Ética é o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. A ética é importante por que respeita os outros e a dignidade humana.

Domingo, 20 de Novembro de 2011
Sérgio Greif
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Sérgio Greif - sergio_greif@yahoo.com
Biólogo formado pela UNICAMP, mestre em Alimentos e Nutrição com tese em nutrição vegetariana pela mesma universidade, docente da MBA em Gestão Ambiental da Universidade de São Caetano do Sul, ativista pelos direitos animais, vegano desde 1998, consultor em diversas ações civis publicas e audiências públicas em defesa dos direitos animais. Co-autor do livro "A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e autor de "Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável", além de diversos artigos e ensaios referentes à nutrição vegetariana, ao modo de vida vegano, aos direitos ambientais, à bioética, à experimentação animal, aos métodos substitutivos ao uso de animais na pesquisa e na educação e aos impactos da pecuária ao meio ambiente, entre outros temas. Realiza palestras nesse mesmo tema. Membro fundador da Sociedade Vegana.


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Sérgio Greif
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Sérgio Greif - sergio_greif@yahoo.com
Biólogo formado pela UNICAMP, mestre em Alimentos e Nutrição com tese em nutrição vegetariana pela mesma universidade, docente da MBA em Gestão Ambiental da Universidade de São Caetano do Sul, ativista pelos direitos animais, vegano desde 1998, consultor em diversas ações civis publicas e audiências públicas em defesa dos direitos animais. Co-autor do livro "A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e autor de "Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável", além de diversos artigos e ensaios referentes à nutrição vegetariana, ao modo de vida vegano, aos direitos ambientais, à bioética, à experimentação animal, aos métodos substitutivos ao uso de animais na pesquisa e na educação e aos impactos da pecuária ao meio ambiente, entre outros temas. Realiza palestras nesse mesmo tema. Membro fundador da Sociedade Vegana.


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Sexta-feira, 21 de Maio de 2010
Abate humanitário


por Sérgio Greif
O que nos querem dizer quando falam em abate humanitário?

De acordo com certa definição, abate humanitário é o conjunto de procedimentos que garantem o bem-estar dos animais que serão abatidos, desde o embarque na propriedade rural até a operação de sangria no matadouro-frigorífico.

Humanitário . . . bem-estar . . . palavras muito fortes e que não refletem o que realmente querem dizer. Termos como “humanitário” e “bem-estar” deveriam ser aplicados apenas nos casos em que buscamos o bem do indivíduo, e não para as situações em que procuramos matá-lo de alguma forma.



Quando enviamos ajuda humanitária à Africa não estamos enviando recursos para que os africanos possam se matar de uma forma mais rápida e menos dolorosa. Não estamos pensando: “Bem, aquele continente vive na miséria, cheio de fome, doenças e guerras, vamos resolver isso matando-os”. Ajuda humanitária significa alimentos, água, remédios, cobertores . . . intervenções realmente em benefício daqueles indivíduos.

Quando falamos em bem-estar social, bem-estar do idoso, bem-estar da criança, não estamos pensando em outra coisa senão proporcionar o bem a essas pessoas. Jamais pensamos em métodos de matá-los com menos sofrimento, porque isso seria o contrário de bem-estar, seria o contrário do que consideramos humanitário.

Por isso, quando escutamos alguém falar em “abate humanitário”, isso soa como um contra senso. A primeira palavra representa algo que vai contra os interesses do indivíduo e a segunda encerra um significado que atende aos seus interesses. Igualmente, a idéia de “bem-estar de animais de produção” é um contra senso, pois a preocupação com o bem-estar implica em preocupar-se com a vida, e não visar sua morte ou exploração de alguma forma.

Essas duas idéias - abate e humanitário - só se harmonizam quando a morte do animal atende aos seus próprios interesses, como no caso em que o animal padece de uma enfermidade grave e incurável e a continuidade de sua vida representa um sofrimento. Nesses casos, a eutanásia, dar fim a uma vida seguindo uma técnica menos dolorosa, pode ser classificada como humanitária, e uma preocupação com o bem-estar.

As organizações e campanhas que pregam pelo abate humanitário alegam que esse é um modo de evitar o sofrimento desnecessário dos animais que precisam ser abatidos. Mas o que é o “sofrimento necessário” e o que diz que animais “precisam ser abatidos”?

O abate de animais para consumo não é, de forma alguma, uma necessidade. As pessoas podem até comer carne porque querem, porque gostam ou porque sentem ser necessário, mas ninguém pode alegar que isso seja uma necessidade orgânica do ser humano.

Porém, se comer carne é hoje uma opção, não comê-la também o é. Se uma pessoa sinceramente sente que animais não devem sofrer para servir de alimento para os seres humanos, seria mais lógico que essa pessoa adotasse o vegetarianismo, ao invés de ficar inventando subterfúgios para continuar comendo animais sob a alegação de que esses não sofreram.

A insensibilização que antecede o abate não assegura que o processo todo seja livre de crueldades, especialmente porque o sofrimento não pode ser quantificado com base em contusões e mugidos de dor. Qualquer que seja o método, os animais perdem a vida e isso por si só já é cruel.

Caso todo o problema inerente ao abate de uma criatura sensível se resumisse à dor perceptível, matar um ser humano por essa mesma técnica não deveria ser considerado um crime. Caso o conceito de abate humanitário fizesse sentido, atordoar um ser humano com uma marretada na cabeça antes de sangrá-lo e desmembrá-lo não seria um crime, menos ainda matá-lo com um tiro certeiro na cabeça.

Está claro que a idéia de abate humanitário não cabe, e nem atende aos interesses dos animais. Mas se não atende aos interesses dos animais, ao interesse de quem ele atende?
A questão é bastante complexa, porque envolve ideologias, forças do mercado, psicologia do consumidor e política, entre outros assuntos. O conceito de abate humanitário atende aos interesses de diferentes grupos (pecuaristas, grupos auto-intitulados “protetores de animais”, políticos, etc.) não necessariamente integrados entre si.

Pecuaristas tem interesse no chamado abate humanitário porque ele não implica em gastos para o produtor, mas investimentos que se revertem em lucros. A carne de animais abatidos “humanitariamente” tem um valor agregado. O consumidor paga um preço diferenciado por acreditar que está consumindo um produto diferenciado. Possuir um selo de “humanidade” em sua carne significa acesso a mercados mais exigentes, como o europeu. Além disso, verificou-se cientificamente que o manejo menos truculento dos animais reflete positivamente na qualidade do produto final, portanto, mudanças nesse manejo atendem aos interesses do pecuarista pois melhoram a produção e agregam ao produto.

Os chamados protetores de animais tem interesses no abate humanitário, mas não porque este é condizente com o interesse dos animais. Em verdade esses “protetores“ não se preocupam com animais, talvez sim com cães e gatos, mas não com animais ditos “de produção”. Esses “protetores de animais” não os protegem, eles os criam, depois os matam e depois os comem. Eles podem não criá-los nem matá-los, mas certamente os comem e mesmo quando não o fazem por algum motivo, não se opõe a que outros o façam.

