantar, evitando-se a burocracia?

Os PROF já estão desajustados da realidade e foram suspensos até 2013. É preciso que haja instrumentos de gestão racional que tenha em conta a realidade. Estamos empenhados na revisão de pacotes legislativos na área da floresta e da conservação que visa fazer essa adaptação. Precisamos de estimular. Não basta ter mecanismos financeiros no Programa de Desenvolvimento Rural (Proder) se depois não houver formas de aproveitamento desse dinheiro.

O que tem acontecido em vários quadros comunitários de apoio é que o dinheiro para as florestas não é todo utilizado.

É verdade. Resulta de um programa mal ajustado à realidade nacional mas também da atitude dos proprietários pois torna-se mais barato abandonar do que gerir o espaço. Temos de criar mecanismos em que se torne mais caro abandonar a floresta do que geri-la ou entregar a gestão. É o que procuramos com a bolsa de terras. Quem gere não paga ou tem uma redução e quem não gere tem de pagar.

Mas esses benefícios só serão atribuídos depois da troika.

Sim, por causa do memorando de entendimento. Mas são só dois anos. E depois de ter sido feito o cadastro. Sem isso, todos os mecanismos são difíceis de implementar.

Já ouvimos isso de vários governantes.

Em Abril, foram criadas duas comissões: uma para fazer o cadastro e outra para a gestão activa do espaço rural e florestal. Não posso falar pelo passado. O cadastro é a ferramenta mais importante de gestão do território. Espero que este governo consiga, pelo menos, dar início a esse processo.

O cadastro é um trabalho monstruoso.

Estamos a estudar mecanismos que nos permitam fazer esse trabalho com menos peso e custo do que estava previsto. É melhor ter um cadastro com alguma imperfeição do que não ter nenhum. Há muita coisa já feita, não está é integrada. Vamos começar por aí.

Que floresta quer o Governo para o país? Prevê uma expansão dos eucaliptos?

O mais importante é tirar partido da área florestal já existente pelo melhor ordenamento. Podemos aumentar a produtividade florestal em até 300% só pela gestão da propriedade. Temos ainda um milhão e meio de hectares de áreas abandonadas, incultas e alguns matos.

A ideia é expandir a floresta?

A ideia é aproveitar essas áreas com potencial florestal e geri-las em nome da sustentabilidade ambiental, económica e social. Há áreas florestais que não têm procura comercial e não vão ser os produtores a plantar essas áreas se não houver incentivos. Não podemos convencer o produtor a fazer uma coisa que ninguém compra. Mas há necessidade de plantar floresta que não tem retorno nos mercados mas presta serviços ambientais. Essa é uma das nossas lutas na negociação dos fundos comunitários 2014-2020.

Para essa área de um milhão e meio de hectares, há metas estabelecidas para cada uma das espécies?

Quem tem de dizer isso são os planos de ordenamento florestal. Os solos não são iguais. Tudo tem de ser ajustado ao potencial que o solo e o clima têm para as plantas.

Gostaria que houvesse mais áreas protegidas?

A área protegida em Portugal é das maiores na Europa em termos percentuais – temos cerca de 22%. Temos uma boa área com garantias de protecção, queremos aumentá-la, mas não queremos criar um problema de gestão. Não basta dizer: “aqui é proibido”. As pessoas não aceitam e depois contestam.

Os próprios autarcas contestam...

Os autarcas e as pessoas.

Mas há uma animosidade de muitos autarcas contra as áreas protegidas...

Fui reunir-me com os agentes principais do Parque Nacional da Peneda Gerês, onde há conflitos antigos com esse tipo de atitude. E até há quem diga que as pessoas por raiva estragam as coisas, põem fogo, etc. Isto não pode acontecer, eles são os próprios interessados em que isso corra bem. Então temos de lhes dar responsabilidades. Há riscos? Há. Mas também há riscos quando fechamos e bloqueamos o acesso das pessoas a uma partilha. Essas áreas podem aumentar por essa estratégia: os municípios aumentam as áreas protegidas, mas empenham-se e comprometem-se com a sua gestão, directa ou indirectamente.

Tem dito que gostaria de ter uma área protegida em cada concelho. O que está a fazer para ajudar as autarquias?

