Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
Vídeo Institucional ABIEC
Vídeo Institucional ABIEC - A$$ociação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes

Vídeo institucional sobre a indústria brasileira da carne. Se eu soubesse que é assim, jamais teria feito campanhas contra! Agradeço por terem aberto meus olhos e peço que divulguem esse vídeo muito esclarecedor. Infelizmente, ele só teve 54 views em mais de um ano publicado. É a nossa terra, nosso orgulho, nossa carne gerando divisas para o país!
Viva a indústria brasileira da carne!
Exemplo para todas as nações!!!
Por George Guimarães


publicado por Maluvfx às 15:22
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2011
Crónica: O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan
Por José Diogo Quintela

Há duas semanas um casal francês foi condenado a cinco anos de prisão por ter sido considerado responsável pela morte da filha de 11 meses, que morreu de subnutrição. Só bebia leite materno. Sucede que a mãe era vegan e, como tal, a sua dieta não incluía qualquer tipo de produto de origem animal. O leite da mãe não tinha os nutrientes necessários e a bebé acabou por morrer.

Mas os pais podem ir para o cárcere de consciência tranquila, já que durante todo este processo de definhamento de um ser humano indefeso nenhum animal foi molestado. Nenhuma vaca foi ordenhada, nenhum ovo foi surripiado a uma galinha, nenhum porco contribuiu com uma rodela de chouriço para um caldo verde, nenhum memé foi espoliado da sua lã para fazer botinhas. Nenhum animal foi maltratado. Nem sequer o Lobo Mau da história do Capuchinho Vermelho que contavam à bebé. Na versão vegan, o Lobo Mau não morre. Aliás, nem sequer é mau. Mau é o caçador, que a Capuchinho atrai a casa da avozinha para assassinar, empurrando-o para a lareira. A Capuchinho e o Lobo vivem saudáveis para sempre, alimentando-se das deliciosas verduras da sua horta biológica fertilizada com as cinzas do caçador.

Como este caso há muitos, de fácil consulta na Internet. São relatos um bocadinho impressionantes para os mais sensíveis. Aliás, é curioso que pessoas tão esquisitinhas com a comida que ingerem tenham estômago para assistir ao que acontece aos seus filhos malnutridos. Há niquentos e niquentos.

Ao ler sobre isto, é impossível não pensar nas Testemunhas de Jeová, que se recusam a fazer transfusões de sangue e a deixar os seus filhos fazê-las. Acreditam que o seu Deus proíbe as transfusões e que, ao honrar essa proibição, serão recompensados com a vida além da morte. Para quem acredita nela, a vida eterna pode ser algo por que valha a pena recusar uma transfusão. Chega-se ao além um bocadinho mais pálido, mas é uma permuta razoável. Agora, para um vegan, quando recusa a um filho as proteínas e vitaminas de origem animal, do que é que está à espera em troca? De vir a ser, depois de morto, adubo mais puro do que alguém que papou chicha da boa durante a vida?

Dir-me-ão que não se pode comparar o fanatismo religioso com o veganismo. Concordo. Ao pé do veganismo, o fanatismo religioso é praticado por moderados. Se Abraão fosse vegan em vez de hebreu, Isaac tinha sido mesmo sacrificado, apesar de o mensageiro do Senhor dizer que afinal era para sacrificar um carneiro. Apesar, não: especialmente depois de o mensageiro do Senhor dizer isso.

O problema do veganismo não é só a falta de graça da comida. É também uma contradição insanável na lógica da coisa, que impede o movimento de crescer. A transmissão dos ideais vegan é muito difícil porque, à partida, a bem sucedida catequização dos petizes está posta de parte. É um paradoxo: se um pai quer que o filho seja vegan, não o pode criar como vegan, senão arrisca-se a ficar sem prosélito. A melhor maneira de criar uma criança para vir a ser um bom vegan é com bifes e leitinho. O veganismo não tem pernas para andar. Se tem, estão mal nutridas. Direi que é uma pescadinha de rabo na boca. É uma metáfora representativa deste paradoxo e, ao mesmo tempo, uma imagem que chateia os vegan.


Comentário à crónica 'O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan'

Em nome de João Pedro Santos


Para: zdq@zdquintela.com
Cc: publica@publico.pt
Assunto: Comentário à crónica 'O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan'

Caro José Quintela, 
Após ter lido a sua crónica 'O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan' na revista Pública do passado dia 17/04/2011, achei por bem escrever-lhe por ser vegano há 16 anos e por considerar que o retrato que faz dos veganos é errado, fraudulento e decadente.
O Veganismo é uma filosofia de vida que promove em todas as vertentes do consumismo a proteção aos direitos dos animais, sem prejuizo algum da saúde ou bem-estar humanos. Aliás, o valor 'Vida' Animal e Humana acaba por ser o grande referencial que rege a crescente comunidade vegana em Portugal e no mundo.

O facto de ter surgido um caso isolado de negligência parental em França por um casal vegano, não implica de maneira nenhuma ou invalida todos os pressupostos científicos, sociais, económicos, ambientais e humanitários conquistados pelo Veganismo em mais de 50 anos de existência, a nível mundial.

Penso que é triste fazer um retrato tão simplista e conveniente de uma comunidade que está a ser extremamente relevante no combate às alterações climáticas no planeta, no combate à exploração animal e na promoção de um estilo de vida mais salutar e equilibrado, mas compreendo que humorismo não implica justiça ou sabedoria nas palavras que escreve e que os seus gostos pessoais por 'chicha da boa', como refere na sua crónica, entram claramente em conflito com os ideais do Veganismo e Vegetarianismo.

A par disso, é errado misturar Veganismo que não é vinculado a nenhuma religião com o Islamismo ou com as Testemunhas de Jeová. Mas, mais uma vez se depreende os lugares-comuns em que gosta de cair repetidamente nas suas crónicas: comunidades pequenas e não enquadradas na sua realidade burguesa limitada.

Outro aspeto a salientar é o fato de existirem anualmente milhares de casos confirmados de negligência parental em todo o mundo, sem qualquer ligação ao Veganismo, mas nunca ter dado conta do seu interesse por estas questões centrais em qualquer crónica sua.

Por outro lado, associo mais rapidamente a negligência parental ao alcoolismo, que infelizmente abunda em Portugal, e do qual você também é uma vítima pouco inocente, como pude constatar na notícia do dia 02/01/2008 no jornal Público:
http://www.publico.pt/Sociedade/humorista-jose-diogo-quintela-condenado-a-trabalho-comunitario-por-conduzir-alcoolizado_1315435

Espero sinceramente que tenha resolvido a sua questão com o álcool e que a sua filha Rosa não acabe sendo mais uma vítima inocente do alcoolismo em Portugal.
Quanto ao Veganismo, encontra em qualquer Celeiro em Lisboa chicha-non-carne tipo chouriço de soja ou farinheira de soja, que certamente fará o seu extâse culinário, sem a morte ou sofrimento de animais.

Encontra também em Lisboa, uma panóplia fabulosa de restaurantes vegetarianos e étnicos que o podem iniciar no mundo maravilhoso, mas ainda oculto para si, do Veganismo e Vegetarianismo. A sua saúde, o ambiente e os animais irão estar-lhe eternamente gratos, mesmo que apenas inclua um prato semanal vegetariano.

Se precisar de receitas vegetarianas/veganas simples e acessíveis, aconselho-o vivamente este sitio do Centro Vegetariano, onde pode selecionar receitas por ingredientes, dificuldade, tempo de confeção ou ocasião festiva, etc.:
http://www.centrovegetariano.org/receitas/

Abraço vegano,
João Pedro Santos
Lisboa



Comentários na Nota no Facebook:


Luis Martins 
O Veganismo e o Vegetarianismo são modos de vida que entram em conflito com os padrões tradicionais. A falta de informação do cidadão "comum" acerca destes temas leva-os a dizer asneiras e interpretar mal factos. Mas é preocupante que se comece a associar o Veganismo a certas correntes religiosas. Será mais uma arma de arremesso que estão a fornecer aos detratores do Veganismo, o factor religioso. Infelizmente é bastante vulgar vêr na comunidade vegan argumentos religiosos a tentar justificar o que só a Ètica pode fazer de forma universal. A introdução de argumentos religiosos só prejudica a divulgação do Veganismo e a prova disso está neste artigo.


A religiosidade de cada um é algo de pessoal. Todos tem o direito de acreditar naquilo que sentem ser a sua fé. Mas transpor essa fé para a argumentação duma filosofia (Veganismo) que é universal, que é comum a pessoas de todas as classes, de todas as raças, crentes e não crentes, é um factor que serve para criar divisões, e pior que isso, é um factor que é usado pelos que nem sequer sabem o que é para tecer criticas.
Respeitar todos os seres vivos é perfeitamente explicavel duma perspectiva Humana, racional, e lógica. Não fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós, entender que as nossas acções causam sofrimento desnecessário, compreender o que os outros sentem, são factos bem reais, culturais, filosoficos e morais que todos podem aprender e reconhecer sem entraves de qualquer especie.