“Protetores de animais” lucram com o conceito de abate humanitário, pois isso lhes rende a possibilidade de fazerem parte do mercado. Há entidades de “proteção” animal que se especializaram em matar animais. Sob a pretensão de estarem ajudando aos animais, elas mantém fazendas-modelo onde pecuaristas podem aprender de que forma melhorar sua produção de carne, leite e ovos e de que forma matar animais de uma maneira mais aceitável pelo ponto de vista do consumidor comum. Podem também lucrar servindo como consultores em frigoríficos.

Simultaneamente, essas entidades fazem propaganda no sentido de convencer o consumidor de que todo o problema relacionado ao consumo de carne encontra-se na procedência da carne, na forma como os animais são mortos, e não no fato de que eles são mortos em si. A fórmula é muito bem sucedida, pois essas entidades acabam gozando de bom prestígio entre pecuaristas e consumidores comuns, não se opondo a quase ninguém. Políticos vêem na aliança com essas entidades a certeza de reeleição, e por isso elas contam também com seu apoio.

Exercendo seu poder para educar as pessoas ao “consumo responsável” de carne, essas entidades não pedem que as pessoas façam nada diferente do que já faziam. Elas não propõe uma mudança de fato em favor dos animais, pois os padrões de consumo da população mantêm-se os mesmos e os animais continuam a ser explorados. A diferença está no fato de que essas campanhas colocam a entidade em evidência. A entidade se promove, deixando a impressão de que ela faz algo de realmente importante em nome de uma boa causa. Dessa forma as pessoas realizam doações e manifestam seu apoio, ainda que sem saberem ao certo o que estão apoiando.

Com a carne abatida de forma “humanitária”, o consumidor se sente mais a vontade para continuar consumindo carne, pois o incômodo gerado pela idéia de que é errado matar animais para comer é encobrida pela idéia de que, naqueles casos, os animais não sofreram para morrer. E o pecuarista lucra mais porque pode cobrar um preço maior por seus produtos, bem como colocar seus produtos em mercados mais exigentes.

De toda forma, os interesses desses grupos não coincide com os interesses dos animais, e por esse motivo não faz sentido que esses grupos utilizem nomenclaturas tais como como 'bem-estar' e 'humanitário', que podem vir a dar essa impressão.

Entidades que promovem o abate humanitário não protegem animais, mas sim promovem sua exploração. Elas estão alinhadas com os setores produtivos, que exploram os animais e não com os animais. Se elas protegessem animais trabalhariam pelo melhor de seus interesses. Seriam eles mesmos vegetarianos e não consumidores de carne. No entanto, adotando sua postura e sua retórica, não desagradam a praticamente ninguém, e dessa maneira enriquecem e ganham influência.

Entidades que realmente promovem o bem dos animais se esforçam em ensinar às pessoas que animais jamais devem ser usados para atender às nossas vontades. Elas devem se posicionar de forma clara a mostrar que comer animais não é uma opção ética, e que não importa que métodos utilizemos de criação e abate, isso não mudará a realidade de que animais não são produtos e que o problema de sua exploração não se limita à forma como o fazemos.

Ainda que uma campanha pelo vegetarianismo provavelmente conte com menos popularidade e menor adesão da população, até porque isso demanda uma mudança verdadeira na vida das pessoas, certamente uma campanha nesse sentido atende ao interesse real dos animais.

Ainda que reconhecendo que abater animais com menos crueldade é menos ruim do que abatê-los com mais crueldade, repudiamos que o abate que envolve menor crueldade seja objeto de incentivo. Eles não deveriam ser incentivados, premiados, promovidos ou elogiados, porque um pouco menos cruel não é sinônimo de sem crueldade, e só porque é um pouco mais controlado não quer dizer que é certo ou correto.



APOIE AS CAMPANHAS SENTIENS PELOS ANIMAIS
Criação da 1ª Promotoria de Defesa Animalhttp://www.sentiens.net/promotoria-de-defesa-animal/peticao
Contra a liberação dos maus-tratos aos animaishttp://www.sentiens.net/liberacao-maus-tratos/peticoes

Sentiens Defesa Animal - promoção dos direitos animais - http://www.sentiens.net/
Olhar Animal - cães e gatos para adoção - http://www.olharanimal.net/
Pensata Animal - revista de direitos dos animais - http://www.pensataanimal.net/


publicado por Maluvfx às 13:08
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Domingo, 24 de Janeiro de 2010
Criação intensiva de gado desmata e causa poluição na água e no ar
O grande motor da destruição da floresta é a carne bovina. Segundo especialistas, para destruir a floresta basta almoçar. João Meirelles do Instituto Peabiru afirma: "Na hora em que o garfo bate na boca, você está destruindo a floresta. De cada três bifes consumidos um vem da Amazônia e quem os consome são tanto os moradores da região (cerca de 10%) como os brasileiros de outras regiões (cerca de 80%)". A substituição das florestas por pastos contribui ainda para o aquecimento global.


Um estudo feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostra que o desmatamento segue a flutuação do mercado de commodities, especialmente carne e soja. A queda do preço nos últimos anos teria ajudado a controlar a derrubada nos últimos três anos. Da mesma forma, a recuperação do mercado teria impulsionado a retomada do desmate.


O avanço do desmatamento na Amazônia segue uma lógica. Segundo Tatiana de Carvalho a pecuária vai na frente, coloca um, dois bois a cada dois hectares e, uma vez que a propriedade é estabelecida, o seu dono já vende a posse para um agricultor. Têm-se aí o ciclo do desmatamento.


Na opinião do biólogo Sérgio Greif, a carne é responsável por grande impacto ambiental. Segundo ele, “áreas naturais (florestas, matas, cerrados, campinas etc.) precisam ser devastadas para a abertura de pastos. Muitas pessoas associam a devastação nas florestas tropicais ao corte de madeira. Na verdade, a contribuição das madeireiras para essa devastação nem se compara à devastação causada pela pecuária, pois as madeireiras selecionam apenas as árvores que interessam para o corte. Já o pecuarista precisa se livrar das árvores indiscriminadamente”, diz ele.


Segundo Greif, “a pecuária sequer é sustentável nesses pastos, pois o gado, com o pisoteio, acaba compactando o solo, impedindo o rebrotamento de plantas e a lixiviação da água. Dessa forma, o solo sofre processos erosivos, o lençol freático deixa de receber importantes contribuições de água, e o solo da superfície acaba sendo arrastados para os corpos hídricos, o que ocasiona em perda de fertilidade e contaminação de águas superficiais. Os pastos abertos logo são abandonados e se transformam em desertos, já que muitas vezes o grau de comprometimento é tal que nem mesmo as florestas conseguem se reestabelecer na área”.


