Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Terça-feira, 22 de Janeiro de 2013
Podem um socialista ou uma comunista do século XXI não ser vegetarianos?
Passar de uma dieta muito carnívora para uma basicamente vegetariana supõe reduzir fortemente o impacto socio-ecológico relacionado com as actividades de alimentação.

Usted no se lo cree” (“Você não acredita”), é o título do excelente blog (sobre aquecimento global) de Ferrán Puig Vilar. Você não acredita que dois séculos depois de Malthus o mundo esteja à beira de uma crise maltusiana. Você não acredita que centenas de milhões de pessoas - se não mesmo milhares de milhões - estejam em perigo. Você não acredita que estamos a entrar numa nova “Idade das Trevas”. Você não acredita que as conquistas que mais apreciamos naquilo a que chamamos de “civilização” possam ter os dias contados. Você não acredita que extensas zonas do planeta possam tornar-se inabitáveis. Você não acredita que as guerras climáticas e outras formas “novas” de violência possam fazer do mundo um lugar onde muita gente desejará não ter nascido. E como não acredita, você - a maioria social - continua instalado na negação e não actua, tratando de aproveitar as minguantes margens de acção que ainda dispomos.

Na explicação da sua incredulidade, creio que uma das razões que tem mais peso tem que ver com a nossa humana, demasiado humana dificuldade para entender as dinâmicas de crescimento exponencial (com esses tempos de duplicação que minguam prodigiosamente) (Meadows, Randers e Meadows (2006), especialmente o capítulo 2: “A força motriz: o crescimento exponencial”). Como mudou o metabolismo sociedade-natureza nos últimos 80 anos aproximadamente, e sobretudo nos últimos 30 anos (os anos em torno de 1930 e 1980 como dobradiças do século XX), é algo que desafia a imaginação humana. Desde que data diria você que os atuais habitantes da Terra emitimos a metade dos gases de efeito estufa? A resposta é espantosa: desde 1980! Apenas em 3 décadas, tanto como em muitos milénios antes: assim se comportam os crescimentos exponenciais. Custa-nos entender que o mundo atual, no que a impactos sobre a bioesfera e os ecossistemas se refere, não tem nada que ver com aquele em que viviam os nossos avós.

Comer carne hoje não tem as mesmas implicações político-morais que tinha em 1930 - nem sequer as que tinha em 1980! Pois, com efeito, uma das coisas que você não acredita é que o tipo de dieta que se faz - que nós fazemos nos países ricos - possa ter um grande impacto socioecológico e converter-se numa dimensão determinante de (in)justiça global. Bem, isto era o que desejava mostrar neste artigo: enquanto que num “mundo vazio” (a saber: um planeta com poucos seres humanos e muita natureza) a dieta não seria um assunto com grande peso político-moral - excepto para aqueles que desafiassem os confins de uma moral estritamente antropocentrica - num “mundo cheio” ou saturado em termos ecológicos (um planeta com muitos seres humanos e pouca natureza - em termos relativos) é-o. (sobre a noção de “mundo cheio” veja-se Daly, 1991)… Por isso, qualquer pessoa que defenda valores igualitários, a quem se preocupa com a sustentabilidade e a justiça, deve considerar a fundo a questão da dieta - com independência do que opine sobre os “direitos dos animais”.

  • 60.000 milhões de animais de exploração...
Até há muito pouco tempo em termos históricos (deixemos a pré-história de lado), o consumo habitual de carne estava restringido a uns poucos ricos privilegiados. Era um assunto de casta e de classe: a maioria das pessoas só comia carne em ocasiões especiais. Contudo, durante a fase fordista-keynesiana do capitalismo (e como uma parte do insustentável modelo sócio-económico que se põe em marcha então, a partir de 1930-1950) desenvolveu-se uma autêntica indústria pecuária mundial, com grandes instalações industriais para a criação intensiva que albergam muitos milhões de animais. A produção mundial de carne, ovos e productos lácteos utiliza todos os anos mais de 60.000 milhões de animais para exploração: quase dez vidas anuais por cada vida humana (desde 2011 somos 7.000 milhões de seres humanos sobre esta terra). Se continuassem as insustentáveis tendências atuais, os efectivos pecuários mundiais poderiam superar os 100.000 milhões de animais em 2050, dez vezes mais a população humana prevista para essa data (Tung, 2010; veja-se também FAO, FAOSTAT Statistical Database, em faostat.fao.org).

As dietas ricas em carne pertencem ao “estilo de vida” dos ricos deste mundo (igual ao automóvel individual, as segundas residências ou as viagens frequentes de avião); e são associadas a prosperidade ou modernidade, num mundo onde o nível de consumo ocidental se transformou no “standard” aos que estão “em vias de desenvolvimento” aspiram. Nas regiões industrializadas as pessoas continuam a consumir muito mais carne que as populações dos países pobres: uma média de 80kg por pessoa por ano contra 32kg. Mas esta brecha está a diminuir, e hoje mais de metade do total mundial de carne produz-se e consome-se actualmente nas regiões eufemisticamente chamadas “em vias de desenvolvimento”.

A produção mundial de carne multiplicou quase por 3 desde a década de 1970, aumentando só 20% na década posterior ao ano 2000. Como resumia a revista agropecuária estado-unidense “Farmer and Stockbreeeder” na sua edição de 30 de Janeiro de 1962, “a galinha poedeira de hoje em dia só é, depois de tudo, uma máquina de conversão muito eficiente, que transforma a matéria prima - substâncias alimentícias - num produto acabado - o ovo - descontando, claro, os gastos de manutenção.” (citado de Harrison 1964. p. 50). Isto não deveria preocupar-nos só porque a existência da imensa maioria das galinhas - e outros animais de fazenda - se tenham convertido num inferno sobre a Terra, se não porque os impactos socioecológicos desta reificação e mercantilização da vida não são assumidas. A intensificação da produção animal industrializada num “mundo cheio” implica que o sector pecuário compita em maior medida - e mais directamente do que antes - pela terra, a água e outros recursos naturais escassos. Isto tem enormes consequências em termos de justiça e sustentabilidade.

  • … e os impactos que essa produção industrial gera num “mundo cheio”
Quando comemos carne de animais criados com produtos agrícolas - como soja ou milho - que nós, seres humanos, podíamos comer directamente, perdemos a maior parte da energia bioquímica das plantas. Trata-se de uma espécie de “lei de ferro” da alimentação (as vezes denominada “lei de Lindeman”): cada vez que se sobe um escação na cadeia alimentar, perdem-se aproximadamente 9 décimas partes da biomassa. Assim, um aproveitamento eficiente dos recursos alimentares exige a permanência na base da cadeia alimentar. Num “mundo cheio”, só podemos alimentar adequadamente todos os seres humanos com dietas basicamente vegetarianas … Hoje, 85% da colheita mundial de soja - a fonte mais importante de proteína vegetal de alta qualidade - utiliza-se para a obtenção de azeite e farinha, e 90% da farinha destina-se ao fabrico de alimentos para animais de estábulo (MacDonald, 2012, p.303). Desde há bastante anos, aproximadamente 40% dos cereais do mundo e mais da terceira parte das capturas pesqueiras são usadas para alimentar a excessiva cabana pecuária mundial.

Há já alguns anos que o Conselho para a Alimentação Mundial da ONU calculou que dedicar à alimentação humana entre 10 e 15% do grão que se destina ao gado, seria suficiente para levar as rações ao nível calórico adequado, erradicando o flagelo da fome (Goodland e outros 1984, p.237). O problema piorou desde então.

Um estudo a cargo dos Amigos da Terra, tornado público no início de 2012, indica que a “pegada do uso da terra” da UE (que calcula a superfície que este conjunto de países necessita para dispor dos produtos agrícolas e florestais que utiliza) inclui pelo menos 60% de terras fora das suas fronteiras (Duch, 2012). Os 640 milhões de hectares da pegada europeia equivalem a 1,5 vezes a sua própria superfície: assim somos o continente mais dependente da “importação” de terras. Além disso, aproximadamente 70% dos produtos do mar consumidos na Europa provêm de oceanos e mares de fora...

Os chamados “países emergentes” aumentam o seu consumo de carne e peixe à medida que sobem na escala de “desenvolvimento” (desde muitos escalões por baixo de onde já nos encontramos!). China destinou em 2010 mais de 50% do seu fornecimento de milho, tanto nacional como importado, à alimentação animal (um aumento considerável tendo em conta os 25% que utilizava em 1980). Para garantir um tipo de dietas mais próximo do “standard ocidental”, a China recorre cada vez mais aos mercados mundiais - comprando principalmente soja mas também milho. Além disso, o grande país asiático está a arrendar e a tratar de controlar terras além das suas fronteiras para cultivar alimentos para a sua população e para o seu gado: é o preocupante fenómeno de acumulação de terras (land-grabbing), um dos sinais mais ameaçadores de choque contra os limites biofísicos do planeto, no início do século XXI (GRAIN, Hobbelink, 2012)...

Uma superfície equivalente à metade da terra fértil disponível na Europa já foi adquirida (a preços ridiculamente baratos) por capitais estrangeiros nos melhores lugares de países africanos ou sul-americanos. Só em África, o Global Land Project fala (num estudo de 2010 com valores de 2009) de 62 milhões de hectares em 27 países; e o Oakland Institute (2011) estima 50 milhões de hectares em 20 países. A agroindustria da Índia já formalizou acordos no Quénia, Madagascar, Moçambique, Senegal e Etiópia para cultivar e exportar para a Índia arroz, cana de açúcar, azeite de palma, lentilhas, verduras e milho, para alimentação neste último caso (Nelson, 2009).

Continuar a aumentar a produção mundial de carne, ovos e produtos lácteos tem uma repercussão directa sobre as perspectivas de aquecimento climático. Segundo a FAO, aproximadamente 18% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) têm a sua origem no sector pecuário (9% das emissões mundiais de dióxido de carbono, 37% das de metano e 65% das de óxido nitroso). Mas outras análises - por exemplo do Banco Mundial - contabilizando emissões indirectas, aumentavam estes valores para 51% das emissões totais de GEE a nível mundial (Steinfeld e outros, 2006; Goodland e Anhang, 2009).

E se nos preocupam as repercussões da utilização massiva de agrocombustíveis sobre a segurança alimentar dos pobres, não nos inquietarão também as consequências do lombo de porco e dos enchidos?

