Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Domingo, 18 de Julho de 2010
O Bicho-Humano e o metano
Que os animais também são grandes “detonadores” da camada de ozônio já deve ser do conhecimento de todos. Mas eles não o fazem de propósito, claro. As grandes criações de animais em massa, dos bichos-humanos, é que também os tornam co-vilões do clima.


A criação de gado, por exemplo, é um detonador do clima da terra sobretudo por duas razões. Uma é por exigir enorme espaços de terra, que se obtém pelo desmatamento. E nessas derrubadas, anualmente se produzem 2,4 bilhões de dióxido de carbono!

Imagens de satélite de agosto de 2001, comparadas com as de agosto de 2006, revelaram o incrível aumento do desmatamento no Mato Grosso do Sul. Foram 540 mil hectares de florestas destruídos em apenas cinco anos!

Calcula-se que cada hamburguer que se consome destruiu 6 metros quadrados de floresta. Só o Brasil e a Bolívia terão desmatado, de 2007 até 2010, três milhões de hectares de florestas. Para produzir o quê? Inclusive carne de hamburguer!

Outro aspecto, não menos perigoso, é o que os animais expelem. Seus escrementos, pela composição e grande quantidade, poluem o solo. E o gás metano, que os mamíferos produzem em sua digestão, é um dos maiores “inimigos” do clima mundial.

Nós, humanos, também produzimos gases. Cerca de um litro por dia. Mas o gado produz até 250 litros por dia! Ou seja, a cada 40 segundos uma vaca arrota uma bela porção de metano! E cada arroto cava um furo a mais na camada de ozônio.

Hoje, só nos países mais pobres do mundo, há mais de 1,3 bilhão de pessoas que subsistem através da criação de gado. Ela ocupa uma terça parte das terras cultiváveis do planeta. E 33% das áreas cultivadas são usadas só para produzir comida para os animais.

E agora, diante desse quadro?
Você bem sabe que se criam animais por causa dos costumes alimentares dos bichos humanos, não é mesmo? A carne dos animais, seu leite e derivados fazem parte “imprescindível” da mesa de bilhões de pessoas.

Mas não para as/os vegetarianas/os! E se você ainda não se preocupou com as relações existentes entre criação de animais » costumes alimentares » destruição da camada de ozônio » mudança de clima da terra, convido a fazê-lo.

Que tal você tomar um pouco de seu tempo para refletir sobre essas questões tão importantes, inclusive para a nossa sobrevivência?

Faça a sua parte! Tente! Não comer carne de animais é algo perfeitamente viável. Prescinda você um pouco de seus hábitos carnívoros pelo bem-estar das futuras gerações. Tanto das gerações de seres humanos, como das de animais. – Eles lhe serão eternamento gratos!


publicado por Maluvfx às 01:04
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Segunda-feira, 5 de Abril de 2010
Problemas do desmatamento
https://1.bp.blogspot.com/_4aduPNm0tyk/S6QhKxUozQI/AAAAAAAAA-w/ePyzG-TmLKw/s1600/desmate.jpg


publicado por Maluvfx às 21:13
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Consequências ambientais do consumo de carne

Muitos não entendem por que tanta preocupação com o sofrimento dos animais que servem de comida, acreditando que a função deles é nos servir, acima de qualquer outra, mas será que deve ser assim? Pensando sobre o abate dos animais de uma maneira geral, imaginamos que não faz muita diferença que uma pessoa pare de comer carne, uma vez que esse hábito existen desde a antiguidade e não desaparecerá do dia para a noite. É verdade! Assim, como fará pouca diferença se apenas uma pessoa deixar de usar seu carro por um dia para poluir menos. Mas se todos pensarmos assim, como fica a conservação do planeta? Aonde vai parar a destruição dos nossos recursos naturais?


Poucos sabem que a pecuária é responsável pelo desmatamento de grandes áreas dos nossos principais ecossistemas, isto é, a mata atlântica, a Amazônia, e o cerrado. Muitos criadores de gado desmatam grandes áreas de floresta para servir de pasto. Com o tempo, as queimadas e o pisoteio do próprio gado dão origem a processos erosivos e, mais tarde, à degradação total do solo. A área atualmente utilizada para pasto seria muito mais útil se utilizada para plantio e essa área é tão extensa, que se fosse usada para o plantio de vegetais e grãos, não haveria fome no mundo. Além disso, só a quantidade de grãos usados para alimentar o gado, já seria suficiente para que muitos não passassem fome. Como se isso não fosse suficiente para pensarmos a respeito, a quantidade de água usada para a criação de gado é milhares de vezes maior à usada para a mesma quantidade de vegetais. Todos sabemos que a água já é um problema para muitos países, o Brasil, por enquanto, pode se considerar um privilegiado, mas isso não significa que possamos desperdiçar um recurso tão importante que, num futuro próximo, pode nos fazer falta.Muitos países ricos não têm produção de gado ou suínos por não terem água suficiente para a criação, e importam por preços baixos esses “produtos” de nós, país dos terceiro mundo, que estamos gastando a nossa água para “sustentá-los”.

Desmatamento de área verde para pasto com consequência de processo erosivo
Além do impacto ambiental, há ainda outro ponto a se considerar: o sofrimento animal. Não, não é demagogia, isso realmente acontece. Eles não apenas morrem para nos alimentar, mas eles morrem sozinhos e aterrorizados. Os ambientes em que são criados normalmente são sujos, pequenos e propícios à dispersão de doenças. Por isso, muitos tomam remédios em quantidade, remédios estes que permanecem na carne ingerida. Alguns criadores usam até mesmo agrotóxicos no pêlo do gado, para eliminação dos carrapatos.

