Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Terça-feira, 27 de Julho de 2010
Vá de férias sem abandonar os animais
Apelos na internet, nas clínicas veterinárias e até sensibilização nas escolas. A Associação Bracarense Amigos dos Animais - ABRA - desdobra-se em esforços e campanhas para que os animais sejam adoptados, mas as adopções têm sido “muito poucas” e com a chegada do Verão o número de abandonos aumenta.


Nos últimos dois meses, o número de animais deixados no canil/gatil municipal disparou. “Temos muitos dias da semana a serem entregues 10 cães por dia, entre os animais que são recolhidos pelas equipas da Agere e os animais entregues pelos donos”, confidenciou a vice-presidente da ABRA, Anabela Veloso. E, contrariamente aos anos anteriores, “nos últimos três meses o gatil tem estado lotado e não se consegue perceber porquê, porque os gatos são mais difíceis de capturar”.


Além disso, Anabela Veloso sublinhou o facto de cada vez mais pessoas entregarem os animais no canil/gatil. “Quando dizemos às pessoas que os animais podem ser abatidos, porque o tempo útil para arranjar um dono é muito curto, as pessoas acabam por levar de volta”, admitiu aquela responsável, informando que se coloca no site a fotografia do animal na tentativa de arranjar um novo dono.

As pessoas têm de estar conscientes de que quando entregam animais no canil, o seu destino é o abate. Só excepcionalmente eles são adoptados e isso é cada vez mais difícil”, referiu aquela responsável, evidenciando que no canil “80% dos animais são entregues pelos donos e 20% são recolhidos”.
Nesta altura do ano, lembrou Anabela Veloso, “já se vêem nas zonas limites da cidade, onde há montes, os animais pelas estradas fora. Há cada vez mais animais abandonados e cada vez menos adopções”, assegurou.

Donos mais responsáveis

Isto pode dever-se ao facto, acrescentou a vice-presidente, “das pessoas terem mais responsabilidade e estarem mais conscientes, que não podem ter um animal por ter, é preciso ter mais cuidados e por isso, preferem um animal que dê menos trabalho e com que gaste menos dinheiro. Nesse sentido nota-se que está a valer o trabalho”.

O apelo que Anabela Veloso deixou é que as pessoas antes de irem de férias que “tentem todas as possibilidades para não abandonarem os animais ou de os deixarem no canil”. E atirou: “enviem fotos e tentamos através do site encontrar famílias de acolhimento. Depois há outros serviços e hotéis ou até um vizinho ou familiar que não se importa de olhar e dar de comer”.
Entretanto, a ABRA durante o mês de Agosto continua com as campanhas de adopção, sendo no primeiro fim-de-semana do mês para cães e gatos e no terceiro sábado de cada mês para os gatos.

“Número de abates deve-se ao elevado número de abandonos”

A Associação Bracarense Amigos dos Animais (ABRA) repudia o teor das acusações feitas ao Canil Municipal de Braga, expressas numa petição on line, promovida pela Fraktal.
A ABRA reconhece, em comunicado, que “é imperioso promover a alteração de comportamentos e mentalidades, de modo a abandonar a prática de abate como forma de controlar o número de animais errantes”.

E vai mais longe: “é preciso contrariar o aumento do abandono e maus tratos dos animais, implementando medidas dissuasoras de tais práticas; além de promover e sensibilizar a população para a esterilização dos seus animais de estimação, com vista à dimi

nuição do número de animais errantes. E a ABRA defende ainda melhores condições para as infra-estruturas destinadas à recolha dos animais errantes, promovendo o seu acolhimento, consciencioso, por novos donos, em detrimento do seu abate e assegurar que se encontram preenchidas as condições fundamentais de higiene, alimentação, saúde e bem-estar de todos os animais que se encontram recolhidos nas referidas infra-estruturas.

Ainda em comunicado a direcção da ABRA sublinha que “os canis municipais existentes no nosso país são, maioritariamente de abate, não assegurando as mínimas condições de higiene, alimentação, saúde e bem-estar dos animais que se encontram depositados nos mesmos”.

Em contrapartida, acrescenta o mesmo documento, “a Câmara Municipal de Braga abriu as portas do canil municipal, permitindo que um grupo de voluntários se desloque diariamente às suas instalações para, em parceria com o município, acautelar, diariamente, que se encontram preenchidas as condições fundamentais de higiene, alimentação, saúde e bem-estar de todos os animais que aí se encontrem e, bem assim, zelar pela minimização do sofrimento de animais doentes, quando não for possível assegurar tratamento e/ou recobro adequados”.
Esta colaboração, ao longo dos últimos cinco anos, permitiu que inúmeros animais encontrassem novos donos.

Donos cada vez mais preocupados

O hotel canino da Quinta de St.ª Teresinha, em Merelim S. Pedro, é uma das várias opções existentes no concelho para deixar os animais, não só em tempo de férias.
César Sá, o proprietário daquele espaço com 12 anos, destaca o “ambiente familiar”, que ali se cria para os animais. “Apostamos num conceito familiar e, apesar de termos espaço e condições para crescer, optámos por ficar pelas 50 boxes disponíveis”.
A trabalhar no ramo por paixão, César confessa que é “gratificante o que os animais dão, até porque a interacção é fantástica”.

E em relação aos donos, o proprietário do hotel tem notado que “há uma grande preocupa- ção e respeito pelos animais, as pessoas têm consciência e querem deixar o cão bem tratado e telefonam diariamente para saber se os animais estão bem. Isso demonstra afecto e carinho”.