Helena Avelar 

Muito bem respondido! Adorei o comentário sobre alcoolismo... ;) E o da "realidade burguesa limitada" está demais - e é tão verdadeiro!... :?
Agora, tenho também de concordar que por vezes surgem, associados ao veganismo, certos elementos de postura fanática que em nada favorecem a causa. As atitudes intransigentes e proselististas não atraem as pessoas, afastam-nas. Como disse o Luís no comentário anteiror (e muito bem!) é a Ética pode justificar estas escolhas. E essa é universal.


M De Lourdes Carapelho 
Ele pensou que estava a escrever uma crónica humorista.... será?
Então, cá pra mim tem os dias contados. Tão novinho e com uma mentalidade tããão medieval. Qualquer dia fazem perseguições aos veganos quais bruxas do séc. XV tal como querem "crucificar" todos os vegan@s devido ao acontecimento do casal francês, como se os casais e famílias omnívoras não fossem abusadores, negligentes e violentos com os seus filhos. Mas desses não vejo parangonas nem são sequer julgados pelos seus actos.
Será que alimentar os filhos SÓ com comida "plástica", processada e industrializada, responsável pela obesidade quase mórbida das crianças ainda em idade pré-escolar NÃO É CRIME???
Ou mudam as mentalidades ou são obrigados a mudar.... Não mudam com Amor, mudam pela dôr!!!
leiam os artigos - http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/utentes/obesidade/23_de_maio_-_dia_nacional_da_luta_contra_a_obesidade
http://www.adexo.pt/2004.html

Tenho que arranjar uma maneira de o calar de vez e obrigar a retratar-se e pedir desculpa aos milhares de vegan@s!!!
Pensa que tem graça?? Engana-se!

Consegui arranjar em papel. Uma pérola da ignorância de um humorista armado em "doutor".
Quando é que pessoas que se acham "vedetas" e com direito de opinião pública se abstém de comentar em relação a assuntos os quais desconhecem completa e totalmente!
Tal como existem falsos profetas também existem falsos geradores de opinião que pensam ter o direito de comentar, na sua ignorância, temas que os ultrapassa.
Sempre ouvi dizer, cada macaco em seu galho, mas os portugueses pensam que podem falar de tudo e fazer de tudo para o qual não tem as minimas competencias!!!
Por isso somos muito bons a fazer asneiras...

Veganismo é mais do que uma opinião, é uma "cultura" que se aprende, e como diz o Poeta, "Primeiro estranha-se, depois entranha-se..."
Não é vegano quem quer, é quem pode e sabe abraçar de alma e coração uma filosofia de vida que ultrapassa uma mudança na alimentação, é uma mudança de mentalidades.
O veganismo é uma paixão motivada pela ética, pela compaixão e respeito aos Direitos dos Animais não humanos.

Mauricio Pereira 

já havia dito no forum "Vegetarianismo / Veganismo e Direitos dos Animais" que na volta José Diogo Quintela estaria sob o efeito do álcool quando fez esta crónica!
Isto após ler esta resposta.
Agora que finalmente li a crónica do José Diogo Quintela posso afiançar que, seguramente, estava sob o efeito do álcool

Luis Aires d'Almeida 

José Diogo Quintela, um pobre coitado, magicamente arrancado da sua dormente e insignificante existência, vê-se de súbito projectado para a por demais "incómoda" condição de "vedeta" com a sua participação no programa Gato Fedorento onde, tal como Miguel Góis e Tiago Dores, sobrevive à sombra do inegável talento de Ricardo Araújo Pereira. Com o advento da fama, seguem-se as campanhas publicitárias, com especial relevo para os anúncios da MEO nos quais, e mais uma vez, não é difícil perceber que o senhor Quintela continua igual a ele próprio ou seja, um simples gato fedorento. Com o aparecimento de novas oportunidades, chegaram também novas exigências e nesse domínio, foi visível o esforço feito pelo "famoso" no sentido de melhorar a sua imagem televisiva de modo a deixar de ser conhecido como "o gordo", apodo vulgarmente usado por todos quantos, desconhecendo o seu nome, a ele se referiam nos primórdios da sua meteórica ascensão a "figura pública". Infelizmente, se a perda de uns quilitos supérfluos contribuiu em grande parte para melhorar a sua abalada auto-estima, há quem garanta que a mesma terá de igual modo contribuído para agravar a dilatação do seu inflamado ego, responsável pelas crises de flatulência pseudo-intelectual que ultimamente o têm acometido. Por último, e a fazer justiça à prática que dita que a uma "figura pública" emergente são garantidas todas as oportunidades, ei-lo como membro do júri no concurso televisivo Portugal Tem Talento, a falar daquilo que menos entende e por conseguinte, a abandonar de quando em vez o estatuto de "figura pública" para abraçar por momentos a deprimente condição de "figura triste". Enfim, será este entre outros, o preço a pagar por todos quantos ajudam a criar estas vedetas feitas à pressão, próprias de um país pequenino onde a maioria dos "famosos" aparecem como a mousse instantânea ou seja, basta juntar água.
José Diogo Quintela, muito embora com algumas diferenças positivas relativamente à maioria dos labregos inexplicavelmente elevados à condição de famosos, acaba todavia por se enquadrar no mesmo grupo quando, por via da presunção e da vaidade, quer à viva força deixar de ser sapateiro e por assim dizer, ir além da chinela. Este senhor, por inerência do tipo de programas nos quais participou, terá adquirido a falsa ideia de que depois do "Gato Fedorento" só mesmo o Dilúvio, e que por isso mesmo não existem limites nem barreiras que se oponham á sua crítica mordaz, irónica, inconveniente e por vezes ofensiva. Só assim se compreendem as razões que desta feita o terão levado a assinar uma peça na qual, de um modo completamente despropositado e ofensivo, decide implicar com veganos e vegetarianos só porque lhe deu na real veneta. À semelhança de outras investidas menos conseguidas no domínio das crónicas de pacotilha que assina, também esta, para não fugir á regra, de novo remete o senhor Quintela para a condição de perdulário ao desperdiçar uma, mais uma, excelente ocasião para estar quieto e calado e assim fazer boa figura.

"Diz que é uma espécie de comediante " porém, eu acho que ele é mais um idiota a juntar a muitos outros que infelizmente por aí abundam.

Silvia Peixe

O Sr. José Quintela anda muito ignorante mesmo.O vegetarianismo é o melhor para o Homem e para todos e não tem nada a ver com religiões, é um hábito alimentar não tradicional.

Paulo Borges 

Confrangedora ignorância...





Gostaria que lessem este artigo excelente de um amigo que é o meu nutricionista/orientador de nutrição vegana e do meu neto, mesmo à distância e nunca tive qualquer problema, pelo contrário, sou vegana e mais saudável hoje do que era porque o meu medicamento é o meu alimento, como disse Hipócrates, o pai da medicina.

Desinformação
Crianças veganas desnutridas e a responsabilidade dos pais
03 de abril de 2011


Por George Guimarães* (da Redação)

A imprensa mundial trouxe ao conhecimento do público no final do mês de março de 2011 a notícia sobre a acusação de homicídio que está sendo levantada contra os pais de uma criança vegana de 11 meses de idade que veio a óbito por desnutrição, o que de fato foi confirmado por meio da autópsia. Segundo a notícia, além de alimentar a filha sem o uso de ingredientes de origem animais, o casal também recusava fazer uso de tratamentos alopáticos, o que teria contribuído para o incidente. O casal já cumpriu quatro meses de prisão provisória e aguarda em liberdade o julgamento.

Essa não é a primeira vez que um casal vegano é responsabilizado pela morte de um filho. No mês de maio de 2007, um casal vegano norte-americano foi condenado pela morte de um bebê de 3 meses por tê-lo alimentado apenas com leite de soja e suco de maçã, privando-o do leite materno, essencial para qualquer recém-nascido independente das escolhas alimentares de seus pais. Sejam os pais vegetarianos, onívoros ou crudívoros, nenhuma dessas escolhas descarta a necessidade do leite materno ou (na impossibilidade desse) a sua substituição por uma fórmula infantil adequada.