Os bovinos, pouco antes de morrer, entram num pequeno corredor que os levará ao abate, muitos se desesperam e tentam, em vão, escalar a parede ou fazer o caminho de volta. Enquanto caminham para a morte, suas pupilas se dilatam (o que denota seu medo) e eles ouvem os mugidos sofridos de seus companheiros, seu desespero faz com que liberem toxinas em seu próprio organismo, que serão ingeridas com a carne. Alguns permanecem vivos até o último momento, quando seus corpos são cortados em pedaços. As vacas leiteiras são constantemente “engravidadas” para produzirem o leite. Os seus bezerrinhos são separados da mãe assim que nascem para que não consumam esse leite. Muitos crescem subnutridos e tristes e, devido a essas condições, são sacrificados, pois não “servem para nada”.
Algumas pessoas deixam de comer carne vermelha e comem apenas a carne “branca” acreditando que as aves e os peixes não sofrem tanto. Estão enganados. Os pintinhos são produzidos aos milhares em estufas, sem sequer conhecerem o aconchego de uma mãe. Quando nascem, são “selecionados”: aqueles que servem, são criados, e aqueles que não servem são jogados num balaio com restos de cascas de ovos, e são triturados vivos e transformados em ração, embora tivessem condições de sobreviverem, eles são cruelmente maltratados e assassinados, pois não são comercialmente “viáveis”. Eu fico me perguntando: que sentido tem uma vida dessas? Nascer sozinho com milhares de outros iguais a você, sem saber o que é o carinho materno, e morrer cruelmente, sem piedade, para servir de comida para outros animais!
Os suínos também sofrem muito. São criados em espaços pequenos, em que quase não conseguem se mexer e apanham constantemente. Na hora do abate, muitos são jogados em água fervente ou têm suas vísceras retiradas, ainda vivos. Eles não têm direito sequer a uma morte sem dor. E, por fim, os peixes, crustáceos e animais marinhos e lacustres em geral, que não gritam de dor, mas certamente a sentem tanto quanto os outros animais, tanto quanto eu e você. A maioria das pessoas sequer se dá conta de que eles morrem asfixiados. Pense só por um segundo na sensação da asfixia e responda: o que você acha?

Além disso, tem a questão da saúde. Ao contrário dos que muitos pensam, deixar de comer carne não vai te deixar anêmico, (a não ser que você já tenha anemia). Também não te faltarão proteínas, na verdade, o grande problema da nossa sociedade atual é o excesso de proteínas e não a falta. A carne ingerida por milhões de pessoas todos os dias pode ter pertencido a animais doentes ou anêmicos, e isso acontece constantemente. Pense num hambúrguer, que é um amontoado de carne moída, você acha realmente que ali no meio só tem carne, e carne “de primeira”? Você não acredita que a indústria se beneficie do fato de que ninguém vai saber o que exatamente tem ali? Eu acredito, e já fiz a minha escolha. Não estou pedindo para que você se torne vegetariano, essa é uma escolha sua, mas peço que você se informe e faça essa escolha conscientemente.
Reportagens relacionadas:
Por que criminalizar a pecuária na Amazônia?
Greenpeace fala sobre o gado na Amazônia
Revista Época: os bois comerão a Amazônia em 20 anos


publicado por Maluvfx às 19:39
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Sexta-feira, 26 de Março de 2010
Nestlé ajuda a destruir as florestas tropicais da Indonésia.

Greenpeace Ciberativismo
   23 de Março de 2010

Há uma semana, o Greenpeace tem deixado a Nestlé de cabelo em pé. Tudo começou com um vídeo-denúncia exigindo que a Nestlé pare de usar óleo de dendê de empresas que destroem as florestas tropicais da Indonésia - atingindo as comunidades locais e os oragotangos nativos. De lá para cá, graças às trapalhadas da empresa para encobrir os fatos, ciberativistas de todo o mundo deram um show de bola com inúmeros protestos on-line.
Dê só uma olhada:

  * A Nestlé pediu para que o YouTube tirasse nosso vídeo da
    web, mas, como muita gente já tinha repostado, ele começou a
    pipocar em diversas contas ficou impossível eliminá-lo do ar.
    Até agora, mais de 600 mil pessoas já assistiram ao vídeo. 

  * Os usuários do Facebook visitaram a página da Nestlé
    para perguntar se a empresa iria parar de comprar de fornecedores
    que desmatam para plantar dendê e receberam respostas mal-educadas.
    Apesar da tentativa da Nestlé de abafar o caso, inúmeros sites e
    blogs deram a notícia.

  * Mais de 100 mil pessoas em todo o mundo enviaram ao presidente da
    Nestlé na Suíça, Paul Bulcke, uma carta apontando os problemas e
    pedindo soluções.

As ações de cada um de vocês têm um grande impacto na decisão da Nestlé. Se você não participou, ainda dá tempo.

Envie um e-mail exigindo que a empresa pare de usar óleo de dendê produzido às custas da destruição das florestas. Depois não se esqueça de compartilhar nosso vídeo com seus amigos.

Obrigado pelo seu apoio,


Greenpeace

E mais:
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» Encaminhe esse e-mail para um(a) amigo(a)
Greenpeace Brasil
R. Alvarenga 2331
São Paulo - SP
(11) 3035-1155

Assista também:


Relacionado: NESTLÉ é alvo de vídeo criativo do Greenpeace


publicado por Maluvfx às 13:25
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Domingo, 21 de Março de 2010
NESTLÉ é alvo de vídeo criativo do Greenpeace
Nestlé, maker of Kit Kat, uses palm oil from companies that are trashing Indonesian rainforests, threatening the livelihoods of local people and pushing orang-utans towards extinction.
We all deserve to have a break - but having one shouldn't involve taking a bite out of Indonesia's precious rainforests. We're asking Nestlé to give rainforests and orang-utans a break and stop buying palm oil from destroyed forests.


Vídeo do Greenpeace, em protesto à Nestlé que compra óleo de Palma de empresas que estão destruindo as florestas tropicais na Indonésia e acabando com a população nativa de orangotangos. Fazem testes em animais!
Fonte

Chocolate Nestlé mata orangotangos na Indonésia

O que os orangotangos da Indonésia têm a ver com o chocolate que você come? Tudo! Enquanto uma das maiores empresas do setor, a Nestlé, continuar comprando óleo de dendê fruto de devastação de floresta nativa no país, o seu inofensivo chocolate continuará a matar estes animais indonésios. Pela Europa, protestos do Greenpeace pedem à empresa que pare de comprar o óleo de dendê extraído da região.
Florestas tropicais e de turfa, nativas da Indonésia, vão ao chão para ceder lugar à plantação de dendezeiras, de onde é extraído o óleo usado na produção do chocolate. Empresas como a Sinar Mas são responsáveis por esta devastação, que atinge em cheio o habitat do orangotango, além de agravar o aquecimento global.
Em recente relatório (em inglês), o Greenpeace denuncia esta prática e faz um apelo à Nestlé para que pare de comprar o óleo da Sinar Mas, ou qualquer outra que patrocine este crime. A campanha acontece na Alemanha, Holanda e Inglaterra, onde ativistas vestidos de orangotango protestam em frente à fábrica da Nestlé.
Saiba mais sobre o assunto em nosso site, assine a ciberação e Compartilhe 
O vídeo da campanha internacional foi retirado do ar pelo setor jurídico da Nestlé. Assista à versão brasileira, antes que ela sofra qualquer censura:

Nestlé: censura é coisa do passado!