“Durante os últimos anos, as implicações éticas de destinar milho, óleo de palma e cana de açúcar para produzir biocombustíveis estão a ser submetidas, justificadamente, a uma análise mais rigorosa, devido às potenciais repercussões negativas desta prática sobre os preços alimentares, a fome e o meio ambiente. Contudo, em 2007/2008 somente 4% da produção mundial de cereais (100 milhões de toneladas, das quais 95 milhões eram milho) foi utilizada para biocombustíveis. Em comparação, 35% dos cereais (756 milhões de toneladas) foram destinadas à alimentação animal. Em 2007 somente 12% do milho do mundo se utilizou para produzir etanol, enquanto que 60% foi parar ao fabrico de alimentos.” (MacDonald, 2012, pp.303-304)

  • Uma dieta não generalizável
A dieta corrente nos países do Norte - ou nas camadas com rendas maiores que os outros países - além de pouco saudável, não é generalizável ao conjunto do planeta. Vejamos alguns cálculos com valores de 1990 (como se verificará, o núcleo do problema permanece; além disso , desde então os problemas ecológicos mundiais não deixaram de piorar, ao mesmo tempo que continuava a crescer a população humana). Em 1990, para alimentar os mais de 5.300 milhões de seres humanos que então populavam o planeta, contou-se com uma colheita de 1.780 milhões de toneladas de cereais. Supondo-se uma distribuição igualitária, com esta quantidade poderiam alimentar-se suficientemente 5.900 milhões de pessoas: mas com o nível de consumo per capita da Europa Ocidental (especialmente el consumo de carne), só 2.900 milhões puderam.

Suponhamos que a colheita mundial de cereais aumenta até totalizar 2.000 milhões de toneladas. Com isto poderiam alimentar-se somente 2.500 milhões de pessoas com dieta estado-unidense (800kg de cereais por ano, a maioria consumidos indirectamente em forma de carne, ovos, leite, gelados…). Ou então 10.000 milhões de pessoas com a dieta hindu de então (200kg de cereais, consumidos directamente quase na sua totalidade). Nenhuma destas duas dietas é muito saudável, a primeira por excesso, a segunda por defeito. No meio termo encontra-se uma dieta que nutricionalmente é muito mais adequada, a dieta mediterrânea: com os 400kg de cereal por pessoa que consumiam os italianos em 1990 podiam alimentar-se 5.000 milhões de pessoas (Brown, 1997. P.77). Só que hoje – em 2012 – já somos mais de 7.000 milhões, e a população mundial ainda continua a aumentar …

Se 9.000 milhões de pessoas (a população em que talvez se estabilize a demografia humana durante o século XXI) tratassem de comer como hoje o faz o estado-unidense médio, fariam falta as terras de cultivo de mais de dois planetas adicionais para suportar essa dieta: 4.500 milhões de hectares – quando na Terra só existem uns 1.400 milhões de hectares de terra de cultivo (Trainer, 2011; nos espanhóis e espanholas não estamos tão longe do sobreconsumo de carne dos estado-unidenses, se contabilizarmos também no nosso caso a proteína animal proveniente da pesca, que igualmente sobreconsumimos. O mesmo cálculo, de outro ângulo: com dieta estado-unidense, e tendo em conta que temos de cultivar mais coisas que alimentos em terras agrícolas (fibras por exemplo, ou matérias primas para a indústria…) o planeta só poderia dar sustento a 1.500-2.000 milhões de pessoas.

Não se pode ignorar, também que a produção agropecuária de hoje é insustentável a médio prazo (depende crucialmente de recursos não renováveis cujo auge nos estamos a aproximar: petróleo, gas natural, fosfatos)… Não há forma de conceber um mundo sustentável para 17 mil ou mais milhões de seres humanos salvo em termos de agroecologia, soberania alimentar e dieta basicamente vegetarianas.

  • Para concluir
Passar de uma dieta muito carnívora para uma basicamente vegetariana supõe reduzir fortemente o impacto socio-ecológico relacionado com as actividades de alimentação. Deveríamos mudar as nossas pautas de alimentação até uma dieta basicamente vegetariana – a “dieta mediterrânea” que antes evocamos -, muito menos rica em carne e pescado que a actual, e deveríamos renunciar por completo a ganadaria extensiva: criação de aves em corrais abertos, gado bovino e ovino que pastam livremente em prados, etc. (e a ele a condição, claro está, de que se minimize o sofrimento provocado aos animais no transporte e que se sacrifiquem com métodos indolores.) Em torno destes objectivos deveria poder articular-se uma ampla coligação social que unisse ecologistas, defensores dos animais, fazendeiros de montanha (e pequenos fazendeiros em geral), preservadores das raças nativas, activistas pela alimentação natural e consumidores conscientes. Como já sugeri há muitos anos, o lema de uma coligação assim poderia ser “menos carne, melhor carne, vida para o campo” (Riechmann, 2003). E a uma coligação semelhante não deveriam juntar-se os e as socialistas/comunistas do século XXI?

Os sistemas agropecuários actuais já produzem hoje impactos ecológicos inaceitáveis, e – se pensamos no futuro – são ecologicamente insustentáveis. Por outro lado, num mundo onde centenas de milhões de humanos estão sub-nutridos ou morrem de fome, e em cujo horizonte presentimos problemas cada vez mais graves para alimentar adequadamente uma população crescente, não podemos desperdiçar tanta comida criando animais como fazemos hoje. A produção de cereais per capita alcançou um máximo em 1985 e desde então, com todos os esforços realizados, foi diminuindo (Meadows, Randers e Meadows, 2006, p. 120): é outro dos indícios flagelantes de choque contra os limites num “mundo cheio”. Como assinala Esther Vivas,

“Se a “revolução verde” prometeu acabar com a fome no mundo e não o conseguiu – pelo contrário: os valores absolutos de famintos não têm parado de aumentar, superando os mil milhões segundo indica a FAO – o aumento na produção de carne não significou uma melhoria na dieta. Antes (…) o aumento do consumo de carne gerou maiores problemas de saúde e a sua lógica productivista teve um impacto muito negativo no meio ambiente, no campesinato, nos direitos dos animais, e nas condições laborais. Aumentar a produção não implica um maior acesso àquilo que se produz, como bem demonstrou o fracasso da “revolução verde” e a “revolução fazendeira”. (Vivas, 2012)”

Assim a resposta à pergunta posta pelo título deste artigo deveria ser, na minha opinião: um socialista e uma comunista do século XXI deveriam estar conscientes de que só dietas com uma pequena fracção do conteúdo de carne, peixe e produtos provenientes da ganadaria industrial do que hoje se considera “normal” são coerentes com o resto da sua ideologia de emancipação humana.

Se é que levamos a sério os valores da igualdade, justiça e sustentabilidade, claro está.

  • Uma nota sobre a questão das touradas
Concedemos que a mal apelidada “festa dos touros” seja cultura – no mesmo sentido em que os tormentos que aplicava aos seus réus a Santa Inquisição formavam parte da cultura espanhola da época – mas, será por isso um bem? Que uma determinada prática venha enraizada numa tradição ou numa cultura nada nos diz sobre a sua justificação ética. Não se trata de que regionalistas ou nacionalistas periféricos questionem uma suposta essência cultural espanhola, se não de algo de muito maior profundo: a tomada de consciência sobre espectáculos cruéis onde se tortura e mata seres sencientes que sentem dor, medo e outros sentimentos similares aos nossos.

As práticas culturas que servem de invólucro à tortura de seres vivos – desde a caça da raposa à festa vermelha da matança de atuns nas ilhas Feroe – são inaceitáveis. Não disfarcemos a sua brutalidade e inumanidade: trata-se de sinais de barbaridade. A comparação com outras práticas culturais como a ablação do clitóris não supõe que se rebaixe a condição das mulheres, mas sim que em ambos os casos um traço cultural, em determinadas sociedades, é incompatível com o princípio de humanidade.

O sacrifício mais ou menos ritual do touro no decorrer da corrida comporta um grande sofrimento e destruição do animal incompatível com uma consciência civilizada. O sacrifício de seres humanos e de animais não-humanos é parte da história da humanidade e constituiu inclusive o núcleo do sagrado em determinadas formas de organização social: mas a sua persistência, por muito que a assume uma parte de uma sociedade, é incompatível com o progresso moral nas mentalidades e acompanha a reprodução de comportamentos inumanos.

Com a supressão das corridas de touros pode avançar-se para uma reconsideração profunda da relação entre o ser humano, os animais não-humanos e a natureza. Não devemos apoiar práticas sociais que legitimam a submissão aos impulsos primários e a violência.

Publicado na revista Viento Sur. Tradução de Inês Ribeiro.

Fonte do texto: Debate da Associação Política Socialista Revolucionária


publicado por Maluvfx às 15:20
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2012
Vegetarianos estritos e vegans

Os vegetarianos estritos excluem de sua alimentação carnes, peixes, aves, laticínios (leite, manteiga, queijo, iogurte, etc.), ovos, mel, gelatina, etc. Já os vegans, além de não consumirem nenhum alimento de origem animal também evitam, sempre que possível, o uso de couro, lã, seda e pele, e de outros produtos de origem animal, como óleos e secreções, presentes em sabonetes, xampus, cosméticos, detergentes, perfumes, filmes etc. (WINCKLER, 2004).

Por envolver todos esses fatores, o veganismo não é considerado somente uma dieta, mas sim um estilo de vida complexo, no qual uma série de características distintas estão envolvidas; tanto características externas (por exemplo padrões de consumo) como internas (considerações éticas amplas).
Os vegans não só não consomem alimentos de origem animal, mas também se preocupam em não usar roupas que foram feitas de animais, frequentar rodeios, circos que façam apresentação com animais e etc. (SOCIEDADE VEGETARIANA CHILENA, 2008).

Quase 3% da população afirma nunca comer carnes, aves, peixes ou frutos do mar. Evitar carnes e peixe costumava ser o limite de qualquer pessoa. Agora, os vegetarianos estritos, que não consomem nenhum tipo de produto animal, são tão comuns quanto os vegetarianos já foram um dia (SINGER, 2007).

Os vegans dizem que é mais saudável, tanto para nós mesmos quanto para o planeta, evitar comer produtos de origem animal. Os vegans consideram seu estilo de vida como fundamental para se considerar que são pessoas que tem ética e moral. Tendo a consciência de que suas ações têm consequências, percebem o impacto que suas ações têm sobre o mundo e restringem, portanto o máximo que podem atitudes que poderiam interferir na harmonia de qualquer ser e do planeta. Eles resumem essa ideologia em uma conhecida frase: “Se você quer mudar o mundo, mude a você mesmo” (SOCIEDADE VEGETARIANA CHILENA, 2008).