Em ambos os casos, apesar de a morte da criança ter sido ocasionada pela irresponsabilidade e desinformação dos pais, e não pela dieta em si, muitas foram as críticas ao veganismo geradas a partir dos fatos. Dentre as repercussões negativas e desinformadas, a mais severa foi sem dúvida a carta ao editor publicada no dia 21 de maio e 2007 no jornal norte-americano The New York Times. No texto, a autora Nina Planck basicamente acusa de serem irresponsáveis todos os pais que oferecem uma dieta vegana aos seus filhos.
Semanalmente, eu atendo crianças vegetarianas em meu consultório. Além disso, eu convivo com a comunidade vegetariana fora do consultório e com isso já tive a oportunidade de conhecer dezenas de crianças vegetarianas. Uma criança tem tanta possibilidade de seguir uma dieta vegetariana quanto um adulto. A viabilidade de uma dieta vegetariana (sem ovos e laticínios) fato já está bem esclarecida.

A dieta vegetariana não apenas é saudável, mas ela também ensina às crianças, desde cedo, hábitos diários que estão imbuídos de compaixão e respeito ao planeta e a outras formas de vida. Também sabemos que ela é cientificamente viável, já que associações dietéticas (não-vegetarianas) internacionais aprovam a dieta vegetariana para qualquer fase da vida, desde que bem planejadas. Não podemos deixar de notar também que uma dieta vegetariana é mais saudável do que a dieta típica ocidental, repleta de gordura saturada, colesterol, alimentos refinados e pobre em fibras. Por que então os irresponsáveis são os pais veganos e não também os onívoros?

Por fim, é interessante notar que a Sra. Nina Planck, autora do artigo no The New York Times, está ligada à Weston Price Foundation, um grupo lobista que se aventura em campanhas contra a soja e contra o veganismo, além de militar em campanhas pró-carne e pró-laticínios. Isso é de certa forma um reconhecimento da força que o vegetarianismo expressa enquanto mercado, ferindo aqueles a quem não interessa ver difundidos hábitos de vida mais saudáveis.
Nessa batalha, a nossa principal arma é a informação. Apesar de falhos, estes argumentos conseguem boa inserção na sociedade por meio da mídia, que é justamente onde precisamos estar atentos. A informação científica sobre o tema é clara: com o devido cuidado e planejamento, a dieta vegetariana (sem ovos e sem laticínios) é perfeitamente viável para crianças de qualquer idade.

O planejamento nutricional é essencial em qualquer estilo alimentar e isso não é um sinal negativo em relação ao veganismo. Para começar, as crianças veganas devem receber aleitamento materno até os seis meses de idade. Se por ventura isso não for possível, apenas fórmulas infantis industrializadas, adequadas a essa fase da vida, devem ser oferecidas ao recém-nascido. A partir do início da alimentação sólida, os nutrientes que merecem atenção em uma dieta vegana infantil são a vitamina B12 (encontrada em alimentos fortificados ou suplementos), o ômega-3 (encontrado no óleo de linhaça), a proteína (encontrada nas leguminosas e nas castanhas), o ferro (abundante nas frutas, vegetais verde-escuros, no melado-de-cana, nas castanhas e nas leguminosas) e o cálcio (encontrado nas mesmas fontes de ferro, basicamente).

Outro ponto importante é a ingestão calórica. Como os vegetais contêm mais água e mais fibras, a saciedade oferecida por uma dieta isenta de produtos de origem animal é maior e com isso a ingestão calórica pode acabar sendo demasiadamente reduzida. O segredo é incluir na dieta os alimentos vegetais mais calóricos (como as castanhas, por exemplo) e não exagerar nas fibras, devendo ser excluídos da dieta vegetariana infantil os farelos e outras fibras adicionadas. Isto garante que a saciedade será acompanhada uma boa densidade calórica e nutricional.

Os estudos científicos apontam que a dieta vegetariana infantil não apenas é possível, mas também muito saudável. Enquanto os pais de crianças vegetarianas devem buscar a informação e orientação adequadas para auxiliá-los no planejamento nutricional de seus filhos, eles devem ao mesmo tempo procurar manterem-se refratários às opiniões baseadas em mitos populares ou interesses daqueles que lucram perdendo de vista a saúde da população.

George Guimarães é nutricionista especializado em dietas vegetarianas

Fonte: ANDA






publicado por Maluvfx às 03:50
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Crónica: O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan
Por José Diogo Quintela

Há duas semanas um casal francês foi condenado a cinco anos de prisão por ter sido considerado responsável pela morte da filha de 11 meses, que morreu de subnutrição. Só bebia leite materno. Sucede que a mãe era vegan e, como tal, a sua dieta não incluía qualquer tipo de produto de origem animal. O leite da mãe não tinha os nutrientes necessários e a bebé acabou por morrer.

Mas os pais podem ir para o cárcere de consciência tranquila, já que durante todo este processo de definhamento de um ser humano indefeso nenhum animal foi molestado. Nenhuma vaca foi ordenhada, nenhum ovo foi surripiado a uma galinha, nenhum porco contribuiu com uma rodela de chouriço para um caldo verde, nenhum memé foi espoliado da sua lã para fazer botinhas. Nenhum animal foi maltratado. Nem sequer o Lobo Mau da história do Capuchinho Vermelho que contavam à bebé. Na versão vegan, o Lobo Mau não morre. Aliás, nem sequer é mau. Mau é o caçador, que a Capuchinho atrai a casa da avozinha para assassinar, empurrando-o para a lareira. A Capuchinho e o Lobo vivem saudáveis para sempre, alimentando-se das deliciosas verduras da sua horta biológica fertilizada com as cinzas do caçador.

Como este caso há muitos, de fácil consulta na Internet. São relatos um bocadinho impressionantes para os mais sensíveis. Aliás, é curioso que pessoas tão esquisitinhas com a comida que ingerem tenham estômago para assistir ao que acontece aos seus filhos malnutridos. Há niquentos e niquentos.

Ao ler sobre isto, é impossível não pensar nas Testemunhas de Jeová, que se recusam a fazer transfusões de sangue e a deixar os seus filhos fazê-las. Acreditam que o seu Deus proíbe as transfusões e que, ao honrar essa proibição, serão recompensados com a vida além da morte. Para quem acredita nela, a vida eterna pode ser algo por que valha a pena recusar uma transfusão. Chega-se ao além um bocadinho mais pálido, mas é uma permuta razoável. Agora, para um vegan, quando recusa a um filho as proteínas e vitaminas de origem animal, do que é que está à espera em troca? De vir a ser, depois de morto, adubo mais puro do que alguém que papou chicha da boa durante a vida?

Dir-me-ão que não se pode comparar o fanatismo religioso com o veganismo. Concordo. Ao pé do veganismo, o fanatismo religioso é praticado por moderados. Se Abraão fosse vegan em vez de hebreu, Isaac tinha sido mesmo sacrificado, apesar de o mensageiro do Senhor dizer que afinal era para sacrificar um carneiro. Apesar, não: especialmente depois de o mensageiro do Senhor dizer isso.

O problema do veganismo não é só a falta de graça da comida. É também uma contradição insanável na lógica da coisa, que impede o movimento de crescer. A transmissão dos ideais vegan é muito difícil porque, à partida, a bem sucedida catequização dos petizes está posta de parte. É um paradoxo: se um pai quer que o filho seja vegan, não o pode criar como vegan, senão arrisca-se a ficar sem prosélito. A melhor maneira de criar uma criança para vir a ser um bom vegan é com bifes e leitinho. O veganismo não tem pernas para andar. Se tem, estão mal nutridas. Direi que é uma pescadinha de rabo na boca. É uma metáfora representativa deste paradoxo e, ao mesmo tempo, uma imagem que chateia os vegan.


Comentário à crónica 'O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan'

Em nome de João Pedro Santos


Para: zdq@zdquintela.com
Cc: publica@publico.pt
Assunto: Comentário à crónica 'O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan'

Caro José Quintela, 
Após ter lido a sua crónica 'O que Maomé não disse do toucinho dizem os vegan' na revista Pública do passado dia 17/04/2011, achei por bem escrever-lhe por ser vegano há 16 anos e por considerar que o retrato que faz dos veganos é errado, fraudulento e decadente.
O Veganismo é uma filosofia de vida que promove em todas as vertentes do consumismo a proteção aos direitos dos animais, sem prejuizo algum da saúde ou bem-estar humanos. Aliás, o valor 'Vida' Animal e Humana acaba por ser o grande referencial que rege a crescente comunidade vegana em Portugal e no mundo.

O facto de ter surgido um caso isolado de negligência parental em França por um casal vegano, não implica de maneira nenhuma ou invalida todos os pressupostos científicos, sociais, económicos, ambientais e humanitários conquistados pelo Veganismo em mais de 50 anos de existência, a nível mundial.