Numa quinta com cerca de dois hectares, César Sá garante que se pretende “dar férias aos animais. Eles aqui não estão presos, andam soltos e podem explorar todos os cheiros das várias árvores de fruto existentes”. E foi mais longe: “os cães brincam e socializam-se com outros animais, caso os donos autorizem. Há muita vegetação para proporcionar sempre sombra, sobretudo na época de calor”.

Mas César não recebe animais apenas nestes meses de Verão. “Temos animais durante todo o ano. Cada vez isso acontece mais por variados motivos, desde trabalho, divórcio, obras em casa, doença”, informou.
César admitiu que ainda não sentiu a crise. “As pessoas podem não ir tanto tempo de férias, em vez de irem um mês, já só vão 15 dias, e além disso já não vão só em Agosto, talvez por ser mais barato nos outros meses, mas continuam deixar os animais aqui”.

Por noite, cada animal paga 10 euros com tudo incluído. “Já tenho praticamente tudo reservado para o mês de Agosto”, assegurou o proprietário, referindo que chegam animais de famílias de várias localidades, desde Porto, Viana do Castelo, Barcelos, Esposende e Braga.


publicado por Maluvfx às 10:29
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Vá de férias sem abandonar os animais
Apelos na internet, nas clínicas veterinárias e até sensibilização nas escolas. A Associação Bracarense Amigos dos Animais - ABRA - desdobra-se em esforços e campanhas para que os animais sejam adoptados, mas as adopções têm sido “muito poucas” e com a chegada do Verão o número de abandonos aumenta.


Nos últimos dois meses, o número de animais deixados no canil/gatil municipal disparou. “Temos muitos dias da semana a serem entregues 10 cães por dia, entre os animais que são recolhidos pelas equipas da Agere e os animais entregues pelos donos”, confidenciou a vice-presidente da ABRA, Anabela Veloso. E, contrariamente aos anos anteriores, “nos últimos três meses o gatil tem estado lotado e não se consegue perceber porquê, porque os gatos são mais difíceis de capturar”.


Além disso, Anabela Veloso sublinhou o facto de cada vez mais pessoas entregarem os animais no canil/gatil. “Quando dizemos às pessoas que os animais podem ser abatidos, porque o tempo útil para arranjar um dono é muito curto, as pessoas acabam por levar de volta”, admitiu aquela responsável, informando que se coloca no site a fotografia do animal na tentativa de arranjar um novo dono.

As pessoas têm de estar conscientes de que quando entregam animais no canil, o seu destino é o abate. Só excepcionalmente eles são adoptados e isso é cada vez mais difícil”, referiu aquela responsável, evidenciando que no canil “80% dos animais são entregues pelos donos e 20% são recolhidos”.
Nesta altura do ano, lembrou Anabela Veloso, “já se vêem nas zonas limites da cidade, onde há montes, os animais pelas estradas fora. Há cada vez mais animais abandonados e cada vez menos adopções”, assegurou.

Donos mais responsáveis

Isto pode dever-se ao facto, acrescentou a vice-presidente, “das pessoas terem mais responsabilidade e estarem mais conscientes, que não podem ter um animal por ter, é preciso ter mais cuidados e por isso, preferem um animal que dê menos trabalho e com que gaste menos dinheiro. Nesse sentido nota-se que está a valer o trabalho”.

O apelo que Anabela Veloso deixou é que as pessoas antes de irem de férias que “tentem todas as possibilidades para não abandonarem os animais ou de os deixarem no canil”. E atirou: “enviem fotos e tentamos através do site encontrar famílias de acolhimento. Depois há outros serviços e hotéis ou até um vizinho ou familiar que não se importa de olhar e dar de comer”.
Entretanto, a ABRA durante o mês de Agosto continua com as campanhas de adopção, sendo no primeiro fim-de-semana do mês para cães e gatos e no terceiro sábado de cada mês para os gatos.

“Número de abates deve-se ao elevado número de abandonos”

A Associação Bracarense Amigos dos Animais (ABRA) repudia o teor das acusações feitas ao Canil Municipal de Braga, expressas numa petição on line, promovida pela Fraktal.
A ABRA reconhece, em comunicado, que “é imperioso promover a alteração de comportamentos e mentalidades, de modo a abandonar a prática de abate como forma de controlar o número de animais errantes”.

E vai mais longe: “é preciso contrariar o aumento do abandono e maus tratos dos animais, implementando medidas dissuasoras de tais práticas; além de promover e sensibilizar a população para a esterilização dos seus animais de estimação, com vista à dimi

nuição do número de animais errantes. E a ABRA defende ainda melhores condições para as infra-estruturas destinadas à recolha dos animais errantes, promovendo o seu acolhimento, consciencioso, por novos donos, em detrimento do seu abate e assegurar que se encontram preenchidas as condições fundamentais de higiene, alimentação, saúde e bem-estar de todos os animais que se encontram recolhidos nas referidas infra-estruturas.

Ainda em comunicado a direcção da ABRA sublinha que “os canis municipais existentes no nosso país são, maioritariamente de abate, não assegurando as mínimas condições de higiene, alimentação, saúde e bem-estar dos animais que se encontram depositados nos mesmos”.

Em contrapartida, acrescenta o mesmo documento, “a Câmara Municipal de Braga abriu as portas do canil municipal, permitindo que um grupo de voluntários se desloque diariamente às suas instalações para, em parceria com o município, acautelar, diariamente, que se encontram preenchidas as condições fundamentais de higiene, alimentação, saúde e bem-estar de todos os animais que aí se encontrem e, bem assim, zelar pela minimização do sofrimento de animais doentes, quando não for possível assegurar tratamento e/ou recobro adequados”.
Esta colaboração, ao longo dos últimos cinco anos, permitiu que inúmeros animais encontrassem novos donos.