Quanto a ser saudável ou não seguir uma alimentação vegetariana estrita as opiniões são controversas.
A American Academy of Pediatrics, (academia norte-americana de pediatria), afirmou que as dietas vegetarianas estritas podem promover o crescimento normal das crianças. A American Dietetic Association diz que “Uma dieta vegetariana estrita bem planejada e outros tipos de dietas vegetarianas são adequadas para todas as fases do ciclo de vida, incluindo gravidez, lactação, infância e adolescência“,
Mas, para essas afirmações se realizarem na prática, vegetarianos estritos necessitam maior atenção para que não desenvolvam deficiências nutricionais, o que resultaria em efeitos negativos para a saúde e, consequentemente, para o desempenho atlético, para aqueles que praticam algum esporte. Vegetarianos estritos devem estar atentos a alguns micro nutrientes, em especial a vitamina B12, cálcio e ácidos graxos Ômega 3. Mas os vegetarianos estritos costuma consumir comidas que são fortificadas com estes nutrientes. Em alguns casos, minerais como o ferro e o zinco podem se apresentar em menor quantidade devido a baixa biodisponibilidade destes nutrientes na dieta vegetariana estrita (CRAIG, 2009).

Os vegetarianos estritos, como já citado, podem alcançar todos os nutrientes e ter uma dieta balanceada. Pois é seguro seguir uma alimentação vegetariana estrita, contanto que o adepto seja cuidadoso em relação à alimentação (SINGER, 2007; FERREIRA, BURINE e MARIA, 2006).

Se a dieta for bem plenejada, os vegetarianos estritos costumam ser mais magros, apresentar menor pressão sanguínea e menor nível de colesterol, tendo assim menos risco de adquirir uma doença cardíaca (CRAIG, 2009).

Fonte:  ***Nutrição Vegetariana***


Vegetarianismo estrito

Também chamado de vegetarianismo verdadeiro, é uma dieta que exclui todos os produtos de origem animal. Vegetarianos estritos não comem, assim, qualquer tipo de carne, ovos, laticínios, mel, etc., retirando da dieta todos os produtos de origem animal.

Essa forma de dieta é frequentemente confundida com o veganismo, mas, embora veganos sejam vegetarianos estritos, não são a mesma coisa:
"Apesar de [nutricionalmente] classificarmos os 'vegetarianos verdadeiros' apenas pela alimentação, existe uma diferença entre o vegano e o vegetariano estrito. Geralmente o vegano também não utiliza produtos não alimentícios provenientes de animais, como lã, couro, seda e pele. Quando falamos em termos [exclusivamente] nutricionais, não faz diferença essa classificação."
Enquanto o vegetarianismo estrito é apenas um regime alimentar, veganismo é respeito aos direitos animais - o que inclui o vegetarianismo estrito por razões éticas, mas não apenas (circo com animais, rodeios, produtos testados em animais, e qualquer outra forma de exploração animal é boicotada pelos veganos).

Existe também outras dietas semelhantes como o Crudivorismo e o Frugivorismo.

Vegetarianismo é uma palavra ambígua, ou seja, que tem mais de um sentido. No sentido de gênero, fala abrangendo todas as formas de vegetarianismo. No sentido de espécie, designa o verdadeiro sentido da palavra, o vegetarianismo estrito (que não consome nenhum produto de origem animal).

Nisso faz-se diversas confusões. As mais comuns são: simplificar o ovolactovegetarianismo por vegetarianismo; e confundir vegetarianismo estrito com veganismo. Devido a isso se emprega o termo "dieta vegana", para indicar a dieta vegetariana estrita. Veganismo não é dieta alimentar, vegetarianismo sim. O correto é sempre "dieta vegetariana". Ao referir-se à alguém que não se alimenta com nenhum produto de origem animal, usa-se o termo "dieta vegetariana estrita".

Fonte


publicado por Maluvfx às 11:04
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Vegetarianos estritos e Veganos

Os vegetarianos estritos excluem de sua alimentação carnes, peixes, aves, laticínios (leite, manteiga, queijo, iogurte, etc.), ovos, mel, gelatina, etc. Já os vegans, além de não consumirem nenhum alimento de origem animal também evitam, sempre que possível, o uso de couro, lã, seda e pele, e de outros produtos de origem animal, como óleos e secreções, presentes em sabonetes, xampus, cosméticos, detergentes, perfumes, filmes etc. (WINCKLER, 2004).

Por envolver todos esses fatores, o veganismo não é considerado somente uma dieta, mas sim um estilo de vida complexo, no qual uma série de características distintas estão envolvidas; tanto características externas (por exemplo padrões de consumo) como internas (considerações éticas amplas).
Os vegans não só não consomem alimentos de origem animal, mas também se preocupam em não usar roupas que foram feitas de animais, frequentar rodeios, circos que façam apresentação com animais e etc. (SOCIEDADE VEGETARIANA CHILENA, 2008).

Quase 3% da população afirma nunca comer carnes, aves, peixes ou frutos do mar. Evitar carnes e peixe costumava ser o limite de qualquer pessoa. Agora, os vegetarianos estritos, que não consomem nenhum tipo de produto animal, são tão comuns quanto os vegetarianos já foram um dia (SINGER, 2007).

Os vegans dizem que é mais saudável, tanto para nós mesmos quanto para o planeta, evitar comer produtos de origem animal. Os vegans consideram seu estilo de vida como fundamental para se considerar que são pessoas que tem ética e moral. Tendo a consciência de que suas ações têm consequências, percebem o impacto que suas ações têm sobre o mundo e restringem, portanto o máximo que podem atitudes que poderiam interferir na harmonia de qualquer ser e do planeta. Eles resumem essa ideologia em uma conhecida frase: “Se você quer mudar o mundo, mude a você mesmo” (SOCIEDADE VEGETARIANA CHILENA, 2008).

Quanto a ser saudável ou não seguir uma alimentação vegetariana estrita as opiniões são controversas.
A American Academy of Pediatrics, (academia norte-americana de pediatria), afirmou que as dietas vegetarianas estritas podem promover o crescimento normal das crianças. A American Dietetic Association diz que “Uma dieta vegetariana estrita bem planejada e outros tipos de dietas vegetarianas são adequadas para todas as fases do ciclo de vida, incluindo gravidez, lactação, infância e adolescência“,
Mas, para essas afirmações se realizarem na prática, vegetarianos estritos necessitam maior atenção para que não desenvolvam deficiências nutricionais, o que resultaria em efeitos negativos para a saúde e, consequentemente, para o desempenho atlético, para aqueles que praticam algum esporte. Vegetarianos estritos devem estar atentos a alguns micro nutrientes, em especial a vitamina B12, cálcio e ácidos graxos Ômega 3. Mas os vegetarianos estritos costuma consumir comidas que são fortificadas com estes nutrientes. Em alguns casos, minerais como o ferro e o zinco podem se apresentar em menor quantidade devido a baixa biodisponibilidade destes nutrientes na dieta vegetariana estrita (CRAIG, 2009).

Os vegetarianos estritos, como já citado, podem alcançar todos os nutrientes e ter uma dieta balanceada. Pois é seguro seguir uma alimentação vegetariana estrita, contanto que o adepto seja cuidadoso em relação à alimentação (SINGER, 2007; FERREIRA, BURINE e MARIA, 2006).

Se a dieta for bem plenejada, os vegetarianos estritos costumam ser mais magros, apresentar menor pressão sanguínea e menor nível de colesterol, tendo assim menos risco de adquirir uma doença cardíaca (CRAIG, 2009).

Fonte:  ***Nutrição Vegetariana***


Vegetarianismo estrito

Também chamado de vegetarianismo verdadeiro, é uma dieta que exclui todos os produtos de origem animal. Vegetarianos estritos não comem, assim, qualquer tipo de carne, ovos, laticínios, mel, etc., retirando da dieta todos os produtos de origem animal.

Essa forma de dieta é frequentemente confundida com o veganismo, mas, embora veganos sejam vegetarianos estritos, não são a mesma coisa:
"Apesar de [nutricionalmente] classificarmos os 'vegetarianos verdadeiros' apenas pela alimentação, existe uma diferença entre o vegano e o vegetariano estrito. Geralmente o vegano também não utiliza produtos não alimentícios provenientes de animais, como lã, couro, seda e pele. Quando falamos em termos [exclusivamente] nutricionais, não faz diferença essa classificação."
Enquanto o vegetarianismo estrito é apenas um regime alimentar, veganismo é respeito aos direitos animais - o que inclui o vegetarianismo estrito por razões éticas, mas não apenas (circo com animais, rodeios, produtos testados em animais, e qualquer outra forma de exploração animal é boicotada pelos veganos).

Existe também outras dietas semelhantes como o Crudivorismo e o Frugivorismo.

Vegetarianismo é uma palavra ambígua, ou seja, que tem mais de um sentido. No sentido de gênero, fala abrangendo todas as formas de vegetarianismo. No sentido de espécie, designa o verdadeiro sentido da palavra, o vegetarianismo estrito (que não consome nenhum produto de origem animal).

Nisso faz-se diversas confusões. As mais comuns são: simplificar o ovolactovegetarianismo por vegetarianismo; e confundir vegetarianismo estrito com veganismo. Devido a isso se emprega o termo "dieta vegana", para indicar a dieta vegetariana estrita. Veganismo não é dieta alimentar, vegetarianismo sim. O correto é sempre "dieta vegetariana". Ao referir-se à alguém que não se alimenta com nenhum produto de origem animal, usa-se o termo "dieta vegetariana estrita".

Fonte


publicado por Maluvfx às 03:04
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2012
Resistir a um bom bife para ajudar o planeta
Hoje em dia já existem muitas opções para os vegetarianos, quer nos supermercados, quer nos restaurantes
 Hoje em dia já existem muitas opções para os vegetarianos, quer nos supermercados, quer nos restaurantes

Adotar uma alimentação vegetariana já não é uma prática para poucos. Hoje em dia as ofertas são muitas e variadas e há cada vez mais pessoas que cortam a carne da sua dieta, não só por considerarem que é mais saudável mas também por ser mais sustentável.

Um estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO na sigla inglesa) indica que a indústria pecuária é responsável pela emissão de mais gases de efeito de estufa do que o setor dos transportes.

Esta “questão ambiental e de sustentabilidade” foi um dos motivos que levou David Saraiva, professor de expressão plástica, a converter-se ao vegetarianismo no final do secundário.  Com uma irmã vegetariana, foi “natural” começar a cortar a carne da sua dieta. “Naquela altura, todo um conjunto de princípios éticos começaram a fazer sentido para mim”, explica ao SAPO Notícias David Saraiva.

Princípios não só ligados à “carnificina que é a matança animal para a alimentação humana”, mas também porque “toda a produção de carne implica direta e indiretamente uma série de questões brutais ao nível do ambiente”, salienta o professor.

