Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Quarta-feira, 17 de Março de 2010
Aquecimento global
Filhote de urso é consolado pela mãe ao se encontrarem num bloco de gelo que se derrete longe da costa. Resultado do aquecimento global causado pelos humanos. 
Fonte: Daily Mail


publicado por Maluvfx às 11:05
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Domingo, 14 de Março de 2010
"Avatar" e Mensagens Subliminares

Blog A Nova Ordem Mundial



Alex Jones fez ontem uma avaliação do filme Avatar, o último filme de James Cameron, no qual os humanos, no ano 2154, após terem destruído quase toda a natureza do planeta terra, partem para o planeta (na realidade uma lua) chamado pandora, no qual os seres nativos seguem uma religião de adoração da natureza nos moldes da “religião” de Gaia.
 O filme em 3D é realmente um show de efeitos especiais, com um visual alucinante. Um filme com uma  forte mensagem propagandista, que mostra a adoração da natureza e o ambientalismo, a religião de adoração do planeta que os seres nativos seguem, juntamente com a mensagem da ameaça destrutiva que os seres humanos representam.



Por outro lado, o filme tem uma mensagem anti-imperialista e anti-militar, que vejo com bons olhos. Veja abaixo a avaliação de Alex Jones do filme Avatar.






Tao do Bicho – Paula Brügger

Avatar não é o patamar: uma reflexão (também) abolicionista





Logo da ANDA » Agência de Notícias de Direitos Animais
O filme Avatar (2009), de James Cameron, é uma história de ficção científica que se passa no ano de 2154 em Pandora, uma lua do distante planeta Polifemo, localizado em Alfa Centauri.  Uma expedição de seres humanos parte rumo à Pandora a fim de explorar um mineral precioso, ao qual Cameron deu o sugestivo nome de “unobtanium”. Mas a expansão da colônia de mineração – que conta com uma força de segurança paramilitar – ameaça a integridade física e o “meio ambiente” dos nativos humanóides locais,  denominados Na´vi. Os Na´vi são belos seres de pele azul, medindo cerca de 3 metros de altura, que vivem em harmonia com a natureza. Para facilitar o contato com os Na´vi, cientistas terráqueos desenvolveram corpos híbridos chamados avatares (daí o nome do filme), que podiam ser controlados mentalmente por seus correspondentes humanos [1].
A compleição dos Na´vi – embora estes possuam uma pele azulada e outros traços não humanos –  me pareceu um tanto inspirada nos belos guerreiros Massai.  Não sei se houve tal intenção, mas essa seria uma metáfora interessante, já que o continente africano é considerado como o “berço da humanidade”. Impressões pessoais à parte, os Na´vi foram concebidos segundo nossos mais elevados padrões: são uma amálgama de humanos, em sua forma mais primeva, não corrompida, com super-heróis detentores de poderes e capacidades sobre-humanos, tais como um requintado senso (est)ético, grande força, destreza física e sensibilidade extra-sensorial. Talvez o traço físico mais emblemático desses semi-deuses, meio-ninjas,  seja sua cauda. Mais do que meros órgãos dos sentidos, ou membros extras, suas caudas lhes permitem fazer conexões com outras dimensões e mundos, uma alusão, certamente, ao sentido de pertencimento a uma totalidade maior que perdemos, e, talvez, também, a uma espécie de “animalidade espiritualizada” que deveríamos desenvolver.
O tema do domínio sobre o outro, seja ele inter ou intraespecífico (como é o caso dos conflitos étnicos), se constitui no fulcro da história do filme: os Na´vi correm o risco de serem aniquilados  por causa da exploração de um recurso natural supostamente valioso, assim como diversos povos – em contextos e épocas os mais variados – foram aniquilados ao longo da história humana no planeta Terra. Também no filme, as soluções pretensamente diplomáticas cedem lugar à truculência das guerras e outras formas de violência, sempre que tais táticas não são suficientes para atingir plenamente o objetivo em questão. A história humana na Terra sempre foi assim, recheada de episódios desse tipo. E mais recentemente, em termos históricos, o avanço de um modelo técnico avassalador – que reduz todos os fins a meios – fez com que o amargo fel inerente ao exercício dos “podres poderes” se tornasse ainda mais impalatável.  É interessante notar que os europeus, à época dos “descobrimentos”, viam os povos autóctones, de modo geral, como humanóides, sem alma. Semelhantes a nós, em algum sentido, sim, mas pertencendo a “outra espécie”, ou, pior, a uma subespécie. O filme reconta essa história-sem-fim, da conquista, da aculturação e do massacre dos povos ditos selvagens (agora das selvas de Pandora), por parte dos pretensamente civilizados.
Nesse sentido, o filme é muito bem-sucedido. Traz uma mensagem claramente ecológica e anti-militarista.  Enaltece a ideia de que o mundo orgânico pode sobrepujar a máquina, não apenas no sentido belicoso, mas também em termos de luta cotidiana pela sobrevivência. Ressalta o lado inteligente e autopoiético da arquitetura orgânica da natureza – que pode se recriar a todo instante – em contraste com o potencial destruidor  engessado da técnica, tudo isso num cenário de extrema beleza. De fato, é possível se inebriar com a profusão de cores e com a riqueza de formas apresentadas no filme, ponto positivo numa era de destruição da biodiversidade.
