Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Quarta-feira, 7 de Abril de 2010
Pesquisa Afirma que Animais Não Causam Efeito Estufa!
Pesquisador afirma que diminuir o consumo de carne e laticínios não traz impacto real no combate ao aquecimento global. A conclusão foi apresentada no início da semana durante o 239º Encontro Nacional da Sociedade Americana de Química. 
Apesar das alegações de que a criação de animais gera muitos gases causadores do efeito estufa, o perito em qualidade do ar, Dr. Frank Mitloehner, da Universidade da Califórnia-Davis, disse que culpar vacas e porcos é cientificamente errado e impede que a sociedade foque em soluções efetivas para combater o problema. Para ele, cortar o consumo de leite e carne significaria apenas mais fome em países pobres – e não diminuição do aquecimento. O foco deveria ser em agricultura e pecuária inteligente, adotando praticas para produzir mais comida com menos emissões. A principal medida, no entanto, seria reduzir o uso de petróleo e carvão para eletricidade, aquecimento e combustível, já que, segundo ele, os meios de transporte causam 26% de todas as emissões-estufa nos Estados Unidos, enquanto a criação de gado e porco gera apenas 3%.  Ele afirmou ainda que essa opinião contrários à carne vem de um erro cometido no relatório das Nações Unidas de 2006 chamado “Livestock’s Long Shadow”. Nele, dizia-se que a criação de animais era responsável por 18% dos gases causadores do efeito estufa – o que seria mais do que os transportes. No entanto, apesar dos animais serem grandes liberadores de metano, Mitloehner acredita que houve um erro na metodologia utilizada na época. As emissões dos rebanhos foram calculadas de forma diferente das do transporte. Os dados dos animais incluíam sua alimentação, suas emissões digestivas e o processamento da carne em comida. Mas na análise do transporte estavam incluídas apenas as emissões de combustíveis pelos veículos, e não todo o ciclo do transporte do combustível e retirada do petróleo.
Fonte: Eco4planet


publicado por Maluvfx às 14:28
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Quinta-feira, 18 de Março de 2010
Nicholas Stern, mudança climática e consumo de carne



O britânico Nicholas Stern, autor do Relatório Stern, declarou ao jornal The Times que a pecuária destinada ao consumo de carne representa “um desperdício de água e contribui poderosamente para o efeito estufa”. Acesse a matéria da agência de notícias EFE, reproduzido pela Folha Online, clicando aqui.
Relatório do economista britânico Nicholas Stern, encomendado pelo governo britânico e lançado em 2006. O levantamento gerou grande impacto mundial ao afirmar que se não forem tomadas medidas para a redução das emissões, a concentração dos gases geradores de efeito estufa na atmosfera poderá atingir o dobro do seu nível pré-industrial já em 2035, sujeitando-nos praticamente a um aumento da temperatura média global de mais de 2ºC. O Relatório Stern apontou também que, em longo prazo, há mais de 50% de possibilidade de que o aumento da temperatura venha a exceder os 5ºC. 
Clique aqui para acessar o documento via site da ANDI.


O Relatório Stern (do nome do seu coordenador, Sir Nicholas Stern, economista britânico do Banco Mundial) é um estudo encomendado pelo governo Britânico sobre os efeitos na economia mundial das alterações climáticas nos próximos 50 anos.
O relatório resultante desse estudo foi apresentado ao público no dia 30 de Outubro de 2006 e contem mais de 700 páginas e é um dos primeiros estudos encomendados por um governo sobre o assunto a um Economista e não a um cientista da área.
Uma das principais conclusões a que se chega no relatório é que com um investimento de apenas 1% do PIB Mundial se pode evitar a perda de 20% do mesmo PIB num prazo de simulação de 50 anos.