Há ainda um outro problema, destaca o biólogo: “A pecuária, quando intensiva, também traz o problema da contaminação por fezes e urina de animais. É que os animais presos sempre fazem suas necessidades no mesmo lugar. Isso contamina o solo e as águas próximas. Esses dejetos raramente são tratados porque implicam em gastos na produção. Outro fator relacionado à poluição é com a geração de gases. Especialmente os ruminantes têm em seu processo digestivo a geração de diversos gases que são expelidos do corpo através da flatulência e da eructação. Esses gases (óxido nítrico, metano etc.) contribuem com o efeito estufa”.


Outro fator ambiental relacionado à pecuária, destaca Sérgio Greif, diz respeito ao consumo de água. Cada cabeça de gado consome 50 litros de água por dia. Apenas o processo de abate de um bovino consome mais de 1200 litros de água de uma vez.


“O nosso consumo de carne é um risco para a estabilidade do clima”, afirma Jeremy Rifkin. Segundo ele, “a primeira causa do incremento humano do efeito estufa é devida ao setor das construções, isto é, casas e escritórios. A terceira são os transportes. Sabe qual é a segunda? O complexo da produção necessária para sustentar aquela gigantesca máquina poluente constituída pela pecuária: os nossos consumos de carne são o segundo fator de risco para a estabilidade do clima”, afirma.


Segundo Rifkin, 24% da superfície terrestre é ocupada por bovinos que contribuem para o acelerado desmatamento e consome uma quantidade de cereais suficiente para matar a fome de centenas de milhões de pessoas”. O pesquisador americano destaca que “no decurso da própria vida, o americano médio come sete novilhos de seiscentos quilos. Chegou agora o momento de reconsiderar o estilo alimentar”.


A produção de um único quilo de carne bovina demanda o gasto de 15 quilos de grãos e 30 quilos de forragem. Por último, mas não menos importante, há a questão da flatulência. O principal gás expelido pelos extensos rebanhos mundiais é o metano — um dos principais responsáveis pelo efeito estufa.


No caso das pastagens, enquanto o lucro anual com um boi é de R$ 100,00 o valor do carbono emitido para o pasto crescer chega aos US$ 4.800,00, afirma o economista Carlos Eduardo Young. Segundo ele, “no debate sobre o futuro da floresta, boa parte dos atores insiste em repetir antigas falas, como a necessidade de desmatar para garantir o ‘progresso’ ou negar a realidade dos números do desmatamento. Mas existem idéias novas que podem construir o tão necessário consenso. A mais importante delas é dar valor à floresta conservada (‘em pé’) como forma alternativa ao padrão tradicional de ocupação pelo desmatamento. O conceito é simples: se o valor dos serviços ambientais gerados pela floresta for maior do que o lucro obtido com a extração predatória da madeira e com a pastagem ou cultivo implementados em seu lugar, então, economicamente, seria ilógico desmatar!”.





Consumo como ato político


Os hábitos alimentares modernos — calcados numa dieta muito rica em carne vermelha — têm um impacto significativo no aquecimento do planeta. É o que revela um estudo realizado por especialistas da Agência de Impacto Ambiental da Holanda. O estudo afirma que se a população mundial passar a seguir uma dieta pobre em carne vermelha – a chamada dieta do clima – definida como 70 gramas de carne bovina e 325 gramas de frango e ovos por semana – cerca de 15 milhões de quilômetros quadrados de área ocupada pela criação de animais seria liberada para vegetação. As emissões de gases do efeito estufa seriam reduzidas em 10% com a queda do número de animais. Juntos, esses impactos reduziriam em 50% os custos do combate às mudanças climáticas em 2050.


Segundo a bióloga e cientista ambiental holandesa Elke Stehfest a adoção da dieta do clima significa que “para muitos países desenvolvidos, isso significaria reduzir seu consumo de carne para 2/3. Para alguns países africanos isso na verdade significaria um crescimento comparado com a referência”.


Nesta perspectiva crescem em todo o mundo campanhas que pregam o consumo sustentável, ou ainda o consumo ético. Muitos das campanhas estimulam o consumo como ato político e as pessoas a adotarem um comportamento ecologicamente correto.


Segundo a socióloga Lisa Gunn, uma pessoa ecologicamente correta é “aquela que faz uma reflexão sobre os seus hábitos de consumo para realmente minimizar os impactos sociais e ambientais negativos”. A socióloga destaca que “isso não é fácil. A reflexão deve ser feita partindo do princípio da redução. Hoje, grande parte da população ainda sofre restrição de acesso a produtos e serviços, mas, atendidas as necessidades básicas, é preciso haver uma profunda mudança nos hábitos de consumo para de fato minimizar o impacto que existe”.


Lisa Gunn, comenta que “é preciso deixar de ter uma postura passiva e cobrar das empresas das quais está acostumado a consumir justamente essas informações socioambientais do processo produtivos e também do pré-consumo e pós-consumo, assim como exigir dos governantes uma atitude a favor de políticas públicas que incentivem o desenvolvimento dessas atitudes sustentáveis”.


O vegetarianismo como concepção de vida, e de forma ainda mais radical, o veganismo (abstensão total de carne animal assim como de produtos derivados de animais, como ovos e queijo) deve ser contextualizado nessa perspectiva. Na opinião de Marly Winckler em entrevista especial para a revista IHU On-Line n. 191 (arquivo pdf) “o vegetarianismo é um regime alimentar. Ele tem a ver, primordialmente, com comida, mas cada vez mais se torna uma postura ética e filosófica diante da vida. Ele se volta um impacto positivo sobre o meio ambiente, porque a dieta baseada na carne tem um impacto muito Negativo”. Winckler, destaca ainda que “por sua vez, há também a questão dos animais em si, a postura ética de não aprovar tantos maus tratos com eles”.


Para muitos, o consumo de carne não é apenas um problema para o aquecimento global, mas também um ato desumano. Aproximadamente 50 bilhões de animais terrestres são mortos a cada ano para servirem de alimento aos seres humanos. No Brasil são cinco bilhões. Trata-se de uma morte organizada.


O filósofo e professor de bioética Peter Singer comenta que muitos animais são submetidos a severos sofrimentos e cita, entre muitos casos, a criação de terneiros nos EUA – criados toda a sua vida em confinamento, “em estábulos onde não podem dar a volta, deitar-se ou estirar suas extremidades. Estes métodos servem essencialmente para economizar trabalho, porque facilitam o manejo dos animais e permitem às granjas que têm milhares ou dezenas de milhares de animais contratar um número reduzido de trabalhadores menos qualificados. Também impedem que os animais desperdicem energia movendo-se e brigando”.


Segundo ele, as nossas escolhas alimentares importam. “Ser vegetariano, afirma, evita participação em práticas cruéis com animais e também geralmente tem um impacto menor no ambiente do que comer carne ou outro produto animal”.


Não faz muito tempo, a Europa chocou-se com a doença da Vaca Louca, não apenas porque destruiu a imagem da carne bovina como um alimento saudável e seguro mas também porque se soube que a causa da doença era alimentar o gado com cérebro e tecidos nervosos de carneiros. s pessoas que acreditavam ingenuamente que o gado comesse capim descobriram que o gado de corte pode comer qualquer coisa, desde milho a ração de peixe, dejetos de galinhas (com excrementos e tudo), além de lixo de abatedouros.