Chamou-me a atenção o fato de a vida da cientista Dra. Grace Augustine (Sigourney Weaver), chefe do Programa Avatar, não ter sido poupada. Terá sido proposital? O que tinha Cameron em mente quando fez essa escolha? Ocorreu-me que, apesar de “cheia de boas intenções” [2], a Dra. Grace servia aos propósitos de um mundo expansionista, ganancioso e materialista – através do que Milton Santos e outros importantes pensadores denominaram de “tecnociência”. A ciência nunca foi neutra. E tampouco a técnica moderna. Elas ajudam a construir o mundo como uma coisa e não como outra, como diz Postman em seu livro “Tecnopólio” [3]. É ainda emblemática a cena em que a doutora morre lamentando as coletas que não havia feito, e os aspectos de Pandora e dos Na´vi que não havia estudado. Isso é o que se espera de um bom cientista (sic), tanto quanto de um bom soldado: morrer cumprindo seu dever, sem questionar o quanto há nele de fundamentalismo e a que propósito está servindo. Trata-se de uma típica atitude decorrente do adestramento que a ciência hegemônica promove: uma devoção acrítica, que conduz a uma visão moldada por antolhos. Embora ela tenha sido honesta em sua atuação profissional – e até corajosa, quando percebe o rumo que o projeto está tomando – permanece por muito tempo um tanto anestesiada, encapsulada dentro de sua “verdade científica”.  A ciência newtoniana-cartesiana, “branca” e européia, de nosso mundo real, do aqui e agora no planeta Terra, não difere substancialmente da ciência, em tese, avançada, do ano de 2154. Não importa o quanto a técnica evoluiu, ou o quanto a ciência abriu novos horizontes. Tudo permanece dominado pela mesma matriz de racionalidade, uma razão instrumental. Teria Cameron sacrificado a cientista e poupado outras personagens “mais inocentes”, no que tange a herdar o Paraíso? Pessoas comuns e militares de baixo escalão podem ser, de fato, bem mais “inocentes” do que a média dos cientistas. Não se sabe, contudo, se essa foi a intenção de Cameron ao salvar suas vidas.
Ouvi alguns comentários de que o filme critica a técnica, mas a utiliza para atingir seus objetivos, como se isso fosse algo contraditório ou intrinsecamente ruim. Eu me permito discordar. O propósito da técnica, seu “telos”, ou “finalidade”, é o que importa nesse contexto.  A questão não é negar a técnica moderna, mas fazer um bom uso dela. E esse foi, em princípio, um bom uso: mostrar um mundo de beleza e de sonhos que, em grande parte, são realizáveis. Entretanto, gostaria de discorrer, em seguida, sobre por que essa finalidade poderia ser bem mais nobre. Isso diz respeito às visões de mundo transmitidas pelo filme e não a questões de ordem estritamente técnica, ou seja, ao conteúdo e não à forma.
Uma crítica abolicionista (entre outras).
O filme tem, porém, alguns diálogos e passagens cuja mensagem é dúbia, ou ambígua. Por exemplo, quando o coronel Miles Quaritch (Stephen Lang) diz que “Pandora é um lugar mais perigoso do que a Venezuela”, não fica claro se a mensagem é, “sim, a Venezuela é um lugar perigoso, cheio de “chaves” para o inferno”, ou se, justamente por ter sido dita por um “bandido”, trata-se de uma ideia que deve ser descartada.
O filme peca também por colocar, mais uma vez, um forasteiro, um ex-fuzileiro naval americano – Jake (Sam Worthington) – como o principal herói masculino da trama, embora ele seja apresentado como uma pessoa não muito brilhante, ou confiável: mesmo estando envolvido emocionalmente com os Na´vi, e, sobretudo, com a “mocinha” do filme – a jovem guerreira Neytiri –, Jake continua por bastante tempo seu traiçoeiro trabalho de espionagem. Poder-se-ia alegar que o lado bom disso é que mostra que uma pessoa absolutamente comum pode se transformar em alguém extraordinário. Ainda penso, no entanto, que a velha fórmula do forasteiro branco “civilizado” que se torna herói (a despeito de suas qualidades de caráter) reforça o etnocentrismo europeu como mensagem primária, mais do que possíveis outras leituras.
Mas a crítica que mais interessa ao movimento abolicionista está na relação que os Na´vi mantêm com os animais, apresentada como impecável em termos éticos. Todavia, à luz da ética abolicionista, fica evidente, em diversas passagens do filme, o viés bem-estarista da relação entre humanos (ou melhor, humanóides) e os outros animais. Ainda que tratados com respeito, e até reverência, prevalece uma relação de domínio sobre os animais não humanóides.
A predominância de uma visão bem-estarista não fica muito clara no início do filme em decorrência de passagens como a que Neytiri precisa abater um animal para salvar a vida de Jake, o “mocinho”. Ele lhe agradece entusiasticamente, mostrando um contentamento um tanto leviano, mas ela fica furiosa e diz que “não tinha nada de bom no que havia feito, que aquilo era só tristeza”. Até aquele momento, o filme prometia, em termos de quebra de paradigma, pois se tratava de uma questão de vida ou morte.
No entanto, mais adiante, há uma cena que mostra o “mocinho” aprendendo a caçar um animal para fim de alimentação. O animal, depois de flechado, foi morto com rapidez e destreza, e Neytiri comenta que aquela era uma “morte limpa”, isto é, necessária. Minha esperança acabou ali. Esse posicionamento estaria correto em se tratando de povos caçadores-coletores, que não têm outras opções. Mas se o filme é uma ficção, ou seja, não retrata a realidade de uma comunidade concreta de caçadores, Cameron poderia ter sonhado mais alto e elevado seu patamar no que se refere a uma relação eticamente correta com os outros animais. Poderia ter concebido os Na´vi  como veganos. Ou então, ao menos, ter omitido a cena da caçada e, em seu lugar, ter exibido uma alimentação à base de cereais, frutas, etc, uma vez que a natureza exuberante de Pandora assim o permitiria. Mas ele acabou reafirmando a ética da caça-coleta como a prática mais elevada na relação “homem-animal”, desconsiderando o importante fato de que os espectadores pertencem, em sua esmagadora maioria, a sociedades industriais. Cameron não teve a perspicácia de entender que somos ex-selvagens, que já deixamos para trás o território impositivo da necessidade para trilhar o caminho da liberdade em nossas escolhas dietéticas, estéticas, etc. E isso foi, em grande parte, possibilitado pela técnica!