David Saraiva é um exemplo de uma família vegetariana, já que tanto a mulher como o filho bebé do casal não consomem carne ou peixe. “Como já somos vegetarianos há tantos anos, nem sequer tínhamos isso em questão, de uma forma natural o meu filho é vegetariano”, diz.

Sofrimento dos animais

Dados da FAO dão conta de que atualmente a pecuária ocupa 33 por cento da superfície da Terra, não só para pastos permanentes, mas também território cultivado para a produção de alimentos para os diferentes tipos de gado.

Só nos Estados Unidos cerca de 42 milhões de vacas são abatidas por ano para serem utilizadas na indústria da carne e dos laticínios, segundo números da PETA, uma associação para defesa dos animais.

O sofrimento dos animais levou Vera Martins a cortar a carne dos seus hábitos alimentares. Foi exatamente no ano de 1999, depois de ler um artigo sobre direitos dos animais. “Este artigo mexeu muito comigo e nesse momento decidi deixar de comer carne”, conta a funcionária do restaurante vegetariano Nakité, no Porto.

Hoje em dia, Vera Martins é vegan, um estilo de vida que corta com todos os produtos de origem animal. Pode parecer radical abolir alimentos que estão tão enraizados nos nossos hábitos, como os laticínios, mas Vera Jardim considera que estes “fazem falta mais pelo hábito” e que existem substitutos. “Bebo leite de soja mas podemos também fazer leite em casa através da aveia ou do arroz”, exemplifica. “Não estamos restritos e acabamos por comer outros alimentos que a maioria das pessoas não conhece”, refere.

Francesinha vegetariana e tofu à lagareiro

Foi para “mostrar às pessoas que se podem alimentar com prazer, sem carências e sem matar animais” que Anabela Vidal fundou há 11 anos o restaurante Nakité. “Desde os 14 anos sou macrobiótica e sempre tive a orientação de contribuir para a cidade onde nasci com este projeto”, afirma.

O restaurante é conhecido na cidade por fazer uma releitura de pratos tradicionais mas 100 por cento vegetarianos. A francesinha vegetariana é um dos sucesso da casa na Rua do Breyner mas há também caldeiradas, chillis, moquecas e caris.

Anabela Vidal deixa mais alguns exemplos: nos pratos de bacalhau (à lagareiro ou à Gomes de Sá), o tofu (alimento produzido a partir da soja) é o substituto ideal, e depois basta seguir a receita. No caso do rolo de carne Wellington, a carne pode ser trocada pelo seitan (um alimento à base de glúten). “Fica muito parecido com o original”, garante a proprietária do restaurante Nakité.

Padaria do Suribachi vende bolos feitos com leite de soja
Padaria do Suribachi vende bolos feitos com leite de soja 
O Suribachi é outro espaço na cidade dedicado a hábitos alimentares e terapias alternativas. Surgiu “há 33 anos com o objetivo de ser uma escola para transmitir uma filosofia de vida para adquirir saúde através da alimentação”.

A proprietária, Maria Arminda Pereira, conseguiu superar um problema de saúde durante a primeira gravidez através da alimentação macrobiótica e a partir daí quis “contribuir para fornecer conhecimento” nesta área.

Na macrobiótica predominam “cereais integrais, vegetais, leguminosas, algas e soja”, explica Maria Arminda Pereira, lembrando que “não se proíbem produtos de origem animal mas é preciso ter consciência do que se come”.

Maria Arminda tem estudado muito sobre estes hábitos alimentares alternativos e considera que quando se quer adotar a dieta vegetariana ou macrobiótica é preciso ter “conhecimento” sobre a matéria e não sei deixar levar por “modas”. “Quando queremos tomar medicamentos, temos de ir ao médico, com os alimentos é igual”, conclui.

Fonte


publicado por Maluvfx às 13:19
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Sábado, 4 de Agosto de 2012
Vegetarianos rendem menos nos exercícios físicos?

Não comer carne afeta o rendimento nas práticas físicas? A polêmica foi reacesa com o novo livro Eat&Run (Comer & Correr, não publicado no Brasil), do recordista americano de ultramaratonas Scott Jurek, 39 anos. Desde 1997 ele é vegano — além de não comer carne, peixe ou frango, também deixa os derivados de leite e ovos fora da dieta. E defende que esse cardápio teve tudo a ver com seu desempenho excepcional: o atleta chegou a correr 266 km em 24 horas.

Diante dessa maratona sêxtupla, tudo bem ser esportista e vegetariano, certo? “Desde que a pessoa tenha uma alimentação balanceada e tome suplementos ou alimentos fortificados — como cereais matinais e leite de soja”, afirma Fabiana Honda, nutricionista especializada em esportes da PB Consultoria, de São Paulo. Mas se os cuidados não forem tomados, pode-se ficar para trás.

Devido à restrição de alimentos, os vegetarianos, de forma geral, têm mais dificuldade em ganhar massa muscular. A creatina, por exemplo, substância que garante o abastecimento de energia durante a contração do músculo (ver gráfico acima), só é encontrada na carne, frango e peixe. “O corpo até a produz naturalmente, mas em cerca de 1 g por dia. E a necessidade pode variar de 3 g a 5 g”, diz Bruno Gualano, pesquisador da Escola de Educação Física e Esporte da USP. A falta da substância só será compensada com o uso moderado de suplementos — indicados para vegetarianos que praticam esportes de alta intensidade, como futebol, basquete, musculação, corridas e natação de curta distância (até 50 m).

Proteínas, gorduras, ferro e vitaminas, como a B12, podem ser compensadas por doses extras de grãos, legumes, frutas, sementes e óleos vegetais. No fim das contas, seja vegetariano ou carnívoro, o que conta é uma dieta rica e balanceada. Aí, na união de forças, todo mundo ganha.

1 fonte de energia
A força de contração do músculo vem do ATP (trifosfato de adenosina), molécula que contém 3 grupos de fosfato (P). Para dar energia, ela se quebra, liberando um dos grupos. Vira, assim, ADP (difosfato de adenosina).

2 quebra tudo
Chega a creatina, vinda da carne vermelha, peixe e frango ou, em menor quantidade, produzida por nosso fígado. Ela contém fosfato e repõe o grupo perdido, permitindo um novo ciclo de energia.

3 super-molécula
O resultado é mais resistência e menos fadiga na contração do músculo ao longo do exercício.

Veja o menu saudável para esportistas vegetarianos e outro para carnívoros:


Dieta normalDieta vegana
Café da manhãPão integral
Queijo branco
Fruta com aveia
Suco de fruta natural 
Pão integral
Homus
Fruta com aveia e semente de linhaça
Suco de fruta natural ou leite de soja
Lanche da manhãFruta
Castanhas
Fruta
Castanhas
AlmoçoSalada crua temperada com sal, limão e azeite
Vegetais cozidos
Carne, frango, peixe ou ovo
Arroz
Feijão
Fruta de sobremesa
Evitar: frituras, preparações empanadas, feitas com farinha 
Salada crua temperada com sal, limão e azeite com semente de gergelim
Vegetais cozidos, sendo um tipo sempre um verde-escuro
Arroz
Feijão
Fruta de sobremesa
Evitar frituras e preparações feitas com farinha branca.
Adicionar oleaginosas ou grãos nas saladas 
Antes do exercícioIogurte
Cereal
Vitamina de leite de soja com frutas e cereal
Pós exercícioPão
Peito de peru
Suco de fruta natural com vegetais e gengibre 
Pão
Pasta de tofu
Suco de fruta natural com vegetais e gengibre
JantarSalada crua temperada com sal, limão e azeite
Vegetais cozidos
Massa com molho de tomate fresco e manjericão e mussarela de búfala
Salada crua temperada com sal, limão e azeite com soja em grãos
Vegetais cozidos
Macarrão de quinua com molho de tomate fresco e manjericão 

Fonte


publicado por Maluvfx às 15:31
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Terça-feira, 10 de Abril de 2012
Emagreça com o VEGeteriANISMO
Por Samira Menzes e Viviane Pereira
Revista Vegetarianos - Outubro 2010

Nutricionistas norteamericanos garantem: é possível emagrecer em três semanas com uma dieta 100% vegetariana. E o melhor de tudo, sem passar fome. Descubra como.
Não tem fórmula, dieta ou remédio milagroso para perder peso. A velha receita alimentação balanceada e exercícios físicos funciona, mas se você quer emagrecer para valer e garantir que não ganhará nenhum grama a mais depois de ter perdido os quilinhos extras, o melhor e mais saudável é o vegetarianismo. Manter o peso ideal após excluir de vez as carnes (peixe e frango também) e diminuir consideravelmente o consumo de laticínios e ovos não têm nada de sobrenatural - pelo contrário, os benefícios e resultados estão comprovados pela ciência.

Falar em peso ideal, aliás, não se trata de ter como parâmetro os 50 e poucos quilos da modelo Gisele Bundchen nem a barriga tanquinho do galã Brad Pitt. Cada pessoa tem o seu, assim como cada um tem a sua genética, o seu lado psicológico e a sua rotina. São vários fatores que devem ser levados em conta antes de começar a perder peso definitivamente. Mas o que todos podem e devem começar a fazer já é incluir hábitos saudáveis no dia a dia.
E diferentemente do que a maioria pensa, perder peso não se trata de subtração, mas sim de adição: coma mais vegetais, de preferência os crus e frescos; coma pequenas porções de alimentos naturais com mais frequência para manter o metabolismo funcionando; mastigue mais, pois a mastigação bem feita aumenta a sensação de saciedade; pratique mais atividade física, ela aumenta os níveis de serotonina (aquele hormônio da felicidade) - descubra urna que mais agrada a você e saia do sofá.

Dançar, praticar yoga, nadar, andar ou correr ao ar livre podem ser atividades mais prazerosas do que ficar andando para lugar nenhum ern cima de uma esteira dentro de uma academia. E claro, antes de dar início a essa mudança maravilhosa na sua vida, busque a orientação de um profissional qualificado para dar dicas sobre como montar um cardápio vegetariano balanceado. Assim você evita cair na armadilha de só comer salada e soja, e só receberá elogios pela sua saúde.

A MEDIDA VEGANA
O objetivo dos médicos e nutricionistas da ONG PCRM (Physicians Committee for Responsible Medicine), dos EUA, é promover a boa alimentação. Por isso, eles desenvolvem diversas ações e campanhas em prol do veganismo. Esses profissionais, a maioria pesquisadores ou professores de universidades importantes naquele país, garantem que esse tipo de alimentação, que exclui todo tipo de carne, ovos, mel, leite e derivados, é a melhor escolha para quem quer emagrecer.