Sim, nós sabíamos que a Nestlé não ficaria muito contente com a nossa campanhapara expor os impactos que o uso de dendê em diversos produtos da empresa tem para as florestas tropicais. Mas, estamos apenas tentando chamar a atenção da Nestlé para o fato de que o dendê usado na fabricação de muitos chocolates, como o KitKat, é produzido de forma insustentável, às custas do desmatamento das florestas que são também o lar dos orangotangos na Indonésia.
Quando em declaração vocês disseram que compartilham a ‘preocupação profunda sobre os sérios problemas ambientais que ameaçam as florestas tropicais e de turfa no Sudeste Asiático causados pelo cultivo de dendê’, bem… nós tivemos nossas reservas.
Por uma coisa: embora vocês tenham anunciado que não compram mais dendê diretamente da Sinar Mas (a empresa fornecedora de óleo de dendê proveniente de desmatamento na Indonésia), vocês não assumiram o mesmo tipo de compromisso sobre a compra de outros fornecedores, como a Cargill, que compra óleo de dendê da Sinar Mas para revender. Agora, se vocês estão comprando a mesma coisa, só que de um intermediário, não podemos considerar isso como um grande progresso, não é mesmo? E começamos a imaginar se vocês realmente se importam com o assunto da maneira que vocês declaram que sim…
Mas, acho que o que realmente nos fez imaginar se vocês realmente se importam foi quando o vídeo da nossa campanha foi retirado do youtube, com a alegação de ‘violação de direitos autorais’.  Bom, não é preciso ser um advogado para saber quando aplicar termos como ‘paródia’ e ‘uso justo’.
Mas, pensando bem, não achamos que vocês se importam tanto com a questão de ‘direitos autorais’.  Nós achamos que vocês simplesmente queriam impedir as pessoas de ver o vídeo! E isso é patético. Sinceramente: censura é coisa do passado.
O que vocês não sabem é que nós recebemos muitas ofertas para divulgar nosso vídeo em outros lugares e que sua iniciativa (de retirar nosso vídeo da internet) só gerou mais interesse pela questão do desmatamento das florestas tropicais na Indonésia para a produção de dendê na blogosfera e no twitter.
Censurar denúncias não parece ser uma iniciativa muito inteligente, mas quem somos nós!…
Se você ainda não pediu para a Nestlé parar de comprar de empresas que desmatam a floresta indonésia, clique aqui e assine nossa ciberação.

Relacionado: Nestlé ajuda a destruir as florestas tropicais da Indonésia.






publicado por Maluvfx às 16:07
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Sexta-feira, 5 de Março de 2010
Enfoque para a qualidade da base da vida na Terra
Este ano o tema estabelecido pelas Nações Unidas para o Dia Mundial da Água é “Qualidade da Água”. A data terá como enfoque as condições da água, demonstrando que, no que se refere à gestão dos recursos hídricos, a qualidade é tão importante quanto a quantidade.

Em 22 de Março será realizado, em Nairóbi, no Quênia, um evento para marcar o Dia Mundial da Água 2010, que tem como lema "Água limpa para um mundo saudável". O evento reunirá responsáveis políticos, cientistas e personalidades eminentes para discutir como enfrentar os desafios da degradante qualidade da água em todo o mundo.


As atividades realizadas nesta data terão como objetivo transmitir mensagens sobre a importância da qualidade da água para a sustentabilidade de ecossistemas saudáveis e, consequentemente, para o bem-estar humano.


Saiba mais acessando o site oficial.


Campanha incentiva a conservação da natureza







Devido à capacida
de de estocagem de gás carbônico e liberação de oxigênio, as árvores são muito importantes para o combate ao aquecimento global e também fundamentais para a conservação da biodiversidade e proteção das margens dos rios. Diante desse importante papel, o plantio de árvores tornou-se uma boa opção para as pessoas que querem cooperar, de alguma forma, com o equilíbrio do meio ambiente. No entanto, essa não é a única forma de contribuição. Participar de programas que incentivem o fim do desmatamento e consequentemente protejam as florestas nativas é também um importante apoio.

A Sociedade de Pesquisa em vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) tem trabalhado em uma importante programa para diminuir o desmatamento. A "Campanha Desmatamento Evitado" tem como objetivo trabalhar pela conservação da natureza, ajudando a proteger os últimos remanescentes de áreas naturais no Brasil, como a Floresta com Araucária. Segundo o coordenador do programa, Denílson Cardoso, estima-se que atualmente existam, no Brasil, somente 0,5% de áreas com Araucárias, diferentemente de oito anos atrás, quando o Brasil tinha 9 % de áreas com a espécie.
Saiba mais sobre essa iniciativa que visa combater as mudanças climáticas e proteger o nosso patrimônio natural!


publicado por Maluvfx às 13:14
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Campanha Hora do Planeta propõe apagar as luzes por uma hora para repensar impactos do consumo de energia

Logo da Campanha Hora do Planeta 2010
Apagar as lâmpadas por uma hora pode ajudar a combater o aquecimento global. É o que propõe a campanha Hora do Planeta, da organização não governamental (ONG) WWF, lançada ontem (3), na capital fluminense. A ideia é convencer as pessoas a desligarem as luzes no dia 27 de março, entre as 20h30 e 21h30.
Essa é a segunda vez que a campanha é realizada no Brasil. Com divulgação na TV e na internet, a estimativa é envolver cerca de 200 cidades. Em 2009, ao lado de 40 mil cidades de 88 países, 113 cidades brasileiras participaram da campanha. Na ocasião, foram apagadas as luzes do Cristo Redentor, no Rio, do Congresso Nacional, em Brasília, e do Teatro Amazonas, em Manaus, por exemplo.
Neste ano, ainda não estão confirmados os monumentos que terão as lâmpadas desligadas. No Rio, cidade-sede da campanha, além de apagar as luzes do Cristo e da Praia de Copacabana, como em 2009, a meta é desligar os refletores do Arpoador, da Praia do Leblon e do Monumento aos Pracinhas, na zona sul, e ainda mobilizar os moradores da zona norte, apagando por uma hora as luzes da Igreja da Penha.
O objetivo da campanha é estimular a reflexão sobre os impactos do consumo de energia e sobre formas de geração de eletricidade que agridam menos o meio ambiente, afirma o presidente do Conselho Diretor da WWF, Álvaro de Souza.
“Essa não é uma campanha para poupar energia. O importante é a conscientização sobre a construção de uma matriz energética mais limpa.”
De acordo com o diretor, embora o desmatamento provocado pela construção de hidrelétricas também se reflita na emissão de gases causadores do efeito estufa, as usinas abastecidas pela queima de combustível fóssil, como ocorre na China, poluem mais. O representante da WWF lembra também que as nucleares deixam um passivo ambiental ainda sem solução para o planeta: o lixo contaminado.
“Todas as opções [de geração de energia] têm um preço. Todas têm uma pegada ecológica. A parte hidrelétrica, como no caso do Brasil, têm uma pegada mais tênue, o grande lance é o alagamento de grandes áreas para construção de lagos que, evidentemente, causam um desequilíbrio”, afirmou.
A campanha Hora do Planeta começou na Austrália em 2007 e se estendeu pelo mundo. No ano passado, ícones de destaque foram desligados nas principais capitais para chamar atenção para o avanço do aquecimento global. Entre eles, a Torre Eiffel, em Paris, o Coliseu, em Roma e a Times Square, em Nova Iorque.