Estamos a tentar motivar e estamos a ter resultados. Há municípios que começaram a descobrir esta possibilidade. Até aqui tinha de ser feito por portaria governamental e agora é uma simples decisão do município, que pode identificar um valor ou uma área a proteger, definir as regras, classificar e gerir. Cada um há-de entender no seu município qual é a especificidade da área que quer proteger e o que quer fazer dessa protecção, se quer fazer uma coisa mais turística, mais científica ou mais educativa.

Vão dar incentivos concretos às câmaras?

Gostaria que aumentasse o grau de diferenciação positiva para estas situações. Isto pode levar a uma mancha de óleo de preocupações de conservação ambiental, conservação da natureza, de valores rurais. Esses equipamentos têm muitas vezes auto-sustentabilidade económica. Essa estratégia existe noutros países onde organizações da sociedade civil podem ser responsáveis pela gestão de bens protegidos. Nós também queremos fazer isso em Portugal. Por que é que as áreas protegidas não hão-de ter uma partilha de gestão com outras entidades, porque é que há-de ser uma coisa só do Estado?

Já houve várias tentativas, por exemplo, com as câmaras no conselho directivo das áreas protegidas...

Não sei se houve. Estamos hoje a tentar que isto seja uma realidade e até passar equipamentos que estão sob a gestão do Estado para as autarquias ou entidades.

Que tipo de equipamentos?

Dormidas, visitação, as casas dos parques. Estamos a lançar estes desafios aos municípios.

Mas isto era um programa que o próprio Instituto da Conservação da Natureza estava a desenvolver, a recuperação e o aluguer das casas dos parques.

Em alguns sítios, o ICN interveio, recuperou e depois fechou as casas.

E os serviços florestais? Também têm casas espalhadas pelo país inteiro.

Já entregámos várias casas, delegámos a sua gestão a outras entidades que estão na proximidade. E gostaria que isso fosse acelerado, para evitar a degradação de património que está fechado, que tem um aproveitamento inútil. Um exemplo noutro domínio: o dos viveiros florestais e aquícolas. Estamos neste momento num processo de contratualizar com municípios a activação desses espaços para fins pedagógicos, ambientais e para fins de exploração.

Estes equipamentos têm sido entregues para turismo?

Os que estão programados para turismo da natureza podem continuar nessa modalidade. Ou para centros de interpretação ambiental ou para actividades lúdicas ou para apoio por exemplo às associações de caça, que também têm um papel importante no ordenamento florestal.

Existe uma imagem de que o caçador é antinatureza. Qual é a sua opinião?

A caça é uma das actividades mais antigas do mundo e é uma das mais antigas na floresta. Um caçador é obrigatoriamente um bom conservacionista. A caça, se for bem gerida e bem ordenada, é uma actividade perfeitamente enquadradora na exploração da floresta. É por isso que digo que não há conservação possível sem o envolvimento desses agentes. O maior programa em curso, o de reintrodução do lince, só tem possibilidade de ter sucesso se houver um compromisso entre os agricultores, os agentes florestais e os caçadores. A caça tem uma receita potencial muito forte. Há concelhos que vivem muito à custa da caça e dos caçadores.

Sabemos que quer reintroduzir corridas de cavalos urbanas em Portugal. O que é que está na forja?

Portugal e o Luxemburgo são os únicos países europeus onde não há apostas hípicas. É um jogo como outro qualquer. Mas as apostas hípicas [sustentam] o desenvolvimento rural. Portugal tem as melhores condições na Europa de clima, de pastagens e de mão-de-obra para poder ter uma fileira do cavalo forte, que é uma indústria muito potente em toda a Europa. As corridas são um motor económico para justificar o crescimento desta indústria.

Mas nem coudelaria de Alter consegue ser rentável...

Alter é uma peça que pode beneficiar deste sistema. Se a indústria do cavalo ganhar dinâmica por força da implementação do sistema de apostas hípicas, todo o negócio à volta dos cavalos cresce. E inevitavelmente Alter será um pólo beneficiado, apesar dos cavalos que ali estão não serem para este tipo de corridas.

E o que vão fazer?

Vamos alterar [a legislação] para tornar apetecível. Chegou a haver dois concursos no passado, que ficaram desertos, porque as regras não eram atractivas. Não posso neste momento adiantar mais.

As touradas também são importantes?

É outra questão. Fazem parte da nossa cultura, alimentam uma parte também do mundo rural. Não podemos ter preconceitos relativamente a essas tradições, que fazem parte do povo e fazem parte do país.