Já não basta toda a barbárie, sem precedentes históricos, a que estão submetidos os animais criados em confinamento?  Tenho notícia de pessoas, não muito distantes do  meu convívio, que ocasionalmente comem carne de caça e rotulam essa prática como algo “ecológico”. Imaginem se esse costume cruel e covarde cai no desejo de uma ampla parcela de humanos? A banalização da caça será, talvez, o último e mais árduo golpe sobre os poucos animais que ainda vagam soltos em seus habitats naturais, já antropizados, fragmentados e limitados pelas atividades humanas.
Há outra passagem muito interessante na qual, para recobrar a confiança dos Omaticaya, clã ao qual pertencia Neytiri, Jake doma um Toruk, um poderoso predador alado – uma espécie de “rei dos dragões” – que só havia sido domado anteriormente por cinco nativos Na´vi. Sem entrar na discussão de que seria mais uma cena de rara bravura empreendida por um forasteiro [4], essa é, sem dúvida, outra passagem que expressa o domínio dos humanóides sobre a natureza, ainda que de forma elegante e sem violência. De resto, é hábito dos Na´vi domarem outros predadores alados menores, também multicoloridos – os Ikran –,  que fazem parte de um perigoso rito de passagem da cultura Na´vi.  Tal rito de passagem reforça a ideia de uma natureza que deve ser domada (ainda que não dominada). Isso fica mais ostensivo quando pensamos que os Ikran (e o Toruk, ainda mais) são, em tese, predadores de topo. Acima dos predadores de topo estariam, assim, os humanóides.  Pode parecer exagero pensar dessa forma. Mas em termos de aprendizado, ou “currículo oculto” [5], pode haver uma realimentação e perpetuação de ideias perniciosas como naturalizar o uso de animais em ritos religiosos e outras situações. É interessante observar que a palavra religião está possivelmente ligada à palavra religare.  Tais ritos de passagem têm, portanto, uma forte relação com as atitudes por meio das quais os humanóides estabeleceriam contato, ou ligação, com seu entorno e, por que não, com o divino. Mas tal contato, em nosso mundo terráqueo, subjuga outras formas de vida, perpetuando o especismo.  E o filme Avatar, nesse sentido, acaba perpetuando o paradigma dominante.
Comentei anteriormente o aspecto positivo de se enaltecer o mundo orgânico, mas isso pode manter, ou mesmo aprofundar, a dicotomia orgânico versus máquina. E, pior, pode dar a entender que os animais – vistos como meios e não como fins, evidentemente  – cumprem um importante papel no caminho para a sustentabilidade. Tal ideário se cristaliza facilmente em ideias como, por exemplo, recorrer à tração animal para melhorar a qualidade do ar em cidades e, mesmo, minimizar o Efeito Estufa [6]. A postura maniqueísta homem x máquina, ou seja, a ausência de uma apropriação eticamente correta da técnica, anda lado a lado com o antropocentrismo (e o especismo), pois derivam de uma mesma racionalidade mecanicista. Precisamos ultrapassar essa dicotomia. A mesma técnica que cria, destrói: “A mão que toca um violão, se for preciso, faz a guerra, mata o mundo, fere a terra” [7]. A técnica tem mesmo um viés ideológico, como argumenta Postman. Mas é justamente por esse motivo que precisamos nos apropriar dela politicamente: que mundo construimos com nossas escolhas técnicas? Cavalos não são máquinas insensíveis que desconhecem o cansaço e as rotinas enfadonhas. A técnica deve libertar os seres sencientes do esforço físico brutal e das tarefas robotizadas ou perigosas. Os animais não humanos têm, sim, um papel importantíssimo na construção de um mundo mais sustentável. Mas, para tanto, teríamos que vê-los como sujeitos de direitos – como fins e não como meios – e aquilatar o quanto o veganismo pode contribuir nesse sentido [8].
Em meu texto intitulado “Para além da dicotomia bem-estarismo x abolicionismo” [9], argumentei que o que define o potencial transformador de um conjunto de práticas (ou ideário) – se revolucionárias, ou tão somente reformistas – reside no fator teleológico. Em Avatar inexiste um potencial revolucionário porque a relação bem-estarista humanóides-animais é apresentada como uma meta final. O “bom selvagem” de Jean-Jacques Rousseau parece ser o patamar. Não se contextualiza tal postura ética, o que acaba obstruindo o caminho para uma verdadeira transformação paradigmática. A relação humanóide-animal no filme é marcada, por conseguinte, pela ausência de um viés ético-epistemológico revolucionário, no sentido de construir um ideário contra-hegemônico, embora a natureza não seja vista como uma parte produtiva do todo (característica muito presente nas vertentes ecológicas rasas).
Além disso, o uso de animais para montaria, seja em terra, seja no ar, perpetua a premissa especista de que os animais devem se submeter aos superiores antropóides e devem lhes servir, que isso é justo e “natural”, bastando apenas tratá-los bem. No filme, a conexão entre as bestas e os humanóides se faz mediante uma espécie de penacho neural situado na extremidade da cauda desses últimos. Tudo isso lembra, em muito, as domas “humanitárias”, que nada mais são do que uma forma de trair a confiança dos animais [10].