Reportagem de Isabela Vieira, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 04/03/2010







Amazônia, desmatamento e clima. 

Entrevista especial com Carlos Nobre



Desmatamento na Amazônia, em foto de arquivo
Desmatamento na Amazônia, em foto de arquivo
Um estudo divulgado no mês passado revela que, devido ao desmatamento, mudanças no clima e queimadas, em cem anos, restará viva apenas 30% da Amazônia. Esse é um dado que mostra o aumento crescente destes que são considerados os principais desafios da maior floresta do mundo. “Boa parte da floresta, no leste e no sul, poderia desaparecer caso essas mudanças aumentem. No entanto, o desmatamento tem dimuido, mas é muito difícil saber para que lado vai o aquecimento global”, avalia o professor Carlos Nobre. Durante a entrevista que concedeu, por telefone, à IHU On-Line, ele refletiu sobre o cenário atual da Amazônia e soluções para resolução dos problemas que ela vive hoje. Nobre também conversou conosco sobre cenários que surgem no Brasil devido a problemas climáticos e ambientais, como o aumento da seca no semiárido e a desertificação no Rio Grande do Sul. “Um clima mais variável em uma região onde o clima geralmente é mais estável sempre motiva muitas coisas, mas não podemos afirmar cientificamente que esse aumento da variabilidade do clima no Rio Grande do Sul é provocado pelo aquecimento global”, explicou.
Carlos Nobre é engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Na Massachussets Institute Of Technology (EUA), realizou o doutorado em metereologia. Recebeu o título de pós-doutor da University Of Maryland (EUA). Atualmente, é pesquisador sênior no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É autor das obras Amazonian deforestation and climate (New York: John Wiley and Sons, 1996) e Regional Hidrological Impacts of Climatic Change – Impact Assessment and Decision Making (Oxfordshire: International Association of Hidrological Sciences, 2005).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Um estudo sobre os riscos que a Amazônia está correndo, conduzido pelo Banco Mundial, alerta que, devido ao desmatamento, as mudanças climáticas e as queimadas, em 2075, só restará 30% da floresta amazônica. Hoje, a Amazônia é a maior floresta do mundo. Como o senhor detalharia o cenário previsto para 2075?
Carlos Nobre – No pior dos casos, se todas as mudanças ambientais e globais aumentarem, seja por desmatamento, impacto do fogo na floresta ou por aquecimento global, ainda assim sobraria uma faixa de 20 a 30% da floresta até o final do século. É isso que nossos cálculos mostram. Boa parte da floresta, no leste e no sul, poderia desaparecer caso essas mudanças aumentarem. No entanto, odesmatamento tem dimuído, mas é muito difícil saber para que lado vai o aquecimento global. Copenhague não deu muito certo, mas há um movimento mundial de transição para uma economia de baixo carbono. Portanto, não é possível prever com precisão se esse movimento dará certo, qual é a escala de tempo, quantas décadas irá demorar para diminuir as emissões ou qual será o aumento de temperatura na segunda metade do século. O que podemos imaginar são cenários. Nem com bola de cristal alguém conseguiria, hoje, saber exatamente qual seria a trajetória do aquecimento global nos próximos cem anos.



IHU On-Line – O cenário atual da floresta permite que recuperemos as áreas que foram desmatadas?
Carlos Nobre – Recuperar todas as áreas que foram desmatadas não é uma tarefa trivial, é uma tarefa muito complicada, mas a política de uso dos recursos da Amazônia deve ir na direção de uma diminuição muito grande de novos desmatamentos. Há uma política do governo brasileiro, inclusive, para reduzir as emissões. O que o presidente Lula apresentou emCopenhague, e que se tornou lei, é uma redução de 80% dos desmatamentos. Então, podemos sim, em uma escala de dez a quinze anos, nos encaminhar para o desmatamento zero. É só desenvolvermos políticas de utilização das áreas já desmatadas. Essas políticas devem ser acompanhadas de avanços científicos e tecnológicos de como usar as áreas desmatadas. Talvez possamos usar menos da metade das áreas desmatadas para produzir alimentos e outros materiais, e recuperar boa parte dessas áreas. Fazendo isso, também estaríamos, no momento que a floresta secundária regenera nas áreas desmatadas, retirando gás carbônico da atmosfera.
IHU On-Line – A redução das emissões de gases estufa é a única solução para a Amazônia?
Carlos Nobre – São várias as soluções. É impossível eliminar o risco da floresta se não reduzirmos o aquecimento global, que não pode passar muito de dois graus. O planeta já aqueceu entre 0,7 e 0,8 graus, então precisamos, com certeza, diminuir o aquecimento global. Um outro ponto é que, mesmo que diminuíssemos o aquecimento global em nome da temperatura no máximo em graus e continuassemos a desmatar, ainda assim, a floresta estaria em risco. A redução do desmatamento é muito importante. Por fim, a prática agrícola tem que ser feita sem o uso do fogo, que é cada vez mais usado na agricultura em todo o Brasil e América Latina. Esse fogo acaba saindo de controle, vai entrando aos poucos e queimando áreas de florestas. Cada vez que se abrem mais áreas agrícolas, mais pedaços de florestas vão sendo queimados. Então, junto com a redução do aquecimento global e a redução significativa do desmatamento, deve se eliminar o fogo como prática agrícola. O fogo não é uma boa prática agrícola, de acordo com a melhor agricultura que possa ser praticada na região.