Penso que é triste fazer um retrato tão simplista e conveniente de uma comunidade que está a ser extremamente relevante no combate às alterações climáticas no planeta, no combate à exploração animal e na promoção de um estilo de vida mais salutar e equilibrado, mas compreendo que humorismo não implica justiça ou sabedoria nas palavras que escreve e que os seus gostos pessoais por 'chicha da boa', como refere na sua crónica, entram claramente em conflito com os ideais do Veganismo e Vegetarianismo.

A par disso, é errado misturar Veganismo que não é vinculado a nenhuma religião com o Islamismo ou com as Testemunhas de Jeová. Mas, mais uma vez se depreende os lugares-comuns em que gosta de cair repetidamente nas suas crónicas: comunidades pequenas e não enquadradas na sua realidade burguesa limitada.

Outro aspeto a salientar é o fato de existirem anualmente milhares de casos confirmados de negligência parental em todo o mundo, sem qualquer ligação ao Veganismo, mas nunca ter dado conta do seu interesse por estas questões centrais em qualquer crónica sua.

Por outro lado, associo mais rapidamente a negligência parental ao alcoolismo, que infelizmente abunda em Portugal, e do qual você também é uma vítima pouco inocente, como pude constatar na notícia do dia 02/01/2008 no jornal Público:
http://www.publico.pt/Sociedade/humorista-jose-diogo-quintela-condenado-a-trabalho-comunitario-por-conduzir-alcoolizado_1315435

Espero sinceramente que tenha resolvido a sua questão com o álcool e que a sua filha Rosa não acabe sendo mais uma vítima inocente do alcoolismo em Portugal.
Quanto ao Veganismo, encontra em qualquer Celeiro em Lisboa chicha-non-carne tipo chouriço de soja ou farinheira de soja, que certamente fará o seu extâse culinário, sem a morte ou sofrimento de animais.

Encontra também em Lisboa, uma panóplia fabulosa de restaurantes vegetarianos e étnicos que o podem iniciar no mundo maravilhoso, mas ainda oculto para si, do Veganismo e Vegetarianismo. A sua saúde, o ambiente e os animais irão estar-lhe eternamente gratos, mesmo que apenas inclua um prato semanal vegetariano.

Se precisar de receitas vegetarianas/veganas simples e acessíveis, aconselho-o vivamente este sitio do Centro Vegetariano, onde pode selecionar receitas por ingredientes, dificuldade, tempo de confeção ou ocasião festiva, etc.:
http://www.centrovegetariano.org/receitas/

Abraço vegano,
João Pedro Santos
Lisboa



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Luis Martins 
O Veganismo e o Vegetarianismo são modos de vida que entram em conflito com os padrões tradicionais. A falta de informação do cidadão "comum" acerca destes temas leva-os a dizer asneiras e interpretar mal factos. Mas é preocupante que se comece a associar o Veganismo a certas correntes religiosas. Será mais uma arma de arremesso que estão a fornecer aos detratores do Veganismo, o factor religioso. Infelizmente é bastante vulgar vêr na comunidade vegan argumentos religiosos a tentar justificar o que só a Ètica pode fazer de forma universal. A introdução de argumentos religiosos só prejudica a divulgação do Veganismo e a prova disso está neste artigo.


A religiosidade de cada um é algo de pessoal. Todos tem o direito de acreditar naquilo que sentem ser a sua fé. Mas transpor essa fé para a argumentação duma filosofia (Veganismo) que é universal, que é comum a pessoas de todas as classes, de todas as raças, crentes e não crentes, é um factor que serve para criar divisões, e pior que isso, é um factor que é usado pelos que nem sequer sabem o que é para tecer criticas.
Respeitar todos os seres vivos é perfeitamente explicavel duma perspectiva Humana, racional, e lógica. Não fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós, entender que as nossas acções causam sofrimento desnecessário, compreender o que os outros sentem, são factos bem reais, culturais, filosoficos e morais que todos podem aprender e reconhecer sem entraves de qualquer especie.



Helena Avelar 

Muito bem respondido! Adorei o comentário sobre alcoolismo... ;) E o da "realidade burguesa limitada" está demais - e é tão verdadeiro!... :?
Agora, tenho também de concordar que por vezes surgem, associados ao veganismo, certos elementos de postura fanática que em nada favorecem a causa. As atitudes intransigentes e proselististas não atraem as pessoas, afastam-nas. Como disse o Luís no comentário anteiror (e muito bem!) é a Ética pode justificar estas escolhas. E essa é universal.


M De Lourdes Carapelho 
Ele pensou que estava a escrever uma crónica humorista.... será?
Então, cá pra mim tem os dias contados. Tão novinho e com uma mentalidade tããão medieval. Qualquer dia fazem perseguições aos veganos quais bruxas do séc. XV tal como querem "crucificar" todos os vegan@s devido ao acontecimento do casal francês, como se os casais e famílias omnívoras não fossem abusadores, negligentes e violentos com os seus filhos. Mas desses não vejo parangonas nem são sequer julgados pelos seus actos.
Será que alimentar os filhos SÓ com comida "plástica", processada e industrializada, responsável pela obesidade quase mórbida das crianças ainda em idade pré-escolar NÃO É CRIME???
Ou mudam as mentalidades ou são obrigados a mudar.... Não mudam com Amor, mudam pela dôr!!!
leiam os artigos - http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/utentes/obesidade/23_de_maio_-_dia_nacional_da_luta_contra_a_obesidade
http://www.adexo.pt/2004.html

Tenho que arranjar uma maneira de o calar de vez e obrigar a retratar-se e pedir desculpa aos milhares de vegan@s!!!
Pensa que tem graça?? Engana-se!

Consegui arranjar em papel. Uma pérola da ignorância de um humorista armado em "doutor".
Quando é que pessoas que se acham "vedetas" e com direito de opinião pública se abstém de comentar em relação a assuntos os quais desconhecem completa e totalmente!
Tal como existem falsos profetas também existem falsos geradores de opinião que pensam ter o direito de comentar, na sua ignorância, temas que os ultrapassa.
Sempre ouvi dizer, cada macaco em seu galho, mas os portugueses pensam que podem falar de tudo e fazer de tudo para o qual não tem as minimas competencias!!!
Por isso somos muito bons a fazer asneiras...

Veganismo é mais do que uma opinião, é uma "cultura" que se aprende, e como diz o Poeta, "Primeiro estranha-se, depois entranha-se..."
Não é vegano quem quer, é quem pode e sabe abraçar de alma e coração uma filosofia de vida que ultrapassa uma mudança na alimentação, é uma mudança de mentalidades.
O veganismo é uma paixão motivada pela ética, pela compaixão e respeito aos Direitos dos Animais não humanos.

Mauricio Pereira 

já havia dito no forum "Vegetarianismo / Veganismo e Direitos dos Animais" que na volta José Diogo Quintela estaria sob o efeito do álcool quando fez esta crónica!
Isto após ler esta resposta.
Agora que finalmente li a crónica do José Diogo Quintela posso afiançar que, seguramente, estava sob o efeito do álcool

Luis Aires d'Almeida 

José Diogo Quintela, um pobre coitado, magicamente arrancado da sua dormente e insignificante existência, vê-se de súbito projectado para a por demais "incómoda" condição de "vedeta" com a sua participação no programa Gato Fedorento onde, tal como Miguel Góis e Tiago Dores, sobrevive à sombra do inegável talento de Ricardo Araújo Pereira. Com o advento da fama, seguem-se as campanhas publicitárias, com especial relevo para os anúncios da MEO nos quais, e mais uma vez, não é difícil perceber que o senhor Quintela continua igual a ele próprio ou seja, um simples gato fedorento. Com o aparecimento de novas oportunidades, chegaram também novas exigências e nesse domínio, foi visível o esforço feito pelo "famoso" no sentido de melhorar a sua imagem televisiva de modo a deixar de ser conhecido como "o gordo", apodo vulgarmente usado por todos quantos, desconhecendo o seu nome, a ele se referiam nos primórdios da sua meteórica ascensão a "figura pública". Infelizmente, se a perda de uns quilitos supérfluos contribuiu em grande parte para melhorar a sua abalada auto-estima, há quem garanta que a mesma terá de igual modo contribuído para agravar a dilatação do seu inflamado ego, responsável pelas crises de flatulência pseudo-intelectual que ultimamente o têm acometido. Por último, e a fazer justiça à prática que dita que a uma "figura pública" emergente são garantidas todas as oportunidades, ei-lo como membro do júri no concurso televisivo Portugal Tem Talento, a falar daquilo que menos entende e por conseguinte, a abandonar de quando em vez o estatuto de "figura pública" para abraçar por momentos a deprimente condição de "figura triste". Enfim, será este entre outros, o preço a pagar por todos quantos ajudam a criar estas vedetas feitas à pressão, próprias de um país pequenino onde a maioria dos "famosos" aparecem como a mousse instantânea ou seja, basta juntar água.
José Diogo Quintela, muito embora com algumas diferenças positivas relativamente à maioria dos labregos inexplicavelmente elevados à condição de famosos, acaba todavia por se enquadrar no mesmo grupo quando, por via da presunção e da vaidade, quer à viva força deixar de ser sapateiro e por assim dizer, ir além da chinela. Este senhor, por inerência do tipo de programas nos quais participou, terá adquirido a falsa ideia de que depois do "Gato Fedorento" só mesmo o Dilúvio, e que por isso mesmo não existem limites nem barreiras que se oponham á sua crítica mordaz, irónica, inconveniente e por vezes ofensiva. Só assim se compreendem as razões que desta feita o terão levado a assinar uma peça na qual, de um modo completamente despropositado e ofensivo, decide implicar com veganos e vegetarianos só porque lhe deu na real veneta. À semelhança de outras investidas menos conseguidas no domínio das crónicas de pacotilha que assina, também esta, para não fugir á regra, de novo remete o senhor Quintela para a condição de perdulário ao desperdiçar uma, mais uma, excelente ocasião para estar quieto e calado e assim fazer boa figura.