Apesar de o filme evidenciar que a morte não limpa de um animal é algo lamentável, estes são convocados e até se “alistam” voluntariamente, por contato telepático, para a batalha na defesa de Pandora. Essa é, mais uma vez, uma questão controvertida, porque, se, por um lado, estão defendendo sua condição de vida, quem mais precisa da ajuda são os humanóides. As pobres bestas sempre são vítimas dos excessos dos humanos, aqui na Terra, e, em Avatar, essa situação se repete, ainda que de forma muito menos ostensiva.
O ideário do filme oscila, então, entre a ecologia profunda e a ecologia rasa, na medida em que admite uma conexão entre todos os elos da cadeia viva, e destes com os componentes abióticos do sistema, mas ainda mantém um ranço antropocêntrico (ou “humanóidocêntrico”) ao não promulgar o abolicionismo animal.
Tudo isso deixa clara a nossa responsabilidade, a importância da nossa vanguarda abolicionista. Cameron não pensou de forma abolicionista porque esse não é o modo de pensar dominante em nosso mundo. Nós mesmos não pensávamos assim  anos atrás. A questão é, portanto, como fazemos para chegar à Hollywood? Será tão difícil quanto vem sendo chegar às escolas?
Outros filmes que tratam, mesmo que de forma indireta, da relação seres humanos-animais como relação sociedade-natureza, estão chegando (por exemplo, Lobisomem – 2010, de Joe Johnston). E outros já chegaram. Em New Moon, de Chris Weitz [11], os nativos viram lobos, enquanto os vampiros são de origem européia (à exceção de um, negro, que, por sinal, não era um “mocinho” entre os vampiros…). Não sei se já estamos tão emocionalmente calejados em nossa seara abolicionista que começamos a ver fantasmas onde estes não existem. Mas a visão de mundo que para mim ficou foi a de uma apologia ao antropocentrismo e ao etnocentrismo europeu, e à perpetuação da dicotomia cultura-natureza: os homens-lobo, mais instintivos e rudes, de um lado, e os elegantes e cultos vampiros que nunca deixam sua “animalidade” tomar conta de seu corpo físico, de outro. O filme promove ainda um desserviço à causa animalista na cena em que uma vampira chique (e “boazinha”) comenta, em tom de desprezo e sarcasmo, que pode sentir o cheiro dos “vira-latas” (lobisomens) por perto, reforçando assim o inoportuno preconceito contra os cães sem raça definida. Vale destacar, entretanto, uma personagem. Trata-se de um vampiro que controla seu instinto de tomar sangue. A analogia com o veganismo poderia ser explorada porque, em ambos os casos, trata-se do domínio de uma natureza interior que tem como meta uma causa altruísta.
Então: como fazemos para chegar a Hollywood? O filme Avatar promete ser um enorme sucesso de bilheteria [12]. Isso é muito mais educação (ou deseducação) do que podemos fazer em nossas vidas cotidianas, em nossas salas de aula sem 3D ou efeitos especiais.
Notas
1: Adaptado de http://en.wikipedia.org/wiki/Avatar_(2009_film)
2. Veja o texto de Rafael Jacobsen intitulado “Cheios de boas intenções”. Disponível em http://vista-se.com.br/site/cheios-de-boas-intencoes
3: Referencia a POSTMAN, Neil. Tecnopólio: a rendição da cultura à tecnologia.  Trad. Reinaldo Guarany. São Paulo: Nobel, 1994.
4. Essa passagem do filme é mais uma expressão da “história-sem-fim” dos civilizados cultos que catequizam selvagens primitivos; de lutadores de Kung Fu ocidentais que vencem seus rivais nativos;  dos “patos Donalds” etc, e de um sem-número de outras situações que são a mesma história contada com diferentes personagens.
5. Veja APPLE, Michael. Ideologia e currículo. Trad. Carlos Eduardo F. de Carvalho. São Paulo, Brasiliense, 1982; GIROUX, Henry. Teoria crítica e resistência em educação. Trad. Angela M. Biaggio. Petrópolis, Vozes, 1986. Veja também BRÜGGER, Paula. Educação ou  adestramento  ambiental ?  3ªed.   Chapecó: Argos; Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2004.
6. Veja, por exemplo, a matéria “Cavalos na França começam a ajudar a conter a poluição. Em tempos de aquecimento global, esses animais, além de salvar a própria pele, podem ser uma ajuda real ao planeta”. 
http://mais.uol.com.br/view/65k9fo807g7i/cavalos-sao-opcao-para-conter-a-poluicao-na-franca-04023470D0C963A6?types=A&
7. Referência à música “Viola Enluarada”, de  Paulo Sérgio Valle e Marcos Valle.
8.  Veja, entre outros, o texto “Dieta vegana e sustentabilidade (g)local”. Disponível em: http://www.pensataanimal.net/artigos/45-paulabrugger/77-dieta-vegana
9. Disponível em http://www.anda.jor.br/?p=33779; http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_content&task=view&id=2469&Itemid=102
10. Veja, por exemplo, a matéria intitulada “Temple Grandin: Savant or Professional Killer?” que critica o trabalho bem-estarista da professora de Comportamento Animal da Universidade de Coloradohttp://www.care2.com/causes/animal-welfare/blog/temple-grandin-savant-or-professional-killer/send/
11. Da Saga Crepúsculo: Lua Nova. Segundo capítulo da série de Stephenie Meyerda.
12. Desde que foi  lançado, o sucesso de James Cameron  já  levou  6,92 milhões de espectadores às salas brasileiras http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/cultura/avatar-quase-7-milhoes-de-espectadores/. E devido ao sucesso nas bilheterias, Cameron já pensa em começar a trabalhar em uma sequência de “Avatar”, que já faturou cerca de US$ 600 milhões até agora.http://www.abril.com.br/blog/cinescopio/2009/12/30/james-cameron-ja-pensa-em-sequencia-de-avatar