Conclusões




  • Os benefícios de uma ação forte e imediata para enfrentar as mudanças climáticas ultrapassam de longe os custos de não fazer nada.
  • A mudança climática afeta os elementos básicos para vida da população: acesso à água, produção de alimentos, saúde e o ambiente.
  • Usando modelos econômicos tradicionais, o custo e riscos da mudança climática equivale a uma perda de 5-20% do PIB mundial por ano.
  • Em contrapartida, agir – por meio da redução dos gases que provocam o efeito estufa – custa apenas 1% do PIB mundial por ano.
  • Os investimentos nos próximos 10-20 anos irão impactar profundamente no clima na segunda metade do século XXI e o próximo. Nossas ações podem criar um desequilíbrio econômico e social, similar as guerras mundiais.
  • Como é um problema mundial, a solução deve partir de um patamar internacional.
  • Se as emissões continuarem nesse ritmo, em 2035 teremos o dobro de gases do efeito estufa do que antes da Revolução Industrial. Isto irá aumentar a temperatura média mundial em 2°C, e no longo prazo em mais de 5°C (com probabilidade de 50%) – essa variação equivale a de hoje com a última era glacial.
  • Essa enorme variação da temperatura mundial irá alterar a geografia humana e física do mundo.
  • Mesmo as predições mais moderadas anunciam impactos sérios na produção, na vida humana e no ambiente mundial.
  • Todas as nações serão afetadas. Os mais pobres sofrerão mais, justamente os que menos contribuíram para esse desastre.
  • Os efeitos da mudança climática não podem mais ser evitados (20-30 anos), mas deve ser feito um esforço para adaptação, de forma que a economia e a sociedade não sofram o impacto diretamente. Isso custará dezenas de bilhões de dólares. Deve ser ainda mais procurada por países em desenvolvimento.
  • Os níveis de emissão de CO2e são atualmente 430ppm e cresce 2ppm/ano.
  • Os riscos serão reduzidos significativamente se os níveis forem mantidos em 450-550ppm. Isso equivale a uma redução de 25%, no mínimo, até 2050.
  • Estabilizar nos níveis atuais exigiriam uma redução de 80%.
  • Para 500-550ppm, deve-se investir 1% do PIB mundial por ano.
  • Esse panorama pode mudar se não for tomada nenhuma política, por inovações tecnológicas ou efeitos combinados.
  • Os países desenvolvidos devem cortar suas emissões em 60-80% até 2050. Mas os países em desenvolvimento também devem fazer cortes significativos.
  • O mercado de carbono pode ser muito eficiente para se atingir esse objetivo. Envolveria centenas de bilhões de dólares por ano em investimentos em tecnologias pouco poluentes e gerariam muito emprego.
  • Essa estratégia não significa: ou cortar a emissão desses gases ou desenvolver o país. Deve-se desenvolver através de investimentos não poluentes. Ignorar os efeitos da mudança climática é que impedirá o desenvolvimento.
  • A emissão pode ser reduzida através do aumento da eficiência energética, mudança na demanda e adoção de tecnologia limpa para energia, aquecimento e transporte.
  • O setor energético precisa ser descarbonizado em 60% até 2050, para atingir a meta de 550ppm.
  • Mesmo com mudanças, o uso de energia fóssil e emissora de carbono deve continuar a ser mais da metade da fonte energética, principalmente em países em rápido crescimento. Por isso a necessidade de captura e estocamento de carbono.
  • Não apenas no setor energético; desflorestamento, agricultura e industria também devem ter suas emissões controladas.
  • Mudança climática é a maior das falhas de mercado. Deve ser atacada em três frentes:

    • Valoração do carbono, por meio de taxas, impostos, comércio e regulação.
    • Desenvolvimento e inovação em tecnologias que emitem pouco carbono.
    • Remover as barreiras a eficiência energética e informar, educar e persuadir os indivíduos de sua responsabilidade.
  • O esforço deve ser coletivo e internacional. União Europeia, Califórnia e China tem políticas ambiciosas. UNFCCC e Kyoto são avanços no sentido de generalizar essas metas. Esforços individuais são insuficientes.
  • Os elementos-chave para o futuro quadro mundial são:

    • Comércio de carbono: para privilegiar aqueles que emitem pouco e fazer crescer a inovação tecnológica não-poluente.
    • Cooperação tecnológica: por acordos ou informais, o investimento em suporte à P&D energético deveria dobrar e no uso das novas tecnologias quintuplicar.
    • Reduzir o desflorestamento: é mais importante e com mais custo-benefício que a redução no setor de transporte.
    • Adaptação: fundos internacionais, focando nos países mais vulneráveis, que desenvolva novas culturas mais resistentes a secas e enchentes.
  1.  STERN REVIEW: The Economics of Climate Change - Summary of Conclusion