Fonte


publicado por Maluvfx às 04:43
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Sábado, 6 de Outubro de 2012
Tauromaquia, tem o seu lugar na história em Portugal...
Penso que é inegável que a tauromaquia tem o seu lugar na história em Portugal... tal como as lutas de gladiadores tiveram o seu lugar na história do Império Romano ou a escravatura teve o seu lugar nas nações de cultura ocidental ( e não só). Contudo quase invariavelmente tudo tem o seu tempo e à luz de novos factos e de uma nova consciência muitas coisas tornam-se anacrónicas e intoleráveis. É por isso que hoje em dia quando estamos doentes vamos ao médico em vez de rezar uma prece ao nosso santo padroeiro e tomar uma canja de galinha como ainda acontecia há 100 anos ou menos, só a título de exemplo. Desta forma julgo que é difícil alguém continuar a defender a tourada com a "tradição" e o "símbolismo" sendo este um fraco argumento. Por outro lado a sensíbilidade e o respeito pela vida não pode acabar na nossa família humana e nos animais de estimação: isso é sentimento de posse e egoísmo e não respeito... a questão do sofrimento do touro penso que nem está em discussão porque é comprovável empíricamente e até se quiserem científicamente que ele sofre... e a questão do touro não ser morto na arena é uma falsa questão porque o touro vai morrer na mesma com tanto ou mais sofrimento... não pretendo antagonizar ninguém com a minha opinião mas pelo contrário sugerir que reflitam nos meus argumentos e como seres racionais que todos somos verifiquem se fazem algum sentido. Além do mais se permitem que políticos como os nossos nos governem certamente acabar com as touradas será um bem imensamente maior.

por Pedro Miguel Macedo


publicado por Maluvfx às 09:49
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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012
Depoimentos...
 Estão sempre a dizer para nos calarmos, argumentando que a porcaria em que participam directa ou indirectamente está salvaguardada pela lei e por uma qualquer distorcida "lei dos gostos e das opiniões" e tentando também dissuadir-nos na luta dizendo que só estamos a ajudar à porcaria da festa. Não, vamos deixar que as pessoas sejam expostas passiva e acriticamente, ainda por cima em ambiente festivo de tortura, que propicia e bem ao desenvolvimento de distúrbios psicológicos, sem as expor a uma visão oposta. Claro, e depois sempre com as lamúrias de que não querem que isto seja uma ditadura. Que isto seja uma ditadura querem os senhores, que mais não queriam que tudo encarneiradinho a participar na porcaria das vossas festas sanguinárias, a fazer fila para comprar os vossos bilhetes sujos! E depois dizem para irmos viver para o Peru e ainda aproveitam as condições desfavoráveis do país noutros aspectos sócio-económicos, ainda que seja claramente muito melhor viver pobre e sem compactuar culturalmente na tortura de animais do que ser pobre e, além disso, fazê-lo. Que ridicularidade! Mas dizem para irmos para um país livre de touradas e não vermos simplesmente, como se a nossa consciência deprimisse sem o estímulo visual, como as suas mentes condicionadas deprimem a transmissão do impulso nervoso pelo nervo óptico, para não conseguirem enxergar a valente merda que fazem quando participam num espectáculo bárbaro! Até podiam pegar na gente aficcionada toda e formar uma nação isolada e dizer que não tínhamos nada que ver com as suas tradições culturais, que não tínhamos nada que interferir nas suas expressões culturais! Pois, só que os animais, infelizmente para suas insolências, não existem para servir sob um país ou os interesses humanos. Isso é coisa do passado. Hoje em dia, com o desenvolvimento tecnológico, não é justificável que os animais continuem a servir o homem, ou a prestar juramento a uma bandeira ou ao cifrão, quase como regime militar obrigatório. É ridículo e é arcaico. Estão também sempre com a história de que quem é contra é porque não conhece as touradas e arroga conhecimento. Eu não preciso de saber que gás usavam no extermínio de judeus ou que pão lhes davam de comer nos campos de concentração ou que armamento os obrigavam a produzir para o exército alemão para saber que foi uma calamidade que teve que ser terminada, ainda que pela força. A única coisa que eu prefiro de saber é que é um espectáculo que promove maus tratos a animais, humilhação, agonia, desespero, obrigando-os a participar neste delírio psicopata! Não preciso de saber mais nada. Tradição, história? A evolução suplanta tudo isso! A história da humanidade é como a história de qualquer pessoa individual, serve para aprender com os erros do passado e alterar a conduta para algo que promova a coerência e a integridade! Já Leonardo Da Vinci, no século XV, defendia os animais. Mas tal como na sua época, as suas invenções e visão do mundo no geral eram demasiado avançadas para a mentalidade rústica que imperava, talvez quase 6 séculos depois! algumas das suas ideias sejam grandes demais para caber na cabeça de muita gente, infelizmente. Mas não se preocupem, que este espectáculo decadente há-de acabar, quando se educarem as crianças para o respeito absoluto da vida alheia, sem descriminação de espécie, e não se permitir que elas sejam mais expostas a violência contra animais em ambiente depressor da sensibilidade! As touradas, como outras actividades que constituem verdadeiros atentados à dignidade da vida animal e à sua plena expressão em ambiente natural, e uma afronta tão ignominiosa que faz nutir asco à inteligência e à integridade do homem moderno! Eu até acho ridículo que em tantos sítios se pondere sequer resolver isto por meio de referendos. Também foi preciso fazer um referendo para consagrar na lei a proibição de matar, maltratar ou torturar um ser humano? Ou somos suficientemente atrasadinhos para isso? Então, porque raio é preciso atender a lobbies para decidir isso? Decidir democraticamente vidas, não é democracia alguma. A vida tem um valor intrínseco infinitamente superior a qualquer sistema político ou social! Deixemos de ser ridículos. Postos de trabalho? Mas agora vamos justificar imoralidades com base em questões económicas? É o dinheiro que dita o valor ou a extensão de uma vida? Até dá vómitos pensar isso! Se a Igreja de um dia para o outros começasse a ter problemas financeiros e descobrisse que se restaurasse os autos-de-fé até teria suficiente assistência para reequilibrar as suas finanças seria legítimo fazê-lo?! Quanto parvoíce vai para aqui... E sim, é mais do que óbvio que os espectáculos estão a decair em assistência. Até porque, sabem que mais, prefiro gastar 6 € ou 8 € até que sejam a ver um bom filme durante 2 horas do que a gastar um balúrdio descomunal para compactuar nos maus tratos a seres sencientes! Mas onde é que está a dúvida? O que raio é que as torturas ensinam? A ser-se cobarde? A ser-se exibicionista? A fazer depender a sua felicidade de reputação da violência contra seres que não se podem defender? Também se sentem bem a bater em mulheres e crianças, se tiverem uma plateia a aplaudir-vos? Enfim, enfim...