Queimadas são um dos principais problemas enfrentados pela Amazônia


IHU On-Line – O acordo feito em Copenhague não estabeleceu metas obrigatórias de redução de emissões. Como fica a Amazônia diante desse comprometimento?
Carlos Nobre – É preocupante, não só para a Amazônia, mas para todo o planeta, para a sustentabilidade da vida e para a produção agrícola. O próprio conceito de desenvolvimento sustentável fica ameaçado se nós não conseguirmos eliminar esse risco. O fato de não termos chegado a um acordo legalmente vinculante e multilateral sob o guarda-chuva das nações unidas não significa que não poderemos chegar a algum tipo de acordo no futuro, mas é melhor que esse futuro seja muito imediato, se não no México, naCOP 16, tem que ser na África do Sul, na COP 17. Não podemos deixar o tempo passar, e os esforços para reduzir as emissões devem continuar, com ou sem acordo.
O Brasil, por exemplo, tem reduzido suas emissões. Talvez o pico das emissões brasileiras tenha sido no ano de 2005. A partir daí, reduzimos os desmatamentos, as emissões vêm diminuindo e agora vamos atuar em vários setores, não só na área do desmatamento, mas de agricultura, energia, indústria, e caminhamos para essa economia de baixo carbono. Isso deve ser acelerado e, é lógico, o jogo só se equilibra quando há um acordo amplo. Se não houver esse acordo, é como se alguém sempre quisesse “passar a perna” no outro, uns reduzem mais, outros não reduzem e outros aumentam. Portanto, o acordo é importante, mas as ações claras e que caminham na direção de uma economia de baixo carbono não podem parar, têm que continuar até que esse acordo se torne possível e seja efetivado.
IHU On-Line – Além dos problemas que a Amazônia vive, o semiárido está cada vez mais seco, o norte do RS vive um processo de desertificação. Como o senhor encara as mudanças previstas para o Código Florestal?
Carlos Nobre – Esta questão de áreas afetadas pelo processo dedesertificação no Rio Grande do Sul é muito interessante. Não sou um especialista no assunto, mas acho que isso é um misto de processos naturais com o uso da terra e da cobertura vegetal. O solo fica muito exposto ao vento e, principalmente, aos fluxos de água, e acaba gerando moçorocas e processos de desertificação em alguns pontos. De fato, nos últimos dez anos, o clima no sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, tornou-se mais variável, com períodos de secas intensas próximas a períodos de chuva. Um clima mais variável em uma região onde o clima geralmente é mais estável sempre motiva muitas coisas, mas não podemos afirmar cientificamente que esse aumento da variabilidade do clima no Rio Grande do Sul é provocado pelo aquecimento global. Ainda não temos como apontar isso definitivamente, mas é lógico que qualquer mudança no regime climático, observado por dez, vinte anos, chama atenção e a comunidade científica tem, portanto, obrigação de buscar uma explicação, se é um fenômeno natural ou se tem algo a ver com o aquecimento global.
O norte do RS é uma das regiões que vive o processo de desertificação
IHU On-Line – Existem outros lugares no país que tenham indícios de desertificação?
Carlos Nobre – O lugar onde mais existem indícios de desertificação é no Piauí, na parte do semiárido do Piauí. Existe uma cidade chamada Gilbué que tem uma paisagem lunar, a maior área desertificada do Brasil.
IHU On-Line – No estudo, o senhor diz que o risco de colapso da floresta é maior no leste e sul da Amazônia, região que corresponde ao Pará e Maranhão. Pode nos falar sobre a situação atual destas regiões? Que aspectos indicam que elas serão mais afetadas?
Carlos Nobre – É o fato de que, nessas regiões, a estação seca é mais longa do que no oeste e no centro da Amazônia, onde dura de dois a três meses. Já no leste e no sul, essa estação seca dura de quatro a cinco meses. Então, por isso, se o clima fica mais seco, seja por aquecimento global ou por desmatamento, a região passa a ter um regime de chuva e seca muito parecido com o do cerrado do Brasil central. O clima seria mais favorável ao cerrado do que à floresta. A floresta precisa ter água no solo e umidade o tempo todo. E se é um clima muito sazonal, como é no Brasil central, a vegetação que aparece lá é de cerrados ou savanas tropicais. O leste e o sul da Amazônia são cobertos por florestas, mas tem um clima um pouco mais sazonal. Essa é a razão dessa região ser mais sensível às mudanças climáticas e ao desmatamento.
IHU On-Line – Que impactos esses problemas ambientais da Amazônia podem causar em outras regiões do país?
Carlos Nobre – Não sabemos ao certo. Temos estudado o impacto da Amazônia nas chuvas do sul, por exemplo, no Rio Grande do Sul,  nordeste da Argentina, Uruguai e Paraguai. Uma boa parte do vapor da água que participa dos processos de formação de chuva nesta região sudeste da América do Sul circulou pela Amazônia. Veio do oceano Atlântico, entrou pela Amazônia, virou chuva, choveu, caiu no solo, evaporou e choveu novamente. É um vapor d’água com muita milhagem, andou muito na Amazônia. A pergunta que se faz é: se mudar o clima na Amazônia, será que o vapor d’água, que hoje passa por ela e alimenta chuvas, principalmente no sul do Brasil, vai continuar o mesmo? Não sabemos, mas é uma questão importante, principalmente para as chuvas de inverno. Nas chuvas de verão, as fontes de vapor d’água são de muitos locais, mas as chuvas de inverno, no sul do Brasil, recebem uma alimentação muito grande desse vapor que passa pela Amazônia. Não temos uma resposta definitiva, mas pode haver um efeito principalmente nas chuvas de inverno no sul do Brasil, com mudanças profundas na agricultura, na ecologia e nos biomas.
(Ecodebate publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]


Estudo do Imazon registra que, em 5 meses, desmate da Amazônia responde por 51 milhões de ton de gases-estufa emitidos








Desmatamento na Amazônia, em foto de arquivo
Desmatamento na Amazônia, em foto de arquivo
O Desmatamento da Floresta amazônica, registrado entre agosto de 2009 e janeiro deste ano, será responsável pela emissão de 51 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). No período, o desFlorestamento foi de 836 quilômetros quadrados, segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon.
Essa taxa de carbono supera, e muito, as Emissões da indústria paulista no ano de 2006, por exemplo, que foi de 38 milhões de toneladas de CO2. As Emissões de gases de efeito estufa provocam o Aquecimento Global. O dado também é 41% maior do que no período anterior (agosto de 2008 a janeiro de 2009), quando foram afetados 36 milhões de CO2. “Dizemos que o carbono foi comprometido ou afetado porque não podemos afirmar que a emissão já ocorreu, se o gás já está ou não na atmosfera. A emissão vai acontecer em algum momento, mas pode ser numa próxima queimada, por exemplo”, explica Carlos Souza Júnior, cientista do Imazon. Reportagem de Afra Balazina , no O Estado de S.Paulo.
A emissão ocorre por meio da queimada da madeira ou da decomposição natural das árvores cortadas. O aumento do Desmatamento acompanhou em menor medida a elevação das Emissões e foi de 22% ao se comparar um período com o outro. Segundo o pesquisador, o fato não é estranho e, na verdade, em alguns casos o Desmatamento pode até mesmo diminuir enquanto as Emissões aumentam.
Isso explica por que ao cortar Florestas mais densas – com maior volume de madeira – as Emissões de CO2 são mais altas. “Na área mais desmatada da Amazônia, na região do Arco do Desmatamento, há menor densidade de carbono. Regiões como a Terra do Meio e Novo Progresso, no Pará, têm estoques de carbono mais elevados”, diz.
Foi a primeira vez que o Imazon incluiu a informação sobre Emissões de CO2 em seu relatório sobre Desmatamento, o Transparência Florestal.
Para calcular as Emissões de carbono que o Desmatamento acarreta, foi necessário fazer um cruzamento de dados. Cada polígono onde houve desmate foi comparado a mapas de Biomassa da Amazônia.
Entraram na conta do “simulador de Emissões de carbono” estimativas para algumas incertezas (um incêndio nem sempre queima toda a Biomassa existente, pois sua eficiência não é de 100%).
“Isso nos deu mais segurança para a modelagem”, diz o pesquisador.