O filósofo Tom Regan, defende o vegetarianismo e mesmo o veganismo como uma atitude moral. Segundo ele, “os animais não possuem claramente todos os direitos que nós humanos possuímos. Por exemplo, o direito ao voto e à liberdade de crença religiosa: não faz sentido atribuir esses direitos a eles. Quando se trata de nossos direitos fundamentais, no entanto – direitos à liberdade, integridade física, e à vida – temos razão para acreditar que outros animais têm esses direitos. Por quê? A resposta mais simples, acho, apela para nossas semelhanças fundamentais, nossa igualdade moral. Considere os animais que a indústria transforma em comida, em roupa, em entretenimento, em competidores, em ferramentas".


"Esses animais, continua ele, são como nós não apenas porque estejam no mundo e cientes do mundo; mais que isso, o que acontece a eles faz diferença na qualidade e na duração de suas vidas, assim como é conosco. Nós e eles somos alguém e não alguma coisa. Nós e eles temos uma biografia, não simplesmente uma biologia. O reconhecimento dos direitos dos animais é só uma extensão lógica do reconhecimento dos direitos humanos”.


Tom Regan é um forte critico do especiecismo. Para ele, o especiemo “é análogo a outros preconceitos morais. Racismo, por exemplo. Racistas pensam que membros de sua raça são superiores aos membros de todas as outras raças apenas porque eles (mas não outros) pertencem à raça superior. Especiecistas pensam que membros de nossa espécie são superiores a todas as outras espécies apenas porque nós (mas não outros) pertencemos à raça superior. Entretanto, assim como não há raça superior, não há também nenhuma espécie superior. A crença do especiecista não é menos preconceito que a crença do racista”.


O vegetarianismo encontra apoio nas religiões milenares comenta ainda Tom Regan. Segundo o filósofo “o vegetarianismo é a dieta escolhida pelos praticantes de algumas das maiores religiões mundiais, incluindo o hinduísmo, jainismo, budismo e algumas linhas do judaísmo. Também foi praticado por várias das grandes figuras do passado, como, por exemplo, Ovídio, Horácio, Virgílio, Pitágoras e Maimônides. As pessoas pensam que só excêntricos irracionais e desinformados são vegetarianos, mas a história ensina uma lição bem diferente”.


Mahatma Gandhi, destaca o filósofo foi para ele uma grande influência: “Foi por meio de seus escritos que aprendi pela primeira vez que comer carne não era necessário (para minha vida ou minha saúde, por exemplo) e que os animais em fazendas eram submetidos a uma grande violência, antes e durante seu abatimento. Não quero ter seu sangue em minhas mãos”.


Há inclusive quem sustente que o cardápio da Última Ceia foi vegetariano. Supõe-se que os convidados para a Última Ceia tenham comido um cardápio composto, na essência e como manda a tradição, por cordeiro assado, acompanhado de ervas amargas, pão ázimo e vinho. Mas, depois de um estudo minucioso da obra, parece que o cardápio é muito mais vegetariano, segundo se depreende de um relatório publicado pela revista Gastronómica.


Em um país de cultura carnívora, os elementos descritos anteriormente são de difícil compreensão e muitos consideram inclusive uma besteira este tipo de debate. Tem-se dificuldade de articular os conteúdos da crise climática, com o desmatamento, o desperdício de água e até mesmo os direitos dos animais.


É disseminado entre nós o hábito de comer carne, até mesmo cultural poder-se-ia afirmar. Como destaca Marly Winckler até o presidente Lula transformou a Granja do Torto em uma churrascaria. “Ele fez uma reforma enorme para ficar mais adequada ao consumo de carne”, diz. Basta atentar-se aos projetos de engenharia de construção de imóveis, a churrasqueira não pode faltar.


“Quem não quiser mudar, continue. Mas eu penso que quem diz querer um mundo melhor, tem que construí-lo. Esse mundo que temos é fruto da nossa ação. Ele não caiu do céu por descuido, e nós não estamos sujeitos a ele sem fazer nada. Quem quer um mundo melhor também é obrigado eticamente a promover mudanças nas suas atitudes. Essa (o vegetarianismo) é uma delas. Não tenho a menor dúvida de que não poderemos avançar muito como humanidade se não mudarmos a nossa dieta”, afirma Marly Winckler.


O biólogo Sérgio Greif insiste que apenas uma adoção em massa do vegetarianismo pode ser a solução para o conjunto dos problemas descritos anteriormente. Segundo ele, “O problema não deve se resumir à diminuição do consumo de carne, até porque a carne é apenas um dos problemas relacionados à pecuária. A população do mundo deve ser educada a se abster do consumo de todos os tipos de ingredientes de origem animal. A mensagem jamais deve ser para que as pessoas ‘comam menos carne’. A educação fornecida deve ser completa, de que as pessoas de fato se abstenham de produtos de origem animal”.


O ambientalista e coordenador do Portal EcoDebate, Henrique Cortez faz uma crítica ao consumo ético. Segundo ele “o que hoje se convenciona chamar de consumo ético deve ser encarado como conservador em relação à manutenção do modelo consumista. Assim posso consumir irrestritamente, porque me justifico através do consumo ético. É uma forma de ‘indulgência’ ao ‘pecado’ do consumo”, diz ele.


Em sua opinião, “o consumo ético só será transformador se ele questionar o modelo consumista, assumindo sua dimensão coletiva e política em relação ao modelo econômico, às formas de produção e ao sistema político de sustentação. É necessário questionar a quem serve este modelo e a quem beneficia”.


Algo semelhante afirma Isleide Arruda para quem o consumo ético como ato político “significa um ato de compra (ou não compra) no qual estão implícitas as preocupações do processo de consumir com os impactos que isso possa causar ao ambiente econômico, social ou cultural”. Ou seja, continua ela, “ele está circunscrito ao fato de que o consumidor pensa e se preocupa com os efeitos que uma escolha de compra gera aos outros e ao mundo externo como, por exemplo, com o tratamento despendido aos trabalhadores envolvidos na produção de um determinado produto, ou com os impactos ambientais que certos produtos causam”. No entanto, alerta a professora, “ele só se torna um consumo ético, no sentido político, na medida em que se condensa em um coletivo”.




O novo movimento social


“O pequeno avião sobrevoa uma paisagem fascinante de pastagens verdes entremeadas por trechos de floresta, mas Wayne Lindbergh mantém o olho colado em seu laptop. Abaixo, onde um mapa na tela do computador indica que havia floresta no ano passado, o descampado marrom revela uma queimada recente. ‘Tudo isso é novo, deste ano’, diz o integrante do Greenpeace, com fones de ouvido na cabeça enquanto aponta para a tela mostrando os mais recentes dados de satélite sobre desmatamento. Em breve, a área será pasto para milhares de cabeças de gado criados nesta fazenda no Pará, num exemplo do desmatamento ilegal atribuído pelos ambientalistas a pecuaristas”.