"Diz que é uma espécie de comediante " porém, eu acho que ele é mais um idiota a juntar a muitos outros que infelizmente por aí abundam.

Silvia Peixe

O Sr. José Quintela anda muito ignorante mesmo.O vegetarianismo é o melhor para o Homem e para todos e não tem nada a ver com religiões, é um hábito alimentar não tradicional.

Paulo Borges 

Confrangedora ignorância...





Gostaria que lessem este artigo excelente de um amigo que é o meu nutricionista/orientador de nutrição vegana e do meu neto, mesmo à distância e nunca tive qualquer problema, pelo contrário, sou vegana e mais saudável hoje do que era porque o meu medicamento é o meu alimento, como disse Hipócrates, o pai da medicina.

Desinformação
Crianças veganas desnutridas e a responsabilidade dos pais
03 de abril de 2011


Por George Guimarães* (da Redação)

A imprensa mundial trouxe ao conhecimento do público no final do mês de março de 2011 a notícia sobre a acusação de homicídio que está sendo levantada contra os pais de uma criança vegana de 11 meses de idade que veio a óbito por desnutrição, o que de fato foi confirmado por meio da autópsia. Segundo a notícia, além de alimentar a filha sem o uso de ingredientes de origem animais, o casal também recusava fazer uso de tratamentos alopáticos, o que teria contribuído para o incidente. O casal já cumpriu quatro meses de prisão provisória e aguarda em liberdade o julgamento.

Essa não é a primeira vez que um casal vegano é responsabilizado pela morte de um filho. No mês de maio de 2007, um casal vegano norte-americano foi condenado pela morte de um bebê de 3 meses por tê-lo alimentado apenas com leite de soja e suco de maçã, privando-o do leite materno, essencial para qualquer recém-nascido independente das escolhas alimentares de seus pais. Sejam os pais vegetarianos, onívoros ou crudívoros, nenhuma dessas escolhas descarta a necessidade do leite materno ou (na impossibilidade desse) a sua substituição por uma fórmula infantil adequada.

Em ambos os casos, apesar de a morte da criança ter sido ocasionada pela irresponsabilidade e desinformação dos pais, e não pela dieta em si, muitas foram as críticas ao veganismo geradas a partir dos fatos. Dentre as repercussões negativas e desinformadas, a mais severa foi sem dúvida a carta ao editor publicada no dia 21 de maio e 2007 no jornal norte-americano The New York Times. No texto, a autora Nina Planck basicamente acusa de serem irresponsáveis todos os pais que oferecem uma dieta vegana aos seus filhos.
Semanalmente, eu atendo crianças vegetarianas em meu consultório. Além disso, eu convivo com a comunidade vegetariana fora do consultório e com isso já tive a oportunidade de conhecer dezenas de crianças vegetarianas. Uma criança tem tanta possibilidade de seguir uma dieta vegetariana quanto um adulto. A viabilidade de uma dieta vegetariana (sem ovos e laticínios) fato já está bem esclarecida.

A dieta vegetariana não apenas é saudável, mas ela também ensina às crianças, desde cedo, hábitos diários que estão imbuídos de compaixão e respeito ao planeta e a outras formas de vida. Também sabemos que ela é cientificamente viável, já que associações dietéticas (não-vegetarianas) internacionais aprovam a dieta vegetariana para qualquer fase da vida, desde que bem planejadas. Não podemos deixar de notar também que uma dieta vegetariana é mais saudável do que a dieta típica ocidental, repleta de gordura saturada, colesterol, alimentos refinados e pobre em fibras. Por que então os irresponsáveis são os pais veganos e não também os onívoros?

Por fim, é interessante notar que a Sra. Nina Planck, autora do artigo no The New York Times, está ligada à Weston Price Foundation, um grupo lobista que se aventura em campanhas contra a soja e contra o veganismo, além de militar em campanhas pró-carne e pró-laticínios. Isso é de certa forma um reconhecimento da força que o vegetarianismo expressa enquanto mercado, ferindo aqueles a quem não interessa ver difundidos hábitos de vida mais saudáveis.
Nessa batalha, a nossa principal arma é a informação. Apesar de falhos, estes argumentos conseguem boa inserção na sociedade por meio da mídia, que é justamente onde precisamos estar atentos. A informação científica sobre o tema é clara: com o devido cuidado e planejamento, a dieta vegetariana (sem ovos e sem laticínios) é perfeitamente viável para crianças de qualquer idade.

O planejamento nutricional é essencial em qualquer estilo alimentar e isso não é um sinal negativo em relação ao veganismo. Para começar, as crianças veganas devem receber aleitamento materno até os seis meses de idade. Se por ventura isso não for possível, apenas fórmulas infantis industrializadas, adequadas a essa fase da vida, devem ser oferecidas ao recém-nascido. A partir do início da alimentação sólida, os nutrientes que merecem atenção em uma dieta vegana infantil são a vitamina B12 (encontrada em alimentos fortificados ou suplementos), o ômega-3 (encontrado no óleo de linhaça), a proteína (encontrada nas leguminosas e nas castanhas), o ferro (abundante nas frutas, vegetais verde-escuros, no melado-de-cana, nas castanhas e nas leguminosas) e o cálcio (encontrado nas mesmas fontes de ferro, basicamente).

Outro ponto importante é a ingestão calórica. Como os vegetais contêm mais água e mais fibras, a saciedade oferecida por uma dieta isenta de produtos de origem animal é maior e com isso a ingestão calórica pode acabar sendo demasiadamente reduzida. O segredo é incluir na dieta os alimentos vegetais mais calóricos (como as castanhas, por exemplo) e não exagerar nas fibras, devendo ser excluídos da dieta vegetariana infantil os farelos e outras fibras adicionadas. Isto garante que a saciedade será acompanhada uma boa densidade calórica e nutricional.

Os estudos científicos apontam que a dieta vegetariana infantil não apenas é possível, mas também muito saudável. Enquanto os pais de crianças vegetarianas devem buscar a informação e orientação adequadas para auxiliá-los no planejamento nutricional de seus filhos, eles devem ao mesmo tempo procurar manterem-se refratários às opiniões baseadas em mitos populares ou interesses daqueles que lucram perdendo de vista a saúde da população.

George Guimarães é nutricionista especializado em dietas vegetarianas

Fonte: ANDA






publicado por Maluvfx às 03:50
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Terça-feira, 1 de Junho de 2010
Movimento verde? Ecologia da boca para dentro!
Angelica Nicoletti
Foto: Divulgação
 Expert no assunto, o empresário e nutricionista George Guimarães. Foto: Divulgação
Em tempos de propostas ecologicamente corretas, tem havido destaque para questões veganas, que consiste na não ingestão de alimentos e consumo de produtos de procedência animal. Expert no assunto, o empresário e nutricionista George Guimarães fala sobre esse estilo de vida que vem ganhando popularidade entre os jovens e interessados em busca de qualidade de vida.



Quais são as principais diferenças entre o vegetariano e o vegano? 
O termo correto para o que é conhecido como vegetariano é protovegetariano, referindo-se àqueles que consomem não apenas vegetais, mas também ovos e laticínios, ou seja, são pessoas que são ‘quase’ vegetarianas. Já a aplicação correta do termo vegetariano é, portanto, a uma pessoa que não consuma qualquer ingrediente de origem animal. Quando a pessoa vai além da alimentação e também exclui do seu modo de vida outros produtos animais como o couro, a lã, a seda, os cosméticos que contenham ingredientes animais ou que tenham sido testados em animais, dá-se a ele a classificação de vegano.