publicado por Maluvfx às 15:34
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"Avatar" e Mensagens Subliminares

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Alex Jones fez ontem uma avaliação do filme Avatar, o último filme de James Cameron, no qual os humanos, no ano 2154, após terem destruído quase toda a natureza do planeta terra, partem para o planeta (na realidade uma lua) chamado pandora, no qual os seres nativos seguem uma religião de adoração da natureza nos moldes da “religião” de Gaia.
 O filme em 3D é realmente um show de efeitos especiais, com um visual alucinante. Um filme com uma  forte mensagem propagandista, que mostra a adoração da natureza e o ambientalismo, a religião de adoração do planeta que os seres nativos seguem, juntamente com a mensagem da ameaça destrutiva que os seres humanos representam.



Por outro lado, o filme tem uma mensagem anti-imperialista e anti-militar, que vejo com bons olhos. Veja abaixo a avaliação de Alex Jones do filme Avatar.



publicado por Maluvfx às 08:30
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Alex Jones fez ontem uma avaliação do filme Avatar, o último filme de James Cameron, no qual os humanos, no ano 2154, após terem destruído quase toda a natureza do planeta terra, partem para o planeta (na realidade uma lua) chamado pandora, no qual os seres nativos seguem uma religião de adoração da natureza nos moldes da “religião” de Gaia.
 O filme em 3D é realmente um show de efeitos especiais, com um visual alucinante. Um filme com uma  forte mensagem propagandista, que mostra a adoração da natureza e o ambientalismo, a religião de adoração do planeta que os seres nativos seguem, juntamente com a mensagem da ameaça destrutiva que os seres humanos representam.



Por outro lado, o filme tem uma mensagem anti-imperialista e anti-militar, que vejo com bons olhos. Veja abaixo a avaliação de Alex Jones do filme Avatar.



publicado por Maluvfx às 08:30
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Alex Jones fez ontem uma avaliação do filme Avatar, o último filme de James Cameron, no qual os humanos, no ano 2154, após terem destruído quase toda a natureza do planeta terra, partem para o planeta (na realidade uma lua) chamado pandora, no qual os seres nativos seguem uma religião de adoração da natureza nos moldes da “religião” de Gaia.
 O filme em 3D é realmente um show de efeitos especiais, com um visual alucinante. Um filme com uma  forte mensagem propagandista, que mostra a adoração da natureza e o ambientalismo, a religião de adoração do planeta que os seres nativos seguem, juntamente com a mensagem da ameaça destrutiva que os seres humanos representam.



Por outro lado, o filme tem uma mensagem anti-imperialista e anti-militar, que vejo com bons olhos. Veja abaixo a avaliação de Alex Jones do filme Avatar.



publicado por Maluvfx às 08:30
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Sexta-feira, 5 de Março de 2010
Campanha Hora do Planeta propõe apagar as luzes por uma hora para repensar impactos do consumo de energia

Logo da Campanha Hora do Planeta 2010
Apagar as lâmpadas por uma hora pode ajudar a combater o aquecimento global. É o que propõe a campanha Hora do Planeta, da organização não governamental (ONG) WWF, lançada ontem (3), na capital fluminense. A ideia é convencer as pessoas a desligarem as luzes no dia 27 de março, entre as 20h30 e 21h30.
Essa é a segunda vez que a campanha é realizada no Brasil. Com divulgação na TV e na internet, a estimativa é envolver cerca de 200 cidades. Em 2009, ao lado de 40 mil cidades de 88 países, 113 cidades brasileiras participaram da campanha. Na ocasião, foram apagadas as luzes do Cristo Redentor, no Rio, do Congresso Nacional, em Brasília, e do Teatro Amazonas, em Manaus, por exemplo.
Neste ano, ainda não estão confirmados os monumentos que terão as lâmpadas desligadas. No Rio, cidade-sede da campanha, além de apagar as luzes do Cristo e da Praia de Copacabana, como em 2009, a meta é desligar os refletores do Arpoador, da Praia do Leblon e do Monumento aos Pracinhas, na zona sul, e ainda mobilizar os moradores da zona norte, apagando por uma hora as luzes da Igreja da Penha.
O objetivo da campanha é estimular a reflexão sobre os impactos do consumo de energia e sobre formas de geração de eletricidade que agridam menos o meio ambiente, afirma o presidente do Conselho Diretor da WWF, Álvaro de Souza.
“Essa não é uma campanha para poupar energia. O importante é a conscientização sobre a construção de uma matriz energética mais limpa.”
De acordo com o diretor, embora o desmatamento provocado pela construção de hidrelétricas também se reflita na emissão de gases causadores do efeito estufa, as usinas abastecidas pela queima de combustível fóssil, como ocorre na China, poluem mais. O representante da WWF lembra também que as nucleares deixam um passivo ambiental ainda sem solução para o planeta: o lixo contaminado.
“Todas as opções [de geração de energia] têm um preço. Todas têm uma pegada ecológica. A parte hidrelétrica, como no caso do Brasil, têm uma pegada mais tênue, o grande lance é o alagamento de grandes áreas para construção de lagos que, evidentemente, causam um desequilíbrio”, afirmou.
A campanha Hora do Planeta começou na Austrália em 2007 e se estendeu pelo mundo. No ano passado, ícones de destaque foram desligados nas principais capitais para chamar atenção para o avanço do aquecimento global. Entre eles, a Torre Eiffel, em Paris, o Coliseu, em Roma e a Times Square, em Nova Iorque.









Reportagem de Isabela Vieira, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 04/03/2010







Amazônia, desmatamento e clima. 