Aos que desejam experimentar, eles sugerem um guia de três semanas de dieta vegana com baixa caloria que irá colocar você no caminho do peso saudável. "Quando você monta suas refeições com generosas porções de vegetais, frutas, grãos integrais e leguminosas - isto é, opções vegetarianas saudáveis -, perder peso é muito fácil e ele vai embora de maneira significativa", afirma o presidente da PCRM, Dr. Neal Barnard. "E junto com isso vêm alguns brindes, como a diminuição do colesterol e dos níveis de açúcar no sangue, o controle da pressão arterial e muitos outros aspectos da saúde."

Mas para obter esses resultados, afirmam os nutricionistas, é preciso seguir à risca o cardápio vegano durante as três semanas. "Isso significa parar de colocar molhos gordurosos na salada, excluir ovos, leite e derivados, carne vermelha, frango e peixe. Escolha um dia, se pese e vá se pesando no decorrer das três semanas. Também faça uma lista do que você come e um diário de como você se sente - isso irá ajudar o monitoramento do seu progresso", diz a Dra. Amy Joy Lanou, membro da PCRM e nutricionista do Departamento de Saúde e Bem-estar, da Universidade da Carolina cio Norte. Ela explica ainda que é superimportante variar os alimentos dentro de cada grupo (grãos, leguminosas, legumes, verduras e frutas) "porque a variedade não só tempera a vida, como também ajuda você a conseguir diferentes nutrientes". Se você ficar com fome ao seguir as sugestões de consumo do guia, montado para oferecer 1.500 calorias diárias, Amy sugere aumentar as porções de legumes e verduras.

Quando você monta refeições com opções vegetarianas saudáveis, perder peso é fácil.
Dr. Neal Barnard.

Comer mais desse grupo de alimentos é permitido devido às suas fibras, conforme explica a nutricionista Ana Ceregatti. 'As fibras dos legumes e das frutas ajudam a estimular o centro de saciedade no cérebro, especialmente se consumidas antes das principais refeições." Por isso, aponta Ana, comer salada como entrada é realmente de grande valia. 'As fibras também retardam a absorção de gorduras e de colesterol, ajudando no controle dos seus níveis no sangue. Ainda regulam os movimentos do intestino e dão volume ao bolo fecal, facilitando as evacuações."


EMAGRECENDO COM O VEGeteriANISMO
"Pessoas que se tomam vegetarianas normalmente perdem 10% de seu peso. Excluir as carnes do cardápio é a melhor maneira de perder peso e se tornar uma pessoa mais saudável." A afirmação é da nutricionista Dra. Amy Joy Lanou. Além dela, outros tantos profissionais da saúde apontam para esse fato, como o professor do Departamento de Câncer da Universidade de Oxford, Timothy Key, que observou a ligação entre vegetarianismo e a propensão de essas pessoas manterem o peso ideal ao longo da vida.
Segundo Amy, isso não acontece por milagre, aliás, as dietas conhecidas como milagrosas são justamente as menos eficientes quando a intenção é perder peso. O mecanismo está no poder de ação dos legumes, verduras, frutas e cereais integrais. Refeições baseadas nos alimentos de origem vegetal, explica a pesquisadora, geralmente são menos calóricas.
O ovo e o leite contêm gordura saturada e colesterol, que aumentam o risco de obesidade.
Dra. Amy Lanou, nutricionista.

Essas refeições têm mais fibras, que aceleram o metabolismo; e mais carboidratos complexos (presentes nas frutas, cereais integrais e legumes), que liberam energia no organismo lentamente, ao contrário dos carboidratos simples, comuns dos doces e pães brancos. Além disso, a alimentação vegetariana é mais rica em gordura insaturada - presente no azeite de oliva e nas castanhas, que favorece o aumento dos níveis do colesterol bom.
Amy e seus colegas da PCRM lembram que a exclusão do leite de vaca também é benéfica no processo de emagrecimento e de manutenção do peso. "A curto ou longo prazo. Em ambos os casos o modo mais eficiente para perder peso é evitando os produtos de origem animal, porque tanto o ovo quanto o leite contêm gordura saturada e colesterol, que aumentam o risco de doenças crônicas, como a obesidade e as cardiovasculares. Laticínios, como iogurte, manteiga, queijo e sorvete, também contribuem para esses problemas", aponta a pesquisadora. Enquanto a nutricionista Ana Ceregatti acrescenta: "Ao excluir as carnes, os vegetarianos costumam abusar de carboidratos e de laticínios (por exemplo, substituindo o bife do almoço por queijo) Essa prática aumenta muito a ingestão calórica. podendo levar ao excesso de peso."
Outro problema do leite, mesmo aqueles que trazem no rótulo a denominação fat-free (livre de gordura) são os hormônios. "Hormônios naturais ou artificiais sempre estão presentes nos laticínios. O leite orgânico, por exemplo, pode não conter pesticida e antibiótico, mas ainda assim tem colesterol e os hormônios naturais da vaca. As opções mais saudáveis são os leites vegetais, como o de arroz, enriquecidos com cálcio e vitamina D", indica Dra. Amy.


ESCOLA PARA APRENDER A COMER


Quem nunca se sentiu empanturrado porque comeu demais - talvez, na pressa, nem percebeu quanta comida colocou no prato e, depois, ingeriu sem notar o que ou quanto? Esse hábito, cada vez mais comum na vida agitada, é um dos fatores que contribuem para o aumento de peso. Para mudar essa forma de agir. o médico nutrólogo e acupunturista Cláudio Barbosa divulga a chamada Escola da Mastigação, em que ensina a forma correta de mastigar - e também, de certa forma, de se relacionar com a comida. No livro Mastigação, um poderoso aliado da Dietoterapia, Barbosa aborda e amplia os conceitos que surgiram com o médico austríaco Franz Xaver Mayr (1875-1965).
"A Escola da Mastigação chama atenção para um aspecto que não é novidade, mas não é muito estimulado, da relação que a gente constrói com o alimento", explica Cláudio. Ele comenta que muitas pessoas sentam à mesa pensando que vão engordar, já com culpa, fazendo movimentos automáticos e jogando na comida as frustrações e ansiedades. "Assim o comer não é prazeroso e vira um desvirtuamento da fisiologia para a qual o ato foi criado. Comer com pressa é desumano."

Para aprender essas lições não é preciso voltar aos bancos escolares. Cláudio avisa que a Escola da Mastigação pode ser feita em casa: basta observar e sentir o sabor, a textura da comida e ver como é prazeroso comer devagar. "Isso possibilita melhor digestão e saciedade mais precoce. Não é mágica, mas ajuda. Em uma sociedade de correria, de porções alimentares com densidades calóricas mais elevadas, temos que pensar em novos paradigmas." Como todo conhecimento, no começo precisa de treinamento repetitivo, acompanhando passo a passo - até contando a mastigação. Depois, torna-se um hábito. Cláudio indica como primeiro passo sentar-se confortavelmente por alguns minutos - seja fazendo uma oração ou relaxamento. Depois, levar o garfo à boca e, enquanto mastiga, deixá-lo descansando ao lado do prato. "A pessoa precisa perceber o alimento na boca até que vire uma massa quase mole para ser engolida."
No início, para acostumar, ele sugere mastigar no mínimo de 30 a 40 vezes cada garfada - dependendo da textura do alimento. "Quando a mastigação acontece devagar, os sinalizadores hormonais são liberados pelo nosso organismo, inibindo o centro da fome no hipotálamo", afirma. Quem ouve isso pela primeira vez muitas vezes sente certa descrença sobre os resultados. Acostumado à reação, o médico comenta: "Teoricamente falar disso para o paciente pode ser hilário. Eu sugiro que faça uma vez, experimente e confira se vai funcionar."

O efeito sanfona piora a saúde (,..) É preciso pensar em um tratamento focado no longo prazo.
Cláudio Barbosa, nutrólogo e acupunturista.


UMA NOVA PERSPECTIVA

Além da reeducação da mastigação, “quando se fala em emagrecimento, o básico é a revisão no estilo de vida”, observa Cláudio Barbosa. “A pessoa vai ter que tomar gosto pelo exercício físico, comer de forma mais variada, com mais alimentos integrais, menos açúcar e gordura.” Ele avisa que os métodos mais rápidos até funcionam, mas se não houver essa mudança de hábitos, o peso pode voltar. “Não existe mágica ou novidade. O paciente às vezes pensa que com dieta diferente ou remédio novo vai avançar, e não é verdade. A cirurgia bariátrica ou internação no SPA também fazem emagrecer rápido, mas se a pessoa usar como muleta para compensar um ano de excesso desenfreado, é enganação e ruim para a saúde.
Com a experiência de quem costuma ver pessoas buscando emagrecimento - ele atua no Lapinha Clinica SPA, na Lapa (PR) -, Cláudio ressalta que é antiético oferecer uma dieta para emagrecer três quilos em uma semana. “O efeito sanfona piora a saúde. A cirurgia pode ser eficiente em casos em que é necessária e a internação intensiva em um SPA ajuda se for uma preparação e tiver sequência. É preciso pensar em um tratamento continuado, focando no longo prazo.

Para evitar o efeito sanfona e ganhar em qualidade de vida o médico nutrólogo, Dr. Eric Slywitch lembra uma regra importante no processo de emagrecimento: perder peso lentamente. “Quem emagrece rápido perde músculo e não gordura. E a qualidade de vida, é menor com menos músculo.
Por isso, dietas com restrições de muitos grupos alimentares diferentes tendem a ser mais perigosas para a saúde. “Toda dieta que promove emagrecimento rápido tende a ser nociva. Perder até 4 kg por mês normalmente é mais adequado, porque mais do que isso, há risco de perda muscular em vez de gordura.


DE VOLTA À ORIGEM

Mesmo para o uso de remédios, Cláudio defende que o médico não pode apenas prescrever - necessita também conversar e fazer uma abordagem comportamental. Essa avaliação do comportamento é uma forma de descobrir a origem do sobrepeso ou da obesidade. “Dieta sem avaliação profunda dos mecanismos que levam uma pessoa a comer costuma ser fadada ao fracasso”, acrescenta o médico nutrólogo Eric Slywitch. “Se há emoção envolvida, que leva o indivíduo à alimentação excessiva, ou mesmo razões hormonais ou metabólicas, a simples orientação nutricional é ineficaz no tratamento.
Nesse contexto, ele ressalta que a reeducação alimentar é muito importante - porque o peso depende da ingestão e de quanto o organismo gasta. Só não pode ser tratada isoladamente, sem considerar outros fatores. “Comemos porque temos fome, porque gostamos de determinados alimentos, porque nos emocionamos entre outras possibilidades.