Aliás, se uma pessoa vegana não usa nada de procedência animal, se ele tiver de entrar em um carro com banco de couro, ele entrará?
Sim, um vegano entraria em um automóvel com banco de couro, pois isso não caracteriza consumo. Mas uma pessoa ques egue o movimento não compraria um automóvel com banco de couro, pois nesse caso estaria fomentando essa indústria uma vez que destinou o seu dinheiro a ela.


Quais são as principais celebrities veganas no mundo e no Brasil? 
Não temos celebridades veganas no Brasil. No exterior são muitas. Um exemplo é o músico Moby, que esteve em turnê no Brasil durante o mês de abril. Outros nomes são Alicia Silverstone, Pamela Anderson, Chrissie Hynde, Paul McCartney, Heather Mills, Joaquin Phoenix, Natalie Portman. Essas personalidades ajudam muito na divulgação da filosofia vegana, mas não podemos dizer que são as principais divulgadores, já que existem no mundo centenas de organizações e milhares de ativistas trabalhando para difundir a mensagem.


Há dados sobre a adesão ao movimento vegano? 
Não temos esse tipo de estatística no Brasil. Nos Estados Unidos, pesquisa do Vegetarian Resource Group aponta que 1% da população do país declara adotar um modo de vida vegano.


Qual é a faixa etária predominante dos veganos. Por quê? 
Essa mesma pesquisa aponta que os universitários e as mulheres entre 20 e 30 anos representam a maior fatia de adesão ao veganismo. Isso se justificaria por ser a fase da vida na qual as pessoas estão mais abertas a mudanças e, no segundo caso, mais preocupadas com a saúde.


E no Brasil?
Por meio de observação, eu diria que a maioria é formada por jovens entre 15 e 25 anos de idade. Muitos podem se inspirar no veganismo para seguir os colegas, mas isso é uma oportunidade de conhecer os argumentos, o que fortalece a probabilidade de darem continuidade à escolha.
É verdade ou mito que algumas vitaminas só são encontradas em alimentos de procedência animal?
A única vitamina que é exclusiva dos produtos de origem animal é a vitamina B12. Todos os demais nutrientes essenciais à nutrição podem ser obtidos com uma alimentação baseada exclusivamente em alimentos vegetais.




Confira entrevista em vídeo, aqui!
Fonte


publicado por Maluvfx às 13:28
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Domingo, 9 de Maio de 2010
Moby no VEGETHUS e interação com o VEDDAS

O DJ e produtor musical Moby, que é vegano (não consome qualquer produto que seja derivado de animais), esteve em turnê pelo Brasil entre os dias 18 e 24 de abril, passando por Brasília, Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Por todas as cidades por onde passou, Moby e sua equipe visitaram os restaurantes vegetarianos e veganos que lhes foram recomendados pela NUTRIVEG www.nutriveg.com.br ) que deu apoio na orientação da alimentação do astro durante a sua turnê pelo Brasil.
 

Durante a sua estada em São Paulo, que durou da tarde de quinta-feira até o almoço de sábado, Moby fez as suas 5 refeições na unidade Consolação do VEGETHUS Restaurante Vegano ( www.vegethus.com.br ), onde se reuniu com George Guimarães, proprietário e ativista pelos direitos animais, para conversar sobre o movimento pelos direitos animais no Brasil e no mundo.


É impossível deixar de notar e comentar sobre a simpatia e receptividade do músico com aqueles que compartilham dos mesmos ideais que o dele. Moby sempre usa a sua exposição para divulgar a causa pelos direito animais. Exemplo disso é o álbum lançado em 1996 intitulado Animal Rights.


O relacionamento com Moby teve início em 2006 durante uma conferência sobre direitos animais realizada em Washington, DC, o que possibilitou essa oportunidade de encontro durante a visita ao Brasil.


Na sexta-feira, dia do show em São Paulo, Moby reuniu-se com ativistas do VEDDAS www.veddas.org.br ) que compartilham com ele a mesma causa.




publicado por Maluvfx às 13:13
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Terça-feira, 20 de Abril de 2010
Programa Login da TV Cultura

Ser vegetariano, por quê? Para debater o tema de hoje chamamos George Guimarães, Lucínia de Campos e Anny Atti.

Assista o programa na íntegra, clique aqui. O programa foi ao ar ontem, segunda, 20/abril/2010.

A discussão foi quente, como não poderia deixar de ser.

via Vista-se


publicado por Maluvfx às 15:32
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Sábado, 17 de Abril de 2010
Divulgação do Vegetarianismo nos midea
Conscientização veg(etari)ana e feijoada vegana na Band

A Band, há alguns meses, divulgou uma reportagem sobre o veganismo, dando as noções básicas sobre esse estilo de vida ético. Agora (hoje ou ontem) ela trouxe algo que vai mais além: um pouco sobre veganismo e explicações de George Guimarães sobre a pecuária e o consumo de carne (e outros derivados animais).
Só que George Guimarães cai na falha de dizer que para ser vegan@ basta retirar os animais apenas da alimentação.


Band fala de vegan@s
Aos poucos o veganismo vai sendo revelado à sociedade, divulgando-se nossos hábitos e princípios éticos. Obrigado à Band por ter contribuído para nos tirar da obscuridade.
Só me queixei que o repórter pronuncia "vegã", quando a pronúncia certa é "vígan" (mas alguns/as dizem que é "végan"). E, pelo jeito que a reportagem aborda @s vegan@s, parecemos uma exótica novidade de tribo urbana.
Arauto da Consciência



publicado por Maluvfx às 21:04
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Quinta-feira, 15 de Abril de 2010
IMPORTANTE: Debate ao vivo na Tv Cultura nesta segunda


Nessa segunda-feira, 19 de abril de 2010, às 19h, o presidente do VEDDAS, nutricionista George Guimarães, participará de um debate ao vivo no programa Login da TV Cultura, do qual participará também a nutricionista do Serviço de Informação da Carne: SIC.
O site do programa, que tem reprise no mesmo dia às 2 da manhã, é http://tvcultura.com.br/login
Os internautas sao convidados a interagir com o programa através dos canais disponíveis no site. O programa vai ao ar pela TV aberta para todo o país.
Vista-se


publicado por Maluvfx às 22:18
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Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010
Como NÃO ser vegetariano/a, segundo a Globo

Não é sempre que a TV Globo traz reportagens manipuladas, como foi o feliz caso dos restaurantes veganos*, mas muitas de suas notícias são tão parciais e manipuladas que temos a impressão de que a manipulação jornalística lhe é uma necessidade, para não perder patrocinadores e para evitar induzir @s telespectadoræs a pensar o suficiente para largar a televisão ou pelo menos a emissora.

Numa época de avanços dos Direitos Animais e do vegetarianismo, a emissora prestou mais um de seus desserviços ao taxar o vegetarianismo de algo "que inspira muito cuidado". O vegetarianismo que a emissora abordou não é algo livre de crueldade nem é nutricionalmente sustentável.
Vejam a lamentável reportagem que a emissora divulgou no Jornal Hoje no último dia 14 sobre como não ser um/a vegetarian@ segur@ de seu hábito alimentar.


Resumo da reportagem -- vegetarianismo segundo a Globo:

Você seria capaz de adotar o vegetarianismo como hábito alimentar? Pense bem... O vegetarianismo é um hábito alimentar que inspira muita cautela, uma vez que a carne é uma preciosíssima e quase imprescindível fonte de nutrientes.


Para ser um/a "vegetarian@" saudável, continue consumindo leite e ovos. E nem assim há segurança porque a carne tem bem mais nutrientes do que a alimentação vegetariana. Se você é grávida ou uma criança ou adolescente, cuidado! O vegetarianismo é um risco para você!


Você, mesmo que ainda não boicote produtos testados em animais, é vegan@? Cuidado, tome suplementos (a reportagem não mostra que suplementos são esses) senão a falta de B12 irá destruir você!


A família de Fulana foi obrigada por ordem médica a parar o vegetarianismo. Sua família passou a ser mais feliz voltando a comer carne.


Você é vegetarian@? Azar o seu, só lamento.

A reportagem inspirou mais medo do que segurança em quem está tentando o vegetarianismo. Bem ao estilo "se você tomar uma vida de consciência, será terrível para você". Repararam também que não foi entrevistad@ nenhum/a especialista em alimentação vegetariana?

Obrigado, Globo, por mais uma reportagem tendenciosa, por mais uma tentativa de sabotar os avanços da nova consciência, por preferir plantar e regar a alienação e a falta de consciência em sua audiência.

Você leitor/a, desinfete-se da influência negativa trazida pela Globo. Entre no site da Nutriveg, consultoria em nutrição vegetariana, ou procure @ nutricionista respeitador/a do vegetarianismo mais próxim@ de você.