O Relatório Stern na íntegra



Table of contents
Summary of conclusions
Preface and acknowledgements
Introduction to Review
Executive summary (full)
Executive summary (short)
Abbreviations and acronyms
Part I: Climate change: our approach (Chapters 1-2)
Introduction
Chapter 1: The science of climate change
Chapter 2: Economics, ethics and climate change
Chapter 2 Technical annex: Ethical frameworks and intertemporal equity
Part II: Impacts of climate change on growth and development (Chapters 3-6)
Introduction
Chapter 3 How climate change will affect people around the world
Chapter 4 Implications of climate change for development
Chapter 5 Costs of climate change in developed countries
Chapter 6 Economic modelling of climate change impacts
Part III: The economics of stabilisation (Chapters 7-13)
Introduction
Chapter 7 Projecting the growth of greenhouse gas emissions
Chapter 8 The challenge of stabilisation
Chapter 9 Understanding the costs of mitigation
Chapter 10 Macroeconomic models of costs
Chapter 11 Structural change and competitiveness
Chapter 12 Opportunities and wider benefits from climate policies
Chapter 13 Defining a goal for climate change policy
Part IV: Policy responses for mitigation (Chapters 14-17)
Introduction
Chapter 14 Harnessing markets to reduce emissions
Chapter 15 Carbon markets in action
Chapter 16 Accelerating technological innovation
Chapter 17 Beyond carbon markets and technology
Part V: Policy responses for adaptation (Chapters 18-20)
Introduction
Chapter 18 Understanding the economics of adaptation
Chapter 19 Adaptation policies: key principles and applications in the developed world
Chapter 20 The role of adaptation in sustainable development
Part VI: International collective action (Chapters 21-27)
Introduction
Chapter 21 Framework for understanding international collective action for climate change
Chapter 22 Creating a global price for carbon
Chapter 23 Supporting the transition to a low carbon economy in developing countries
Chapter 24 Promoting effective international cooperation on technology
Chapter 25 Reversing emissions from land use change
Chapter 26 International support for adaptation
Chapter 27 Building international co-operation on climate change
PostscriptTechnical Annex to Postscript
Annex 7.a Climate change and the Environmental Kuznets Curve 
Annex 7.b Emissions from the power sector
Annex 7.c Emissions from the transport sector
Annex 7.d Emissions from the industry sector
Annex 7.e Emissions from the buildings sector 
Annex 7.f Emissions from the land use sector 
Annex 7.g Emissions from the agriculture sector
Technical Annexes to Chapter 7
Stern Review Index
Independent Reviews Index


publicado por Maluvfx às 12:21
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Quarta-feira, 17 de Março de 2010
Justiça ao contrário: a favor de poluidoras e contra impactados
Flavia Bernardes

Foto capa: Divulgacao

Agricultores, indígenas, quilombolas, pescadores e representantes de entidades civil organizadas cada vez mais conhecem de perto o desafio de denunciar um impacto ambiental causado pelas grandes empresas instaladas no Estado. Isso porque dificilmente eles têm amparo da Justiça. Na maioria dos casos, são coagidos, têm suas casas invadidas ou são interditados judicialmente. Trata-se de um processo para propagar o silêncio, com o apoio do poder público.