Entrevista especial com Carlos Nobre



Desmatamento na Amazônia, em foto de arquivo
Desmatamento na Amazônia, em foto de arquivo
Um estudo divulgado no mês passado revela que, devido ao desmatamento, mudanças no clima e queimadas, em cem anos, restará viva apenas 30% da Amazônia. Esse é um dado que mostra o aumento crescente destes que são considerados os principais desafios da maior floresta do mundo. “Boa parte da floresta, no leste e no sul, poderia desaparecer caso essas mudanças aumentem. No entanto, o desmatamento tem dimuido, mas é muito difícil saber para que lado vai o aquecimento global”, avalia o professor Carlos Nobre. Durante a entrevista que concedeu, por telefone, à IHU On-Line, ele refletiu sobre o cenário atual da Amazônia e soluções para resolução dos problemas que ela vive hoje. Nobre também conversou conosco sobre cenários que surgem no Brasil devido a problemas climáticos e ambientais, como o aumento da seca no semiárido e a desertificação no Rio Grande do Sul. “Um clima mais variável em uma região onde o clima geralmente é mais estável sempre motiva muitas coisas, mas não podemos afirmar cientificamente que esse aumento da variabilidade do clima no Rio Grande do Sul é provocado pelo aquecimento global”, explicou.
Carlos Nobre é engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Na Massachussets Institute Of Technology (EUA), realizou o doutorado em metereologia. Recebeu o título de pós-doutor da University Of Maryland (EUA). Atualmente, é pesquisador sênior no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É autor das obras Amazonian deforestation and climate (New York: John Wiley and Sons, 1996) e Regional Hidrological Impacts of Climatic Change – Impact Assessment and Decision Making (Oxfordshire: International Association of Hidrological Sciences, 2005).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Um estudo sobre os riscos que a Amazônia está correndo, conduzido pelo Banco Mundial, alerta que, devido ao desmatamento, as mudanças climáticas e as queimadas, em 2075, só restará 30% da floresta amazônica. Hoje, a Amazônia é a maior floresta do mundo. Como o senhor detalharia o cenário previsto para 2075?
Carlos Nobre – No pior dos casos, se todas as mudanças ambientais e globais aumentarem, seja por desmatamento, impacto do fogo na floresta ou por aquecimento global, ainda assim sobraria uma faixa de 20 a 30% da floresta até o final do século. É isso que nossos cálculos mostram. Boa parte da floresta, no leste e no sul, poderia desaparecer caso essas mudanças aumentarem. No entanto, odesmatamento tem dimuído, mas é muito difícil saber para que lado vai o aquecimento global. Copenhague não deu muito certo, mas há um movimento mundial de transição para uma economia de baixo carbono. Portanto, não é possível prever com precisão se esse movimento dará certo, qual é a escala de tempo, quantas décadas irá demorar para diminuir as emissões ou qual será o aumento de temperatura na segunda metade do século. O que podemos imaginar são cenários. Nem com bola de cristal alguém conseguiria, hoje, saber exatamente qual seria a trajetória do aquecimento global nos próximos cem anos.



IHU On-Line – O cenário atual da floresta permite que recuperemos as áreas que foram desmatadas?
Carlos Nobre – Recuperar todas as áreas que foram desmatadas não é uma tarefa trivial, é uma tarefa muito complicada, mas a política de uso dos recursos da Amazônia deve ir na direção de uma diminuição muito grande de novos desmatamentos. Há uma política do governo brasileiro, inclusive, para reduzir as emissões. O que o presidente Lula apresentou emCopenhague, e que se tornou lei, é uma redução de 80% dos desmatamentos. Então, podemos sim, em uma escala de dez a quinze anos, nos encaminhar para o desmatamento zero. É só desenvolvermos políticas de utilização das áreas já desmatadas. Essas políticas devem ser acompanhadas de avanços científicos e tecnológicos de como usar as áreas desmatadas. Talvez possamos usar menos da metade das áreas desmatadas para produzir alimentos e outros materiais, e recuperar boa parte dessas áreas. Fazendo isso, também estaríamos, no momento que a floresta secundária regenera nas áreas desmatadas, retirando gás carbônico da atmosfera.
IHU On-Line – A redução das emissões de gases estufa é a única solução para a Amazônia?
Carlos Nobre – São várias as soluções. É impossível eliminar o risco da floresta se não reduzirmos o aquecimento global, que não pode passar muito de dois graus. O planeta já aqueceu entre 0,7 e 0,8 graus, então precisamos, com certeza, diminuir o aquecimento global. Um outro ponto é que, mesmo que diminuíssemos o aquecimento global em nome da temperatura no máximo em graus e continuassemos a desmatar, ainda assim, a floresta estaria em risco. A redução do desmatamento é muito importante. Por fim, a prática agrícola tem que ser feita sem o uso do fogo, que é cada vez mais usado na agricultura em todo o Brasil e América Latina. Esse fogo acaba saindo de controle, vai entrando aos poucos e queimando áreas de florestas. Cada vez que se abrem mais áreas agrícolas, mais pedaços de florestas vão sendo queimados. Então, junto com a redução do aquecimento global e a redução significativa do desmatamento, deve se eliminar o fogo como prática agrícola. O fogo não é uma boa prática agrícola, de acordo com a melhor agricultura que possa ser praticada na região.