Donos cada vez mais preocupados

O hotel canino da Quinta de St.ª Teresinha, em Merelim S. Pedro, é uma das várias opções existentes no concelho para deixar os animais, não só em tempo de férias.
César Sá, o proprietário daquele espaço com 12 anos, destaca o “ambiente familiar”, que ali se cria para os animais. “Apostamos num conceito familiar e, apesar de termos espaço e condições para crescer, optámos por ficar pelas 50 boxes disponíveis”.
A trabalhar no ramo por paixão, César confessa que é “gratificante o que os animais dão, até porque a interacção é fantástica”.

E em relação aos donos, o proprietário do hotel tem notado que “há uma grande preocupa- ção e respeito pelos animais, as pessoas têm consciência e querem deixar o cão bem tratado e telefonam diariamente para saber se os animais estão bem. Isso demonstra afecto e carinho”.

Numa quinta com cerca de dois hectares, César Sá garante que se pretende “dar férias aos animais. Eles aqui não estão presos, andam soltos e podem explorar todos os cheiros das várias árvores de fruto existentes”. E foi mais longe: “os cães brincam e socializam-se com outros animais, caso os donos autorizem. Há muita vegetação para proporcionar sempre sombra, sobretudo na época de calor”.

Mas César não recebe animais apenas nestes meses de Verão. “Temos animais durante todo o ano. Cada vez isso acontece mais por variados motivos, desde trabalho, divórcio, obras em casa, doença”, informou.
César admitiu que ainda não sentiu a crise. “As pessoas podem não ir tanto tempo de férias, em vez de irem um mês, já só vão 15 dias, e além disso já não vão só em Agosto, talvez por ser mais barato nos outros meses, mas continuam deixar os animais aqui”.

Por noite, cada animal paga 10 euros com tudo incluído. “Já tenho praticamente tudo reservado para o mês de Agosto”, assegurou o proprietário, referindo que chegam animais de famílias de várias localidades, desde Porto, Viana do Castelo, Barcelos, Esposende e Braga.


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Terça-feira, 23 de Março de 2010
Internet ameaça animais raros

Internet ameaça animais raros
World Wide Web veio facilitar o comércio, ao tornar acessível e anónima a compra de espécies exóticas.


Uma bala disparada por um caçador pode matar um elefante, alimentando o comércio ilegal de marfim. Mas são os meios que permitem a venda deste que realmente fazem funcionar o mercado. Agora há uma nova ameaça emergente para as espécies exóticas: a Internet. Os conservacionistas defendem que, actualmente, é fácil comprar e vender qualquer coisa, desde leões bebés vivos a peles de ursos-polares, em leilões e salas de conversa.
O caso foi apresentados na conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), que reuniu 175 países na capital do Qatar, Doha, que começou a 13 deste mês e termina na próxima quinta-feira. "A Internet está a tornar-se o factor geral dominante nas trocas mundiais de espécies protegidas", disse à BBC News Paul Todd, do Fundo Internacional para a Protecção dos Animais (IFAW, na sigla inglesa). Para o conservacionista, existem milhares de espécies que são diariamente comercializadas na Internet. Isto acontece porque os vendedores e compradores se aproveitam do facto de estarem anónimos -e também do gigantesco mercado mundial -, algo que só a World Wide Web pode fornecer.
As autoridades, que tentam detectar vendas ilegais, dizem que o problema é quase impossível de quantificar. Segundo eles, os Estados Unidos serão o maior mercado, mas a Europa, China, Rússia e Austrália também têm um papel importante no tráfico.
No domingo, os delegados presentes na conferência votaram uma lei para banir o comércio internacional de uma espécie rara de salamandra iraniana, o tritão-imperador-manchado, que o WWF (Fundo Mundial para os Animais) diz que foi completamente devastado pelo comércio feito pela Internet.
Apesar disso, tentativas mais abertas de banir o tráfico de ursos-polares, atum-rabilho (ou vermelho) e corais raros resultaram em nada, deixando os activistas ambientais desiludidos.
Uma proposta deixada pelos Estados Unidos e pela Suécia para regular o tráfico de corais-vermelhos e rosa - que são utilizados para se fazer joalharia de luxo e que são vendidos largamente pela Internet - também acabou rejeitada.
Segundo os delegados que votaram contra esta ideia, seriam as populações de pescadores pobres das comunidades, que capturam estes corais para vender, os principais prejudicados com o aumento dos regulamentos.

Fonte


publicado por Maluvfx às 11:27
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Internet ameaça animais raros

Internet ameaça animais raros
World Wide Web veio facilitar o comércio, ao tornar acessível e anónima a compra de espécies exóticas.