O caso mais recente vem ocorrendo em Linhares, norte do Estado. Lá, agricultores gritam aos quatro ventos a poluição por efluentes industriais da Sucos Mais – multinacional Coca-Cola -, que estaria destruindo o Córrego rio das Pedras, onde, no último ano, morreram centenas de peixes. Segundo os agricultores, a água não pode ser utilizada para consumo ou irrigação de lavouras. Lá, produtores contratam carros pipa para tentar manter a produção.
Após oito anos de reclamações com a empresa e um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o poder público, exigindo o tratamento de seus efluentes, nada mudou. A não ser, o fato de que, agora, os agricultores estão com medo de cobrar medidas do poder público.
Resultado de iniciativas que visam a coagi-los, como visitas de policiais a suas casas, acusando-os de gerar baderna e de prisão, e o interdito proibitório assinado pela juíza Trícia Navarro a dez agricultores, que estão impedidos de “causar qualquer moléstia” à Sucos Mais ou que impeça o livre acesso à indústria, o que deve ser combatido com força policial, como determina a juíza.
Para combater a resistência dos agricultores do bairro de Santa Cruz, foi debatida pela Câmara de Vereadores de Linhares, esta semana, a proposta de eliminar uma das duas feiras na cidade. Um boicote à compra de animais para merenda escolar para escolas públicas também já foi iniciado pelo poder público, conforme denunciam os agricultores. Enquanto isso, a Sucos Mais segue com suas obras autorizadas pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).
A empresa está ampliando sua produção e deverá despejar seus efluentes líquidos também no Córrego do Arroz, que abastece oito lagoas de Linhares, e é responsável por irrigar propriedades dos bairros Canivete e Córrego Farias.
O cerco repete o que foi visto no passado contra indígenas e, que ainda é realizado contra os quilombolas no norte do Estado, já que estes ainda não reconquistaram suas terras ocupadas pela ex-Aracruz Celulose, nos municípios de Conceição da Barra e São Mateus, norte do Estado.
Na região a empresa é acusada de ocupar terras tradicionais; usar de forma intensiva agrotóxicos, gerando a contaminação dos recursos hídricos; exaurir o solo e, portanto, secar córregos; de mandar prender os negros de forma injusta e utilizar sua segurança armada para invadir casas de quilombolas, segui-los e intimidá-los. Tais fatos já foram denunciados à Justiça Estadual, Federal e Internacional, mas muito pouco – ou nada - é feito, frente à força política da empresa no Estado.
Punidos por reclamar, índios já foram presos injustamente e mantidos em delegacias em municípios distantes, apenas para garantir um clima de ameaça sob as famílias de indígenas e sob os próprios índios presos.
Já a última grande arbitrariedade conta os quilombolas diz respeito à invasão da casa de Berto Nascimento, considerado uma resistência entre os negros, por não desistir de lutar pelas terras quilombolas. Berto teve sua casa invadida pela polícia com o apoio da segurança armada da ex-Aracruz Celulose (Fibria), lembram os quilombolas.
“Os quilombolas são vítimas. Eles lutam por direitos e estão ali fazendo apenas seu trabalho. A mobilização tão grande da polícia com pessoas pacíficas não se justifica, principalmente em um Estado com tanta violência. Esse povo luta por seus direitos, por seu espaço, que foi invadido por não quilombolas e que agora é obrigado a sofrer com a repressão”, ressaltou o subsecretário de Direitos Humanos, Perly Cipriano, na ocasião.

O fato ocorreu em novembro do ano passado. A polícia chegou à casa de Berto com o auxílio da segurança armada da ex-Aracruz Celulose, prendeu Berto e seu filho cego. Já a neta de Berto foi agredida fisicamente por uma policial, ao questionar a violência utilizada na ação. Berto é um dos principais líderes contra a ocupação de terras de quilombolas no norte e contra a poluição gerada pela ex-Aracruz Celulose (Fibria).
Os indígenas do Estado também já foram interditados pela Justiça e proibidos de transitar nas terras hoje reconhecidas oficialmente pelo presidente da República Lula como terras tradicionalmente indígenas. Apoiadores da luta foram igualmente interditados, acusados de “causar baderna” contra a empresa. Os apoiadores trabalhavam fornecendo água e comida aos índios durante sua manifestação para recuperar suas terras.
Atualmente, os índios vivem em paz no norte do Estado. Após recuperar suas terras, se engajaram em projetos para recuperar a terra destruída pela então Aracruz Celulose e plantar alimentos capazes de garantir a sustentabilidade das sete aldeias indígenas Tupinikim e Guarani. Entretanto, continuam tramitando na Justiça processos movidos pela transnacional contra os indígenas.
Além desses, casos mais isolados chamam a atenção. Também no norte, no município de Linhares, um agricultor que teme se identificar denunciou o desmatamento de uma Área de Proteção Ambiental (APA) por um grande produtor da região. Foi pessoalmente ameaçado pelo fazendeiro, após denunciar o caso à Polícia Ambiental. O agricultor teve sua vida e de sua família ameaçada. E o desmatamento continuou.
A maioria desses fatos é constantemente denunciada à Justiça, e apesar da descrença da maioria da população, as denúncias não cessam.