Queimadas são um dos principais problemas enfrentados pela Amazônia


IHU On-Line – O acordo feito em Copenhague não estabeleceu metas obrigatórias de redução de emissões. Como fica a Amazônia diante desse comprometimento?
Carlos Nobre – É preocupante, não só para a Amazônia, mas para todo o planeta, para a sustentabilidade da vida e para a produção agrícola. O próprio conceito de desenvolvimento sustentável fica ameaçado se nós não conseguirmos eliminar esse risco. O fato de não termos chegado a um acordo legalmente vinculante e multilateral sob o guarda-chuva das nações unidas não significa que não poderemos chegar a algum tipo de acordo no futuro, mas é melhor que esse futuro seja muito imediato, se não no México, naCOP 16, tem que ser na África do Sul, na COP 17. Não podemos deixar o tempo passar, e os esforços para reduzir as emissões devem continuar, com ou sem acordo.
O Brasil, por exemplo, tem reduzido suas emissões. Talvez o pico das emissões brasileiras tenha sido no ano de 2005. A partir daí, reduzimos os desmatamentos, as emissões vêm diminuindo e agora vamos atuar em vários setores, não só na área do desmatamento, mas de agricultura, energia, indústria, e caminhamos para essa economia de baixo carbono. Isso deve ser acelerado e, é lógico, o jogo só se equilibra quando há um acordo amplo. Se não houver esse acordo, é como se alguém sempre quisesse “passar a perna” no outro, uns reduzem mais, outros não reduzem e outros aumentam. Portanto, o acordo é importante, mas as ações claras e que caminham na direção de uma economia de baixo carbono não podem parar, têm que continuar até que esse acordo se torne possível e seja efetivado.
IHU On-Line – Além dos problemas que a Amazônia vive, o semiárido está cada vez mais seco, o norte do RS vive um processo de desertificação. Como o senhor encara as mudanças previstas para o Código Florestal?
Carlos Nobre – Esta questão de áreas afetadas pelo processo dedesertificação no Rio Grande do Sul é muito interessante. Não sou um especialista no assunto, mas acho que isso é um misto de processos naturais com o uso da terra e da cobertura vegetal. O solo fica muito exposto ao vento e, principalmente, aos fluxos de água, e acaba gerando moçorocas e processos de desertificação em alguns pontos. De fato, nos últimos dez anos, o clima no sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, tornou-se mais variável, com períodos de secas intensas próximas a períodos de chuva. Um clima mais variável em uma região onde o clima geralmente é mais estável sempre motiva muitas coisas, mas não podemos afirmar cientificamente que esse aumento da variabilidade do clima no Rio Grande do Sul é provocado pelo aquecimento global. Ainda não temos como apontar isso definitivamente, mas é lógico que qualquer mudança no regime climático, observado por dez, vinte anos, chama atenção e a comunidade científica tem, portanto, obrigação de buscar uma explicação, se é um fenômeno natural ou se tem algo a ver com o aquecimento global.
O norte do RS é uma das regiões que vive o processo de desertificação
IHU On-Line – Existem outros lugares no país que tenham indícios de desertificação?
Carlos Nobre – O lugar onde mais existem indícios de desertificação é no Piauí, na parte do semiárido do Piauí. Existe uma cidade chamada Gilbué que tem uma paisagem lunar, a maior área desertificada do Brasil.
IHU On-Line – No estudo, o senhor diz que o risco de colapso da floresta é maior no leste e sul da Amazônia, região que corresponde ao Pará e Maranhão. Pode nos falar sobre a situação atual destas regiões? Que aspectos indicam que elas serão mais afetadas?
Carlos Nobre – É o fato de que, nessas regiões, a estação seca é mais longa do que no oeste e no centro da Amazônia, onde dura de dois a três meses. Já no leste e no sul, essa estação seca dura de quatro a cinco meses. Então, por isso, se o clima fica mais seco, seja por aquecimento global ou por desmatamento, a região passa a ter um regime de chuva e seca muito parecido com o do cerrado do Brasil central. O clima seria mais favorável ao cerrado do que à floresta. A floresta precisa ter água no solo e umidade o tempo todo. E se é um clima muito sazonal, como é no Brasil central, a vegetação que aparece lá é de cerrados ou savanas tropicais. O leste e o sul da Amazônia são cobertos por florestas, mas tem um clima um pouco mais sazonal. Essa é a razão dessa região ser mais sensível às mudanças climáticas e ao desmatamento.
IHU On-Line – Que impactos esses problemas ambientais da Amazônia podem causar em outras regiões do país?
Carlos Nobre – Não sabemos ao certo. Temos estudado o impacto da Amazônia nas chuvas do sul, por exemplo, no Rio Grande do Sul,  nordeste da Argentina, Uruguai e Paraguai. Uma boa parte do vapor da água que participa dos processos de formação de chuva nesta região sudeste da América do Sul circulou pela Amazônia. Veio do oceano Atlântico, entrou pela Amazônia, virou chuva, choveu, caiu no solo, evaporou e choveu novamente. É um vapor d’água com muita milhagem, andou muito na Amazônia. A pergunta que se faz é: se mudar o clima na Amazônia, será que o vapor d’água, que hoje passa por ela e alimenta chuvas, principalmente no sul do Brasil, vai continuar o mesmo? Não sabemos, mas é uma questão importante, principalmente para as chuvas de inverno. Nas chuvas de verão, as fontes de vapor d’água são de muitos locais, mas as chuvas de inverno, no sul do Brasil, recebem uma alimentação muito grande desse vapor que passa pela Amazônia. Não temos uma resposta definitiva, mas pode haver um efeito principalmente nas chuvas de inverno no sul do Brasil, com mudanças profundas na agricultura, na ecologia e nos biomas.
(Ecodebate publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]


Estudo do Imazon registra que, em 5 meses, desmate da Amazônia responde por 51 milhões de ton de gases-estufa emitidos