Uma bala disparada por um caçador pode matar um elefante, alimentando o comércio ilegal de marfim. Mas são os meios que permitem a venda deste que realmente fazem funcionar o mercado. Agora há uma nova ameaça emergente para as espécies exóticas: a Internet. Os conservacionistas defendem que, actualmente, é fácil comprar e vender qualquer coisa, desde leões bebés vivos a peles de ursos-polares, em leilões e salas de conversa.
O caso foi apresentados na conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), que reuniu 175 países na capital do Qatar, Doha, que começou a 13 deste mês e termina na próxima quinta-feira. "A Internet está a tornar-se o factor geral dominante nas trocas mundiais de espécies protegidas", disse à BBC News Paul Todd, do Fundo Internacional para a Protecção dos Animais (IFAW, na sigla inglesa). Para o conservacionista, existem milhares de espécies que são diariamente comercializadas na Internet. Isto acontece porque os vendedores e compradores se aproveitam do facto de estarem anónimos -e também do gigantesco mercado mundial -, algo que só a World Wide Web pode fornecer.
As autoridades, que tentam detectar vendas ilegais, dizem que o problema é quase impossível de quantificar. Segundo eles, os Estados Unidos serão o maior mercado, mas a Europa, China, Rússia e Austrália também têm um papel importante no tráfico.
No domingo, os delegados presentes na conferência votaram uma lei para banir o comércio internacional de uma espécie rara de salamandra iraniana, o tritão-imperador-manchado, que o WWF (Fundo Mundial para os Animais) diz que foi completamente devastado pelo comércio feito pela Internet.
Apesar disso, tentativas mais abertas de banir o tráfico de ursos-polares, atum-rabilho (ou vermelho) e corais raros resultaram em nada, deixando os activistas ambientais desiludidos.
Uma proposta deixada pelos Estados Unidos e pela Suécia para regular o tráfico de corais-vermelhos e rosa - que são utilizados para se fazer joalharia de luxo e que são vendidos largamente pela Internet - também acabou rejeitada.
Segundo os delegados que votaram contra esta ideia, seriam as populações de pescadores pobres das comunidades, que capturam estes corais para vender, os principais prejudicados com o aumento dos regulamentos.

Fonte


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Internet ameaça animais raros

Internet ameaça animais raros
World Wide Web veio facilitar o comércio, ao tornar acessível e anónima a compra de espécies exóticas.


Uma bala disparada por um caçador pode matar um elefante, alimentando o comércio ilegal de marfim. Mas são os meios que permitem a venda deste que realmente fazem funcionar o mercado. Agora há uma nova ameaça emergente para as espécies exóticas: a Internet. Os conservacionistas defendem que, actualmente, é fácil comprar e vender qualquer coisa, desde leões bebés vivos a peles de ursos-polares, em leilões e salas de conversa.
O caso foi apresentados na conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), que reuniu 175 países na capital do Qatar, Doha, que começou a 13 deste mês e termina na próxima quinta-feira. "A Internet está a tornar-se o factor geral dominante nas trocas mundiais de espécies protegidas", disse à BBC News Paul Todd, do Fundo Internacional para a Protecção dos Animais (IFAW, na sigla inglesa). Para o conservacionista, existem milhares de espécies que são diariamente comercializadas na Internet. Isto acontece porque os vendedores e compradores se aproveitam do facto de estarem anónimos -e também do gigantesco mercado mundial -, algo que só a World Wide Web pode fornecer.
As autoridades, que tentam detectar vendas ilegais, dizem que o problema é quase impossível de quantificar. Segundo eles, os Estados Unidos serão o maior mercado, mas a Europa, China, Rússia e Austrália também têm um papel importante no tráfico.
No domingo, os delegados presentes na conferência votaram uma lei para banir o comércio internacional de uma espécie rara de salamandra iraniana, o tritão-imperador-manchado, que o WWF (Fundo Mundial para os Animais) diz que foi completamente devastado pelo comércio feito pela Internet.
Apesar disso, tentativas mais abertas de banir o tráfico de ursos-polares, atum-rabilho (ou vermelho) e corais raros resultaram em nada, deixando os activistas ambientais desiludidos.
Uma proposta deixada pelos Estados Unidos e pela Suécia para regular o tráfico de corais-vermelhos e rosa - que são utilizados para se fazer joalharia de luxo e que são vendidos largamente pela Internet - também acabou rejeitada.
Segundo os delegados que votaram contra esta ideia, seriam as populações de pescadores pobres das comunidades, que capturam estes corais para vender, os principais prejudicados com o aumento dos regulamentos.

Fonte


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Sábado, 13 de Março de 2010
Viver ao lado dos animais selvagens - Gente - DN

viver ao lado dos animais selvagens

por ISADORA ATAÍD
viver ao lado dos animais selvagens
Antes de tudo, gostar de animais. Gostar para ter disciplina para tráta-los, manter o olho atento para os comportamentos inesperados e reconhecer as diferenças com o homem.