Enquanto há omissão cada vez maior para apurar e investigar os casos, não são poucos os esforços para silenciá-los.

via SeculoDiario.com


publicado por Maluvfx às 14:40
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Sexta-feira, 5 de Março de 2010
Campanha Hora do Planeta propõe apagar as luzes por uma hora para repensar impactos do consumo de energia

Logo da Campanha Hora do Planeta 2010
Apagar as lâmpadas por uma hora pode ajudar a combater o aquecimento global. É o que propõe a campanha Hora do Planeta, da organização não governamental (ONG) WWF, lançada ontem (3), na capital fluminense. A ideia é convencer as pessoas a desligarem as luzes no dia 27 de março, entre as 20h30 e 21h30.
Essa é a segunda vez que a campanha é realizada no Brasil. Com divulgação na TV e na internet, a estimativa é envolver cerca de 200 cidades. Em 2009, ao lado de 40 mil cidades de 88 países, 113 cidades brasileiras participaram da campanha. Na ocasião, foram apagadas as luzes do Cristo Redentor, no Rio, do Congresso Nacional, em Brasília, e do Teatro Amazonas, em Manaus, por exemplo.
Neste ano, ainda não estão confirmados os monumentos que terão as lâmpadas desligadas. No Rio, cidade-sede da campanha, além de apagar as luzes do Cristo e da Praia de Copacabana, como em 2009, a meta é desligar os refletores do Arpoador, da Praia do Leblon e do Monumento aos Pracinhas, na zona sul, e ainda mobilizar os moradores da zona norte, apagando por uma hora as luzes da Igreja da Penha.
O objetivo da campanha é estimular a reflexão sobre os impactos do consumo de energia e sobre formas de geração de eletricidade que agridam menos o meio ambiente, afirma o presidente do Conselho Diretor da WWF, Álvaro de Souza.
“Essa não é uma campanha para poupar energia. O importante é a conscientização sobre a construção de uma matriz energética mais limpa.”
De acordo com o diretor, embora o desmatamento provocado pela construção de hidrelétricas também se reflita na emissão de gases causadores do efeito estufa, as usinas abastecidas pela queima de combustível fóssil, como ocorre na China, poluem mais. O representante da WWF lembra também que as nucleares deixam um passivo ambiental ainda sem solução para o planeta: o lixo contaminado.
“Todas as opções [de geração de energia] têm um preço. Todas têm uma pegada ecológica. A parte hidrelétrica, como no caso do Brasil, têm uma pegada mais tênue, o grande lance é o alagamento de grandes áreas para construção de lagos que, evidentemente, causam um desequilíbrio”, afirmou.
A campanha Hora do Planeta começou na Austrália em 2007 e se estendeu pelo mundo. No ano passado, ícones de destaque foram desligados nas principais capitais para chamar atenção para o avanço do aquecimento global. Entre eles, a Torre Eiffel, em Paris, o Coliseu, em Roma e a Times Square, em Nova Iorque.









Reportagem de Isabela Vieira, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 04/03/2010







Amazônia, desmatamento e clima. 