O relato acima é do jornalista Stuart Grudgings e descreve uma incursão do Greenpeace no Pará, região da Amazônia Legal, para averiguar novos focos de desmatamento. Aliando altíssima tecnologia, ações diretas, interlocução junto a empresas e governos, com forte apoio na sociedade e financiamento da sociedade, as organizações ambientalistas inserem-se no que se poderia denominar de novo movimento social, ou seja, organizações antenadas a novas questões sociais.


Segundo Marcelo Leite, “desde pelo menos a fundação da organização SOS Mata Atlântica, em 1986, o melhor do movimento ambientalista brasileiro busca um pacto firme e duradouro com a ciência. Os resultados estão aí, conhecidos e citados por todos”. Ele destaca que “os primeiros dados confiáveis sobre a destruição da floresta chuvosa que cobria a costa alcançada pelos portugueses em 1500 nasceram, em 1989, da parceria entre a SOS e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). A parceria tinha por objeto usar imagens de satélite na composição de um atlas dos remanescentes florestais, como se começava a aplicar na época para a Amazônia. Assim se revelou que apenas 7% da mata atlântica sobreviveram. A única floresta que a maioria dos brasileiros conheceu e conhece está desaparecendo”.


O pesquisador destaca também o surgimento do ISA (Instituto Socioambiental), que até hoje publica, “a cada cinco anos, o indispensável volume Povos Indígenas no Brasil. Toda a cartografia agora é digital, o que habilita o ISA a fazer estudos detalhados inéditos, por exemplo sobre superposição de terras indígenas e unidades de conservação”.


De acordo com Marcelo Leite, “o caso da Amazônia, sempre o bioma mais controverso, impuseram-se no debate público ONGs como o Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e o Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia). Ambas com sede em Belém, estão na vanguarda desse tipo inovador de ONG, dedicada a cavar, sistematizar e divulgar dados socioambientais que nem o governo detém”.


Os movimentos e organizações sociais tributárias da sociedade industrial, principalmente o movimento sindical e os partidos, bem como alguns movimentos sociais urbanos e rurais, poderiam aprender algo com o movimento ambientalista. Embora, nos últimos anos a agenda ambiental tenha entrado com força nos debates dessas organizações, ainda há dificuldade de assimilação e elaboração de novas estratégias de ação.

Fonte


publicado por Maluvfx às 15:10
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007
O Bem-estarismo e a Bíblia
© Sergio Greif
Em nosso texto “A Bíblia preconiza o vegetarianismo”, tornamos claro que o conceito especista religiosamente justificado, com base no texto de Gênesis 1:26 e 28, nada mais é do que um erro de tradução. No entanto, está claro que em muitos outros lugares a Bíblia parece endossar o status superior ou o domínio do homem sobre as demais criaturas. De fato, a mesma Bíblia foi, no passado, utilizada para justificar muitas outras atrocidades como a pilhagem, os crimes de guerra, a escravidão, o sexismo, a pedofilia e tantos outros. Não é de se estranhar, portanto, que a exploração animal seja também permitida em muitas passagens.

A Bíblia condena com a pena de morte o adultério (Deut. 22:22), o sexo antes do casamento (Deut. 22:21), as práticas homossexuais (Lev. 20:13), o espiritismo (Lev. 20:27), a apostasia (Deut. 17:2-5), a rebeldia juvenil (Deut. 21:20-21) e tantas outras coisas hoje consideradas banais. Há ainda outras passagens que, do ponto de vista ético contemporâneo, são questionáveis.

Em Deuteronômio 20, há leis relativas à guerra: quando o exército saía para lutar contra uma cidade inimiga, este devia primeiramente oferecer-lhes a paz. Se o povo inimigo aceitasse a proposta de paz e abrisse suas portas, os habitantes da cidade deveriam ser escravizados. Caso eles não aceitassem a proposta de paz, a cidade deveria ser sitiada, os homens deveriam ser mortos, seus bens pilhados e as mulheres, crianças e gado tomados.

Isso no caso de cidades distantes, pois no caso de cidades próximas, pertencentes aos heteus, amorreus, cananeus, ferezeus, heveus e jebuseus, toda a população deveria ser massacrada. Diversas outras passagens bíblicas mostram que, ao se conquistar uma cidade, podia-se fazer praticamente de tudo com a população conquistada (Num. 31:17; Deut. 2:34, 3:6).

Mas essas práticas não eram de todo más, pois havia leis que asseguravam o “bem-estar” destes pobres seres conquistados. Por exemplo, em Deuteronômio 21 (11-14), há uma lei que pretende garantir “tratamento ético” às mulheres capturadas em guerras. Se, ao saquear uma cidade, um homem ficasse atraído por uma mulher em particular, poderia levá-la para casa. Ele deveria permitir-lhe que durante um mês chorasse a morte de sua família (que poderia ter sido morta por ele próprio). Depois disto ele poderia tomá-la sexualmente. Se ela não lhe agradasse, ele deveria deixá-la ir, mas não poderia vendê-la.

Aqui reside a ironia deste tipo de “bem-estar”, porque a mulher podia ter sua família morta, podia ser levada cativa, podia ser violentada, mas seria antiético vendê-la. O mesmo encontramos no bem-estarismo animal contemporâneo, onde fazer certas coisas com um animal (enfiar-lhe esporas, dar choques, etc.) é considerado errado, mas fazer coisas piores (matá-lo) é considerado certo.

Nos relatos bíblicos, as pessoas tornavam-se escravas por dívidas ou por pertencerem a povos conquistados. Diferente da escravidão perpetuada pelos europeus, os escravos na Bíblia não pertenciam a povos inferiores nem eram subumanos, podendo senhores e escravos pertencer à mesma raça. Embora escravos fossem bens, propriedade, havia certa “preocupação” com seu “bem-estar”.

Assim, quando um escravo fugia e buscava refúgio na casa de outra pessoa, essa pessoa devia recebê-lo, e não devolvê-lo para seu dono (Deut. 23:15); uma escrava desposada recebia status semelhante à esposa (Êxodo 21:9-10); se, durante o castigo, um escravo perdesse um olho ou um dente, ele deveria ser libertado (Êxodo 21:26-27); quem batesse em seu escravo até a morte deveria ser punido (Êxodo 21:20), mas, se o escravo sobrevivesse até o dia seguinte, a pessoa estava livre da punição, afinal, o escravo era sua propriedade (Êxodo 21:21).

À mulher também era conferido o status de propriedade. Mulheres podiam se consagrar ao Templo, mas seu valor era inferior ao de um homem (Lev. 27); quando uma mulher fazia votos religiosos, estes só eram considerados se aprovados por seu pai ou esposo (Num. 30:3-8); o homem podia repudiar sua esposa se esta não pudesse lhe dar um filho, e somente ao homem era permitido desposar uma segunda mulher (ou quantas pudesse sustentar). Se uma mulher fosse ferida em uma briga, a indenização era estipulada por seu marido (Êxodo 21:22).