Na instalação seca, três leões-marinhos ladravam de excitação frente à agitação e ao odor de Helena, anunciando um parto prematuro. Do lado de fora, treinadores e veterinário optaram por chamar ajuda extra quando as barbatanas, ao invés da cabeça da bebé, apareceram. A treinadora Nela Oliveira, 41 anos, temeu que a placenta pudesse rebentar antes da chegada dos reforços. Os leões-marinhos abriram espaço para Nela fazer o parto, Helena fazia força e a tratadora puxava pelas barbatanas do leão-marinho fêmea, hoje Taka.
O dragão-de-komodo não se mistura com a malta do reptilário. Segundo a sua tratadora, Susana Silva, 38 anos, não se incomoda por viver só. Diga-se que não há alternativa, já que a saliva do agressivo dragão está repleta de bactérias que provocam infecções e levam à morte as suas presas. Embora pareçam compenetrados, os dragões do Jardim Zoológico de Lisboa reconhecem Susana pelo seu cheiro. O Bima, que foi transferido para a Indonésia, sua terra natal, costumava espirrar, como quem dá boas--vindas, quando Susana chegava .
Os leões ou gostam de brincar ou são mesmo ardilosos. Já lá vão mais de 20 anos, mas a recordação acompanha Aires Colaço, 47 anos, tratador dos felinos. Um jovem macho precisava de ser apanhado para um tratamento de rotina. Como o animal era pequeno e evitar o uso de medicamentos é uma das preocupações do zoo, Aires escolheu a rede. Quando entrou na instalação, o tratador percebeu a armadilha. Deparou-se com um leão adulto de orelhas baixas, sinal inequívoco da posição de ataque, a rede não cabia sequer na cabeça do animal. As pernas só lhe começaram a tremer depois de Aires sair da jaula. Foi preciso calma e agilidade para sair em segurança.
O rinoceronte-indiano fêmea Teja é preguiçoso e adora maçãs no lanche da tarde. Um dia, a tratadora Anabela Oliveira, 35 anos, estava a alimentá-la quando uma peça rebolou da caixa. Mal pensou ir buscar o fruto e Teja já estava em pé, receosa que lhe fossem tirar uma maçã sequer. "A regra fundamental dos tratadores do Jardim Zoológico de Lisboa é que lidamos com animais selvagens, que podem ter comportamentos inesperados por mais que estejam familiarizados com os tratadores. É uma actividade que exige gostar dos animais e respeitá-los, um aprendizagem que não se esgota", afirma Anabela.
Na infância, Nela ensinava os coelhinhos bebés da quinta dos avós a saltarem e surpreendia-se com os burros, que ao ouvirem a voz da avó se metiam no cabresto. Trabalhou em escritórios e no comércio até assistir a um show dos golfinhos-de-miami, aos 23 anos. "Quando vi os treinadores na água com os animais, a dúvida entre bióloga e veterinária dissipou-se. O que eu gostava era da relação com os animais e queria ser treinadora. Candidatei-me a uma vaga e fui aceite; após oito meses estava a apresentar-me. No delfinário tratamos e treinamos os animais. Num mundo egocêntrico como o nosso, a principal qualidade aqui é olhar o animal, perceber as suas necessidades", sublinha.
A formação na Escola Agrícola da Paiã ensinou Susana a lidar com os animais domésticos. As cabras e ovelhas da quintinha do Jardim Zoológico foram os primeiros animais a receber os cuidados da tratadora. O convite para o reptilário foi um desafio, mas também a assustou - como a maioria dos humanos, partilhava o terror pelas cobras e lagartos. A formação no reptilário de Perugia, na Itália, modificou a sua visão e preparou-a para as pitões, crocodilos e hidrossauros. Para além de alimentar os animais, observá-los atentamente, "não vá a constipação da pitão transformar--se numa broncopneumonia", Susana interage com os visitantes. "Gosto de ensinar as crianças sobre os hábitos e a alimentação destes animais. Explicar sua importância para o ambiente. Sem o contexto do Zoo, seria impossível dar a conhecer tal variedade animal."
Carne de cavalo é a preferida dos tigres-da-sibéria. Aires não facilita o quotidiano da família, um casal e duas crias fêmeas. Põe a carne em sacos de fibra vegetal e esconde-os no cimo de uma árvore ou entre a vegetação. Trata-se do enriquecimento ambiental, ou seja, proporcionar aos animais espaço e actividades semelhantes ao seu habitat. Aires é criativo e colhe cocó de coala para deixar os leões "loucos". Canela e coentros mantêm os tigres-de- -samatra em movimento e um tronco de eucalipto ocupa os filhotes. Aos 18 anos, depois de terminada a tropa, um passeio pelo Zoo de Lisboa encantou Aires. Na mesma tarde preencheu a ficha de inscrição e uma semana depois tratava da jardinagem. Mas eram os animais que o seduziam e conquistou um lugar entre os carnívoros. Ao longo dos anos foram muitos os cursos de formação frequentados por Aires, mas para ele é o gosto pelos animais e a experiência que definem um tratador. "Quando um animal se isola, não come ou não urina, é porque algo não está bem. Nos filhotes não podemos deixar o nosso cheiro, porque correm o risco de ser abandonados pela mãe. Não há relação de proximidade, são animais selvagens e observar é decisivo. O tempo e a dedicação ensinam a lidar com os animais."
Anabela cresceu no Zoo. O pai era motorista e entre os seis e os 17 anos viveu com a família numa das habitações destinadas aos funcionários. O trajecto para a escola era de aprendizagem e dedicava-se a reconhecer as espécies. Na altura, um macaco que roía as unhas era o seu predilecto e os barridos dos elefantes a assustavam. O quiosque África, dentro do Zoo, foi o primeiro emprego, em compasso de espera para uma vaga entre os tratadores. Começou com as aves e orgulha-se de ser a primeira mulher a tratar dos animais de grande porte. Girafas, zebras, rinocerontes e bisontes fazem parte da sua rotina. Admite uma paixão pelos ocapis, com quem partilha segredos e por vezes faz desabafos. Retornou faz pouco da licença de maternidade, e os animais tiveram de reaprender a sua voz e o seu cheiro.
Anabela não sente qualquer contradição pelos animais que tanto estima estarem foram do seu habitat original. "Muitos deles nasceram aqui, não possuem outra experiência. São muitas as iniciativas de enriquecimento ambiental, de modo a deixar o dia-a-dia dos animais o mais semelhante possível ao seu ambiente natural. Para além de todo o controlo médico e alimentar, o alto índice de fertilidade indica que eles são felizes. Mas, sem dúvida, o trabalho dos tratadores, a qualidade da relação que estabelecemos com os animais, faz a diferença", garante a tratadora.
O leão-marinho Max sofre de anemia, e a cada manhã Nela esconde as vitaminas na cabeça do carapau. Cereja, uma rã-tomate, teve 340 filhotes após Susana ter simulado a estação das chuvas. A estratégia será repensada este ano. Aires está preocupado em manter as crias longe do pai para que não ocorram anomalias genéticas entre os tigres-da-sibéria. Anabela observa o veterano António Marques, chefe dos tratadores dos herbívoros, cortar as unhas dos rinocerontes. A qualidade de vida dos animais do Zoo de Lisboa depende da interacção com os tratadores. Cumprir rotinas alimentares e de higiene, manter o olho atento para comportamentos inesperados, cultivar o afecto e conhecer os limites que separam os animais selvagens dos seres humanos são alguns dos pressupostos dos tratadores. "Os animais só têm posturas agressivas quando algo os perturba, não são maus", conclui Nela.

DN


publicado por Maluvfx às 07:53
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Viver ao lado dos animais selvagens - Gente - DN

viver ao lado dos animais selvagens

por ISADORA ATAÍD
viver ao lado dos animais selvagens
Antes de tudo, gostar de animais. Gostar para ter disciplina para tráta-los, manter o olho atento para os comportamentos inesperados e reconhecer as diferenças com o homem.


Na instalação seca, três leões-marinhos ladravam de excitação frente à agitação e ao odor de Helena, anunciando um parto prematuro. Do lado de fora, treinadores e veterinário optaram por chamar ajuda extra quando as barbatanas, ao invés da cabeça da bebé, apareceram. A treinadora Nela Oliveira, 41 anos, temeu que a placenta pudesse rebentar antes da chegada dos reforços. Os leões-marinhos abriram espaço para Nela fazer o parto, Helena fazia força e a tratadora puxava pelas barbatanas do leão-marinho fêmea, hoje Taka.
O dragão-de-komodo não se mistura com a malta do reptilário. Segundo a sua tratadora, Susana Silva, 38 anos, não se incomoda por viver só. Diga-se que não há alternativa, já que a saliva do agressivo dragão está repleta de bactérias que provocam infecções e levam à morte as suas presas. Embora pareçam compenetrados, os dragões do Jardim Zoológico de Lisboa reconhecem Susana pelo seu cheiro. O Bima, que foi transferido para a Indonésia, sua terra natal, costumava espirrar, como quem dá boas--vindas, quando Susana chegava .
Os leões ou gostam de brincar ou são mesmo ardilosos. Já lá vão mais de 20 anos, mas a recordação acompanha Aires Colaço, 47 anos, tratador dos felinos. Um jovem macho precisava de ser apanhado para um tratamento de rotina. Como o animal era pequeno e evitar o uso de medicamentos é uma das preocupações do zoo, Aires escolheu a rede. Quando entrou na instalação, o tratador percebeu a armadilha. Deparou-se com um leão adulto de orelhas baixas, sinal inequívoco da posição de ataque, a rede não cabia sequer na cabeça do animal. As pernas só lhe começaram a tremer depois de Aires sair da jaula. Foi preciso calma e agilidade para sair em segurança.
O rinoceronte-indiano fêmea Teja é preguiçoso e adora maçãs no lanche da tarde. Um dia, a tratadora Anabela Oliveira, 35 anos, estava a alimentá-la quando uma peça rebolou da caixa. Mal pensou ir buscar o fruto e Teja já estava em pé, receosa que lhe fossem tirar uma maçã sequer. "A regra fundamental dos tratadores do Jardim Zoológico de Lisboa é que lidamos com animais selvagens, que podem ter comportamentos inesperados por mais que estejam familiarizados com os tratadores. É uma actividade que exige gostar dos animais e respeitá-los, um aprendizagem que não se esgota", afirma Anabela.
Na infância, Nela ensinava os coelhinhos bebés da quinta dos avós a saltarem e surpreendia-se com os burros, que ao ouvirem a voz da avó se metiam no cabresto. Trabalhou em escritórios e no comércio até assistir a um show dos golfinhos-de-miami, aos 23 anos. "Quando vi os treinadores na água com os animais, a dúvida entre bióloga e veterinária dissipou-se. O que eu gostava era da relação com os animais e queria ser treinadora. Candidatei-me a uma vaga e fui aceite; após oito meses estava a apresentar-me. No delfinário tratamos e treinamos os animais. Num mundo egocêntrico como o nosso, a principal qualidade aqui é olhar o animal, perceber as suas necessidades", sublinha.
A formação na Escola Agrícola da Paiã ensinou Susana a lidar com os animais domésticos. As cabras e ovelhas da quintinha do Jardim Zoológico foram os primeiros animais a receber os cuidados da tratadora. O convite para o reptilário foi um desafio, mas também a assustou - como a maioria dos humanos, partilhava o terror pelas cobras e lagartos. A formação no reptilário de Perugia, na Itália, modificou a sua visão e preparou-a para as pitões, crocodilos e hidrossauros. Para além de alimentar os animais, observá-los atentamente, "não vá a constipação da pitão transformar--se numa broncopneumonia", Susana interage com os visitantes. "Gosto de ensinar as crianças sobre os hábitos e a alimentação destes animais. Explicar sua importância para o ambiente. Sem o contexto do Zoo, seria impossível dar a conhecer tal variedade animal."
