Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2013
"a minhoca sem abrigo e o pássaro vegetariano"
Cesária era uma minhoca sem abrigo que arrastava um saquinho com os seus pertences pelos caminhos não alcatroados da floresta. Como não tinha muita coisa de seu, o saco não lhe pesava muito, mas o peso que o saco tinha era o bastante para ela achar que era dona de muita coisa e que dentro do seu pequeno saco estava um verdadeiro tesouro. Por isso ela já se havia defendido com unhas e dentes de algumas minhocas malandras que lho queriam roubar, se bem que isto é uma maneira de dizer, uma força de expressão, já que Cesária, por ser uma minhoca, não tinha unhas nem dentes.

Sem casa nem caminha certa, ela andava com toda a liberdade por sítios onde nunca antes nenhuma minhoca se havia aventurado. Provava folhas e frutos de árvores e arbustos, guardava pequenos pedacinhos saborosos, e só à noite, quando estava escondidinha num lugar seguro, se deliciava com o seu repasto.

Nunca ninguém lhe tinha perguntado porque é que ela não tinha casa nem família, e por isso mesmo, ouviam-se sobre a minhoca Cesária as histórias mais variadas. Uns diziam que ela era má e por isso não tinha casa nem amigos, outros diziam que ela era curiosa e aventureira e por isso corria a floresta, uns achavam que por ela não ter nada não era mesmo nada interessante e outros finalmente achavam que ela era tão pobre que nem valia a pena falar dela.

Isto não era nada importante para a Cesária e nem lhe passava pela cabecinha de minhoca que alguém pudesse falar dela e do que tinha ou do que não tinha. Mas, se alguém alguma vez lhe tivesse perguntado, Cesária diria que a sua casa era a floresta inteira até ao dia em que achasse no caminho um lugar onde valesse a pena ficar e guardar o seu saco.

Estávamos nós já perto do Outono quando Cesária, que sentia o arrefecimento progressivo dos dias na sua pele fininha, deu de caras com uma enorme e apetitosa maçã vermelha. Prontamente ela se decidiu a fazer-lhe um buraquinho para poder passar a noite mais quentinha e abrigada do vento forte. Começou pois a trincar a maçã vermelha muito devagar, com a sua paciência de minhoca, até fazer uma porta bem redondinha. Depois, puxou o seu saco para dentro e adormeceu confortavelmente com sonhos bonitos. Ainda não era bem de manhã para uma minhoca dorminhoca como ela, quando acordou com uns estremeções e um barulho assustadores. Muito alvoroçada espreitou à porta da sua maçã e viu um bico amarelo e voraz vir na sua direcção. Pensando que era o seu fim, Cesária gritou o mais alto que uma minhoca pode gritar: aiiiiiiii!!!! - O que vale é que os pássaros têm muito bons ouvidos e Juvenal arregalou os olhos à procura de quem tinha assobiado tão baixinho.

A pobre Cesária tremia muito, muito, e o pássaro Juvenal olhava para ela curioso – Não tenhas medo! – disse-lhe ele num chilreio carinhoso - E o que tens tu dentro desse saco? Posso saber?
- Ora essa, tenho muitas coisas! Tenho todas as minhas coisas! Mas isso não interessa a um pássaro comilão, pois não?
- É claro que me interessa, senão não te estava a perguntar não achas?
Cesária achou que ele tinha razão. Ninguém deve fazer perguntas sobre uma coisa que não queira saber. E pela primeira vez Cesária despejou o seu saco e mostrou a alguém o que nele guardava. Folhas e pedrinhas de muitas cores, algumas tão brilhantes que se diria guardarem o sol.
- Que lindas! – Exclamou Juvenal verdadeiramente embasbacado – Tens aí um tesouro! Eu no meu ninho não tenho nada de tão belo. Queres conhecer o meu ninho? Anda, anda daí.

Cesária não era tola e sabia perfeitamente que os pássaros comiam minhocas, prendendo-as no bico para depois as engolirem e engordarem o papo. O que Cesária não sabia era que Juvenal era um pássaro diferente. Juvenal era vegetariano e alimentava-se só de folhinhas e frutos porque tinha muita pena de comer os pequenos bichinhos como as minhocas.