Eu compreendo perfeitamente que uma má formação pessoal e influências culturais negativas e persistentes possam inculcar uma visão dos animais como meras coisas, utensílios do ser humano, utensílios de caça, de divertimento, de palhaçada, de testes ridículos. Apenas peço que uma vez na vida parem para pensar que se calhar o mundinho iludido em que vivem de superioridade incontestável da vida humana sobre a animal, não passa disso mesmo, de uma ilusão inculcada culturalmente.
por Ricardo Lopes


publicado por Maluvfx às 05:53
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Sábado, 15 de Setembro de 2012
Porque é que há gente aficcionada e se mantém fiel à tradição?
Deve haver muito tribalismo. Marias e Manéis são criados no ambiente tauromáquico desde a infância, absorvem a cartilha e vão com os outros e as outras. São alvo da influência e evitam pensar, interessar-se, terem coragem em discordar e mudar, mesmo que vacilem e reconheçam que há sofrimento dos animais. Mas seria difícil discordar, seria incómodo, provocaria zanga e arriscaria acusação de traição e castigo por parte da multidão. 

Com certeza, que reconhecem sofrimento da parte dos animais, mas mais forte do que compaixão será o gosto pelo "espectáculo", pela "festa das pessoas (claro que os animais não festejam, pois sofrem)", a presunção, a cumplicidade, o companheirismo, a confraternização, mais ou menos embriagada e embriagadora. 

Para essa onda, então que se lixe o sofrimento dos bichos, quando a tourada é tão "entusiasmante"?

Trata-se, pois, de defender o espectáculo, a tradição, o negócio, a facturação dos “artistas”, as "admiráveis qualidades" da tauromaquia e os "feitos culturais, virtuosos e admiráveis dos artistas tauromáquicos" e as barrigadas de gozo que as touradas proporcionam?