Carne de cavalo é a preferida dos tigres-da-sibéria. Aires não facilita o quotidiano da família, um casal e duas crias fêmeas. Põe a carne em sacos de fibra vegetal e esconde-os no cimo de uma árvore ou entre a vegetação. Trata-se do enriquecimento ambiental, ou seja, proporcionar aos animais espaço e actividades semelhantes ao seu habitat. Aires é criativo e colhe cocó de coala para deixar os leões "loucos". Canela e coentros mantêm os tigres-de- -samatra em movimento e um tronco de eucalipto ocupa os filhotes. Aos 18 anos, depois de terminada a tropa, um passeio pelo Zoo de Lisboa encantou Aires. Na mesma tarde preencheu a ficha de inscrição e uma semana depois tratava da jardinagem. Mas eram os animais que o seduziam e conquistou um lugar entre os carnívoros. Ao longo dos anos foram muitos os cursos de formação frequentados por Aires, mas para ele é o gosto pelos animais e a experiência que definem um tratador. "Quando um animal se isola, não come ou não urina, é porque algo não está bem. Nos filhotes não podemos deixar o nosso cheiro, porque correm o risco de ser abandonados pela mãe. Não há relação de proximidade, são animais selvagens e observar é decisivo. O tempo e a dedicação ensinam a lidar com os animais."
Anabela cresceu no Zoo. O pai era motorista e entre os seis e os 17 anos viveu com a família numa das habitações destinadas aos funcionários. O trajecto para a escola era de aprendizagem e dedicava-se a reconhecer as espécies. Na altura, um macaco que roía as unhas era o seu predilecto e os barridos dos elefantes a assustavam. O quiosque África, dentro do Zoo, foi o primeiro emprego, em compasso de espera para uma vaga entre os tratadores. Começou com as aves e orgulha-se de ser a primeira mulher a tratar dos animais de grande porte. Girafas, zebras, rinocerontes e bisontes fazem parte da sua rotina. Admite uma paixão pelos ocapis, com quem partilha segredos e por vezes faz desabafos. Retornou faz pouco da licença de maternidade, e os animais tiveram de reaprender a sua voz e o seu cheiro.
Anabela não sente qualquer contradição pelos animais que tanto estima estarem foram do seu habitat original. "Muitos deles nasceram aqui, não possuem outra experiência. São muitas as iniciativas de enriquecimento ambiental, de modo a deixar o dia-a-dia dos animais o mais semelhante possível ao seu ambiente natural. Para além de todo o controlo médico e alimentar, o alto índice de fertilidade indica que eles são felizes. Mas, sem dúvida, o trabalho dos tratadores, a qualidade da relação que estabelecemos com os animais, faz a diferença", garante a tratadora.
O leão-marinho Max sofre de anemia, e a cada manhã Nela esconde as vitaminas na cabeça do carapau. Cereja, uma rã-tomate, teve 340 filhotes após Susana ter simulado a estação das chuvas. A estratégia será repensada este ano. Aires está preocupado em manter as crias longe do pai para que não ocorram anomalias genéticas entre os tigres-da-sibéria. Anabela observa o veterano António Marques, chefe dos tratadores dos herbívoros, cortar as unhas dos rinocerontes. A qualidade de vida dos animais do Zoo de Lisboa depende da interacção com os tratadores. Cumprir rotinas alimentares e de higiene, manter o olho atento para comportamentos inesperados, cultivar o afecto e conhecer os limites que separam os animais selvagens dos seres humanos são alguns dos pressupostos dos tratadores. "Os animais só têm posturas agressivas quando algo os perturba, não são maus", conclui Nela.