Está-se mesmo a ver que Cesária e Juvenal ficaram muito amigos. Ela era uma minhoca sem abrigo que arrastava um pequeno saco, e ele um passarinho que voava sozinho sem um bando que o acolhesse. Os dois conheciam e apreciavam o gosto das folhas mais tenras e raras e das maçãs e pêras mais suculentas. Sabiam onde encontrar as melhores bagas e sementes e como combinar os seus paladares das maneiras mais exóticas e requintadas.

Com o tesouro das pedrinhas brilhantes como o sol e com muito afinco de ambos, Cesária e Juvenal inauguraram nesse mesmo Inverno junto à arvore da maçã vermelha um restaurante vegetariano que foi um verdadeiro sucesso.

Foi assim que Cesária encontrou em Juvenal o abrigo que sempre procurara e que o restaurante dos dois bons amigos se tornou o local mais famoso da floresta das olaias.

por Bastet


publicado por Maluvfx às 14:14
link do post | comentar | favorito

Sábado, 28 de Abril de 2012
O Poeta Cansado e A Estrela do Mar

Por acreditar que ser poeta não é destino ou escolha, mas sim uma missão de vida, tenho apostado nos sonhos, nas utopias, nos movimentos por um mundo melhor.

De corpo e alma, já lutei em várias frentes, sempre como formiguinha solidária, nunca líder ou chefe de nada.

Até porque minha única arma é a poesia, parecida com a lança de Dom Quixote a atacar moinhos de vento. Não alcança mentes entorpecidas, sequer faz cócegas em corações embrutecidos e, sobretudo, não dá ibope em tempos de matéria e meu pirão primeiro.

Os únicos que levam a poesia à sério são aqueles que já carregam no peito a vontade e a sede de mudanças. Um pequeno e raro exército de brancaleones. Uma pequena tribo de resistentes convictos de que as coisas que importam, como amor, paz, respeito aos animais e a natureza, não estão à venda no mercado da vida. E, principalmente, que consciência não é algo descartável de acordo com mesquinhos interesses individuais.

Já me engajei contra o consumismo exacerbado, virando hippie em Parati. Fui veemente contra a repressão sexual e a favor da emancipação feminina, fazendo arriscados recitais nu em pelo em lugares públicos. Crítico dos encastelados acadêmicos, todos de costas à realidade fora das universidades, até hoje sou persona non grata aos donos da cultura tupiniquim. Pela liberdade de expressão, colocamos centenas de poetas a panfletar e gritar pelas ruas. Contra a ditadura militar, ganhamos cadeias e porradas. Para impedir as usinas nucleares, também usamos a poesia e fomos os primeiros a lembrar dos peixes torrados pela urina quente delas. Conseguimos uma única vitória, que foi impedir um aeroporto em Caucaia, convocando a ajuda dos passarinhos e meia dúzia de gatos pingados ambientalistas, numa época em que isso era grego. Pelas eleições diretas, gastamos anos de esperneamentos e enfrentamentos com o sistema político-burocrático-militar.

Enfim, foram e tem sido, batalhas das quais nunca me arrependi.

Nunca fui pessimista, só impaciente.

E, nos últimos anos, o poeta velhinho e sambado que sou, volta e meia se pega meio cansado e desanimado.

Não é fácil se dedicar a causa da defesa dos animais, na teoria e na prática, em tempo integral.

São tantas atrocidades, tanto descaso, que temo me faltarem vida e energia suficientes para prosseguir.

Nesses momentos de aflição, recorro aos ensinamentos budistas, sempre tão práticos, lógicos e iluminados.

Como aconteceu esta semana quando uma amiga, budista e cachorreira e coroa como eu, me contou a pequena lenda do monge e as estrelas do mar.

Que é assim:

O idoso monge todos os dias bem cedinho era visto a caminhar pela praia, recolhendo as estrelas do mar na areia, e jogando-as de volta para a água. 
Um dia, alguém questionou por que ele se dava a esse trabalho, extenuante e ingrato. Afinal, com a maré baixa, a maioria das estrelas do mar morreria mesmo, sob o sol forte. E ele era um só para tantas 
Daí, ele pegou uma estrela do mar, mostrou-a ao incrédulo, arremessou-a de volta ao mar e disse: 
- Agora vai lá e diz pra ela que meu gesto é inútil e não faz diferença. Para ela, faz.