COMENDO E EMAGRECENDO


Privar o organismo de alimento nunca foi bom negócio para a saúde de ninguém. Para as pessoas que querem perder peso não poderia ser diferente. Apesar de, nesses casos, as calorias precisarem sim ser controladas, períodos muito longos sem comida podem fazer o efeito inverso e indesejado: o aumento do peso. “Muita gente acha que ficar sem comer emagrece”, lembra a nutricionista Ana Ceregatti. “Mas na verdade”, continua ela, “o que ocorre é exatamente o contrário. Ficar sem comer engorda porque na ausência de comida, o corpo entra no modo autopreservação, um mecanismo de defesa contra o jejum prolongado.
Ana explica que nesses jejuns o metabolismo não sabe se a falta de alimento é proposital ou se o corpo está perdido no meio do deserto, por exemplo, onde a pessoa não encontrará nada para comer. “Faltando comida, o gasto de energia vai ficando cada vez mais lento para preservar o estoque por mais tempo. Além disso, o centro que regula o apetite e a fome é acionado e fica superestimulado, aumentando a reserva calórica - pois armazenar gordura é um mecanismo de defesa do ser humano.” Por isso, a nutricionista revela que a melhor forma de conquistar o peso adequado é comendo (com sabedoria). “”É possível, e necessário inclusive, que todos os grupos alimentares estejam inseridos no dia a dia de quem quer emagrecer, afirma a nutricionista Silvana Portugal. Mas sem abusar dos grandes vilões, como as gorduras, os carboidratos e o açúcar.
O caminho ideal para garantir a boa saúde é, de acordo com Silvana, a reeducação alimentar - que passa pela inclusão de alimentos que muitas vezes não estão, ou estão em pequena quantidade no cardápio, como frutas, verduras, legumes e fibras. “A alimentação saudável com inserção de alimentos funcionais geram bem-eslar e saciedade. Assim, a pessoa não sente necessidade de guloseimas nem de comer muito em alguma refeição específica”, ensina Silvana.


PARADOXO CRUEL


Obviamente, quem está acima do peso é que precisa emagrecer. Entretanto, há um aparente paradoxo nessa questão para o qual Eric chama atenção: o excesso de peso traz maior dificuldade para o emagrecimento, pela simples existência de gordura corporal estocada em excesso. O médico explica que o tecido gorduroso não é apenas um depósito de gordura. Como órgão endócrino, ele produz mais de 20 tipos diferentes de hormônios - dos quais pelo menos 17 são nocivos ao organismo. “Essa produção hormonal traz muito mais dificuldade para o emagrecimento.
A consequência provavelmente já foi sentida por quem fez tentativas de emagrecer: a pessoa fica duas semanas comendo adequadamente para perder meio quilo. No final de semana, come um docinho a mais e nesse mesmo dia ganha meio quilo. Desanima.
A retenção de líquido pelo organismo também é comum nessa situação e provoca variação de peso importante de um dia para outro. Por isso, emagrecer deve ser uma meta de longo prazo. “Se o planejamento para a perda de peso não for muito bem feito, a pessoa inevitavelmente vai desistir.


EXPERIMENTANDO NOVOS HÁBITOS


Além da mastigação bem feita proposta por Cláudio lá no início da reportagem, outras medidas podem ser tomadas rumo às pazes com a balança. O fracionamento das refeições é uma delas. Comer porções menores e mais vezes ao dia produz um ritmo metabólico que favorece os processos de consumo de energia, como explica a nutricionista Ana Ceregatti. “Mas não vale fracionar e incluir no dia a dia alimentos muito processados e industrializados. Frutas frescas e secas e castanha são exemplos de alimentos que podem (e devem) ser consumidos nos intervalos das principais refeições.” Ana recomenda fazer de cinco a seis refeições por dia.
Também não adianta se basear em calorias porque elas variam de pessoa para pessoa. “1.500 calorias podem manter o peso de uma mulher de 1,60 m, 50 kg, que faz yoga uma vez por semana, emagrecer uma mulher de 1,60 m, 70 kg, que pratica a mesma coisa. A quantidade de calorias varia conforme o sexo, peso, altura, idade e atividades cotidianas. Fuja de dietas com calorias pré-determinadas”, aconselha a nutricionista, que aponta para a importância da hora de comer – “se você come na frente da televisão ou do computador, sua atenção é desviada e o processo digestivo cai no piloto automático. Você não mastiga direito, não percebe o que já comeu e não estimula o centro da saciedade.” Conclusão, aponta Ana, o volume da refeição tem que aumentar para satisfazer o apetite.
Apesar de parecer bastante complicado, mudar tanta coisa assim (desde o tipo de alimentação e a mastigação), ao optar por essa vibração mais saudável, não vai demorar muito para você perceber que de tamanho GG só mesmo a sua disposição e ânimo para a vida.


QUEM TEM PRESSA ERRA


O médico nutrólogo Eric Slywitch enumera os principais erros cometidos por quem tem pressa de emagrecer.

  •  Mudar radicalmente tudo o que come. As vontades e hábitos sufocados vão emergir em poucas semanas e estragar tudo o que é novo. A mudança deve ser gradual.
  • Ficar sem se alimentar. As alterações hormonais decorrentes da privação de alimentos dificultam o emagrecimento.
  • Comer proteína em excesso. A proteína tem o mesmo teor calórico do carboidrato, ou seja, 4 kcal/grama. Todo excesso de proteína pode causar danos graves no sistema renal.
  • Utilizar laxantes e diuréticos. Quem está acima do peso deve perder gordura, e não água. Um litro de água pesa 1 kg, mas é água, e não gordura. A desidratação dificulta o emagrecimento.
  • Suar a camisa na academia. A ideia de que suar a camisa emagrece nem sempre é real. Ao praticarmos uma atividade física, podemos escolher se vamos "queimar" a proteína, o carboidrato ou a gordura. A "queima" de gordura se faz com atividade de leve a moderada, por tempo prolongado. Por isso, é importante um planejamento que estabeleça intensidade e tempos adequados de treino. Estorço com pouco ou muito tempo de treino é inadequado para o emagrecimento.
  • Não avaliar o estado inflamatório antes de começar a praticar atividade física. Inflamação é uma resposta do organismo às agressões que ele sofre. O próprio tecido gorduroso produz hormônios que inflamam o organismo. Organismo inflamado tem dificuldade de emagrecer e, em muitos casos, a atividade física apenas vai piorar a inflamação.
  •  Usar medicamentos errados. É diferente um tratamento medicamentoso para cuidar de uma pessoa obesa que tem depressão ou ansiedade. Essa avaliação médica deve ser feita com critério.

Dietas vegetarianas – posição da Associação Dietética Americana

Emagreça Já!
Dicas e dietas vegetarianas sobre como perder peso com saúde.
- Alimentos termogênicos queimam gordura
Carne zero por alguns dias (ou pra vida toda)
Dieta das Cores
Ração humana, a fórmula caseira que emagrece até 8 kg


Experimente este cardápio
O médico Éric Slywitch sugere um menu vegetariano de 1.300 calorias diárias. Para fazer uma dieta prolongada, procure um nutricionista ou nutrólogo, que irá calcular o número ideal de calorias para o seu caso.

 Opção 1Opção 2Opção 3
Café da manhã1 copo de leite de soja rico em cálcio
(240 mg de cálcio por copo) e
1 fatia de pão integral com pasta de tofu
1 copo de suco verde e 1 fatia de pão
integral com pasta de tofu
1 xícara de aveia hidratada e 1 fruta fresca
Lanche1 copo de
suco verde
1 fruta 
AlmoçoPelo menos 3 xícaras (chá) de verduras cruas com molho, 4 colheres (sopa)
de arroz integral, 1 concha média cheia de feijão-preto cozido com
legumes variados (adicione os legumes no final do cozimento, como
se fosse uma “feijoada” de legumes) e ¼ de polpa de acerola
Pelo menos 3 xícaras (chá) de verduras cruas com molho,
7 colheres (sopa) de macarrão integral cozido com legumes e molho
vermelho, ½ xícara (chá) de tofu picado e ¼ de polpa de acerola*
Pelo menos 3 xícaras (chá) de verduras cruas com molho, 4 colheres
(sopa) de arroz integral cozido refogado com 1 xícara (chá) de legumes
variados, 1 concha média cheia de grão-de-bico cozido e ¼ de polpa de acerol
Lanche1 fruta15 amêndoas3 castanhas-do-pará*
Jantar Pelo menos 3 xícaras (chá) de verduras
cruas com molho, sopa de ervilha com legumes
e 1 fatia de pão integral torrado
 Pelo menos 3 xícaras (chá) de verduras
cruas com molho, sopa de feijão-branco com
legumes e 1 fatia de pão integral torrado
 Pelo menos 3 xícaras (chá) de
verduras cruas com molho, sopa de
feijão-marrom (carioca) e
1 fatia de pão integral torrado
* Opção 4: ½ fruta e 7 amêndoas


publicado por Maluvfx às 04:19
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Terça-feira, 3 de Abril de 2012
VEGetariANISMO e Saúde!
Nutricionista questiona matéria publicada no portal R7 que condena alimentação vegetariana para crianças


Por George Guimarães | O teste de mito ou verdade lançado pelo R7 (veja aqui) traz informações equivocadas, fornecidas por profissionais claramente despreparados para comentar o assunto.

Especificamente na pergunta sobre a viabilidade nutricional da dieta vegetariana para crianças, o site afirma:

“A dieta vegetariana pode alterar o desenvolvimento infantil. As proteínas são muito importantes para a formação dos tecidos corporais e para o ganho de peso durante a infância. Roberto Navarro explica que o consumo de proteínas de origem exclusivamente vegetal não consegue suprir as necessidades de uma criança. A dieta precisa ser complementada com ovos e leite para evitar as carências. E, mesmo assim é indicado avisar o pediatra sobre a restrição para que ele avalie a necessidade de suplementação alimentar.”

As proteínas exclusivamente de origem vegetal podem suprir as necessidades de uma criança. Basta que a dieta seja minimamente planejada, planejamento esse que deveria justamente ser o trabalho dos profissionais que nesse caso em específico afirmam que isso não é viável, ou seja, estão apenas desinformados, o que se torna um erro de maior importância no momento em que passam a repercutir a sua desinformação para a população.

Já há duas décadas a Associação Dietética Americana afirma que é viável uma dieta vegetariana para crianças. No início desse ano, o Conselho Regional de Nutricionistas da 3a região (CRN-3) publicou um parecer afirmando que uma dieta vegetariana isenta de ovos e laticínio é viável desde que haja o planejamento nutricional adequado. Na minha prática clínica de 14 anos em consultório especializado em dietas vegetarianas já atendi centenas de crianças vegetarianas e posso afirmar que uma dieta vegetariana bem planejada, inclusive e especialmente aquela isenta do consumo de ovos e laticínios, não somente é viável, como também mostra diversas vantagens para a saúde da criança que a adota.

George Guimarães
Nutricionista especializado em dietas vegetarianas
www.nutriveg.com.br
nutriveg@nutriveg.com.br

ViSta-se



Adote este tipo de dieta sem sofrer com a carência de ferro ou de vitamina B12

A dieta vegetariana pode alterar o desenvolvimento infantil? MITO!
As proteínas exclusivamente de origem vegetal podem suprir as necessidades de uma criança. Basta que a dieta seja minimamente planejada, planejamento esse que deveria justamente ser o trabalho dos profissionais que nesse caso em específico afirmam que isso não é viável, ou seja, estão apenas desinformados, o que se torna um erro de maior importância no momento em que passam a repercutir a sua desinformação para a população.

Todo vegetariano terá anemia? MITO!
É verdade que a carne é fonte de ferro para o organismo, mas não é a única. É possível obter esse nutriente em outros alimentos, como as folhas verdes escuras, o feijão e a lentilha. A nutricionista Bruna Murta, da rede de lojas de produtos naturais Mundo Verde, dá a dica: o ferro encontrado nos alimentos de origem vegetal deve ser associado ao consumo de vitamina C para que a absorção do mineral aumente


Vegetarianos consomem pouca proteína? MITO
Isso é um mito, até quem é vegan tem boas fontes de proteínas à disposição. Bruna Murta explica que soja, quinua, amaranto, chia, leguminosas, cereais integrais e oleaginosas conseguem oferecer ao corpo as quantidades necessárias de proteínas.


Vegetarianos precisam de suplementação vitamínica? MITO
O único nutriente que o vegetariano não consegue em quantidades adequadas nas fontes vegetais é a vitamina B12 (presente na carne, nos ovos e nos peixes, por exemplo), mas isso é válido apenas para quem é vegan. Navarro explica que alguns alimentos de origem vegetal ajudam a manter níveis adequados de B12, como o levedo de cerveja e o gérmen de trigo, mas nem sempre eles são totalmente eficientes. O ideal é fazer acompanhamento médico e exames de sangue regularmente e avaliar a necessidade de consumir suplementos.


Mulheres vegetarianas podem ter problemas na gestação? MITO
Não existem provas de que o vegetarianismo atrapalhe a gravidez, desde que nenhuma carência nutricional seja diagnosticada. Roberto Navarro diz que faz parte do pré-natal o acompanhamento dos níveis de ferro, que costumam cair na gestação. "Mesmo as mulheres que comem carne, geralmente, precisam de suplementação deste mineral. O ferro é fundamental para o desenvolvimento saudável do bebê".



Vegetarianos podem praticar esportes regularmente? VERDADE!
Desde que o vegetariano faça a ingestão adequada de proteínas (0,8 mg a cada quilo de peso), não existem impedimentos para a prática de esportes. Roberto Navarro explica, porém, que deve haver atenção para a recuperação de lesões - o processo pode ser mais lento em pessoas que adotam o estilo vegan, pela ausência total de proteínas de origem animal na dieta.



Vegetarianismo causa queda de cabelo e deixa os fios brancos? MITO
Roberto Navarro explica que a deficiência de ferro pode causar a queda dos cabelos e a falta de vitamina B12 pode deixar os fios brancos. Como o vegetariano, principalmente do tipo vegan, pode ter falta desses nutrientes, se não seguir as recomendações nutricionais à risca, vale a pena ficar atento ao aparecimento desses sinais - o inconveniente estético indica dieta pobre.(*)

O vegetarianismo emagrece? MITO
O vegetarianismo não está relacionado diretamente ao emagrecimento. "Em alguns casos, o vegetariano come até mais carboidratos e gorduras que as outras pessoas, por ter restrição ao grupo alimentar das proteínas", explica Roberto Navarro. Por outro lado, aqueles que seguem uma filosofia de vida mais saudável tendem a se manter no peso ideal.


O vegetarianismo diminui o risco de doenças cardíacas? VERDADE!
Quem é vegetariano tem um risco menor de desenvolver doenças do coração devido à ingestão de menores quantidades de gordura saturada, que é rica em ácido aracdônico (substância que vem sendo relacionada a esse tipo de problema de saúde). Roberto Navarro explica ainda que o vegetariano tem menores chances de ter dislipidemias, como o colesterol elevado e triglicérides altos.

Fonte
(*)
Qualquer tipo de alimentação poder ser deficiente em ferro e/ou B12.

A maioria dos anémicos são omnívoros.


publicado por Maluvfx às 18:10
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Sábado, 3 de Março de 2012
Será o Vegetarianismo um ato político?
 Desde sempre a alimentação tem sido o reflexo das culturas dos países, cidades ou comunidades onde a humanidade reside. Por todo o planeta, assistimos a uma diversidade imensa de pratos e sabores que enriquecem os povos ou os demarcam do resto do mundo. 
Artigo de João Pedro Santos.



O Vegetarianismo está presente na alimentação humana desde há cinco milhões de anosi, mas apesar de possuir a sua história disseminada por todo o mundo, teve a sua relevância inicial documentada no Oriente, onde as religiões determinaram em grande parte o comportamento alimentar dos seus milhões de crentes, como sucedeu no hinduismo, budismo ou jainismoii, que se dispersaram pela Índia, China e Japão.

Porém, durante o século XX, o Vegetarianismo começou a ser assumido e promovido principalmente em países como o Reino Unido, Estados Unidos da América, Alemanha e França, baseados na famosa trindade de argumentos (éticos, ambientais e de saúde)iii que têm fundamentado a opção vegetariana ou vegana de milhões de pessoas em todo o mundo.

Atualmente, tendo em conta o panorama alimentar que vivemos na nossa sociedade europeia e ocidental, onde o acesso facilitado a vegetais e frutas frescas, leguminosas, cereais, frutos secos e sementes e, inclusivamente a alguns alimentos exóticos, como o tofu (queijo fresco de soja), tempeh (grãos de soja fermentados) e ao seitan (glúten de trigo), têm propiciado um aumento exponencial do consumo alimentar vegetarianoiv.

A par disso, o aumento da quantidade de restaurantes vegetarianos ou de restaurantes convencionais com alternativas vegetarianas ou da promoção de linhas vegetarianas de produtos alimentares em hipermercados de cobertura nacional, permite concluir que o vegetarianismo se está a enraízar na cultura alimentar de muitos países, oferecendo alternativas alimentares viáveis em contraponto ao consumo de carne, peixe e derivados.

A política aparentemente surge desconexa do vegetarianismo, mas se a considerarmos como a procura do bem-estar comum numa sociedadev, podemos encontrar aqui um fio condutor que nos permite levar a um ponto crucial do nosso consumismo: a ideia de que a escolha comercial de um consumidor é sempre um ato políticovi.

Então se considerarmos as políticas alimentares, que norteiam nações e continentes inteiros, compreendemos o quão relevante são as ações quotidianas que acompanham a nossa alimentação e a nossa liberdade de escolha de um produto alimentar, em detrimento de outro. Podemos mesmo afirmar que não podemos negligenciar o nosso poder económico individual e temos a responsabilidade de o gerir da melhor forma possível. Um consumidor passivo não se coaduna numa democracia onde é vital tomar partidos e estar consciente das nossas decisões díárias e respetivas consequênciasvii.

De facto, a confluência de uma série de razões que determinam a nossa escolha no momento da seleção de um produto no supermercado, como o nosso sistema de crenças, ideais, disponibilidade económica, qualidade do produto a ser adquirido, credibilidade social da marca, impacto ambiental associado, a influência publicitária,ser um produto biológico ou não, ou até o tipo de produção industrial empregueviii, moldam as nossas decisões de compra e motivam estudos infindáveis ao comportamento dos consumidores.

No fundo, falamos de realizar escolhas vitais que determinam lucros a uma empresa e não a outra, que evidenciam o sucesso de uns e o fracasso de outros ou que permitem construir um futuro sustentável ou não.

O vegetarianismo surge aqui como um elemento crucial, dado que nos permite assumir uma postura decisiva no consumo orientado dos produtos que são isentos de crueldade animal, não testados em animais ou têm efeitos ambientais reduzidos.

Cada vez mais urge a necessidade de levar a política para os supermercados e espaços comerciais, vincando de forma inequívoca o rumo que traçamos para nós e para o nosso futuro comum.


i http://www.avp.org.pt/node/290
ii http://www.ivu.org/religion/
iii http://chronicle.com/article/The-Vegetarian-Lesson/128562/
iv http://www.avp.org.pt/node/266
v http://chronicle.com/article/The-Vegetarian-Lesson/128562/
vi http://www.artivist.gr/en/2011/10/are-you-still-not-thinking-of-becoming-a-vegetarian/
vii http://www.ecoliteracy.org/essays/pleasures-eating
viii http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_content&task=view&id=2484&Itemid=103



Fonte



publicado por Maluvfx às 17:05
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
Vegetarianismo ao Longo da História da Humanidade
Por Sílvia Ferreira, 2005: 1ª versão
Por Nuno Metello, 2011: versão revista e aumentada
Edward Hicks, Peaceable Kingdom, 1834

Carregue nos subtítulos abaixo para ler as várias partes do artigo:

- Primeira Parte: Na Pré-História
- Segunda Parte: Nas Civilizações Antigas
- Terceira Parte: Nas Culturas Grega e Romana
- Quarta Parte: No Tempo do Cristianismo Primitivo e na Idade Média
- Quinta Parte: No Renascimento
- Sexta Parte: No Século XVII
- Sétima Parte: No Século XVIII
- Oitava Parte: No Século XIX
- Nona Parte: No Século XX
- Décima Parte: Actualmente
- Notas
- Bibliografia



Associação Vegetariana Portuguesa


publicado por Maluvfx às 15:17
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Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
Mesmo incipiente, dieta vegetariana figura no menu da hotelaria
Aquele vegetariano que vem à mente toda vez que a palavra é proferida já sofreu vários tipos de deturpação. Observando a "tribo" mais profundamente, percebe-se que, além dos estereótipos, existem várias vertentes para a dieta que contempla, ainda, uma filosofia de vida. O simples fato de o grupo não consumir carne vermelha já é um entendimento ultrapassado sobre o tema. Outras ramificações para o comportamento deste público já surgiram, e ofertas de consumo específicas já foram criadas, em diversas áreas de mercado.
A evidente preocupação de parte da sociedade com a preservação da saúde e com o aumento nos números de vegetarianos no Brasil, deixam de ser impressão e ganham tons de realidade quando alguns índices são apresentados. Segundo o Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), 9% da população brasileira vive sob algum tipo de dieta vegetariana. De acordo com o Instituto Ipsos, 28% quer comer menos carne.