Desmatamento na Amazônia, em foto de arquivo
Desmatamento na Amazônia, em foto de arquivo
O Desmatamento da Floresta amazônica, registrado entre agosto de 2009 e janeiro deste ano, será responsável pela emissão de 51 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). No período, o desFlorestamento foi de 836 quilômetros quadrados, segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon.
Essa taxa de carbono supera, e muito, as Emissões da indústria paulista no ano de 2006, por exemplo, que foi de 38 milhões de toneladas de CO2. As Emissões de gases de efeito estufa provocam o Aquecimento Global. O dado também é 41% maior do que no período anterior (agosto de 2008 a janeiro de 2009), quando foram afetados 36 milhões de CO2. “Dizemos que o carbono foi comprometido ou afetado porque não podemos afirmar que a emissão já ocorreu, se o gás já está ou não na atmosfera. A emissão vai acontecer em algum momento, mas pode ser numa próxima queimada, por exemplo”, explica Carlos Souza Júnior, cientista do Imazon. Reportagem de Afra Balazina , no O Estado de S.Paulo.
A emissão ocorre por meio da queimada da madeira ou da decomposição natural das árvores cortadas. O aumento do Desmatamento acompanhou em menor medida a elevação das Emissões e foi de 22% ao se comparar um período com o outro. Segundo o pesquisador, o fato não é estranho e, na verdade, em alguns casos o Desmatamento pode até mesmo diminuir enquanto as Emissões aumentam.
Isso explica por que ao cortar Florestas mais densas – com maior volume de madeira – as Emissões de CO2 são mais altas. “Na área mais desmatada da Amazônia, na região do Arco do Desmatamento, há menor densidade de carbono. Regiões como a Terra do Meio e Novo Progresso, no Pará, têm estoques de carbono mais elevados”, diz.
Foi a primeira vez que o Imazon incluiu a informação sobre Emissões de CO2 em seu relatório sobre Desmatamento, o Transparência Florestal.
Para calcular as Emissões de carbono que o Desmatamento acarreta, foi necessário fazer um cruzamento de dados. Cada polígono onde houve desmate foi comparado a mapas de Biomassa da Amazônia.
Entraram na conta do “simulador de Emissões de carbono” estimativas para algumas incertezas (um incêndio nem sempre queima toda a Biomassa existente, pois sua eficiência não é de 100%).
“Isso nos deu mais segurança para a modelagem”, diz o pesquisador.





publicado por Maluvfx às 00:05
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010
Comer é um ato político
Por Samantha Buglione*

O aquecimento global está na nossa barriga. Estamos, literalmente, comendo demais e aquecendo demais o planeta. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), 18% dos gases que causam o aquecimento global decorrem da pecuária intensiva. Vacas, porcos e galinhas são os verdadeiros vilões dos dias de calor. As vacas, principalmente. Isso porque as pobres leiteiras liberam metano, gás 21 vezes mais poluidor que o dióxido de carbono. Das áreas desmatadas na Amazônia, 75% são ocupadas pela pecuária, onde vivem cerca de 70 milhões de bois.

Para além dos dados da FAO, estudo da Universidade de Brasília afirma que a pecuária, no Brasil, é responsável por 50% das emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa (GEEs). Mercedes Bustamante, uma das coordenadoras do trabalho, afirma que a pecuária emitiu cerca de um bilhão de toneladas de gases do efeito estufa em 2005. O estudo leva em conta três grandes fontes de emissão relacionadas diretamente à pecuária: o desmatamento para abertura de pastagens (tanto no cerrado quanto na Amazônia), as queimadas para manejo de pastagens, e o metano exalado pela fermentação de biomassa no estômago dos animais.

O fator que mais pesa no bolso é o desmatamento da Amazônia, responsável por 65% das emissões do setor em 2005. A pesquisa também confirma a percepção de que a pecuária é responsável pela maior parte (75%) da área derrubada de floresta no bioma. No caso do cerrado, a abertura de pastagens foi responsável por 56% do desmatamento do bioma e 13% das emissões do setor em 2005. O cálculo considera apenas o carbono emitido imediatamente pela queima da vegetação superficial e das respectivas raízes. Não inclui outra grande fonte de emissão, que é a decomposição da matéria orgânica misturada ao solo – uma emissão lenta e gradual, mas que, com o tempo, pode chegar ao dobro do que é emitido pelo desmatamento.

A população mundial aumentou algumas centenas de milhares nos últimos 50 anos, mas nada se compara ao número de bovinos. Estima-se que, para cada humano, há mais ou menos cinco vacas espalhadas por aí. Entram no cálculo, inclusive, os humanos que passarão a vida sem comer qualquer grama de proteína animal. Ao final da vida, um carnívoro comeu cerca de 1,8 mil animais.

Comer é um ato político, com impacto na saúde humana, no meio ambiente e na vida de outros seres vivos. Equivocadamente acreditamos que no silêncio do lar, na frente da TV, com “big alguma coisa” e muito refrigerante com glutamato não causamos danos. Estamos enganados. Atualmente, nosso garfo mata mais que tsunamis. Até 2050, haverá entre 1 bilhão e 3 bilhões de refugiados por conta de catástrofes ambientais. O responsável? Nosso churrasquinho, nosso garfo e nossa faca, ou seja, nós. Comer é a versão nada romântica do bater das asas de uma borboleta no Sul que causa um terremoto no Norte. No caso da carne, é a produção de soja transgênica no Brasil – que acaba com a pequena propriedade e manda milhares de agricultores para a cidade, aumentando os bolsões de miséria –, que alimenta os bois e vacas europeus (e brasileiros também). 75% da produção de soja são para alimentar animais que não vão alimentar todo mundo. Boa parte da plantação de soja e pecuária no Brasil está onde um dia foi mata atlântica, cerrado e floresta amazônica.

Comer não é um ato privado ou inocente. Querendo ou não, a eleição do nosso alimento revela o tipo de moral que rege nossas condutas e o tipo de sociedade que estamos fomentando.

* Professora de direito, bioética e do mestrado em gestão de políticas públicas da Univali. Doutora em ciências humanas.

Contato: buglione@antigona.org.br

Fonte: A Notícia
via


publicado por Maluvfx às 23:39
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