Entrevista especial com Carlos Nobre



Desmatamento na Amazônia, em foto de arquivo
Desmatamento na Amazônia, em foto de arquivo
Um estudo divulgado no mês passado revela que, devido ao desmatamento, mudanças no clima e queimadas, em cem anos, restará viva apenas 30% da Amazônia. Esse é um dado que mostra o aumento crescente destes que são considerados os principais desafios da maior floresta do mundo. “Boa parte da floresta, no leste e no sul, poderia desaparecer caso essas mudanças aumentem. No entanto, o desmatamento tem dimuido, mas é muito difícil saber para que lado vai o aquecimento global”, avalia o professor Carlos Nobre. Durante a entrevista que concedeu, por telefone, à IHU On-Line, ele refletiu sobre o cenário atual da Amazônia e soluções para resolução dos problemas que ela vive hoje. Nobre também conversou conosco sobre cenários que surgem no Brasil devido a problemas climáticos e ambientais, como o aumento da seca no semiárido e a desertificação no Rio Grande do Sul. “Um clima mais variável em uma região onde o clima geralmente é mais estável sempre motiva muitas coisas, mas não podemos afirmar cientificamente que esse aumento da variabilidade do clima no Rio Grande do Sul é provocado pelo aquecimento global”, explicou.
Carlos Nobre é engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Na Massachussets Institute Of Technology (EUA), realizou o doutorado em metereologia. Recebeu o título de pós-doutor da University Of Maryland (EUA). Atualmente, é pesquisador sênior no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É autor das obras Amazonian deforestation and climate (New York: John Wiley and Sons, 1996) e Regional Hidrological Impacts of Climatic Change – Impact Assessment and Decision Making (Oxfordshire: International Association of Hidrological Sciences, 2005).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Um estudo sobre os riscos que a Amazônia está correndo, conduzido pelo Banco Mundial, alerta que, devido ao desmatamento, as mudanças climáticas e as queimadas, em 2075, só restará 30% da floresta amazônica. Hoje, a Amazônia é a maior floresta do mundo. Como o senhor detalharia o cenário previsto para 2075?
Carlos Nobre – No pior dos casos, se todas as mudanças ambientais e globais aumentarem, seja por desmatamento, impacto do fogo na floresta ou por aquecimento global, ainda assim sobraria uma faixa de 20 a 30% da floresta até o final do século. É isso que nossos cálculos mostram. Boa parte da floresta, no leste e no sul, poderia desaparecer caso essas mudanças aumentarem. No entanto, odesmatamento tem dimuído, mas é muito difícil saber para que lado vai o aquecimento global. Copenhague não deu muito certo, mas há um movimento mundial de transição para uma economia de baixo carbono. Portanto, não é possível prever com precisão se esse movimento dará certo, qual é a escala de tempo, quantas décadas irá demorar para diminuir as emissões ou qual será o aumento de temperatura na segunda metade do século. O que podemos imaginar são cenários. Nem com bola de cristal alguém conseguiria, hoje, saber exatamente qual seria a trajetória do aquecimento global nos próximos cem anos.



IHU On-Line – O cenário atual da floresta permite que recuperemos as áreas que foram desmatadas?
Carlos Nobre – Recuperar todas as áreas que foram desmatadas não é uma tarefa trivial, é uma tarefa muito complicada, mas a política de uso dos recursos da Amazônia deve ir na direção de uma diminuição muito grande de novos desmatamentos. Há uma política do governo brasileiro, inclusive, para reduzir as emissões. O que o presidente Lula apresentou emCopenhague, e que se tornou lei, é uma redução de 80% dos desmatamentos. Então, podemos sim, em uma escala de dez a quinze anos, nos encaminhar para o desmatamento zero. É só desenvolvermos políticas de utilização das áreas já desmatadas. Essas políticas devem ser acompanhadas de avanços científicos e tecnológicos de como usar as áreas desmatadas. Talvez possamos usar menos da metade das áreas desmatadas para produzir alimentos e outros materiais, e recuperar boa parte dessas áreas. Fazendo isso, também estaríamos, no momento que a floresta secundária regenera nas áreas desmatadas, retirando gás carbônico da atmosfera.
IHU On-Line – A redução das emissões de gases estufa é a única solução para a Amazônia?
Carlos Nobre – São várias as soluções. É impossível eliminar o risco da floresta se não reduzirmos o aquecimento global, que não pode passar muito de dois graus. O planeta já aqueceu entre 0,7 e 0,8 graus, então precisamos, com certeza, diminuir o aquecimento global. Um outro ponto é que, mesmo que diminuíssemos o aquecimento global em nome da temperatura no máximo em graus e continuassemos a desmatar, ainda assim, a floresta estaria em risco. A redução do desmatamento é muito importante. Por fim, a prática agrícola tem que ser feita sem o uso do fogo, que é cada vez mais usado na agricultura em todo o Brasil e América Latina. Esse fogo acaba saindo de controle, vai entrando aos poucos e queimando áreas de florestas. Cada vez que se abrem mais áreas agrícolas, mais pedaços de florestas vão sendo queimados. Então, junto com a redução do aquecimento global e a redução significativa do desmatamento, deve se eliminar o fogo como prática agrícola. O fogo não é uma boa prática agrícola, de acordo com a melhor agricultura que possa ser praticada na região.