Penso que cartas abertas críticas e didácticas dirigidas ao lobby pouco influência terão na evolução desta mentalidade, mas deverão ter um ricochete importante e levar o público em geral a tomar conhecimento e a reflectir sobre a realidade da tauromaquia. Pouco esforço exigem, pois os argumentos dos críticos da tauromaquia são óbvios. Penso que devem ser frequentes e variadas.
Provavelmente, até provocarão respostas dos aficcionados, que representem tiros nos próprios pés.

Vasco Reis
médico veterinário aposentado
Aljezur


publicado por Maluvfx às 10:43
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Touradas V
Cultura é tudo aquilo que contribui para tornar a humanidade mais sensível, mais inteligente e civilizada. A violência, o sangue, a crueldade, tudo o que humilha e desrespeita a vida jamais poderá ser considerado "arte" ou "cultura". A violência é a negação da inteligência.
Uma sociedade justa não pode admitir actos eticamente reprováveis (mesmo que se sustem na tradição), cujas vítimas directas são milhares de animais.
É degradante ver que nas praças de touros torturam-se bois e cavalos para proporcionar aberrantes prazeres a um animal que se diz racional.
Portugal não se pode permitir continuar a prática do crime económico que é desperdiçar milhares de hectares de terra para manter as manadas de gado, dito bravo. A verdade é que são precisos dois hectares de terreno, o equivalente a dois campos de futebol, para criar em estado bravio cada boi destinado às touradas. Ora isto é tanto mais criminoso quando Portugal é obrigado a importar metade da alimentação que consome. Decerto os milhares de hectares desperdiçados a tentar manter bois em estado bravio, produziriam muito mais útil riqueza se aproveitados em produção agrícola, frutícola, etc.
Uma minoria quer manter as touradas e as praças de touros, bárbara e sangrenta reminiscência das arenas da decadência do Império Romano. De facto nas arenas de hoje o crime é o mesmo: tortura, sangue, sofrimento e morte de seres vivos para divertimento das gentes das bancadas. Como pode continuar tamanha barbaridade como esta, das touradas, no século XXI?
Só pode permanecer como tradição o que engrandece a humanidade e não os costumes aberrantes que a degradam e a embrutecem.

Não seja responsável pela tortura.
Não assista a touradas!


publicado por Maluvfx às 04:24
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Sábado, 8 de Setembro de 2012
A vida dos touros ditos bravos nas ganadarias – as manadas
“Otro sufrimiento colectivo posible es la longevidad. Si una población de animales tiene su longevidad media reducida considerablemente por cualquier motivo, esto afecta su capacidad de reproducirse, y se podría hablar de que la población “sufre”un problema demográfico. Este sí es un tema aplicable al toro de lidia, ya que la longevidad de los individuos seleccionados para las corridas queda drásticamente reducida al menos una tercera parte de la longevidad a la que ellos podrían llegar. Los toros de lidia se matan cuando tienen tres, cuatro, cinco o como mucho seis años de edad, pero si la tauromaquia no existiera estos individuos podrían vivir 20 años o más. De hecho, la longevidad media de machos de la especie a la que los toros pertenecen es de 20 años en cautiverio.

Esta reducción artificial de longevidad tiene otra consecuencia para el colectivo de toros de lidia. Tiene un efecto negativo a la estructura social de los grupos. Cualquier especie social asume su equilibrio social con una combinación específica de miembros de diferentes edades y géneros. Si se elimina sistemáticamente un grupo demográfico específico, como es el caso de los machos de más de seis años, el grupo no puede conseguir la estabilidad social ideal y está siempre en una situación constante de reajuste, que explica cómo a veces hay muchas peleas entre machos en la dehesa. Estas peleas hacen que los ganaderos separen los machos del grupo, que no siempre ayuda a generar estabilidad. Añadido a esto, como después de generaciones de selección artificial los ganaderos de toros de lidia han estado intentando crear individuos que tienen más tendencia a defenderse embistiendo que corriendo, esto ha generado una respuesta inadecuada y no natural a las confrontaciones entre machos por hembras o por dominancia, que o bien crea más peleas y heridas entre individuos (sufrimiento físico), u obliga a los ganaderos a separar más los grupos (sufrimiento social).

- Jordi Casamitjana, Etólogo

http://www.blogveterinario.com/2010/03/el-comportamiento-del-los-toros-durante.html


publicado por Maluvfx às 12:31
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