Desta forma, vemos que, se em tempos remotos, a Bíblia permitiu o subjugo do animal, vemos que também o fez em relação a outros povos e às mulheres. Com isto não pretendemos desmerecer as Escrituras Sagradas, mas sim, mostrar que a percepção de ética da época não pode se pretender defensável em pleno século XXI. Dito isso, entendamos que o conceito de “bem-estar” nada tem a ver com atribuir ao ‘objeto’ qualquer direito. Os exemplos acima citados mostram que, desde tempos remotos, seres reconhecidamente sencientes eram ao mesmo tempo considerados objetos, de modo que, apesar de merecerem alguma consideração quanto ao seu bem-estar, seus direitos eram limitados. O objetivo principal deste bem-estar, na maioria dos casos, era melhoria de sua produtividade.

Com isto entendemos as antigas origens do moderno conceito de “bem-estar animal”. A idéia de que o homem tem o direito de fazer uso de animais está enraizada em nossa sociedade, especialmente através da concepção religiosa predominante. Quando analisamos nossos livros históricos e religiosos, encontramos mais do que a razão pela qual tomamos o direito de explorarmos-nos uns aos outros e aos animais. Camuflado sob o véu da ética, encontramos nesses livros a forma correta de tratarmos nossos escravos, os povos por nós conquistados, as mulheres e os animais.

E como podemos entender esse “bem-estar” animal? É a concepção de que os animais podem (e em alguns casos até devem) ser usados, mas sempre atentando para que os mesmos sofram minimamente. Sofrer minimamente, ou sofrer o estritamente necessário, é um conceito empírico e confuso, primeiramente porque não há uma escala que permita quantificar o sofrimento, e em segundo lugar porque a expressão “sofrer o estritamente necessário” não traz luz à questão “necessário para quê?”. Para que satisfaçamos nosso paladar, tenhamos roupas quentes, nos divirtamos, possamos experimentar novas substâncias? O que deve ser considerado necessário?

É crescente o número de seres humanos que opta por jamais tomar parte em qualquer aspecto do sofrimento animal. A simples viabilidade deste estilo de vida, o veganismo, é prova incontestável de que todo sofrimento animal causado pelo homem é desnecessário.

Como vimos, a idéia de “bem-estar animal” não é de forma alguma moderna. Essa idéia apenas ganhou novo impulso na Era Contemporânea, pós-Revolução Industrial. De fato, o confinamento de animais em sistemas de criação intensivos, a mecanização dos processos vitais e a intelectualização do ser humano conferiram nova roupagem ao bem-estar animal. Agora a idéia deixa de ser mero bom-senso e passa a adquirir contornos de movimento, ativismo, a promulgação de normas e palco para debates apaixonados.

No entanto, essa idéia é bastante antiga e o texto bíblico é bom exemplo disto.

Quando foi permitido ao primeiro homem comer carne, isso foi feito devido às novas condições em que o planeta se encontrava, após o dilúvio universal (Gen. 9:3). Nessa permissão, porém, uma ressalva foi feita: Noé e sua família poderiam comer carne, mas não de forma incondicional. Houve uma imediata proibição contra alimentar-se do sangue dos animais(Gen. 9:4).

A Bíblia quer nos fazer acreditar que no sangue do animal reside sua essência vital (Gen. 9:4; Lev. 17:10-14, 19:26; e Deut.12:16, 12:23, 15:23). Desta forma, consumir o sangue do animal significa consumir sua vida. Os antigos israelitas acreditavam que, se consumissem o sangue de um animal, seriam culpados por sua morte (Gen. 9:5). Por outro lado, se matassem um animal mas devolvessem todo o seu sangue à terra, estavam livres de qualquer culpa.

Esta forma de comer carne ‘sem tirar a vida’, de se livrar da culpa pela morte, é mais ou menos o que observamos no movimento de bem-estar animal contemporâneo, porque o foco das atenções é desviado do problema real e passa a se concentrar em livrar a consciência do agressor. Matar em si deixa de ser errado, o errado é fazer isso sem o devido respeito. É como o índio ou o africano animista, que abate a caça, ajoelha-se ao lado dela e chora um choro ritual, onde explica ao irmão-animal que sua morte foi necessária para saciar a fome de sua família. Esta, para quem olha de fora, parece uma forma respeitosa de lidar com a situação, mas para o animal que morreu, a situação é exatamente a mesma.

É possível que a maioria dos judeus atualmente não acreditem que no sangue do animal resida sua vida, mas as leis dietéticas (kashrut) que preconizam a remoção do sangue continuam sendo praticadas. O Rabino Samuel Dresner comenta que “a remoção do sangue, como ensina a kashrut, é um dos mais poderosos meios de fazer-nos constantemente tomar consciência desta concessão e de todo o comprometimento que envolve, na realidade, o ato de comer carne. Novamente nos é ensinado a reverenciar a vida”.

Essa é uma forma bastante peculiar de se demonstrar reverência à vida, porque, ainda que se aceite que verter o sangue do animal na terra impede que se consuma sua vida, não se pode ignorar o simples fato de que o animal foi morto contra sua vontade. Para o animal pouco importa o que se faz com seu sangue depois que ele é abatido, porque seu interesse é que o sangue esteja circulando em seus vasos.

Após a proibição do consumo da carne com o sangue, outras condições surgiram para amenizar o problema do abate de animais. Os animais passaram a ser classificados em kasher (puros) e taref (impuros), de acordo com Levítico 11, e somente foi permitido o consumo da carne de animais ritualmente abatidos (Lev. 17:4). A explicação para a segunda imposição encontra fundamento no bem-estar animal.

O abate de animais conforme as leis da kashrut, conhecido como shchitah, hoje é denominado “abate cruento”, em oposição ao que se considera “abate humanitário”. No entanto, cabe dizer que a shchitah surgiu como proposta de abate humanitário, visto que com o corte da jugular do animal entendia-se que estavam sendo cortadas as comunicações entre o cérebro e o restante do corpo do animal. Entendia-se que, embora o animal continuasse a se mexer, estava anestesiado, que o método era indolor. Essa forma de abate contrastava com a forma praticada por outros povos, onde muitas vezes partes dos animais eram removidas para consumo, estando o animal ainda vivo.

Mas é claro que a shchitah não é de forma alguma humanitária, como também não o é o mal denominado “abate humanitário”. A única matança que pode ser considerada humanitária é a eutanásia de um animal cuja doença torne sua vida insuportável. A “eutanásia” de animais saudáveis apenas para controle de população ou em determinado experimento não é humanitária, porque tampouco pode ser considerada uma “boa morte”. Matar um animal para consumi-lo, seja por qual método for, jamais será humanitário, porque o “matar” é intrinsecamente cruel, não importa de que forma se faça.