*Curiosidade: a reportagem dos restaurantes veganos foi ao ar no programa Pequenas Empresas, Grandes Negócios, às 7h25 da manhã (6h25 em estados sem horário de verão).



Robson Fernando
Consciência Efervescente


publicado por Maluvfx às 22:05
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Reflexão "Dieta Vegana"
Resposta à reportagem “A moda do vegetarianismo – e seus riscos” publicada pela Revista Época


A reportagem “A moda do vegetarianismo – e seus riscos” publicada pela revista Época online em 28/11/2008, traz algumas afirmações que carecem de informação correta e outras que propõem meias soluções como se fossem soluções completas.

A reportagem afirma que o consumo de proteínas animais é fator de risco para a ocorrência de doenças cardiovasculares, apontando o seu conteúdo de colesterol como um dos responsáveis. Em seguida, a matéria apresenta a recomendação do médico nutrólogo para ingerir carnes vermelhas duas ou três vezes por semana, intercalando com carnes brancas.

Em primeiro lugar, algumas carnes brancas contêm mais colesterol do que as carnes vermelhas, podendo portanto serem piores para esse efeito. Além disso, se o vilão apontado é o consumo de “proteína animal”, o melhor resultado será obtido eliminando por completo o consumo desse produto e não o reduzindo de maneira conservadora.

Novamente, a reportagem cita uma afirmação do médico nutrólogo onde ele recomenda aos vegetarianos aspirantes para consumirem ovos e laticínios para que não fiquem “sem as proteínas animais presentes nas carnes”, estando implícito aqui que a proteína de origem animal seria essencial à nutrição humana, o que não é fato. Ademais, a recomendação para incluir ovos e laticínios na dieta vegetariana limita os benefícios para a saúde cardiovascular que poderiam ser obtidos com uma dieta vegana (vegetariana completa).

O erro mais grave, no entanto, está na afirmação de que a dieta vegana (vegetarianismo restrito), ou a “falta de proteínas animais”, seria contra-indicado para crianças e adolescentes com menos de 18 anos, sob o risco de prejudicar o crescimento e desenvolvimento da criança e causar alterações funcionais nos órgãos.

É fato que as carências nutricionais podem levar ao que foi descrito, mas não é fato que uma dieta vegetariana restrita seja uma dieta com carências nutricionais. Algumas associações dietéticas internacionais já se posicionaram sobre o tema da alimentação vegetariana infantil e não há restrição para a adoção de uma dieta vegana, desde que essa seja bem orientada e suplementada com a vitamina B12. Estudos científicos também corroboram o fato de que crianças e adolescentes podem adotar uma dieta vegana. Os poucos estudos que mostram resultados negativos no crescimento e desenvolvimento de crianças veganas são aqueles onde a população não faz uso de suplementação com a vitamina B12 ou onde prevalece um grau de desnutrição que atinge não apenas a população vegetariana, mas toda a população da região ou grupo estudado.

Em minha prática como nutricionista, dedico-me exclusivamente ao atendimento de pacientes vegetarianos, muitos deles crianças, adolescentes e inclusive gestantes. Seguindo o que é atestado por associações dietéticas de renome e por publicações científicas, os meus pacientes se mostram muito saudáveis, especialmente quando bem orientados.

Uma criança pode adotar uma dieta vegetariana ou vegana desde o nascimento, desde que haja o devido planejamento nutricional, o que é essencial em qualquer estilo alimentar, não sendo essa necessidade de planejamento exclusiva ao veganismo. Os nutrientes que merecem atenção em uma dieta vegana infantil são a vitamina B12 (encontrada em alimentos fortificados ou suplementos), o ômega-3 (encontrado no óleo de linhaça), a proteína (encontrada nas leguminosas e nas castanhas), o ferro (abundante nas frutas, vegetais verde-escuros, no melado-de-cana, nas castanhas e nas leguminosas) e o cálcio (encontrado nas mesmas fontes de ferro citadas).

Sugiro à reportagem da revista Época que escolha as suas fontes para compor as matérias, pois no caso da reportagem em questão faltou a informação tanto para a jornalista responsável quanto para o profissional consultado. Coloco-me à disposição para fornecer quaisquer informações adicionais a que possam se interessar.

Dr. George Guimarães
Nutricionista especializado em dietas vegetarianas
Nutriveg
E-mail

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Vegetarianismo é moda? Comentários sobre a reportagem da Época.

Em 28 de Novembro de 2008 a Revista Época publicou artigo intitulado “A moda do vegetarianismo e seus riscos”.

Não foi uma matéria apronfundada sobre o assunto, mas em poucos parágrafos o jornalista e o endocrinologista consultado cometeram uma série de equívocos.

A primeira injustiça foi comparar vegetarianismo com “moda”. O fato de estar em evidência não transforma um assunto necessariamente em moda (e o sentido do termo, aqui, é perjorativo, como uma mania passageira). Vegetarianismo é verdadeiramente uma escolha alimentar, podendo também ser um estilo de vida e uma escolha filosófica.
Infelizmente, no Brasil - em descompasso com o resto do mundo - vegetarianismo e veganismo são tratados como “dietas de emagrecimento” (e um vegetariano sem restrição calórica não emagrece) ou mera “moda” por nossos Conselhos Regionais de Nutrição ou Medicina (que se recusam a emitir pareceres sobre o assunto), quando na verdade derivam de anos e anos de tradição na história da humanidade (imemorável no Oriente, remontando a Pitágoras no Ocidente) e diversos estudos sobre o assunto.
Já o veganismo existe organizadamente desde 1944 (embora já existissem vegetarianos que recusassem ovos e leite na alimentação, apenas não eram destacados do grupo), sendo que o fundador da British Vegan Society, Donald Watson, morreu recentemente aos 95 anos, em ótimo estado físico e mental, após 65 anos de veganismo (e não se trata de um clube fechado com seguidores e muito menos hierarquia).
Se o assunto está cada vez mais em pauta, isso se deve ao esforço de seus adeptos em tirar das sombras o que antes era tido como uma escolha alimentar, pessoal e de foro íntimo. Fazemos essa escolha por uma série de razões e gostamos de discutí-las porque realmente acreditamos que nossas decisões influenciam no destino dos animais, do meio ambiente, da agricultura, do clima, da distribuição de alimentos, entre outros.


O segundo erro é, de fato, um conjunto:
  • a) a afirmação de que o veganismo não é adequado a crianças
  • b) que a falta de “proteína animal” poderia acarretar algum problema no desenvolvimento das mesmas.
  • c) que crianças veganas demandam um acompanhamento alimentar mais direto do que o acompanhamento de crianças em geral
  • d) que a suplementação de B12 é um problema (assunto polêmico ante evidências em contrário, mas cientificamente assume-se que é necessário nas dietas veganas)
  • e) uma incorreta afirmação de que a soja é o substituto por excelência da carne, e mesmo assim incompleta.


A ADA (Associação Americana de Dietética, em conjunto com Nutrólogos do Canadá) elaborou em 2003 documento afirmando que sem dúvida alguma que dietas veganas bem planejadas (como qualquer dieta equilibrada deveria ser) são adequadas a qualquer fase da vida, com qualquer nível de atividade física. Isso inclui toda a infância e adolescência, gravidez, lactação, velhice e também atletas de alta performance.

Tal documento também afirma que, ante as evidentes vantagens para a saúde humana, os profissionais de nutrição têm a responsabilidade de apoiar e encorajar todos os que manifestem o desejo em adotar esse tipo de dieta. Entre os benefícios (que constam no documento pormenorizadamente): a redução do índice de obesidade, menor incidência de doenças cardiovasculares, menor incidência de osteoporose, menor incidência de doenças renais, menor incidência de demência, artrite reumatóide, etc.

O contéudo desse relatório, em inglês, assim como seu complemento, podem ser consultados nos links abaixo:
www.eatright.org
www.dietitians.ca

Ainda, indico a leitura do livroAlimentação sem Carne do médico nutrólogo brasileiro Eric Slywitch e, sendo um profissional da área, verificação da vasta bibliografia que o acompanha. O livro fala com propriedade sobre macro e micro nutrientes na Dieta Vegetariana, ajudando no planejamento do cardápio e dando segurança a seus adeptos. Do mesmo autor, aliás, temos o texto publicado na Revista Diálogo Médico, falando especificamente sobre pediatria e vegetarianismo.

Por fim, em consulta ao USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, responsável pela elaboração da pirâmide alimentar contida em www.mypyramid.gov), encontramos diversas referências ao VRG (Vegetarian Ressource Group).

Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos dedicada ao estudo nutricional do vegetarianismo e veganismo, reunindo e também produzindo material sobre o assunto. Recomendo fortemente as seguintes páginas (também em inglês): www.vrg.org/nutrition/ , www.vrg.org e www.vrg.org/family

Num mundo em que grávidas em geral tomam suplemento de ácido fólico, crianças em geral suplementam ferro e cálcio, farinhas são adicionadas de ferro, sal é adicionado de iodo, laticínios têm que ser enriquecidos com vitamina D, comida industrializada infantil é adicionada de vitaminas ao invés de se incentivar hábitos saudáveis e pessoas em geral tomam polivitamínicos porque não têm confiança na sua própria alimentação (muitas vezes sem indicação médica e até gerando graves desequilíbrios), a indicação de suplementação de vitamina B12 dentro de um cardápio vegano planejado não deveria ser visto jamais como um problema e sim como uma indicação direcionada dentro de uma dieta que como um todo traz muito mais vantagens (seja em termos de direitos animais, seja ambientais, seja pelos benefícios à saúde). Suplementação que pode ser feita anualmente, por injeção intramuscular, ou diariamente com a inclusão de alimentos enriquecidos (cereais matinais, por exemplo). Aliás, a origem de todo suplemento sintético de vitamina B12 é microbiana e não animal.

No mais, questiono fortemente a afirmada necessidade de “proteínas de origem animal”, já que as necessidades proteicas em qualquer idade se atingem com a adequação de calorias e um mínimo de variedade vegetal. Adotando-se o PDCAAs (Protein Digestibility Corrected Amino Acid score, índice atualmente recomendado pela FAO/OMS, inclusive em substituição ao antigo “valor biológico”) verifica-se que a combinação de leguminosas (ou oleaginosas) e cereais integrais continua sendo uma ótima alternativa para ingestão de proteínas, assim como o grão de bico, o feijão branco, etc. Obtendo-se todos os aminoácidos essenciais a partir dos vegetais, não há porque se falar em “proteína animal” como uma necessidade. E um mínimo de variedade vegetal, alcançando-se a necessidade calórica diária, supre a necessidade de proteína diária, estando essa questão ultrapassada há muito tempo.

O comentário sobre a soja, por exemplo, está correto na conclusão (não se deve simplesmente substituir um pelo outro, até porque a soja não precisa ser incluída em uma dieta vegetariana/vegana se não se desejar), mas completamente equivocado na premissa (isso acontece pela questão dos micronutrientes, não das proteínas; além disso, deve-se realmente evitar o excesso de soja, e dentre os derivados há melhores e piores opções).

Quanto a cuidar dos detalhes da alimentação infantil, qualquer criança com orientação pediátrica deveria ter esse cuidado observado pelos pais. Comendo carne ou não. Porque crianças criadas a base de fast food, bolachas, frituras, “petit suisse” e outros produtos lotados de gordura, açúcar, corantes e conservantes certamente terão deficiências sérias também (com o risco de serem obesas com a chamada “fome oculta”/deficiência marginal), sem contar os recentes estudos relacionando corantes e conservantes largamente utilizados na indústria em distúrbios como a hiperatividade (vide ).

A verdade é que pra se conseguir uma alimentação equilibrada, o cuidado - comendo carne ou não - é o mesmo. Infelizmente o que vemos nessa matéria, mais uma vez, é um parecer do vegetarianismo/veganismo baseado na pirâmide alimentar tradicional e não em suas características próprias, incluindo toda a variedade de cereais, leguminosas, oleaginosas, sementes, frutas, tubérculos, legumes, verduras, algas, cogumelos e especiarias, além de óleos e açúcares com moderação e qualidade selecionadas.

A matéria, da maneira como editada, certamente afasta indevidamente novos adeptos e desencoraja mães e pais a incentivarem desde a tenra infância e adolescência esse ótimo hábito alimentar.

Aos leitores desse site, tirem suas conclusões não apenas com base no argumento de autoridade de um único endocrinologista, mas em uma série de estudos sobre o assunto (muitos indicados aqui mesmo).


Abraços a todos e até a próxima.
Renata Octaviani Martins
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A moda do vegetarianismo – e seus riscos

Entenda quais são os perigos e como é possível manter uma vida saudável com uma dieta exclusivamente vegetariana

Quando deu uma entrevista à ONG Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), em abril, o ex-Beatle Paul McCartney causou furor. Segundo ele, uma das principais medidas que uma pessoa pode tomar para ajudar a combater o aquecimento global, e por tabela o sofrimento dos animais, alvo do Peta, é se tornar vegetariano. Para McCartney, as quantidades de água e terra usadas na produção de carne tornam a pecuária uma das maiores culpadas pelas mudanças climáticas. Como o músico, muitas outras celebridades, como os atores Richard Gere e Brad Pitt, por exemplo, têm adotado o vegetarianismo, um tipo de mudança de hábito que vem crescendo, como comprova o número cada vez maior de produtos vegetarianos que aparecem nos supermercados e de restaurantes naturais – alguns de chefs renomados – que são montados nas cidades brasileiras.

Para deixar de lado a carne vermelha, considerada a maior vilã tanto em termos de danos ao ambiente quanto de saúde, e outras carnes, no entanto, é preciso ter cuidado para não desequilibrar a alimentação. "O importante é saber que tanto quem come carne quanto os vegetarianos podem ter problemas de saúde por conta de deficiências na alimentação", diz o endocrinologista e nutrólogo João César Castro Soares, da Universidade Federal de São Paulo. Segundo ele, o aumento do número de produtos e restaurantes naturais reflete uma quantidade crescente de pessoas que optam por uma dieta vegetariana, ou parcialmente vegetariana. "As pessoas evocam filosofia de vida, questões culturais e religiosas e medo de doenças cardiovasculares para reduzir o consumo de carne", diz.

FAMOSOS
Vegetarianos convictos, o ator de Hollywood Richard Gere (à esq.)
 e o ex-Beatle Paul McCartney fazem lobby por esse tipo de
comportamento para salvar o planeta

Quem não liga para o destino do gado ou para o aquecimento global tem nas doenças cardiovasculares um motivo para diminuir a ingestão de carne vermelha. Responsáveis pela morte de 32% dos homens e 27% das mulheres, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde em outubro, as doenças cardiovasculares têm entre suas causas o acúmulo de acido úrico e colesterol, gerados pelo consumo em grande quantidade de proteínas animais, presente nas carnes. "O recomendado é ingerir carnes vermelhas duas ou três vezes por semana, intercalando com carnes brancas”, diz Soares.

Como abandonar a carne vermelha
Reduzir a ingestão de carne vermelha não é uma tarefa fácil num país onde o consumo de carne bovina passa de 37 quilos por pessoa por ano. A saída mais simples é aumentar o consumo de carnes como as de frango e peixe. Mas quem faz isso não é considerado um vegetariano. Para tanto, é necessário cessar completamente a ingestão de todo o tipo de carne. Assim, a forma mais segura de rumar ao vegetarianismo é optar por uma dieta ovolactovegetariana, que inclui, além dos vegetais, pratos à base de derivados de leite e ovos. “Assim a pessoa não ficará sem as proteínas animais presentes nas carnes”, diz Soares.
SEM CARNES
É preciso ter atenção para manter uma dieta
completamente vegetariana

A opção mais radical de vegetarianismo é o veganismo, uma filosofia que vem crescendo em todo o mundo e que proíbe seus seguidores de comer e usar qualquer produto de origem animal. O endocrinologista da Unifesp lembra que muitas pessoas que adotam esse tipo de comportamento, também conhecido como vegetarianismo restrito, substituem as carnes pela carne de soja, o que pode trazer carências nutricionais.

"A soja é o alimento que mais se aproxima da carne pela quantidade de aminoácidos que possui, mas ela não substitui totalmente a carne por falta de proteínas animais", explica. Segundo Soares, nesses casos é preciso recorrer a suplementos alimentares, como o de vitamina B12, presente apenas em produtos de origem animal. "A falta dessas proteínas e vitaminas pode causar problemas como anemia, queda de cabelo e fraqueza muscular".


Alerta: o vegetarianismo restrito não é para crianças

De acordo com Soares, a opção pelo vegetarianismo tem atraído principalmente os jovens, e muitos deles tentam transmitir esses valores para seus filhos, o que pode ser perigoso caso a opção da dieta seja muito radical. "O vegetarianismo restrito é totalmente contra-indicado para crianças e adolescentes com menos de 18 anos", diz. Ele explica que a falta de proteínas animais pode prejudicar muito o crescimento e o desenvolvimento da criança e trazer problemas como alterações funcionais nos órgãos.

Quando os ideais da família são intransponíveis e os pais desejam criar seus filhos com valores vegetarianos restritos, a solução é se preparar para cuidar diariamente de todos os detalhes da alimentação diária das crianças. "Nesses casos é preciso procurar conselho médico para evitar prejuízos para a vida da criança".
Fonte



publicado por Maluvfx às 21:20
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