Queimadas são um dos principais problemas enfrentados pela Amazônia


IHU On-Line – O acordo feito em Copenhague não estabeleceu metas obrigatórias de redução de emissões. Como fica a Amazônia diante desse comprometimento?
Carlos Nobre – É preocupante, não só para a Amazônia, mas para todo o planeta, para a sustentabilidade da vida e para a produção agrícola. O próprio conceito de desenvolvimento sustentável fica ameaçado se nós não conseguirmos eliminar esse risco. O fato de não termos chegado a um acordo legalmente vinculante e multilateral sob o guarda-chuva das nações unidas não significa que não poderemos chegar a algum tipo de acordo no futuro, mas é melhor que esse futuro seja muito imediato, se não no México, naCOP 16, tem que ser na África do Sul, na COP 17. Não podemos deixar o tempo passar, e os esforços para reduzir as emissões devem continuar, com ou sem acordo.
O Brasil, por exemplo, tem reduzido suas emissões. Talvez o pico das emissões brasileiras tenha sido no ano de 2005. A partir daí, reduzimos os desmatamentos, as emissões vêm diminuindo e agora vamos atuar em vários setores, não só na área do desmatamento, mas de agricultura, energia, indústria, e caminhamos para essa economia de baixo carbono. Isso deve ser acelerado e, é lógico, o jogo só se equilibra quando há um acordo amplo. Se não houver esse acordo, é como se alguém sempre quisesse “passar a perna” no outro, uns reduzem mais, outros não reduzem e outros aumentam. Portanto, o acordo é importante, mas as ações claras e que caminham na direção de uma economia de baixo carbono não podem parar, têm que continuar até que esse acordo se torne possível e seja efetivado.
IHU On-Line – Além dos problemas que a Amazônia vive, o semiárido está cada vez mais seco, o norte do RS vive um processo de desertificação. Como o senhor encara as mudanças previstas para o Código Florestal?
Carlos Nobre – Esta questão de áreas afetadas pelo processo dedesertificação no Rio Grande do Sul é muito interessante. Não sou um especialista no assunto, mas acho que isso é um misto de processos naturais com o uso da terra e da cobertura vegetal. O solo fica muito exposto ao vento e, principalmente, aos fluxos de água, e acaba gerando moçorocas e processos de desertificação em alguns pontos. De fato, nos últimos dez anos, o clima no sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, tornou-se mais variável, com períodos de secas intensas próximas a períodos de chuva. Um clima mais variável em uma região onde o clima geralmente é mais estável sempre motiva muitas coisas, mas não podemos afirmar cientificamente que esse aumento da variabilidade do clima no Rio Grande do Sul é provocado pelo aquecimento global. Ainda não temos como apontar isso definitivamente, mas é lógico que qualquer mudança no regime climático, observado por dez, vinte anos, chama atenção e a comunidade científica tem, portanto, obrigação de buscar uma explicação, se é um fenômeno natural ou se tem algo a ver com o aquecimento global.
O norte do RS é uma das regiões que vive o processo de desertificação
IHU On-Line – Existem outros lugares no país que tenham indícios de desertificação?
Carlos Nobre – O lugar onde mais existem indícios de desertificação é no Piauí, na parte do semiárido do Piauí. Existe uma cidade chamada Gilbué que tem uma paisagem lunar, a maior área desertificada do Brasil.
IHU On-Line – No estudo, o senhor diz que o risco de colapso da floresta é maior no leste e sul da Amazônia, região que corresponde ao Pará e Maranhão. Pode nos falar sobre a situação atual destas regiões? Que aspectos indicam que elas serão mais afetadas?
Carlos Nobre – É o fato de que, nessas regiões, a estação seca é mais longa do que no oeste e no centro da Amazônia, onde dura de dois a três meses. Já no leste e no sul, essa estação seca dura de quatro a cinco meses. Então, por isso, se o clima fica mais seco, seja por aquecimento global ou por desmatamento, a região passa a ter um regime de chuva e seca muito parecido com o do cerrado do Brasil central. O clima seria mais favorável ao cerrado do que à floresta. A floresta precisa ter água no solo e umidade o tempo todo. E se é um clima muito sazonal, como é no Brasil central, a vegetação que aparece lá é de cerrados ou savanas tropicais. O leste e o sul da Amazônia são cobertos por florestas, mas tem um clima um pouco mais sazonal. Essa é a razão dessa região ser mais sensível às mudanças climáticas e ao desmatamento.
IHU On-Line – Que impactos esses problemas ambientais da Amazônia podem causar em outras regiões do país?
Carlos Nobre – Não sabemos ao certo. Temos estudado o impacto da Amazônia nas chuvas do sul, por exemplo, no Rio Grande do Sul,  nordeste da Argentina, Uruguai e Paraguai. Uma boa parte do vapor da água que participa dos processos de formação de chuva nesta região sudeste da América do Sul circulou pela Amazônia. Veio do oceano Atlântico, entrou pela Amazônia, virou chuva, choveu, caiu no solo, evaporou e choveu novamente. É um vapor d’água com muita milhagem, andou muito na Amazônia. A pergunta que se faz é: se mudar o clima na Amazônia, será que o vapor d’água, que hoje passa por ela e alimenta chuvas, principalmente no sul do Brasil, vai continuar o mesmo? Não sabemos, mas é uma questão importante, principalmente para as chuvas de inverno. Nas chuvas de verão, as fontes de vapor d’água são de muitos locais, mas as chuvas de inverno, no sul do Brasil, recebem uma alimentação muito grande desse vapor que passa pela Amazônia. Não temos uma resposta definitiva, mas pode haver um efeito principalmente nas chuvas de inverno no sul do Brasil, com mudanças profundas na agricultura, na ecologia e nos biomas.
(Ecodebate publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]