Mas, como no bem-estarismo contemporâneo, a Bíblia nos faz crer que o errado não é matar o animal, mas sim depredar e acabar com o recurso que posteriormente poderá servir novamente ao homem. Assim, uma pessoa que encontre um ninho com ovos ou passarinhos e a mãe chocando, poderá pegar para si os ovos e os passarinhos, mas deverá deixar a mãe ir (Deut. 22: 6-7), provavelmente uma forma de garantir que haja mais ovos e filhotes em breve. Uma outra lei ordena que a cada 7 anos os campos deixem de ser cultivados para que a terra descanse. Neste período o que nascer nesta terra poderá servir aos pobres e aos animais do campo (Êxodo 23:10-11); a preocupação com os animais do campo pode ser simplesmente uma preocupação com a caça no futuro.

Da mesma forma, outros exemplos de leis de bem-estar animal são encontrados na Bíblia.

Em Êxodos 23:4-5, encontramos os seguintes versículos: “Se encontrares desgarrado o boi do teu inimigo ou o seu jumento, lho reconduzirás. Se vires prostrado debaixo da sua carga o jumento daquele que te aborrece, não o abandonarás, mas ajudarás a erguê-lo.” Poder-se-ia dizer que reconduzir um boi ou um jumento, ou ajudar um jumento sobrecarregado a se levantar envolve interesses econômicos, mas isto apenas é válido quando se tratar do animal explorado pela pessoa ou um dos seus (Deut. 22:1-4).

Por que alguém se empenharia em preservar os interesses econômicos de seus inimigos ou daqueles que o aborrecem? Esses versículos parecem encontrar base no que chamamos “bem-estar animal”, e como praticamente tudo o que encontramos nesse movimento, é incoerente porque contrasta com outras passagens onde é ordenado que o gado e os animais de cargas dos inimigos devem ser mortos junto com eles.

Há leis específicas para o “bem-estar” de animais submetidos a trabalhos forçados, como a que ordena que os animais também tenham o direito ao descanso do sábado (Êxodo 23:12; Deut. 5:14), ou a que impede que se coloque para puxar um mesmo arado animais de espécies diferentes (Deut. 22:10), o que certamente exigiria maior esforço da espécie mais fraca.

O objetivo do presente texto, como dito anteriormente, não é ofender as convicções religiosas de quem quer que seja, mas tão somente demonstrar que a Bíblia pode ser utilizada para provar ou refutar o que se queira. Se intencionar-se manter os padrões morais e comportamentos estabelecidos pela Bíblia para com os animais, pode-se entender que o mesmo se aplique às mulheres, às crianças, aos homossexuais, aos adúlteros, aos idólatras, etc. O texto também demonstra que o que muitos acreditam ser uma idéia moderna, o “bem-estar animal”, nada mais é do que uma repetição de idéias antigas. Nas sábias palavras do Pregador: “O que se foi é o que será; e o que se fez, isso se tornará a fazer; não há nada de novo debaixo do sol.Há algo que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Tudo já existia séculos antes.” (Eclesiastes 1:9-10).


publicado por Maluvfx às 14:48
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A Bíblia preconiza o vegetarianismo
© Sergio Greif
Sejamos judeus, cristãos ou muçulmanos, a fonte de nossa inspiração religiosa é a Bíblia. Mesmo os muçulmanos, que adotam outro livro sagrado, reconhecem a Bíblia como cânone. Ateus e agnósticos, embora não creiam diretamente em textos sagrados, são influenciados por estes visto que estão inseridos em sociedades que foram moldadas utilizando-os como inspiração. Vivemos em sociedades laicas, mas a religião, ainda que não praticada, influencia o pensamento e, em parte, o comportamento.

A costumeira justificativa religiosa para o especismo é baseada numa breve passagem bíblica que explicaria nossa natureza semi-divina e nosso direito sobre as demais espécies. Em Gênesis 1:26, está escrito: “Também disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.”.

No entanto, a Bíblia é um livro complexo e permite múltiplas interpretações, além de versões e traduções.

Se verificarmos o original em hebraico, veremos que o que tem sido traduzido como “ter domínio” é a palavra “yirdu”. “Yirdu” poderia ser melhor traduzido como “descerão”. Fosse a intenção do autor do original hebraico de fato transmitir a idéia de domínio na criação, a palavra que deveria ser empregada seria “shalthanhon”. Nem mesmo a idéia de governo benévolo do homem sobre as demais criaturas é passada neste versículo, visto que a palavra que a Bíblia usa quando se refere ao domínio pacífico é “mashel”.

Porém, o que vemos é que foi empregada a palavra " yirdu", que permite uma outra tradução do versículo: “Disse Deus: façamos o homem à nossa imagem e semelhança; e descerão para os peixes do mar, e para as aves dos céus, para os rebanhos e para toda a terra e para todo réptil que rasteja sobre a terra”. Se seguirmos essa tradução, que é mais fiel ao original, podemos interpretar que a intenção da Bíblia pode ter sido mostrar que Deus criou o homem de uma maneira especial, mas que o homem desceria (ou seja, seria igualado) para a condição de um animal.

Mesmo a continuação do livro parece apoiar esta idéia. Em Gênesis 1:28, costumamos ver o versículo traduzido desta forma: “E Deus os abençoou e lhes disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.”. Novamente, a palavra “desça” aparece traduzida como “domine”. O que aparece nesse versículo como “sujeitai-a” é a palavra “kibshah”, que significa preservar. Fosse de fato a intenção do autor transmitir a idéia de “sujeitar” ele teria empregado a palavra “hichriach”.

A tradução literal deste versículo seria: “E abençoou-os Deus e lhes disse Deus: fecundem-se, tornem-se muitos, encham a terra e preservem-na; e desçam para (a condição dos) peixes do mar, e para as aves dos céus e para todo animal que rasteja sobre a terra”.

Esta idéia de que homens e animais estão em pé de igualdade perante Deus encontra-se em Eclesiastes 3:18-21: “Disse ainda comigo: é por causa dos filhos dos homens, para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade. Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão. Quem sabe se o fôlego de vida dos filhos dos homens se dirige para cima e o dos animais para baixo, para a terra?”

A intenção aqui não é, porém, estender-me em uma tradução revisionista de todo o texto bíblico, mas sim demonstrar que erros de tradução levam a erros de interpretação. Já foi demonstrado muitas vezes que a Bíblia pode ser utilizada para defender qualquer idéia. Pela tradução tendenciosa do versículo de Gênesis 1:26, nasceu toda a concepção de que o homem é um ser semi-divino e tem o direito de sujeitar ao seu domínio todos os demais seres da criação, sujeitar a Terra. Mas e se a intenção do autor tivesse sido outra?

Gênesis 1:29 e 1:30 apresentam a primeira lei dietética estabelecida por Deus para o homem e para os outros animais “E disse Deus: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão sementes e se acham na superfície de toda a terra, e todas as árvores em que há frutos que dão sementes; isso vos será por alimento. E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez.”.

Esses versículos demonstram que não era a intenção original de Deus, pelo menos segundo o livro de Gênesis, que o homem matasse animais para comer. A dieta vegana era a consistente com o plano original de Deus. Apesar disso, quantas pessoas não lêem esses versículos diariamente e deixam de refletir sobre seu significado?