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Viver ao lado dos animais selvagens - Gente - DN

viver ao lado dos animais selvagens

por ISADORA ATAÍD
viver ao lado dos animais selvagens
Antes de tudo, gostar de animais. Gostar para ter disciplina para tráta-los, manter o olho atento para os comportamentos inesperados e reconhecer as diferenças com o homem.


Na instalação seca, três leões-marinhos ladravam de excitação frente à agitação e ao odor de Helena, anunciando um parto prematuro. Do lado de fora, treinadores e veterinário optaram por chamar ajuda extra quando as barbatanas, ao invés da cabeça da bebé, apareceram. A treinadora Nela Oliveira, 41 anos, temeu que a placenta pudesse rebentar antes da chegada dos reforços. Os leões-marinhos abriram espaço para Nela fazer o parto, Helena fazia força e a tratadora puxava pelas barbatanas do leão-marinho fêmea, hoje Taka.
O dragão-de-komodo não se mistura com a malta do reptilário. Segundo a sua tratadora, Susana Silva, 38 anos, não se incomoda por viver só. Diga-se que não há alternativa, já que a saliva do agressivo dragão está repleta de bactérias que provocam infecções e levam à morte as suas presas. Embora pareçam compenetrados, os dragões do Jardim Zoológico de Lisboa reconhecem Susana pelo seu cheiro. O Bima, que foi transferido para a Indonésia, sua terra natal, costumava espirrar, como quem dá boas--vindas, quando Susana chegava .
Os leões ou gostam de brincar ou são mesmo ardilosos. Já lá vão mais de 20 anos, mas a recordação acompanha Aires Colaço, 47 anos, tratador dos felinos. Um jovem macho precisava de ser apanhado para um tratamento de rotina. Como o animal era pequeno e evitar o uso de medicamentos é uma das preocupações do zoo, Aires escolheu a rede. Quando entrou na instalação, o tratador percebeu a armadilha. Deparou-se com um leão adulto de orelhas baixas, sinal inequívoco da posição de ataque, a rede não cabia sequer na cabeça do animal. As pernas só lhe começaram a tremer depois de Aires sair da jaula. Foi preciso calma e agilidade para sair em segurança.
O rinoceronte-indiano fêmea Teja é preguiçoso e adora maçãs no lanche da tarde. Um dia, a tratadora Anabela Oliveira, 35 anos, estava a alimentá-la quando uma peça rebolou da caixa. Mal pensou ir buscar o fruto e Teja já estava em pé, receosa que lhe fossem tirar uma maçã sequer. "A regra fundamental dos tratadores do Jardim Zoológico de Lisboa é que lidamos com animais selvagens, que podem ter comportamentos inesperados por mais que estejam familiarizados com os tratadores. É uma actividade que exige gostar dos animais e respeitá-los, um aprendizagem que não se esgota", afirma Anabela.
Na infância, Nela ensinava os coelhinhos bebés da quinta dos avós a saltarem e surpreendia-se com os burros, que ao ouvirem a voz da avó se metiam no cabresto. Trabalhou em escritórios e no comércio até assistir a um show dos golfinhos-de-miami, aos 23 anos. "Quando vi os treinadores na água com os animais, a dúvida entre bióloga e veterinária dissipou-se. O que eu gostava era da relação com os animais e queria ser treinadora. Candidatei-me a uma vaga e fui aceite; após oito meses estava a apresentar-me. No delfinário tratamos e treinamos os animais. Num mundo egocêntrico como o nosso, a principal qualidade aqui é olhar o animal, perceber as suas necessidades", sublinha.
A formação na Escola Agrícola da Paiã ensinou Susana a lidar com os animais domésticos. As cabras e ovelhas da quintinha do Jardim Zoológico foram os primeiros animais a receber os cuidados da tratadora. O convite para o reptilário foi um desafio, mas também a assustou - como a maioria dos humanos, partilhava o terror pelas cobras e lagartos. A formação no reptilário de Perugia, na Itália, modificou a sua visão e preparou-a para as pitões, crocodilos e hidrossauros. Para além de alimentar os animais, observá-los atentamente, "não vá a constipação da pitão transformar--se numa broncopneumonia", Susana interage com os visitantes. "Gosto de ensinar as crianças sobre os hábitos e a alimentação destes animais. Explicar sua importância para o ambiente. Sem o contexto do Zoo, seria impossível dar a conhecer tal variedade animal."
Carne de cavalo é a preferida dos tigres-da-sibéria. Aires não facilita o quotidiano da família, um casal e duas crias fêmeas. Põe a carne em sacos de fibra vegetal e esconde-os no cimo de uma árvore ou entre a vegetação. Trata-se do enriquecimento ambiental, ou seja, proporcionar aos animais espaço e actividades semelhantes ao seu habitat. Aires é criativo e colhe cocó de coala para deixar os leões "loucos". Canela e coentros mantêm os tigres-de- -samatra em movimento e um tronco de eucalipto ocupa os filhotes. Aos 18 anos, depois de terminada a tropa, um passeio pelo Zoo de Lisboa encantou Aires. Na mesma tarde preencheu a ficha de inscrição e uma semana depois tratava da jardinagem. Mas eram os animais que o seduziam e conquistou um lugar entre os carnívoros. Ao longo dos anos foram muitos os cursos de formação frequentados por Aires, mas para ele é o gosto pelos animais e a experiência que definem um tratador. "Quando um animal se isola, não come ou não urina, é porque algo não está bem. Nos filhotes não podemos deixar o nosso cheiro, porque correm o risco de ser abandonados pela mãe. Não há relação de proximidade, são animais selvagens e observar é decisivo. O tempo e a dedicação ensinam a lidar com os animais."
Anabela cresceu no Zoo. O pai era motorista e entre os seis e os 17 anos viveu com a família numa das habitações destinadas aos funcionários. O trajecto para a escola era de aprendizagem e dedicava-se a reconhecer as espécies. Na altura, um macaco que roía as unhas era o seu predilecto e os barridos dos elefantes a assustavam. O quiosque África, dentro do Zoo, foi o primeiro emprego, em compasso de espera para uma vaga entre os tratadores. Começou com as aves e orgulha-se de ser a primeira mulher a tratar dos animais de grande porte. Girafas, zebras, rinocerontes e bisontes fazem parte da sua rotina. Admite uma paixão pelos ocapis, com quem partilha segredos e por vezes faz desabafos. Retornou faz pouco da licença de maternidade, e os animais tiveram de reaprender a sua voz e o seu cheiro.
Anabela não sente qualquer contradição pelos animais que tanto estima estarem foram do seu habitat original. "Muitos deles nasceram aqui, não possuem outra experiência. São muitas as iniciativas de enriquecimento ambiental, de modo a deixar o dia-a-dia dos animais o mais semelhante possível ao seu ambiente natural. Para além de todo o controlo médico e alimentar, o alto índice de fertilidade indica que eles são felizes. Mas, sem dúvida, o trabalho dos tratadores, a qualidade da relação que estabelecemos com os animais, faz a diferença", garante a tratadora.
O leão-marinho Max sofre de anemia, e a cada manhã Nela esconde as vitaminas na cabeça do carapau. Cereja, uma rã-tomate, teve 340 filhotes após Susana ter simulado a estação das chuvas. A estratégia será repensada este ano. Aires está preocupado em manter as crias longe do pai para que não ocorram anomalias genéticas entre os tigres-da-sibéria. Anabela observa o veterano António Marques, chefe dos tratadores dos herbívoros, cortar as unhas dos rinocerontes. A qualidade de vida dos animais do Zoo de Lisboa depende da interacção com os tratadores. Cumprir rotinas alimentares e de higiene, manter o olho atento para comportamentos inesperados, cultivar o afecto e conhecer os limites que separam os animais selvagens dos seres humanos são alguns dos pressupostos dos tratadores. "Os animais só têm posturas agressivas quando algo os perturba, não são maus", conclui Nela.

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