A hotelaria não se faz alheia ao tema, e há modelos para todos os gostos. Acontece, por exemplo, de hotéis implantarem cardápios vegetarianos por conta da ideologia dos proprietários - fato comumente observado em empreendimentos independentes. Todavia, grandes redes já aderiram ao modelo e, não de forma exclusiva, também incorporaram a dieta vegetariana às suas ofertas.

Outro fato que pode mensurar o crescimento da aceitação da dieta é uma das medidas adotadas pelo governo da cidade de São Paulo. Nela, cerca de 626 mil crianças da rede municipal de colégios terão, pelo menos uma vez por semana, receitas à base de soja sendo servidas como merenda escolar.
Comparados ao comportamento alimentar geral da população brasileira, os vegetarianos e seus índices de adesão ainda são pequenos, no entanto, o aumento, rápido ou não, é fato constatado.

De forma maciça ou até mesmo sutil, a demanda existe e precisa ser atendida. E é neste nicho de clientes tão peculiares - e ao mesmo tempo tão simples -, que alguns meios de hospedagem passaram a oferecer em seus portfólios gastronômicos alternativas especiais.

Nesta reportagem, o Hôtelier News buscou compreender - de forma menos calórica e mais saudável, com o perdão da piada - esta nova vertente do setor de Alimentos &  Bebidas.
"Em geral, as dificuldades [para o consumidor vegetariano] são maiores no interior [do que nas grandes cidades], pois as opções são mais restritas. Contudo, isto é bem relativo, pois depende muito da boa vontade do estabelecimento. Alguns estão dispostos a atender o público vegetariano, mudando os ingredientes e adaptando os pratos, outros não têm muita abertura", opina Marly Winkler, vegetariana e presidente da SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira).

"Por incrível que pareça, em hotéis maiores, considerados de qualidade superior, o bufê tem mais carnes e produtos de origem animal em todos os pratos - até mesmo nas saladas -, se comparados a restaurantes e hotéis mais simples, pois há uma noção de que, quanto mais carne melhor - o que é um grande equívoco. Cada vez mais as pessoas informadas procuram alimentos saudáveis, com menor impacto ambiental, e as redes hoteleiras deveriam estar atentas a isso", observa a presidenta da associação.

O detalhe citado por Marly foi justamente o passo primeiro do Deville Salvador, localizado na capital baiana, quanto à temática. No início de 2011, a administração do hotel implantou em seu serviço culinário uma gama de opções composta totalmente por vegetais - compilada num cardápio 100% destinado para vegetarianos e para celíacos (pessoas que apresentam intolerância a ingestão de alimentos com glúten).

"Há algum tempo, o cliente vegetariano era tratado como exceção. Era necessário que isto fosse identificado no momento do check-in, para que o hotel pudesse se organizar quanto à melhor forma de atendê-lo. Atualmente, com a tendência cada vez maior de busca por uma vida saudável, este cliente já faz parte do cotidiano dos hotéis", argumenta José Maria Espíndola, gerente geral do Deville.
A ação do hotel baiano nasceu da necessidade. Espíndola justifica que foi preciso criar opções para um cliente cada vez mais presente no empreendimento, e, a partir do êxito no primeiro passo, os outros foram consequências. Atualmente, o gerente conta com o auxílio de um chef de cozinha e de uma nutricionista para a confecção dos pratos com iguarias vegetais.
Crescimento
Para o gerente do hotel soteropolitano, a alimentação vegetariana para quem dorme fora do lar é, ainda, incipiente. Isto porque os próprios responsáveis pelos meios de hospedagem desconhecem as necessidades deste público. Otimista, ele acredita que é necessário desenvolver formas diferentes de atendimento e de hospedagem - já que a tendência é a consolidação do público obediente aos preceitos vegetarianos. "É fundamental que a hotelaria incorpore este conceito à sua rotina diária e às suas estratégias na área de A&B para poder manter-se atualizada junto ao consumidor", aconselha.

Marly diz que cada vez mais se espalha o conhecimento do fato de que há grande contingente de pessoas que optaram por não comer nenhum tipo de carne e nenhum produto de origem animal sem que isso cause espanto. "Na Europa e nos Estados Unidos, praticamente todos os restaurantes, dentro e fora de hotéis, têm um setor vegetariano no cardápio. Queremos o mesmo para o Brasil", comenta, dizendo-se grata ao novo comportamento de alguns estabelecimentos que, antes, ofereciam-lhe frango e peixe como alternativas - quando mencionava ser vegetariana.

Com o desenvolvimento do conceito vegetarianismo e das ofertas para o segmento, além dos empreendimentos que simplesmente comercializam alimentos especialmente preparados, há quem faça disto sua maneira de viver.
Filosofia
É o caso da Pousada do Matutu, instalada em Aiuruoca, interior de Minas Gerais. Inaugurada em meados de 1987, a unidade implantou preceitos vegetarianos em sua oferta culinária. "À época, baseamos a alimentação que servíamos em preceitos vegetarianos. Nossa intenção é oferecer uma alimentação saudável, bonita de se ver e com muito sabor. Queremos fazer algo que agrade não somente para quem adotou a dieta vegetariana, mas também para outros hóspedes", explica Mara Lucia Moreira Barbosa, cozinheira da unidade.

"Normalmente, as reservas de hóspedes aqui são feitas via telefone. Já neste momento, nós alertamos o cliente de como se dá a alimentação por aqui. Ultimamente, temos percebido que a alimentação é o que mais tem atraído hóspedes", conta a cozinheira.

Na pousada Matutu, diariamente são servidas cinco refeições, todas com elementos produzidos diretamente na horta do próprio hotel. De acordo com Mara, nas principais refeições do dia, existem cinco opções, pensadas, elaboradas e preparadas por ela mesma. "Procuro equilibrar as cores, escolher produtos da época e caprichar no modo de preparo", diz.

Realidade parecida vive a Pousada Jardim do Éden, situado na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Em seu oitavo ano de operação, o empreendimento segue propagando, além da dieta, a vida vegetariana. "As pessoas que ficam aqui conosco têm uma grata surpresa", adverte Lúcia Helena dos Santos, proprietária da pousada.

"Cada suíte [a pousada conta com 16] tem uma fragrância de uma planta nativa. Cultivamos algumas plantas medicinais e produzimos alguns produtos para higiene pessoal, tudo com matéria-prima das nossas hortas", esclarece a proprietária, que mora na região há 18 anos e é adepta do vegetarianismo há 30.

A rotina começa às 4h, quando as atividades de colheita de ingredientes e preparação do restaurante são feitas. Pouco depois, às 8h, tudo está pronto. "Geralmente, só hospedamos clientes com reserva prévia - e a grande maioria não é vegetariana, o que nos traz bastante satisfação. Assim, podemos propagar a cultura vegetariana para pessoas que ainda não a conhecem. Elas repensam suas vidas, veem que é possível ter uma comida saborosa com ingredientes naturais e viver de maneira diferente, saem daqui surpresos", assegura.
 
Vegetariano na cidade
Semelhante aos outros empreendimentos na preocupação e na militância, mas divergente na localização, a Pousada Ziláh, situada na região central de São Paulo, também optou pela inclusão de ofertas vegetarianas na concepção de seu cardápio. "Sempre tivemos a ideia e a intenção de ter um comportamento sustentável em todas as nossas ações, inclusive no setor de Alimentos & Bebidas", afirma Thiago Amarante, gerente Administrativo da pousada.
Ao todo, são quatro pratos especialmente idealizados para estes clientes - Nhoque de aipim com molho rústico de tomate orgânico, manjericão e azeitonas pretas; Tagliatelle ao molho shimeji e Cogumelo Paris refogado no vinho branco e creme de queijo; Tagliatelle ao molho pesto, com castanha de baru (nativa do Cerrado); e Risoto de vegetais com palmito grelhado. "Nossas opções vegetarianas são fruto de uma ideologia alimentar na qual nós acreditamos e não encomendada a pedido de algum hóspede", ressalta o gerente da Ziláh.
Outro fator lembrado por Amarante para a comercialização de produtos vegetarianos no restaurante é a facilidade com que os pratos podem ser feitos. Para ele, qualquer profissional com alguma formação em gastronomia é capaz de elaborar pratos suficientes para compor um cardápio.
O mesmo detalhe também foi exposto pela representante da SVB, que quando perguntada sobre as dificuldades na implantação da alimentação vegetariana em hotéis alegou não enxergar problemas para esta inclusão, à exceção da falta de vontade de alguns empreendimentos. "Não vejo para isso nenhuma dificuldade, pois há uma enorme quantidade de receitas de fácil acesso publicadas em livros, revistas e na internet - basta haver boa vontade", salienta.
Nicho de mercado
De acordo com Marly, a tendência é que cada vez mais empresários do ramo da hotelaria voltem seus olhos para o público em questão e descubram que atendê-los pode ser um diferencial na competição diária do mercado. "Certamente, um nicho de quase 10% da população nacional não é nada desprezível, não é? Trata-se de um contingente de 17 milhões de pessoas, que deve ser contemplado. E estamos abertos e dispostos a colaborar para isso", declara.
O pensamento é compartilhado pelo hotel InterContinental São Paulo, também da capital paulista, que por meio de seu restaurante Tarsila oferece a seus hóspedes algumas variações de alimentação vegetariana em cada refeição.
"Há bastante tempo o hotel tem a preocupação de proporcionar alternativas para hóspedes vegetarianos. Acredito que outros empreendimentos também estejam atentos a esta demanda e já ofereçam opções parecidas com as nossas", declara Amanda Cunha, gerente de Alimentos & Bebidas da unidade hoteleira paulistana.
"Por fazermos parte de uma rede internacional [a IHG (InterContinental Hotels Group)], temos sempre que pensar em menus com opções bastante variadas. Dispomos de uma equipe de nutricionistas especializada em apresentar opções diferentes para públicos especiais - e os vegetarianos se encontram nessas condições. São profissionais concentrados em oferecer boas opções alimentares não somente para hóspedes e clientes do restaurante, mas também para funcionários", explica Amanda.

Falando com a condição de representar uma empresa internacional da hotelaria, a gerente do InterContinental admite que o hóspede vegetariano já representa uma demanda crescente. Ela acredita que isto, em breve, exigirá dos meios de hospedagem preparação para recebê-los, com suas múltiplas restrições alimentares. "O cliente vegetariano já deve ser uma preocupação para qualquer empresa do ramo de alimentação. É uma demanda consolidada".

www.svb.org.br
www.deville.com.br
www.ichotelsgroup.com
www.pousadamatutu.com.br
www.pousadajardimdoeden.com.br
www.zilah.com

Fonte


publicado por Maluvfx às 18:48
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