O Talmud, coleção de comentários e compilações da tradição oral judaica, reforça a idéia bíblica de que, se no princípio o homem não comia carne, era porque a intenção original de Deus era que este e os demais animais fossem vegetarianos. De fato, escreveram sobre esse assunto muitos comentadores bíblicos, entre eles Rashi (1040-1105), Abraham Ibn Ezra (1092-1167), Maimônides (1135-1214), Nachmanides (1194-1270) e Rabi Joseph Albo (séc. XV).

A Bíblia conta (Gen. 2:8) que quando Deus criou o homem, colocou-o para habitar no Jardim do Éden. Nesse jardim, foi ordenado que o homem se servisse dos frutos de toda árvore (Gen. 2:16), exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gen. 2:17). Devido ao pecado original, o homem foi expulso do jardim e recebeu também a permissão para comer as ervas do campo (Gen. 3:18). Poderia-se até dizer que a Biblia sugere que Deus criou o homem frutariano, e depois o fez vegano.

Conforme a genealogia apresentada em Gênesis 5, entre Adão e Noé passaram-se dez gerações. Segundo a Bíblia, nos tempos de Noé, Deus resolveu destruir tudo com um dilúvio, porque toda a criação havia se corrompido. Noé encarregou-se de construir uma arca e salvar sua família e alguns exemplares de cada espécie animal. Conta a Bíblia que, quando as águas baixaram, seres humanos e demais animais saíram e constataram que a terra estava seca.

Podemos, porém, imaginar que, após mais de um ano submersa, já não havia sobre a terra vegetação suficiente para sustentar a todos. Foram Noé e seus filhos, segundo a Bíblia, os primeiros seres humanos que comeram carne.

Toda a harmonia que havia prevalecido entre os homens e demais animais no paraíso, após a expulsão e durante o período do dilúvio, segundo a Bíblia, deixou de existir. “Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mãos serão entregues.” (Gen. 9:2).

Naquele momento, passaram a existir animais herbívoros e carnívoros, e o homem tornou-se onívoro:“Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora.” (Gen. 9:3). A frase “como vos dei a erva verde” reforça que até então eles só tinham autorização para serem veganos. Seria, porém, esta concessão pontual motivo para justificar que comessemos carne até os dias de hoje?

Segundo Rav Kook, primeiro grão-rabino de Israel, não podemos ver essa permissão para comer carne, dada a Noé em uma situação específica, como uma concessão a toda a humanidade posterior. Em sua interpretação, estava claro que se tratava de uma permissão efêmera, até que a terra voltasse a produzir o alimento. A situação em que Noé se coloca é a de um homem perdido em uma ilha deserta, sem muitos recursos à disposição.

O período das dez primeiras gerações descrito em Gênesis foi, portanto, de pessoas vegetarianas, e a Bíblia mostra que o homem só começou a consumir carne quando condições ambientais o forçaram a tal.

Há um segundo período segundo o qual o autor da Bíblia mostra que Deus pretendia tornar o homem novamente vegetariano. As escrituras contam que, quando os israelitas saíram do Egito, o plano de Deus era que aquele povo recém-liberto da escravidão vagasse pelo deserto pelo tempo necessário para que se purificasse. Foi lhes dado um alimento que caia do céu, que era “como semente de coentro, branco e de sabor como bolos de mel” (Êxodo 16:31, Números 11:7).

Esse alimento, simples, mas completo nutricionalmente, deveria sustentá-los pelo tempo que permanecessem no deserto (40 anos), pois em Êxodos 16:35 está escrito “E comeram os filhos de Israel manah quarenta anos, até que entraram em terra habitada; comeram manah até que chegaram aos limites da terra de Canaã.”.

No entanto, durante a travessia do deserto, alguns incidentes ocorreram. As pessoas começaram a reclamar de sua dieta puramente vegetariana: “Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este manah” (Num 11:6). Por outro lado, pediam novamente pelos alimentos que consumiam no Egito – carne e peixes, entre outros (Num. 11:4-5).

A contra gosto, Deus atendeu às reclamações, providenciando carne sob a forma de codornizes, que foram sopradas pelo ventos dos mares. Porém, logo depois, Deus puniu aquelas pessoas, por não aceitarem de bom grado o alimento perfeito que Ele lhes oferecia: “Estando ainda a carne entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, quando a ira do Senhor se acendeu contra o povo, e o feriu com grande praga.” (Num. 11:33).

O lugar onde ocorreu esse incidente foi batizado de “Kivrot Hataava”, que em português significa Tumbas da Luxúria, porque foi o desejo de luxo daquele povo, e não sua necessidade, o que os levou à morte (Num. 11:34).

Essa passagem referente ao manah traz uma idéia de que poucos se dão conta: o alimento que nos é destinado é bastante simples, pode ser encontrado em abundância e nos mantém saudáveis. Por outro lado, quando buscamos alimentos que não nos são apropriados, perecemos.

Atualmente sabe-se, por diversas passagens, que a Bíblia permite o consumo de carne. No entanto, esse consumo se dá mais na base da concessão do que de uma recomendação, como se Deus dissesse: “O ideal é que o homem não coma carne, mas já que ele quer...”.

Por isso, a Bíblia estabelece alguns impedimentos que, em conjunto, são chamados de leis relativas à kashrut: a carne deve estar completamente livre de sangue (Levítico 17:10-14, 19:26; e Deuteronômio 12:16, 12:23, 15:23), somente podem ser consumidos animais considerados puros (Levítico 11), e o abate de um animal deve obedecer a um determinado ritual (Levítico 17:4).

As escrituras relacionadas refletem a observância escrupulosa de muitas regras, mas tão somente no que se refere ao consumo de produtos de origem animal. As únicas condições impostas ao consumo de alimentos de origem vegetal é que estes estejam limpos, o que é facilmente compreensível, do ponto de vista sanitário.

Qual a mensagem da Bíblia, com todas essas proibições ao consumo de alimentos de origem animal? Tornar esse consumo mais refletido, duro, impraticável. É quase impossível cumprir com todas as regras impostas pela Bíblia para o consumo de carne

Justamente nisso está a graça. Com tantas regras, Deus parece de novo estar dizendo “O homem não deve comer carne”.Quando a Bíblia faz referência à generosidade divina (Deut. 8: 7-10; Deut. 11:14; Salmos 72:16, Amos 9:14-15; Jer. 29:5; Isaías 65:21), os produtos mais freqüentemente citados são os frutos, vegetais, sementes, vinho e pão, mas jamais as carnes.

Tal qual no Jardim do Éden, em que nem o homem nem os animais comiam carne, a promessa bíblica é a de que, com a vinda do Messias, novamente o mundo se tornará vegetariano. “O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o filhote do leão e o animal doméstico andarão juntos, e um condutor pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão como o boi comerá palha. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco.” (Isaías 11: 6-8). Continua Isaías (65:25): “O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; pó será a comida da serpente. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o SENHOR.”.


publicado por Maluvfx às 14:41
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