Estudo do Imazon registra que, em 5 meses, desmate da Amazônia responde por 51 milhões de ton de gases-estufa emitidos








Desmatamento na Amazônia, em foto de arquivo
Desmatamento na Amazônia, em foto de arquivo
O Desmatamento da Floresta amazônica, registrado entre agosto de 2009 e janeiro deste ano, será responsável pela emissão de 51 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). No período, o desFlorestamento foi de 836 quilômetros quadrados, segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon.
Essa taxa de carbono supera, e muito, as Emissões da indústria paulista no ano de 2006, por exemplo, que foi de 38 milhões de toneladas de CO2. As Emissões de gases de efeito estufa provocam o Aquecimento Global. O dado também é 41% maior do que no período anterior (agosto de 2008 a janeiro de 2009), quando foram afetados 36 milhões de CO2. “Dizemos que o carbono foi comprometido ou afetado porque não podemos afirmar que a emissão já ocorreu, se o gás já está ou não na atmosfera. A emissão vai acontecer em algum momento, mas pode ser numa próxima queimada, por exemplo”, explica Carlos Souza Júnior, cientista do Imazon. Reportagem de Afra Balazina , no O Estado de S.Paulo.
A emissão ocorre por meio da queimada da madeira ou da decomposição natural das árvores cortadas. O aumento do Desmatamento acompanhou em menor medida a elevação das Emissões e foi de 22% ao se comparar um período com o outro. Segundo o pesquisador, o fato não é estranho e, na verdade, em alguns casos o Desmatamento pode até mesmo diminuir enquanto as Emissões aumentam.
Isso explica por que ao cortar Florestas mais densas – com maior volume de madeira – as Emissões de CO2 são mais altas. “Na área mais desmatada da Amazônia, na região do Arco do Desmatamento, há menor densidade de carbono. Regiões como a Terra do Meio e Novo Progresso, no Pará, têm estoques de carbono mais elevados”, diz.
Foi a primeira vez que o Imazon incluiu a informação sobre Emissões de CO2 em seu relatório sobre Desmatamento, o Transparência Florestal.
Para calcular as Emissões de carbono que o Desmatamento acarreta, foi necessário fazer um cruzamento de dados. Cada polígono onde houve desmate foi comparado a mapas de Biomassa da Amazônia.
Entraram na conta do “simulador de Emissões de carbono” estimativas para algumas incertezas (um incêndio nem sempre queima toda a Biomassa existente, pois sua eficiência não é de 100%).
“Isso nos deu mais segurança para a modelagem”, diz o pesquisador.





publicado por Maluvfx às 00:05
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