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Domingo, 24 de Janeiro de 2010
Criação intensiva de gado desmata e causa poluição na água e no ar
O grande motor da destruição da floresta é a carne bovina. Segundo especialistas, para destruir a floresta basta almoçar. João Meirelles do Instituto Peabiru afirma: "Na hora em que o garfo bate na boca, você está destruindo a floresta. De cada três bifes consumidos um vem da Amazônia e quem os consome são tanto os moradores da região (cerca de 10%) como os brasileiros de outras regiões (cerca de 80%)". A substituição das florestas por pastos contribui ainda para o aquecimento global.


Um estudo feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostra que o desmatamento segue a flutuação do mercado de commodities, especialmente carne e soja. A queda do preço nos últimos anos teria ajudado a controlar a derrubada nos últimos três anos. Da mesma forma, a recuperação do mercado teria impulsionado a retomada do desmate.


O avanço do desmatamento na Amazônia segue uma lógica. Segundo Tatiana de Carvalho a pecuária vai na frente, coloca um, dois bois a cada dois hectares e, uma vez que a propriedade é estabelecida, o seu dono já vende a posse para um agricultor. Têm-se aí o ciclo do desmatamento.


Na opinião do biólogo Sérgio Greif, a carne é responsável por grande impacto ambiental. Segundo ele, “áreas naturais (florestas, matas, cerrados, campinas etc.) precisam ser devastadas para a abertura de pastos. Muitas pessoas associam a devastação nas florestas tropicais ao corte de madeira. Na verdade, a contribuição das madeireiras para essa devastação nem se compara à devastação causada pela pecuária, pois as madeireiras selecionam apenas as árvores que interessam para o corte. Já o pecuarista precisa se livrar das árvores indiscriminadamente”, diz ele.


Segundo Greif, “a pecuária sequer é sustentável nesses pastos, pois o gado, com o pisoteio, acaba compactando o solo, impedindo o rebrotamento de plantas e a lixiviação da água. Dessa forma, o solo sofre processos erosivos, o lençol freático deixa de receber importantes contribuições de água, e o solo da superfície acaba sendo arrastados para os corpos hídricos, o que ocasiona em perda de fertilidade e contaminação de águas superficiais. Os pastos abertos logo são abandonados e se transformam em desertos, já que muitas vezes o grau de comprometimento é tal que nem mesmo as florestas conseguem se reestabelecer na área”.


Há ainda um outro problema, destaca o biólogo: “A pecuária, quando intensiva, também traz o problema da contaminação por fezes e urina de animais. É que os animais presos sempre fazem suas necessidades no mesmo lugar. Isso contamina o solo e as águas próximas. Esses dejetos raramente são tratados porque implicam em gastos na produção. Outro fator relacionado à poluição é com a geração de gases. Especialmente os ruminantes têm em seu processo digestivo a geração de diversos gases que são expelidos do corpo através da flatulência e da eructação. Esses gases (óxido nítrico, metano etc.) contribuem com o efeito estufa”.


Outro fator ambiental relacionado à pecuária, destaca Sérgio Greif, diz respeito ao consumo de água. Cada cabeça de gado consome 50 litros de água por dia. Apenas o processo de abate de um bovino consome mais de 1200 litros de água de uma vez.


“O nosso consumo de carne é um risco para a estabilidade do clima”, afirma Jeremy Rifkin. Segundo ele, “a primeira causa do incremento humano do efeito estufa é devida ao setor das construções, isto é, casas e escritórios. A terceira são os transportes. Sabe qual é a segunda? O complexo da produção necessária para sustentar aquela gigantesca máquina poluente constituída pela pecuária: os nossos consumos de carne são o segundo fator de risco para a estabilidade do clima”, afirma.


Segundo Rifkin, 24% da superfície terrestre é ocupada por bovinos que contribuem para o acelerado desmatamento e consome uma quantidade de cereais suficiente para matar a fome de centenas de milhões de pessoas”. O pesquisador americano destaca que “no decurso da própria vida, o americano médio come sete novilhos de seiscentos quilos. Chegou agora o momento de reconsiderar o estilo alimentar”.


A produção de um único quilo de carne bovina demanda o gasto de 15 quilos de grãos e 30 quilos de forragem. Por último, mas não menos importante, há a questão da flatulência. O principal gás expelido pelos extensos rebanhos mundiais é o metano — um dos principais responsáveis pelo efeito estufa.


No caso das pastagens, enquanto o lucro anual com um boi é de R$ 100,00 o valor do carbono emitido para o pasto crescer chega aos US$ 4.800,00, afirma o economista Carlos Eduardo Young. Segundo ele, “no debate sobre o futuro da floresta, boa parte dos atores insiste em repetir antigas falas, como a necessidade de desmatar para garantir o ‘progresso’ ou negar a realidade dos números do desmatamento. Mas existem idéias novas que podem construir o tão necessário consenso. A mais importante delas é dar valor à floresta conservada (‘em pé’) como forma alternativa ao padrão tradicional de ocupação pelo desmatamento. O conceito é simples: se o valor dos serviços ambientais gerados pela floresta for maior do que o lucro obtido com a extração predatória da madeira e com a pastagem ou cultivo implementados em seu lugar, então, economicamente, seria ilógico desmatar!”.





Consumo como ato político


Os hábitos alimentares modernos — calcados numa dieta muito rica em carne vermelha — têm um impacto significativo no aquecimento do planeta. É o que revela um estudo realizado por especialistas da Agência de Impacto Ambiental da Holanda. O estudo afirma que se a população mundial passar a seguir uma dieta pobre em carne vermelha – a chamada dieta do clima – definida como 70 gramas de carne bovina e 325 gramas de frango e ovos por semana – cerca de 15 milhões de quilômetros quadrados de área ocupada pela criação de animais seria liberada para vegetação. As emissões de gases do efeito estufa seriam reduzidas em 10% com a queda do número de animais. Juntos, esses impactos reduziriam em 50% os custos do combate às mudanças climáticas em 2050.


Segundo a bióloga e cientista ambiental holandesa Elke Stehfest a adoção da dieta do clima significa que “para muitos países desenvolvidos, isso significaria reduzir seu consumo de carne para 2/3. Para alguns países africanos isso na verdade significaria um crescimento comparado com a referência”.


Nesta perspectiva crescem em todo o mundo campanhas que pregam o consumo sustentável, ou ainda o consumo ético. Muitos das campanhas estimulam o consumo como ato político e as pessoas a adotarem um comportamento ecologicamente correto.


Segundo a socióloga Lisa Gunn, uma pessoa ecologicamente correta é “aquela que faz uma reflexão sobre os seus hábitos de consumo para realmente minimizar os impactos sociais e ambientais negativos”. A socióloga destaca que “isso não é fácil. A reflexão deve ser feita partindo do princípio da redução. Hoje, grande parte da população ainda sofre restrição de acesso a produtos e serviços, mas, atendidas as necessidades básicas, é preciso haver uma profunda mudança nos hábitos de consumo para de fato minimizar o impacto que existe”.


Lisa Gunn, comenta que “é preciso deixar de ter uma postura passiva e cobrar das empresas das quais está acostumado a consumir justamente essas informações socioambientais do processo produtivos e também do pré-consumo e pós-consumo, assim como exigir dos governantes uma atitude a favor de políticas públicas que incentivem o desenvolvimento dessas atitudes sustentáveis”.


O vegetarianismo como concepção de vida, e de forma ainda mais radical, o veganismo (abstensão total de carne animal assim como de produtos derivados de animais, como ovos e queijo) deve ser contextualizado nessa perspectiva. Na opinião de Marly Winckler em entrevista especial para a revista IHU On-Line n. 191 (arquivo pdf) “o vegetarianismo é um regime alimentar. Ele tem a ver, primordialmente, com comida, mas cada vez mais se torna uma postura ética e filosófica diante da vida. Ele se volta um impacto positivo sobre o meio ambiente, porque a dieta baseada na carne tem um impacto muito Negativo”. Winckler, destaca ainda que “por sua vez, há também a questão dos animais em si, a postura ética de não aprovar tantos maus tratos com eles”.


Para muitos, o consumo de carne não é apenas um problema para o aquecimento global, mas também um ato desumano. Aproximadamente 50 bilhões de animais terrestres são mortos a cada ano para servirem de alimento aos seres humanos. No Brasil são cinco bilhões. Trata-se de uma morte organizada.


O filósofo e professor de bioética Peter Singer comenta que muitos animais são submetidos a severos sofrimentos e cita, entre muitos casos, a criação de terneiros nos EUA – criados toda a sua vida em confinamento, “em estábulos onde não podem dar a volta, deitar-se ou estirar suas extremidades. Estes métodos servem essencialmente para economizar trabalho, porque facilitam o manejo dos animais e permitem às granjas que têm milhares ou dezenas de milhares de animais contratar um número reduzido de trabalhadores menos qualificados. Também impedem que os animais desperdicem energia movendo-se e brigando”.


Segundo ele, as nossas escolhas alimentares importam. “Ser vegetariano, afirma, evita participação em práticas cruéis com animais e também geralmente tem um impacto menor no ambiente do que comer carne ou outro produto animal”.


Não faz muito tempo, a Europa chocou-se com a doença da Vaca Louca, não apenas porque destruiu a imagem da carne bovina como um alimento saudável e seguro mas também porque se soube que a causa da doença era alimentar o gado com cérebro e tecidos nervosos de carneiros. s pessoas que acreditavam ingenuamente que o gado comesse capim descobriram que o gado de corte pode comer qualquer coisa, desde milho a ração de peixe, dejetos de galinhas (com excrementos e tudo), além de lixo de abatedouros.


O filósofo Tom Regan, defende o vegetarianismo e mesmo o veganismo como uma atitude moral. Segundo ele, “os animais não possuem claramente todos os direitos que nós humanos possuímos. Por exemplo, o direito ao voto e à liberdade de crença religiosa: não faz sentido atribuir esses direitos a eles. Quando se trata de nossos direitos fundamentais, no entanto – direitos à liberdade, integridade física, e à vida – temos razão para acreditar que outros animais têm esses direitos. Por quê? A resposta mais simples, acho, apela para nossas semelhanças fundamentais, nossa igualdade moral. Considere os animais que a indústria transforma em comida, em roupa, em entretenimento, em competidores, em ferramentas".


"Esses animais, continua ele, são como nós não apenas porque estejam no mundo e cientes do mundo; mais que isso, o que acontece a eles faz diferença na qualidade e na duração de suas vidas, assim como é conosco. Nós e eles somos alguém e não alguma coisa. Nós e eles temos uma biografia, não simplesmente uma biologia. O reconhecimento dos direitos dos animais é só uma extensão lógica do reconhecimento dos direitos humanos”.


Tom Regan é um forte critico do especiecismo. Para ele, o especiemo “é análogo a outros preconceitos morais. Racismo, por exemplo. Racistas pensam que membros de sua raça são superiores aos membros de todas as outras raças apenas porque eles (mas não outros) pertencem à raça superior. Especiecistas pensam que membros de nossa espécie são superiores a todas as outras espécies apenas porque nós (mas não outros) pertencemos à raça superior. Entretanto, assim como não há raça superior, não há também nenhuma espécie superior. A crença do especiecista não é menos preconceito que a crença do racista”.


O vegetarianismo encontra apoio nas religiões milenares comenta ainda Tom Regan. Segundo o filósofo “o vegetarianismo é a dieta escolhida pelos praticantes de algumas das maiores religiões mundiais, incluindo o hinduísmo, jainismo, budismo e algumas linhas do judaísmo. Também foi praticado por várias das grandes figuras do passado, como, por exemplo, Ovídio, Horácio, Virgílio, Pitágoras e Maimônides. As pessoas pensam que só excêntricos irracionais e desinformados são vegetarianos, mas a história ensina uma lição bem diferente”.


Mahatma Gandhi, destaca o filósofo foi para ele uma grande influência: “Foi por meio de seus escritos que aprendi pela primeira vez que comer carne não era necessário (para minha vida ou minha saúde, por exemplo) e que os animais em fazendas eram submetidos a uma grande violência, antes e durante seu abatimento. Não quero ter seu sangue em minhas mãos”.


Há inclusive quem sustente que o cardápio da Última Ceia foi vegetariano. Supõe-se que os convidados para a Última Ceia tenham comido um cardápio composto, na essência e como manda a tradição, por cordeiro assado, acompanhado de ervas amargas, pão ázimo e vinho. Mas, depois de um estudo minucioso da obra, parece que o cardápio é muito mais vegetariano, segundo se depreende de um relatório publicado pela revista Gastronómica.


Em um país de cultura carnívora, os elementos descritos anteriormente são de difícil compreensão e muitos consideram inclusive uma besteira este tipo de debate. Tem-se dificuldade de articular os conteúdos da crise climática, com o desmatamento, o desperdício de água e até mesmo os direitos dos animais.


É disseminado entre nós o hábito de comer carne, até mesmo cultural poder-se-ia afirmar. Como destaca Marly Winckler até o presidente Lula transformou a Granja do Torto em uma churrascaria. “Ele fez uma reforma enorme para ficar mais adequada ao consumo de carne”, diz. Basta atentar-se aos projetos de engenharia de construção de imóveis, a churrasqueira não pode faltar.


“Quem não quiser mudar, continue. Mas eu penso que quem diz querer um mundo melhor, tem que construí-lo. Esse mundo que temos é fruto da nossa ação. Ele não caiu do céu por descuido, e nós não estamos sujeitos a ele sem fazer nada. Quem quer um mundo melhor também é obrigado eticamente a promover mudanças nas suas atitudes. Essa (o vegetarianismo) é uma delas. Não tenho a menor dúvida de que não poderemos avançar muito como humanidade se não mudarmos a nossa dieta”, afirma Marly Winckler.


O biólogo Sérgio Greif insiste que apenas uma adoção em massa do vegetarianismo pode ser a solução para o conjunto dos problemas descritos anteriormente. Segundo ele, “O problema não deve se resumir à diminuição do consumo de carne, até porque a carne é apenas um dos problemas relacionados à pecuária. A população do mundo deve ser educada a se abster do consumo de todos os tipos de ingredientes de origem animal. A mensagem jamais deve ser para que as pessoas ‘comam menos carne’. A educação fornecida deve ser completa, de que as pessoas de fato se abstenham de produtos de origem animal”.


O ambientalista e coordenador do Portal EcoDebate, Henrique Cortez faz uma crítica ao consumo ético. Segundo ele “o que hoje se convenciona chamar de consumo ético deve ser encarado como conservador em relação à manutenção do modelo consumista. Assim posso consumir irrestritamente, porque me justifico através do consumo ético. É uma forma de ‘indulgência’ ao ‘pecado’ do consumo”, diz ele.


Em sua opinião, “o consumo ético só será transformador se ele questionar o modelo consumista, assumindo sua dimensão coletiva e política em relação ao modelo econômico, às formas de produção e ao sistema político de sustentação. É necessário questionar a quem serve este modelo e a quem beneficia”.


Algo semelhante afirma Isleide Arruda para quem o consumo ético como ato político “significa um ato de compra (ou não compra) no qual estão implícitas as preocupações do processo de consumir com os impactos que isso possa causar ao ambiente econômico, social ou cultural”. Ou seja, continua ela, “ele está circunscrito ao fato de que o consumidor pensa e se preocupa com os efeitos que uma escolha de compra gera aos outros e ao mundo externo como, por exemplo, com o tratamento despendido aos trabalhadores envolvidos na produção de um determinado produto, ou com os impactos ambientais que certos produtos causam”. No entanto, alerta a professora, “ele só se torna um consumo ético, no sentido político, na medida em que se condensa em um coletivo”.




O novo movimento social


“O pequeno avião sobrevoa uma paisagem fascinante de pastagens verdes entremeadas por trechos de floresta, mas Wayne Lindbergh mantém o olho colado em seu laptop. Abaixo, onde um mapa na tela do computador indica que havia floresta no ano passado, o descampado marrom revela uma queimada recente. ‘Tudo isso é novo, deste ano’, diz o integrante do Greenpeace, com fones de ouvido na cabeça enquanto aponta para a tela mostrando os mais recentes dados de satélite sobre desmatamento. Em breve, a área será pasto para milhares de cabeças de gado criados nesta fazenda no Pará, num exemplo do desmatamento ilegal atribuído pelos ambientalistas a pecuaristas”.


O relato acima é do jornalista Stuart Grudgings e descreve uma incursão do Greenpeace no Pará, região da Amazônia Legal, para averiguar novos focos de desmatamento. Aliando altíssima tecnologia, ações diretas, interlocução junto a empresas e governos, com forte apoio na sociedade e financiamento da sociedade, as organizações ambientalistas inserem-se no que se poderia denominar de novo movimento social, ou seja, organizações antenadas a novas questões sociais.


Segundo Marcelo Leite, “desde pelo menos a fundação da organização SOS Mata Atlântica, em 1986, o melhor do movimento ambientalista brasileiro busca um pacto firme e duradouro com a ciência. Os resultados estão aí, conhecidos e citados por todos”. Ele destaca que “os primeiros dados confiáveis sobre a destruição da floresta chuvosa que cobria a costa alcançada pelos portugueses em 1500 nasceram, em 1989, da parceria entre a SOS e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). A parceria tinha por objeto usar imagens de satélite na composição de um atlas dos remanescentes florestais, como se começava a aplicar na época para a Amazônia. Assim se revelou que apenas 7% da mata atlântica sobreviveram. A única floresta que a maioria dos brasileiros conheceu e conhece está desaparecendo”.


O pesquisador destaca também o surgimento do ISA (Instituto Socioambiental), que até hoje publica, “a cada cinco anos, o indispensável volume Povos Indígenas no Brasil. Toda a cartografia agora é digital, o que habilita o ISA a fazer estudos detalhados inéditos, por exemplo sobre superposição de terras indígenas e unidades de conservação”.


De acordo com Marcelo Leite, “o caso da Amazônia, sempre o bioma mais controverso, impuseram-se no debate público ONGs como o Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e o Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia). Ambas com sede em Belém, estão na vanguarda desse tipo inovador de ONG, dedicada a cavar, sistematizar e divulgar dados socioambientais que nem o governo detém”.


Os movimentos e organizações sociais tributárias da sociedade industrial, principalmente o movimento sindical e os partidos, bem como alguns movimentos sociais urbanos e rurais, poderiam aprender algo com o movimento ambientalista. Embora, nos últimos anos a agenda ambiental tenha entrado com força nos debates dessas organizações, ainda há dificuldade de assimilação e elaboração de novas estratégias de ação.

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publicado por Maluvfx às 15:10
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