Agradeci minha amiga pelo presente que me deu, essa historinha, com certeza me contou de propósito. Para ela, tantas vezes reclamei que meus antigos amigos da esquerda zoam comigo questionando minha luta pelos animais, diante de tantas outras mazelas sociais.

Agora, rejuvenescido, sei o que responder para eles:

-Vão lá dizer para aquele bichinho abandonado e sofrido que o que fazemos não tem importância.

Fonte


One day a man was walking along the beach when he noticed
a boy picking something up and gently throwing it into the ocean.
Approaching the boy, he asked, ‘What are you doing? The youth replied, ‘Throwing starfish back into the ocean.
The surf is up and the tide is going out. If I don’t throw them back, they’ll die.’Son,’ the man said, ‘don’t you realize there are miles and miles of beach and hundreds of starfish?
You can’t make a difference! After listening politely, the boy bent down, picked up another starfish,
and threw it back into the surf. Then, smiling at the man, he said…‘I made a difference for that one.’ 
The Original Starfish Story found in ”Star Thrower,” a collection of essays by the naturalist and writer Loren Eiseley 1978


publicado por Maluvfx às 20:46
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 14 de Maio de 2010
Sejamos a diferença!


publicado por Maluvfx às 00:24
link do post | comentar | favorito

O Beija-Flor e o incêndio (CONTOS)


Havia um incêndio numa floresta que se espalhava de forma perigosa.

Os animais da floresta fugiam desesperadamente, mas um minúsculo beija-flor se dirigia à beira do rio, enchia seu pequeno bico com água e jogava o mais próximo que podia do incêndio.

Ele fez isso várias vezes incansavelmente. Na oitava vez que passava, um elefante vendo a disposição do beija-flor em tentar apagar o incêndio,questionou:

- Você está louco beija-flor!!! Não está vendo que não vai conseguir apagar este grande incêndio???

 O beija-flor respondeu:

- Mas pelo menos estou fazendo a minha parte!!!

Se cada um de nós colaborasse com um pouco de amor, não haveria tanta maldade e miséria no mundo, por isso,
nunca dê ouvidos àquelas pessoas que dizem que de nada adianta o teu esforço.

 Naquilo que você se propor a fazer, faça sempre o melhor que puder, mesmo que seja pouco, mas continue fazendo a sua parte!!!


publicado por Maluvfx às 00:04
link do post | comentar | favorito

Sábado, 17 de Abril de 2010
Contos vegetarianos para crianças em português


Os contos do Gorilinha Esquivo mostram os diversos desafios que deve enfrentar um gorilinha que vive numa aldeia de chimpanzés. O objetivo da série é representar situações que crianças vegans poderiam enfrentar ao interior de uma sociedade não vegan, facilitando sua abordagem por parte de pais e educadores.
semillasveganas.blogspot.com 


publicado por Maluvfx às 20:44
link do post | comentar | favorito

Contos vegetarianos para crianças em português




Os contos do Gorilinha Esquivo mostram os diversos desafios que deve enfrentar um gorilinha que vive numa aldeia de chimpanzés. O objetivo da série é representar situações que crianças vegans poderiam enfrentar ao interior de uma sociedade não vegan, facilitando sua abordagem por parte de pais e educadores.


semillasveganas.blogspot.com


publicado por Maluvfx às 12:41
link do post | comentar | favorito

Contos vegetarianos para crianças em português




Os contos do Gorilinha Esquivo mostram os diversos desafios que deve enfrentar um gorilinha que vive numa aldeia de chimpanzés. O objetivo da série é representar situações que crianças vegans poderiam enfrentar ao interior de uma sociedade não vegan, facilitando sua abordagem por parte de pais e educadores.


semillasveganas.blogspot.com


publicado por Maluvfx às 12:41
link do post | comentar | favorito


mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
13
14
16
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


posts recentes

"a minhoca sem abrigo e o...

O Poeta Cansado e A Estre...

Sejamos a diferença!

O Beija-Flor e o incêndio...

Contos vegetarianos para ...

Contos vegetarianos para ...

Contos vegetarianos para ...

arquivos

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Setembro 2008

Agosto 2008

Junho 2008

Fevereiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Setembro 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Maio 2006

Dezembro 2005

Outubro 2003

Julho 2002

tags

todas as tags

favoritos

ANTI-TOURADAS

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds